Apartamento de Scully
10:05 da noite

"Scully?"

Abri meus olhos, vendo o rosto de Mulder sobre mim.

"Oi" eu sussurrei, esfregando meus olhos. "Eu devo
ter dormido. 

"Eu sinto muito," ele disse,beijando minha testa. 
"Meu vo atrasou, e ento, o maldito carro no quis 
funcionar no estacionamento de Dulles. O pessoal da
garagem teve que usar uma bateria para ligar meu carro."

"Oh" eu respondi, aliviada por ele estar aqui.
"Tentei ficar acordada para voc."

"Voc precisa dormir" ele disse, se levantando.
Parecendo protetor, de novo.

"Bem, eu tambm precisava falar com voc" eu
falei, me sentando. Ele se sentou ao meu lado.

"Skinner j tomou alguma deciso?" ele comeou,
se ajeitando. Estudei seu rosto. Ele parecia mais
exausto do que eu. Linhas de preocupao estavam
dobrando suas sobrancelhas.

"No" eu respondi.

"E voc?" ele perguntou, olhando para meus olhos.

Suspirei fundo, sabendo o que ele estava perguntando.
Decises sobre ns.

"Queria me casar numa igreja, Mulder" eu suspirei.
Ele tinha me pedido umas dez vezes. A ltima vez foi
logo antes dele ir para Detroit.

"No posso fazer isso" ele se desculpou.

"Mas no vou me casar com voc numa cerimnia civil"
eu respondi, me antecipando  prxima sugesto dele.

"Pelo menos seria reconhecido pelos olhos do estado"
ele discutiu.

"Mas no para mim. No vai ser casamento, a menos
que seja testemunhado por Deus" eu declarei, me
mexendo um pouco. Era uma velha discusso. Uma que
estvamos passando nas ltimas semanas, e sempre
terminava num beco sem sada. Mal podia esperar
pelo tpico do batismo.

"Ento vamos viver em pecado?" ele sugeriu, pegando 
meu p nas mos. Ele fingiu dar uma mensagem, mas agarrou
meu tornozelo e me puxou para ele. "Depois de sete anos,
podemos nos juntar. Isso  legal."

"No." Eu queria mais para o nosso filho. Mulder no
iria viver comigo, e no estava a ponto de comear.
"Vamos achar uma sada. Ns ainda temos tempo."

"Vinte e seis semanas antes dele chegar" Mulder falou,
tentando me puxar para o colo dele. Me movi,
escolhendo monta-lo, assim meu peso estaria distribudo
uniformemente.

"No parece muita coisa quando colocada dessa
maneira" eu falei, me sentido de repente, vencida.
Eu no estava pronta para isso. Ele no estava pronto
tambm. Nove meses no era tempo suficiente para
rearrumar toda sua vida. 

"Scully," ele perguntou, descansando a cabea 
no sof. "Nada aconteceu enquanto eu estive fora,
aconteceu?"

"O que voc quer dizer com isso?" eu estreitei meus
olhos para ele. Logo reconheci o olhar de distrao.
Ele estava preocupado com alguma coisa.

Ele no me escutou. "Nada estranho?" Havia uma
pausa entre as duas palavras. Mulder parecia calmo
demais, como se no quisesse me alarmar.

"Por que? Aconteceu alguma coisa em Detroit?" eu
contra ataquei, me ajeitando para estuda-lo mais de
perto. Alguma coisa estava errada.

"No,  que esta foi a ocasio em que eu mais fiquei
longe de voc, e eu fiquei preocupado" ele falou,
desistindo de perguntar mais alguma coisa.

"Voc me ligou a cada duas horas, Mulder" eu luzi
pra ele. "Skinner vai te matar quando ver a conta do
telefone."

"Mas voc economizou o dinheiro dele no indo junto.
Ele s precisou pagar uma passagem de avio." ele
comentou, com um sorriso. Desviando a conversa. "No
vou conseguir te convencer a me ajudar com meu 
relatrio de despesa, no ?"

"No," eu respondi,vendo a expresso de decepo dele.
"Nunca fiz antes, e no vou comear agora."

Ele riu pra ele mesmo. "Achei que voc ia falar
isso."

Ele me abraou forte. Restabelecendo uma proximidade
entre ns. Mesmo que estivssemos em conflitos na 
maior parte do tempo, parecamos concordar numa coisa.

* * * 

Segurei-a perto, s querendo ter certeza de que ela estava
bem. No estava a ponto de contar o que aconteceu no estacionamento.
Era melhor que ela no soubesse, especialmente depois do susto
que ela teve h duas semanas.

"Mulder, voc tem algo para me falar?" ela perguntou, os olhos
claros dela sondando os meus, de novo.

Tremi minha cabea, evitando seu interrogatrio. "Voc no 
est mais sangrando, no ?"

"No," ela parecia surpresa pela pergunta. A ateno dela
voltou para o beb. Ela tocou o abdmen. "Eu j te disse que
est tudo bem."

"Isso  bom" Mulder comeou a mexer com a bainha da camisa dela.
Bem, minha camisa. Estava enorme nela, e provavelmente bem
mais confortvel. Ela j estava usando roupas de grvidas. As
meses trs roupas que ela usava quando no estava de uniforme.

"Skinner no te disse nada, no ?" Scully estava tentando entender
o que estava acontecendo.

"No". Minha ateno estava focalizada no decote da camisa.
Ela gemeu ao meu toque. Sei que tenho ir devagar nos seios dela.
Eles tinham aumentado um pouco, a redonda abundancia me tentando
ainda mais. Esperanosamente, eu poderia distrai-la o suficiente
para ela parar de ficar me perguntando. Isso, e eu estava com
saudade de toca-la. 

Eu levei minha mo debaixo da camisa dela. Scully se ajeitou
no meu colo enquanto eu mexia no suti.  Ela no estava mais
tendo enjo matinal, e parecia estar se sentindo muito melhor.

"O gancho  na frente ou atrs?" eu perguntei, vendo ela
sorrindo um pouco.

"Na frente", ela persuadiu, deixando sair um pequeno suspiro.

"Ah... peguei" eu abri o gancho e embalei os seios dela
nas minhas mos. "Ainda sensveis?"

"Yeah," ela respondeu, fechando os olhos. Acaricei-os suavemente,
esfregando-os com meus polegares. "Mulder... no deveramos
estar fazendo isso."

Sexo estava fora de cogitao devido ao sangramento dela,
at que o mdico avisasse que ela estava bem. Tocar no tinha 
problema. Eu confiava em Scully para me dizer essas coisas.
Considerando que ela manteve em segredo por quatro semanas a 
gravidez, eu estava agradecido que ela estava me deixando
participar de alguma coisa.

"No quero sexo, Scully"

"No quer?" ela ergueu uma sobrancelha.

"Bem, eu quero" eu admiti, dando um sorriso leve. "Mas, neste
momento, eu s quero te tocar."

E eu fiz isso, mas por razes egostas tambm. Queria me assegurar
de que ela estava viva, respirando, e saudvel. Eu sabia o que
precisava fazer esta manh. Mesmo que isso me matasse, tinha que ter
certeza de que ela e o beb estavam seguros.

Estendendo  o brao sobre ela, eu apaguei a luz, 
nos deixando na escurido. Scully
apertou o corpo macio contra o meu, se esfregando contra mim atravs
da roupa dela. Aparentemente, o segundo trimestre aumentava a libido,
e ela nao foi imune a isso. Suspeite que os hormonios a mais que estava
passando pelo corpo dela tinham algo a ver com isso.

Ela me beijou. Suave, no comeo, e ento eu afundei o beijo. 
Serpenteei minha mao debaixo da camisa dela, e toquei o cs da cala
comprida que ela usava. Descendo pra debaixo da camisa dela. E sorri
ao contato com meu filho. Estava crescendo, lento, mas continuamente.

* * * 

Eu j estava me sentindo um pouco tmida sobre minha barriga
crescendo. Mas Mulder no parecia se importar. Eu sabia que ele 
amava o fato de que meus seios tinham aumentado.

Tudo que o estava incomodando antes parecia ter ido embora. Mas
eu fiz uma anotao mental para perguntar sobre isso depois. Nao ia
deixa-lo fugir to facilmente.

Ele abaixou a mo ainda mais, me deixando arrepiada enquanto eu
antecipava seu proximo movimento. A mera sugesto de sexo fez meu
corpo reagir, graas aos hormonios extras.

"Voc est bem sentada assim?" ele indagou.

"Posso deitar no sof?" falei, j me afastando dele. Mulder acenou com
a cabea, me soltando, enquanto eu me apoiava nas almofadas. Ele se mexeu
tambm, deitando de lado, entre o sof e eu.

"Melhor?" ele sussurrou. 

"Hmmmm," eu respondi, soltando um pouco a gravata dele. No havia nada
contra eu toca-lo.

Agora que estvamos deitado, a mo dele retomou sua posio, puxando
pra baixo minha cala comprida e minha calcinha. Gemi quando a mo
dele esfregou minhas coxas pelo lado de dentro. Instintivamente, eu as
abri, assim ele poderia ir mais longe. Ele me acariciou, e umidade
me inundou, me deixando mais dolorida por alivio.

" s dizer se quiser que eu pare. No quero te machucar, Scully."

Eu olhei para ele, algo sobre as ltimas palavras soando meio
estranhas para mim. Como se ele tivesse falado num contexto. Seus
olhos pareciam distantes.

"Eu estou bem", consegui respirar, querendo que ele voltasse para
mim. Para ns. Alcancei entre ns, e o toque por sobre a cala dele.
Sorri, sentindo a rigidez familiar.

"Scully... melhor deixar isso a, ou voc vai pegar pela minha
lavanderia a seco."

Ele afastou minha mo, e recomeou com a dele. Rolei minha cabea
contra o travesseiro, balanando de um lado para o outro enquanto
seus dedos trabalhavam em mim. Ofeguei quando seus lbios substituram
a mo de repente. Lngua contra carne sensvel. Fiquei tensa, antecipando
o prazer iminente. Passei minhas mos pelo cabelo de Mulder, o encorajando.

Minha adrenalina surgiu e meu corao bateu mais rpido, construindo o 
frenesi, at que eu senti meu corpo comear a tremer de prazer. Gemi,
clamando a liberao, e a mo dele substituiu os lbios, enquanto os
espasmos continuavam. Tentando prolongar isso para mim enquanto eu pulsava
e tremia.

"Mulder," eu exalei, arqueando minhas costas ao ltimo tremor. Ento,
desmoronei no sof.

"Voc gostou?" ele estava arrumando minha camisa, enquanto 
se deitava comigo, apoiando o rosto no cotovelo, a centimetros de mim.

"Sim" eu ofeguei, e ele passou os dedos pelas minhas bochechas coradas,
e por meus lbios. Como se lembrando de cada curva e tato.

"Eu s quero o que  melhor para voc."
ele sussurrou, mais para ele do que para mim.

Mulder olhava para mim, sem sorrir. De repente, ele estava a milhas
de distancia. Perdido em pensamentos que nao estava dividindo comigo.
Lutei contra o desejo de dormir, e o encarei de volta. Tentando decifrar
o que significou isso que ele disse.

* * * 


J. Edgar Hoover Building
8:00 da manh 

No passei a noite com Scully, embora quisesse. Sa por volta
da meia noite, apesar de seus protestos sonolentos para eu ficar.
No podia dormir, muito preocupado com o que tinha acontecido.

E mais - eu tinha que ter certeza de que poderia falar com Skinner
antes dela saber. No perdi tempo, e estava no escritrio dele
logo de manh.

"Agente Mulder?" Skinner ficou surpreso quando apareci na porta.
Ele acenou para eu me sentar. Da ultima vez que estive aqui, foi
para falar sobre a 'condio' de Scully. Ele nem mesmo mostrou
um sorriso. Duvidava que ele estivesse to surpreso que tnhamos 
cruzado a linha proibida. Talvez, como eu, ele queria saber por que tinha
levado tanto tempo...

"Quero falar com voc sobre a agente Scully. Sei que voc ainda 
est decidindo onde ela vai trabalhar, e voc sabe o que ela acha dos
Arquivos X."

"Eu sei." ele olhou por cima dos culos. "Estava tentando achar alguma
coisa em Quntico, para ela, mas parece que no vai dar."

"Gostaria de pedir para que voc transfira a agente Scully para um
lugar mais distante do que Quntico", minha seriedade no passou
desapercebido dele. "Tenho minhas razes para que ela no fique em 
DC neste momento."

"Por que ela no est aqui me contando isso pessoalmente?" ele
perguntou, ficando alerta ao meu pedido.

"Porque ela no sabe. Mas seria melhor para ela," eu conclu,
esperando que ele entendesse o significado.

"Posso te lembrar que esta  uma deciso da agente Scully".

"Tenho interesse para onde ela est nomeada, senhor" discuti,
me apoiando adiante na cadeira. "Tecnicamente, ainda somos parceiros,
e sou o pai do beb."

Skinner carranqueou a desaprovao dele  ltima observao. Tenho certeza
de que o que deixava pasmo sobre tudo isso era o fato de que Scully
estava envolvida comigo, em primeiro lugar.

"Bem, eu tenho uma posio disponvel em St. Louis. Tempo integral no
laboratrio forense. Eles esto com um projeto, e ela seria responsvel
por treinamento.  de tempo limitado, de dois a trs meses. Comea em
setembro, e termina em novembro."

Para mim estava bom. Leva-la para longe de DC, e esperanosamente, 
para fora da vista deles por enquanto. Ela estando comigo  que 
a meteu nesta confuso. Se ela nunca entrasse no meu escritrio
h seis anos, ela provavelmente j estaria casada, com 2.5 scullizinhos
e dirigindo uma minivan. Vivendo uma vida normal com um homem 
normal capaz de dar pra ela todas as coisas que ela merecia.

Mas, ao invs, ela tinha a mim. E eu estava determinado a dar
pra ela o que podia.

"No ia oferecer isso pra ela, sabendo que ela queria voltar pra
Quntico. Achei que a meta era mante-la perto."

"E era" eu admiti, mas eu tambm queria segura. "Mas voc sabe
que a gravidez dela foi nomeada como de alto risco pelos mdicos
dela, e acho que ela trabalharia bem menos se no estiver perto
dos arquivos x."

Skinner sabia sobre a histria medica dela, pois estava tudo nos
arquivos. E ele tambm devia saber como era importante este beb para
ela.

"E sobre voc, agente Mulder?" Skinner se inclinou na cadeira.
"Voc vai estar menos envolvido com os arquivos x quando seu filho
nascer?"

"Ainda tenho certas coisas para solucionar". Na verdade, s tinha
uma coisa: Samantha. Neste momento, eu poderia me afastar dos arquivos
X, mas no de Samantha. Ela ainda era parte da minha famlia, e ela
ainda poderia ser parte da minha nova, tambm. 

"Por enquanto, eu gostaria de permanecer em minha tarefa atual."

Skinner respirou fundo, batendo a caneta contra a mesa, me estudando.
"Suponho que vou estar vendo vos adicionais para St. Louis em seu
relatrio de despesas."

Um sorriso leve caiu por minha face. "Eu suponho que voc vai,
senhor."

* * *

J. Edgar Hoover Building
3:30 da tarde 


"St. Louis, senhor?" eu perguntei, encarando o papel.

"Algum com sua experincia seria perfeito para o cargo" Skinner
disse. "Toda sua pesquisa de campo e experiencia usando cincia
forense atual  ideal. As horas so flexveis, e voc pode arrumar
seu horrio, e o treinamento s dura trs meses. Voc ainda vai voltar
um ms antes da data do nascimento. Quando  mesmo?"

"19 de dezembro". Aproximadamente vinte pessoas me perguntavam isso
todos os dias. Eu pensei em colar isso na lapela do meu crach,
assim eu somente apontaria para ele.

"Bem, o projeto termina 30 de novembro. E voc pode sair de licena
depois disso". Ele estava falando como se a decisao j tivesse sido
tomada.

"Senhor, isso me tiraria dos arquivos X?" eu no queria parecer ingrata
pra ele. "Eu posso fazer toda patologia nos casos de Mulder."

"Bem, voc ainda pode ajudar Agente Mulder no trabalho forense. Pode ser 
transportado facilmente tanto para St. Louis como para Quantico," ele 
declarou. "E voc vai ter uma oportunidade para trabalhar num ambiente
que no posso arrumar pra voc aqui."

"St. Louis," eu sussurrei, me lembrando de ter passado por esta
cidade uma ou duas vezes em nossas viagens.

"Considere suas escolhas, Agente. Verei se tem outra coisa que possa
combinar com sua experincia e qualificaes" ele fechou o arquivo e
me deu os papeis. "Pensei nisso, e me avise de sua deciso."

"Obrigada, senhor" eu peguei a pasta de papis.

Droga. St. Louis? 

* * * 

"St. Louis, Mulder," eu derrubei o arquivo na mesa dele. "Ele quer
me mandar para St. Louis."

"Ei,  onde est Mark McGwire," ele respondeu, com um sorriso leve. 
Tentando parecer positivo. "Talvez possamos pegar um ou dois jogos
antes que a temporada termine."

"No vou aceitar. E sobre minha me? E voc?"

"Eu ainda sou um agente de campo ativo" a voz de Mulder estava muito
mais tranqila do que me antecipei. "Eu estarei viajando. Voc sabe
o horrio. Em vez de vir pra casa, para DC, nos fins de semana, eu
vou para l."

"Voc no parece muito interessado," eu o estudei atentamente. Senti
meu temperamento mudando. "E sobre meus mdicos? Est tudo aqui em
DC. Eu tenho especialistas, Mulder."

"Eles tm especialistas em St. Louis, tambm," ele ficou de p, e tocou
meu brao suavemente. "Ou voc sabe qual  alternativa."

Licena. Eu estaria mentindo para mim mesma se este pensamento no
cruzou minha mente mais de uma vez. Mas este era meu trabalho, e eu
no ia desistir."

"Scully, qual  a diferena entre isso e Quntico?" ele perguntou, 
tentando me convencer. "Voc estava pronta para sair e ir pra l."

"A diferena so 900 milhas", eu me inclinei contra a mesa, cruzando
meus braos, descansando-os com cuidado sobre minha barriga.
"Mas isto  s durante dois a trs meses, comeando em setembro ". 

"Posso te enviar qualquer cadver que encontrar, e vou salva-los s para
voc." ele me cutucou ligeiramente. "E eu tenho algumas semanas de frias
que eu nunca usei."

Suspirei, luzindo pra ele. Ele estava fazendo de tudo para me convencer
a ir. Eu sabia que no era por ele se preocupar com minha carreira. Mulder
queria que eu fosse. Talvez ele tivesse ficado frio depois de ontem
 noite.  Ele saiu muito mais cedo do que esperado. Parecia que paternidade
era uma grande responsabilidade, e eu sabia que Mulder no fazia idia do
que isso significava. 

Ou talvez esta era a maneira dele continuar trabalhando nos arquivos x
sem mim. Ento ele seria livre para escapar, perseguindo tudo que ele
queria, sem eu para segura-lo. Eu sabia que alguma coisa aconteceu em
Detroit. Tinha que ter acontecido.

"Scully?" ele perguntou, me tirando de meus pensamentos. "Voc ainda
est comigo?"

* * * 

Ela tinha aquela expresso analtica no rosto, resumindo minha reao
pelas noticias. Eu podia ver que ela estava suspeitando de mim. Ctica.
Eu adoraria falar pra ela que eu no estava sendo egosta desta vez.
Havia uma razo pela qual ela deveria ir. Ela ia me deixar mesmo!

"Eu quero pensar sobre isso, Mulder, e quero que voc pense no que
isso significava tambm."

Eu acenei com a cabea, inseguro do que a mente dela estava pensando.

"Para quem isto  melhor?" ela perguntou, me encarando acusadoramente.
"Para mim ou para voc?"

"Para o beb," eu no hesitei. "Se voc teimar em ficar no FBI, voc no
vai poder ficar em investigaes ativas. Voc sabe disso."

"Mas eu no queria estar a 900 milhas longe disso" a expresso dela ficou mais
suave. "ou de voc."

As ltimas palavras dela me deixaram congelado. Depois que todas as
tentativas para avanar em nossa relao tinham falhado, essa admisso
me deu uma nova esperana. Tudo aconteceu rpido demais para ns.
Quis saber onde estaramos agora se ela no estivesse grvida.
Ainda seriamos amantes? Seriamos algo mais? Ou ela teria terminado
com tudo h dois meses?

A nica coisa que eu sabia com certeza era que amos ser pais em
vinte e seis semanas. Eu ia ser parte da vida daquela criana, e queria
ser parte da vida dela. Nos tornarmos uma famlia. Mas no podamos
ser uma at que o beb chegasse. Saudvel. 

Scully estava se afastando de mim como sempre fazia. Talvez
eu devesse falar... eles ainda podiam pega-la em St. Louis. Eu
estava esperando que uma separao pudesse afasta-los. No foi o
que Krycek tinha insinuado? Um sumio? Bem, ela ia sumir por algum
tempo, mas no de mim.

"Voc vai pra casa mais tarde?" eu perguntei enquanto ela ia pra porta.

"No," ela respondeu baixinho.

"No?" eu repeti. Jesus, Scully.

"Vou visitar minha me hoje  noite Eu quero dizer, eu estou visitando minha me hoje  noite, " ela respondeu. 
Eu desejei saber se isso fosse uma mentira, ou algo que ela decidiu dois 
segundos atrs h pouco. 

"Eu ligo pra voc"  

A vi andando para a porta, distribuindo o peso em cada passo. Os
uniformes enormes e jaleco podiam esconder sua barriga, mas no podiam
esconder o andar. Todo mundo sabia o que tinha acontecido. Fofocas de
que Spooky Mulder e Scully estavam esperando um beb correu mais rpido
de uma 22 saindo da arma. Eu sabia que ela estava incomodada com isso.
Estando em um lugar novo, onde ningum sabia nossa historia colorida
poderia tirar um pouco da tenso tambm.

Ela se virou e luziu pra mim, apertando os lbios. Ela parou para dizer
algo, mas ficou calada. Me olhando mais uma vez com aqueles olhos
azuis e cristalinos, ela fechou a porta.

* * *

