INTIMACY DEAUX 16
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J. Edgar Hoover Building
10:05 da manh 

Era estranho estar de volta no prdio do FBI. Mais estranho ainda era
ter todo mundo encarando. Ou, melhor ainda, encarando minha barriga. Meu
jaleco e uniforme de autopsia nao escondiam mais a minha gravidez. O pessoal
em St. Louis me via todos os dias, e viram a mudana gradual do meu corpo
mudando. Mas aqui, depois de uma ausencia de quase tres meses... eu era mais
uma vez o topico das discusses. Pessoas que nunca me deram bom dia
me paravam no corredor para perguntar sobre minha saude, muito obrigada.

Ginguei pra fora do elevador. No consegui falar com Mulder ontem  noite.
Deixei muitas mensagens para ele no celular, na secretaria eletronica e
no servio de mensagens, mas ele nao me ligou de volta. Fiquei a noite
toda preocupada com ele. Ele nao estava no escritorio esta manh; comecei a
ligar s oito horas, esperando pega-lo. Minha unica esperana era de que ele
ia chegar para nossa reuniao s dez. Eu j estava atrasada.

"Bom dia, Agente Scully," disse o Dr. Lawrence Phelps, segurando a porta
do laboratorio para mim.

"Bom dia" respondi, igualmente cortes. Fui para a parte de trs do
laboratorio, que eu organizei durante o fim de semana para examinar o
chip. Tinha feito testes, e documentado tudo, mas nao podia decifrar
seu proposito e funo. Mulder tinha que levar isso de volta logo para
Marita, seno ela desenvolveria o mesmo cancer que eu tive.

Observei o relogio enquanto trabalhava, querendo saber, impaciente, se
Mulder iria aparecer. Rezei para que ele nao tivesse sumido de novo,
pois eu nao podia ir atrs dele desta vez. No no meu estado.

"Scully?"

Olhei e vi Mulder na porta.

"Mulder..." eu fui na direo dele.

Ele parecia horrivel. Seus olhos estavam sanguinolentos, e ele estava
precisando fazer a barba imediatamente. Ele usava cala jeans e a jaqueta
de couro.

"Voc est atrasado," eu o toquei de leve no brao. Cuidadosamente restabelecendo
contato com ele.

Seus olhos esverdeados me encararam e ele sorriu, fraco. "Voc ficou preocupada?"

Apertei meus lbios, e acenei com a cabea. "Tentei te chamar ontem  noite e esta
manh. Onde voc estava?"

"Greenwich," ele respondeu. "Fui ver minha mae ontem  noite, e peguei um
vo direto para DC."

"O que ela disse?" ele a evitou desde minha visita, mas eu sabia que ele estava
apenas evitando o inevitvel. Ele tinha que falar com ela depois.

Mulder pegou a jaqueta e o frasco com o implante de Marita.
Ele colocou na mesa entre ns, e encarou isso durante um minuto antes de continuar.
Algo estava errado, terrivelmente errado. Estava escrito no rosto dele.

"Ela tambm tinha um" Mulder sussurrou, olhando diretamente pra mim.
" verdade, Scully. Vi com meus proprios olhos. Ela tinha um implante, mas
foi retirado durante a estadia dela no hospital."

Engoli em seco, colocando as maos sobre o beb, tentando faze-las
parar de tremer. "Ela me disse que estava morrendo..."

"Ela vai ter cancer, assim como voc teve." Mulder falou, triste.
"Ela nao conseguiu negar quando a confrontei."

"Sinto muito, Mulder" eu peguei a mo dele, mas ele pegou meu brao,
me puxando num abrao desajeitado. Girei minha barriga de lado para nao 
ser apertada contra o estomago dele. Senti o corpo dele tremendo quando
ele exalou. Ele estava exausto. Fisica e emocionalmente.

"E eu tambm" ele me balanou suavemente. "Scully, eu deveria ter te contado
sobre Diana. Deveria ter sido honesto contigo desde o comeo."

"Sim, voc deveria" eu concordei, me afastando dele. Peguei o frasco e o segurei em
minhas mos.

"Nao sei quantas vezes vou dizer isso" ele implorou. "Mas eu sinto muito. Este
beb significa mais pra mim do que qualquer coisa que voc possa imaginar.
E eu nao quero nenhum deles perto de vocs. Eu nao queria isso" ele
apontou para o chip, "afetando nossas vidas pra sempre."

"Mesmo assim, aqui estamos ns" eu dei um pesado suspiro. Ofereci o frasco
pra ele. "Bem de volta onde eles querem que estejamos. Divididos entre nossa
arruinada confiana."

Mulder comeou a estender as maos, mas as colocou nos quadris. Me encarando, e no
ao frasco. Seus olhos foram para o beb.

"Nao tenho que pegar o aviao," ele sussurrou. "Nada significa mais pra mim do que
voc e o nosso filho."

"Exceto Samantha" eu falei numa voz tremula. Encontrei o olhar dele, e 
ofereci o frasco, persuadindo-o a leva-lo. "Depois de falar com minha
me ontem  noite, entendi melhor o por que voc no desiste dela."

"Eu te amo, Scully" ele implorou. Os olhos de Mulder encontraram os meus
e eu entrei em suas profundezas.

"Voc ama a sua familia" eu esclareci, colocando o frasco de volta na mesa.
"Ou a que voc pensou que tinha. Seu pai est morto, e sua me te traiu.
Tudo que voc tem e espera encontrar  Samantha, resgantado tudo dessa maneira."

"Voc agora  minha familia" ele continuou, colocando as maos em meu ombros.
"Somos uma familia agora. Eu quero tanto vocs, Scully..."

"No vamos viver a vida que sua me e seu pai tiveram. Este beb no faz parte
da maquinao deles. Quero que nosso filho tenha o que voc no teve." eu
vi a imagem aguada dele chegando mais perto.

"A filha de Samantha deve ser outro clone" ele pegou meu rosto em suas mos.
"Como todas as outras, mas eu nao podia de ter a esperana..."

"De que voc encontrou uma parte dela." eu terminei. "Que ela se mantm viva
naquela criana."

"Sim," ele respirou, abaixando a testa para descansar na minha. "E eu quero que
isso termine, Scully. Eu s quero que isso termine."

* * * * 

De p, assim, perto de Scully, era como se o mundo fosse s ns trs. A soma da
minha existencia descansava nela. Tudo que eu era, e seria, eu coloquei nela e no
meu filho.

Scully no estava me pedindo para me afastar de Samantha. Ela trabalhou
diligentemente para descobrir os segredos do implante desde que eu o trouxe de
Portland. Foi Scully que acentuou a importncia de devolve-lo para Marita,
para que ela nao fosse vitima do mesmo cancer.

"Vamos para o cartrio do Municpio de Fairfax. No h nenhum 
perodo de espera ou pedidos de exames de sangue no Estado da Virgnia. Podemos
ter uma licena e nos casarmos no mesmo dia" eu falei, firme. "Vamos fazer um
acordo. Podemos ter um ministro ministro no-sectrio presidindo a cerimonia
civil."

O lbio inferior dela tremeu. "Mulder-"

"No," eu continuei, erguendo minha cabea e a agarrando pelos ombros. "Se vamos
fazer isso, vamos fazer agora, antes que nosso filho nasa. Ele j tem o que eu
nao tive - dois pais que se amam."

"Sem mais segredos, Mulder" ela balanou a cabea, o queixo determinado. "E 
estou falando srio. Sem mais segredos. Voc me conta tudo a partir de agora.
Voc nao vai ser mais responsvel s por mim, Mulder. Voc  responsvel pelo
nosso filho. E eu nunca vou te perdoar se voc o desapontar. Essas so as minhas
condies."

Atrs das lgrimas nos olhos azuis cristalinos dela, eu vi fria e paixo. Era 
tudo ou nada. Ela arrebatou o frasco da mesa e colocou-o em minha mo, 
enrolando meus dedos ao redor dele.

"Scully?" eu perguntei, com cuidado, encarando o vidro.

"Devolva pra Marita," ela respondeu, respirando fundoi. "E quando voc voltar,
ns casaremos."

"O que?" eu sussurrei, meu crebro processando e reprocessando a ltima
frase. Ela tinha acabado de dizer que ia se casar comigo?

"Voc me ouviu da primeira vez, Mulder" o sorriso dela era suave. Eu 
estendi a mo para tirar as lgrimas do rosto dela, que se apoiou na minha
palma, apertando-a contra o rosto, usando as duas mos, que se fecharam ao
redor do meu pulso, e Scully beijou minha mo antes de desce-la sobre 
nosso filho.

Levou um segundo para eu poder respirar. "Voc tem certeza?"

"Voc tem?" ela contraps, uma linha de preocupao na linda sobrancelha.

"Sim," eu acenei com a cabea, quando a puxei de novos em meus braos.
Beijei o topo de sua cabea, e esperava que isso no fosse apenas um
sonho. "Nunca tive tanta certeza em qualquer coisa em toda minha vida."

"Verei o que posso fazer. Hoje  tera-feira... voc acha que tudo vai estar
pronto no sbado?" ela sorriu, lentamente, depois de fazer a pergunta.

"Farei de voc uma mulher honesta, Scully". Ela retirou um brao e me esmurrou
no intestino. Mesmo grvida, ela ainda podia dar um bom soco.

" melhor mesmo" ela se retirou do meu abrao. "Seu vo sai em uma hora. Vou
apresentar meu relatrio formal para Skinner esta manh, e espero que isso
nos d algum tempo."

Coloquei as maos ao redor do rosto de Scully,e a beijei. Forte e demorado
antes dela ter chance de protestar. Minha lingua danou dentro da boca
dela, saboreando o beijo o tanto quanto possvel. Me recarregou, me
dando a energia que eu precisava para completar esta tarefa final para
que nossas vidas pudessem comear. Nossas bocas se separaram e eu a encarei
por um momento, memorizando isso para sempre na minha cabea. O momento em
que Scully finalmente concordou em ser minha esposa.

"Liga pra mim". No era um pedido. Era uma ordem.

"Eu vou" eu prometi, colocando o frasco no meu bolso.

Eu j sentia falta dela.

* * * * 

J. Edgar Hoover Building
1:45 da tarde 

Olhei para o relgio na parede. Mulder deveria estar a meio caminho para
Portland. Respirei fundo e olhei para meu relatrio pela ltima vez.
Poderia ser melhor, mas pelo menos eu tinha minha propria experiencia
e as das mulheres de MUFON para comparar. Mulder disse que seu mais novo
informante, X, disse que essa era a chave para todas as respostas que eu
estava procurando. Anos depois, eu ainda estava.
 
Estremeci quando meu filho me chutou nas costelas. Mal podia esperar
para ele virar. Eu estava constantemente sem ar, devido a meu tero estar
apertando meus pulmes. Eu massageei a rea, esperando desalojar um pouco.

Sabia que o implante anterior tinha todas as informaes e processos mentais
de uma pessoa. Todas as mulheres que foram sequestradas tinham um na nuca.
Aquela rea parecia importante.

No tinha idia de quando Maria recebeu o dela, ou o que ele fazia. Teorizei
que deveria ser algo relacionado a gravidez, pois Mulder disse que ela parecia
saudvel na primeira visita dele. Bem diferente da maneira em que Spender a
deixou no Forte Marlene.

Originalmente, Agente Pendrell localizou o fabricante do chip sendo de uma
empresa japonesa e sua remessa para um Dr. Zama. Mulder teorizou que 
Zama tinha desenvolvido um humano-alienigena hibrido, capaz de resistir
aos efeitos das armas atomicas e biologicas. Tudo para poder sobreviver
 'colonizao'. Depois, Cassandra Spender provou que esta teoria estava
correta.

O telefone tocou, me tirando de meus pensamentos. Eu peguei automaticamente.

"Scully" eu fechei o arquivo.

"Oi. Aqui  Kimberly. O AD pode ve-la agora mesmo" a secretaria de Skinner disse
do outro lado da linha.

"Obrigada. Estou indo pra a" eu tentei ficar de p. "Mas me d uns dez
minutos. Estou andando mais lenta nestes dias."

Kimberly riu suavemente. "Isso  compreensvel. Vou avisa-lo de que voc
est a caminho."

Desliguei o telefone e fui para o escritorio de Skinner. De novo,
senti os olhos de todo mundo na minha barriga. Tentei cobri-la com meu
jaleco, mas foi ftil. Nem podia abotoar. Fazia tempo que eu tinha visto
Skinner e eu tinha muitas perguntas para fazer sobre a tarefa de Mulder
em Portland.

Eventualmente, eu cheguei ao escritrio dele. Eu estava ofegando e respirei
antes de abrir a porta. Kimberly olhou da mesa e me deu um enorme sorriso.
Ou, melhor ainda, um enorme sorriso para o beb.

"Agente Scully," ela exclamou, ficando de p. Ela apontou para uma cadeira na
entrada. "Ele est no telefone. Por favor, sente-se e tire o peso dos ps."

"No  onde est o peso" eu rodei meus olhos um pouco. "Se eu me sentar,
no vou levantar de novo."

Kimberly sorriu ainda mais. "Quanto tempo falta ainda?"

"Umas duas semanas. Mas eu ficaria mais feliz se fosse mais cedo."

"Voc est pronta?" ela perguntou inocentemente. 

"Para o parto? Acho que sim" eu menti, sabendo que estava morta de medo
sobre o que ia acontecer. Me lembrei vividamente do parto daquele beb na
tempestade, ano passado, durante o furaco. Parecia bem doloroso pra mim.
"Mas nao sei se estou pronta para o que vem depois"

Skinner abriu a porta, interrompendo nossa pequena conversa feminina.

"Agente Scully" ele acenou com a cabea pra mim. Ele parecia agitado,
e suor corria da testa e o rosto estava tenso. Ele colocou as maos nos quadris.
"Mulder j foi para Portland?"

"Ele saiu esta manh", eu respondi, confusa com seu comportamento. "O que
foi que aconteceu?"

Skinner empurrou os culos pra cima do nariz. "Acabei de receber uma ligao
do Depto. de Policia de Portland. Parece que Paula Finley foi encontrada 
morta h meia hora atrs."

* * * *

Oregon Hospital Estadual
Portland, Oregon,
3:00 da tarde 

"Sinto muito, mas voc nao pode entrar l" falou o guarda da segurana. Ele 
estava me segurando. 

"Meu nome  Fox Mulder, e eu sou do FBI." eu lutei contra ele. "O que est
acontecendo?"

Eu pedi, na mesa da recepo, para falar com Paula Finley, depois dos arranjos
que Skinner fez ontem. Mas a mulher chamou o segurana. Ao longe, no corredor,
eu podia ver a fita amarela, e policiais de uniforme. Tive uma sensao funda
no estomago. Eu sabia que era sobre Marita. Droga.

"Quero falar com o responsvel!" eu gritei, enquanto o guarda tentava me
segurar. Se eles queriam que eu causasse uma cena, eu lhes daria uma.
"Aquela mulher est no programa de proteo  testemunha e eu estou aqui
para ve-la. Eu exijo falar com o responsvel!"

"Senhor, voc precisa se acalmar" o guarda agarrou meu brao. 
Outros dois guardas de segurana vieram, e eu procurei, desajeitado, meu
distintivo, mostrando isso pra todo mundo.

"Sou do FBI!" eu falei, entredentes. "Tenho que ver Paula Finley agora mesmo!"

"O que est acontecendo?" veio uma quarta voz. "Eu sou Scott Brandt, diviso
de homicdio. Voc  do FBI?"

Quantas vezes eu teria que dizer a mesma coisa?

"Eu sou o agente especial Fox Mulder" eu me torci no aperto dos guardas. Consegui
empurrar meu distintivo na cara dele. "Aquela mulher l da cela, Paula Finley,
est no programa de proteo  testemunha."

"Ela estava" Brandt gesticulou para eles me deixarem ir. Ele comeou a andar
pelo corredor, destrancando a porta e acenando para os policiais me deixarem
entrar. "Ns ligamos para o seu AD mas eu acho que voce j estava a caminho."

"Voc pode me dizer o que aconteceu? Vim pra c direto de DC."

"Eu te contaria se soubesse" Brandt passou pela fita policial. "Ela estava
reclamando ontem sobre calafrios e alergia cutnea. Os mdicos deram um
pouco de cortisona e fizeram ela descansar. Ela foi encontrada  morta
esta manh. Nunca vi nada como isso."

Engoli em seco quando entramos no quarto dela. Deitada na cama, eu vi a silhueta
dela debaixo do lenol. Eles estavam passando p para impresses digitais, e um
fotgrafo estava tirando fotos do quarto.

O legista olhou para ns, e Brandt acenou para o corpo "Dr. Evans,
este  Fox Mulder, do FBI. Voc pode falar com ele sobre o que encontrou?"
Brandt andou para meu outro lado.

"Acho que ela foi envenada" ele deu um pesado suspiro. "Um contaminante
foi introduzido no sistema dela."

Eu senti minha nuca se arrepiando. "Que tipo de contaminante?"

"Carbono" ele levantou o lenol devagar. "Carbono puro na circulao sangunea."

A pele inchada de Marita estava coberta de veias roxas e manchas. Ela estava
que irreconhecvel. Mordi meu lbio para nao gritar.

" como se o sangue dela fosse usado como uma arma contra o prprio
corpo" Evans somou. Ele estreitou o olhar para mim. "O que foi, Agente Mulder?"

"Eu sei o que  esta coisa" eu me virei para lone de Marita. Era a mesma maldita
coisa que quase matou Skinner. Droga. Eu sabia que eles agora faziam parte
disso. Olhei diretamente para Brandt. "Voc precisa vigiar todas as sadas.
Quem fez isso ainda pode estar dentro do prdio."

* * * * 

4867 Carriagepark Rd
Fairfax, VA,
7:05 da noite

Arrastei minhas duas bolsas de mantimentos pela escada, para a a porta
da frente. Estava tendo um desejo terrvel para macarro. Qual tipo, eu 
nao conseguia decidir, ento eu comprei uma caixa de cada. Coloquei tudo
no chao para pegar minhas chaves. Os Pistoleiros fizeram trs trancas na
porta, alm do sistema de segurana que eles projetaram para ns. 

Coloquei minha chave na segunda fechadura, esperando uma resistencia enquanto
virava a chave, mas no aconteceu. Ser que esqueci de fechar tudo de manh?
Eu estava muito preocupada ultimamente, mas geralmente nao esquecia algo to
importante. A terceira fechadura tambm estava solta.

Peguei meu celular e disquei 911 depressa. Mantive meu dedo no boto 'send',
enquanto abria a porta com cuidado, mantendo distncia. A luz da varanda
iluminou a entrada, e eu olhei dentro. Nada parecia fora do lugar. Tudo estava
como eu tinha deixado. Enfiei a mo o suficiente para acender as luzes de dentro.
A sala de estar estava vazia, tambm.

Mas eu no ia me arriscar. Dei alguns passos para trs, optando pela
segurana do meu carro.

"Oi, Dana," disse uma voz feminina. 

Eu observei. Alm da sala de estar, uma figura estava de p no corredor.
Ela entrou lentamente na luz, as mos pra cima, onde eu podia ve-las.

"Que diabos voc est fazendo aqui?" eu exigi.

"Vim conversar" Diana Fowley disse, parando no centro do quarto. 

Tremi a cabea, em descrena. Apertei 'send', com fora. "Voc est mentindo."

"O que tenho a dizer  importante" ela continuou, observando meus
movimentos. Ela baixou as mos, e as deixou ao longo do corpo.

"Al? Aqui  a Agente Especial Dana Scully, do FBI. Gostaria de informar
sobre um intruso. 4867 Carriagepark Rd ". 

Diana estreitou os olhos. "Voc no deveria fazer isso. Eu j no tenho muito
tempo."

"Obrigada" respondi no telefone, colocando o celular no bolso. "Eles
esto a caminho agora mesmo."

"Me escute. Fox nunca entendeu os sacrificios que os pais dele fizeram.
Talvez voc entenda agora. Eu s queria protege-lo."

"Mais mentiras? Foi voc quem removeu o implante do pescoo da me dele?"
eu gritei, descendo a escada. "Eu sei que voc estava l, Diana."

Apertei a grade enquanto descia a escada. Ao longe, eu j podia ouvir as sirenes.

"Samantha voltar para a filha dela" Diana gritou pra mim. "Esse  o destino dela.
Ns precisamos de uma me que tenha sobrevivido ao vrus do leo negro,
assim como voc..."

Entrei no carro, e bati a porta, trancando tudo imediatamente. Meu corao
batia forte nas minhas orelhas, e eu senti uma punhalada de dor no
meu abdomen. Liguei o carro, saindo to rpido quanto pude. Vi Diana no
meu retrovisor, de p, na calada. Minhas mos estavam tremendo muito,
enquanto tentava guiar direito. Odiava te-la que deixar escapar, mas nao
podia arriscar meu beb. No queria nem saber o que ela tinha a dizer.
Nada teria feito eu ficar, e escuta-la.

Parei no sinal vermelho, e descansei minha testa no volante.
Me forcei a respirar. Dentro. Fora. Dentro. Fora.

Coloquei a mo sobre minha barriga, acariciando o beb. 

"Est tudo bem" eu murmurei para meu filho. "Tudo vai ficar bem."

* * * * 

