INTIMACY DEAUX 11
* * * * 
Hospital de Greenwich
Greenwich, Connecticut,
12:15 da manh 

Eu corri em velocidade mxima pelos corredores do hospital, diminuindo
meus passos o suficiente para ler as placas que me levariam para a
cardiologia. Acho que s ia demorar tanto para vir aqui se estivesse
fora do pas. Meu tempo total de viagem foi de quase oito horas, e eu passei
boa parte disso pensando em minha me, e todos os anos de desentendimentos
e mentiras. As decises que meu pai tomou do lado dela. Talvez fosse errado
culpa-la por ele, mas ela era sua parceira no jogo.

Quando virei o corredor, eu vi uma figura de p no meio do caminho. Como
se sentindo minha presena, ela se virou. 

"Scully," eu sussurrei, acelerando meus passos novamente enquanto ia
pra ela. Ela parecia exausta, o rosto plido e incolor debaixo da luz
artificial do ambiente. O beb tinha ficado maior nas poucas semanas desde
que a vi, e at mesmo sua postura tinha mudado.

Antes que ela pudesse protestar, meus braos a cercaram. Segurei-a com
fora, para que ela no pudesse se afastar de mim. Depois de ver a tortura
que eles fizeram Marita passar, eu agradeci por ela estar segura e saudvel.

"Mulder?" ela se torceu um pouco, mas me abraou na cintura.

"Eu sinto muito, Scully," me desculpei antes que ela pudesse me castigar.
"Eu sei que deveria ter chamado, mas eu estava..."

"Ela fica te chamando o tempo todo" ela falou, erguendo a cabea at me olhar.
Soltei-a um pouco. Podia apostar que ela estava chorando, os olhos vermelhos
e inchados. Ela estreitou o olhar - ser que ela estava com raiva por eu no ter
ligado? Por ter demorado tanto para chegar aqui?

"Ela est falando?" eu estava grato por ela ter recuperado a consciencia.

"Estava," Scully acenou com a cabea. "Eles deram algo para ela dormir agora
h pouco."

"Posso v-la?" eu implorei, me apoiando em seus ombros.

Ela acenou com a cabea lentamente. "Mulder, sua me nao sabia que
eu estava grvida. Pensei que voc tinha dito pra ela."

Agora eu entendi o olhar dela. Ela no estava com raiva. Estava magoada.
Fiquei quieto, sem saber o que dizer.

"Eu tentei contar, Scully. Em vrias ocasies" eu sussurrei, enquanto 
Scully saa de meus braos. Olhei alm dela, para a unidade da UTI.
Minha me estava deitada, quieta, no escuro. Apertei as pontas dos meus
dedos contra o vidro, enquanto olhava pra dentro.

"Voc precisa v-la." Scully falou suavemente. "Para faze-la relaxar."

"Certo," eu olhei de volta para Scully. Ela apertou a barriga, me olhando
como se eu fosse um completo estranho.

"Vou deitar no sof da rea de espera" ela falou, baixinho. "Caso
voc precise de mim..."

"Scully... eu juro que posso explicar tudo mais tarde..."

Ela apertou os lbios, como se fosse falar, mas ela se virou.

Entrei na sala, lentamente, no querendo assusta-la. Minha me estava
ligada a vrios monitores, mas o nico que reconheci era o ECG.
Ela parecia pequena e frgil. Os curativos sobre seu peito espiavam 
debaixo do vestido que ela usava, e a perna direita dela estava 
elevada ligeiramente, de onde eles tinham tirado a veia.

Me sentei na beirada da cama, meus olhos ficando molhados e 
nublados.

"Me," eu sussurrei, minha voz rachando. " Fox. Eu estou aqui."

Ela se mexeu um pouco, mas no abriu os olhos. 

"Sinto muito por nao chegar mais cedo, mas sinto mais ainda por no 
te contar sobre Scully."

Talvez ela no pudesse me ouvir, mas eu continuei mesmo assim.

"Scully vai dar  luz no dia 19 de dezembro, e  uma menina. Eu sei que 
ns no ramos muito chegados ultimamente, mas eu deveria ter te contado.
Sei que voc pensava que seria Samantha que ia te fazer av primeiro..."

"Se voc quiser falar alguma coisa pra mim, me... eu vou escutar. Eu sei que
no sou pai ainda, mas se alguma coisa acontecer com minha filha, eu vou
ficar arrasado. Ainda acredito que Samantha est l fora, viva, em algum lugar.
Talvez existam netos que esto l fora, para ns os acharmos. Eu no vou
desistir at saber a verdade. E eu nao quero que voc desista, tambm."

Abaixei minha cabea, apoiando-a nas minhas mos. Pedindo, pra ela,
em silencio, tentar sobreviver.

* * * * 

Hospital de Greenwich
Greenwich, Connecticut,
12:45 da manh 

O sof tinha um calombo que estava cavando minhas costas. Me torci,
tentando encontrar uma posio para poder descansar. A enfermeira da noite
tinha trazido travesseiros e mantas para mim, me deixando to confortvel
quanto possvel. De vez em quando ela vinha dar uma olhada para ver como
eu estava passando. Estar grvida me dava preferencia: normalmente, 
passar noites em hospitais me davam apenas cadeiras de vinil frias, enquanto o
pessoal ficava lembrando de as horas das visitas eram de 9 s 5.

Quando fiquei doente com cncer, Mulder rastejou para dentro do meu quarto
no meio da noite. Acordei e o encontrei ajoelhado ao meu lado, descansando
a cabea na cama. Ele ficou assim por uma hora, at que a enfermeira o fez
ir embora. Se eu no estivesse to fraca, eu teria me levantado e implorado
para elas deixarem que ele ficasse.

Ele ainda estava l dentro com a me dele, mantendo vigilia l, como fez
comigo antes. Nossos pais ainda so nossos pais, no importa o que fizeram
conosco no passaod. Uma parte de Mulder quer se conectar a ela,
provavelmente a mesma parte que segurava uma esperana de que Samantha 
seria encontrada algum dia.

No podia imaginar o que deve ter sido para Mulder crescer depois do
desaparecimento de sua irm. O casamento de seus pais ficou pior 
desde ento, rasgado pelas mentiras e decepo. Mulder achava ser
responsvel por tudo durante muitos anos, j que ele deveria estar
tomando conta dela naquela noite. Foi um inferno de um fardo que uma
criana deveria ter levado desde ento. Sua busca inteira pela verdade
est centralizada naquela culpa. Se ele achasse as respostas, ser que ele
poderia finalmente se perdoar?

"Aqui, eu trouxe algo para voc," a enfermeira da noite disse, me dando um copo
de leite. Nem mesmo a ouvi se aproximando. " s leite aquecido no vapor,
mas achei que poderia te ajudar a relaxar."

"Obrigada" eu falei enquanto pegava isso dela. Tomei um gole com cuidado,
medindo a temperatura na minha lngua. Tinha um gosto maravilhoso, me acalmando.

Este beb era muito importante para Mulder. Vejo isso toda vez que ele
olha pra mim. Vai alm do ego masculino e orgulho de procriar. Esta  a
chance dele para ter uma famlia de novo. Quando eu ficar brava com ele
por manter segredos de mim, tenho que me lembrar sobre o que Mulder 
foi exposto.

Seus pais foram uma parte do projeto, desde o comeo, e sempre esconderam
a verdade. Eu tinha certeza que a me dele sabia exatamente o que tinha
acontecido com Samantha, mas tinha enterrado isso to fundo que nem mesmo
ela podia achar isso. Se por necessidade ou boa vontade, eu nao sei.
Ela sabia, quando estava grvida, que teria que desistir de um deles?
Isso foi planejado com tanta antecedencia? Seus filhos eram 'manufaturados?'

Nenhuma maravilha que Mulder no podia dormir de noite.

Tomei outro gole do leite, me esquentando. No podemos manter segredos
um do outro. Eu fui culpada quando no disse que estava grvida, uma deciso
que lamento agora. Mas fui honesta com ele desde ento, de no querer saber
o sexo da criana at as razes de eu no querer me casar com ele numa
cerimonia civil. O habito da familia de Mulder de mentiras e decepes
tinha que parar, caso contrario eu no ia ser parte disso. O ciclo tinha
que ser quebrado.

* * * * 

Hospital de Greenwich
Greenwich, Connecticut,
1:20 da manh 

Acordei com o toque de uma mo sobre meu ombro. Eu dormi numa cadeira,
ao lado da cama da minha me. O quarto estava escuro quando abri meus olhos,
enquanto eu focalizava primeiro nela. Nada mudou - ela ainda estava inconsciente,
descansando pacificamente.

Olhei para baixo, surpreso ao achar uma coberta sobre mim.
Scully deve ter vindo aqui e fez isso. Poderia ve-la fazendo a mesma
coisa com a nossa filha. Scully foi feita para ser mae, assim como
alguns homens tinham uma habilidade natural para serem pais. No meu
caso, eu ia ter que aprender a ser um.

"Eu sinto muito, Fox" algum sussurrou, no escuro, atrs de mim.

Eu conhecia aquela maldita voz. Virei minha cabea, e atirei um
olhar para a figura escura atrs de mim.

"Que diabos voc est fazendo aqui?" eu exigi, mantendo minha voz
baixa.

Diana Fowley olhou triste para minha me. "Estou aqui porque sua
me precisava da famlia hoje, e voc no podia ser encontrado.

Tremi minha cabea, pasmo de como ela podia sugerir tal absurdo.
"Voc no  da famlia."

"Eu era a nica pessoa disponvel e nao tenho nada contra sua
me, Fox. Ela sempre foi boa para mim."

"Foi o que te pediram para fazer?" eu perguntei, irnico.
"Manter as aparncias?"

Diana escovou as mechas prateadas da testa de minha me, num gesto
muito estudado para ser espontneo ou genuno. No ficaria surpreso se
descobrisse que nosso casamento foi planejado tambm. Talvez pelo meu
pai ou pelo canceroso. Afinal de contas, aconteceu apenas alguns meses
depois que descobrimos os arquivos X. Diana foi enviada para me manter
distrado? Ser que eu era outra tarefa para ela, antes de ser mandada
para a Europa? No levou muito tempo para eu perceber que eu estava
num casamento sem amor, e foi por isso que me divorciei. Tinha 
aprendido os sinais com meus pais.

"Parece que Scully ganhou peso. Ela est dormindo l fora, na rea
de espera. Claro que da ltima vez que eu a vi, ela estava no chuveiro
de descontaminao. E eu vi a maneira como voc olhou para ela, pelos
monitores."

"Voc gostou de nos assistir?" eu estreitei meus olhos pra ela.

"No" ela me atirou um olhar. "Foi quando tudo comeou, Fox? Eu
fui responsvel, de alguma maneira, por sua pequena relao?"

Eu no ia justificar aquilo com uma resposta. "O que voc quer, Diana?"

"Quero que voc se lembre de quem  sua familia, Fox" ela passou
as mos lentamente sobre os monitores. "Seus pais deram muito duro 
para te sustentar e te dar um futuro."

"Eu estaria morto se eu aceitasse esse plano." Me lembrei dos corpos 
queimandos no hangar. "Voc devia ter estado l naquela noite tambm.
Voc at mesmo me convenceu a ir com voc. Felizmente, o telefonema de
Scully me parou. Se algum  responsvel por me dar um futuro, esse algum
 ela."

"Voc no estava l quando eles vieram, Fox" ela se aproximou mais
de mim. "Eu sim. E se voc acha que terminou, ento voc est muito enganado."

"Como voc escapou? Quem te salvou naquela noite? Ou ser que voc
sabia de tudo desde o comeo, que estvamos indo para uma armadilha?"

"Isso nao devia ter acontecido." ela ignorou minhas perguntas.
Sobre o que ela estava falando? Ela estava falando sobre ns? Sobre 
Scully e o beb? Minha me? "Voc no pode deixa-los morrerem em vo."

"Quem?" 

"Seus pais," ela olhou pra minha me.

"Minha me no est morta, Diana" eu avisei, agarrando o brao dela.
"E se voc se aproximar dela de novo, eu juro que te mato."

"No me ameace," ela se soltou. "Poucas pessoas sabem o que aconteceu com
Samantha. Uma delas est neste quarto agora. Quem voc prefere matar, Fox?
Ela ou eu?"

"Saia daqui" eu trinquei os dentes. "S saia daqui, agora."
No podia mais olhar pra ela. O maior engano da minha vida foi me envolver
com ela em primeiro lugar.

"Se voc soubesse," ela sussurrou, sorrindo. Eu me virei, tentando manter
minha raiva controlada. Me virei a tempo de ver a porta se fechando quando ela
saiu.

* * * * 

Hospital de Greenwich
Greenwich, Connecticut,
2:00 da manh 

"Scully?"

Lentamente, abri meus olhos, me esquecendo por um momento de onde
estava. Acho que consegui dormir de verdade.

"Scully?" Mulder perguntou de novo, se abaixando do meu lado. Ele me
encarava, sem nenhuma expresso no rosto.

"Sua me- ela est bem?" eu falei numa voz cheia de sono, me apoiando
no cotovelo.

Mulder acenou com a cabea, encarando o chao para evitar contato com meus
olhos. Em silencio, ele deslizou os braos ao meu redor, me puxando contra
ela. Me segurando mais apertando ainda. Senti sua respiraao pesada, como
se estivesse tentando controlar suas emoes.

"Obrigado por estar aqui," ele falou contra meu ombro, os lbios apertados contra
minha blusa. Seus dedos agarravam minhas costas, me apertando contra ele.
"Eu preciso de voc, Scully."

"Ela  da famlia" eu sussurrei, tentando explicar meu comportamento.
"S no entendi por que voc no disse pra ela sobre o beb e eu."

"Ela foi uma parte do processo de seleo," Mulder disse, me 
deixando ir. Ele olhou nos meus olhos, lutando para achar as palavras
certas antes de continuar. "Ela determinou qual das crianas dela seria
entregue."

Peguei a mo dele, querendo restabelecer contato fsico.

"No disse nada pra ela porque achei que seria mais seguro para vocs
duas." Mulder continuou, encarando nossas mos unidas. "Ela est
vulnervel, Scully. Se o canceroso a visitar agora, ele pode descobrir
os detalhes da sua gravidez, e eu no sei o que ele faria com ela."

"E voc no sabe o quanto ela estava envolvida, pois assim ela
poderia dar informaes sobre mim."

"Eu sinto muito," ele se desculpou novamente. 

"Voc falou com ela?"

"Eu tentei, mas ela est dormindo. As enfermeiras dizem que ela vai 
ficar assim durante algum tempo, e que  melhor dormirmos um pouco
tambm, e voltarmos de manh."

"E para onde ns vamos?", me sentei e comeou a dobrar o cobertor
que usava.

"Podemos ir pra casa dela. Eu tenho a chave. Tem um quarto de
hspedes onde voc pode dormir, Scully. Voc precisa descansar."

Corri minha mo sobre o lado de seu rosto, sentindo a barba por fazer
contra meus dedos. "Voc precisa descansar, tambm."

Ele colocou uma mo sobre a minha, apertando-a contra o seu rosto. 
Absorvendo o meu toque, como se isso o reavivasse. "Eu s preciso
de voc."

"Vamos," juntei minhas coisas e coloquei os sapatos, enquanto Mulder
empilhava as mantas e travesseiros. Peguei o copo vazio de leite na
mesa ao lado do sof, e fiquei surpresa ao ver algo dentro. Liguei o 
abajur, piscando contra a luz.

"O que foi?" ele estava preocupado. Coloquei os dedos dentro do copo,
e de l tirei um cigarro usado. Ele chegou mais perto, enquanto eu torcia
a guimba para ler o rtulo.

"Camel Lights". Ns dois suspiramos, aliviados, e eu ri, nervosa.

"Uma das enfermeiras deve ter usado o copo como cinzeiro," Mulder sussurrou, 
pegando o copo da minha mo, amassando.

Ele manteve os olhos no copo amassado por um segundo, e ento olhou para
mim. Sem aviso, ele pegou meu rosto entre suas mos, puxando meus lbios
para os dele num lento e suave beijo. Passei meus braos ao redor de seu
pescoo, me apoiando nele.

"Venha" ele sussurrou contra minha boca. "Vamos embora."

* * * * 

Hospital Barnes-judeu
St. Louis, MO,
11:30 

"Desculpe pelo atraso" eu peguei uma caneta e assinei to rpido quanto pude.
"Fiquei presa no trabalho."

"Est tudo bem" a recepcionista pegou a prancheta e entrou com meus 
dados no computador. "Estamos um pouco atrasados tambm."


Eu afundado no sof de sala de espera, feliz de descer de meus ps. Tinha sido 
uma manh longa, enquanto tentando embrulhar coisas para cima antes de ir hoje 
 noite fora a DC. Eu estava assistindo a um seminrio de trs-dia atrs a Sede 
em tecnologia forense. Dr. Albus ia cobrir minhas conferncias e estava 
treinando sesses. Eu no pude esperar ir para casa, at mesmo se fosse durante 
s cinco dias. Havia tanto eu preciso revisar com Mulder, tanto ns no 
tnhamos discutido. 

" Sra. Scully "? perguntou para outra enfermeira, enquanto estourando a cabea 
dela no quarto. Ela era meu tamanho-ou o tamanho para o que eu usei 
ser-enfeitou fora em arbustos framboesa-coloridos. Eu pareceria bom naquela 
cor, mas eles no fazem os arbustos atraentes em extra grande. H pouco o verde 
repugnante no que eu tive agora mesmo. 

" Eu estou aqui, " eu respondi, muito cansado corrigir o prefixo errado dela de 
Sra. eu tentei me sentar para cima em meu prprio, mas ela alcanou fora levar 
minha mo e me levantar. Eu glanced ao shyly dela. " Obrigado ". 

Lentamente, eu a segui abaixo o corredor, dreading nossa primeira parada na 
frente de uma balana. 

O adquiramos pesado dentro, " ela disse cheerily. Eu derrubei minha bolsa e 
cobre no cho, enquanto no querendo uma falsa leitura. Eu teria me retirado 
meus sapatos, mas era adquirindo duro eles atou mais para cima. 

Pisei em cima da balana, e ela colocou o peso para 100. Depois, ela
moveu o outro peso. 125. 130. 135. 137. Ela anotou no meu pronturio, e me
deu um sorriso simptico.

"Voc est indo bem." ela me encorajou. Se ela ficasse mais alegre, eu ia
ter que bater nela. "Voc ganhou apenas vinte e trs libras."

Eu olhei para baixo, para meu corpo, em constante fase de mudana. Parecia
que tudo estava instalado nos meus seios e abdomen, mas meu rosto tinha
comeado a ficar cheio. Eu me levantava todas as manhs, querendo saber
quem era a mulher que me fitava no espelho.

"Tem um vestido pra voc se trocar l dentro" a enfermeira me levou para
o quarto de exame. "Vamos te dar aluns minutos, e ento a dra. Stephens
vai estar com voc."

"Obrigada", eu peguei o vestido e ela fechou a porta. Tirei os sapatos e 
troquei de roupa. Mal podia esperar para tirar a licena maternidade.
Planejava tirar todos os meses de licena.

Algum bateu na porta.

"Entre," eu terminei de fechar o vestido.

"Hi Dana," a mdica entrou, trazendo meus dados. "Tanta coisa aconteceu
desde a sua ltima consulta! Como voc est se sentindo?"

"Pronta," eu bati de leve na minha barriga. Ela riu um pouco, e colocou o
pronturio de lado, me ajudando a sentar na mesa de exames.

"Eu sei," ela pegou o estetoscpio. "Mas voc ainda tem algumas semanas.
Alguma dor ou cimbra?"

"No," eu relaxei enquanto ela monitorava meu corao e respirao. 
"Nada ainda."

"Inspire..." ela moveu o estetoscpio ao redor. "Expire."

"Estou indo hoje  noite para DC" ela comeou a verificar minha
presso sangunea."Estou contente por estar aqui, assim voc pode ter 
certeza de que tudo est bem antes de eu ir. Mulder fica preocupado."

" melhor voc se acostumar com isso" ela me deu um sorriso. "Pois  provvel
que ele nunca mais vai deixar de se preocupar. Esse  o trabalho dele como 
um pai."

"Voc no teve nenhuma pergunta sobre a sua amniocentese?" ela perguntou
enquanto me enganchava ao monitor cardaco. "Deixei algumas mensagens
para voc."

"Sinto muito, mas a me de Mulder teve um ataque cardaco h algumas semanas
e eu tive que voar at Greenwich."

"Ela est bem?" A curiosidade dela era profissional.

"Ela est se recuperando."

"Aposto que vocs dois esto entusiasmados". Ela pegou o pronturio.
"Agora voc pode decorar o quarto do beb e comear a fazer compras."

"Sim, hora de comear a comprar cortinas cheias de babados e tudo rosa". No 
tinha idia de onde eu iria morar quando voltasse. Achava que Mulder iria
vir morar comigo, ou tentaramos achar um apartamento maior, em algum lugar.
Mas com certeza eu no vou sair  caa de nada aos noves meses de gravidez.

Dra. Stephens franziu a sobrancelha, confusa. Ela apertou a prancheta
contra o peito e me encarou.

"Rosa? Para um menino? Isso  uma nova moda?" ela perguntou.

O quarto ficou quieto enquanto as palavras dela ecoavam no ar. O que ela
acabou de dizer?

"Um menino?" eu repeti, sentindo meu corao bater de repente. "Eu -eu 
vou ter uma menina. Foi isso que a amniocentese disse."

Sentei-me, rgida, apertando minha barriga de forma protetora enquanto
ela abria meu arquivo de novo. Parecia que horas se passavam, ao invs de
minutos, enquanto ela virava as pginas.

"Dana," ela disse baixinho, me entregando a informao. " um menino."

* * * *

