Aeroporto Internacional de Lambert
St. Louis, Missouri,
8:30 da noite

"Bagagem do vo 726 da TWA est chegando agora na esteira 6. Bagagem do vo 726 
da TWA est chegando agora na esteira 6."

Esperei impaciente pelas minhas malas. Eu estava incomodada, cansada e
faminta. Dois vos em um dia era demais, e eu senti todo meu corpo 
doendo. Tinha que ir pra casa, e descansar.

Peguei meu celular e conferi minhas mensagens. Haviam vrias de
Mulder na secretaria. Era bvio que ele estava querendo saber para onde
eu sumi hoje. Coloquei o telefone no bolso de novo. No estava pronta
para falar com ele ainda.

Fui para Greenwich para descobrir sobre o casamento dele, mas ao invs disso
descobri o segredo mais escuro da me de Mulder. De alguma maneira, isso 
diminuiu minha raiva para ele, e me fez chegar a um acordo. A me dele achava
que eu fazia parte da mesma experiencia que ela. Ela me disse que estava
morrendo, algo que eu tinha certeza de que Mulder nao sabia.

Finalmente minha bagagem apareceu, e eu puxei com fora da esteira.
Algum me ajudou a puxar a manivela, e entao eu podia rodar a mala
pelo aeroporto e pegar um txi.

Andei lentamente, nao tendo energia para ir mais rapido. Arrastei a mala pela
escada rolante para o terminal principal. O aeroporto estava cheio, as pessoas
esperando em todos os lugares, e eu passei por elas, indo para as portas.
Se eu nao estivesse tao cansada, eu me viraria e pegaria o proximo vo para fora
daqui. Para um lugar longe, bem longe, onde eu pudesse refletir sobre tudo isso.
Tentar entender as mentiras e as verdades, e descobrir onde Mulder e eu estavamos
metidos nisso. Se pudessemos fazer isso...

Ignorei todo mundo e fiquei perdida em pensamentos. Pelas janelas, eu podia
ver os taxis alinhados, e continuei andando.

"Scully," veio uma voz amortecida pela multido, me tirando dos meus pensamentos
ego-absorventes.

Parei durante um segundo, e olhei ao redor. Agora eu estava ouvindo coisas!

"Scully!"

Mulder? No... nao podia ser. Continuei andando, determinada a sair daqui.
Mas no canto do olho, eu o vi.

"Scu-leeee!"

Meu Deus, o que ele estava fazendo aqui?

Meu corao correu quando ele veio na minha direo. Ele estava usando terno.
Achei que ele estava em casa, trabalhando para deixar tudo pronto. Eu queria
correr to depressa quanto possivel, e quanto podia, mas meus ps estavam
presos no chao.

"Tentei te ligar o dia todo, mas seu celular estava desligado."
ele me apertou nos ombros. Era bvio que tinha acabado de sair de um aviao e
nao podia achar uma desculpa inteligente para meu paradeiro.

"O que voc est fazendo aqui?"

"Eu poderia estar fazendo a mesma pergunta" eu tentei me soltar de seu toque.

Mulder estreitou os olhos, e ento olhou pra baixo. Antes que eu pudesse
arrancar a etiqueta, ele pegou minha mala, olhando para a etiqueta do meu 
vo.

"Greenwich?" ele leu, me questionando com os olhos. "Voc estava em
Greenwich?"

"Sim" eu respondi, pouco capaz de esconder minhas emoes. Engoli o caroo
na minha garganta e comecei a caminhar.

"Voc foi ver minha me?" ele perguntou, me alcanando. " Scully, espera..." 

"Esperar?" eu estalei, me virando. "Esperar pelo que? Pelas suas mentiras sobre
seu paradeiro? Eu sei que voc nao estava em Virginia hoje e tenho certeza de 
que voc nao voou pra c para me fazer uma surpresa."

A face dele ficou solene e inexpressiva. Igual a da mae. "Nao, Scully. Eu
nao estava em Virginia. Eu estava em Portland."

"Portland?" eu repeti, luzindo pra ele. Ele caminhou para mim, colocando a mao
de novo em meu ombro. Minha mente se lembrou de algo sobre aquela cidade.
Ele nao esteve l h poucas semanas?

"Sim," ele confirmou, olhando ao redor do aeroporto. Comecei a me afastar dele,
mas ele me apertou de novo. "Scully, voc pode me dar uma chance para
explicar?"

Deixei de lutar, e Mulder pegou minha mala. Fiquei aliviada por nao estar
carregando mais peso, mas odiava depender dele neste momento. Segurei minha
pasta, nao querendo ser separada dela.

Mulder agarrou a manga do meu casaco, e me puxou para um canto, nas enormes
janelas que mostravam as pistas. Me apoiei contra a grade, tentando tirar
um pouco de peso dos meus ps. Por dentro, eu me sentia enjoada de nervoso,
mas tentei manter minha expressao calma.

"Vou te contar o que aconteceu em Portland se voc me disser o que voc
estava fazendo em Greenwich," ele comeou, me dando um olhar intenso.
"Voc nao deveria estar viajando em suas condies, to perto do parto."

"Fui ver sua me" fui bem direta.

"Ela est bem?" linhas de preocupao apareceram em sua testa.

"A sade dela no foi a razo da minha visita," eu abri a pasta e 
tirei a foto, mas nao olhei para ela. Quase joguei a coisa para Mulder,
e ele pegou contra o peito. "Foi isso aqui."

Ele inverteu a foto com cuidado, mantendo os olhos em mim at o ultimo segundo.
Quando ele finalmente olhou pra baixo, um pequeno suspiro escapou de seus
lbios.

"Onde voc conseguiu isto?" ele sussurrou, trincando os dentes enquanto 
encarava a foto.

"Um presente do meu ch de beb" eu cruzei os braos para nao tremer.
"Meus colegas de trabalho me fizeram um ch de beb surpresa na sexta, e
isso a estava na mesa de presentes, numa armao prateada, de beb."

"Entao voc decidiu perguntar sobre isso para minha me?" os olhos
dele mostravam mgoa e confuso.

"Eu queria a verdade, Mulder". Senti meu corpo tremendo e minha voz comeou
a rachar. "Eu estava preparada para confrontar a verdade sobre sua relao
com Diana, mas..."

"Mas o que?" ele apertou as maos sobre meu rosto. Meus dedos se enrolaram ao
redor dos pulsos dele, pronto para tira-las do meu rosto, mas eu nao consegui.

"Ela me contou sobre outra coisa" eu estava com medo de continuar.
"Algo sobre voc e Samantha..."

* * * * 

Samantha. Sempre Samantha. 

Ela estava brava. Muito brava. Furiosa. Mas aquela raiva se dissolveu em outra 
coisa quando ela ficou de p na minha frente. Jesus, o que aconteceu?
Quem mandou isso pra ela?

Scully estava tremendo, e eu sabia que minha me tinha dito coisas
pra ela alm do meu infeliz casamento com Diana. Eu tirei minhas maos
do rosto dela, e as coloquei sobre os lados da enorme barriga. Ela nao 
deveria estar to transtornada assim. Eu tenho certeza de que isso nao era
bom nem para ela, nem para o beb.

"Scully..." eu estava desesperado para descobrir o que minha me contou
que a deixou neste estado to nervoso. "O que ela falou sobre Samantha?"

Ela agarrou meus ombros, e me puxou mais perto. Passei um brao sobre os 
ombros dela, e nos virei para a janela. Scully virou sua ateno para a 
pista abaixo de ns, tentando evitar uma confrontao face-a-face.

"Nao sei o que te dizer, Mulder... ela... ela era estril, assim como
eu."

"Estril?" eu repeti, tremendo minha cabea. Minha me? 

"Eles disseram pra ela que poderiam dar o beb que ela sempre quis. Mas
ela tinha que aceitar as condies deles". Ela estava agitada, e nao 
estava fazendo muito sentido.

"E quais eram as condies?" eu tentei firma-la. Fiquei meio doente em
pensar neles fazendo testes em minha me, assim como fizeram com Cassandra
Spender.

"Ela tinha que ter dois filhos. Uma seria dela e de Bill, e a outra nao."

"Voc est dizendo que minha me... concordou com isso?" finalmente eu percebi
o que ela estava tentando me dizer. "Scully, nao entendo por que ela te contou
isso."

"Porque eu estou grvida," ela me olhou. "Por causa de Diana. Porque ela
fez um trato com eles."

"Diana?" eu me lembrei de quando a encontrei no quarto da minha me,
no hospital. Tudo fazia sentido. Ela disse que estava l por causa de 
minha me, mas o que isso significava realmente? O que aconteceu entre elas
antes que eu chegasse l?

"Ela  parte disto, Mulder," Scully se afastou de mim. "O casamento de vocs
foi uma mentira. Eu sei disso. Ela deveria te impedir de achar Samantha. De
descobrir a verdade sobre sua me."

"Scully..." eu sussurrei enquanto minha mente tentava juntar todas as informaes.
"Eu sei que ela  uma parte disso. Ela foi visitar minha mae no hospital, logo
depois do ataque cardiaco."

Ela arregalou os olhos enquanto olhava para mim - e eles mostravam traio.
"Diana estava l, e voc nao me contou?"

"Eu nao pude" eu sabia que uma desculpa fraca nao ia ser suficiente para ela.
Agarrei a palma dela, e a forcei a abri-la. Scully lutou contra meu toque,
mas eu era muito mais forte. "Nao podia te contar nada, at ter uma prova.
Prova cientifica para voc."

Peguei o frasco no bolso, e coloquei na mao dela. Scully piscou, nao acreditando
no que estava vendo.

"O que  isso?" ela pegou o frasco. "Outro implante?"

"Sim," eu deixei ela se afastar de mim. Ela ergueu o frasco, olhando o implante
por todos os angulos. "Foi por isso que eu estava em Portland. Tudo que est nesse
chip em informao sobre o que Diana e minha me esto metidas. E, eu espero,
sobre a filha de Samantha."

* * * 

Parte oito
4867 Carriagepark Rd
Fairfax, VA,
8:15 da noite

"Me, voc esqueceu aquela parte" eu tirei uma mecha de cabelo do rosto,
e estiquei as costas, tentando relaxar meus msculos doloridos.

"Onde, querida?" ela nao queria ter o trabalho de procurar.

"Ali" eu indiquei uma pequena mancha de branco entre uma enorme rea de prpura.
Tinhamos dividido o quarto em duas cores. O teto era azul claro, cor do cu.
Parava no meio da parede, e ento ficava prpura. Onde elas se encontravam,
teria uma borda de papel de parede. Eu ia esfregar nuvens brancas no teto.
Agora, como eu ia alcanar o teto era outra historia.

"Estou muito velha pra isso" ela sorriu antes de retocar a pintura. Eu
finalmente escolhi um tema para o berrio e estava ansiosa para comear.
S tinha duas semanas antes do parto, e estava muito ocupada com muitas
coisas.

"Voc precisava de Fox aqui pra te ajudar" ela repreendeu, mando um olhar
ctico pra mim por sobre o ombro.

"As coisas so muito complicadas, me..." eu peguei os pinceis e os coloquei
num balde. Olhei para o relogio - tive que dar um credito para ela; minha me
esperou trs horas, vinte e quatro minutos e oito segundos antes de mencionar
o nome dele.

"As coisas nao sao complicadas, Dana. Voc s o est evitando. Era ele quem
deveria estar pintando o quarto.  filho dele, tambm."

Gemi, esfregando minha barriga em pequenos circulos. Outro sermao. O mesmo que
eu ouvi no dia de Ao de Graas quando cheguei na casa dela sem ele.
Tanta coisa aconteceu e eu ainda estava tentando entender tudo.

Depois de me encontrar no aeroporto, Mulder mudou o vo dele para que pudessemos
conversar. Foi entao que eu descobri o que ele estava fazendo nas minhas costas.
A pedido de Skinner, ele visitou uma Marita Covarrubias grvida. Um produto das
experiencias geneticas do Sindicato. Tambm descobri que Diana Fowley 
estava no hospital quando a me dele tinha tido o ataque cardiaco,
falando em enigmas sobre familia e obrigaoes. Ser que ela sabia o que essas
palavras significavam?

Minha tarefa em St. Louis terminou na ltima sexta, e voltei no fim de
semana, s para ver que Mulder colocou tudo que era meu para a nova casa.
Eu disse que queria ficar um tempo longe dele, e ele respeitou meus desejos.

Peguei a borda que eu ia colocar na parede. Ursinho Puff estava me encarando,
inocente, de p perto do jarro de mel e com seu amigo. Oh, como eu desejava
entrar no papel de parede. A imagem do Ursinho Puff ficou aguada, e sem
foco enquanto eu imaginava poder fazer isso.

De repente, senti as maos de minha me nos meus ombros, e ela comeou a
massagear meus braos suavemente.

"Dana?" ela me virou para ficar de frente pra ela, que teve que dar um passo
para trs para evitar contato com minha enorme barriga. "Eu sinto muito."

"J estou por aqui com estas mudanas de humor" eu sequei minhas lagrimas
com a manga da minha blusa. "E hemorridas, azia, indigesto, ficando
toda inchada, cheia de desejos e querendo vomitar."

"E..." ela insistiu, erguendo uma sobrancelha.

"E Mulder" eu terminei, sabendo que ele era o motivo para minhas
emoes. Corri a mao por meu cabelo, arrumando o rabo de cavalo. "Por que 
voc falou no nome dele? Estvamos indo to bem sem ele..."

"Isso  ir bem?" ela me olhou da cabea aos ps. "Nao minta pra mim, Dana.
Eu sou sua me."

"E foi certo Mulder mentir pra mim?" eu repliquei. Ela sabia de toda parte
srdida da historia.

"Nao. Nao foi. Mas ele estava tentando te proteger, e ao beb."

"Nao precisamos da proteo dele" eu quase cuspi as palavra. "Ns s
precisamos..."

"Dele" ela terminou, me abraando.

Choraminguei como uma idiota durante os proximos dez minutos, agarrando minha
me como se eu fosse uma garotinha. Por que a vida era to complicada?
Nao podia viver com ele, e nao podia viver sem ele. Me sentia miseravel.
Bem l embaixo, eu realmente deveria amar Mulder.

"Tem uma razao por voc estar assim agora" ela me balanava. "Voc precisa
tomar uma decisao, Dana. Esquea das conspiraes e mentiras e o passado
por um momento, e pense no que voc quer. Nao posso explicar por que Fox fez
o que fez, mas posso te dizer por que ele fez isso. Medo. Ele te ama mais do 
que qualquer coisa, e est morto de medo de te perder."

"Durante toda sua vida, Mulder foi manipulado. Comeando com seu proprio
nascimento, o rapto de Samantha, o casamento dele com Diana e os Arquivos X.
Nao acho que ele sabe quanta responsabilidade ele tem com este beb."

"Ele sabe" ela alisou meu cabelo. "Ele te comprou esta casa. Ele fica te
pedindo para se casar com ele. Ele trouxe prova cientifica para voc
acreditar nele. Eu diria que ele est se esforando muito para ser
responsvel por vocs dois."

"Nao quero que esta criana seja parte daquele mundo, me. Mas eu sinto como
se estivessemos voltando pra l."

"Acho que Fox quer acabar com isso. Descobrir que o pai dele nao era 
pai dele, e que sua me era parte de uma experiencia deve ser demais para
qualquer um. Ela provavelmente sabe mais sobre o beb de Samantha, cujo o teste
foi trocado com o seu. Ele sente obrigao com Samantha, para descobrir esta
verdade."

"Tenho feito pesquisas sobre o chip, me. E nao pude achar nada." Apesar
dos problemas que estavamos tendo pessoalmente, eu o apoiava profissionalmente.
"Nao entendo seu proposito mais do que entendo o do que est dentro de mim."

"Quando voc vai ve-lo de novo?" ela colocou as maos sobre minha barriga.

"Amanh de manh. Vamos nos encontrar no predio do FBI para revisar o que
achamos antes que ele possa levar o chip de volta para Marita."

"Quero que voc se lembre de uma coisa, Dana. Voc e Fox controlam suas proprias
vidas. Nao eles. Vocs dois fazem um casal incrivel e vocs dois ainda esto
juntos. Profissionalmente. Pessoalmente. E eles nao podem impedir vocs dois
de se tornarem uma familia."

* * * *

Casa de Teena Mulder
8:25 da noite

"Fox?" minha mae perguntou, olhando pela fresta da porta.

"Posso entrar?" eu disse, olhando para o rosto palido dela. Nao tinha 
certeza do que estava fazendo aqui, mas eu sabia que tinha que ve-la, e nao
podia mais fugir.

"Nao tenho certeza se devo" ela olhou a varanda. "Nao sei se seria uma
boa idia."

"Eu vim de muito longe, me. Acho que precisamos falar" eu empurrei a porta at
onde iria, mas ficou presa contra a corrente. Tudo tinha virado de cabea
pra baixo h algumas semanas. Tudo que estava acontecendo sobre o beb de
Samantha tinha comeado na minha me. Ela disse para Scully sobre minhas
verdadeiras orignes, de um acordo feito com meu pai me envolvendo, e a Samantha.
S ela poderia me dar as explicaes que eu tanto precisava.

"Nao tenho nada a dizer" 

"Voc tinha algo a dizer com Scully". E isso foi o suficiente para colocar
Scully numa distancia emocional enorme. Eu ferrei tudo nao falando pra ela
sobre Diana e Marita antes, e eu merecia o inferno que estava passando agora
mesmo.

Minha me suspirou, fundo e pesado. Ela fechou a porta, tirando a corrente, e 
me deixando entrar. Antes que ela pudesse mudar de idia, entrei 
rpido. E fui atingido pelo corpo magro dela. Ela tinha perdido muito peso desde
seu ataque cardiaco. Na verdade, as muitas e muitas roupas que ela usava
estavam penduradas em seu corpo. Ela nao parecia bem.

"Voc nao contou pra ela sobre seu casamento com Diana" ela estava me 
acusando, e virou para ficar de frente pra mim.

"Que casamento? Aquilo nao era casamento - era vigilancia. Foi para isso que
ela foi enviada. Ela  parte disso. Ela sempre foi. Eu estava muito confiante
para ver isso. Acreditei que voc era inocente tambm. At agora."

"Eu queria uma familia" ela dobrou os braos sobre o peito. "Durante anos
seu pai e eu tentamos ter um beb. Eles disseram que podiam fazer isso 
acontecer. Voc nao sabe o que  querer tanto uma coisa e saber que
nao poder te-la."

"Oh, eu acho que sei sim" eu assobiei enquanto imagens de Scully enchiam
minha cabea. Eu queria uma vida com ela mais do que qualquer coisa neste
mundo. Eu nao ia decepciona-la de novo.

"Eles falaram que podiam fazer isso acontecer. Eles tinham como nos dar uma
familia. Voc nao estaria aqui se nao fosse por eles, Fox."

As palavras dela me cortaram ao meio. Eu deveria agradecer? Era algum tipo
de honra? Fiquei doente ao pensar nisso.

"Quem  meu pai verdadeiro?" os olhos dela se arregalaram. Fui para ela, me 
preparando para sua resposta. Meu pai deve ter suspeitado de alguma coisa
desde o comeo, ou pelo menos que eu nao era dele, devido a maneira como
ele se distanciava de mim. "Eles nao te disseram pelo menos isso?"

"Nao importa" ela se afastou. "Voc  meu filho, tanto quanto Samantha."

"Como voc pode ter certeza? Eles podem ter fertilizado voc com qualquer embriao.
Talvez Sam nao tenha sido levada porque ela era filha do meu pai - como eles
disseram. Talvez ela era parte de alguma experiencia. Deve ter uma razao para
ela ter sido criada, e por que ela  sempre..."

Minha me me bateu no rosto, cortando minha frase.

"Isso no  verdade, Fox!" ela chorou, os lbios tremendo. "Voc  meu filho,
e Samantha  minha filha! No quero nunca mais te ouvir dizendo isso de novo!"

Tremi ligeiramente pela picada de onde ela me bateu. Ela colocou as maos
na boca, lamentando o que tinha acabado de fazer. Em seus olhos, eu vi medo
e raiva. Aposto que iosso era algo que ela suspeitava durante anos, mas escolheu
negar tudo. Talvez ela achou que eu nunca descobrisse.

"Existe um beb" eu recuperei minha compostura. "Um beb em algum lugar, que
tem o mesmo padro de DNA que o meu.  quase certo que seja filha de Samantha.
Talvez ela seja apenas outro clone, mas eles quiseram que eu soubesse deste
beb, pois mandaram para Scully o resultado da amniocentese da criana."

"Samantha tem uma filha?" ela sussurrou, ainda mantendo as mos dobradas.

"Acho que sim. Tenho razoes para acreditar que ela estava sendo gerada por
uma me substituta. Uma que foi infectada com o virus do oleo negro, e que
sobreviveu." eu peguei o frasco no meu bolso. "Uma que tinha isso implantada
no pescoo."

Minha me ofegou ao ver o microchip.

"Scully tinha isso tambm, logo depois do rapto dela. Encontramos outras
mulheres que tambm foram levadas, testadas, e que tinham este implante.
Voc tem alguma idia do que isso faz, ou o que significa?" eu implorei,
querendo que ela me contasse a maldita verdade.

"Nunca vi nada parecido com isso" ela fechou os olhos, nao podendo me olhar
diretamente no olho, mentindo pra mim. Ela nunca conseguiu mentir pra mim.

Se virando de costas, ela apertou o roupao de banho. De repente, eu fui 
para ela, agarrando-a pelos ombros.

"Fox, tire suas maos de cima de mim!" ela protestou, tentando me afastar.

Mas eu tinha que saber. Agarrei a gola do roupao, e puxei pra baixo, e fiquei
horrorizado com o que vi. Uma cicatriz identica que Scully e Marita tambm
tinham. Fiquei gelado, olhando para a pequena marca.

"Ento... agora voc sabe" ela falou, puxando a gola de volta. Lgrimas desciam
por seu rosto. "Foi para isso que voc veio aqui?"

"O que isso quer dizer? O que eles fizeram com voc, me?"

* * * * 


