* * * *
Oregon Hospital Estadual
Portland, Oregon, 
11:45 da manh 

"Tem alguma coisa errada com o beb" Marita disse
enquanto sentvamos um de frente para o outro, uma
mesa pequena entre ns. Ela estava nervosa, raspando
a unha do polegar sobre a mesa. Um bvio sinal de
ansiedade. 

"O que seu mdico disse?" eu perguntei, falando 
calmamente. Eu j tinha muita prtica neste assunto
com Scully, j que ela sempre estava preocupada com
isso.

"Ele diz que est tudo bem" ela responde, olhando
pra mim.

"Ele te checou assim que voc apareceu" eu respondi.
As mos dela continuaram se movimentando. 

"Ele no sabe de tudo" a voz dela estava tremula
de medo. "Eu no posso contar toda minha historia medica.
Eu nem mesmo sei o que fizeram comigo."

"Voc sabe quem  o pai?" eu perguntei, colocando uma
mo sobre a dela, para parar seus movimentos. Eu precisava
que ela se focalizasse em detalhes especficos, se eu
quisesse ir at o fundo disso. Como aconteceu j era
um comeo.

"Eu nem mesmo sei se sou a me" ela falou, lgrimas 
enchendo seus olhos.

"Ento, voc no... eu 	quero dizer, voc no foi..."
eu comecei, tentando esclarecer a pergunta.

"No. Eu no estou dormindo com ninguem" ela falou,
na defensiva, tirando as mos longe das minhas e as
colocando sobre a barriga. "Eu no estava em condies
para isso. Meu corpo estava to fraco da experincia
que eu quase no podia ficar de p. Voc me viu, e
sabe como ."

Eu tive dificuldade em ver a mulher que estava
diante de mim como a Representante Especial do Secretrio 
Geral das Naes Unidas. Foi-se embora o ar calculado
e controlado, e ela era agora apenas uma sombra
de seu ego anterior.

"Como isto aconteceu, Paula?" eu perguntei, usando seu
nome falso em caso de algum estar escutando. 
Ninguem acreditaria na historia dela se eles estivessem.
Eles pensariam que ela era uma maluca. Invases 
aliengenas, sindicatos secretos, experincias...

"Deve ter sido a ltima coisa que eles fizeram em
mim antes da evacuao. Eu nem sabia que estava grvida
at estar com cinco meses. Estava tao acostumada a ficar
doente o tempo todo, que achei que o que estava sentindo
eram efeitos colaterais da vacina do leo negro."

"Voc recebeu a vacina..."

Ela acenou com a cabea, passando uma mo, nervosa, pelo
cabelo. "A vacina que foi desenvolvida pelos russos e que o
Sindicato conseguiu de Krycek. Eles testaram ela em mim."

Krycek. Fazia sentido. Quis saber se a gravidez toda
foi idia dele, j que ele ficou to interessado na gravidez
de Scully. Mesmo assim, no conseguia entender o propsito
de engravidar Marita. Da ltima vez que a vi, ela estava muito
fraca. Por que sujeita-la s demandas de uma gravidez? Bebs
saudveis vinham de mes saudveis. Tudo foi orquestrado
por causa da vacina, ou havia outro propsito por trs disso
tudo? Por que eles a deixaram pra trs durante a evacuao?
Ela poderia ter feito um aborto, caso sentisse que sua
vida ou sade estava em perigo, mas ela nao fez isso, e eu estava
achando que ela sabia mais do que queria me mostrar.

"Quando vai ser o nascimento?" No podia ser mais que um
ms, a julgar pelo tamanho dela.

"6 de novembro", ela tremeu a cabea de um lado para o outro.
"Eu no sei se ela vai conseguir."

"Ela?" eu perguntei, surpreso pelo seu comentrio. "Voc sabe que
 uma menina?"

"Foi o que a ultra disse, mas esses testes nunca so 100% 
garantidos."

Ela poderia fazer uma amniocentese como Scully. Teria eliminado
a ansiedade que ela estava tendo. O seguro dela provavelmente no
pagaria pelo procedimento, a menos que houvesse um motivo para
isso.

"O beb deve estar bem desenvolvido e poderia sobreviver
caso voc entrasse em trabalho de parto" eu usei meu conhecimento
limitado de crescimento pr-natal. "Exceto pelos pulmes..."

"Ela no  minha," ela acariciou a barriga. "Quero me ligar a
esta criana, mas nao posso. No sinto nada por ela. Ela foi
fabricada e feita por eles."

Ento eu percebi qual era o problema. Marita estava tendo um
estado de negao sobre o beb. Podia coexistir com ela, mas o
beb estava sendo visto como algo estranho e separado.

"Ento, o que voc vai fazer?" Eu estava preocupado pelo bem
estar da criana. "Voc vai dar o beb para adoo?"

"No vou precisar fazer isso. Sou somente um recipiente.
Quando a hora chegar, eles viro busca-la" ela falou, chorando.

* * * *

Edificio Federal Truman 
St. Louis, Missouri,
11:55 da manh 

"Agente Scully," Skinner disse, a voz curta e grossa. "Estava querendo
saber se voc teve notcias do agente Mulder hoje."

"Estava a ponto de lhe fazer esta mesma pergunta."

"Estou tentanto falar com ele durante toda a manh. Considerando que
voc faz parte da famlia de Mulder, eu me senti na obrigao de
avisa-la."

Minha raiva e frustrao mudaram imediatamente para interesse. Mulder
estava sumido de novo? "Avisar sobre o que, senhor?"

A me dele sofreu um ataque cardaco esta manh. Os mdicos a estabilizaram,
mas ela ainda est em condio crtica. Eles precisam entrar em contato
com Mulder, j que existem decises que ele deve precisar fazer 
pela me dele."

Me sentei na beirada da mesa. Eu sabia que a me dele no estava bem de
sade desde o ataque que ela teve h uns trs anos, apesar de sua recuperao
relativamente rpida.

"Qual  o prognstico?" fiz a pergunta clinicamente, adotando um comportamento
profissional.

"Posso te dar a informao que o hospital me deu, e o nome do
mdico dela para voc" ele evitou minha pergunta. "E o endereo, caso voc precise
viajar. Voc precisa que eu fale com seu supervisor?"

"Isso no ser necessrio," eu o assegurei. Essa era uma das razes por eu
ter vindo para St. Louis em primeiro lugar: um horrio flexivel. Eu sabia
que poderia ir para Greenwich esta tarde. Mas antes de fazer isso, eu queria
falar com Mulder. Afinal de contas, era a me dele, e ele deveria estar
l. "Qual foi a tarefa que voc reservou para o agente Mulder em Oregon,
senhor?"

Skinner pigarreou. "Ele est l como um favor para mim. Eu pedi para ele
investigar o suicdio de um soldado que serviu comigo no Vietn. No 
uma investigao oficial, e por isso que eu pedi para ele no te contatar."

"E ele no se registrou?" eu olhei para o relgio. Era quase meio dia. 
No tinha certeza se acreditava nele ou no. Mulder poderia estar fora,
perseguindo Krycek, at onde eu sabia.

"No," Skinner respondeu. "Vou ligar para o escritrio regional de l
e ver se eles tiveram notcias dele. Vou avisa-la assim que souber de alguma
coisa."

"Obrigada."

"Pode deixar." eu comecei a abaixar o telefone quando ele chamou, 
"Agente Scully?"

"Sim?" coloquei o fone na minha orelha.

"Como voc est indo?" ele indagou, sem jeito. "Quero dizer... voc e o...
o..."

"Ns estamos bem," eu respondi, modificando minha resposta padro do 'eu estou
bem' para incluir o beb.

"Que bom". 

Esperei por ele continuar, mas ele no falou mais nada. Ao contrrio -
ele desligou o telefone.

Coloquei o telefone de volta e coloquei as pontas dos dedos no nariz,
fechando meus olhos com fora. Um de ns tinha que ir para Greenwich. 
E se Mulder estava incomunicvel, eu tinha que ir. Sei que ele estava 
l para minha me, nas numerosas ocasies do meu rapto e do meu cncer.
Se a me dele estivesse morrendo, ento ela tinha o direito de ver seu
neto. Ou, pelo menos, sentir ela se mexendo.

Tinha que agir rpido. O segundo trimestre  o melhor para viajar e eu nao
via problema em fazer a viagem. Ia s ligar para minha mdica, e conseguir sua
aprovao. A maioria das companhias areas solicitava isso depois das 34
semanas, mas eu no estava l ainda. No deveria ser problema.

Mulder. Ele sim era o problema.

* * * *

Oregon Hospital Estatal
Portland, Oregon, 
12:10 da tarde 

"Ningum te contatou?" ns fomos lentamente ao ptio, do lado de fora
da unidade. Anne Tucker nos observava da janela. "Nem mesmo Krycek?"

Ela atirou um olhar para mim quando eu falei o nome dele. Marita abriu a
boca para dizer alguma coisa, mas seu lbio tremia, e ela no falou.

"Voc foi contatado?" ela sussurrou nervosamente. 

"No," eu menti. No estava a ponto de falar sobre a visita dele h poucos
meses, sobre a gravidez de Scully. Os eventos eram sem conexo. Tudo que
aconteceu com Marita foi em fevereiro.

"Continuo esperando ele aparecer" ela dobrou os braos sobre o trax e 
andou na minha frente. "Se Spender no tivesse me ajudado a sair, eu 
no sei o que teria acontecido."

"Spender est morto."

Ela parou e se virou. 

"Todo mundo do Sindicato est morto. No existem mais experiencias
ou conspiraes secretas. Terminou." eu somei.

Marita piscou  contra o sol, protegendo os olhos contra os raios 
luminosos, me escutando com ateno.

"No sei por que voc me chamou at aqui, e no tenho certeza 
que jogo voc est jogando" eu continuei, mantendo minha voz calma e firme
para no despertar suspeitas. "Essa criana que voc est carregando merece
uma me que est disposta a ama-la e se importar com ela. Talvez no tenha
sido sua a escolha de ter este beb, Paula, mas voc tem uma escolha
agora. Se voc nao puder cri-la, precisa deixa-la para a adoo."

"No  to simples. Eu te chamei aqui porque achei que voc entendia.
Depois que voc faz parte da experiencia, vira parte dela, e eles nunca te
deixaro sozinho. Sua vida no  sua para viver. Se eles me quisessem
morta, eles teriam me matado h muito tempo. Eles tem planos para mim
e para esta criana. Posso tentar ter uma vida normal aqui em Portland,
mas sei que isso  algo que nunca posso ter. No agora. E nem voc."

No dava para ter mais dilogo com ela, e eu no sabia mais o que fazer.
O bem estar daquela criana estava, de uma forma ou de outra, em
perigo. Talvez ela tenha sido criada pelo Sindicato, mas no existia mais
o Sindicato. Marita pegou pelo preo de sua traio, mas sua criana no fez
nada para merecer isso.

Dei alguns passos para trs, indo na direo oposta  dela. Foi um
engano ter vindo aqui, eu sabia disso agora. Tudo que podia fazer era
apresentar um relatrio para Skiner. Marita estava sob a superviso
de uma unidade psiquitrica estadual. Quando ela tivesse o beb, seria num
ambiente controlado. Poderia colocar uma recomendao dizendo que ela
era incapaz de criar a prpria criana, mas eu j sabia que a obstetra dela
j sabia disso tambm. Ela me encarava enquanto eu andava.

A vida humana era dispensvel para eles. Comprovado pelo rapto da minha
irm, de Cassandra Spender, a filha de Scully - Emily, as mulheres da MUFON,
a clonagem e todas as outras experiencias feitas durantes os ltimos cinquenta
anos.

Se as previses de Marita estivessem corretas, ento esta gravidez toda
iria ser outro exemplo do descuido deles com a vida humana. Um beb
deveria ser concebido por amor, no para ser ajustada num plano orquestrado
por homens sentando nas sombras, brincando de Deus.

Minha criana nunca ser uma parte desse tipo de mundo.

* * * *

Lambert Aeroporto Internacional
Bridgeton, Missouri,
3:15 da tarde 

Olhei para meu relgio. Meu vo estaria saindo em breve. Em poucas horas,
eu consegui arrumar meu horrio, corri pra casa, fiz as malas,
deixei mais mensagens no celular de Mulder, e convenci Catherine a me
levar para o aeroporto.

Teena Mulder tinha sofrido um infarto do miocrdio, comumente conhecido
como ataque cardaco. O dela foi causado por um cogulo sanguneo se formando
na artria coronaria. Eu consegui falar mais cedo com o cardiologista dela.
Ele tentou executar uma angioplastia na arteria bloqueada, mas o procedimento
no abriu a artria. Ele recorreu ento ao enxerto de emergncia, usando veias
de safena das pernas dela. O exerto foi costurado da aorta at a artria
coronariana, debaixo do local do bloqueio. Ela agora estava em
condio estvel, mas no tinha recuperado a conscincia ainda.
Devido ao ataque que ela teve antes, havia uma causa adicional para 
preocupao.

Encarei o mar de rostos diante de mim. Das centenas de aeroportos em que estive 
durante os ltimos seis anos, eu nunca notei que haviam tantas mulheres
grvidas. Eu procurava agora, constantemente, as barrigas das mulheres
que passavam por mim, s para conferir se elas estavam grvidas tambm.
Troque olhares sabedores com aquelas que estavam esperando um filho,
entendendo que o simples ato de viajar agora tinha um novo significado.

Esta ia ser a primeira vez que eu estaria vendo Teena Mulder desde que
descobri que estava grvida. Mulder raramente falava dela, ento eu estava
insegura de como ela aceitaria as notcias de que seria uma av. Minha me
mal podia esperar, e j tinha netos! Este seria o primeiro de Teena Mulder.
Talvez seu primeiro e nico. A mulher que o Canceroso apresentou como
Samantha tinha filhos. Se fosse verdade, ento Mulder tinha sobrinhos
ou sobrinhas l fora, e meu beb tinha primos. Em algum lugar.

Skinner estava certo quando disse que ns eramos toda familia que Mulder tinha.
Eu coloquei a mo sobre minha barriga e sorri. O mero pensamento me deixou
emocionada. Ele tinha aberto mo da prpria presena nos mandando para St. Louis,
s pela nossa segurana.

Peguei minha bolsa e procurei o celular, para ligar pra ele mais uma vez
antes do vo sair. Minhas esperanas de localiza-lo comearam a se afundar
a cada toque e eu estava automaticamente pronta para deixar a mensagem.

"Mulder, sou eu. Eu estou quase pronta para voar para Hartford, vo Delta 424. Vou direto
para o hospital. Se voc pegar este ou as outras mensagens anteriores, por favor
ligue-me imediatamente" eu apertei o telefone mais forte contra minha orelha,
e ento, somei. "Eu te amo."

Fechei o celular e segurei-o contra meu trax. Mulder, onde diabos voc
est? Sua familia precisa de voc.

"Vo 424 para Hartford, Connecticut, est prestes a sair.
Neste momento, gostariamos que os passageiros que precisem de atenao
especial ou ajuda, entrem primeiro, e ento, faremos a chamada para os
outros passageiros. Mulheres grvidas ou mes com crianas de colo tambm
tm a oportunidade de subir neste momento." a mulher do balco anunciou.

Fiquei de p lentamente, juntando minhas coisas. Mulheres grvidas. 
Isso me incluia.

* * * * 

Hospedaria Quality
Portland, Oregon, 
1:45 da tarde 

Coloquei a chave com ansiedade na porta, ansioso para pegar o prximo
vo disponivel para St. Louis.

No pude obter qualquer informao adicional do hospital sobre 
Paula Finley. A unidade de proteo de testemunha podia pedir ao 
hospital uma avaliao. Talvez, baseado em meu relatrio, algo poderia
ser feito para ter certeza que o beb dela fosse bem cuidado. Na condio
mdica atual em que ela estava, com certeza ela seria uma me imprpria
para a criana.

Mal podia esperar para ligar para Scully. Estava esperando que ela no 
suspeitasse que havia  algo errado por eu no ter ligado desde sbado. Skinner
iria me dar uma cobertura sobre um suicidio de um colega dele do Vietn, com
quem ele serviu. Estava dividido entre dizer para ela sobre Marita, ou deixar
isso para l. Afinal de contas, eu no voltaria aqui, e o caso estava encerrado.

Uma vez dentro do meu quarto, fechei a porta e peguei meu celular. Tinha
deixado o aparelho carregando. Peguei e conferi minhas mensagens. Tinha seis.

"Agente Mulder, voc precisa me ligar imediatamente em relao a um
assunto pessoal."

Skinner? Assunto pessoal? No podia ser algo sobre Scully, no ?"

"Agente Mulder, aqui  Skinner. Sei que voc est na sua 'tarefa especial', mas
 imperativo que voc me ligue assim que puder. Aconteceu uma emergencia mdica."

Meu corao comeou a bater forte em meu trax. Scully.... o beb....
No, no podia ser. Procurei no escuro o telefone do hotel com minha mao
livre, discando freneticamente o telefone celular de Scully.

"Mulder, sou eu. Acabei de falar com Skinner. Sua me sofreu um ataque
cardaco esta manh, e est no hospital. Por favor, ligue-me assim que 
puder. Estou no escritorio, e vou ligar para o hospital agora."

Gelei ao som da voz de Scully. Sussurrando uma orao de graas para o Deus
dela que ela e o beb estavam bem, eu fiquei com medo por minha me.

Droga. O celular dela estava fora de alcance. Desliguei o telefone do hotel
e continuei escutando meu celular. Quarta mensagem.

"Sou eu de novo. Acabei de falar com o cardiologista, e sua me est na
UTI. Ela sofreu uma parada na artria coronaria e est estabilizada agora.
Vou ver o que posso fazer para pegar um vo esta tarde para Hartford. Por favor,
liga pra mim."

Fiquei de p, mantendo o celular apertado na orelha, enquanto empurrava minhas
coisas de qualquer maneira dentro da mala. Queria pega-la antes que ela
falasse com minha me, pois eu tinha algo para explicar pra ela antes.

"Droga, Mulder. Onde voc est? Escute, tenho que fazer a reserva agora
e no posso te esperar. Tenho umas cem coisas para fazer. Estou com meu pager
e celular, ento  melhor eu ter notcias suas no segundo em que voc receber
as minhas."

Ela parecia sria. Do ponto de vista dela, ela provavelmente deveria pensar
que eu escapei de novo em alguma perseguio maluca, o que infelizmente era
verdade. Eu deveria ter estado em St. Louis com ela ou trabalhando na nossa
nova casa este fim de semana. Dessa maneira, algum poderia ter entrado em
contato comigo. Eu j tinha perdido minha irm e meu pai. No podia nem imaginar
em perder minha me.

"Mulder, sou eu. Eu estou quase pronta para voar para Hartford, vo Delta 424. Vou direto
para o hospital. Se voc pegar esta ou as outras mensagens anteriores, por favor
ligue-me imediatamente" ela falou, parecendo bem mais tranquila. E ento, ela
pausou, somando depois. "Eu te amo."

Aquela frase cortou direito no meu corao. Mesmo depois de tudo que passamos,
Scully nunca falava essas trs palavras de maneira inconsequente. Ela s falou
isso para mim algumas vezes, mas eu sabia que ela estava sendo sincera quando
o fazia. E era o que eu precisava ouvir agora mesmo.

Ia levar horas para chegar em Greenwih.

* * * *

Hospital de Greenwich
Greenwich, Connecticut,
8:10 da noite

"Com licena. Estou aqui para ver o dr. Conboy."

A enfermeira da UTI me olhou, um pouco preocupada. Eu tinha certeza de
que minha aparencia era de pura exausto. O vo foi mais difcil do que eu
esperava. Tentei me levantar e andar pelo corredor, mas o avio estava
to cheio que no podia andar muito bem. Ento, tive que urinar no segundo
em que o piloto acende o sinal de 'apertar os cintos'. Fui, literalmente, a
primeira oessia a sair do avio, assim eu poderia chegar a tempo de ir
para o banheiro. Depois disso, uma viagem de noventa minutos de carro
de Hartford para Greenwich. Todo este tempo sentada me deu bastante tempo
para testar como estava indo meus movimentos Kegels.

"Para qual paciente?" ela perguntou, educada, acenando para eu me sentar.

"Teena Mulder", eu ca numa cadeira. Era bom sair de cima dosps. Esfreguei
meu ombro, tentando soltar o enorme n de tenso que tinha se formado ali.

"Vou chama-lo. Vai demorar apenas alguns minutos" ela sorriu, simptica, para
mim.

"Obrigada" eu sussurrei, fechando meus olhos cansados. No podia acreditar
em como estava cansada. Depois de viajar de avio e carro durante tanto tempo,
achei que meu corpo estava acostumado a isso. Gravidez muda tudo.

De repente, meu celular tocou. Abri os olhos e agarrei o aparelho to
rpido quanto pude e o coloquei na orelha.

"Mulder?" eu perguntei, esperanosa, com meu corao batendo forte no peito.

"Sou eu". ele respondeu.

"Mulder, onde diabos voc est?" eu exigi, aliviada e frustrada.

"Detroit. Acabei preso aqui." Eu podia ouvir barulhos atrs dele
e ele teve que gritar. "Eu ouvi suas mensagens, e comprei o primeiro vo
para Portland. Como est minha me?"

"Estou esperando para falar com o mdico dela." Na verdade, eu queria
reclamar que ele no ligou de volta, mas eu sabia que agora no era hora
ou lugar para isso. "Ela est na UTI, o que  normal. Ela vai ser monitorada
por perto pelo menos durante as prximas 24 horas."

Mulder exalou no telefone. Ele parecia cansado, frustrado e preocupado. Todas as 
coisas que eu estava sentindo. 

"Voc  Dana Scully?" Um homem alto andou na minha direo. Eu acenei com
a cabea, no querendo desligar o telefone ainda. O nome no jaleco dele
dizia 'Dr. Kewvin Conboy'.

"Mulder, eu tenho que ir. O mdico est aqui. Quanto vai demorar para
voc chegar aqui?" eu falava com Mulder, mas olhava para o mdico.

"Outras duas horas, mais a viagem de carro para Greenwich. Umas quatro
horas no total. Vou dirigir to rpido quanto puder."

"Certo" eu senti a urgncia na voz dele. "Te vejo em breve" fechei o 
telefone e coloquei-o no bolso, dando para o mdico minha ateno completa.

"Eu sou  o Dr. Conboy. Ns nos falamos mais cedo" ele estendeu a mo
para mim, que devolvi o gesto, e ele moveu a mo para sentarmos de novo.
Ele viu imeditamente minha condio, apesar as roupas folgadas que eu estava
usando.

"Sim. Como ela est?"

"Estvel. Ela est acordada neste momento. S vou permitir visitas da
famlia, e s por um pouco de tempo. Considerando que voc  mdica, 
voc entende minha hesitaao. Mas eu acho que ela precisa saber que a
famlia dela est agora com ela."

Fiquei de p, tentando sair da cadeira. Dr. Conboy pegou um dos meus
braos para me firmar enquanto ele se levantava tambm.

"Obrigada" eu falei, um pouco envergonhada pela minha falta de coordenao.

"Voc  a nora dela?" ele perguntou, enquanto andvamos para a UTI.

"Ainda no". Eu podia sentir ele olhando para minha barriga de novo.

"Algum deve ter escrito isso errado no formulrio quando voc foi
chamada pela primeira vez" ele olhou para a prancheta que estava
levando. "Sinto muito."

Ele abriu a porta para mim enquanto entravamos no quarto. "Depois de
sua visita, ela precisa descansar. O corpo dela ainda est se
recuperando, e seria muito bom o sono de uma noite inteira. Quando mais
forte ela estiver, melhor a chance dela se recuperar."

"Eu entendo" eu respondi enquanto ele tocava no meu brao 
ligeiramente. "Eu s vou demorar alguns minutos."

"Sra. Mulder?" ele perguntou suavemente. "Sra. Mulder?"

Ela abriu os olhos lentamente. "Fox?"

"No" ele tremeu a cabea. " dr. Conboy. Um parente seu est aqui
para te ver."

Ela virou a cabea pra mim, acenando com ela para eu me aproximar.
"Onde est o meu filho?"

"Eu vou deixa-las sozinhas" o mdico falou, conferindo algumas coisas
antes de sair.

"Sra. Mulder?" eu comecei, insegura de como me referir a ela.
No somos ntimas para usarmos os primeiros nomes. " Dana Scully."

Ela balanou a cabea para o lado, tremendo os olhos. "Onde est Fox?
Eu fico pedindo pelo meu filho, e eles me dizem que ele no est aqui."

Me sentei na beirada da cama, pegando a mo dela, tentando-o conforta-la.
"Ele est a caminho neste momento."

"Ele te mandou vir pra c?"

"Eu quis vir" eu respondi, sorrindo suavemente.

Ela franziu a sobrancelha enquanto olhava para minha barriga, como
se fosse pega de surpresa por ver isso. Ela estendeu os dedos, 
querendo me tocar ali. Levei a mo dela, e coloquei sobre minha barriga.

"Ela pode querer chutar a av dela" eu sorri ligeiramente. O rosto dela
no registrou nenhuma emoo enquanto minha filha se torcia dentro de
mim.

"Av?" ela perguntou, olhando pra mim. Dor e confuso encheram sua
expresso. "Esta criana  de Fox?"

Engoli o caroo na minha garganta. Oh, meu Deus. Ele no falou pra ela.


