INTIMACY DEAUX 12

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Lacey Spring, Virgnia
12:48 da tarde

Odiava a semana aps o Dia das Bruxas. Passei o tempo todo 
investigando a estranha mania que as pessoas tem em consagrar 
tudo para este dia. E este ano, eu nem tinha Scully por 
perto para fazer isso remotamente suportvel.

Encarei os corpos de dois pastores alems, uma cabra e um 
pequeno bezerro. Todos mutilados de maneira ritualstica, 
mas amadora, e deixados no meio de um campo vazio. 
Provavelmente eram algumas crianas que no tinham o que 
fazer para o Dia das Bruxas, e claro que numa cidade pequena 
como Lacey Spring, o FBI foi imediatamente chamado para 
investigar a atividade oculta. "Este tipo de coisa no 
acontece por aqui" o xerife me disse, arrogante.

Olhei para meu relgio de novo. Quase seis horas at Scully 
estar saindo de um avio em Dulles, e para os meus braos. 
Mal podia esperar. Eu no a tinha visto h duas semanas, 
desde o ataque cardaco da minha mo, e nem foi uma visita. 
Estvamos muito focalizados na minha me.

Minha me estava se recuperando. Ela tinha que mudar muitas 
coisas em sua vida, como dieta, exerccio e remdios. Mas 
Scully tinha razo: saber que ela ia ser av lhe deu o 
incentivo para melhorar. Consegui evitar a conversa sobre 
a grande pergunta do motivo que eu tive para no falar com 
ela sobre isso. Mas eu ainda no estava pronto para lidar 
com isso.

Me afastei da cena, deixando o fotgrafo tirar as fotos, 
que provavelmente iriam parar na Enquirer do prximo ms. 
Sacrifcios de animais provam a existncia de culto satnico 
ou alguma coisa assim. Aposto que todas as crianas que 
fizeram isso com os animais esperavam por isso. Alguma 
controvrsia. Um pouco de ateno.

O que faz uma criana crescer assim? Sociedade? Televiso? 
O declnio da unidade familiar? As escolas? Me achei querendo 
saber sobre estas coisas enquanto analisava o mundo que 
minha filha estava a ponto de nascer. Que se dane a 
colonizao: J tinha muita coisa ruim no mundo para me 
preocupar.

Mas eu tinha anos para me preocupar sobre isso ainda. 
Agora, o que era importante para mim era estar com Scully, 
e ajud-la a passar este ltimo trimestre. Ainda no podia 
acreditar que eu ia ser pai em nove semanas. Continuei 
esperando acordar numa instituio mental, com uma enfermeira 
sobre mim, me dizendo que tudo era um sonho. O sonho de um 
homem louco.

Ento, meu pager vibrou. Peguei o aparelho e li a mensagem.

"Adivinha s: sua lareira funciona. Byers" eu li em voz alta. 
Tinha dado a chave da casa para Moe, Larry e Curly para que 
eles pudessem fazer os consertos secundrios em seu tempo 
de folga, mas eu no fazia idia de quanto tempo de folga 
eles tinham. Pareciam que eles estavam l o tempo todo, e 
fazendo s Deus sabe o que, enquanto eu trabalhava. Mas a 
casa estava ficando pronta. Finalmente.

Queria mostrar tudo para Scully, mas me prometi esperar at 
que ela voltasse de St. Louis, para ficar. No tive coragem 
nem para ligar para Bill, e falar sobre a idia de casamento 
de Margaret Scully. Cada vez que eu falava isso para Scully, 
ela dizia que eu tinha que ligar pra ele. Irnico eu ter que 
passar por Billy-Boy para fazer nosso casamento acontecer. 
Scully no parecia muito preocupada com isso. Acho que ela 
queria fazer isso depois que o beb nascesse, julgando pelas 
suas piadas sobre conseguir um vestido de noiva-grvida.

Estava esperando que este fim de semana nos daria uma 
chance para fazermos alguns planos. Eu sempre soube que 
meu futuro seria com Scully. S nunca imaginei que 
aconteceria assim. Embora as coisas ainda estivessem um 
pouco complicadas, eu tinha que me agarrar a idia de que 
ns faramos tudo dar certo. Meus enganos passados no 
iam me pegar, e eu queria comear do zero. Devia isto 
para Scully e para minha filha. Eu planejava dar isso 
para elas, de alguma maneira.

* * * * 

Hospital Barnes-Judeu
St. Louis, MO
12:00 da tarde

Dra. Stephens moveu o scanner lentamente sobre minha 
barriga; o som fixo do corao do beb encheu o quarto, 
rompendo o silncio horrvel que tinha cado entre ns.

"Ali" ela falou, apontando com o dedo a projeo entre 
as pernas do meu beb.

Eu estava tentando no chorar de novo. Ela s concordou 
em fazer a ultra se eu me acalmasse e relaxasse, mas como 
eu poderia fazer isso?

Acenei com a cabea para a imagem, e depois que o choque 
sumiu, sorri um pouco. Um filho?

"Deve ter acontecido um engano no laboratrio. Quero ver 
o que te mandaram para comparar os resultados. Isto nunca 
aconteceu antes com os laboratrios SmithKline, mas voc 
pode apostar que eu vou descobrir o por que."

Fechei meus olhos enquanto lgrimas caram sobre meu rosto. 
Isto no era simplesmente um caso sobre resultados trocados. 
Talvez para outra pessoa seria a explicao plausvel. Mas 
no para mim.

"Quero fazer o teste de novo" eu esfreguei a regio lombar 
de novo. "Se estes no eram meus resultados, quero fazer 
de novo, num ambiente controlado. Em DC, no laboratrio do 
FBI."

"Dana", ela disse, colocando a mo sobre a minha. "Voc sabe 
os riscos de uma segunda amniocentese. Voc est tima, entre 
14 a 17 semanas. O risco de falha ainda  de 1/200, igual a 
antes."

"Eu entendo, mas eu quero fazer um teste de DNA."


Ela olhou para mim com suspeita, talvez querendo saber por 
que eu iria querer fazer um teste como este. No tinha 
motivos para questionar a paternidade do meu filho. Ou a 
maternidade - at agora. Ela no sabia pelo que passamos 
ou o que o projeto faria ou sobre Emily, ou sobre todo 
mundo que no iria parar at que minha vida e a de Mulder 
estivessem ferradas.

"Se esta  a sua deciso, vou fazer os arranjos com seu 
mdico em Georgetown para preparar a amnio" ela falou, 
pausando entre as palavras. Ela parecia reservada, 
obviamente envergonhada profissionalmente pelo engano.

Mas eu sabia que isso no tinha nada a ver com ela, ou 
este hospital, ou o laboratrio.

* * * *

J. Edgar Hoover Building
Washington, DC
3:25 da tarde

"Fox Mulder" eu atendi, pegando o telefone.

"Agente Mulder, estou com o painel de controle de um navio 
da frota USS para voc. Posso passar?"

"Sim", eu disse, me inclinando na cadeira. Finalmente, a 
chamada que eu estava esperando. Escutei os cliqs enquanto 
ela transferia a chamada para minha linha. "Fox Mulder."

"Aqui  Bill Scully" ele falou, latindo o nome como se eu 
devesse saud-lo. "Aconteceu alguma coisa com Dana?"

"No", eu tentei parecer tranqilo. Reconheci a irritao 
na voz dele, como sempre acontecia quando ele falava comigo. 
"Ela est bem, mas ela  a razo por eu ter pedido esta 
ligao."

Esttica crepitou pela linha. " melhor voc no ter feito 
nada pra ela. Ela ainda est em St. Louis, certo?"

"Sim, ela est" eu respondi, obediente, e somei. "Mas eu 
vou v-la esta noite."

Aquilo o tirou do srio.

"Se ela tiver um pingo de bom senso, ela vai ficar em St. 
Louis. Nem precisa dizer que fiquei aliviado quando ela 
foi transferida de DC. A ltima coisa que minha irm precisa 
 ser arrastada atravs do pas todo grvida do jeito que 
ela est." ele cuspia as palavras. "Estou esperando que esta 
separao faa ela perceber que ela est bem melhor sem voc."

Trinquei meus dentes, no querendo que este filho da me 
me intimidasse. "Goste disso ou no, Bill, Scully est 
carregando nossa filha. E apesar do que voc possa pensar, 
estou levando total responsabilidade por elas."

"Isso  uma piada" ele rosnou. "Eu vi a maneira como voc 
cuidou dela antes. Voc no est fazendo nenhum favor."

"Este beb quer dizer o mundo a Scully", eu comecei, 
esperando encontrar o Calcanhar de Aquiles dele. "Tenho 
certeza de que no preciso explicar isso. Ento, o que 
estou a ponto de te pedir...  que voc no vai estar 
fazendo isso por mim, mas por sua sobrinha. Uma criana 
que merece os dois pais."

"Se voc vai me pedir para eu ajudar num casamento naval, 
a resposta  no" ele falou, bem claro. "J falei com isso 
com a minha me e suas palavras no vo mudar minha opinio."

Ok,  assim?

"Voc  realmente um idiota, Bill" eu falei na minha voz 
mais doce.

"E voc  realmente um filho da !@#$ Mulder" ele falou de 
maneira doce tambm. "De jeito nenhum eu quero que voc se 
case com a minha irm. Se dependesse de mim, eu iria fazer 
o impossvel para ela conseguir custdia exclusiva, e ficar 
com a filha dela bem longe de voc, tambm. Sei como sua 
famlia , e eu nunca faria dela uma parte voluntria disso."

"Fico feliz que voc pense assim, mas com ou sem a sua ajuda, 
eu estarei te chamando de cunhado em breve. Te vejo na festa 
de natal, mano."

"Sobre meu cadver" ele desligou o telefone.

Eu olhei para o telefone.

"Diria que isto foi melhor do que eu esperava." eu falei 
comigo mesmo, antes de soltar de vez o aparelho. Olhei 
para o relgio de parede.

S faltavam trs horas e meia.

* * * *

Apartamento de Scully
St. Louis, MO
2:30 da tarde

Dobrei as trs roupas de grvidas favoritas que tinha, e as 
coloquei na mala, uma para cada dia do seminrio. Depois eu 
coloquei minha meia suporta e minha sandlia, e tentei ficar 
focalizada na tarefa. Ternos, roupa ntima, meias-finas, 
calas jeans, camisas, sapatos, artigos de higiene... ser 
que esqueci alguma coisa?

S o envelope que estava no balco da cozinha. O que tinha 
a ultra nova, e os outros resultados. Provando o que voc 
temia desde o comeo, minha mente escarneceu.

Me sentei na cama e enterrei minha cabea nas mos. Como 
eu contaria isso para Mulder? Eu deveria ter checado com 
a Dra. Stephen quando eles chegaram. Eu deveria ter feito 
o teste de DNA antes. Mas isso podia ter sido falsificado 
tambm. No. Eu ia fazer isso certo desta vez, e debaixo 
de um ambiente controlado. Eu tinha feito os arranjos para 
usar o laboratrio depois das 5 da tarde, de amanh, depois 
da minha amnio. Sem espera. No podia agentar mais.

Como eu vou falar para minha me? Ela entenderia o que 
Aconteceu. Culpar tudo isso por um simples engano de 
laboratrio no ia dar certo. Ela sabia muito bem do que 
nossos inimigos eram capaz. Bill? Ele vai achar uma maneira 
de culpar Mulder por isso. Charlie? Meu inocente Charlie 
apoiaria seu irmo mais velho.

E ento havia a me de Mulder. Como ela levaria as notcias? 
Ser que ela ficaria surpresa? Pintei o rosto dela, no 
registrando nada. Este era o tipo de coisa que Mulder queria 
me proteger no dizendo nada pra ela? Quis saber o que ele 
poderia estar escondendo desde que eu descobri sobre sua me.

Minha mo pegou o telefone, e discou o nmero dele automaticamente. 
Em transe, eu coloquei o aparelho na minha orelha.

"Mulder" ele atendeu no segundo toque.

"Oi" minha voz estava trmula.

"Oi" ele fez a palavra ficar to morna... convidativa... 
"Como foi o exame?"

"Tudo bem" O que mais eu poderia dizer. No podia lhe contar 
nada.

"Eles j sabem o tamanho dela? Como ela est grande?" ele 
estava entusiasmado. Oh, sim... esta era uma das coisas que 
amos descobrir hoje. Me esqueci completamente.

"Uh--no", eu resmunguei. "Eu estava atrasada, e no fui 
medida."

"Tudo bem... contanto que vocs duas tenham conseguido os 
sinais positivos."

"Ns conseguimos" eu respondi. 

"Voc contou pra sua mdica que voc ia voar esta tarde? 
Est tudo bem com isso tambm?"

"Sim" eu me deitei na cama, e me enrolei numa posio fetal, 
colocando um travesseiro entre meus joelhos. Era muito bom 
ouvir a voz dele.

"Que bom. Caso contrrio, eu teria que dirigir at a para 
te pegar" ele brincou. Fechei meus olhos, imaginando Mulder 
comigo. Ele pausou, e perguntou, srio. "Voc no deveria 
estar rumo ao aeroporto? Seu avio sai em uma hora."

"Eu-eu s quis falar com voc" eu esperava que ele culpasse 
meu estado devido aos hormnios da gravidez. Eles faziam que 
minha TPM fosse um dia no parque.

"Ok" ele demorou um tempo para responder. "Mal posso esperar 
para te ver, Scully. Tenho tanto pra te contar."

Eu dei um suspiro pesado. "Eu tenho muito pra te contar, 
tambm."

* * * *

Dulles Aeroporto Internacional
7:15 da noite

Para uma noite de tera, o aeroporto estava bem lotado. Um 
avio da Egypt Airlines caiu esta semana, matando 217 pessoas. 
Fiquei nervoso sobre Scully voando. Meu corao tremulava 
enquanto eu procurava nas telas e achava o nmero do vo 
dela de St. Louis. Suspirei de alvio quando vi o sinal de 
POUSOU no porto 12 ao lado do vo 257 da TWA.

Acelerei meus passos enquanto ia pelo corredor, ansioso para 
v-la. Aquele telefonema mais cedo me preocupou. Se alguma 
coisa estava errada, ela no teria pego o avio, eu fiquei 
me contando. Ela devia estar cansada, ou apenas sensvel. 
Mesmo assim eu sabia que as respostas nunca seriam to 
simples. No para ns, de qualquer maneira.

Parei no porto 12, olhando pela multido de pessoas que 
saam do avio. Os cabelos ruivos dela me facilitavam a 
busca, e eu procurei por eles. Meus olhos filtraram todo 
mundo que saa.

Nenhum sinal de Scully.

Droga. Empurrei alm das pessoas no balco, tentando chamar 
a ateno do atendente, acenando meu brao.

"Com licena" eu falei por cima do balco. "Estou procurando 
uma passageira, Dana Scully? Ela devia estar neste vo."

"Deixe-me conferir a lista" ela digitou a informao com as 
suas unhas longas e azuis, que combinavam com seu uniforme.

Bati meus dedos enquanto esperava, dando uma olhada ao redor 
para ver se a localizava. Eles fecharam o porto de desembarque, 
sinalizando que o avio estava vazio. Vi a bagagem sendo 
lanada sobre a esteira. O avio deve ter chegado cedo.

"Ela estava na poltrona 19A. Estou vendo se ela se registrou 
em Lambert, e se subiu a bordo." ela comeou a digitar de 
novo. Ela me olhou com cautela. "Voc quer que eu a chame?"

"Por favor", eu falei com mais desespero do que queria mostrar.

Ela me deu um sorriso tranqilizador e pegou o interfone. 
"Dana Scully, por favor encontre seu acompanhante no porto 
12 da TWA. Dana Scully, por favor, encontre seu acompanhante 
no porto 12 da TWA."

"Obrigado", eu falei depois que a voz dela parasse de ecoar 
ao longo do aeroporto. Coloquei minhas mos nos quadris, e 
andei, esperando Scully aparecer de repente. Onde ela estava? 
Algum estava esperando por ela? Algum estava com ela? 
Seguindo-a? Eu sabia que podia estar exagerando, mas no 
pude me impedir. A visita surpresa de Diana no hospital 
era uma lembrana bem vvida de como eles nos monitoravam.

Por alguma razo, ergui minha cabea alm das multides e 
vi o sinal dos banheiros. Segui a parede com meus olhos 
para o das mulheres, bem a tempo de v-la saindo.

"Scully!" eu chamei, correndo na direo dela.

"Eu ouvi meu nome" ela falou enquanto eu colocava um brao 
de maneira protetora sobre seus ombros.

"Sinto muito no estar aqui quando o avio chegou" resmunguei 
contra o cabelo dela.

"Est tudo bem" ela respondeu, colocando o brao ao redor da 
minha cintura, para apoio. "Eu tinha que ir ao banheiro. O 
beb estava sentado na minha bexiga todo o vo pra c."

Scully estava usando um vestido longo, que ajudava a esconder 
a barriga, mas eu podia ver que ela tinha ficado maior, 
florescendo com a nossa filha. Apertei-a mais forte, enquanto 
tocava o beb.

"Mulder", ela falou numa voz baixa, colocando a mo sobre a 
minha. Algo no tom dela me perturbou, e eu olhei para ela, 
que evitou meu olhar, escolhendo fitar minha camisa.

"O que foi, Scully?" virei o corpo dela e agora estvamos de 
frente um para o outro. Coloquei minhas mos em seus ombros 
para firm-la. As pessoas esbarravam em ns, mas ns as 
ignoramos e focalizamos um no outro.


Ela engoliu em seco, tentando manter a compostura. "Precisamos 
falar." a voz dela hesitou e suas mos estavam tremendo. Ela 
fez punho com elas, tentando parar o tremor.

O que estava acontecendo?"

"Certo", eu respondi to tranqilo quanto possvel. "Voc quer 
ir pra onde?"

"Pra qualquer lugar." ela respondeu, finalmente olhando para 
mim. "Em qualquer lugar."

* * * *

Monumento de Washington
8:50 da noite

Sentamos no banco dele. O banco em frente ao espelho d'gua. 
Quantas vezes, nos ltimos seis anos, Mulder veio aqui 
buscando consolo? No me pegou de surpresa que ele deveria 
julgar este local como 'qualquer lugar'. Este era um dos 
poucos lugares onde ele se sentia seguro.

Vesti sua jaqueta. A brisa de novembro era fria, e eu estava 
tremendo, mas o cu acima de ns estava claro. At mesmo 
Jpiter estava visvel.

"Quando voc me perguntou mais cedo se a consulta foi boa" 
eu comecei, vendo minhas palavras se transformando em fumaa. 
"Eu menti pra voc."

Ele ficou tenso, e suas mos agarraram a beirada do banco. 
"Scully... o beb..."

"Est bem", eu o assegurei, tentando segurar as lgrimas. 
"Mas no  uma menina..."

Mulder estreitou os olhos enquanto me encarava, confuso. 
Ele tremeu a cabea. "Mas, como? Voc fez uma amniocentese 
e disse que eles nunca do errado."

"Eles do quando os resultados no so seus" eu sussurrei, 
mordendo meu lbio para no chorar. "Dra. Stephens recebeu 
resultados diferentes do meu. Ela me deu uma ultra e eu vi 
o resultado. O beb  um menino..."

Senti lgrimas caindo pelo meu rosto. No porque eu no queria 
um menino, mas porque fomos enganados. Eu amava esta criana 
mais do que qualquer coisa. Menino ou menina, no importava 
para mim.

"Te enviaram os resultados errados? Scully, voc interpretou 
os resultados, ser que voc no notou..." ele estava incrdulo.

"No tive motivos para no acreditar que no era meu! No 
estvamos testando DNA, s cromossomos" eu deixei a cincia 
racional falar por mim.

"Ento seus resultados foram trocados e um erro foi cometido?" 
ele pegou minha mo e apertou com fora.

Eu o encarei. A expresso sria mostrava o medo nos olhos 
dele. Tremi minha cabea, triste. "Voc no acredita nisso 
mais do que eu."

"Scully", ele se aproximou mais de mim no banco. "E se for 
s isso? Algum erro de laboratrio?"

"Adoraria acreditar nisso, Mulder, mas Dra. Stephens recebeu 
uma coisa, e eu recebi outra. Parece muito deliberado para ser 
considerado um simples engano."

Ele exalou, me puxando mais perto para descansar a bochecha na 
minha cabea. Esfreguei meus olhos em sua camisa, deixando ela 
ficar toda molhada com as minhas lgrimas.

"Por que nos fazer pensar que  uma menina? Por que nos mandar 
resultados falsos, quando eles podem ser verificados?" ele 
tentava achar algo para fazer sentido.

"Eu no sei", eu resmunguei no trax dele. Podia ouvir seu 
corao batendo forte, e me confortar da mesma maneira que 
ouvi a do meu filho. "Talvez eles pretendem trocar o beb, 
ou este teste pertence a outra Emily... eu no sei."

Mulder me recolheu em seus braos, me segurando mais perto. 
Eu estava agora meio sentada em seu colo, com minha cabea 
no ombro dele, e meus braos ao redor de seu pescoo. Chorando, 
bem como a mulher grvida que eu era.

"Ento ns vamos descobrir e vamos fazer os testes."

Acenei a cabea e apertei o lado do meu rosto contra o dele, 
sussurrando em sua orelha. "J arrumei tudo. Amanh de tarde. 
Depois do exame que eu vou ter, e a outra amniocentese. Ento 
vou fazer os testes no prdio do FBI, onde posso supervisionar 
tudo, e ter certeza de que nada  falso."

"Vou precisar de uma amostra do seu DNA" eu estava sentindo 
muito por ter que pedir isso. Comparar. "Quero ter certeza 
de que este beb  nosso filho. Seu e meu... porque se no 
for..."

"No fale nada" ele colocou um dedo sobre meus lbios. "Nem 
mesmo diga nada. Voc sabe que ele  o nosso filho, Scully."

Durante o tempo em que foi concebido o beb, eu no tive nenhum 
lapso de memria ou estranhos raptos. Tinha que ter outro 
motivo para isso. Eu s no conseguia entender o que era.

"Esses resultados... podemos testar contra o que te enviaram 
tambm. No caso de ser outra Emily."

Acenei minha cabea, concordando, mas por dentro, meu corao 
doa.

* * * *

Apartamento de Mulder
10:30 da noite

Scully estava fingindo dormir. Ela estava deitada de lado, de 
costas pra mim, e com um travesseiro entre seus joelhos, para 
conforto. No falamos muito depois da conversa no Monumento. 
Que bem faria ficar especulando?

Esta nova toro era perturbadora pois no fazia muito sentido. 
Mesmo que eu quisesse perseguir Diana ou Krycek e estrangular 
a verdade deles, eu sabia que no importava. Eles no podiam 
mudar o fato de que estvamos juntos agora, ou que ela estava 
levando nosso filho. Menino ou menina. Eu estava contente 
com qualquer um.

Talvez Scully tivesse razo em confiar esta gravidez no comeo, 
na cincia, e por uma vez, eu aprovei sua tenacidade cientifica. 
No estamos lidando com o paranormal ou inexplicado; estvamos 
lidando com reproduo humana. Uma cincia exata revelaria para 
ns a verdade, amanh.

Rolei e a abracei por trs, olhando para o rosto dela. Mesmo 
perdida em algum lugar no mundo dos sonhos, a sobrancelha dela 
estava franzida. Droga. Ela nem podia conseguir dormir direito 
mais.

Coloquei minha palma na regio lombar dela, e comecei a fazer 
uma massagem. Seus msculos estavam tensos e fiquei fazendo 
crculos, tentando relaxar seu corpo. Ela estava usando uma 
de minhas camisas velhas, e um short. Eles ainda eram grandes 
demais para o pequeno corpo dela.

"Hmmmm", ela gemeu, depois de um tempo. "Mulder?"

"Yeah?" eu sussurrei, apoiando abaixo na orelha dela. Ela 
estava linda deitada diante de mim. Amante. Me. Todos estes 
nomes a descreviam bem. Mas ela ainda significava mais ainda 
para mim. No haviam palavras para definir meus sentimentos 
por Scully.

"Mais baixo" ela implorou, e eu fui para os msculos sobre 
as ndegas dela. A forma do corpo dela mudou de novo; ela 
estava mais curvilnea, mas, da parte de trs, eu nem podia 
perceber que ela estava grvida.

"Voc est tensa", eu observei, deixando minha mo subir 
para o ombro dela, que arqueou as costas e gemeu de novo. 
Beijei seu rosto suavemente, muito grato por passar os 
prximos cinco dias com ela.

"Senti tanto a sua falta..." ela relaxou sobre meu toque, 
rolando, ficando de frente pra mim. Suas plpebras ainda 
estavam inchadas, mas os olhos estavam luminosos e claros. 
"Eu odeio passar por isso sozinha."

"Eu s queria te proteger..." resmunguei, silenciado pelos 
lbios dela. Eu pensei nas palavras de Bill, e de como ele 
estava errado sobre a separao. Ele no sabia que isto 
estava me matando?

"Cala a boca" ela disse suavemente. "Nem pense nisso."

Ela embrulhou os braos ao redor de meu pescoo, me puxando 
mais ntimo. Ela estava deliciosamente quente do sono, e 
mais macia do que me lembrava. Chutei as cobertas para 
longe, assim minhas pernas nuas podiam enlaar com as 
dela, estabelecendo ainda mais contado. Ela me cheirou 
enquanto procurava meu mamilo, lambendo isso ao redor.

Senti meu pnis estremecer em resposta  estimulao dela. 
De repente, o clima entre ns mudou de conforto para desejo. 
Talvez eles estivessem um dentro do outro. Sexo nos baseia, 
nos dando estabilidade que ningum poderia nos dar.

Corri minha mo para cima, pela coxa lisa, por dentro, 
entrando no short para tocar sua roupa ntima. Scully 
tremeu quando meus dedos a acariciavam e ela colocou a 
mo sobre meu membro. Habilmente, ela abriu meu short 
para poder me buscar.

"Quanta saudade voc tinha de mim, Scully?" eu brinquei, 
enquanto ela usava o polegar sobre minha cabea.

"Tanto assim" ela respondeu, apertando mais forte. Ela 
exalou, soltando a tenso do corpo. "E quanta saudade voc 
tinha de mim?"

"Mais" eu respondi, para as duas declaraes dela. Jesus, 
era muito melhor quando ela fazia isso. "Voc no pode sentir?"

"Acho que sim" ela acenou com a cabea, antes de me beijar. 
O psiclogo em mim queria analisar nossas razes por fazer 
isso agora, mas desejo assumiu, e calou meu Freud interno.

Escorreguei minha mo sob sua camiseta, por cima da redonda 
suavidade, at os seios. Scully no vacilou nada, ento eu 
achei que eles no estavam mais sensveis. Apreciei a 
descoberta, pegando um com gosto. Escovei o mamilo inmeras 
vezes com meu dedo polegar, vendo o prazer substituir a 
carranca no rosto de Scully.

Ficamos deitados assim por um longo tempo, s nos esfregando 
e ficando excitados. Levei meu tempo para memorizar seu corpo 
e todas as suas mudanas. Seus seios tinham crescido mais 
ainda; os mamilos outrora rosas agora estavam quase canela, 
e mais largos. Mais notvel ainda era sua barriga. A pele 
esticada protegia nosso filho do mundo externo.

De alguma maneira, conseguimos tirar nossas roupas, e a 
ltima pea foi meu short. Deixei Scully nos posicionar, 
pois no sabia qual seria a melhor posio para ela. Ela 
deitou de lado, e separou os joelhos, me convidando. 
Encarei a umidade brilhando sobre seu sexo, lustrando rios 
de vida. A essncia dela sendo oferecida a mim com completa 
confiana.

Com um suspiro longo e desfalecido eu me aliviei sobre ela. 
Coloquei uma mo debaixo de seu joelho e coloquei sobre meu 
quadril. A posio lateral nos deixou em posio igual, mas 
me permitia ir bem fundo. Eu juro que devia estar tocando 
sua alma.

* * * *

Eu desfrutei o deslize da pele enquanto eu me esticava ao 
redor dele. Meus msculos estavam agora mais fortes de 
tantos desses exerccios Kegel que eu estava fazendo. 
Qualquer pensamento sobre os testes humilhantes que eu 
teria que fazer amanh no estava mais em minha mente. O 
que importava agora era eu e Mulder.

Ele entrava e saa de dentro de mim, devagar. Delicadamente.

"Mulder" eu sussurrei para chamar sua ateno.

Ele abriu os olhos e entre as respiraes rpidas, ele 
perguntou, "Scully?"

Vi que a apreenso dele por fazer amor comigo originava 
de sua preocupao com o beb. Ele estava se segurando, 
mas precisava saber que no precisava se segurar.

"Eu no vou quebrar" eu sorri pra ele. "Voc no tem que 
se segurar. Mais forte, Mulder."

"Mais forte?" ele questionou meu pedido.

"Sim" eu movimentei meus quadris pra ele. "Preciso disso 
e voc tambm."

Com isso, Mulder se apoiou e me beijou. Foi um breve toque, 
mas um bem ntimo.

"Eu te amo, Scully" ele deixou as palavras se calarem, 
substitudas por sua respirao enquanto ele balanava 
seus quadris contra os meus.

Minhas juntas estavam comeando a soltar, resultado do 
hormnio de relaxamento da gravidez. A mo dele estava 
sobre meu quadril, provendo apoio suficiente para ele 
entrar e sair de mim.

Apoiei minha cabea no travesseiro, enquanto calor corria 
por mim. Meu corao bateu mais rpido e mais forte 
enquanto meus interiores se preparavam, construindo o 
clmax. Com um empurro fundo, as ondas chegaram, onda 
aps onda, prazer pulsando ao longo do meu sexo, indo para 
o meu corao.

"Oh Deus", eu clamei, balanando minha cabea de um lado 
para outro. Mulder sorriu pra mim, aliviando os empurres 
um pouco. A palpitao baixou, me deixando alegre e 
satisfeita pela primeira vez em semanas. Me senti mais 
forte do que nunca, e pronta para lidar com o que o 
amanh traria. 

"Voc est bem?"

"Oh sim", eu sorri, mostrando minha satisfao. "Estou mais 
do que bem."

"Bom", Mulder comeou a se movimentar de novo. Eu sabia que 
ele estava perto. Tentei me opor a seus empurres, querendo 
fazer amor com ele com o mesmo nvel de intensidade. Ou 
pelo menos tentar.

Quis saber se ele sabia que teramos que deixar isso de 
lado durante umas seis semanas ou mais, depois do parto. 
Acho que vou avis-lo depois.

Mulder deu um empurro final, ento gemeu, fazendo sons 
primitivos que sinalizaram sua liberao. Dentro de mim, 
ele pulsou, compartilhando prazer comigo.

Lentamente ele se retirou e caiu de costas. Ele me pegou, 
querendo me envolver em seus braos. Coloquei a coberta 
sobre ns, querendo manter o calor gerado por ns. Cansados, 
nos abraamos. Fechei os olhos, no querendo pensar em mais 
nada.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Apartamento de Mulder
2:30 da manh

Acordei e vi que Scully no estava mais na cama. Apavorado, 
sentei e pisquei na escurido, procurando por ela. Suas 
roupas ainda estavam espalhas pelo cho, a bolsa dela num 
canto. Estiquei o pescoo para procurar no banheiro, 
esperando ver a luz acesa, mas estava escuro tambm.

Vesti meu short, pelo avesso, e cambaleei pra fora da cama. 
Ela no estava na sala tambm, e meu corao comeou a 
correr. Para onde ela foi?

Virei minha cabea para a cozinha, e vi uma luz fraca no 
escuro.

"Scully?" eu convoquei, acelerando meus passos e virando 
na porta. L, na cozinha, estava Scully, sentada. Respirei, 
aliviada.

Ela olhou para mim com olhos arregalados. Eu a peguei 
lambendo uma colher. Sobre a mesa estava uma caixa de 
papelo, vazia, de sorvete de chocolate Hagen Daaz que 
Frohike trouxe durante os jogos da World Series da semana 
passada. O lanche de sorvete no meio da noite no me 
incomodou. Mas os exames sobre a mesa sim. A ultra, a 
amnio e outras coisas que eu assumi serem do pronturio 
dela.

"No consegui dormir" ela tentou falar, e colocou a colher 
na caixa de papelo, apontando para ela. "Desde quando voc 
tem sorvete na geladeira?"

"Foi Frohike", eu fui para ela. Meus olhos estavam focalizados 
nos documentos, enquanto ela tentava reunir tudo. Coloquei 
minhas mos sobre as delas, e parei seus movimentos frenticos. 
"No..."

"Eu sinto muito" ela tentava juntar tudo. "Eu s queria 
olhar isso antes de amanh. Quero dizer...  meio esquisito 
ter que pedir para usar o laboratrio para testar o DNA do 
meu beb. Eu s odeio ter que passar por isso de novo. J 
foi bem difcil da primeira vez."

Ela abaixou a cabea, deixando o cabelo cair ao redor do 
rosto, ainda escondendo as emoes de mim. Fui para trs 
dela, me inclinei e passei meus braos ao redor dela. A 
segurando com firmeza.

Malditos.

"Se os resultados que a Dr. Stephen recebeu realmente so 
meus", ela sussurrou. "Ento nosso filho deve ser saudvel."

Me lembrei do telefonema dela quando ela leu os resultados 
para mim. A menina que eu pensei que estava a caminho, no 
era nada mais do que uma iluso. Agora, ns tnhamos que 
recomear, temendo os segredos que pudessem estar nos 
cromossomos do nosso filho.

"Eu amo este beb", ela disse, enquanto eu relaxava meu 
aperto. Ca de joelhos, observando seu rosto srio enquanto 
ela continuava, a mo na barriga. "Sim. Mais do que tudo. 
Mas  como... um estranho para mim... at que eu tenha 
certeza. S estou com muito medo se ele no for..."

Recordaes das palavras de Marita passaram por minha mente: 
<eu quero estar ligada a esta criana, mas no posso. No 
sinto nada por ela. Ela foi criada e feita por eles.>

Queria dizer que estava tudo bem. Queria falar sobre meu 
casamento, a gravidez de Marita, e a visita de Diana no 
hospital. Mas eu deveria destruir o pouco de segurana 
dela trazendo o passado de volta?

Tomei uma deciso e fui adiante.

"Scully", eu disse nitidamente, me forando a falar. Agarrei 
sua mo e a puxei de leve da cadeira. "Venha."

"Eu no quero voltar pra cama" ela protestou, lutando contra 
as lgrimas. "Eu quero olhar para isso mais uma vez. No pode 
haver enganos desta vez."

"Ns no vamos para cama", eu respondi, querendo que ela se 
afastasse das dvidas e medo que estavam sobre minha mesa. 
Provar o passado era arriscar o futuro. "Tem uma coisa que 
eu quero mostrar pra voc."

"Agora?" ela perguntou enquanto eu a arrastava pela sala. 
Olhando para o relgio, ela viu que eram 2h42 da manh.

"Sim", eu acendi a luz. Peguei algumas roupas dela no cho 
do quarto, e dei para ela. Scully as segurou e ficou me 
olhando como se eu fosse doido. Agarrei minha cala jeans e 
a vesti rapidamente. "Vamos, Scully. Vamos logo."

"Para onde?" ela tremeu a cabea para mim.

"Voc vai ver" eu vesti minha camisa.

* * * *

4867 Carriagepark Rd
Fairfax, VA
3:10 da manh

O pai do meu filho era maluco.

Olhei para ele enquanto Mulder nos levava para fora de 
Alexandria, e para Fairfax. Claro que eu sabia que ele era 
maluco antes. Suas atitudes impulsivas, sumios e outras 
coisas me ensinaram isso. Nunca fui convidada antes. Claro 
que s Mulder mesmo para me arrastar com ele quando eu 
estou com sete meses de gravidez, no meio da noite. Me 
apertei no casaco dele, mantendo a mim e ao beb mornos.

"Para onde vamos, Mulder?" eu exigi, pela centsima vez. 
Ele somente me olhou com o rosto inexpressivo, no me dando 
nenhuma pista.

Finalmente, ele dirigiu para uma rea residencial, parando 
o carro numa calada escura de uma casa de alvenaria. Tijolo 
antigo, do que eu podia ver na escurido. Nenhuma luz estava 
acesa.

Mulder pulou do carro e correu ao redor, indo para meu lado, 
abrindo a porta pra mim. Fiquei sentada, encarando a mo 
dele, estendida.

"Mulder!" eu assobiei. "De quem  esta casa? Voc no pode 
entrar no meio da noite!"

"Sim eu posso" ele encolheu os ombros, me persuadindo com 
a mo dele. "Scully, por favor."

Deixei sair um suspiro exasperado e coloquei minha mo sobre 
a sua, permitindo que ele me ajudasse a sair do carro. Ele 
me arrastou pelos degraus, at uma bonita porta de carvalho. 
Esperei que ele tentasse forar a fechadura, mas ele tirou 
as chaves dele, e procurou uma, colocando-a no trinco. Eu 
pulava, tentando gerar calor, enquanto esperava, impaciente.

"Mulder", eu adverti, enquanto ele abria a porta. Que inferno 
ele estava fazendo?

Eu o segui dentro, cautelosa, insegura do que esperar. Fui 
atingida com o cheiro de tapete novo, e pintura fresca. 
Mulder foi para a entrada e acendeu a luz. Dei uma olhada, 
me vendo dentro de uma casa vazia.

"Por que ns estamos aqui, Mulder?" levantei uma sobrancelha 
pra ele. Luzi quando ele sorriu, como um gato satisfeito. 
Andei para ele, mas ele andou tambm, indo para o sof.

"O que voc acha?" ele abriu espao para eu me sentar ao 
lado dele.

"Acho que voc enlouqueceu" eu me sentei, e lhe dei um olhar 
impaciente.

"No sobre mim. Sobre a casa" ele olhou ao redor de novo.

"Est... vazia" eu estava confusa com o seu comportamento. 
"Mas tenho certeza de que os donos no iam gostar de nos 
ver aqui s 3 da manh."

"De fato, eles esto aqui", Mulder disse, colocando os 
cotovelos sobre os joelhos, me olhando.

Olhei para os degraus, para onde eu presumi que os quartos 
eram. Abaixei minha voz na hora. "Onde?"

"Aqui mesmo", Mulder pegou minha mo. Ele apertou, acariciando. 
E a beijou. "Esta casa  nossa, Scully. Ou o que eu espero que 
seja a nossa casa."

Eu engoli em seco. "Nossa casa?" 

"Eu sei que no parece muito", ele se desculpou. "Mas eu ia 
te mostrar depois que voc voltasse de St. Louis e eu tivesse 
chance para terminar a reforma.  um bairro muito bom esse 
aqui, e tem escolas boas."

"Quando voc fez tudo isso?" eu estava chocada e sensibilizada 
ao mesmo tempo. "Voc me visitava quase todo fim de semana!"

"Eu tive ajuda", ele respondeu, ficando de p. "Os rapazes 
pintaram a casa toda para voc. O quarto do beb  no andar 
de cima. Voc quer ver?"

Agarrei o corrimo para me firmar, e me levantei devagar. 
"No sei o que voc quer que eu diga..."

"Diga que voc vai viver comigo" ele respondeu, implorando 
suavemente. "No quero esperar at que nos casemos, Scully. 
Quero voc aqui quando voc voltar."

Olhei para ele, mordendo meu lbio para no tremer. "Voc 
quer que eu viva em pecado?"

Mulder colocou as mos na minha barriga, acariciando suavemente. 
"Acho que est muito tarde para a parte do pecado."

Ele me puxou num beijo longo e lento. Oh sim. Muito tarde 
para isso. 

* * * *

J. Edgar Hoover Building
7:25 da noite

Joguei outro lpis no teto.

Dezoito. Eu ia quebrar meu recorde.

Fiquei no escritrio enquanto Scully fazia os testes. Comi 
outra semente na minha boca, rachando-a lentamente, e rodando 
a semente com a minha lngua. Esperar era como uma lenta 
tortura, mas ela me assegurou que trabalharia mais rpido 
se eu no estivesse l.

As boas notcias eram que Scully adorou a casa. Ela no 
podia se mudar agora, mas eu sei que ela vai. Seus olhos 
brilharam como estrelas quando ela viu o quarto do beb, 
e ela estava muito contente por eu ter deixado o quarto 
branco para ela decorar. Ela podia usar o que quisesse: 
O Ursinho Puff, Charlie Brown... Tanto faz. Eu sabia que 
nosso filho iria adorar.

Um filho. Eu seria um mentiroso se no admitisse estar 
orgulhoso por na verdade ter provido um cromossomo Y e 
no um X.

Ela estava com todos os meus genes numa gilete. Ela tirou 
meu sangue e usou um cotonete na minha boca. O DNA foi 
retirado, e ento as enzimas foram usadas para serem 
colocadas numa matriz de gel. Um choque eltrico iria 
separar as enzimas. Isso foi tudo que eu vi antes dela 
me expulsar.

Provaria, sem dvidas, o que eu acreditava desde o comeo: 
este filho  nosso.

*Ring.* 

"Scully?" eu falei depressa.

"Sou eu", ela disse, numa voz profissional. "Voc pode vir 
at aqui?"

"Alguma coisa errada?" eu perguntei imediatamente, inseguro 
de como ler o tom dela.

"S venha logo" ela desligou.

Dentro de segundos, eu estava no elevador. Apertei o boto, 
impaciente, vendo os nmeros descendo para o poro. Entrei, 
e fiquei andando como um animal enjaulado. Alguma coisa no 
estava certo. Eu podia sentir isso.

Praticamente corri pelo corredor at o laboratrio onde ela 
estava. Tentei a maaneta, e percebi que estava fechada. Bati 
vrias vezes, tentando ver pelo vidro geado. A forma borrada 
de Scully apareceu, e ela abriu a porta.

Ela estava usando um jaleco longo e branco, e luvas de ltex. 
O cabelo estava preso, e ela usava os culos, parecendo 
Completamente exausta.

"Mulder", ela foi para a mesa e se sentou num tamborete, se 
curvando, de modo que seus ps ainda tocavam o cho. Agora 
ela relaxou. Era absolutamente impossvel ler uma mulher 
grvida. "Terminei os testes e tenho resultados preliminares."

Droga. Ela estava falando de maneira tcnica. Isso no era 
um bom sinal.

"E...?" eu insisti.

"Transferi os fragmentos de DNA para uma membrana de fibra 
sinttica que foi exposta a uma sonda de DNA" ela comeou, 
ficando de p de novo.

"O que  uma sonda de DNA?"

"Um pedao curto de DNA feito sob encomenda que reconhece 
e liga segmentos iguais do DNA da pessoa testada. Esta 
membrana de fibra sinttica  colocada contra um filme que 
depois de desenvolver revela faixas pretas onde as sondas 
so ligadas ao DNA", ela colocou a pelcula sobre a mesa 
branca, entre outras duas pelculas. "O padro de faixa 
visvel da criana  sem igual - metade do pai, metade da 
me..."

"Ns combinamos?" eu perguntei, cortando ela. Eu tinha que 
saber.

Scully olhou para mim, a face dela mal-humorada e tensa. 
Jesus. Ela me encarou por tanto tempo que eu senti que 
pudesse rachar.

"Ns combinamos?" eu exigi, desesperado pela resposta. 

A boca de Scully deu um sorriso fraco. "Ns combinamos."

Meu corao voltou a bater. Tremi minha cabea, olhando o 
sorriso dela crescendo. "Voc me pegou..."

Scully parou de sorrir. "Mas esta no foi a nica combinao."

"O que?" Minha mente correu para interpretar a informao. 

Ela pegou o filme, colocando as pontas dos dedos na tela. 
"Parece que os resultados que me enviaram combina com um 
de ns. Mas no 100%."

Agora ela estava me confundindo. 

"Ela no  outra Emily, no ?" eu sussurrei. 

Scully tirou o culos e me encarou. "O DNA combina com o seu, 
Mulder."

Fiquei surpreso. Meu DNA?

"Eu no entendo", eu estava com medo do que ela estava 
insinuando. "Essa combinao que no  exata, no  100%, 
 minha?"

"Sim" ela confirmou. Scully deu um passo para trs e apoiou-se 
contra a mesa. A sala ficou desconfortvel. "Este beb 
compartilha seus padres de DNA, assim como eu compartilho 
com as do meu sobrinho."

Levou alguns momentos para eu perceber o que ela estava 
dizendo.

"Voc est dizendo que esta criana  filha de Samantha?" 
eu sustentei o filme.

"Estou dizendo que pode ser" ela acenou com a cabea 
lentamente. Ela colocou a mo sobre meu brao, apertando 
com firmeza.

Quero te lembrar quem  sua famlia, Fox - a voz de Diana 
ecoou na minha mente.

* * *


