Georgetown Shopping Mall
7:30 da noite

"Dana, querida, o que voc acha desse aqui?" minha me perguntou, 
erguendo um vestido muito pequeno. 

Eu sorri. O primeiro sorriso do dia. "Um pouco cedo para isso,
no ?"

"S algumas idias" ela colocou o vestido de volta na prateleira.

No estava disposta a fazer compras. Meus ps estavam me matando,
apesar do fato de eles estarem dentro de tnis. Parei e me sentei 
num banco no meio do shopping. Minha me continuava ao redor,
tendo cada vez mais 'idias.'

Meu celular comeou a tocar, pela terceira vez, esta noite. Eu fui
pega-lo, e, droga: era Mulder de novo! Ser que ele no se rendia?
Mexi no aparelho, para ele no mais tocar, e coloquei de volta na
bolsa. Felizmente, minha me estava muito ocupada para notar.

"Voc mudou de idia sobre descobrir qual  o sexo?" ela chamou,
de longe, levantando um uniforme pequeno de beisebol. Lindo.

"No" eu cocei meu estomago um pouco. A pele estava comeando a ficar
esticada, e estava comeando a coar. Deveria passar um creme de
vitamina E, mas tinha que comprar a caminho de casa. "No quero saber."

"Fox no quer saber?" ela olhou pra mim. "A deciso no  s sua."

Eu exalei lentamente. No momento, estava pouco me lixando para o que
Mulder queria. Ele provavelmente estaria fazendo planos de como ia passar
os prximos dois meses sem sua parceira grvida no caminho dele. 

"No conversamos sobre isso, ainda" empurrei minha raiva de volta. No
falamos sobre muitas coisas, e acho que no vamos ter tempo pra isso."

Essa foi a coisa errada a dizer. Minha me saiu da loja e se sentou
ao meu lado. "Por que?" 

"Porque Skinner quer me mandar pra St. Louis," eu olhei pra ela. E
agora eu queria chorar. Bem no meio do shopping lotado e enlouquecedor.
Estes balanos de humor no tinham fim.

Ao invs de Quntico, a me dela pensou, acenando com a cabea.
"Voc tem certeza de que isso  uma boa idia?"

"Mulder parece achar que sim" eu falei, entredentes. "No ficaria 
surpresa se ele estivesse arrumando minhas malas agora mesmo."

"Era tudo que Skinner tinha pra voc?"

"Aparentemente. Estou fora de dever de campo, e trabalho forense  a 
nica coisa que posso fazer, j que no posso dar aulas em Quntico."

"Voc quer ir, Dana?" minha me perguntou suavemente. A voz dela
mexeu dentro de mim.

"No quero deixar meu trabalho, me. Demorou seis anos para
chegarmos aqui, e eu no posso simplesmente desistir de tudo. No
posso deixar Mulder sozinho nos arquivos X. Era o nico lugar onde poderia
ficar, pelo menos em meio-periodo."

"No acho que seja este o problema, Dana. Voc acha que , mas no "

"Ento,qual  o problema?" No tinha idia do que ela estava falando.

"Compromisso".

"Mulder  que tem problema com isso. No eu." fiquei defensiva. "Ele
me diz que quer o melhor pra mim, mesmo assim, ele sai no meio da noite
sem me avisar, e na prxima vez que o vejo, ele est pronto para me
mandar passear. Pra mim, isso parece um homem com medo de compromisso."

"Acho que  voc quem tem medo, Dana".

"Estou presa a esta criana" protestei, no gostando do rumo da conversa.
"Estou fazendo tudo que posso para ter certeza de que tudo v dar certo..."

"Voc me entendeu mal, Dana. Eu tenho certeza de que Fox est da mesma
maneira preso a esta criana, assim como voc. Voc no acha  que ele
est fazendo tudo que pode tambm? Voc quer trabalhar e ele est apoiando
sua deciso."

"Ele continua me dizendo que quer fazer parte da vida do bebe" eu olhei
para minha barriga. "Mas como ele pode fazer isso se eu estiver a 
900 milhas de distancia?"

"Voc estava pronta para ir pra Quntico, Dana. Na verdade, era voc
que estava deixando ele."

"Mas no  mesma coisa, me. J fui para Quntico antes, e nossa
parceria sobreviveu."

"Esse  o problema. Voc est pensando em termos de parceria. Voc
est presa a ele, mas por seu trabalho. Vocs foram parceiros por tanto
tempo que voc no sabe ser outra coisa pra ele."

Obviamente, ela estava nos analisando h algum tempo. Com Mulder e minha
me, eu no precisava de nenhum conselheiro profissional. Ao que parecia,
ambos me entendiam.

"Sim, me, eu sei ser outra coisa pra ele, seno no estaria carregando
o filho dele, neste momento."

"Se voc soubesse, voc teria contado pra ele que estava grvida
assim que descobriu" ela me olhou de maneira desaprovadora. Acho que vou
sempre pagar por isso.

"Ento, o que eu deveria fazer?" 

"Pegue o trabalho em St. Louis." ela colocou a mao dela sobre a
minha. "Mesmo que eu no queira que voc v, isso vai te dar uma chance
para acertar as coisas com Mulder."

"Como?" eu soava impertinente. "Como eu vou fazer isso, estando to
longe?"

"Voc vai descobrir o que  importante para vocs dois" sua me declarou.
"E antes que voc me diga que eu no entendo, deixe-me assegurar que eu
sei. Muitas vezes, seu pai estava fora, ao redor do mundo, e eu no o
veria por meses. Uma dessas vezes, eu estava grvida de voc, e confie
em mim, isso vai colocar as coisas em perspectiva."

Fiquei lembrando quando Ahab viajava e como ela cuidava de todos ns.
Os momentos em que meu pai chegava em casa, eram os momentos mais felizes
da minha vida. E agora, eu entendi que esses momentos era mais felizes
ainda para ela... eu tinha que entender.

"Eu s no quero fazer isso sozinha, me."

"Mas voc no vai estar"

"De que lado voc est?"

"Da minha neta. Ou neto. Uma criana precisa dos dois pais, Dana. E
isso tem que ser feito agora, antes dela chegar."

* * *

Apartamento de Mulder
9:30 da noite


Estava de frente para meu computador, procurando os arquivos do
FBI, na internet, sobre St. Louis. Eles tinham construdo um prdio
federal, novinho, no centro da cidade. Um com segurana topo de linha.
Provavelmente era perto de onde ela moraria, fazendo a troca o to
conveniente possvel. Sendo uma cidade localizada no meio do pas,
eu poderia voar diretamente para l de qualquer lugar onde Skinner
me mandasse ir.

A primeira ultrasonografia dela estava na minha mesa, e ento peguei
a foto, encarando a pequena forma preta e branca que era meu filho.
Scully estaria fazendo outra ultra logo, quando chegasse na 24a semana.
E onde quer que eu estivesse, eu estava determinado a estar l tambm.

"Talvez eu possa convence-la a me deixar saber se  menino ou menina."
eu sussurrei, mas no me preocupando, contanto que ele chegasse logo.

Liguei para Scully algumas vezes antes, mas ela deve ter desligado 
o telefone, ou simplesmente no o atendeu. Mesmo que isso me deixasse
frustrado, eu sabia que a melhor coisa era deixa-la ir. Mas eu no 
podia parar de pensar nela ou no bebe. No tinha idia de como iria
agentar no v-la todos os dias. Seis horas sem ela, e eu j estava
um caco.

De repente, uma batida na porta, e som de chaves.

"Mulder?" Scully perguntou, pela porta. "Oi?"

"Scully," eu me levantei. Eu dei para ela um jogo de chaves, mas sempre
ficava surpreso quando ela usava. Era raro ela vir aqui sem avisar,
a menos que alguma coisa estivesse errada. "Voc est bem? Pensei que
voc estava com sua me."

Olhei para ela. Ela parecia bem, exceto pelos olhos, que pareciam cansados.

"Eu estou bem e eu estava com ela. Estou te incomodando?"

"No," eu sorri pra ela. Ela no parecia estar zangada comigo, o que
era um bom sinal. "Estou contente por voc estar aqui."

Scully deu uma olhada ao redor de meu apartamento, como se esperasse
achar algum fumando aqui, nas sombras, ou um grande X na janela.
Ela andou um pouco ao redor, olhando para o computador. E sorriu ao 
ver a foto do ultra som.

"Eu s estava querendo saber se  menino ou menina" eu admiti,
respondendo a pergunta no dita.

"Voc quer saber?" ela pegou a foto e estudou por um instante.

"Eu gostaria. Tudo que fazemos  to inesperado, que por uma vez seria
legal no ser pego de surpresa."

Isso fez Scully sorrir ainda mais.

"Estou pesquisando St. Louis pra voc" andei ao redor, com cuidado, para
no tirar aquele sorriso do rosto dele. "Viu s? Eles construram um
prdio novo.  ali que voc vai trabalhar, se voc decidir ir. Os laboratrios
so equipados para fazer qualquer tipo de teste, e l voc vai prover
aos departamentos de execuo de lei rpida evidencia forense."

"Eu sei que tem um longo perodo de esperar para qualquer evidencia
ser transportada para DC" ela disse, me olhando. "Seria importante ter
certeza de que o pessoal esteja treinado para manter as provas em estado
correto."

"Isso vai ficar muito bom no seu arquivo" eu deixei minha mo descansar
nas costas dela. Era to bom toca-la. "Ou, pelo menos, vai parecer
melhor do que ser minha parceira."

Scully se afastou de mim, dando alguns passos para a mesa de centro.

"Foi por isso que eu vim aqui. Tomei uma deciso hoje  noite e achei
que voc deveria saber" ela se sentou no sof, e colocou uma mecha de
cabelo atrs da orelha, e ento uniu os dedos no colo. Me sentei ao lado
dela, querendo saber o que ela ia dizer.

"Antes de voc fazer isso, Scully, eu preciso te contar uma coisa"
eu a observei com ateno. Ela elevou uma sobrancelha para mim, numa
carranca. "Aconteceu uma coisa, mas no em Detroit."

"Mulder..." ela respirou, incerta.

"E antes que voc tente me esganar, Scully, eu s hesitei em te contar
pois no queria que voc ficasse preocupada com isso. Mas eu no
vou deixar voc ir para St. Louis sem voc saber."

"Saber o que, Mulder?" ela parecia preocupada agora.

"Existiu uma razo pro meu carro ter parado em Dulles" eu no 
sabia por onde comear. "Assim, Krycek podia me fazer uma
visitinha."

Agora eu lamentei declarar isto. Scully se apoiou no sof, os olhos
ficando maiores com preocupao.

"Krycek," ela repetiu, quase cuspindo o nome.

"E ele sabe," eu continuei, vendo ela fechar os olhos e tremer a 
cabea. Toquei o brao dela, tentando apia-la.

"E voc no me falou," ela incendiou de volta, luzindo pra mim.

"Estou contando agora" eu declarei, defendendo minha posio. "Por
isso  que eu quero que voc v para St. Louis. Se voc estiver l,
vai estar longe da vista por algum tempo. Vai te dar uma chance
para estar longe de DC e de dar um tempo dos arquivos X."

Uma lgrima escapou do olho dela, e ela respirou fundo. 
"Jesus, Mulder". 

"E voc pode me odiar o quanto voc quiser,  mas eu s estava 
pensando no beb. Ele no vai ser parte disso." eu esfreguei o brao
dela, que graas a Deus, no se afastou.

"O que ele disse? Krycek..."

"Ele disse que eles estavam surpresos por voc estar grvida. E
queriam saber como aconteceu" eu sussurrei, odiando ter que repetir 
as palavras dele.

Ela deixou sair uma pequena risada sbita e esfregou outra lgrima.
"No queremos saber todos ns?"

"No eu," peguei a mo dela com firmeza. "No me preocupo de como
aconteceu. Eu s estou contente que aconteceu."

* * *

Respirei fundo de novo, tentando focalizar nas palavras dele.

"E eu tambm". Eu deveria estar brava com ele. Queria estar. Mas ele
estava fazendo o que eu tinha feito semanas atrs, quando no falei que
estava grvida at o primeiro trimestre. Ele estava tentando proteger
nosso beb, e eu tambm.

"Mas se voc no quiser ir, Scully, ns vamos achar outro jeito."

"No. Foi isso que eu vim te falar. Eu quero ir pra St. Louis."

"Voc quer?" ele estava confuso com minha declarao.

"Porque eu acho que seria bom para ns dois. No conseguimos acertar
as coisas entre ns, e colocar um pouco de distancia agora pode ser bom.
Aparentemente, eu no sei ser nada alm de sua parceira."

"Quem te disse isso?" ele colocou um brao atrs de mim.

"Minha me," eu olhei nos olhos dele, tentando no sorrir. "Mas
ela est certa. Preciso te ver como outra pessoa, alm de meu
parceiro, se tiver que fazer isso dar certo."

Mulder acenou com a cabea. "Mas eu ainda quero trabalhar com voc,
Scully."

"Mas ns vamos trabalhar. Mas temos outra coisa em que nos concentrarmos."

Mulder me puxou para ele, os lbios dele escovando os meus suavemente. 
Eu exalei, e o recebi, libertando a tenso que eu estava levando o dia
todo.

"Isso vai ficar cada vez mais difcil" eu falei quando ele se
afastou.

"Eu sei". Ele me apertou ainda mais num abrao.

* * *

Apartamento de Scully
7:30 da noite
Duas semanas depois 


"Pode parar por a. Isso  meu" Frohike falou, pegando a caixa que 
estava nas mos de Scully. "Voc no deveria estar carregando peso no
seu estado."

"No sou uma invalida" ela protestou. Eles no deixaram ela mover uma
palha.

Byers e Langly estavam acabando de embalar o armrio dela. Aluguei um
reboque para transportar os pertences que ela estava levando para
St. Louis. O Bureau tinha dado para Scully um apartamento completamente
mobiliado para os trs meses dela l. Isso me deixou feliz. As nicas
coisas que ela precisaria levar eram pratos, roupas, computador e
algumas outras coisas. Estvamos l para a longa viagem. Moe, Larry e 
Curly tinham se oferecido para ajudar.

"Quando voc vai voltar, agente Scully?" Byers perguntou educadamente. 

"Primeiro de dezembro," ela olhou para mim.

Estvamos ocupados durante as duas ultimas semanas arrumando todos os
ltimos detalhes para ela partir. Os mdicos dela recomendaram um
especialista em St. Louis, que foi checado da cabea aos ps. Estava
planejando voar pra l todos os fins de semana, quando no estivesse
trabalhando, e ia mante-la atualizada sobre qualquer arquivo X que
eu estivesse trabalhando. Skinner decidiu no me dar outro parceiro
neste intervalo.

E nenhum de ns tivemos outra visita de Krycek.

"Se tiver qualquer outra coisa que pudermos fazer, no hesite em chamar"
Frohike falou diretamente para Scully.

"Esta  a ltima caixa," Langly disse enquanto ele e Byers levavam a caixa
para a sala de estar.

"Coloque no reboque," eu bati nas costas de Frohike enquanto falava isso
para os outros dois.

"Vamos sentir a sua falta, agente Scully" Frohike apertou a mo dela.
E ento a puxou num rpido abrao. Acho que ele estava bem emocionado
mesmo.

"Sim," Byers confirmou. "Depois que voc se instalar, nos avise.
Um de ns vai at l, e checar o apartamento para voc."

"Obrigada por me ajudar na mudana" ela respondeu para eles.

Byers, Langly e Frohike juntaram o resto das caixas e as levaram
quando saram. Fechei a porta atrs dele.

"Acho que isso  tudo" ela falou, se sentando no sof.

"Bem, no tudo" eu me sentei na mesa de centro, na frente dela.
Apertei os joelhos dela, e agora eles estavam entre os meus. 
"Tem uma caixa que voc esqueceu."

Ela suspirou, rodando os olhos pra mim, mas olhou ao redor do
apartamento, tentando entender do que eu estava falando. "Onde?"

"Aqui," eu pesquei uma caixa aveludada do meu bolso. Uma caixinha bem
pequena. "Voc no tem que esperar chegar em St. Louis para abrir esta
aqui."

A mo dela tremeu ligeiramente enquanto pegava a caixa de mim
"Mulder," ela estava meio em dvida sobre o que estava acontecendo.

"V em frente, Scully" eu persuadi, um sorriso preguioso no meu rosto.

Ela respirou fundo, abrindo a caixa lentamente. Dentro, estava um
diamante de dez quilates, ladeado por uma pedra topzio, azul. Eu pedi
para a loja arrumar, pagando a taxa extra para ter isso pronto na hora
certa.

"Sei que no acertamos os detalhes ainda, mas eu queria fazer isso 
oficial antes de voc ir."

Scully mordeu o lbio inferior, os olhos brilhando quando me olhou.

"Mulder," ela sussurrou, colocando o anel no dedo. Ajustou certinho.

"O diamante  para voc," eu falei, vendo a pedra pegando a luz.
Combinava com a luz nos olhos dela. "Topzio  a pedra de dezembro."

"Para o beb," ela  sussurrou". 

Eu acenei com a cabea. Acho que ela ficou surpresa, no esperando
algo to tradicional vindo de mim. "No vou fazer presso, mas
pense nisso e vamos conversar depois."

Ela suspirou, segurando a mo dela no ar, vendo a luz pegando no
anel. " lindo... eu adorei. Ns adoramos."

"Ns?" eu repeti. Era a primeira vez que Scully tinha se referido a
ela mesma no plural.

"Sim, ns" ela confirmou, colocando minha mo sobre a barriga dela.
Deixando a dela sobre a minha.

Como uma famlia. Ou o comeo de uma.

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