TITULO: FREIBURG
AUTORA: EDNA BARROS

Inicio: 20 de abril de 2003.

email: ednabarros@uol.com.br

Site onde voc pode encontrar todas as minhas histrias: 
www.wfics.hpg.com.br 

Resumo: Fim da II Guerra Mundial. O agente secreto Fox Mulder tem
um resgate a fazer, dentro do campo inimigo. Junto com o 
diretor do FBI, Walter Skinner, eles tentam driblar os 
obstculos, e realizar a tarefa.

Classificao: Livre. Shipper. Noromos, caiam fora.

Retrataes: Tudo de AX pertence a Chris Carter e a quem 
mais ele deu direito. Estou usando seus personagens sem nenhuma
inteno de lucro ou dano ou fraude. 

Nota da autora: Tive esta idia ao me lembrar de dois filmes.
E senti vontade de escrever. Eu, particularmente, adoro UA, ou Universo 
Alternativo, com
Mulder e Scully como protagonistas. Espero que voc goste.

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Fim da IIGM
EUA
Prdio do FBI
10h

O Diretor do FBI Walter Sergei Skinner estava sentado em seu escritrio, 
nervoso. Ele aguardava a chegada de um membro da fora tarefa especial que iria 
tomar conta deste caso. Na verdade, no era um caso - era mais um servio para o 
servio secreto, relacionado com espionagem.

Como Diretor do FBI, ele tinha certos privilgios, um dos quais fazer o que bem 
entendesse com os casos. De fato, Skinner passou por algumas situaes que o 
deixaram desconcertados. Quando ele conseguiu esta funo, ele prometeu servir, 
honrar e proteger seu Pas de todos os criminosos e bandidos, mas ele nunca 
pensou que encontraria tais dentro das instituies pblicas, muito menos os 
chamados 'crimes administrativos'.

A corrupo era grande, nesta poca de guerra. E muitos poderosos tinham 
interesses em no deixar que algumas informaes 'vazassem' e viessem a pblico. 
E Skinner, mais de uma vez, foi convidado para fazer tal coisa. 

E recusou a todos os convites.

Por um lado, ele era bem visto e quisto pelos governantes e temido por seus 
subalternos. Afinal de contas, ser o manda-chuva de uma instituio federal, que 
h mais de trinta anos estava ficando cada vez mais poderosa, no era um fato 
qualquer. 

E agora, pela primeira vez, ele usaria deste poder para fazer algo que achava 
ser necessrio. Indispensvel. Vital.

O agente que viria era um dos mais destacados e eficiente de toda a fora 
federal. Honrado com medalhas e gratificaes, este agente no era notrio, a 
no ser para aqueles poderosos do Governo Federal que precisavam de um homem 
como ele para fazer determinados e perigosos servios. Ele precisava ficar nas 
sombras para poder fazer seu trabalho - e continuar a faze-lo.

Enquanto lia o arquivo resumido que lhe foi enviado, Skinner
ergueu a sobrancelha - a ficha de servio deste homem era incrvel - at mesmo
maior do que a dele, e ele serviu antes na marinha, como fuzileiro, e depois de 
muito esforo, conseguiu este cargo, por pura competncia. E se ele estivesse 
naquele tempo, ele poderia fazer este servio sozinho - como seria preciso. Mas 
precisava de ajuda.

Pelo perfil, ele sabia que este agente gostava de trabalhar sozinho, com mtodos 
pouco ortodoxos. Mas, tudo era concedido a ele, em vista de sua taxa de 
resoluo em seu trabalho. O que ele pedia, era feito. E permitido. 

At mesmo assassinato.

Depois que esta situao ficou fora de controle, e ningum queria segurar a 
batata quente nas mos, principalmente numa poca de guerra, eles diziam que era 
melhor esperar para ter certeza do que estava acontecendo nas linhas inimigas, e 
que era melhor os EUA no se intrometer. Ele no agentou esperar, e graas  
sua iniciativa, ele tinha a certeza de que precisava para tomar suas 
providencias.

"Senhor?" a voz da secretria dele interrompeu seus pensamentos, e ele apertou o 
boto do receptor para atender. Ahhh... as maravilhas da tecnologia. 

"Sim, Kimberly?" ele soltou o boto, e a voz retornou. 

"O agente Mulder acabou de chegar."

Skinner se ajeitou na cadeira, e respondeu. "Faa-o entrar, por favor." Ficando 
imediatamente de p, ele ajeitou o terno, e preparou-se para encontrar este 
agente to misterioso.

O homem que entrou o surpreendeu. Alto, cabelos escuros, o rosto quase inocente, 
no demonstrava ser o mesmo que estava no arquivo sobre sua mesa. Mas, Skinner, 
mais do que ningum, sabia que as aparncias enganavam o tempo todo queles que 
s viam o exterior das coisas.

S quando esticou o brao para cumprimentar o agente, foi que Skinner conseguiu 
olhar nos olhos dele, e o que viu tirou todas as duvidas de que tinha. Este 
homem era experiente, e - o que no o surpreendeu - cnico. 

"Bom dia, agente Mulder. Por favor, sente-se." Skinner gesticulou para a 
cadeira, e esperou seu convidado se sentar, fazendo o mesmo.

E respirou fundo antes de comear.

"Bem, agente Mulder. Agradeo pelo seu pronto atendimento  minha solicitao 
e..." ele pra quando v o agente levantando uma mo. "O que?"

"Por favor, vamos direto ao assunto. Estou aqui porque me mandaram vir pra c. E 
eu sempre cumpro ordens. E j sei do que se trata esta solicitao. Apesar de 
no concordar, farei o que me for designado." sua voz era grave, e quase 
arrastada. 

"Como assim, 'apesar de no concordar'? Voc sabe de verdade do que se trata o 
caso, agente?" a raiva de Skinner comeou a aparecer, e ele tentou se controlar. 
Ele contava com o agente para trazer sua... sua... bem, para trazer ela de 
volta.

Mulder suspirou, entediado. Ele no via propsito neste caso. "No estou 
surpreso por ningum ter se interessado em resgatar essa pessoa. Afinal de 
contas, aquela  uma rea de guerra, e nosso pas no quer se meter por l. Qual 
 a diferena agora? Por que ela  to importante assim?"

Skinner rangeu os dentes. "Agente, ela  mais importante do que voc possa 
imaginar. E ela foi para l, para servir ao nosso Pas. O mnimo que devemos 
fazer  resgata-la. Principalmente depois das informaes que ela nos enviou, 
mas que parou devido a estes problemas."

Mulder ergueu as sobrancelhas. "Como voc sabe que ela no est morta?"

"Ela no est. Acredite em mim."

Mulder tinha que insistir. Ele precisava colocar um pouco de razo na cabea 
deste homem. "Como voc pode ter certeza?"

Skinner se mexeu na cabea. Como ele podia dizer que sabia, instintivamente, que 
ela estava viva? E juntando com a informao que recebera, ele sabia que 
precisava tira-la de l, agora mesmo!

"Temos um informante l dentro, e ele foi bem claro a respeito disso. Ela est 
viva, e sendo bem tratada, apesar das circunstancias. Mas ele no conseguiu 
falar com ela, mas ouviu quando os chefes nazistas conversavam sobre mata-la ou 
no. E ela foi levada para longe de Berlim. Pelo menos isso  um fator positivo, 
pois  l que est o centro da guerra."

"Mas parece que ela  esperta para uma mulher" Mulder nem ligou para o olhar 
assassino de Skinner. "Por que ela no tentou fugir ou lutou? Parece que ela 
est conivente..."

"Pode parar por a, agente. Ela nunca trairia seu pas." Skinner suspirou, e 
Mulder leu nas entrelinhas.

"O que voc no est me contando?"

Uma longa pausa. "Parece que ela est sendo mantida  fora, mas nem tanto. O 
informante disse que ela parecia estar desfrutando da ateno, e que ela estava 
sendo muito bem cuidada por um dos oficiais, que a levou sob sua proteo."

"Isso quer dizer" o agente sabia muito bem o que isso significava: no mnimo, 
ela estava sendo forada a 'agradar' o oficial para poder receber vantagens. E a 
nica maneira de uma mulher agradar um homem era...

"No  isso." Skinner entendeu seus pensamentos. "Est acontecendo alguma 
coisa... o informante disse que ela parecia um pouco desorientada, como se no 
soubesse o que estava acontecendo, ou no tendo foras para sair dali."

"Esse seu informante... ele no podia ajuda-la a fugir?"

Skinner negou com a cabea. "No. O trabalho dele era somente acompanha-la, como 
disfarce, como seu ajudante, e passar as informaes, como um boy. Mas no final 
das contas, tudo saiu meio que de improviso. E agora, olha s no que deu..."

Mulder ainda no estava entendendo tanto o interesse deste homem nesta mulher. A 
foto preta e branca que ele viu dela no era das melhores, e no ajudava o fato 
de que ele era contra a idia da revoluo das mulheres. Para ele, elas serviam 
para um nico propsito: ficarem deitadas na cama. Para ele. E de preferncia, 
de boca fechada. Elas no sabiam nem mesmo conversar sobre outras coisas alm de 
tric, crianas, chs e roupas! Quanto mais serem de alguma serventia para os 
Estados Unidos, no meio da Alemanha! Uf!

Ele no se lembrou de ter visto se ela era casada ou no. Estranho... geralmente 
ele no se esquecia de nada do que lia. "E o marido dela? Tambm foi para l, ou 
ficou em casa, cuidando das crianas?" ele falou num meio sorriso, e se 
arrependeu na hora de ter dito isso. O Diretor mostrou toda sua tristeza com 
isso. No queria se lembrar da ocasio em que ela foi atacada, e quase 'roubada' 
por um homem - que estava preso at hoje, a mando do ento vice-diretor.

"Ela no  casada!" ele falou num tom de voz  triste, e isso fez com que Mulder 
no revidasse. Se lembrando da ficha da mulher, ele notou que ela tinha 25 anos, 
e que j tinha passado, e muito, da idade de casar. E afinal de contas, qual era 
a relao do diretor com esta mulher? Parecia que ele se importava muito com 
ela.

Mas trabalho era trabalho, e ele ganhava muito bem para isso. Poderia at se 
aposentar com a idade de 35 anos, ou seja, dali a um ano. Ele gostava da 
excitao de ser um agente secreto, mas j pensava em se estabelecer. Crianas? 
Nem pensar. E nenhuma das mulheres com que 'conversava' atualmente eram dignas 
de casamento. 

Voltando a ateno para o Diretor, ele se surpreendeu quando encontrou um homem 
na faixa dos cinqenta - ele era bem novo para ser diretor - e em to boa forma 
fsica. Este homem devia estar fazendo algum tipo de atividade fsica, ou 
treinamento militar, pois Mulder tinha investigado ele tambm. Nada como saber 
de antemo com quem estava falando.

O diretor era um homem com ficha limpa neste governo corrupto. Muitos eram 
honestos, mas ainda haviam aqueles que procuravam ganhar a vida de maneira 
desonesta, e Mulder, como todo bom agente secreto, tinha sua prpria agenda - e 
sabia muito bem em quem confiar. E se ele perdesse os vinte dedos que tinha, 
ento ele acharia o numero certo.
Nenhum.

Mas a ansiedade deste homem era palpvel. Quem quer que fosse esta mulher para 
este homem, ela era muito importante. Mas o motivo dela ser importante para o 
Pas, isso ele duvidava. Na ficha dizia que ela era cientista - ora, como uma 
mulher era capaz de aprender os segredos da cincia? Isso era um campo apenas 
para homens!

"Tudo bem, ento. Ento j temos informao suficiente para entrarmos, tirarmos 
ela de l, e voltarmos. Basicamente  esse o plano, certo?"

Skinner acenou com a cabea. "Ainda tem mais."

Mulder franziu a sobrancelha. "Mais? Como assim?"

"Estou indo com voc."

O agente encarou o diretor, e negou com a cabea. "Mas de jeito nenhum! Eu 
trabalho sozinho! E alm do mais..." ele gesticulou para Skinner, mas no 
concluiu.

"O que voc est insinuando? Que eu vou atrapalhar? Pelo contrrio! Eu conheo
aquilo l como a palma da minha mo. Voc vai precisar de mim, e se no quiser 
aceitar este caso, como eu sei que voc tem este poder, tudo bem. Eu vou 
sozinho. Eu vou traze-la de volta."Falando isso, Skinner ficou de p, terminando 
a reunio. Mulder continuou
sentado. 

"Como assim, voc conhece aquela rea?"
A fora da presena deste Diretor era enorme. No era  toa que ningum ousava 
tentar suborna-lo, ou tira-lo daqui. Ele sabia que Skinner iria fazer isso, e 
provavelmente morrer tentando. Mulder no iria permitir isso. Honra era honra. E 
este homem parecia honrado.

"Certo, certo. Mas voc disse que ela foi levada para longe de Berlim. Para onde 
que eles..."

"Para Freiburg." o silencio que se seguiu foi muito bem entendido por Mulder. 

"Freiburg? Na fronteira com a Frana? Perto da Floresta Negra? Voc est maluco? 
Voc chama isso de melhor do que estar em Berlim? E porque ela foi levada pra 
l?"

Skinner concordou. "No sei o motivo. Sendo ela prisioneira de guerra, ela 
deveria estar..."

"Nas masmorras de Berlim." Mulder nem quis pensar com o que aconteceria com uma 
mulher nessa situao. 

O Diretor continuou. "No sei at quando a sorte dela vai continuar. Ou a 
'clemncia' deles." Mulder notou que a voz do homem comeou a ficar angustiada. 
"Deve ter um campo de concentrao l para os fugitivos e..."

"Ei" Mulder se aproximou, e colocou a mo sobre o ombro do homem mais velho. 
"Calma... ns vamos peg-la. S tem um pequeno detalhe."

O diretor olhou para o agente secreto, aguardando a concluso.

"Os EUA j esto na Frana, se preparando para ajudar os aliados a invadirem a 
Alemanha, e derrubarem o III Reich. Portanto..."

Skinner concluiu. "Ela pode ser considerada um espolio de guerra, e como tal, 
ser morta como vingana, por engano ou simplesmente ser entregue para quem der 
mais."

Skinner olhou para o agente secreto, e viu ali a garantia que precisava. E se 
era verdade o que contavam deste homem, ele sabia que resgatariam Dana Scully do 
inferno.

Afinal de contas, os dois homens j estiveram l.

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FRANA, PARIS
3 DIAS DEPOIS

Mulder e Skinner chegaram ao aeroporto de Paris separadamente, em vos 
diferentes, para no chamarem a ateno. Os guardas franceses estavam parando 
qualquer grupo acima de um,  temendo qualquer ataque dos alemes, caso 
estivessem infiltrados. Os dois queriam manter um baixo perfil, e devido  
escassez de vos, iriam se encontrar com um dia de intervalo. Mulder chegou 
primeiro. Skinner ficou para depois.

E agora, o agente secreto procurava no aeroporto, de maneira discreta, qualquer 
sinal de que estava sendo seguido. Viajava com pouca bagagem, mnima, de fato, 
pois se tudo desse certo, eles entrariam em Freiburg em um dia, descobririam o 
local onde estava a dra. Dana Scully, e ento saram. Pelos seus planos, em dois 
dias ele estaria neste mesmo aeroporto, pronto para outro caso.

Ele ainda no aceitava o motivo desta investida. A guerra estava no pice, e a 
prpria Amrica estava vindo para c, para ajudar os franceses. No era uma boa 
hora para viagens. E muito menos para resgates. Mas por incrvel que parecia, 
tambm era o momento certo: ningum notaria a entrada de um ou dois homens em 
terras alemes. Eles s tinham que ter cuidado para no levarem um tiro.

Encontrando um motel barato, ele esperou at o outro dia, mas, antes, foi para 
um bar local. S para obter mais informaes.

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Ele viu Skinner assim que o homem saiu do aeroporto, e este o viu tambm. 
Sabendo que no era vivel se falarem ali, eles foram em direes opostas para o 
centro de Paris, e l traaram os ltimos detalhes da ao. Mas as noticias que 
Mulder tinha conseguido com
seu informante no eram nada boas.

"A doutora j foi notada por todo mundo aqui, deste lado da fronteira, e do 
outro lado tambm. Parece que ela chama a ateno.. Vai ser bem difcil tira-la 
sem ningum notar." Mulder reclamou, mas j pensando em como fariam para 
atravessarem a fronteira. Ainda bem que no entrariam na Floresta Negra. Caso 
contrrio, eles no teriam chance com uma mulher junto deles. Ele riu, 
sarcstico. "O chefe da unidade de Freiburg est cuidando pessoalmente dela." 
ele bufou. "O que ela ? Uma deusa, por acaso?"

Skinner no respondeu, e Mulder olhou pra ele. 

"Ah, no. Voc no pode estar falando srio. Nenhuma mulher..."

Skinner nem se incomodou em refutar. No adiantava. O homem teria que
ver por si mesmo. "Vamos logo, agente Mulder. J estamos..." ele parou de falar 
quando sentiu a mo de Mulder sobre a dele.

"Escute aqui, no podemos nos chamar por nossos ttulos aqui. Pode me chamar de 
Mulder mesmo, e eu te chamo de Skinner." uma pausa. Mulder sorriu de lado. "S 
no saia gritando aos sete ventos."

Ambos se levantaram, pegaram suas coisas, e saram para atravessarem a fronte 
num ponto pouco vigiado. Suas roupas eram pretas, pesadas, mas tinham mudas de 
roupas das cores dos moradores locais. E s. A nica coisa que eles no 
dispensaram, e levavam o que podiam, eram armas. Os velhos revlveres.

E a neve ajudaria e muito o disfarce.

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TITULO: FREIBURG
AUTORA: EDNA BARROS

Parte 2 de 4

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CASTELO DE FREIBURG
FREIBURG, ALEMANHA

Mulder estava dentro do castelo. Olhando pra trs, ele viu o diretor atrs
dele. O homem o surpreendeu, mostrando vigor fsico, e fora de vontade.
Era bvio o esforo que ele fazia para fazer o que o agente mais novo fazia,
mas ele no iria desistir, e Mulder viu, desde o comeo, que o diretor seria
um bom ajudante. A maneira como ele os levou para o castelo por um atalho, 
e ajudou a imobilizar e matar dois soldados alemes, mostrou muito a 
natureza sanguinria do diretor, e seu foco para resgatar esta cientista. 
O homem devia estar apaixonado mesmo...

Olhando para baixo, ele viu o precipcio. Incrvel como tinha 
escalado tudo aquilo, e sua preocupao agora era de como sairiam. 
Mas, como bom estrategista, ele j tinha uma idia na cabea, e 
assim que conseguissem pegar a mulher, eles saram rapidamente dali.
Mas Mulder sabia que nada era simples. Sempre acontecia algo 
para dificultar as coisas.

Os dois se separaram, e com seus relgios, eles programaram 
para se encontrarem em meia hora no ponto de retorno. 

O castelo estava vazio. Com seu alemo bsico, ele ouviu dois 
empregados conversando, falando algo sobre uma reunio. 
Provavelmente os inimigos estavam traando ataques contra a 
fronteira. Eles precisavam sair dali o mais rpido possvel.

Conhecedor de castelos, Mulder foi logo para onde pensava 
estar os quartos. Subindo pelas sombras, sem ser notado, 
ele conseguiu chegar num corredor onde haviam vrias portas. 
Tudo estava escuro, sombrio, e muito frio.

Abrindo a primeira porta com muito cuidado, ele se viu dentro 
de um quarto obviamente masculino. A decorao era de luxo, 
e ele viu vrias fardas nazistas. Este devia ser o quarto
do comandante desta frente de batalha. Aproveitando a ausncia 
do proprietrio do quarto, ele entrou, e vasculhou rapidamente 
o aposento, mas no descobriu nada. Ele saiu, e foi para o outro.

Somente no terceiro quarto ele conseguiu acha-la. 
Ao ver a decorao feminina, ou pelo menos a tentativa 
disso, ele viu um corpo pequeno sobre a cama, adormecido. 
Parecia ser de uma criana, mas quando chegou mais perto, 
ele viu que era uma mulher. Era Dana Scully. 

A luz do lampio da parede jogava sombras suaves sobre o 
rosto descoberto, e Mulder se viu encantando por tanta beleza. 
A foto no lhe fazia justia. Do pouco que podia ver com a luz 
fraca, ele notou os cabelos ruivos, a boca de boto de rosa e a 
pele quase transparente de to branca. Por um momento, ele se 
esqueceu de tudo, do caso, do resgate, de onde estava, e se 
encheu de uma imensa vontade de beija-la, esperando que ela 
abrisse os olhos. Ele sabia que eram claros, devido  foto 
preta e branca,  mas ser que eram verdes? Toda ruiva tinha 
olhos verdes, e ela no deveria ser diferente.

Elevando a mo com todo cuidado, Mulder tocou o rosto dela, 
e baixou a cabea, pronto para provar dos lbios que pareciam 
to macios. Assim que os tocou, ele sentiu seu gosto doce, 
e a beijou mais ainda. Ficou surpreso ao senti-la responder 
seu beijo, e logo ele a estava abraando. Abrindo um pouco 
os olhos, ele notou que ela ainda estava de olhos fechados, 
e que provavelmente achava que estava sonhando. 

Quando ele parou, segurando-a nos braos, ela ficou por algum 
tempo de olhos fechados, e a boca meio aberta, e abrindo lentamente 
os olhos, o fitou. Mulder ficou completamente atnito ao ver 
o azul brilhante dos olhos sonhadores. 

Ela o olhou, primeiro sonhadora, depois confusa, e ento, 
comeou a arregalar os olhos. 

No importava que ele era um agente secreto. No importava 
que ele era bem experiente. O que importava era que ele 
conhecia as mulheres, e quando elas queriam, poderiam fazer 
um tremendo escndalo, com apenas um grito. Automaticamente 
ele levou a mo, dentro da luva de couro, e tampou-lhe a boca.

Ela se agitou, e ele a segurou com mais fora. Precisava se identificar para poderem
sair logo dali!

"Ei! Calma! Eu sou agente Mulder, dos EUA, e vim te salvar!" 
apesar de ter se identificado, ela ainda no se acalmou. 
Comeou a chuta-lo, e tentar arranha-lo. Ele se mexeu mais 
sobre a cama, e quase deitando sobre ela, ainda tampando 
sua boca, ele repetiu o que tinha dito. No surgiu efeito. 
Na verdade, parecia piorar as coisas. Ela parecia ter ficado 
possuda por alguma coisa! 

A garota era uma gata selvagem! Mesmo estando em desvantagem 
de tamanho e fora, ela ainda tentou lutar contra ele, at que 
conseguiu acerta-lo num local um tanto quanto sensvel demais 
da anatomia masculina.

Mulder tirou as mos dela, e gemeu, caindo de lado. Ela se 
aproveitou e tentou sair da cama, quase voando na verdade, e 
Mulder tentou impedi-la, mas estava sentindo muita dor, e ela 
escapou, indo para a porta, e ele viu quando ela chegou na sada. 

O que ela estava fazendo, afinal de contas? Ser que estava 
surda? Eles estavam ali para salva-la! Xingando, ele ficou 
de p para tentar peg-la, e s no ficou to surpreso quanto 
ela ao ver quem estava na porta, pois ele esperava por isso.

Mas ela no. Parecendo um anjo com a camisola branca de seda, 
ela abriu a porta, s para dar de frente com outra 'porta'. Skinner 
tinha chegado ali, e pareceu que ela no o reconheceu, pois 
imediatamente, antes que o diretor pudesse peg-la, ela saiu 
correndo pelo quarto, tentando correr para o banheiro. Mulder, 
com o orgulho meio ferido, foi na direo dela, mas Skinner 
chegou primeiro. 

Mulder viu que ela ia gritar quando Skinner a agarrou 
pelo brao, a mo grande se fechando sobre o brao fino, 
e antes que pudesse alerta-lo, ele viu o diretor puxar um 
leno, e jogar sobre o rosto dela, que lutou bravamente, 
mas logo seus movimentos ficaram  mais fracos, at que ela 
parou, e desmaiou.  Skinner a pegou nos braos, e foi na direo da cama. 

"O que voc deu pra ela? Por que ela no te reconheceu?" ele 
presumiu que a mulher e Skinner j se conheciam, mas no 
parecia ser este o caso. Ela parecia ter ficado com mais medo 
ainda do diretor, devido ao seu tamanho, mais largo que Mulder. 
Se aproximando da cama, ele fitou, embevecido, a mulher 
deitada, novamente adormecida. "O que est acontecendo aqui?" 
ele sussurrou, mais para si mesmo do que para algum escutar. 
Ento, ele achou que isso tudo era...

"Uma armadilha! Isso  uma armadilha! Ela no precisa ser
 resgatada, e est sendo usada para nos pegar! Vamos dar o 
fora daqui e..." ele pegou o brao de Skinner, mas o diretor 
puxou o brao, e sentou ao lado dela, comeando a tirar mechas 
ruivas que tinham cado no rosto dela. Olhando para Mulder, ele falou.

"No  uma armadilha. Ela est assim porque est com amnsia." 
a voz cheia de raiva mostrava que o motivo dela estar com amnsia 
no foi acidental. "Os nazistas deram alguma coisa pra ela, 
e foi isso que o informante me disse, mas ele no tinha certeza. 
Ele s sabia que, depois disso, ela nem o reconhecia, 
e ao que parece, nem a mim", o final da frase foi falado 
num tom um pouco triste, e Mulder notou. Isso piorava as 
coisas ainda mais.  

"Voc vai leva-la?" no mesmo momento em que disse isso,
viu o quanto a pergunta era estpida. Skinner se virou 
pra ele, resoluto. 

"Mas  claro que vou! E voc vai me ajudar!" No havia 
pedido naquela frase. Era uma ordem, clara e simples. 
"Arrume uma roupa de frio pra ela no guarda-roupa! Agora!"

Vendo que Mulder no se mexia, ele mesmo se 
levantou e foi at l, e logo voltou com uma roupa de frio, 
e botinhas.

"Voc vai tirar a roupa dela?" Mulder perguntou, atnito. 
Se ele tinha dvidas do que ela era para Skinner, no haviam 
mais a partir de agora. No importava o fato de que a
garota tinha idade para ser filha dele!

Skinner nem tentou explicar. Ele foi logo erguendo Dana 
da cama, meio que sentando ela, e Mulder se virou imediatamente, 
mas no antes de ver as pernas suaves e plidas enquanto o 
diretor puxava a camisola sobre a cabea dela. 

Depois de ouvir alguns grunhidos, Mulder ouviu Skinner chamando 
por ele. "Pode se virar agora, Mulder. Coloque as botas nela!" 
o agente se virou, e viu que Skinner estava fechando o casaco 
sobre Dana, e ento ele pegou a bota (que sobrava na mo dele) 
e colocou no p (que era menor ainda) delicado, colocando as 
meias antes. Ela parecia uma boneca tamanho famlia nas mos deles.

Enquanto colocava as botas nela, Mulder pensava em como 
sairiam dali. Logo dariam falta dela, e ento, eles seriam 
perseguidos. At a, no havia novidade, pois ele sabia que 
isso poderia acontecer. Seria melhor que no acontecesse, 
mas voc sempre tinha que contar com todas as possibilidades.

Terminando, Skinner a ergueu nos braos, com todo cuidado, 
e Mulder se aproximou para ajuda-lo, mas no era necessrio. 
Era bvio que a garota no pesava nada, e Skinner no parecia 
estar fazendo nenhum esforo. "Vamos sair daqui" o diretor falou, 
e prontamente foi para a porta.

Mulder o acompanhou. Isso no estava indo nada bem. 
Ele no contava com isso - que a garota no os reconheceria. 
E principalmente que ela estaria inconsciente - melhor assim 
do que ficar lutando e tentando fugir deles. Bem, como diria o 
antigo instrutor dele: o melhor agente  aquele que se adapta 
s situaes de emergncias. 

Logo ele percebeu que Skinner tinha trocado Dana de posio 
nos braos, e agora ela estava sobre os ombros dele, que 
segurava as pernas e os braos dela. Uma posio nada digna 
de uma dama, mas neste momento, era a nica possvel. Eles 
teriam que correr rapidamente, e quanto menos ela balanasse, melhor.

Assim que se aproximavam da sada, desviando-se de alguns 
guardas de servio, Mulder notou que um oficial estava subindo 
as escadas, indo em direo aos quartos. 

Hora da retirada.

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Skinner entrou no castelo em silncio. Conhecedor de 
estratgia, ele no teria dificuldades em achar seu caminho 
dentro da fortaleza. Indo pelos cantos, depois de entrar sem 
ser notado, ele passou por um largo salo, o nico iluminado 
- era uma reunio. Se escondendo nas sombras, tentando 
minimizar o prprio tamanho para no ser visto, ele aguardou 
um pouco, at que ouviu passos. 

Eram dois oficiais. Nazistas. O mais velho fumava, 
lentamente, saboreando cada trago. O outro parecia mau, 
o que no era bom num comandante. Ele parecia um sdico. 
Skinner se lembrou das informaes que colheu sobre os 
comportamentos gerais dos oficiais da Gestapo. E ele sabia 
que este tipo de oficial era bem comum aqui na Alemanha. 
Ele conheceu o tipo de longe. Os dois conversavam, e 
pararam antes de entrar no salo. Era em alemo, mas 
Skinner tinha viajado pelo mundo todo, e no foi difcil 
entender o que falavam.  E nem sobre quem falavam.

"O que voc vai fazer com ela?" O comandante sdico falou, 
e o fumante respondeu.

"Voc est muito ansioso com isso, no? Falou nela o dia todo. 
At parece que se esqueceu da guerra que estamos batalhando." 
a fala tranqila e irnica do fumante no agradou Skinner.

"Ora, um oficial tem o direito de se divertir, no ?" uma pausa. 
"Mas parece que voc quer a diverso s para voc."

O fumante deu um sorriso de lado. "Depois que eu acabar com ela, 
se voc quiser, ela  sua." O sdico, sorriu, satisfeito, 
no se incomodando em levar uma mercadoria de segunda mo. 
Do que ele viu, valia a pena.

"Mas voc no tem receio de que possa haver represlia 
sobre voc estar com ela?" 

Outro riso do fumante. "De quem? Que eu saiba, ela nunca
esteve aqui, neste castelo. Voc a viu por aqui?" 
o fumante encarou o outro oficial, que, entendendo, 
negou com a cabea. 
"E nem eu."

O sdico riu. "Ento, aproveite o mais rpido que puder, 
meu amigo. Porque, do que ouvi falar, ela  uma coisinha 
bem bonita." ele esfregou as mos. "Estou ansioso para
botar minhas mos naquela pele branquinha..., onde ela 
est, afinal de contas?"

"Est l em cima, num quarto. Descansando da 'visita' 
que fez ao mdico" dessa vez, o sdico no riu.

"Tem certeza de que ela est bem, depois dessa 'visita'? 
No vai adiantar nada se ela..."

O fumante o cortou. "O procedimento foi indolor, pois ela 
estavam inconsciente. Isso foi feito s para reforar o que 
foi feito em Berlim. Agora, ela s vai obedecer ordens. No 
vai querer, lgico, mas, vai ter que obedecer...."

Os dois riram, e ento entraram, fechando a porta, dando 
para Skinner a oportunidade de sair de seu esconderijo. 
Ele estava furioso! Como eles ousavam... e o que eles 
tinham feito com ela?

Fechando os olhos, ele tentou se recompor. Agora no 
era hora disso. Seu objetivo era retira-la daqui. Ento, 
ele pensaria no que fazer depois. Indo para as escadas, 
ele foi direto para cima, onde estavam os quartos.

Chegando na terceira porta, depois de verificar as duas 
primeiras, ele ouviu um som amortecido, e ento, passos 
correndo. Se preparando para entrar, a porta se abriu antes, 
e ele viu Dana olhando pra ele, assustada, e to rpido 
quanto veio, ela se foi, fugindo, correndo para o banheiro. 

Do canto de olho, ele percebeu que Mulder estava com 
problemas, e agindo por instinto, ele correu atrs dela, 
e a segurou pelo brao. Pegando o leno que ele tinha 
preparado enquanto subia a escada, ele colocou o pano 
sobre o rosto de Dana, e segurou firme enquanto ela 
lutava contra ele. 

//Desculpe, querida, mas eu preciso fazer isso//. 
Quando ela correu dele, isso s confirmou a informao 
que conseguiu - ela tinha recebido lavagem cerebral, 
de alguma maneira, feita pelos nazistas. Era por isso 
que no o reconhecia.

Quando ele sentiu ela ficando mole, Skinner a pegou 
nos braos, e levou pra cama.
Ouvindo os protestos de Mulder, e vrias perguntas, 
ele no se incomodou com isso, falando somente o 
necessrio, como para pegar as roupas dela. Quando 
Mulder no se mexeu, ele mesmo fez isso, e trocou a 
roupa de Dana, preparando-a para a viagem.

Erguendo-a nos braos, eles se preparam para sair dali 
o mais rpido possvel. Assim ela teria uma chance. 
Quando chegaram  porta, Skinner viu que teria que 
carrega-la de outra maneira //Perdo, Dana// e a jogou 
sobre os ombros, prendendo seus braos e pernas contra ele. 
E depois que saram, o alarme tocou. 

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Com o revlver na mo, Mulder apressou Skinner, e ficou 
vigiando a retaguarda. Eles tinham um veiculo para transporte 
mais rpido, mas estava um pouco longe dali, camuflado. 
O problema seria chegar at l.

Alguns minutos depois, o alarme soou. Descobriram que 
Dana no estava no quarto!

"Vamos, vamos" ele sussurrou, e Skinner correu, e Mulder 
ficou logo atrs, pronto para
ajuda-lo, caso necessrio, e quando eles saram do castelo, 
comearam a atirar. Mulder
revidou os tiros, mas no era preo para uma guarda nazista. 
Correndo com toda vontade, mas nunca deixando Skinner pra 
trs, ele foi na direo dos bosques. Ali teriam uma 
chance melhor. A neve que comeou a cair ajudaria a esconder 
os rastros, assim como a noite.

Os tiros eram poucos agora, mas ele viu Skinner tropear, 
e quase deixar Dana cair. Correndo para eles, Mulder se aproximou,
e Skinner grunhiu. "Pega ela! Pega ela!" quase
lhe jogando Dana nos braos. Mulder a recebeu, e a 
segurou como se deve segurar uma dama, e depois de fitar 
o rosto dela, e se certificar de que ela estava inclume, 
ele se virou para Skinner. 

"O que aconteceu?!"

Skinner o empurrou. "Nada. Vamos logo, no temos tempo." 
ele empurrou Mulder pra frente, que viu quando o diretor 
colocou uma mo sobre o brao, apertando. Ele havia levado 
um tiro!

Mas ainda haviam os guardas atrs deles. Correndo muito, 
eles se embrenharam nos bosques, e logo a neve apertou, 
e os guardas no deram sinal de vida.

E ento, eles ouviram uma exploso.

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Depois de correrem por mais de uma hora, Mulder no 
agentava mais carregar Dana. Apesar dela ser leve, 
seus braos estavam doloridos, e ento, ele se virou 
para Skinner, pronto para dizer que deviam parar. Mas 
no foi preciso.

"Vamos parar. Eles no viro por enquanto" Skinner encostou 
numa rvore, e Mulder parou perto dele, olhando para onde 
poderia colocar sua carga preciosa. De maneira alguma ele 
a colocaria no cho, na neve. 

Skinner at sorriu ao ver a maneira como Mulder agia. Ele 
tinha uma idia de que isso poderia acontecer. Afinal de 
contas... quem no ficaria indefeso perante tanta beleza? 
Ele se afastou da rvore, pegou alguns galhos um pouco secos, 
e os colocou no cho, se sentando. "Traz ela pra mim."

Mulder a apertou nos braos, no querendo solt-la. 
Mas seus braos estavam cansados, e seria melhor ele 
procurar fazer algum fogo. Ento ele se lembrou de uma coisa. 
"Voc no levou um tiro no brao?"

"Sim, mas foi de raspo. Vamos, traga ela pra c. 
A rvore vai protege-la da neve, por enquanto." Ento, 
relutante, Mulder a colocou no colo do diretor, que 
logo a abraou, deitando a cabea ruiva sobre seu ombro. 
Uma sensao que Mulder recusava pensar ser cimes o atingiu, 
e ele se virou rapidamente. Fogo. Ele tinha que fazer um fogo.

Skinner percebeu tudo, e olhando para Dana, ele parou 
de sorrir, mas antes disse, "Dana, parece que voc conquistou 
mais um." e ento, ele ajeitou o casaco dela, verificou as 
roupas para ver se estava tudo bem, e a abraou mais forte. 
"Por favor, melhore logo."

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Mulder pensou se era sbio fazer um fogo. Os guardas 
poderiam estar  procura deles ainda. Mas ele se lembrou 
da exploso - provavelmente o castelo estava sendo atacado, 
e os soldados que estavam atrs dele voltaram para ajudar 
seus colegas. Como no podia confirmar isso, ele no queria 
facilitar as coisas, mas ele precisava fazer alguma coisa 
para impedir que Dana pegasse uma pneumonia.

Dana... ela era incrivelmente bela. Os boatos faziam jus  
verdade. Pele lisa, branca, cabelos ruivos, olhos azuis... 
como seriam eles  luz do dia? Ocupado pegando os galhos, 
Mulder ficou com essa imagem gravada na mente - bem, esta 
e uma outra - a das pernas, que eram bem longas para 
algum to pequeno!

E ao lembrar das pernas, ele lembrou de Skinner 
descobrindo-as. A familiaridade do diretor com a 
garota era bem fcil de se observar, e o carinho 
bvio de Skinner para com Dana deixavam Mulder incomodado. 
Mas, por enquanto, ele no queria pensar nisso. Primeiro 
as prioridades, e agora, a prioridade era se esquentar!

Ele estava sentindo frio. E viu que Skinner tinha levado 
um tiro - se no se aquecesse, poderia entrar em choque. 
E quanto a Dana... mesmo a roupa que estava usando no iria 
protege-la da neve que estava aumentando. E desmaiada, ela 
no poderia nem mesmo dizer se estava com frio ou no. Eles 
teriam que ver pelos lbios dela. Se estivessem azuis...

Mulder nem quis pensar nisso.

Voltando para onde estavam os dois, ele foi recebido pela 
mesma viso de antes:
o diretor com Dana no colo. Dando um olhar reprovador para 
Skinner, ele comeou a fazer a fogueira. 

"Viu alguma coisa, Mulder?" Skinner perguntou, em voz baixa.

Sem olhar de volta, Mulder respondeu. "No."

Silencio. "Voc acha sbio acender um fogo agora? E se eles 
virem isso de onde esto?"

Ainda sem olhar pra ele, Mulder respondeu, "No ouvi nada. 
Acho que exploso foi resultado de algum ataque contra o 
castelo, e os guardas voltaram. E vocs no podem sentir frio..." 
Mulder resmungou, continuando com seu trabalho. 
Pegando um fsforo dentro do bolso, ele conseguiu 
acender o fogo. Ainda bem que a madeira ainda no 
tinha ficado mida com a neve. "E vamos ficar aqui s 
para podermos pegar nosso flego, porque temos que chegar 
o mais rpido possvel ao nosso carro. E voc sabe que no 
fazia parte do plano vir para este lado do bosque. No quero 
entrar na Floresta Negra, seno nunca vamos sair de l." 
Ele viu Skinner concordando, e ento, se acalmou um pouco.

E graas a Deus no estava ventando. A neve caa, fofa, sobre eles. Mas suavemente.

Mulder se sentou perto deles, para poder 
sentir calor tambm, e ento sentiu um cheiro 
delicioso e suave. Virando a cabea de lado, 
ele viu que vinha dos cabelos de Dana.
Resmungando de novo, ele se virou, e encostou 
contra a rvore.

"Mulder?"

"O que ?" 

"Eu no sou um velho tarado."

Silencio. "Eu nunca disse..."

"E nem precisa. Agora, minha relao com Dana 
no  da sua conta."

"Mas eu nunca..."

"Mas eu no quero que voc pense que ela  uma 
qualquer. Dana  uma moa de famlia, e merece 
todo respeito que um homem deve dar pra ela" a voz
de Skinner era pura raiva e proteo, e Mulder percebeu 
que a relao dele com Dana era muito importante para este homem.
Ele no ia objetar.

Mantendo os olhos abertos, ele tentou relaxar, 
mas com a arma na mo.

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Dana estava acordando, e por um momento a primeira 
sensao que teve era de frio no nariz. Estava nevando 
no quarto dela? Abrindo os olhos, ela percebeu que 
estava ao ar livre, e quanto tentou se mexer, sentiu 
que estava nos braos de um homem!

Agitada, ela tentou se livrar, mas o homem a segurou 
mais forte. Lembranas que ela no entendeu, mas que 
a apavorou, apareceram em sua mente, e ela comeou a 
gritar. Ela ouviu
gritos confusos, nem notando que era ela mesmo quem gritava,
e ento, instintivamente, ela lutou, 
e conseguiu se livrar dos braos que a seguravam, e com 
um nico propsito - fugir - ela saiu correndo s cegas, entrando mais nos bosques.

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Mulder estava quase dormindo, e isso no era nada bom. 
Ele precisava manter a vigilncia, pois Skinner estava 
ferido. Quando seus olhos estavam quase se fechando de novo, 
ele sentiu movimentos vindo de Skinner, e quando se virou 
para ver o que era, arma em punho, ele viu Dana 
se mexendo, lutando para fugir! 

Quando ela gritou, ele ficou apavorado! Como lidar 
com uma garota assim? Quando ele tentou falar com 
Skinner, ele viu, chocado, quando a garota golpeou 
o diretor com um movimento que deixaria qualquer 
lutador orgulhoso. E, atnito, Mulder observou-a 
sair correndo para o meio das arvores!

"O que voc est esperando?" Skinner gemeu, colocando 
a mo no rosto. "V atrs dela!" ele falou, se levantando 
precariamente, e quando observou, Mulder j tinha sumido. 

Os dois tinham sumido.

Olhando as pegadas no cho, e sentindo dores no 
rosto e no brao, Skinner seguiu o mais rpido 
que conseguiu.

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TITULO: FREIBURG
AUTORA: EDNA BARROS

Parte 3 de 4

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Dana estava apavorada! Depois de sonhar 
em estar sendo beijada por um
homem maravilhoso, ela acorda e se v de 
frente com um homem de  verdade! 
Ela no sabia o motivo de ter reagido daquela 
maneira, mas se sentiu sufocada por alguma razo, 
como se aquilo tivesse acontecido antes. 

Depois, ela viu outro homem, maior do que o outro, 
e ela se sentiu indefesa, e com mais medo do que nunca. 
Mas reagindo instintivamente mais uma vez, ela tentou 
fugir, e foi impedida por braos fortes. E depois, no 
se lembrava de mais nada. O que no era novidade 
- sua mente era um branco total fazia dias. Ela no 
se lembrava de quem era, e de onde veio. S se lembrava 
de ter ido quele mdico que lhe dava arrepios, e 
daquele fumante velho, que parecia ser um oficial, perto dela. 

E no se lembrava de ter ido pra cama, tambm. 

Parando, assustada, ela colocou as mos sobre a cabea, 
tentando se lembrar de alguma coisa. Ofegando, ela ouviu 
algum correndo, e avistou um dos dois homens vindo em 
sua direo. Mais uma vez correndo, ela tentou fugir, 
mas foi jogada contra o cho por um corpo muito pesado.

"Me solta! Me solta! Me deixa ir embora!" ela gritou, 
e foi virada de costas contra o cho, o peso do homem 
sobre ela. Ele segurou as mos dela sobre sua cabea, e 
mais uma vez ela ficou de frente para aqueles olhos maravilhosos.

E ele estava sorrindo! "Voc no vai conseguir sair 
assim, baixinha."

Ficando com raiva, ela tentou se soltar, mas o corpo 
dele a prendia com eficincia contra o cho. Ento, de 
repente, se sentindo muito indefesa, sozinha, sem se 
lembrar de nada, e em vista do perigo, ela fez a 
nica coisa que podia fazer - chorar.

Imediatamente o homem parou de sorrir, "O que foi? 
Eu te machuquei?" o som horrorizado da voz dele, e o 
ato de soltar as mos dela a deixaram mais tranqila.
 Mas ainda ela continuou chorando em silencio.

"Por favor, no chore... onde di?" ele comeou a passar 
a mo sobre o corpo dela, e Dana aproveitou para chuta-lo. 
Ele foi mais rpido, e pegou o p dela. 

"No, senhora. No vamos comear isso de novo. 
Uma vez foi o suficiente" ele prendeu os braos 
dela de novo, e ela ouviu passos. Era o homem calvo!

"No, por favor, me soltem... no me machuquem, 
por favor..." ela chorou, agora de desespero, e 
sentiu uma mo sendo colocada sobre o rosto dela, 
com cuidado. Com tanto carinho que ela se acalmou, 
e abriu os olhos, vendo o homem calvo olhando pra 
ela com preocupao.

"Dana... meu bem, sou eu. Walter. 
Voc se lembra de mim?"

Walter, Walter, Walter... ela no se lembra de nenhum 
Walter, e nem dele. Mas via que ele a conhecia. Ela sentiu 
isso. E instintivamente se acalmou. Pela primeira vez, desde 
que estava ali, ela se sentia segura. Com a voz fraca, ela 
falou, "No, eu no me lembro... de fato, no me lembro de 
muita coisa." ela falou, e o tom triste no passou desapercebido pelos homens.

O que estava em cima dela falou, "Eu j me apresentei, 
mas vou fazer isso de novo. Meu nome  Fox Mulder, 
sou um agente dos EUA, e viemos te resgatar."

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Os olhos azuis mostravam confuso, e certo medo, 
e Mulder daria tudo para
tirar essa expresso do rosto dela. Dana parecia 
estar com amnsia de verdade, e ao se lembrar de 
que os nazistas fizeram isso com ela o deixou com 
raiva. Ao ver o toque de Skinner na pele dela, ele 
no gostou, e ficou estranhamente feliz por ela no 
ter reagido ao toque, e nem se lembrado do diretor. 

"Como assim, me resgatar?"  

Ele a soltou lentamente, enquanto explicava. "Estamos 
aqui para leva-la de volta para a Amrica." o sorriso 
de confiana de Mulder murchou quando ele no notou 
nenhum entusiasmo da parte dela. "O que foi?"

Com a voz trmula, ela falou, "N-nada...  s que..." 
ela estava cheia de incertezas, sem saber o que fazer, 
quem era, e em quem podia confiar. Para piorar as coisas, 
as atitudes do mdico e daquele oficial a deixaram com mais 
medo ainda de reagir. "Eu no sei mais em quem confiar..."

Mulder ouviu Skinner ficar de p, e ir para perto de uma 
rvore, e soca-la. Isso fez com que Dana se encolhesse, e 
Mulder rapidamente tentou acalma-la. "Calma... est tudo bem."

"Ele parece estar um pouco nervoso" a indicao incompleta 
do estado de nervos de Skinner fez Mulder rir.

"Um pouco? Ele est com vontade de matar algum!" ele sorriu, 
falando isso olhando para Skinner, e quando voltou a olhar 
para Dana, ele viu que foram as palavras erradas. 
"Mas no se preocupe. No  com voc." ele no resistiu, 
e somou. "E se algum quiser te machucar, vai ter que 
passar primeiro por mim." ele j no ria mais. 

Dana arregalou os olhos ao ouvir estas palavras. 
Quieta, ela observou Mulder colocando um dedo sobre 
o rosto dela, tirando um floco de neve. "To branca 
quanto a neve..." ele murmurou, e Dana ficou hipnotizada pela
voz e beleza do homem sobre ela. To confusa, que
ela quase pulou quando ouviu Skinner.

"Mulder! Saia de cima dela!" 

Relutante, Mulder fez isso, e a puxou de p. 
Quando ela vacilou, ele a apoiou. "O que foi?"

Ela gemeu, baixo. "Acho que  meu... ai!" ela 
gemeu de novo. "P. No notei nada at agora..." 

Skinner ficou do lado dela enquanto Mulder se 
abaixava, ainda meio receoso de levar um chute. 
Mas quando mexeu no tornozelo dela, Dana gemeu de novo, 
e ele parou na mesma hora. "Voc s torceu."

"Mesmo assim, di muito" ela reclamou, e 
Skinner riu. "O que foi?"

"Voc sempre foi resmungona." e Mulder se juntou 
a ele. Dana no gostou.

"Experimente ter um homem de mais de cem quilos 
se jogando em cima de voc, e ento me diga como " 
ela falou, e logo eles pararam de rir.  Mulder 
se aproximou dela, e colocando um brao ao redor 
de sua cintura, a ajudou a voltar, com Skinner do outro lado, perto dela.

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Skinner estava preocupado. Dana estava tremendo, 
mais do que eles, por no estar 
acostumada a ficar em situaes como esta. E 
para piorar a situao, ela estava se
sentindo estranha, tonta, e com febre. 

"O que est acontecendo?" ele perguntou pra ela, 
que havia decidido se sentar encostada
em outra rvore, longe deles. 

"Nada. Eu estou bem". foi a resposta sumria.

Skinner bufou. Ele escutou esta frase incontveis vezes, e em nenhuma delas o
seu sentido era verdadeiro. Especialmente agora. Ele foi para perto dela,
e colocou a mo sobre sua testa. "Voc est queimando de febre!"

Ela tirou a mo dele de sua testa. "Eu estou bem" mas ela gemeu, e Skinner
se agachou, conseguindo ouvir quando ela murmurou, "O remdio..." e
ento ele entendeu.

Devia ser o remdio que os nazistas estavam dando 
pra ela. Ou a falta dele. Talvez o corpo dela estivesse 
purgando a coisa pra fora, e estes eram os sintomas. Se no 
fosse isso, o que mais ele poderia fazer?

"Me ajuda, pai...." ela murmurou, meio inconsciente, e 
isso deixou Skinner maravilhado, vendo que ela estava se 
lembrando de quem era ele. Ele precisava tira-la daqui, mas no
podia, pois estava ferido. Olhando ao redor, ele viu Mulder perto da fogueira,
de p, obviamente esperando por um sinal dele, que acenou.

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Mulder estava de p, olhando, preocupado. Ele pde ver, de longe, o suor na testa
de Dana, e a inquietao. Viu tambm quando Skinner se aproximou da garota, mas ficou
quieto, no querendo se intrometer na relao deles. Mas ele continuava no gostando
nada daquela aproximao do homem com a garota. 

Ele no ouviu o que Dana disse, mas ficou esperando por um sinal de Skinner
para ver o que fariam. Assim que viu Skinner acenando, ele correu at eles, e
se agachou perto de Dana. "O que foi?"

"Ns temos que tira-la daqui. Ela est doente, e deve ser dos remdios que deram
pra ela."

"Que remdios?" 

"Quando cheguei no castelo, ouvi dois oficiais comentando que ela esteve
no 'mdico' deles naquele dia, e que recebeu alguma dosagem para a lavagem
cerebral dela. E agora, acho que ela est lutando contra os efeitos colaterais."

Deus, tomara que seja isso, Skinner torceu.

Ainda mais preocupado, Mulder olhou para Dana. Ela estava menor ainda, suando,
gemendo e tremendo. Skinner estava certo. Eles precisavam tira-la dali.

"Pai, me ajuda..." ela sussurrou, e Mulder franziu as sobrancelhas. "Mas o que-"

Skinner o interrompeu. "Papai est aqui, Dana... pode dormir. Nada vai te
acontecer." ele a acalmou, e ela voltou  inconscincia, mas a febre continuou.
"Me ajuda aqui, Mulder." ele tentou pega-la no colo, mas com o brao ferido,
a tarefa ficou muito difcil.

Por um momento Mulder ficou estupefato pelo que estava ouvindo, mas
quando viu o movimento de Skinner, se intrometeu. "Deixa que eu levo ela. A neve ainda 
est caindo, e voc est certo: precisamos tira-la daqui." ele a ergueu nos
braos, e juntos, eles saram dali. A neve estava ficando mais forte, e eles precisavam
achar abrigo. No daria para ir para o transporte nem se eles quisessem.

Teriam que esperar a neve baixar.

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No demorou para eles encontrarem uma cabana muito pequena, e muito 
abandonada. Skinner entrou, arma na mo, mas no foi necessrio. Era bvio
que ali era apenas uma cabana de caa, e que h muito tempo no recebia
visitas. 

Carregando Dana com extremo cuidado, Mulder entrou, e tentou achar
um lugar que no estivesse imundo. Skinner viu seu dilema, e foi
na frente, virando o colcho da cabana ao contrrio, e dando espao
para Mulder coloca-la ali. No era a melhor das acomodaes, mas teria que
servir.

Quando ele a deitou, Mulder ficou mais uma vez admirado com tamanha
beleza. Apesar do cabelo molhado pelo suor, o rosto dela estava corado
com a febre, a boca entreaberta, e totalmente indefesa. Ele jurou que no
deixaria nada acontecer a ela.

Skinner observava, quieto, a atitude de Mulder. Ele no estava surpreso
por ver o agente agindo dessa maneira. Por muitos anos ele viu Dana arrasar
coraes, sem nem mesmo perceber, e se Mulder no tomasse cuidado,
ele ficaria de corao quebrado.

Decidindo se meter, Skinner se aproximou. "Vamos ver se arrumamos
algo para baixar a febre dela." 

Mulder saiu do transe, e olhou, confuso. "H?"

"Vamos ver se arrumamos algo para baixar a febre dela." ele repetiu
calmamente.

"Mas como? Isso aqui no tem nada---"

"Temos que dar um jeito. Ela precisa melhorar para que 
possamos leva-la de
volta." Skinner j procurava algo na cabana de um nico 
cmodo. "V ver se arruma um pouco de gua."

Mulder saiu da cabana, percebendo que a neve ainda estava 
forte. Ele no viu nem uma
bica por perto, nem um riacho, nada. Finalmente ele encontrou 
um balde, e encheu de neve.
Levando pra dentro da cabana, ele viu que Skinner j estava ao 
lado de Dana, na cama.

"O que voc est fazendo?" ele estranhou que Skinner estivesse
com a mo na garganta de Dana, como se estivesse tentando
cortar o ar dela. Ele queria faze-la desmaiar?

"Mulder, calma! Estou fazendo isso s pelo bem dela..."

Mas Mulder no deixou Skinner voltar para o lado de Dana. 
O agente estava pronto para 
lutar por ela, caso necessrio. "Voc estava sufocando ela! 
Voc ia mata-la!"

"Como eu posso matar a minha prpria filha!?!"

O silencio que se seguiu foi tenso. 
Mulder no acreditava no que estava ouvindo. Do que 
sabia do diretor Skinner, ele no tinha filhos, 
muito menos uma como Dana. "Mas como...."

"Eu me casei com a me dela quando Dana ainda 
era um beb. O pai dela morreu em combate, e 
eu fui dar as noticias, e quando vi a me dela, 
com ela nos braos, as duas, sozinhas... no tive 
corao de deixa-las desamparadas."

Mulder pensou no que acabou de escutar. Pelo arquivo 
de Skinner, e do que ouviu falar, Mulder entendeu que 
ele era um homem  ntegro, mas isso j no era demais? 
Olhando para a cama, para Dana, notando mais uma vez sua 
beleza, ele percebeu... que no, no era exagero. Se a 
me dela tivesse metade da beleza da filha, Mulder poderia 
entender o porqu de Skinner ter se apaixonado por elas.

"Tudo bem, tudo bem... mas por que ela est to agitada? 
Eu sei que tem a febre, mas mesmo assim... da primeira vez 
em que peguei ela na cama, ela parecia que estava vendo um 
fantasma, e me atacou com unhas e dentes. Ela fez isso na 
floresta tambm, e agora... se no fosse por voc, ela 
estaria gritando, chamando a ateno para esta cabana. 
Os soldados ainda podem estar atrs de ns. O que ela tem, 
afinal de contas?"

De p, olhando para sua filha, Skinner suspirou, e colocou 
a mo no rosto, exasperado. A raiva e tristeza que Mulder viu 
no rosto do diretor o confundiu. 

O diretor no tinha certeza se contava ou no, mas se queria
a ajuda de Mulder, era preciso que o agente soubesse com o
que poderia esperar de Dana. 

"Ela tinha dezoito anos, pronta para ser apresentada  
sociedade... e com muitos pretendentes, note bem 
- mas nenhum deles digno para ela." o olhar que 
Skinner lhe deu fez Mulder imaginar bem o quanto o 
'candidato' teria que ser perfeito. Ele sorriu 
- sorte dele que ela ainda no estava casada. 
Ele ainda poderia corteja-la, e...

"Nem pense nisso, Mulder. Ela no vai ficar interessada." 

"H? Mas eu no falei nada." ele falou na melhor 
voz inocente que conseguiu pensar em fazer.

Skinner sorriu de lado. "E nem precisa." ficando srio, 
ele falou. "Bem, como eu ia dizendo..." ele olhou para 
Dana de novo. "Ela estava com dezoito anos quando foi 
atacada por um homem, na verdade, um dos pretendentes 
dela." a raiva na voz do diretor era bem clara. 

"Ela ficou em casa, sozinha, depois que eu e a me 
dela samos para jantarmos numa recepo oficial. 
Ela no estava se sentindo bem, e decidiu ficar em 
casa, para dormir mais cedo. O sujeito apareceu de 
repente, como se esperando ela ficar sozinha, e ento 
entrou, invadindo a casa, e a atacou." o diretor parou 
de falar, a mo em punho.

Mulder podia imaginar a cena. Ele sabia como 
trabalhava a mente dos assassinos e dos ladres.
Eles no tinham moral, e provavelmente, esse desgraado 
devia estar mesmo esperando para pegar Dana sozinha.

"O que me deixa mais furioso  que ele  de boa
 famlia, mas muito mimado pelos pais. A sorte foi 
que eu, a caminho da recepo, esqueci dos convites, 
e Maggie  muito preocupada com estas coisas. Ns 
poderamos entrar sem convites, mas ela insistiu para
que voltssemos e pegssemos o convite. Ainda 
estava cedo mesmo, e ento voltei. S para
encontrar o desgraado em cima de Dana, na cama dela!!!!"

Mulder sentiu o sangue ficando quente. Se ele estivesse l...

"Bem, resumindo - quebrei a cara do abusado, e 
algumas de suas costelas, enquanto Maggie confortava 
Dana. Ela precisou de muita ajuda, e graas a Deus o 
bastardo no conseguiu concluir seu intento, apesar 
de chegar bem perto. Mas ele agora est preso, e eu, 
pessoalmente, cuido de sua reviso condicional, e com 
a ajuda de alguns amigos meus, que me devem favores, 
ele vai continuar l por muito tempo. A priso  de 
segurana mnima, mas ele no vai sar de l. S se fugir." 

Mulder no comentou nada. Durante todo o tempo do discurso 
de Skinner, ele ficou imaginando as cenas, e olhando para 
Dana  mais uma vez, ele foi para a janela.

"Desde ento, ela fica apavorada quando est na cama, 
e sente algum vigiando seu sono. 
E o pior de tudo, e eu no a culpo,  que ela perdeu a 
vontade de encontrar um marido. Ela decidiu estudar Cincias, 
e no parou mais. O nico homem que ela permite contato, 
ou seja, um abrao ou um beijo sou eu, e o irmo dela, 
Charlie, meu filho com Maggie. E s. Ela disfara muito bem
o que sente por dentro, mostrando por fora uma fora que no
sente por dentro. S ns, da familia, conhecemos Dana de verdade.
Por isso, Mulder, acho que voc pode perder as esperanas. 
Ela no vai ficar interessada."

Ns veremos, diretor. Ns veremos. Voc ainda no 
viu o 'Charmoso Mulder' em ao.

Mulder riu ao pensamento, e sem tirar os olhos da 
janela, pensou no que poderia fazer para poder 
surpreender tanto o diretor quando Dana. Se ela 
fosse to inteligente quanto bonita...
Nunca, em toda sua vida, isso tinha acontecido. 
Bem, o que lhe chamava a ateno nas mulheres era 
exatamente sua beleza, mas no caso de Dana... era 
diferente. No sabia se era devido  situao, ou 
queles olhos azuis, que ele no teve muitas 
oportunidades de ver, mas Mulder j estava 
interessado, e muito, nela. E pensar que ela 
era um desafio para o seu charme....

Pare, Mulder. Do que o diretor contou, ela no 
precisa de nenhum arrogante para tentar tirar a 
inocncia dela. E sobre o cara que a atacou... 
ele receberia uma visita inesperada na priso.

Logo depois de pensar nisso, Mulder viu um brilho 
no bosque. E antes que pudesse pensar, um tiro 
ecoou na cabana.

Imediatamente os dois se abaixaram, e Skinner 
pegou a arma que tinha no coldre, e Mulder fez 
o mesmo. Eles foram cada um para uma janela, e 
tentaram se esconder dos tiros que comearam a 
ser dados contra a cabana. No eram muitos, e 
por isso, Mulder e Skinner no reagiram.

"Eles nos encontraram!" Skinner sussurrou. 

"Podem no ser eles. Vamos esperar um pouco. 
E se forem os soldados, talvez eles s estejam 
querendo saber se tem algum aqui dentro. Se no 
respondermos, eles podem ir embora e nos deixarem." 
Olhando para a cama, Mulder viu que Dana tinha comeado
a se mexer. 

Skinner olhou para Dana tambm, e ento olhou 
para Mulder dizendo que no acreditava que os soldados 
fossem embora, e ento, eles ouviram os sons de passos 
vindo para mais perto da cabana. Mulder olhou por uma 
fresta, e contou pelo menos quatro.  Acenando com a arma, 
e com a mo livre, eles mostrou para Skinner as posies 
dos soldados, e ento, eles atiraram. Skinner pegou dois. 
Mulder pegou um.

Ento o outro ainda devia estar l fora. Cobrindo a 
retaguarda de Skinner, Mulder ficou
olhando pela janela, procurando qualquer presena inimiga.

De repente, ele escutou um tiro. De perto. Muito perto. 
Assustado, ele deitou no
cho, e sentiu algo caindo de cima dele. Eram palhas 
do telhado. O tiro tinha
sido mirado l em cima. Mas como....

Olhando ao redor, ele viu Dana deitada sobre um dos 
soldados, que lutava contra ela. . Correndo pra l, 
ele voou pra cima do homem, e deixou que Skinner cuidasse de Dana.

Ele no precisou fazer muito esforo, pois estava 
com muita raiva. Com alguns socos bem dados, o 
soldado estava dominado, e ento Mulder se virou 
para Skinner.  "Ela est bem?"

Com a mo na testa dela, Skinner olhou pra baixo, 
e vendo os olhos fechados, ele carranqueou. "Ela 
ainda est com febre. Alis, a febre est muito 
alta. Acho que ela se assustou com o soldado em 
cima dela, instintivamente. Sorte a nossa."

Mulder se aproximou, e viu que Skinner estava com 
problemas para segura-la, com o brao ainda ferido. 
O p dela no estava agentado o peso do corpo, e 
Mulder pegou-a no colo, mas no se aproximou da cama, 
pois o corpo ainda estava ali perto. 

"Pode me soltar." ele ouviu a voz fraca falando, e 
surpreso, olhou pra baixo. E se deparou com aqueles 
olhos azuis, incrveis.

Skinner estava surpreso por no v-la se debatendo 
nos braos de Mulder. Na verdade, parecia que ela 
estava gostando e muito. Interessante....

Mulder ficou sem ao por um minuto, e fez como lhe 
foi dito, mas bem devagar. Ele no queria solt-la. 
O corpo dela era pequeno, mas com as curvas no lugar, 
e muito macio... cheiroso... ele queria voltar a abraa-la, 
mas sentiu quando ela tentou se soltar, e ele abriu os braos.

"Pai?" ela se virou pra Skinner, que sorriu, e Dana 
correu para ele. "Paizinho, voc est aqui..." ,  
ela falou, quase chorando de alivio, pois estava se 
lembrando das situaes de perigo pelas quais tinha 
passado.

"Shhh... est tudo bem. Eu estou aqui, e no vou 
deixar nada acontecer com voc." ele murmurou, 
acalmando-a, e quando ela se controlou, ele a virou 
para Mulder. "Este  Fox Mulder. Ele veio me ajudar 
a leva-la de volta pra casa."

Mancando, ela estendeu a mo, e fitando-o com firmeza, 
ela agradeceu. "Muito obrigada, sr. Mulder..."

"Ei, ainda no samos daqui. E por favor,  s Mulder." 
ele segurou-lhe a mo um pouco mais de tempo que o 
necessrio, e ela deixou. Skinner pigarreou, e eles 
soltaram as mos, um pouco envergonhados.

Dana voltou a falar. "Bem, voc falou uma verdade, 
sr. M.... Mulder. Ainda no samos daqui. Podemos ir agora?" 

Mulder quase riu  pergunta. Era bvio que ela no 
se agentava de p, e mesmo enquanto segurava apenas 
a mo dela, ele sentiu a febre. De jeito nenhum ela 
conseguiria andar at o transporte.

"Bem, srta. Dana, precisamos esperar at o amanhecer, e s ento..."

"No, no vamos esperar. Eu quero ir pra casa! 
Eu preciso sair daqui!" ela se virou para Skinner, 
que no deixava de olhar pra ela. "Pai?"

Skinner queria sair o mais rpido possvel dali, 
mas via que ela mal se agentava de p. "Dana, voc 
no est em condies de encarar uma viagem...."

"Por favor, no me diga o que devo fazer. E se eu no 
puder andar direito, com este meu p doendo, voc pode me 
ajudar, eu sei que voc pode..." a voz dela ainda estava 
fraca, mas Mulder podia ver a determinao em Dana.

"No posso te ajudar por muito tempo. Eu levei um tiro e..." 
ele parou quando ela ofegou e
correu pra ele.

"Onde? Como eu no notei isso? Papai, porque voc no me 
contou antes? Sente-se aqui, deixe-me dar uma olhada..." 

Ele riu e pegou as mos dela. "Dana, escute. Foi s de 
raspo.  por isso que devemos esperar mais um pouco. 
Talvez seu p melhore, e o meu brao tambm. Vamos esperar, 
e ento decidiremos."

Mulder ficou quieto, vendo a conversa entre pai e filha. 
Ele queria ela de volta em seus braos, mas agora, no havia 
nada que ele pudesse fazer. Sem dizer nada, ele foi para o 
soldado, que estava acordando. 

Forando o soldado a ficar de p, Mulder comeou a falar em 
alemo. No era um alemo fluente, mas deu para Skinner entender 
que o agente estava perguntando o motivo dos soldados estarem ali.


"O que vocs queriam?" Mulder perguntou em alemo, mas 
o soldado no respondeu. Tremendo o soldado, com fora, 
Mulder deu um soco nele, e viu, no canto do olho, Skinner 
virando Dana para no ver a cena. 

"O que vocs queriam?" ele perguntou de novo, e quando o 
soldado no respondeu, Mulder se preparou para dar outro 
soco, mas o soldado ergueu as mos. 

"No. No.  ela!  ela!" ele apontou para Dana, que, ao 
ouvi-lo se referindo a ela, se virou. "Ns viemos busca-la. 
O general quer ela de volta!" o pobre soldado falou. Ele 
era o mais fraco do regimento, e s participou desta busca 
porque queria cair nas graas do general. Os outros trs eram 
timos soldados, conseguindo achar a fugitiva rapidamente, 
mas eles no contavam com estes homens experientes, 
e acabaram morrendo por sua ignorncia.

Dana tambm entendeu. E quando ouviu o motivo, ela olhou 
para Skinner, que a apertou nos braos. 

Eles queriam ela de volta. 

Correo - Ele queria ela de volta. 

Quando Dana pensou naquele velho nojento, com cheiro de 
cigarro, perto dela, ela sentiu um arrepio passar pelo corpo. 
Ela preferia morrer a deixa-lo se aproximar dela de novo. Eles 
precisavam sair dali, e logo.

Mulder ficou lvido ao ouvir que o general queria ela de volta. 
Ele no era burro. Apesar de no ter escutado a mesma coisa que 
Skinner escutou, ele poderia muito bem imaginar para que o general 
queria Dana no castelo. Ele se lembrou dela na cama, vestida de 
branco, pronta para o sacrifcio, para que o general alemo....

Seu sangue ferveu, e ele tremeu o soldado, at que este bateu os 
dentes. Finalmente, ele 
fez outra pergunta. "S tem vocs?"

O soldado decidiu falar. No tinha nada a perder mesmo. E estes 
aqui no teriam chance contra uma tropa inteira.

"No. A tropa vir caso no voltemos com ela. Ordens do general."

Skinner franziu a sobrancelha. Do que tinha ouvido ao sair do 
castelo na fronteira, as coisas no estava to fceis assim, 
para o general dispor de uma tropa inteira para vir atrs de 
uma mulher. A no ser que...

"Vocs perderam". Ele sussurrou, e o soldado olhou pra ele, 
surpreso. Apertando Dana nos braos, que ainda no tinha falado 
nada, Skinner falou para Mulder. "Eles esto fugindo. Os franceses 
devem ter tomado conta de Freiburg, e os alemes no tem pra onde ir. 
 por isso que esto atrs dela - de ns." ao perceber a gravidade da 
situao, ele olhou para Dana. "Ns temos que tira-la daqui, agora."

Mulder acenou com a cabea, e deu um soco mais forte no soldado, 
que caiu ao cho, inconsciente. Vindo para Skinner, ele ainda 
insistiu, mesmo no querendo arriscar a segurana de Dana. 
"Voc tem certeza? A neve apertou, e ela ainda no est se sentindo bem e..."

"Com licena!" Dana retrucou. "Posso muito bem ir para 
onde  preciso. Estou bem para qualquer coisa" e seu 
discurso foi destrudo pela forte tosse, que a deixou 
com lagrimas nos olhos.

Os homens se olharam, e olharam para a janela. A neve 
estava muito mais forte, mas no havia jeito. Os soldados 
chegariam aqui e... 

"O que foi isso?" Mulder perguntou, escutando um som 
forte do lado de fora, no meio do vento.

De novo, o som apareceu, mas dessa vez, eles sentiram um leve tremor. 

Os homens se olharam mais uma vez. "Bombas!" eles falaram 
em unissono. As tropas deviam estar sendo perseguidas. Ao 
que parecia, eles tinham tirado ela a tempo do castelo, 
que a esta hora, devia estar em chamas, e ela, seqestrada.

"Vamos" Skinner falou, puxando Dana pela mo, enquanto Mulder seguia logo atrs.

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O pior no era a neve. Era o vento. Dana estava no 
meio dos dois, que agiam como uma barreira viva para 
que ela no pegasse o pior da nevasca. Mesmo assim, 
ela se sentia pssima, seu p doa, e ela estava suando 
frio. Batendo os dentes. To forte que Mulder ouviu, pois 
ele estava atrs dela. 

Ele se aproximou, e grudou ao seu lado. Abrindo a jaqueta 
de inverno, ele a abraou,
e fez ela o abraar. Dana no precisou de incentivo. Logo 
ela se sentiu mais quente. Mulder era um forno ambulante!

"No vai demorar!" Skinner gritou, apontando mais para a 
frente. Ele viu os dois juntos, e ficou quieto. Ele iria 
fazer isso, mas ao que parecia, Mulder tomou a iniciativa. 
Melhor ainda - ele precisava ficar na frente, para protege-la do vento.

O trio avanou o mais rpido que podia, sempre ouvindo, 
ao longe, a artilharia pesada. s vezes parecia estar perto 
demais, s vezes parecia parar, mas Skinner no se deixava 
enganar. Eles estavam ali, bem perto, e era preciso chegar 
ao carro.

Respirando fundo, ele foi adiante, sentindo o frio pela 
primeira vez. Isso no era um bom sinal. Nada bom mesmo.

Mas, finalmente, ele viu o carro parado no fim das rvores. 
Olhando pra trs, ele viu que Mulder tambm tinha visto o 
transporte. Dana tambm viu, e quase chorou de alivio. Mulder 
a apertou mais ainda contra si, e praticamente a carregou para l.

Descobrindo o carro, que estava escondido com sacos pretos, 
e debaixo de rvores, eles 
se ajeitaram, com Dana no banco de trs. Skinner pegou uma 
manta e colocou sobre ela, depois que Mulder a deitou. Os 
homens se sentaram no banco da frente, e ligaram o carro, 
que s pegou na quinta vez. Indo pelo caminho acidentado, 
com muito cuidado, Mulder conseguiu chegar  uma estradinha 
rural, e logo eles estavam  caminho da fronteira.

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"Isso no parece bom!" Mulder ouviu Skinner resmungar,
enquanto dirigia para a fronteira. Eles s tinham
uma maneira de sair, levando Dana com eles. Quando
entraram na cidade, separadamente, no houve problemas,
mas agora, no fim da guerra, com o ataque a Freiburg, 
os alemes no permitiriam que ningum sasse sem o
visto. Eles at que poderiam sair. Mas Dana no.

Falando em Dana... Mulder se virou para o banco de
trs, notando que ela estava quieta demais. Do
rpido olhar que conseguiu ter, ele percebeu
que ela estava alerta, quieta, e com medo.
Automaticamente ele se repreendeu por ter
dito o problema em voz alta. Doente como
estava, ela no tinha motivos para ficar
mais preocupada ainda.

Mas no adiantava esconder o sol com a peneira.
A fronteira estava lotada de soldados, dos dois lados,
tanto da Frana quanto da Alemanha. E de jeito
nenhum ele e Skinner conseguiriam passar com
uma mulher doente por ali. Eles precisavam de
uma distrao.

"O que voc sugere?" Skinner finalmente perguntou,
depois de analisar a situao. Ele tinha percebido
que no seria fcil atravessarem aquela ponte.

Mulder ficou de olhos abertos, alerta, como o 
timo agente que era, buscando as possibilidades em
sua mente. Todas tinham um nico objetivo: levar
Dana, s e salva, para a Amrica. E s havia uma
maneira: ele teria que bancar o heri.

Ele j estava acostumado com isso. No era como
se gostasse de faze-lo, pois Mulder gostava muito
de uma coisa: viver - inteiro, de preferncia, mas
do pouco que conheceu de Dana, ele daria tudo por ela.
At mesmo sua propria vida.

Determinado, ele se virou para seu atual chefe.
"S tem um jeito. Eu vou distra-los, e voc passa
com ela para a fronteira."

"No..." foi o murmrio de Dana, fraco, mas audvel.
Mulder se virou rapidamente, vendo os olhos azuis
fixos nele, preocupados. Ele se adiantou para
acalma-la. Colocando a mo na cabea dela,
ele notou que a febre no cedera. Eles precisavam
leva-la para um hospital.

"Calma, Dana..." ele falou com uma intimidade que
eles no tinham, mas Mulder achava j ter conquistado.
Em muito pouco tempo, ele havia decidido que queria
conhece-la, namora-la, e noiva-la. Assim. Puro e simples.
Paixo  primeira vista? At podia ser. Mas a verdade
era que ele queria conhece-la, no sentido mais profundo da
palavra. "Tudo vai ficar bem. Confie em mim." 

Os olhos azuis ainda estavam fixos, e ela estava to 
quieta, que Mulder pensou que ela tinha morrido de
olhos abertos. Por um momento apavorante, ele a 
tremeu, e ela gemeu, fechando os olhos brevemente,
s para abri-los, e olhar para Mulder novamente.
Depois de um segundo ou dois, ela murmurou, 
"Eu confio..."  e fechou os olhos.

Mulder sorriu a isso, mesmo estando preocupado por ela
ter desmaiado. Cheio de energia, ele se voltou
para Skinner, resolvido a salva-la. E encontrou
os olhos do chefe preocupados, tambm. "O que foi?"

"No v fazer nenhuma loucura, ok? Dana te quer
inteiro."  De onde isso saiu? Skinner se perguntou.
Durante toda a 'troca' de olhares dos jovens, ele
pde perceber que, mesmo depois de to pouco tempo,
esses dois estavam fadados a ficarem juntos. Desde
o comeo ele e Dana tinham se entendido de alguma
maneira, e Dana nem teve receio de ficar perto do
agente. 

E Skinner estava aprendendo a gostar de Mulder
tambm. Ele pensava que o agente era autoritario,
senhor de si e intransigente. Mas durante toda
a viagem, em todos os momentos, o agente o considerou
como um colega, um companheiro, mostrando que
era to bom em aplicar idias, quanto aceitar novas.
E a maneira com que ele lidou com Dana desde que a
encontrou agradou, e muito, a Skinner.

Mas o diretor estava preocupado. Como iriam passar
pela fronteira? Usando Mulder como isca? Ele nao
poderia permitir, mas sabia que esta era a nica
chance que Dana teria de chegar  Frana.

"Pode deixar. J fiz isso mais vezes do que posso
contar" era verdade. Pura e simples. Juntos,
eles fizeram os planos. 

Mulder iria pela lateral da fronteira, e usando as
armas que estavam no jipe, inclusive algumas granadas,
ele iria distrair a ateno dos soldados, que provavelmente
pensariam que esto sendo atacados dentro de seu proprio 
territorio. Enquanto isso, Skinner, que estaria com Dana
nos braos, a carregaria atravs da ponte, para 
a segurana da Frana.

"Como voc vai fazer para fugir depois?" Skinner
perguntou, mas Mulder no respondeu de maneira direta.
S fez uma piadinha, que Skinner j estava comeando a
se acostumar. Parecia que o agente fazia isso nas
horas mais imprprias. Talvez fosse para aliviar a 
tenso. Enquanto saa com o carro, deixando
Skinner com uma Dana desmaiada em seus braos,
Mulder falou.

"E te mostrar o meu pulo do gato? Nada disso...
deixa comigo. Preocupe-se em levar Dana s e
salva para a Frana, e cuide dela, seno voc
vai se ver comigo." a expresso de Mulder era
bem sria, e foi s por isso que Skinner no se
sentiu insultado com a ameaa.

E Mulder, para poder aliviar a tenso, mandou 
outra de suas piadas. "Alm disso, 
espero te ver na Amrica, sogro."

Quando Skinner abriu a boca para responder quem
era o 'sograo', Mulder saiu com o jipe. 
Desejando boa sorte ao agente, o diretor entrou
pelo bosque, carregando Dana, que ainda estava
desmaiada.

Ao chegar na ponte, Skinner ficou agachado, esperando
a hora do ataque. Na hora combinada, houve um 
mrmurio do outro lado da guarita, que estava lotada
com guardas alems. Por um momento, Skinner pensou
que eles tinham pego Mulder, e que nada disso daria certo.
Mas, de repente, as granadas comearam a estourar,
do outro lado, e toda a ateno foi voltada para
l.

Aproveitando a distrao, Skinner saiu correndo
pela entrada da ponte, com Dana nos ombros,
para poder correr mais rapido. Do outro lado
da fronteira, os soldados franceses estavam
apontando para eles, prontos para atirarem em
caso de ameaa. 

Skinner saiu gritando, "No atire, sou aliado!
No atire, sou aliado!" para poder entrar na
fronteira sem levar um tiro no rosto. Seria trgico,
se no fosse terrvel, morrerem aqui depois de tudo
que passaram. 

Mas os franceses no abaixaram as armas. Continuaram
apontando, e s ento Skinner notou que no era
para eles que as armas estavam apontadas, mas sim para
a outra fronteira. Quandos os tiros comearam a
chover, ele se jogou ao chao, tendo o cuidado de no
deixar Dana bater com cabea.

Olhando para a frente, ele notou que faltavam poucos
metros para eles chegarem, mas com essa saraivada
de balas, nao dava pra ficar de p. Ento,
baixando o olhar para a fronteira alem, ele ouviu
mais uma exploso, e um cessar fogo momentaneo.

Aproveitando a deixa, ele pegou Dana nos braos, 
e, juntos, eles atravessaram a fronteira.

Foi como se tudo parasse. Os tiros pararam, assim como
as explosoes, e mais nada foi escutado. Quando os
franceses vieram para eles, Skinner estava to cheio
de adrenalina que nem percebeu que estava sangrando no
brao, com o tiro que levou ao deixarem o castelo.
Parecia que isso havia acontecido h anos, mas foi apenas
h dois dias atrs. 

Quando um soldado francs veio ajuda-lo, Skinner deixou
que ele pegasse Dana, e ento, sentiu uma abenoada 
escurido descer sobre ele.

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TITULO: FREIBURG
PARTE 4a
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Uma semana depois de chegar na Amrica, 
Mulder no se encontrou mais com Skinner, 
nem com Dana. Ele soube, por outras fontes, 
que Dana chegou muito doente e com o p um 
pouco inchado. Como Skinner no abriria mo 
dela ser tratada em terras americanas, portanto, 
eles tiveram que esperar at chegarem nos EUA. 
E s trs dias depois ela
foi liberada para voltar pra casa, sem grandes 
conseqncias.

Ele no foi visit-la, mas mantinha vigilncia 
de quem ia: Skinner, que estava com o brao enfaixado, 
a me dela,  e outros homens que 
Mulder no conhecia, e no gostou. Mas estes 
nem passaram pela porta do quarto, pois Skinner no deixava.

Ela estava em casa. E no dava mais para adiar 
a visita. At mesmo Skinner estava procurando 
por ele, mas suas mensagens nunca eram respondidas. 
S depois da ltima  que Mulder decidiu se aventurar. 
O homem parecia bem ansioso.

Agora, de frente  casa deles, Mulder no tinha 
tanta certeza de que estava fazendo a coisa certa. 
Ao ser atendido pelo mordomo, ele esperou na sala, 
flores na mo, enquanto a dona da casa ia ser chamada. 
Qual foi sua surpresa ao ver que era Dana quem o estava recebendo!

"Sr. Mulder..." ela falou, um lindo sorriso que 
quase o cegou. Ela estava linda, maravilhosa. 
O vestido claro realava o ruivo dos cabelos 
cacheados, e os olhos azuis estavam naturalmente 
realados. Doa olhar pra ela, mas era uma dor muito boa.

Com um sorriso que ameaava rachar-lhe o rosto, 
Mulder ficou de p, e fazendo um gesto,
ofereceu as flores. "Por favor,  s Mulder." 
ele falou, todo carinhoso, e s ento notou a 
bengala que estava na mo dela, e finalmente, 
depois de tirar os olhos do rosto perfeito, 
ele notou que o p dela estava enfaixado. 
Ele correu para ajuda-la. "Voc est bem?"

Ela riu. "Mas claro que sim. Estou tima. 
Estou em casa, e em tima companhia" ele 
ficou maravilhado ao v-la corar, como se 
arrependida por dizer aquilo em voz alta. 
Satisfeito, e bem animado, ele a ajudou a 
ir para o sof, e ficou contente ao  ver o 
prazer que Dana mostrou ao pegar no buqu. 
"As flores no so lindas. Obrigada." 

At mesmo a voz dela era perfeita. "Mas no lhe fazem justia."

Dana olhou para ele, sorrindo. "Voc  um cavalheiro, 
sr. Mulder." a insistncia dela em cham-lo de senhor 
o estava deixando sem jeito. Por acaso ele era to velho assim?
"Aceita tomar um ch?" Quando ele acenou, ela 
tocou um sino, e logo uma copeira veio para atende-los. 

Mulder estava impressionado com o luxo. Parecia 
que o salrio de um diretor era muito bom. Ele 
mesmo no tinha do que reclamar. Depois do ultimo 
caso em que participou, sua prpria conta bancria 
tinha engordado ainda mais, e ele j pensava em se 
aposentar em algum cantinho. S faltava achar a pessoa certa.

Mas parecia que ele a encontrou. S faltava 
faze-la ver isso. Ele estava disposto a impressiona-la 
com todo seu charme. Ele tinha a inteno de conquista-la, 
tanto quanto ela fez com ele, mesmo que sem inteno. 
Quando Fox Mulder colocava algo na cabea, ele no desistia.

Durante toda a semana ele no parou de pensar nela, 
em como seria conversar com uma mulher diferente das 
outras. Mulder ainda tinha certa reticncia sobre 
mulheres que trabalhavam, mas ele queria saber tudo 
sobre ela. E no se arrependeu. 

Eles conversaram sobre o que aconteceu na viagem 
de volta, que foi mais fcil do que esperavam. 
Ela falou sobre seus estudos, e ele, infelizmente, 
no podia contar-lhe sobre as coisas que fazia, 
pois era confidencial. Ela no parecia se importar com isso. 

Mulder estava encantado. Ela era inteligente e linda. 
Seria sua esposa perfeita.

Esposa? De onde isso saiu?

Antes que pudesse colocar os pensamentos em ordem, 
o mordomo interrompeu o encontro.  "Srta. Dana? 
Seu pai e sua me acabaram de chegar."

"Mas j?" Ela olhou para o relgio delicado que 
estava em seu pulso. "Meu Deus, j so mais de 
seis horas! Como o tempo passou rpido!" Ela comeou 
a se levantar, e Mulder estava a seu lado para ajuda-la. 
"Obrigada." ela falou, despedindo-o, e ele ficou ao seu lado, 
andando, junto com ela, para a entrada da casa.

A porta se abriu, e logo uma mulher mais velha, com os 
cabelos castanhos, veio cumprimenta-la. "Dana, minha 
filha! O que voc est fazendo de p? Voc devia estar
descansando." elas se abraaram, e Mulder riu ao ver 
Dana rolando os olhos.

"Me, se eu ficar mais tempo deitada, eu vou fundir 
com o colcho." ela brincou, e Mulder riu. Alm de tudo, 
tinha senso de humor. "Onde est o papai?" ela perguntou, 
e Maggie olhou para ela com olhar reprovador. "O que foi?" 
Dana perguntou.

"No vai me apresentar ao cavalheiro?" ela ofereceu a 
mo para Mulder, que prontamente a pegou. "Maggie Skinner, 
prazer em conhece-lo, sr..."

"Mulder, madame. Fox Mulder." ele beijou a mo delicada, 
curvando-se, todo gentil e educado. 

"Mulder? Ento  voc..."  ela foi cortada por Dana, 
que falou, rpida.

"Sim, me, foi ele quem ajudou papai a me tirar de 
onde eu estava." ela omitiu o lugar, 
Mulder notou, e da parte dele, ele no iria dar os detalhes.

"O sr. Mulder fica para o jantar, no , Dana?" 
a pergunta foi feita para Dana, mas Maggie olhava 
para Mulder, que imediatamente aceitou.

"Mas  claro. Mas s se no for incmodo." Noosssa. 
H quanto tempo Mulder no tentava impressionar os pais 
de uma garota? Fazia dcadas, pelo visto.

"Onde est papai?" Dana perguntou, e Maggie respondeu, 
meio estranha. 

"Ele est entrando. Vamos para a sala de jantar. 
Vou verificar como esto as coisas na cozinha, 
e j me uno a vocs."

Dana concordou, e com a ajuda solicita de Mulder, 
eles foram para a sala de jantar.
"Que alguma coisa para beber, sr. Mulder?" ela perguntou, 
fazendo um gesto para ir ao bar.

"Pode deixar que eu me sirvo, se no for abuso demais" 
Mulder estava escoando charme, certo de que ela 
no resistiria. Mas sua insistncia para chama-lo 
de sr. Mulder o estava deixando nervoso.

Ela somente gesticulou para ele se servir, e ele 
s o fez depois de senta-la  mesa. Ele perguntou 
o que ela queria, e Dana no quis nada.  Ela somente 
olhava para ele, com um sorriso. 

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Dana no tirava Mulder da cabea. Apesar de ter um 
certo receio dos homens depois de duas experincias 
mal-sucedida com um deles, mas durante o seu resgate, 
ela conheceu um pouco de Fox Mulder, e gostou do pouco que descobriu. 

Depois de chegar na Amrica, ela conversou com seu pai, 
que proveu alguns detalhes de quem era o agente Fox Mulder. 
E quanto mais ouvia, mais ficava interessada. 

E agora, c estava ele, visitando-a, todo galante. 
Ela no podia acreditar que ele estava fazendo a corte 
para ela! Claro que ele no disse isso diretamente, 
mas tudo era bvio demais. E, alm disso, seu pai disse 
que notou um certo 'interesse' da parte do jovem, depois 
de ver o 'interesse' da filha no agente. E mesmo relutante, 
atendeu o pedido
de Dana para entrar em contato com ele.

Quem sabe eles no poderiam se entender?

Mas primeiro, ela devia tentar uma coisa que estava 
com vontade de fazer desde que eles se separaram na 
fronteira. Depois disso, eles se separaram, e ela 
nunca mais conseguiu falar com o agente Mulder.

Quando ele colocou a bebida na mesa, e se sentou ao 
seu lado, ela tomou a iniciativa, o que era bem raro, 
e colocou a mo sobre a dele. Mulder viu o gesto, colocou 
a outra mo dele sobre a dela, e sorriu. Isso quase fez 
Dana cair para trs, ao ver tanta beleza num homem.

Ser que ele tinha noo do charme que possua? 
Claro que sim. Homens sempre sabiam e se aproveitavam disso...

Dana! Pare de pensar assim! Talvez ele no seja como os outros!

Tomando coragem, ela sorriu de volta, e eles 
ficaram se olhando, at que ouviram um 'aham' vindo da porta. 

Soltando as mos, envergonhados, eles deram de 
cara com Skinner, e Dana abaixou o olhar, corando. 
Mulder ficou de p, e estendeu a mo. "Boa noite, diretor. 
 um prazer rev-lo"

Skinner demorou, mas retornou o aperto de mo. 
"Tenho certeza que sim" ele murmurou, muito srio. 
"Dana?"

"Oi, pai" ela falou, tmida por ser pega numa posio 
como esta, e Skinner foi at ela. Dando-lhe um beijo, 
ele se sentou na cabeceira da mesa, e gesticulou para Mulder 
sentar tambm. Ningum tomou a iniciativa para falar. 
Quando Maggie chegou, segundos depois, Mulder suspirou 
aliviado. Os olhares que Skinner estava lhe enviando 
eram de meter medo!

O jantar transcorreu sem problemas, e quando estavam 
na sobremesa, o telefone tocou. Era para Skinner, que 
foi atender na sala de estudos, s para voltar, 
momentos depois, com a expresso bem preocupada.

Maggie se levantou. "O que foi, querido?" Dana no 
se levantou, mas viu o rosto preocupado do pai. 

Quanto a Mulder, ele no queria sair, mas sabia 
que no seria educado ficar. Se fosse assunto de 
famlia, ele no deveria se intrometer. "Foi uma 
noite maravilhosa, senhoras, diretor" ele falou, 
se despedindo de repente. O olhar de consternao 
de Dana foi uma surpresa bem vinda para ele. 

"Voc vai voltar?" ela perguntou.

"Se me convidarem" ele sorriu, e beijou-lhe a mo, 
esperanoso. 

Ela sorriu de volta. "Est convidado." 

Mulder se endireitou, e quando foi na direo de 
Maggie para se despedir de maneira conveniente,
ele foi interrompido por Skinner.

"Por favor, fique, agente Mulder. Este  um assunto 
particular, mas eu posso aproveitar sua experincia 
como agente para saber como melhor proceder. Minha
vontade  de acabar logo com tudo, mas sei que devo
me conter. Por enquanto."

Mulder ficou imediatamente alerta. O que poderia estar acontecendo?

Skinner olhou para Dana, sua expresso mortal, 
e o rosto da jovem ficou ainda mais plido do que o natural. 
"O que foi, pai?"

"Eu recebi um telefonema do FBI. Deixei uma 
contra-ordem para que se algo acontecesse numa 
determinada unidade penitenciaria, eu deveria 
ser avisado imediatamente."

Ao ouvir as palavras 'unidade penitenciaria', 
a pouca cor que havia no rosto de Dana sumiu. 
Mulder foi imediatamente para o lado dela. 
"O que isso significa?"

"Significa..." Skinner parou, e olhou para 
Maggie, antes de olhar de novo para Dana, e 
entao para Mulder. "Que Scott Rhys fugiu da priso."

"Quem?" Mulder perguntou, confuso. Ele j tinha 
ouvido falar nesse nome, mas de onde...

Ento, um clique foi ouvido em sua mente. Ele j 
tinha ouvido este nome sim, de sua recente pesquisa 
sobre o homem que atacou Dana Scully, e da promessa 
que ele mesmo fez de visitar o homem na priso. 

E agora, este homem estava solto. E era quase certo 
que viria atrs dela. Para acabar com o que comeou.

Mas ele teria que enfrentar Mulder primeiro. E o agente 
estaria esperando o detento com o maior prazer.

Imerso em seus pensamentos, Mulder no notou o que 
estava se passando ao
seu redor. Ao notar o movimento de Skinner, ele olhou 
para as damas presentes.
As duas estavam nervosas. Skinner no sabia o que fazer 
- acalmava sua esposa,
ou sua filha?

Mas Mulder no teve dvidas: ele foi direto para Dana, 
e a abraou, mesmo
no tendo tanta intimidade assim com ela  - mas querendo 
imensamente.

"Dana?" ele murmurou, sentindo-a tremer. Olhando para Skinner, ele
percebeu o olhar de dor na expresso do diretor. Ao que parecia, a
situao era mais grave do que se pensava. 

Aos gritos, Skinner saiu da sala de jantar, chamando o mordomo,
que prontamente atendeu seu pedido a respeito de pegar alguma
coisa no armrio. Mulder estava to focalizado em Dana que 
nada mais lhe importava.

Ela no lhe respondia. Parecia estar em estado de choque. 
Fechando os olhos, e respirando fundo, Mulder jurou arrancar
a pele do homem que a atacou, e deixou-a neste estado de nervos...

Mesmo tendo se passado muito tempo, a lembrana era pavorosa.
E se tal lembrana ainda a deixava assim, ele podia bem imaginar
o que tinha acontecido, e no que ela passou.

"Agente Mulder?" a resposta veio de Skinner que segurava
Margaret ao seu lado. Mulder virou a cabea, firme, no
querendo soltar Dana, que ainda tremia. "Agente Mulder, deixe
que eu cuido dela." a voz estava muito triste, como se
sofrendo junto com a filha. 

O diretor tentou solta-la dos braos de Mulder, mas Dana 
agarrava firme. Mulder tinha certeza de que teria marcas
nos braos, pois podia sentir o aperto forte das mos
pequenas, assim como as unhas, que no eram compridas,
mas ainda assim o arranhavam.

Skinner puxou com mais fora, e Mulder, mesmo relutante,
tentou se soltar, no querendo contrariar o pai dela. Mas
Dana no o soltou. Choramingando, ela enfiou o rosto
contra o peito forte de Mulder, que no resistiu e a abraou
de volta. S ento Skinner desistiu.

Margaret tinha se recomposto. O choque inicial ao ouvir
a noticia passou, e logo a preocupao pela filha
tomou conta dela. Percebendo a situao, e intimamente
se regozijando ao ver que Dana estava se apoiando
num homem diferente de Skinner e do irmo, ela
tomou uma deciso.

"Deixe ele leva-la para o quarto, Walter. Assim
ela fica mais calma." Margaret falou, acalmando
seu marido, que estava pronto para tentar
acalmar Dana. 

Apesar de no conhecer este homem, Margaret
no era boba: este 'agente Mulder' no estaria
dentro desta casa, segurando Dana, se Walter
no acreditasse que o agente era, no mnimo,
aceitvel. E movida por este pensamento, 
ela acenou para o agente carregar sua filha,
diante de um Skinner de olhos arregalados.

Mulder no perdeu tempo. Erguendo o corpo
pequeno nos braos, mais uma vez ele se
maravilhou o quanto ela era leve: e imediatamente
se recordou da fuga que tiveram h to pouco
tempo, naquela floresta, sendo perseguidos...

E agora ela estava passando por outro trauma. 
Mas se dependesse dele, este criminoso no
chegaria perto de Dana.

Ele o mataria antes.

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Dana sentiu os braos fortes de Mulder ao seu redor. 
Sentiu quando ele a ergueu, e a carregou pra fora da sala.
Apesar de no conseguir parar de tremer, no pde deixar
de notar o cheiro msculo e os msculos que a seguravam.

H muito tempo ela no se permitia este tipo de coisa.
Depois que sofreu as tentativas fracassadas que Scott 
executou sobre ela, Dana no confiava mais nos homens.
Mas desde que viu o agente Mulder ajudando seu pai a 
tira-la da Alemanha, ela sonhava com ele em todos
os momentos.

No importava que no se conheciam direito - ora,
nem fazia uma semana que se encontraram, e ambos
no tiveram o que se pode chamar de 'relacionamento'
antes de ficarem mais ntimos, trocando beijos e
abraos, mas mesmo com amnsia na ocasio, ela
se lembrava do beijo maravilhoso que ele lhe deu
enquanto ela estava naquele quarto do castelo, antes
de ser resgatada por eles.

Depois da franca e agradvel conversa que tiveram 
naquela tarde, ela ficou ainda mais interessante no
maravilhoso homem diante de si. Ele exalava fora
e confiana, e segurana - algo que h muito tempo
ela no sentia. Apesar das afirmaes de seu pai sobre
Scott estar preso, ela temia que houvessem outros, ou
o prprio Scott, para terminar o que tinha comeado
com ela, como ele bem tentou antes.

Mesmo depois de tantos anos, ela ainda no se esqueceu
daquela noite quase fatdica. Para ser mais honesta, da
segunda noite fatdica. Na verdade, pensamentos
de suicdio se passaram em sua mente, inclusive uma
tentativa em que seu pai chegou na hora. Ela no agentava
mais viver daquela maneira.

Depois de uma longa e carinhosa conversa com seus pais,
e com o apoio deles, ela conseguiu dar a volta por cima, estudando,
se tornando uma cientista, apesar de todos os pesares. Atualmente,
ela se ofereceu para servir seu pas, achando que, mesmo com
a guerra, ela no correria nenhum risco.

No nenhum, na verdade. Haveriam riscos, mas ela no achou
que fossem tantos. E no final, ela teve que ser resgatada.

Mas se no fosse por tudo isso, ela nunca teria conhecido
o agente Fox Mulder.

E agora, em seus braos, ela comeou a se sentir mais
segura. Geralmente era seu pai quem a segurava, sendo
a nica figura masculina, alm de seu irmo, que
ela permitia um contato mais intimo, mesmo sendo um
abrao e um carinho. E ela precisava muito deste tipo
de contato. 

O agente Mulder podia ser grande, forte, corajoso, viril,
mas ele era muito gentil com ela, como se ela fosse de
porcelana. Mesmo no gostando muito de ser comparada
a uma flor, sendo frgil, ela, como toda mulher, gostava
de gentilezas, e de romance, e o agente Mulder era
um candidato perfeito para este tipo de expresses.

Ele era seu prncipe encantado.

Enfiando o rosto contra o pescoo dele, ela cheirou 
fundo, e se aconchegou mais, ficando contente
quando sentiu os braos se apertarem ao redor
dela. Ela nunca mais queria sair dali.

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Mulder sentiu um frio na espinha, e em outros lugares,
ao sentir a respirao de Scully em seu pescoo.
Apertando-a com mais fora nos braos, ele andou mais
devagar, indo atrs de Margaret na direo do quarto de
Dana. Skinner ia ao seu lado, como se temesse que
ele pudesse deixa-la cair no cho.

Como ele poderia deixa-la cair?

Sussurrando palavras de conforto, ele a carregou
pela casa, para o andar de cima, e seguindo Margaret,
eles entraram num corredor longo. A me de Dana 
abriu uma das portas duplas, e Mulder entrou no
quarto de Dana. 

O cmodo era o retrato perfeito de Dana. Simples, 
decorado com muito bom gosto, com tons claros
e bem amplo. Ele no deixou de notar que as portas
estavam fechadas a ferro pelo lado de dentro, e
olhando rapidamente para trs, ele notou que as
pesadas portas de carvalho tinham fechaduras
duplas. 

Indo para a cama, Mulder esperou at Margaret
tirar o edredom, abrindo espao para ele
deposita-la ali. Mas Dana no o soltou. 

Margaret nem tentou retirar o agente do lado da filha.
Walter era o nico a quem Dana ouvia. Ela e a filha
se davam bem, mas desde pequena Dana adorava 
seu novo pai - alis, o nico pai que conheceu
durante toda sua vida.  E o sentimento era mtuo.

Olhando para Walter, ela viu seu marido apertar os
punhos, vendo o sofrimento de Dana. O mordomo
chegou com uma bandeja, mostrando preocupao
no semblante. 

Mulder tentava colocar Dana de maneira confortvel na
cama, mas ela no o soltava. Sentindo a mo de Skinner
em seu ombro, ele olhou para o diretor.

"Ela tem que tomar este remdio. Faa ela tomar."
Skinner falou, e Mulder comeou a falar com ela,
de uma maneira carinhosa. 

"Dana? Dana, voc tem que tomar este remdio aqui..."
ele se soltou um pouco dela, que ainda o agarrava, olhos
fechados, e suor na testa. Era evidente o esforo que
fazia para no perder o controle. Mulder podia ver uma
veia batendo forte do lado esquerdo da testa dela.

Colocando a mo no pulso dela, com muito cuidado,
para poder se soltar, ele sentiu o pulso dela, rpido.
Notou a respirao rasa, e ficou ainda mais preocupado. 
Com a ajuda de Margaret, ele conseguiu com que Dana
tomasse o remdio, que fez efeito rapidamente, e
a jovem ficou mais calma, praticamente dopada.

Ainda inseguro do que fazer, Mulder ficou ao lado
dela, segurando-a. Mas, depois de olhar para o diretor,
e para Margaret, ele a soltou, deitando-a na cama, 
e saiu do quarto. Skinner foi junto, no sem antes 
beijar sua filha, e sua esposa, fechando a porta
de madeira.

Mulder esperou o diretor passar, e seguiu-o para 
a biblioteca. O silencio no foi quebrado em
nenhum momento, os dois homens tensos com
os acontecimentos - um dia que parecia to tranqilo,
e que de repente se transformou num pesadelo -
principalmente para Dana.

Assim que entraram na biblioteca, Skinner esperou
Mulder entrar, e fechou as portas. O agente
aguardou, ansioso, que o diretor falasse
alguma coisa. Alguns minutos se passaram, e
s ento Skinner saiu da janela, onde estava
fitando para fora, e virou diretamente para o
agente.

"Voc se importa tanto assim com ela?"

A pergunta parecia meio descabida, mas Mulder no perdeu um
momento antes de responder.

"Desde o momento em que a vi."

O bufo que Skinner deu, acompanhado de um tremor de cabea,
deixou Mulder intrigado. Muito mais do que com a pergunta.
Mas ele sabia que deveria esperar o diretor continuar a falar.

"Por acaso foi amor  primeira vista?"

A pergunta parecia brincadeira, mas se lembrando do momento
gravado em sua memria, onde ele a viu deitada, indefesa, 
totalmente feminina, com aqueles lindos olhos azuis, Mulder
podia dizer, com toda certeza, que ele se apaixonou por
ela assim que a viu. Ele nunca mais se esqueceria
do primeiro momento em que a viu.

Ento, sem perder tempo, e com tanta firmeza que pde reunir,
ele respondeu. 

"Sim. Foi."

Outro bufo. Outro tremor de cabea. "No sei por que estou surpreso
por isso."

Mulder no respondeu, pois notou que o diretor estava falando
com ele mesmo.

"Eu tambm me apaixonei  primeira vista, agente 
Mulder. Desde o momento em que vi
Margaret, junto com Dana no colo, tinha certeza 
que queria te-la ao meu lado para sempre. Posso 
entender bem o seu sentimento." Skinner saiu da 
janela, e virou-se para
o agente. "O que voc veio fazer aqui hoje, sem aviso?"

Pigarreando, Mulder foi bem sincero na resposta. "Corteja-la." outro 
momento de silncio. A conversa estava muito tensa. Mulder percebeu 
que aquele momento era crucial para seu futuro com Dana. Mas ele
demonstrou brios, e um tanto de loucura, com a prxima declarao.
"Farei isso com ou sem a sua permisso."

Skinner riu da audcia do jovem diante de si. "Voc est bem
seguro de si, no ?"

Mulder riu de lado. "Se no fosse, no estaria onde estou."

Skinner olhou pra ele fixamente, e ento acenou com a cabea. 

"Voc pode agir como quiser para garantir seu posto ou trabalho, 
ou at mesmo com outras mulheres, mas se por um acaso 
voc desaponta-la, ou machuca-la, voc  um homem morto, agente. Fui bem claro?"

"No precisa se preocupar com isso. Se eu machuca-la, eu mesmo 
me mato." a voz sria de Mulder no admitia rplicas, e Skinner 
olhou fundo nos olhos do agente, vendo a resoluo ali. E soube 
naquele exato momento que Dana ficaria bem com este homem.

Silencio entre os homens. Skinner pegou uma bebida. "Est servido?"

Mulder ergueu a mo, e negou com a cabea. Era bem bvio
para ele que o diretor estava tentando se acalmar, se recompor
antes de falar. Ele aguardou, de p, muito nervoso para se
sentar.

"Voc no est curioso para saber o motivo do ataque
de pnico de Dana?"

Oh, sim, como estava. Depois de tanto tempo, como ela
poderia ser atingida desta forma? Ele acenou com a cabea, 
e Skinner preparou um drinque forte. Outro.

"Tome, voc vai precisar."

E sem prembulos, Skinner contou sobre o ataque que ela
sofreu enquanto ele e Margaret tinham ido para uma festa,
e ela ficou sozinha em casa.

Mulder se lembrou de quando Skinner contou esta
histria. Sobre eles terem esquecido os convites, e
dele voltar pra casa, s para encontrar Dana sendo
atacada, e de pegar o jovem que a atacou.

Nada era novidade at a.

S que Skinner foi alm. Ele contou que o mesmo
jovem, que ainda no estava preso, devido ao poder
poltico de seu pai, voltou querendo vingana, depois
da surra e humilhao que sofreu de Skinner.

E para se vingar do diretor, o jovem, que ainda no
estava preso, voltou, e atacou Dana novamente, quatro
anos depois, quando todos pensavam que ele tinha
se acalmado e tomado juzo. Lobo em pele de cordeiro.

E este ataque foi mais intenso que o primeiro. Mulder
estava quase quebrando o copo com a mo ao ouvir
Skinner dizer o que o homem tinha feito com Dana.
Era quase pior que o ato em si.

Skinner e Margaret estavam fora da cidade, num
encontro poltico, que duraria um dia inteiro,
com um piquenique ao ar livre, e uma reunio
durante a tarde, onde os maridos falariam sobre
os novos rumos da poltica e departamento de justia
nos EUA e as mulheres, falariam sobre outras coisas.
Eles deixaram Dana pra trs, que tinha provas para fazer. 

Sendo uma das poucas mulheres que estudavam em sua faculdade,
Dana no podia se dar ao luxo de perder provas, ou
as mdias altas que estava lutando para conquistar.
Por isso ficou em casa, sob os cuidados do mordomo.

Scott voltou naquele dia, e depois de bater e prender o
mordomo, ele sujeitou Dana a fazer coisas hediondas.
Quando Skinner ligou pra casa, no meio da tarde, e
o telefone no foi atendido, ele suspeitou de algo,
e praticamente voou do encontro, deixando tudo
pra trs. Seu sexto sentido - que o ajudou em vrias
ocasies - lhe dizia para voltar pra casa.

E quando chegou, ficou horrorizado ao que viu.
Dizer que ele quase matou Scott no foi nada. O homem
merecia morrer - ele s no morreu porque Skinner
ficou mais preocupado em socorrer Dana, do que
matar o desgraado, e desde ento o verme estava
preso, e nem seu pai pde dar um jeito em sua situao.

Haviam muitas provas fsicas.

"Eu quase no cheguei na hora. Eu sa da festa, rpido, pois
estava com um sexto sentido que me dizia que Dana estava
com problemas. Quando falei com Margaret, avisei-a para
aguardar um telefonema meu. No a levei de volta
comigo pois iria correr muito rpido, e Margaret no
gosta quando eu corro com o carro."

"Quando sa da festa, levei dois policiais comigo. No queria
correr o risco de ser parado no meio do caminho. Mas ao meu
pedido, eles no ligaram as sirenes das motos. Chegamos rpido,
mas em silencio. Quando entramos, pegamos Scott
em flagrante."

Skinner fechou os olhos, no querendo relembrar a cena,
mas precisando conta-la para desabafar, e conseguir 
o apoio do agente Mulder a respeito disso. Mas
ao abrir os olhos, e olhar para o agente, Skinner notou que
no precisava se preocupar. O agente tinha uma expresso
assassina nos olhos.

Bom.

"Quando cheguei, sa quebrando tudo. E quase o matei
de novo. Mas desta vez ele no tinha como escapar.
Haviam testemunhas. E como eu disse antes, haviam provas
fsicas."

Mulder fechou os olhos ao ouvir isso. A fria que sentia
era imensa. Ao olhar para o diretor, ele viu, espelhado,
as mesmas coisas que sentia. Ambos pararam, e
respiraram fundo. Precisavam se controlar
para tentar achar uma maneira de encontrar este
Scott antes que ele aparecesse e se encontrasse com
Dana.

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TITULO: FREIBURG
PARTE 4b
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Depois da conversa com Skinner, Mulder s tinha um
objetivo em mente: encontrar e trucidar o homem que
afligiu tal dor em sua Dana.

Sua Dana... engraado como ele j a via como sendo parte
dele. Isso nunca aconteceu antes em toda sua vida. Nunca
algum tomou conta de seus sentidos como ela.

Mas agora, ele precisava ajuda-la a se livrar do mal
que a seguia, para s ento eles poderem se entender
tranqilamente, sem aborrecimentos.
Para isso, precisava tomar algumas 
providencias. 

"O que voc pretende fazer?" a pergunta foi feita num
tom cordial, no que Mulder estivesse interessado no
que o diretor quisesse fazer - ele j tinha um plano
em mente.

Skinner percebeu logo que a pergunta era retrica. 
Conhecedor do trabalho do agente, ele no se surpreenderia
se at a outra semana o fugitivo estivesse preso de
novo, ou morto. E se a expresso do agente fosse qualquer
indicao, seria melhor para Scott Rhys sumir e nunca
mais aparecer.

Pigarreando, Skinner apresentou suas idias. "Bem, antes
de tudo, aumentar a segurana daqui. No quero Dana 
sozinha nem por um momento."

Mulder acenou com a cabea. Ela no ficaria sozinha, se
dependesse dele.

"Enquanto isso, vou colocar um mandado de busca contra
este fugitivo, no estadual, mas um federal." A idia era
correta, e em tempos de guerra, a ajuda do governo era
mais importante do que a do estado. "E depois que pegarmos
o sujeito, vamos coloca-lo atrs das grades, de novo."

Mulder concordou tambm. Depois de um silencio, ele
perguntou. "S isso?"

Skinner riu, sem humor. "O que voc espera que eu faa?
Torture ele? Garanto, agente, que  isso que quero fazer,
mas de acordo com a lei, estou de mos atadas. Da ultima
vez eu quase o matei, e s escapei pois haviam testemunhas
que confirmaram o ataque dele em Dana, caso contrrio, eu
no teria passado da acusao de legitima defesa da honra.
E posso garantir que nada me daria mais prazer do que
esganar o pescoo do desgraado."

O agente concordou. O diretor podia  ter as mos atadas,
mas ele no deixaria que lei nenhuma o impedisse de 
colocar as mos no bandido.

"Me prometa isso, Mulder. Voc no vai fazer nada caso
a policia o pegue." 

Mulder entendeu a troca. Ele podia fazer o que quisesse
com o homem, antes da policia. Fora isso, nada feito.
"Tudo bem, diretor. Deixe comigo. Mas antes..." ele
ficou de p, olhando pra porta. "Como ser que est
Dana?"

Colocando a bebida sobre a mesa, Skinner enfiou as mos
nos bolsos. "Ela j passou por muita coisa hoje, agente.
Volte amanh para conversar com ela."

"Tem certeza de que no precisa..." ele estava pronto para
fazer por ela o que fosse preciso.

"No. Mas obrigado mesmo assim."

Com isso, Skinner o levou at a porta.

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Mulder no saiu. Ele chegou ao porto, e ainda incomodado
com tantas revelaes, ele deixou o carro um pouco
afastado da residncia, e voltou a p, no meio do gramado.
Ficando  espreita, ele notou as luzes do quarto onde achava
que Dana estava. O que ser que estava acontecendo?

Completamente sem sono, ele ficou ali por algumas horas,
sempre atento das luzes na janela. Parecia que a me
de Dana estava fazendo uma viglia. Ah! Finalmente, a
luz se apagou.

Indo completamente contra a razo, Mulder subiu pela
lateral da casa, indo at a janela do segundo andar. Foi
quando se lembrou das trancas internas. Ele nunca conseguiria
entrar por ali!

Desanimado, ia descer pelo mesmo caminho, quando teve uma
idia, e testou a janela do lado. No foi difcil abri-la.
Mais um detalhe para falar com Skinner pela manh - a casa
no estava segura.

Entrando no quarto de hospedes, ele foi pelo corredor,
e chegou  porta de Dana. Pegando seu canivete, ele conseguiu,
sem esforo, abrir a porta, e com muito cuidado, entrou.

Fechando a porta por dentro, ele se aproximou da cama, 
onde mais uma vez ficou cativado pela viso de Dana
dormindo. E mais uma vez  base de remdios. Triste pelo
fato, ele ficou apenas olhando, de p, o anjo que estava
na terra dos sonhos.

Mas logo ele percebeu que os sonhos no pareciam to
agradveis assim. Chegando mais perto, Mulder notou suor
no rosto suave, e o cabelo estava meio mido ao redor da
testa. Quando ela comeou a ficar mais agitada, ele colocou
a mo, fresca, sobre o rosto, sussurrando. 

"Shhh.... sou eu. Sou eu... e no vou deixar nada 
de ruim acontecer com voc".

Ela se acalmou. Se foi por causa do toque, ou das palavras, 
ele no sabia, mas, deitando ao lado dela, sobre as 
cobertas, ele manteve a mo ali, colocando a cabea 
sobre o peito dela, escutando sua respirao se acalmar. 
E s ento, ele conseguiu descansar.

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Skinner acordou, um pouco confuso, mas logo se deu conta
de onde estava. Acordando Maggie, ele ficou de p,
dizendo que ia checar Dana. Qual no foi sua surpresa ao
chegar no quarto dela, e encontrar o agente Mulder l dentro,
de arma na mo, perto da janela. 

"O que significa isso, agente Mulder?" Skinner
foi para o lado da cama da filha, notando que ela estava
completamente debaixo das cobertas. Ainda bem.

Agindo como se no achasse nada estranho ser encontrado
ali com Dana dormindo, Mulder respondeu. "Tomando
conta dela. Sua casa no  bem protegida. Voc deve
cuidar disso ainda hoje." Sem se incomodar com o diretor,
Mulder foi at a cama, abaixou-se, e dando um beijo no
rosto de Dana, que ainda estava dormindo, ele se 
despediu. "Sonhe comigo, princesa" ele sussurrou, e 
fazendo um ultimo carinho sobre o rosto dela, ele
se endireitou, olhou para Skinner e concluiu, antes
de sair. "Volto na hora do jantar, se no for incmodo."

Skinner estava to surpreso ao que acontecia diante de 
seus olhos, que no teve outra maneira de responder,a no
ser "Sim." E mesmo que dissesse no, ele estava certo
de que o agente viria assim mesmo.

Quando chegou  porta, Mulder se deparou 
com Margaret, ainda de roupo. "Senhora."
ele fez um sinal com a cabea, e saiu rapidamente.

Maggie, sem entender nada, olhou para Skinner, que
tinha um leve sorriso no rosto, apesar de manter a
expresso confusa. "O que foi isso?"

Skinner colocou a mo na cintura, e olhou para sua
filha na cama. "Seu futuro genro." e riu. Ele no
poderia ter escolhido algum melhor para cuidar e amar
de sua filha. Se o que sabia dos arquivos fosse
verdade, este Mulder era justo, honesto e dono de si.

E estava loucamente apaixonado por Dana. 

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Mulder chegou  Central de Inteligncia do Governo, 
depois de passar em casa para trocar de roupa. No precisava
dormir muito - o treinamento como agente acostumou-o 
a isso, precisando ficar sempre alerta para qualquer
tipo de situao. 

Neste momento, ele estava focalizado em descobrir tudo
sobre Scott Rhys, desde sua infncia at sua idade atual.
Depois de uma vida inteira fazendo favores especiais para
certas pessoas, estava na hora de Mulder cobra-los.

No demorou e ele estava com um dossi sobre o homem,
bem sobre sua mesa, entregue por um de seus camaradas
na Inteligencia, Frohike, que sempre quis ser um agente 
secreto, e de fato estava lutando para chegar l, ficando
sempre ansioso para ajudar Mulder no que o agente precisasse.
E se dependesse dele, Frohike iria passar no teste. Mas
haviam coisas que dependiam apenas de cada um.

"Ei, Mulder, aqui est o que voc pediu. S no entendo 
o motivo de voc..." Mulder o cortou rpido, no querendo
entrar em detalhes.

"Digamos que preciso colocar as mos neste cara."

Frohike ouviu o tom srio, bem diferente do humor seco
de seu amigo. "Esse cara fez alguma coisa contra voc?"
a curiosidade era muito grande para deixar passar.

Mulder tremeu a cabea. "No comigo. Com uma... amiga."

Frohike sorriu. E piscou. "J entendi... j entendi...
Voc est preso de novo num rabo de saia, no ? E
esse cara deve ser o namorado dela."

O agente ficou de p, e decidiu, pela primeira vez,
no entrar no humor do colega. "No fale assim dela,
Frohike. E este cara no vale nada."

"Ei, ei... calma..." Frohike estranhou o comportamento
de Mulder. "Parece que essa garota te pegou de jeito
mesmo, hein?"

"No  nada disso que voc est pensando...  que eu apenas..."
ele no sabia ainda como definir a relao dele com Dana,
pois nem haviam conversado direito sobre nada, na verdade.
"Eu estou interessado nela, ok?" ele se entregou.

"Ah! Cuidado, Mulder, pois do jeito que voc est agindo...
tenho que ser sincero... no vai demorar e voc vai estar
com uma aliana no pescoo - ops, quero dizer, no dedo..."
e Frohike sorriu, saindo da sala. 

"Ei, Frohike." Mulder chamou, e o homem se virou. "Fique
de antenas ligadas para qualquer informao a respeito deste
cara aqui, ok?"

Frohike ergueu o polegar, e saiu.

Ajeitando-se na cadeira, Mulder comeou a ler o 
arquivo com ansiedade, querendo conhecer mais sobre
o atacante de Dana.

E no gostou nada do que leu.

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Skinner chegou ao escritrio um pouco tarde, pois
teve que aguardar enquanto colocava dois homens
de prontido em sua casa, para ficarem de olho em
Dana e Maggie. Ele no ia se arriscar desta vez.

Assim que sentou em sua escrivaninha, sua secretaria
o aguardava, com vrios relatrios e compromissos
que ele precisava cumprir em virtude de seu cargo.
Nunca se esquecendo de seus problemas em casa, ele
concluiu tudo rapidamente, e no percebeu que j tinha
passado da hora do almoo.

Sua secretaria o avisou que iria almoar, e ele
a dispensou. Sozinho, Skinner no percebeu a figura
que entrou em seu escritrio sem ser anunciado.

"J providenciou a segurana, diretor Skinner?" Mulder
entrou, abrindo a porta e falando, quase tudo ao mesmo
tempo.

O diretor quase jogou o relatorio que lia para o
ar, to tremendo o susto que levou. Mas, se recompondo 
rapidamente, ele ficou de p, decidindo mostrar um pouco
de autoridade. "O que significa isso?"

Mulder no se importou. Fechando a porta, ele entrou,
sentou na cadeira em frente  mesa do diretor, e se
preparou para uma conversa.

Skinner o olhava, sem ao, mas ainda contrariado.
"Agente Mulder, se voc continuar agindo desta maneira,
serei obrigado a ser descorts com voc e..."

"Chega de conversa fiada, Skinner. Como j sou praticamente
da famlia, no precisamos de formalidades." o sorriso de
Mulder deixou Skinner enervado, e o diretor estava a ponto
de responder com grosseria, quando Mulder o interrompeu,
ficando de p. 

"Desculpe...  que estou muito ansioso com o que est
acontecendo com Dana, e este perigo que ela est correndo.
No ficarei tranqilo enquanto no pegarmos este cara."
o agente foi para a janela, olhando as ruas abaixo.

Skinner suspirou, e passando a mo sobre o rosto, 
respirou fundo. "Eu sei, agente. Acredite em mim - eu
tambm estou ansioso."

"Ento, seja meu convidado para um almoo, enquanto voc
me diz que atitudes tomou at agora."

Acenando com a cabea, e olhando para a papelada em
sua mesa, Skinner aceitou o convite. Pelo menos ele
poderia sair dali.

Os dois homens saram pela porta, saindo do prdio do 
FBI.

Durante o almoo, Skinner contou para Mulder que 
contratou dois seguranas para ficar na casa durante o
dia, e que de noite ele mesmo estaria pronto para fazer
isso. Ele tambm avisou que Charlie, irmo de Dana,
estaria chegando naquele dia tambm, e o ajudaria com
a segurana. 

Quanto  parte do mandado de busca de Scott Rhys, 
no havia nenhuma novidade, pelo menos no da parte
de Skinner. 

Mas Mulder estava vendo este lado da investigao. 
Com a ajuda de colegas investigadores, ele conseguiu
informaes e confirmaes sobre as possveis paradas
e aes do fugitivo, mas nada concreto ainda. Eles
teriam que esperar at que Scott atacasse, para 
poderem prende-lo.

E esta idia no agradava a  nenhum dos dois.

Ao terminarem o almoo, Mulder se despediu de Skinner,
lembrando-o de que o veria no jantar daquela noite.
O diretor acenou, mostrando aceitao, e o agente
saiu para poder trabalhar no encalo do fugitivo.

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Casa dos Skinners
19h

Mulder chegou atrasado na casa dos Skinners, mas
precisou passar em casa para tomar um banho e colocar
uma roupa decente. De maneira alguma ele iria cortejar
Dana vestido em roupas de trabalho. Ela merecia o melhor.

Ele ficou satisfeito ao ver que a segurana tinha sido
reforada. Haviam dois guardas no porto, e um na entrada
da casa. Cada um parecendo mais forte do que o outro,
alem da obvia atitude militar. Muito bom mesmo.

Batendo na porta, ele foi atendido pelo mordomo,
que indicou que ele deveria esperar no salo de entrada.
Assim que o mordomo se retirou, Mulder, naturalmente
curioso, se levantou e andou pela sala, notando a
decorao de bom gosto. 

Quando chegou perto da biblioteca, ele ouviu vozes.
Chegando mais perto, ele notou que eram as vozes de
Dana e Skinner. Nao querendo se intrometer, ele
se afastou,por pura educao.

Mas parou de repente ao ouvir a voz dela, exaltada.

"No vou mais v-lo!"

Ver quem?

Mulder se aproximou da entrada, e pde ver, pela
abertura da porta, que Skinner estava conversando
com ela. Os dois estavam de p.

"Mas ele veio jantar de novo conosco, s para poder
te ver, Dana."

"No adianta papai. Estou morrendo de vergonha pelo
que aconteceu ontem. Eu nunca deveria ter perdido o 
controle daquele jeito e---"

"Pare com isso, Dana. Voc no tem culpa sobre o que
aconteceu. Era perfeitamente compreensvel que voc
agisse ---"

"Como uma donzela em apuros? Como algum que no 
sabe se defender? Como uma manteiga derretida?"

Mulder teve que rir ao ouvir a ultima pergunta. 
Era raro uma moa falar dessa maneira, pelo
menos uma dama da alta sociedade.

"Mas Dana, voc , antes de tudo, uma mulher, e
mulheres so naturalmente frgeis contra os
homens..." Skinner no sabia o que dizer que no
a machucasse mais, mas era preciso dizer umas
verdades. "Alem disso, voc no conseguiu se defender
daquele desgraado."

"Oh, papai, no me lembre disso..." Mulder 
sofreu ao ouvir o tom na voz de Dana. Sua
vontade era entrar e parar com esta conversa. Mas
ele estava querendo saber quem ela no queria ver.
"Est vendo? A est outro motivo pela qual eu no
devo mais encontra-lo."

"Mas voc gostou tanto dele. J conversamos um pouco
sobre isso desde a sua volta da Alemanha, e tive
a ligeira impresso de que voc ficou 
impressionada com ele."

Ela sorriu, triste. "No vou mentir. Fiquei sim.
Mulder  um homem muito especial e eu gostei 
muito de conhece-lo."

SSSSSIMMMMMMMM!!!! Mulder no sabia o que
fazer: se gritava, chutava ou soltava fogos de
artifcio. Parecia que o sentimento que ele
tinha por ela era mutuo, graas a Deus!

Mas ele murchou ao ouvir as seguintes palavras.

"E um homem como ele nunca vai querer uma
mulher como eu."

"Como assim? Voc no tem culpa sobre o que
aconteceu!" Skinner estava furioso.
Ele precisava convence-la de que ela ainda
era uma moa de respeito.

"Papai, no adianta. Eu no vou querer me
encontrar com ele. No quero ter mais uma
decepo na minha vida quando ele no quiser
mais me ver.

No, Dana. Isso no vai acontecer. Eu te
prometo - Mulder prometeu, silenciosamente.

"S que  tarde demais. Ele j est aqui. 
Fui informado de que ele j entrou, e provavelmente
o mordomo o levou para o salo, ento, melhore
essa carinha para podermos dar boas vindas a
ele, como rege a etiqueta."

"Por que voc no me avisou? Mas, no importa.
Eu no quero mais v-lo. Melhor cortar esta relao
antes mesmo que comece. Com quem estou brincando?
 bvio que algum como ele no vai querer nada
comigo. Ele pode ter qualquer mulher que quiser."
o tom triste fez Skinner ir at ela, e abraa-la.

"Voc ficaria surpresa, minha menina." ele a
beijou na testa. "Venha comigo. Eu prometo que
tudo vai ficar bem." acariciando o rosto dela
com os dedos, Skinner a abraou mais uma vez,
antes de solta-la. 

Mulder se afastou da porta, correndo para o salo.
Tentando agir casualmente, ele procurou fingir
surpresa ao ver os dois saindo da biblioteca.

"Diretor! Dana! Mas que prazer em v-los!"
ele foi at eles, onde cumprimentou Skinner
com um aperto de mo.

"Srta. Dana, que imenso prazer em rev-la."
ele pegou uma delicada mo, e beijou-a suavemente.
Antes de solta-la, cheirou, agradado ao sentir a suave
fragrncia. E ficou mais satisfeito ainda quando,
ao erguer a cabea, viu o rosto dela corado. Ela
estava maravilhosa.

"Ora, sr. Mulder... como eu disse antes, voc
 muito gentil."

Franzindo mais uma vez a testa, ele respondeu. "Por
favor, me chame de Mulder. E vou insistir nisso.
Voc poderia me chamar assim? Agora?" ele sabia
que estava sendo insistente, mas no poderia 
agentar caso ela o chamasse de senhor outra vez.

Dana olhou para seu pai, que acenou com a cabea, 
divertido pela conversa. S ento ela olhou
para Mulder, dizendo, "Voc  muito gentil, Mulder.
Obrigada."

Skinner percebeu que os dois estavam bem 
entrosados, e decidiu deixa-los um pouco a ss.
"Bem, vou subir por um momento, para avisar Margaret
de que voc chegou, Mulder. E voltamos em seguida
para tomarmos um aperitivo antes do jantar. Com
licena." Skinner fez um gesto, que nem foi 
notado pelos dois. Dando de ombros, ele
foi em direo s escadas.

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Mulder foi a alma do jantar. Dana no tirava
os olhos dele, orgulhosa. Ele sabia o que dizer
na hora certa, sempre mantendo a conversa leve
e sadia. Durante este perodo, ninguem se lembrou
das ameaas que pairavam sobre a famlia.

Ao final do jantar, eles foram para a biblioteca, tomar
o caf. Os dois casais ficaram conversando, 
rindo, at que chegou a hora de Mulder ir para casa.
Ele s no ficou to triste com isso pois viu
o olhar de tristeza no rosto de Dana.

"Me acompanha at a porta?" ele perguntou,
esperanoso, ansioso para falar com ela longe
da vista dos pais.

"Mas  claro, Mulder." ela se virou para seus
pais, que concordaram. "Podemos ir?"

Mulder a acompanhou at a porta, e l ele
aproveitou para dizer o que estava pensando.
Ele a levou para o banco na varanda, e segurou
as mos delicadas.

Ela tremeu de frio, e tirando a jaqueta, ele
colocou-a sobre os ombros pequenos. "Melhor?"

"Sim". O nervosismo dela era aparente. Se 
lembrando do receio dela, principalmente
depois das coisas que ela passou, Mulder
no quis fora-la a nada. 

"No tenha medo de mim. Faa o que voc
quiser. Eu estou contente em ficar aqui,
sentado, com voc." e apertou as mos
dela mais uma vez, tranqilizando-a.

Dana assentiu, e no demorou muito para que ela
se apoiasse um pouco sobre ele. Mulder
aproveitou a deixa e passou os braos sobre 
os ombros dela, abraando-a. E sentiu
quando ela relaxou, contente.

"Melhor?" ela grunhiu, e ele riu. "Voc
parece uma gatinha agindo dessa maneira..."
ele sussurrou, com medo de dizer qualquer
coisa que pudesse assusta-la. Mas ele precisava
tentar alguma coisa.

Eles ficaram assim por alguns minutos, e
quando Mulder sentiu ela se mexendo, ele
afastou o rosto, olhando pra baixo, vendo
o rosto adorado olhando pra ele. Ela estava
muito linda com a luz do luar...

Fixando o olhar nos lbios dela, ele
fez uma pergunta com os olhos, e no
vendo recusa nos olhos azuis, ele se
abaixou, e bem devagar, para no assusta-la,
a beijou nos lbios.

O suspiro que ela deu lhe ofereceu a oportunidade
de aproveitar o beijo. Abraando-a com
firmeza, ela sumiu em seus braos, e Mulder
ficou completamente tomado pelo gosto e
cheiro de Dana. Esta mulher era maravilhosa!

Se esquecendo completamente de onde estava, 
Mulder tentou avanar mais um pouco, beijando
o pescoo, rosto, olhos, orelhas, tudo que pudesse
alcanar, s querendo cada vez mais.
Ele estava completamente dominado por ela,
viciado, e no pararia at que tivesse tudo!

No comeo Dana estava adorando a sensao.
Era totalmente diferente das que sentiu
antes com qualquer outro homem. Mas depois,
quando a ateno de Mulder sobre ela ficou
mais intensa, ela ficou com certo receio, e
comeou a tentar repeli-lo. 

Ela estava gostando, mas estava com
medo tambm. O que era isso que ela estava
sentindo dentro dela? O que era este
calor que ela estava sentindo no meio das...
Ela gemeu quando sentiu a mao de Mulder
subindo pelas pernas dela, querendo se
insinuar debaixo do tecido, e ela estava
mais do que disposta a deixa-lo fazer o 
que queria, mesmo tendo um pouco de receio...
era to bom...

"O que voc pensa que est fazendo, 
agente Mulder?"

Num estalo, Mulder e Dana se separaram, 
dando de cara com um diretor muito 
enfurecido. O olhar no rosto de Dana o
deixou ainda mais enfurecido. Ela parecia
meio fora do ar... muito corada, e
sem flego.

Como homem, ele sabia muito bem que quando
uma mulher ficava assim, o homem poderia
se aproveitar e levar tudo que quisesse.
E um homem com  a experincia de Fox Mulder
com certeza no iria parar com um beijo
e um abrao. 

"Dana, entre agora!" A voz de Skinner no admitia
represlias.

"Mas, papai..." 

"Dana, no discuta" Skinner no tirava os olhos
do agente Mulder, as mos em punho. Ele no ia
deixar outro homem abusar de sua menina.

Mulder ficou de p, sem ao, ainda um pouco
atordoado pelo que havia sentido momentos antes,
e s percebeu que Dana tinha entrado quando a porta
se fechou atrs dela.

"Escute aqui, agente..."

"Escute aqui voc, diretor! No sou moleque para
voc me tratar assim!" ele explodiu de vez,
pouco ligando que este era o pai de Dana.

"Ento trate de agir como um homem! E pelo
amor de Deus, recomponha-se!"

Num primeiro momento, Mulder no entendeu
o que o diretor queria dizer, mas depois de
olhar para baixo, ele viu o que tinha 
acontecido. Dana tinha realmente conseguido
mexer com ele.

"Se voc acha que vou deixar minha menina
com alguem que vai ficar lavando as mos
sobre o corpo dela, voc est redondamente
enganado!" Skinner sussurrou, as palavras
sendo pregos enfiados dentro da carne.

"Skinner, qual  o problema?" Margaret
saiu na porta. "Dana entrou chorando e
subiu direto para o quarto. O que est---"

"Nada, Margaret. V falar com ela, e tente
acalma-la. Eu preciso conversar com este senhor
aqui."

Mulder suspirou. Ele nunca passou por uma
situao como esta antes. Nem mesmo no tempo de
colgio e faculdade. E as mulheres com quem esteve
nem moravam mais com os pais para submete-lo
a tal coisa. Mas tambm, Dana no era parecida
com elas. Nem um pouco.

Ainda bem.

Ele havia sentido a inocncia e receio no
toque dela, e a sensao da maciez da pele dela
sobre seus dedos. Ele perdeu o controle, e s
podia culpar a si mesmo por isso. Ele queria
cada vez mais, e no poderia fazer isso com
Dana. Ela merecia compromisso completo. E
ele estava disposto a isso. 

Sabia que no ia se arrepender em tomar
esta deciso.

"Quais so suas intenes com a minha filha?"

"Voc sabe muito bem quais so minhas
intenes. Pretendo me casar com ela."

Skinner pensou por um momento. Ele ficou
com raiva ao ver a cena, mas ao mesmo tempo
ficou contente ao ver que Dana no estava
morta para o mundo, e que podia sentir
a maravilha que era ser amada por alguem.
E ele no ia estragar isso. Mas tambm
no ia dar o ouro de mo beijada.

"Mas como, se voc nem namorou nem noivou
com ela?"

"Bem, eu estaria namorando ela agora mesmo,
se no fossemos to bruscamente interrompidos!"
a censura de Mulder era evidente. "Achei que
j tnhamos acertado isso. Eu estou interessado
em sua filha, no deixei isso bem claro?"

Skinner respondeu, sarcstico. "Oh, sim, muito
claro... mas ela no  dessas que voc tem
'namorado' por a, Mulder. Ela  especial."

"Nem precisa me dizer." o silencio entre eles
ficou tenso. "Estou disposto a noiva-la."

"Agora sim voc est falando minha lngua."
Skinner no sorriu. Ainda precisava de
garantias. "Quando vai ser o compromisso?"

"Que tal daqui a duas semanas? Assim eu e
Dana poderemos nos conhecer melhor e..."

"Duas semanas para se conhecerem melhor?
Acho que no. Do que vi hoje, muita coisa
pode acontecer em duas semanas."

"Mas diretor..."

"Basta. Voc vir todos os dias para
corteja-la, comigo ou Margaret por perto,
e s. E no h nada que voc possa fazer
para mudar isso. Passar bem, agente
Mulder."

E deixando Mulder de boca aberta, Skinner
se virou, e entrou em casa. 

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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
TITULO: FREIBURG
PARTE 4C
 
AUTORA: EDNA BARROS
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O que tinha acabado de acontecer aqui? As coisas
estavam indo to bem... e de repente, Mulder recebia
um balde de gua fria na cabea. Demorou um momento
para ele revisar tudo que aconteceu.

Ele tinha acabado de se comprometer seriamente com
Dana! At a, no havia problemas... te-la em
seus braos somente confirmou o que ele sentia
por ela, e o fez querer ainda mais. Mulder pensou
em como seria te-la em seus braos, numa cama, 
com lenis de seda, assim como a pele dela e...

Opa. L vamos ns de novo.

Respirando fundo algumas vezes, Mulder conseguiu se
controlar. Skinner estava certo. Ele estava agindo
como um moleque, mas o que ele poderia fazer?
A mulher o deixava louco de desejo!

Falando nisso... ele escutou da me dela que ela
estava chorando? No, ele no ia sair assim...
muito menos agora, como noivo oficial dela!

Indo para a porta, ele bateu forte e berrou. 
"Diretor! Abra esta porta!" e aguardou um
minuto, para repetir a ao mais trs
vezes. S ento a porta foi aberta, e o prprio
Skinner apareceu.

"J no disse para voc ir embora? Est tarde
e..." ele parou ao ver a mo erguida de Mulder.

"No quero brigar, principalmente com o meu sogro.
Mas preciso falar com Dana. Sua esposa disse que
ela estava nervosa."

"Margaret j est conversando com ela, e no h
nada que voc possa fazer neste momento."

"Como no? Provavelmente ela deve estar 
nervosa sobre o que aconteceu, e eu gostaria
de ter uma chance de me explicar." eles ficaram
se olhando. "E me desculpar."

Foi a ultima frase que fez com que Skinner mudasse
de idia. Isso e a postura de Mulder. Mesmo com
a pose confiante, era notrio que o agente estava
querendo falar com Dana, ansiosamente, e faria
qualquer coisa para atingir o seu intento.

Surpreendo a ambos, Skinner deu um passo de lado
e deixou Mulder entrar.

"Aguarde na biblioteca." e com isso, subiu as
escadas.

Mulder acenou com a cabea, e no demorou para
ver Dana descendo a escada, visivelmente nervosa.
Ele no havia ido at a biblioteca, s para poder
v-la. Andando at o p da escada, ele notou que
Skinner estava logo atrs, mas no se importou.

Estendendo uma mo, ele pegou a mo delicada e
sussurrou. "No precisa ficar nervosa. Voc no
fez nada de errado." e dando um pequeno puxo, pois
viu que ela estava indecisa, ele a abraou.

Dana devolveu o gesto, enfiando o rosto contra o 
peito largo, e Mulder colocou a mo sobre o cabelo dela,
olhando para Skinner, pedindo para 
deixa-los a ss, ali mesmo.

"Vou estar na biblioteca." Skinner grunhiu 
enquanto abria a sala anexa.

Mulder levou Dana para um banco na parede do outro
lado do salo, esperando que Skinner no pudesse ouvir
o que eles iriam conversar.

Olhando pra ela, ele pde ver os olhos vermelhos, e
a pele corada. "No chore, princesa. Tudo vai ficar
bem."

"Por que meu pai ficou to bravo assim?"

Ele sorriu. "Ele s queria te proteger, e posso
dizer que ele chegou na hora certa."

"Como assim?"

"Vamos dizer que voc me deixou descontrolado."

Ela arregalou os olhos. "No entendi."

Ele no queria ser direto demais. "Me responda
uma coisa: voc estava gostando do que estvamos
fazendo?"

Ela corou de novo. "Bem, eu fiquei com um pouco de
medo, mas estava gostando sim" o sorriso tmido
alegrou Mulder. "Ser que vamos poder nos beijar
daquela maneira de novo?"

Oh, sim, claro que vamos. E mal posso esperar.
"Vamos sim, mas s se voc quiser."

"Eu quero."

"Ento no vamos ter problemas. Mas antes, quero
te contar uma coisa. Espero que voc goste."

Ela no disse nada. S ficou esperando.

"Dana, desde que te conheci no consegui tira-la
da minha cabea. Precisava v-la de qualquer
maneira, e agora que estou aqui, no quero deixa-la.
Ser que isso  normal?" ele brincou. E ela
acenou com a cabea.

"Eu sinto o mesmo."

"Ainda bem. Pois eu acabei de firmar um compromisso
com seu pai. Ns vamos noivar."

Ela ofegou, levando uma mo  boca. Mulder no queria
fora-la a nada, e completou rapidamente. "Se voc
no quiser, podemos esperar mais um pouco, nos 
conhecermos melhor, para ento ns..."

"No, no... isso  maravilhoso! Oh, Mulder, 
eu no paro de pensar em voc..." ela o abraou,
e Mulder devolveu o abrao, fechando os olhos
de felicidade.

"Eu tambm, Dana. Eu tambm..." e se afastando,
ele a beijou de novo, mas desta vez conseguiu se
controlar.

"A-ham..." alguem pigarreou, e Mulder a soltou
rapidamente. Olhando pra trs, ele viu o diretor
e sua esposa na entrada da biblioteca. Ele nem
reparou que Margaret havia descido, e se juntado
a Skinner, que falou.

"Vejo que se entenderam. Bem, agente Mulder, 
ento podemos firmar o compromisso para daqui a 
duas semanas, certo? Um almoo intimo?"

Ficando de p, ele pegou a mao de Dana e 
disse, "Um jantar intimo, caso Dana prefira"
ele olhou pra ela, que somente concordou.

"Por mim, tudo bem."

"Ento ser um jantar!" Margaret falou, entusiasmada.
Indo na direo do casal, ela abraou Mulder. "Seja
bem vindo  famlia, meu genro." 

Mulder agradeceu, e ento se virou para Dana. "Estou
indo embora, mas volto amanh para v-la."

Ela sorriu, e mais uma vez Mulder se achou o 
homem mais sortudo de todo o mundo. Dando um
leve beijo em seus lbios, ele acariciou o
rosto de veludo e foi para a porta, se
despedindo de Margaret e Skinner.

Amanh ele voltaria.
Mas antes, precisava tirar uma duvida.

"Diretor, voc reforou a segurana?" ele
falou em voz baixa, no querendo que Dana se
preocupasse com nada.

"Sim. As portas e janelas esto reforadas, e 
temos mais um vigia de planto. E pode deixar,
agente. Eu tenho sono leve."

"Ento voc no vai se incomodar se eu ficar 
de olho na casa durante esta noite."

"Mas voc no dorme?"

"Estou acostumado a viglias. Acredite em mim.
Alem disso, no vou dormir direito enquanto este
cara no for pego."

Skinner no podia negar tal pedido, ainda mais sendo
para a segurana de Dana. Quanto mais gente na
segurana, melhor.

"Tudo bem, ento. Mas voc no vai ficar no
quarto dela. No esta noite." ele grunhiu,
e Mulder teve que rir. 

Com bom humor, ele concedeu. "Tudo bem, sogro. 
Se eu estivesse no quarto com ela, com certeza eu
no estaria prestando ateno em nada" e piscando,
ele saiu pela porta, antes que Skinner pudesse
replicar.

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De madrugada, Mulder estava escondido entre as sombras, 
pouco se importando com o frio. Era s pensar em
Dana, dormindo como um anjo, que ele sentia um grande
calor...

E por estar com a cabea em outro lugar, foi que
ele quase perdeu o movimento nos fundos da casa. 
Mulder havia escolhido uma posio privilegiada, de onde
poderia ver trs lados da casa, principalmente os
fundos. Se ele fosse um bandido, seria por ali que tentaria
entrar. 

Movendo-se com agilidade, ele andou silenciosamente
para l, tendo o cuidado de se esgueirar pelas sombras,
para no ser visto, e no chegou a tempo de impedir o 
intruso de entrar na casa. Onde estavam aqueles malditos
vigias? No dava tempo para avisar a ninguem, no se
ele quisesse pegar o bandido de surpresa. Se Scott
estava pensando que iria colocar as mos em Dana, ele
era mais louco do que pensava.

Entrando pelo mesmo caminho que o homem entrou, Mulder
seguiu seus instintos, pois ainda no tinha vindo para este
lado da casa. Mas ao chegar no salo, percebeu o vulto subindo
as escadas. Andando o mais rpido possivel, mas sem 
fazer barulho, ele conseguiu ver o vulto andando pelo corredor, na
direo do quarto de Dana.

Ah, no. Nem pensar, camarada!

Mulder se jogou sobre o intruso, batendo-o contra a parede. 
O homem era mais esperto do que o agente esperava, pois
mesmo sendo surpreendido pelo ataque, ele se virou
e revidou os golpes de Mulder. O agente estava, ao
mesmo tempo, atacando e se defendendo. 

Um vaso caiu no chao, e logo as portas do quarto de Skinner
e de Dana se abriram, e as luzes do corredor se acenderam. 
Skinner correu para os dois homens, e depois de um momento de
hesitao, agarrou o agente, tirando-o de cima do invasor.

"Mulder, pra com isso!" 

"Mas  ele, Skinner!  ele! Eu vi quando ele entrou pelos
fundos e..." ele parou quando viu Dana e Margaret sobre o
outro homem, ainda cado no chao. O rosto dele estava
sangrando. Mulder ficou satisfeito com isso, mas ao
ver Dana cuidando do ferido, ele no gostou nenhum pouco.

"Dana, saia de perto dele. Voc no sabe..." ele parou
quando ouviu Margaret e Dana fazendo o possivel para
levantar o homem. Skinner soltou o agente e foi
at ele.

"No seja tolo, Mulder. Este  meu filho, Charlie."

Mulder ficou mudo. Foi ento que se lembrou de que
Charlie deveria ter aparecido no dia anterior, mas
em sua preocupao com a segurana de Dana, ele nem
se tocou que o irmo de Dana ainda no havia chegado.

Respirando fundo, ele notou, pela primeira vez, o
cabelo castanho de Charlie, e os olhos escuros, 
enquanto o rapaz respondia s questes de sua me
e de sua irm sobre os ferimentos.

"Ai, no! Me, no  nada!  s um arranho e..."

"Fique quieto, Charlie. Se fosse um arranho, voc
no estaria sangrando." ela ralhou com ele.
Skinner estendeu um leno, que foi pego por Dana,
e usado para limpar o rosto de Charlie.

"Mas o que  que aconteceu aqui, afinal de contas?"
Skinner se virou com as mos nos quadris, olhando
de Mulder para Charlie, esperando uma resposta.

"Eu estava tentando entrar em fazer barulho,
e nem incomodar vocs, e ia direto para o meu
quarto, quando fui atacado por este... este...
maluco!" Charlie parou de falar, e tirando o 
leno da testa, ele olhou para Mulder. "E quem
 voc, afinal de contas?"

Antes que Mulder pudesse responder, Dana se
adiantou e foi at ele, colocando os dois braos
ao redor de um brao de Mulder. 

"Ele  meu noivo!" ela falou, orgulhosa, e
Mulder sentiu um aperto de orgulho tambm.
Como um pavo, ele inchou o peito, e 
deu um aperto suave nas mos dela sobre seu
antebrao.

"E o que ele est fazendo aqui a esta hora
da noite?" Charlie olhava para Skinner e 
para Mulder, esperando uma explicao.

S ento Dana percebeu a situao. "Sim, Mulder,
o que voc est fazendo aqui a esta hora 
da noite?" 

Meio sem jeito, no querendo falar com ela sobre
este assunto to delicado, o agente olhou para
o diretor, pedindo ajuda. Skinner no o decepcionou.

"J chega! Mas que confuso... vamos, Charlie.
Vamos at a cozinha dar um jeito nesse teu 
machucado, e agente Mulder, venha conosco. 

Charlie se apoiou na me, e Dana levou Mulder.
Skinner colocou as mos nos quadris, e ficou 
ouvindo os resmungos do filho, junto com os de 
Mulder, e as mulheres consolando os dois. 
Ele sorriu.

Mas que noite!

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Descendo as escadas, Skinner ouviu os dois 
homens brigando na cozinha. Dana e Margaret tentavam
acalma-los, mas Mulder estava nervoso demais
por pensar que ele era o bandido que podia te-la
atacado, e Charlie no gostou de ver um
homem dentro de sua casa, e que ainda bateu nele.
E da que ele era o noivo de sua irm?

"Afinal de contas, Dana, que histria 
essa? Voc nem estava namorando desde que eu 
te visitei no hospital!" 

"Charlie, Mulder me ajudou muito numa situao
de..." ela comeou, e foi interrompida por Mulder.
Sua ansiedade em fazer com que seu irmo e seu
noivo se entendessem era evidente para ele.

"Pode deixar que eu explico, Dana. Mas antes,
quero pedir desculpas pela minha atitude,
Charlie. Foi lamentvel." ele no queria comear
uma briga de famlia, e nem se antagonizar com
seu futuro cunhado. Dana no ficaria contente
com isso. 

Charlie no podia recusar um pedido de desculpas
to aberto. Era difcil para um homem pedir desculpas,
ainda mais quando ele tinha te vencido numa briga!
Mesmo reconhecendo o gesto nobre, e meio a contragosto, 
ele concedeu. "Tudo bem... Mulder? No ?" ele olhou
pra Dana, que acenou com a cabea. "Sem problema. 
Tenho que admirar um cara que soca to bem e to
rpido quanto voc." ele parou. "Mas alguem poderia
me dizer por que isso aconteceu? Aqui dentro de
casa?"

Skinner decidiu se intrometer. "Filho, ns 
recebemos noticias de que Scott Rhys fugiu
da priso." Ele viu quando Dana ficou
novamente tensa, mas bem menos do que antes.
Provavelmente era o fato de que Mulder estava
ao lado dela, e a abraou de imediato.

"Scott Rhys? Esse no  aquele cara que..."
ele olhou para Dana, que confirmou. "Mas
vocs acham que ele seria to idiota em
tentar algo contra Dana de novo? Ai!" Ele
gemeu quando sua me passou um algodo com
mertiolate no corte dele. "Me, obrigado,
mas j est bom. Pode colocar esta coisa
pra l" ele disse, e ela sorriu. Homens
sempre eram meio fracos para este tipo
de dor. 

Ela preparou um curativo, e colocou sobre o
corte. "Agora sim, meu bem. E sim, seu pai
acha que ele pode ser bem capaz de tentar
alguma coisa contra sua irm. De novo."

Charlie notou que Dana no estava to nervosa
quanto estaria caso eles estivessem tendo esta
conversa em outra poca. Ele viu que a presena
do tal Mulder fazia sua irm se sentir mais 
segura, mesmo sabendo que poderia contar com
o pai e o irmo dentro de casa.

"Mas j tomamos providencias para impedir tal
provvel ataque, incluindo aumentando a 
segurana da casa."

"Que, pelo visto, deixa a desejar" Mulder concluiu,
abraando Dana. Ele no iria deixar a oportunidade
passar. Era bom te-la em seus braos. Principalmente
com toda essa roupa macia, com que ela deveria
estar dormindo. 

"Bem, agente,  claro que meu filho poderia passar
a hora que quisesse." Skinner insistiu.

"Mas ele veio pelos fundos. Onde nenhum segurana poderia
ter visto nada."

Skinner se virou para Charlie. "Como assim?"

"Ora, pai. Eu usei a antiga entrada. Uma que eu costumava
usar quando queria... sair e entrar sem ser notado."
Charlie se levantou e foi at Dana. "Bem, Dana,
voltei em boa hora, ao que parece. Papai est
certo. A casa precisa de mais segurana, e todos
vamos nos empenhar para que esse cara no tenha
nenhuma chance de repetir a sua 'perfomance', ok?"
ele brincou, e puxando ela dos braos de Mulder, que
a soltou, relutante. "Pode deixar,  maninha. 
Ele no vai te encostar um dedo."

Skinner acenou com a cabea, agradado ao ver a atitude
do filho. Ele no esperava menos. Olhando pra Mulder,
ele notou que as mos do agente coavam para tocar
em Dana, e acenando para Margaret, ele falou em
voz baixa pra ela. "O que voc acha de deixarmos ele
dormir hoje, aqui, no quarto de hospedes?"

Margaret olhou para seu marido, atenta do pedido.
Walter no permitiria tal coisa para qualquer um. Ele
apreciava muito a intimidade familiar, e permitir que
Mulder dormisse dentro de casa era um passo bem grande,
mostrando o quanto o agente j era considerado da famlia,
apesar do pouco tempo com eles.

"No seria gentil manda-lo embora, nessa noite fria, 
depois que ele tentou, mesmo errando, salvar Dana, no
?" ela sorriu, e Skinner sorriu tambm. A dona
da casa foi em direo a Mulder, que j estava
segurando a mo de Dana novamente.

"Agente Mulder?"

"Sim, madame?"

"Voc gostaria de dormir no quarto de hospedes?
No teria cabimento voc ir embora  a esta hora
da noite no ?"

Ele sorriu, satisfeito, pois dormiria dentro da
mesma casa que Dana. No era como dormir no quarto
dela, vendo-a de perto, mas quem sabe ele poderia...

Charlie se aproximou dele, e brincou, fazendo
voz brava. "Nem pense nisso, camarada. O quarto de
hospedes fica depois do meu, que fica depois do
de Dana. Para ir at o quarto dela, voc teria
que passar pelo meu, e eu te garanto que sou
treinado para dormir de olho aberto. Venha, 
Dana." ele soltou a mao de Mulder, que segurava
a de Dana. "Vamos subir, e d tchauzinho pro seu noivo."

"Mas Charlie..." ela tentou se soltar, no querendo se
afastar de Mulder. Ela pensou que eles poderiam ficar
conversando mais um pouco, j que ele iria dormir ali.
Mas a atitude de Charlie no a surpreendeu. Ele sempre
foi protetor dela, mesmo sendo dois anos mais novo.

Quando ela comeou a namorar, ele implicava com
todos os seus namorados, e depois do ataque que ela
sofreu, ele se culpou por no estar em casa para ajuda-la.
E agora, parecia que ele iria tirar as falhas atrasadas.

Charlie no a escutou. Passando um brao ao 
redor da cintura pequena da irm, ele no teve
problemas em conduzi-la, ou leva-la, para a escada. 
"Pode deixar que eu me despeo de Mulder por voc.
Tchau, Mulder. Boa noite, me, pai. Ah. s mais uma
pergunta."

Mulder olhou pra ele, assim como todos os outros.

"Quando  o casamento?"

Skinner pigarreou. Charlie no iria facilitar as coisas
para Dana nem Mulder. Ele teria que conversar com seu
filho depois. "Eles vo noivar daqui a duas
semanas, num jantar."

"Ainda vo noivar?" Ele olhou para Dana, e depois para
Mulder. "Bem, Mulder - no ?" Mulder acenou, e ele
continuou. "Bem, Mulder. Agora que estou aqui, 
pode deixar que vou ficar de olho em voc e Dana."

"Charlie Skinner! Pare j com isso!" Dana chiou,
e Margaret e Skinner estavam rindo ao ver a cena
entre os trs. Coitado do casal! "Voc no vai
me impedir de ver Mulder."

"Isso mesmo, Charlie. Skinner j deu permisso para
namorarmos." 

Charlie riu. "Bem, no tem problema. Eu estarei
l para conferir o seu namoro com ela, Mulder."

E sob os protestos de Dana, Charlie a levou
escada acima.

Mulder ficou parado, no querendo brigar novamente
com Charlie, mas louco para faze-lo deixar Dana em
paz. Suspirando, ele fechou os olhos, e
abriu quando Skinner apareceu ao seu lado.

"Agente, eu vou conversar com ele. Charlie
 bem protetor de Dana, e sente um pouco de culpa
por no te-la ajudado no passado. Ele s quer
ajuda-la, e no quer v-la machucada, assim como
nenhum de ns."

Mulder acenou com a cabea, no muito satisfeito.

"Agente Mulder?"

Ele olhou para Margaret. 

"Venha comigo. Eu vou lhe mostrar o seu quarto."

Com um empurro de Skinner, Mulder subiu as 
escadas.

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Era madrugada, e Mulder no havia dormido ainda.
Reclinado na cama, ainda usando
as roupas com que viera pra c, ele s pensava
em Dana.

Ele no gostou da atitude de Charlie, mas a
entendia muito bem. S que no sabia se
conseguiria ficar longe dela por tanto tempo.

Mesmo perdido em pensamentos, ele viu quando
a porta se abriu devagarzinho, e uma figura
pequena entrou, vestida de branco. Imvel, ele
pensou que fosse um fantasma, mas fantasmas 
atravessavam as coisas, certo?

Mas, com a pouca luz do abajur, ele percebeu
que era Dana, e como estava longe, ela no poderia
perceber se ele estava dormindo ou no. Ele
fechou os olhos, esperando para ver o que ela
estava querendo. Tomara que era o mesmo que
ele.

E era. 

Ao sentir o movimento do colcho, ele fez o mximo
para manter a respirao tranqila, no denunciando
sua condio despertada. Dana passou o brao atrs
das costas dele, o abraou por cima do trax com
o outro brao, descansando a cabea sobre o peito largo.

Satisfeita, ela cheirou o aroma msculo de Mulder, 
se esticando languidamente ao lado do corpo bem
maior do que o dela.

Estranho. Se fosse em outra situao, ela teria
medo dele. Sua fora e carisma a intimidava, e
ele poderia, facilmente, domina-la. Mas ela
reconheceu nele uma segurana que buscava
h tempos. E tinha certeza, bem l no fundo,
que ele nunca a machucaria.

Satisfeita, ela havia decidido dormir com ele. S
dormir. Pra ver se era bom. Afinal de contas, eles
teriam que dormir juntos depois de casados, no 
? E se no fossem bons na cama?

Pensando nisso, ela foi at o quarto dele, e o viu
na cama. Pela luz fraca no era possivel saber
se ele estava dormindo ou no, mas quando chegou
perto, viu que ele estava dormindo sim. Ento,
aproveitando-se disso, ela se deitou com ele.

E dormiu.

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Mulder no ousava respirar para no acorda-la.
Depois de alguns minutos, ao senti-la relaxando,
ele abriu os olhos, viu que ela estava
dormindo, e puxou-a para mais perto dele, 
e agora ela estava quase deitada sobre ele.

Dana havia passado uma perna sobre suas coxas,
e Mulder fez o impossvel para resistir e no
joga-la contra o colcho, fazendo amor com ela
ali mesmo. 

Ela era toda macia. Toda cheirosa. Maravilhosa. 
Mas ele estava na casa de seus pais, e devia
respeito a ela, e a eles. Portanto, ele 
esperaria.

Alm disso, Charlie poderia mata-lo se algo mais
acontecesse ali.

E ele queria estar bem vivo para desfrutar a lua de mel.
E pensando em sua lua de mel, Mulder fechou os olhos 
relaxando, finalmente podendo dormir com Dana ali,
ao seu lado. Onde ela pertencia.

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Charlie acordou, sentindo alguma coisa errada. Ele escutou
um som no corredor, ou foi s sua imaginao?
Saindo da cama, ele foi para a porta, abrindo com cuidado,
no querendo ter uma repetio da surra que levou do
futuro cunhado.

Ele gostou de Mulder. No queria admitir, mas gostou
sim. O homem tinha um bom gancho de direita, e
parecia ser o cara perfeito para Dana. E sua irm
parecia gostar muito dele, assim como seu pai e
sua me. Quem era ele para ir contra?

Ao olhar no corredor, ele viu movimento na porta de Mulder.
Saindo pela sua sacada, ele foi para janela para
o quarto de hospedes.

Se esgueirando, ele viu Dana indo para a cama, e
notou que Mulder parecia estar dormindo. Ele viu
quando Dana subiu na cama, e o abraou. Esperando
alguns minutos, Charlie viu Mulder abrir os olhos,
olhar pra sua irm, e com todo carinho, ajeita-la
na cama, acariciar seus cabelos, e puxar a coberta
sobre ela, ainda abraado com ela. E ento, fechar
os olhos, e dormir.

Reconhecendo que o primeiro passo havia sido 
de Dana, ele teve uma idia. Com certeza no iria
doer, no ? Esses dois pareciam estar ligados,
um no podendo ficar longe do outro. E ele poderia
ajudar, fazendo com que Mulder ficasse cada vez
mais interessado na irm.

Seria como dar um pouco do gosto de estar com ela,
mas no estar ao mesmo tempo - dava pra entender?
Ele deixaria Mulder cada vez mais ansioso para se
casar, e s assim Dana poderia esquecer, de vez, o que
aconteceu com ela com aquele maldito desgraado.

Alm disso, ele faria isso com a maior das boas
intenes, principalmente sobre sua irm. Ele nao
queria que ela ficasse falada, de nenhuma maneira,
pelo empregados.

Saindo da sacada, ele entrou no quarto dele, 
e esperou. Depois de uns bons trinta minutos, ele
saiu pela porta, indo ao quarto de hspedes. 
Abrindo a porta devagar, ele se aproximou da cama.
Vendo o casal ali, Charlie ficou com pena do que 
ia fazer, mas seria melhor assim. Seus pais
nao gostariam de acordar e ver esta cena.

Ento, com todo cuidado, ele se aproximou de Dana, e
quando ia tocar nela, parou de repente ao ouvir uma voz
severa.

"Toque nela e voc morre." isso foi dito num tom
muito sussurrado.

Charlie gelou. Ele nao esperava que Mulder estivesse
acordado. E muito menos com uma arma apontada contra sua
cabea. Erguendo as mos, ele ficou de p, e respondeu na
mesma altura. "Vou leva-la de volta pro quarto."

Desvencilhando-se de Dana, Mulder ficou de p, e saindo da
cama, cobriu-a completamente com a coberta, e s depois de dar um longo
olhar pra ela, olhou para Charlie, e acenou com a cabea,
para a porta. Charlie nao precisava ser avisado duas vezes.

Ao sarem para o corredor, Charlie saiu primeiro, e Mulder
fechou a porta. Virando-se, ainda com a arma na mo,
Mulder esperou uma explicao. 

Charlie pensou no que ia falar, mas decidiu que um
elogio nao machucaria ninguem. "Voc  bem rapido
com essa arma. Parabns. Dana est bem protegida."

Mulder nao respondeu. 

Vendo que seu elogio nao colou, Charlie comeou a 
desembuchar. "Errrr.... bem, eu achei que seria melhor se meus
pais no vissem Dana na sua cama. O que os empregados
poderiam pensar dela e...?" ele parou de falar ao
ver Mulder erguer a mo.

"Charlie, agradeo a preocupao sobre sua irm, e
acho louvvel da sua parte, mas agora, ela  minha futura
esposa. Se for preciso, caso com ela amanh pra parar
com essa sua atitude, ou a de seu pai. Mas entendo que
 necessrio uma espera para que tanto sua me quanto
sua irm possam preparar o casamento do jeito que querem.
Mas, enquanto isso, coloque uma coisa na sua cabea: ns j estamos
juntos. E ninguem vai nos separar." 

Charlie entendeu o decreto. Muito bem. No havia
duvidas sobre as intenes do homem diante dele. 
Melhor assim - Fazer com que as coisas estivessem bem
claras, para no houvessem erros. Mas ainda precisavam
conversar sobre outras coisas tambm.

Mulder estava cansado sobre as atitudes de Charlie, apesar
de t-lo conhecido h pouco. Eram as mesmas atitudes de 
Skinner, e ele j tinha deixado bem claro que queria
se casar com Dana. Isso no bastava? Alm disso, era
prefervel ele estar sempre perto dela, para garantir
sua segurana. Por isso nao iria engolir esse papo de 
Charlie. 

"Podemos voltar a dormir?" Mulder perguntou, e Charlie
acenou, concordando. "E quanto  sua irm, pode deixar
que assim que amanhecer eu a coloco na cama dela. Assim
os empregados no vo ver nada, e nem os seus pais.
De acordo?" ele estendeu a mo, e Charlie pensou
duas vezes, mas viu que nao havia nada de errado no
gesto. 

Apertando a mao de Mulder, ele sorriu, e concordou.
"De acordo."

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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
TITULO: FREIBURG
PARTE 4D
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Mulder acordou, e olhou no relgio do pulso. 5h. Hummm....
Se esticando um pouco, ele olhou para baixo. Sim. Ela ainda
dormia. Dana tinha um sono bem pesado mesmo. Seria interessante
saber quem dormiria primeiro depois que eles... bem, ao
que parecia, seria ela. Seria uma coisa que Mulder adoraria descobrir,
e logo.

Mas primeiro, cumprir as promessas. Ficando de p, ele foi
ao banheiro, onde lavou o rosto, a boca e penteou o cabelo.
Voltando ao quarto, sem acender a luz, mais uma vez ele se
aproximou da cama para fazer seu novo passatempo favorito.

Ver Dana dormindo.

Ela era realmente uma viso. E seria uma pena acordar
um anjo de um sono to inocente. Ento, com todo cuidado,
ele passou um brao pelos ombros dela, outro por debaixo
dos joelhos, e a ergueu sem dificuldades. Ajeitando-a
contra o ombro, Mulder foi para a porta, abrindo a maaneta,
e foi direto para o quarto dela.

Ao passar pela porta de Charlie, ele quase levou um
susto. A porta se abriu de repente, e Mulder parou.
E quase riu ao ver o cunhado, com o cabelo todo em p,
parecendo meio ofuscado, meio alerta.

"O que voc est fazendo?" ele perguntou, vendo Mulder
de p, com Dana nos braos.

"Estou vendo que voc ainda no acordou. Estou levando
ela pro quarto, como combinado, lembra?" 
e sem esperar resposta, Mulder continuou.
Charlie ficou apenas olhando, meio tonto, mas tremeu a
cabea, e voltou pra cama. Ainda era cedo demais para lidar
com isso. Pelo menos o cara estava cumprindo com o que
eles combinaram.

Com todo cuidado, Mulder entrou no quarto de 
Dana, que estava com a porta encostada, e colocou-a na 
cama. Dando-lhe um beijo suave nos lbios, ele sorriu
quando ela murmurou alguma coisa e deitou de lado,
agarrando o travesseiro, enfiando o rosto profundamente,
s para relaxar mais uma vez, e roncar bem baixinho.

Mulder riu, contente. Ele iria adorar ouvir este
barulho todas as manhs. Cada vez mais ele estava
apaixonado por cada pequena coisa que ela fazia, principalmente
na cama. E esperava ansioso para descobrir que tipos de barulho ela
fazia na cama, alm de murmurar coisas enquanto estava dormindo,
ou ronronar daquele jeito. Mas isso, s depois do casamento.

Ele precisava se casar logo!

Saindo do quarto dela, ele andou na ponta dos ps
at a porta da frente, e saiu, dando a volta na casa
para onde estava o seu carro, do lado de fora da casa, 
na rua de trs. Era muito fcil entrar numa propriedade
to grande, sem ser notado. Bem como Charlie havia feito...

Pensando nisso, ele voltou ao prprio apartamento, no centro
de Washington. Depois de tanto tempo fora de casa, era hora
dele averiguar como estavam as coisas por ali.

Roupa suja, sem comida na geladeira, muitas contas, mas
o apartamento estava limpo, graas  sua faxineira, a vizinha,
sra. Lincoln, que apesar do sobrenome, no tinha nenhuma relao
com a familia do ex-presidente, e vivia com a modesta
penso de seu marido, e do apartamento que ele lhe deixou.
Ela no fazia faxina - apenas fingia que limpava, e ele
fingia que pagava - mas era evidente que o pouco que ela
limpava era mais do que ele poderia fazer neste assunto.

Mulder foi direto para o banheiro, onde tomou um
banho e fez a barba. Zumbindo uma cano, ele foi
para o quarto, onde trocou de roupa e se preparou
para o trabalho - hmmmm, preciso de roupas limpas
imediatamente - ele notou ao ver o guarda-roupa quase
vazio.

Pegando o saco de roupas, ele saiu do apartamento,
indo para o trabalho mais cedo, e colocou a roupa
dentro do carro, com a inteno de deixar na lavanderia
mais tarde. 

Ao chegar no escritrio da Inteligencia, ele foi
direto para a sala de Frohike, e no ficou surpreso ao
ver o amigo trabalhando. Afinal de contas, eles eram solteires
- Frohike por querer e no poder, e Mulder por opo - como
seu amigo mesmo dizia. 

"Ei, Frohike, como esto as coisas? Descobriu alguma
coisa?" ele bateu nas costas do colega, de maneira nem um
pouco gentil.

"Hff! - Ei, calma a. Deixe os meus pulmes no lugar"
Frohike se apoiou contra o tapa, e resmungando, voltou
para sua mesa. "S por isso no vou dizer o que encontrei
sobre aquilo que voc pediu e..."

Mulder o cortou na mesma hora. "O que voc achou sobre
Scott Rhys?"  a pergunta ansiosa deixou Frohike sem ao.
Ele nunca viu Mulder to ansioso. 

"Bem... eu consegui acha-lo no Texas, bem perto da fronteira
do Mxico. Parece, a mim, que ele vai fugir."

"Ele EST fugindo, Frohike." ao olhar confuso de Frohike, 
Mulder suspirou. "Ele fugiu da priso. Eu no te contei?"

Seu colega tremeu a cabea. "Voc s 'pediu' que eu 
descobrisse alguma coisa sobre este cara, mas no deu
os detalhes. E eu j havia percebido que ele era
um fugitivo, Mulder. Afinal de contas, eu trabalho
no departamento de Inteligencia."

"Ento por que voc mostrou surpresa?"

"Eu s no entendo  que... eu descobri o motivo dele
ter ido pra priso, Mulder, e no entendo, principalmente
com a sua idia inicial de que ele era um risco, de
que ele fugiria e que seria to fcil rastrea-lo."

Mulder colocou a mao no queixo, e pensou. "Foi to 
fcil assim?"

Frohike acenou com a cabea. "Sim, foi. Parece que ele
quer que saibamos que ele est ali mesmo, e que deveramos
ir atrs dele..."

"Para que ele possa fazer o que de fato quer fazer!"
Mulder concordou. No era difcil imaginar como estes
criminosos pensavam. Mas eles no poderiam ter certeza
disso. De qualquer maneira, Skinner precisava saber
para poder decidir o que fazer. 

Eram quase nove horas, e Mulder decidiu ligar para o
escritrio. No seria bom envolver a famlia do diretor
neste tipo de informao. Pelo menos no agora.

S que Skinner no havia chegado ainda. <Acho que
vou ser diretor tambm> ele resmungou, enquanto discava
o telefone da casa de Skinner. Trs toques, e alguem
atendeu.

"Al?"

A voz era inconfundvel. E Mulder sorriu. "Bom dia, 
princesa." Ele olhou para Frohike quando este murmurou alguma
coisa como 'J era. T fisgado' ou alguma coisa parecida.
Mulder nem se importou com isso. S tinha ouvidos para
seu anjo.

"Mulder?" ela respondeu, e imediatamente perguntou,
"Por que voc foi embora to cedo? Por que voc
no esperou at eu acordar? Por que..."

"Ei, ei, ei, calma..." ele brincou, e deu as costas
para Frohike. "Eu precisava dar um pulo no meu
apartamento, e alm disso, voc estava dormindo
como um anjo, e no tive coragem de te acordar."
o sussurro dele fez ela se derreter.

"Oh, Mulder..." ela ronronou, e Mulder jurou que faria
com que ela falasse o nome dele assim o mais rpido
possvel novamente. "Voc  maravilhoso..."

", eu sei" ao ouvir o suspiro dela, ele completou, "E sou
muito modesto tambm".

"Estou vendo" ela brincou, e perguntou. "Mas voc queria
falar comigo?" 

"De fato, queria falar com seu pai. Ele est?"

"No, ele j foi para o escritrio. Por que?  alguma
coisa importante?"

"No  nada no. Mas eu posso falar com Charlie?"

Pausa. "Por favor?" ele insistiu.

"E o que voc poderia querer com meu irmo? Afinal de
contas, vocs no ficaram exatamente amigos depois
da confuso de ontem."

" exatamente por isso que quero falar com ele.
Por favor, princesa..."

"S se voc prometer que vem me ver hoje"

"Eu no perderia por nada deste mundo" ele sussurrou,
e quase viu ela ficando vermelha.

"Oh...." ao ouvir a voz sedutora do noivo, ela
se derreteu mais ainda. 

"Dana?" ele insistiu, ao ouvir o silencio.

"Hmmm....?" ela perguntou, sonhadora.

"Charlie?"

"Oh, ah, sim, s um minuto"  o barulho do telefone
sendo largado fez Mulder rir mais ainda. Seria maravilhoso
casar com uma garota to doce.

Se o resto dela fosse to doce quanto a boca... e a pele do
rosto, e a voz, e a....

"Al?" a voz masculina tirou Mulder de seus pensamentos
sacarinos.

"Charlie? Aqui  Mulder." 

"Eu sei, Dana me disse. O que voc quer, cunhado?"
o tom de voz de Charlie no mostrava humor, e parecia
que ele ainda estava ressentido com o que havia 
acontecido. Mas agora no era hora para isso. Mulder
sabia que quando falasse o motivo, seu cunhado no
hesitaria em fazer o que fosse mandado.

"No repita o que vou dizer, principalmente pra
Dana. Tive noticias de Scott Rhys. Ao que parece,
ele est na fronteira com o Mxico, mas estou
desconfiado disso. Antes que possamos confirmar a
vista dele l, temos que cobrir todas as bases. 
Portanto..."

"Pode deixar. No vou perde-la de vista."

Mulder suspirou. "Obrigado, Charlie. De noite eu 
vou passar a, e ento conversamos."

"Voc j falou com meu pai sobre isso?"

"Ele ainda no chegou ao escritrio. Assim
que chegar, eu vou falar com ele."

"Bom. E Mulder?"

"Sim"

"Obrigado por tudo. Do que eu j ouvi do meu pai hoje..."

O sincero agradecimento do seu futuro cunhado
deixou Mulder meio sem jeito, mas ele respondeu
mesmo assim. "No tem problema, Charlie. Eu farei o impossvel
para fazer Dana feliz. E segura." 

"Eu no peo menos do que isso" o tom srio do homem
mostrava uma atitude bem diferente da de ontem, onde
Charlie mais parecia um rapazote. Mas Mulder tinha
que se lembrar de que Charlie era um ano mais novo
que Dana, e, portanto, um adulto. Apesar da aparncia,
ele j tinha seus princpios bem firmados.

Ele desligou o telefone, e voltou ao trabalho.
Haviam pendncias antigas de alguns relatrios
sobre casos onde ele atuou. Burocracia era a pior
parte de seu trabalho, mas era necessria. Foi
por causa da burocracia anterior que ele conseguiu
muitas informaes que lhe ajudaram a desvendar e
executar seus mais recentes casos.

Antes de ligar para Skinner, Mulder precisava
falar com seu chefe direto. Essas reunies eram
peridicas, principalmente devido  natureza de
seu trabalho. Mas as noticias que ele teve de seu
chefe no foram boas. 

"Eu o que?"

"Voc tem uma misso. Voc vai partir amanh 
noite, indo direto para a Alemanha novamente. Existem
rumores de que os alemes, apesar de derrotados, ainda
no desistiram. Temos quase certeza de que existem
grupos que esto construindo armas blicas pra
atacarem os aliados, como um ultimo suspiro. Eles sabem que
esto perdidos, mas querem matar mais alguns antes de morrerem."

"Mas so boatos!"

"E que voc vai confirmar ou no! Agente Mulder, 
 isso que voc faz, ou j se esqueceu?"

"Mas, senhor... eu no posso sair do pas neste
momento, e..."

"Como assim?"

"Estou na busca por um fugitivo da priso e..."

"Agente Mulder, isso faz parte dos seus deveres para com
a Inteligncia?" seu superior no admitia falha no protocolo. 
Principalmente em relao aos servios de cada agncia federal
que estava sendo planejada e construida no pas. Ao ver o
aceno de Mulder, ele suspirou, e continuou. "Bem, ento nem
mais uma palavra. Se  um fugitivo, a polcia pode muito bem
cuidar disso, e no mximo, o FBI. O departamento de Inteligncia
est voltado, at segunda ordem, para casos externos,
onde haja perigo para o pas."

"Mas, senhor..."

"Agente Mulder, no quero mais saber sobre
este assunto. Voc tem uma misso, e os detalhes
esto aqui mesmo" ele lhe passou uma pasta cheia de papis
e fotos. "Leia o relatrio preliminar, e volte aqui pela tarde, para
tirarmos qualquer duvida que haja da sua parte.
Ligue para minha secretria para saber a
hora. E  s."

Mulder ficou de p, irado, mas controlou-se. Ele
escolheu esta profisso, e antes no hesitaria
em ir alegremente para resolver um caso, ansioso
e excitado sobre as novidades e perigos que haviam
 frente. 

Mas agora, havia outro elemento na equao: Dana.
Ele nao imaginava mais sua vida sem ela por perto,
ou v-la todos os dias. Em casos como este, ele
poderia ficar disfarado, encoberto, por vrios dias,
semanas ou at meses! Ele no aguentaria ficar
longe dela.

Mas tambm nao poderia deixar seu pas na mo,
principalmente num momento tao crtico como
este. Saindo da sala sem se despedir, apenas acenando
com a cabea, Mulder voltou para sua sala, onde, mesmo
a contragosto, comeou a estudar o arquivo. 

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Dana estava nervosa. Durante todo o dia, ela
esperava notcias de Mulder. Este tipo de dependencia
nao estava lhe fazendo bem, mas ao mesmo tempo era uma
sensao maravilhosa!

H muito tempo ela nao se sentia interessada - bem,
ela NUNCA ficou to interessada por alguem, e sua
primeira vez tinha que ser com alguem to maravilhoso
quanto Mulder. Ela era uma garota de sorte.

Seu irmao Charlie nao largou de seu p o dia
todo. Nem mesmo para ela ir at a cidade para
comprar um vestido novo para o encontro de hoje
 noite. 

"Voc tem muitos vestidos, Dana" Charlie brincou,
deitado na cama dela, vendo Dana procurar alguma
coisa para usar no jantar de hoje  noite, reclamando
que nao tinha nenhuma roupa para usar. "E todos
eles so muito bonitos. Eu nao entendo as mulheres...
elas sempre reclamam que nao tem nada para usar
mesmo quando seu armrio pode ser usado como
estoque de uma loja de roupas e... omph!"

Ele parou quando foi atingido por uma almofada do
sof que havia ao lado do armrio. "Ei!"
ele viu Dana sorrindo, e ficou contente tambm. Fazia
tempo que nao via sua irm desse jeito. 

"Cale a boca, Charlie." ela comeou a fechar
o guarda-roupa, e pegou a bolsa, nao sem antes
passar no banheiro, arrumar o cabelo e passar um pouco
de maquiagem. "Bem, parece que vou ter que
ir na cidade para comprar um vestido novo."

"Eu vou com voc."

Ela levou um susto e pulou quando ouviu Charlie
ao seu lado. O olhar ansioso do irmo foi logo
substitudo por um brincalho quando ele
notou Dana olhando pra ele, confusa. "Voc
sabe que eu adoro fazer compras."

"Tanto quanto eu gosto de fazer exerccios.
Voc no me engana, Charlie. O que voc
est querendo?" ela cruzou os braos, esperando
a resposta.

Charlie colocou a mo na cabea. "Bem, eu
realmente gosto de fazer compras com mulheres...
voc sabe... entrar na loja e ver aquelas 
peas que vocs usam e...ei!" ele
chiou de novo, s que desta vez foi da cotovelada que
ela lhe deu.

"Pare de ser assanhado!" ela riu e tremeu
a cabea. "Voc  pior do que Mulder"
de repente ela notou Charlie ficar tenso, e
percebeu a besteira que falou.

"Como assim? Ele  assanhado com voc?"
o tom brincalhao nao existia mais. "Dana..."

"Eu estava brincando, Charlie. Assim como 
voc estava quando disse que gostava de fazer
compras..." ela caoou, e para sua felicidade,
o irmo ficou quieto. " serio. Eu estava
brincando. Mulder sempre me respeitou."

" bom mesmo..."

"Podemos ir?" ela cantou, saindo do banheiro.
Charlie foi atrs.

"Sim, podemos. E voc pode aproveitar para
me contar tudo sobre este seu Mulder to perfeito
assim, e como vocs se conheceram."

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Durante todo o dia Mulder ficou muito ocupado.
Ele conseguiu falar com Skinner, dando-lhe 
informaes que ajudassem o diretor na busca
ao fugitivo. Depois disso, ele se envolveu com
o caso, estudando tudo, inclusive a regiao onde
deveria se infiltrar, seus costumes, lngua e
possveis rotas de fuga, caso fosse necessria
uma sada de emergncia. 

No foi difcil. Ele j tinha ido algumas vezes
na Alemanha, e na verdade, o seu ltimo trabalho
foi l, resgatando Dana. 

Ele estudou cada um dos perfis dos possveis
lderes, e percebeu que isso seria um tiro
no escuro. Ele teria que ir para l com nada, e
voltar com tanta informao quanto possvel.

E teria que esperar o inesperado. Era nisso
que ele era o melhor. Ele se adaptava facilmente
s situaes.  Mas ele precisava de mais alguns dias
para se adaptar  misso. E o diretor lhe deu mais dois
dias, e s. Seu superior conhecia o agente que tinha nas
mos, e sabia de sua capacidade. Alm disso, todos os
servios feitos por Mulder eram resolvidos, e, por isso,
ele possua um pouco de 'carta branca' na Inteligncia.

Mas hoje ele teria que se adaptar a uma
situao muito especial, e uma que ele nao
queria enfrentar.

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Ele chegou pontualmente s sete, e foi atendido
por Dana, que o abraou logo de incio. 

"Nossa, que entusiasmo..." ele olhou pra ela,
e notou o vestido perfeito e a maquiagem e cabelos
perfeitos. Tudo nela era perfeito. E aquele perfume...
"Meu Deus, Dana, e eu que pensava que voc no 
podia ficar mais bonita..."

Ela riu, deliciada. "Obrigada, Mulder, mas eu nem
me arrumei direito..."

Dessa vez foi ele que riu. "Bem, ento me avise
da prxima vez em que voc se arrumar mais um
pouco do que isso. Assim vou trazer meu mdico
junto, pois com certeza eu vou ter um ataque
cardaco."

Ela riu ainda mais. S ento notou o brao atrs
das costas dele. "O que tem na sua mo, Mulder?"

"Bem... eu estava vindo pra c, quando eu vi
uma pobre senhora que vendia flores e ento
quis ajuda-la..." ele trouxe o lindo buqu
para ela ver, e riu quando ela olhou para as 
flores completamente encantada. Sim! Ele acertou
em cheio! Sua intenao era deixa-la muito feliz,
para ela nao ficar triste demais com as proximas
noticias. Ele ainda tinha outra surpresa para ela.

"Oh, Mulder, elas so maravilhosas..." ela ficou na
ponta dos ps e deu um beijo nos labios de seu noivo.

Mulder tentou aprofundar o beijo, enlaando-a pela
cintura, mas de repente outros braos a afastaram
dele. "Ei!"

"Charlie!" foi Dana quem protestou.

"S depois do casamento, cunhado" Charlie apareceu,
falando com Mulder, que resmungou alguma coisa, nada contente com
isso. "Cara feia pra mim  fome. Falando nisso...
o jantar est quase pronto, e faz tempo que estamos
esperando vocs na biblioteca - por isso achei melhor
vir te resgatar do lobo mau, Dana" Charlie brincou com
a irm, mas olhou muito srio para Mulder.

Ela no notou a troca de olhares entre os dois.
Muito contente com seu buqu, ela esperou Mulder entrar, mas
ele apontou um dedo, dizendo para ela esperar. Ele voltou
ao carro, de onde tirou outro buqu maravilhoso.

"Mulder, mas o que..."

"So pra sua me, Dana. Ela tambm merece flores, principalmente
depois de criar uma flor to bela quanto voc..."

Ela olhou pra ele, sonhadora, e Charlie fez um som de
'argh', parando rapidamente quando Dana olhou pra ele com
cara de poucos amigos. Mulder deu o brao para ela, que
o acompanhou para a biblioteca. Charlie ficou logo atrs.

"Mulder chegou, mame, papai..." ela falou, e 
Skinner ficou perto da janela, e Mulder foi para Margaret,
que estava sentada no sof. 

"Nem precisa dizer, Dana... posso ver isso em seus
olhos e..." ela parou de falar quando viu as flores
nas mos de Dana. "Mas que flores lindas, Dana!"

"E estas so para voc, madame." Mulder falou, 
galante, e Charlie virou os olhos, enquanto Skinner
sorria, apreciando o gesto. O agente era muito bem
educado e corts. Seria um bom marido para Dana.

Era preciso correr com este casamento.

Margaret ficou to maravilhada quanto a filha ao
ver o gesto de Mulder. "Obrigada, sr. Mulder. Elas
so maravilhosas."

Depois de agradecer o elogio, Mulder foi at Skinner.
"Boa noite, Skinner."

"Por favor, me chame de Walter. Agora estamos em familia"

Mulder concordou. "Tudo bem, Walter, mas antes, precisamos
falar de negcios" ele sussurrou enquanto as mulheres
ficaram trocando comentrios sobre as flores, e providenciavam
vasos para coloca-las, se desculpando e saindo da 
biblioteca, dizendo que voltariam rapidamente.

"Descobriu mais alguma coisa?" Mulder perguntou,
e Charlie e Skinner j sabiam do que se tratava.

"Depois da sua dica, providenciei uma rapida
investigao, e sim, alguem com a descrio
de Scott foi visto por l." Skinner falou, mas
parou.

"E..." Mulder continuou, querendo alguma novidade. 
No caso de rastreamento e apreenso, o departamento
de Skinner era o melhor para se fazer isso.

"E nada. Temos que esperar. Tenho um contato de 
confiana verificando isso." Skinner tomou um gole
da bebida, e ofereceu uma para Mulder, que nao aceitou.
O agente no parecia convencido. Skinner suspirou. 
"Mulder, eu no brincaria com a vida de minha filha."

"Mas esperar? Como assim esperar?" Charlie tirou a pergunta
da boca de Mulder.

"Sim, esperar. E proteger Dana enquanto isso. J
coloquei proteo nela vinte e quatro horas, pois
ela foi vitima anterior do fugitivo, e as chances
dele voltar para acabar o servio so bem grandes
principalmente com a ameaa que ele fez assim que
sua sentena foi pronunciada."

"Voc no me disse isso" Mulder falou, meio bravo.
Isso s piorava as coisas.

"A vigilncia comeou hoje. Mas Dana est segura, e 
a vigilancia tem o direito de intervir caso note
alguma coisa fora do comum na rotina de minha
filha, e intervir de maneira eficaz e decisiva."

Charlie ia falar uma coisa, mas foi interrompido
quando as damas voltaram ao cmodo. "O jantar
est servido, senhores" Margaret falou,
e Mulder acompanhou Dana at a mesa, enquanto
Margaret e Skinner iam juntos, com Charlie ao 
seu lado.

Mulder notou as flores sobre a mesa lateral onde
estava o buf, e ficou satisfeito com o gesto.
Eles se sentaram, esperando para serem servidos pela
copeira.

No discutiram sobre mais nada enquanto comiam,
com Dana e Mulder se olhando o tempo todo, com
Charlie na frente deles, virando os olhos ao
ver a maneira apaixonada com que os pombinhos tentavam
se bicar.

No final do jantar, enquanto tomavam caf, Mulder
comentou. "A comida estava uma delcia, sra. Margaret."

"Por favor, me chame de Maggie." ela sorriu de volta.
"Ainda bem que gostou, sr. Mulder"

"S Mulder, por favor..."

"Bem... Mulder" a mae de Dana continuou. "Dana
e eu conversamos esta tarde, e temos algumas idias
sobre o jantar, e ela mesmo me pediu para perguntar
algumas coisas sobre isso e...."

"Um momento, por favor..." ele a interrompeu, sabendo
que as noticias nao seriam boas. Todos na mesa
estavam olhando para ele, ansiosos. Sem olhar para
Dana, ele continuou - ele nao aguentaria o olhar
de decepo dela. "Eu acho que vamos precisar
desmarcar o jantar de noivado e..." ele parou
ao ouvir Dana ofegar. Olhando pra ela, ele viu
os olhos azuis, muito arregalados, j cheios
de lgrimas, e ela havia colocado a mo na
boca.

"Oh, meu Deus..." ela se levantou da mesa, e saiu
correndo. Mulder se levantou para sair da mesa,
mas Skinner o segurou pelo brao. 

Skinner olhou para Margaret, que tambm estava
espantada. Ele acenou com a cabea, e ela saiu
da mesa, indo na direo em que Dana foi. 
Os trs homens ficaram na mesa. Charlie estava
se segurando para no bater no futuro cunhado.

"Antes de voc ir falar com ela, voc vai 
se entender comigo. Que histria  essa?" a voz de
Skinner era controlada. Muito controlada.

Suspirando, e olhando mais uma vez para onde Dana
foi, Mulder falou, "Fui designado para uma misso.
Uma que no posso contar nada. Mas no tenho certeza
de estar de volta at o jantar de noivado." o tom
triste disse tudo para Charlie e Skinner. Era bvio
que Mulder nao estava satisfeito com isso, e muito
menos em deixar Dana triste. 

Se acalmando, os dois homens da familia Skinner
respiraram. "Por um momento eu pensei que voc no
quisesse mais se casar com Dana" Charlie riu de
lado, e olhou para Mulder.

"Voc ficou maluco? Se pudesse, casaria com ela hoje
mesmo! Alm disso, eu seria louco em vir at aqui
e falar em desmanchar o compromisso bem na frente
de vocs?! Com certeza eu nao iria sair vivo desta
casa."

"E por um momento voc estava quase morto" Skinner
resmungou. "Vamos l, Mulder, v se explicar a ela.
Depois volte para podermos conversar sobre o que
fazer sobre isso."

Ao ver sua dispensa, Mulder se levantou, quase
derrubando a cadeira pra trs em sua
ansiedade para falar com ela.

Ele foi direto para a sala, e por um momento
pensou para onde ela teria ido. Ao ver a porta da
biblioteca fechada, ele imaginou que ela nao estaria
ali, pois nem ela nem a me pensariam em fechar a
porta, no neste estado de emoo.

Subindo as escadas, ele ouviu barulhos vindo do
quarto de hspedes, o mesmo onde ele se deitou
na noite anterior. Olhando da porta, ele ficou
ouvindo as duas conversarem.

"Ele nao quer nada comigo, me. Ele deve ter
descoberto o que Scott fez comigo." Dana
chorava abraada ao travesseiro, quase perdida
na enorme cama. 

Sua me estava passando a mo sobre o cabelo dela.
"No pense assim, querida. Mulder  te adora,
e eu tenho certeza de que aconteceu alguma coisa
e  por isso que ele nao vai poder estar aqui. De repente
ele vai ter que trabalhar, ou outra coisa como
esta. Por que voc no se acalma, e pergunta o que
aconteceu para ele falar aquilo?"

Mulder fechou os olhos, aliviado. Ao que parecia, sua
futura sogra no pensava to mal dele. Mas seu corao
doa ao ver a dor em que Dana estava. 

"Mas me... depois do que aconteceu comigo, e com
a minha idade... nenhum homem vai querer nada 
comigo... e eu gosto tanto de Mulder..." ela
abraou a me, ficando de costas para
a porta. Margaret ficou acalmando a filha,
e viu Mulder na porta.

Ela acenou para ele se aproximar. "Mulder est
aqui, Dana..." ela sentiu a filha abraa-la com
mais fora. "Voc  mais forte do que isso.
Enfrente o problema, como voc j fez antes no
passado." afastando a filha, ela ficou
de p, no sem antes beijar a filha. "Eu
estarei l embaixo com seu pai."

Acenando para Mulder, ela saiu, e deixou os dois
sozinhos. Dana nao olhou para Mulder.

Indeciso, Mulder ficou parado, ainda perto da porta.
"Dana..."

"O que aconteceu, Mulder?" ainda de costas pra
ele, ela continuou. "Voc no quer mais nada 
comigo?"

"No! Nao... no  nada disso." ele se aproximou
da cama, louco para abraa-la. A imagem derrotada
dela quebrou seu corao, principalmente por
saber que ele era o culpado disso.

Ela respirou fundo, e tentou encarar o assunto.
Mas era muito difcil. "O que aconteceu?"
ela repetiu, e dessa vez, nao tentou adivinhar.

Sentando na cama, ao lado dela, ele falou, baixo:
"Estou sendo enviado para uma misso, e no sei
quando estarei de volta."

Ela ficou em silncio. " por isso?"

"Sim. Mas eu no...omph!" ele no conseguiu dizer
o resto, pois foi atacado por ela. Mulder quase
caiu pra trs com a fora de seu abrao. Meu
Deus... como algum to pequeno pode ter tanta
fora assim? ele pensou, achando graa da
idia.

"Ei, calma..." ele parou de rir quando ouviu o choro
de leve. "No chore, Dana. Por favor, no chore. 
Eu odeio te ver chorando."

Ela olhou pra ele, os olhos cheios de lgrimas, mas
sorrindo de felicidade. "Estou chorando de alegria,
Mulder! De alegria!" ela riu, e ele riu junto com ela.
Mas logo ela parou, e gemeu "Oh, Mulder..."

No faa isso, Dana, seno no respondo pelos meus
atos, ele pensou, imaginando ela gemer assim no
fogo da paixo. Calma, rapaz, calma...

"O que foi, princesa?" ele falou, acariciando o
cabelo dela, assim como a me dela fez antes.

"Voc no sabe quanto tempo vai ficar longe?
E para onde voc vai?"

Suspirando, mais ainda abraado a ela, ele respondeu,
"No sei quanto tempo vou ter que ficar fora, mas posso
te prometer que no vou ficar um minuto a mais do
que o necessrio. E sobre pra onde vou... infelizmente
no posso te contar.  confidencial. Voc sabe como
isso funciona."

Ela acenou com a cabea e lhe deu um beijo.
Ficando de p, ela se desvencilhou dos braos dele, e foi 
ao banheiro. "Fico contente em saber disso" ela falou
de l. "Mas no em relao  misso. Eu sei que
 perigosa, e isso voc nem precisa dizer"

Ela voltou ao quarto, com o cabelo arrumado e
sem um trao de choro no rosto, apesar de seus
olhos estarem um pouco vermelhos. Ele foi
at ela, e a abraou. "Mas eu vou tomar
o mximo de cuidado em relao a isso.  Afinal
de contas, quero estar inteiro para a lua-de-mel."

Ela sorriu tambm, e, juntos, eles saram do quarto,
para falar com a familia.

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Eles desceram as escadas juntos, e foram para a sala de estar.
O jantar havia terminado, pois estavam
tomando caf antes de Mulder derrubar a bomba. Mas ele tinha
outra bomba para derrubar - s que esta seria uma bomba
muito bem recebida. 

Pelo menos era o que esperava.

Ao entrar no cmodo, os dois perceberam Margaret sentada no
sof, e Skinner acendendo o fogo da lareira. Charles estava sentado
numa poltrona. Ele se levantou ao ver os dois. Ele olhou para o rosto
da irm, e ao ver seu sorriso, ele relaxou tambm.

Mulder soltou a mao de Dana, que abraou o irmo, e depois seu pai.
E sentou-se ao lado da me, para abraa-la, e agradecer seu apoio
durante os minutos de incerteza pelas quais acabara de passar.

"Bem, Mulder, voc teria mais alguma coisa para nos dizer sobre esta
sua misso?" Skinner perguntou. "Nao mais do que o possvel, bvio."

Ele se virou para a famlia, olhando e notando a tenso que encheu o ar.
Pigarreando, ele falou. "Daqui a trs dias, no mximo, eu terei que
ir numa misso, disfarado, para resolver uma situao que poderia 
se transformar numa ameaa ao nosso pas.  perigoso, mas---" ele
parou quando ouviu Dana ofegar novamente. Ele olhou diretamente pra
ela. "Mas eu j fiz servios como este, e te garanto que volto inteiro
para voc o mais rpido possivel."

"Mas no haver jantar de noivado" Foi Margaret que expressou o pesar
de toda a famlia. No  que eles queria que Dana se casasse o mais rpido
possvel - mas sim que eles viam em Mulder o homem perfeito para ela. 
Do pouco que viram, tanto Skinner quanto Margaret gostaram dele, e
at mesmo Charlie veio reconhecer, depois de apenas um dia e dois
encontros, que seu futuro cunhado era muito preocupado com Dana, e
parecia gostar muito dela. 

Dana o amava... no podia ter outra palavra para definir o olhar
apaixonado dos lindos olhos azuis cada vez que ela olhava para
Mulder. E o olhar era retornado duplamente por ele. No haviam
dvidas, naquela famlia, que eles foram feitos um para o outro.

"No posso afirmar nada, Maggie" o nome da sogra saiu facilmente
dos lbios de Mulder. "Mas farei o impossvel para voltarmos e
fazer nosso noivado de conhecimento pblico, mas, enquanto isso---"

Mulder andou at onde as duas estavam, e se ajoelhando de frente
pra ela, na frente de sua famlia, ele tirou uma caixa do 
bolso, e pegando na mo direita de Dana, respirando fundo, ele
olhou diretamente nos olhos dela. 

"Dana, voc aceitaria a honra de se tornar minha esposa?
Quer se casar comigo?" ele perguntou a mesma coisa duas
vezes - primeiro para se garantir que estava dizendo a coisa
certa, e segundo por que estava nervoso demais e j no sabia
o que dizer.

Ao ver os olhos dela se encherem de lgrimas, ele rezou para
que ela nao chorasse - mas as lgrimas desceram, e ele pediu
mais uma vez. "Por favor, Dana, no chore - eu te disse-"

"Shhh..." os dois se esqueceram dos outros que estavam ali. "Estou
chorando de alegria, Mulder." ela se mexeu para a beirada do sof,
e colocou a mo esquerda sobre as dele, que seguravam sua outra mo.

Ele esperou pela resposta dela, e quando no a ouviu, ele perguntou,
nervoso. "Dana?" ele tremeu a mo dela, que parecia estar num transe.
"Dana?" ela balanou a cabea, meio confusa. "Voc nao me respondeu
ainda e..." e ele teve a repetio do que aconteceu no quarto. Dana
se jogou nos braos dele, que caiu para trs, mas a abraou e no
deixou-a cair. Toda a familia comeou a rir ao ver a felicidade dos 
dois.

Skinner foi ajuda-los a se levantarem do cho, e pegou
Dana primeiro. Mulder se levantou depois, e pegando a caixa, 
que ainda nao tinha aberto, ele se virou para Dana. "Ento,
me d a honra de usar este anel, minha futura esposa."
ele abriu a caixa, onde estava um lindo anel dourado, com uma
pedra solitria, delicada, mas obviamente carssima. 

"Mulder, voc no precisava..."

Ele a cortou. "S o melhor para voc. Mas, o mais importante..."
ele falou, enquanto deslizava o anel no dedo dela. "Voc gostou?
Seno, podemos escolher o que voce quiser." ele beijou o anel,
depois a mo dela, e entao os lbios, e depois de olhar mais um momento
para ela, esperou sua resposta.

"Eu adorei..." ela sussurrou, e Mulder sentiu-se derreter de novo.
Oh, meu... ele estava louco pela lua de mel. S a voz dela o deixava
com vontade de...

"Ei! Cunhado!!! Pode solta-la!" A piada veio de Charlie, que ao que
parecia, seria uma pedra em seu sapato. Ele ouviu Dana rir, e riu
tambm. Tudo ficaria bem, mesmo com Charlie por perto.

Ele se virou e olhou para Skinner. "Ento, podemos marcar a data quando
eu voltar?"

Skinner olhou para ele por alguns minutos, e apertou-lhe a mo. 
"De acordo."

Enquanto isso, Dana e Margaret olhavam para o anel, e sorriam
uma para outra, sua me j dando conselhos e idias para como seria
o casamento. Ser que eles ouviram alguma coisa sobre 'terno azul'?

"Mulder, voc est com problemas" Charlie riu, mas parou quando 
ouviu elas discutirem sobre 'trs ternos azuis'.

Eles pararam, gelados, mas quando viram as duas sorrindo, eles
perceberam que elas estavam s brincando.

Os homens riram. 

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xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
TITULO: FREIBURG
PARTE 4E
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Mulder se virou e olhou para Skinner. "Ento, podemos marcar a data quando
eu voltar?"

Skinner olhou para ele por alguns minutos, e apertou-lhe a mo. 
"De acordo."

Enquanto isso, Dana e Margaret olhavam para o anel, e sorriam
uma para outra, sua me j dando conselhos e idias para como seria
o casamento. Ser que eles ouviram alguma coisa sobre 'terno azul'?

"Mulder, voc est com problemas" Charlie riu, mas parou quando 
ouviu elas discutirem sobre 'trs ternos azuis'.

Eles pararam, gelados, mas quando viram as duas sorrindo, eles
perceberam que elas estavam s brincando.

Os homens riram. 

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"Vocs no acham que esto exagerando?" Essa pergunta
foi feita por Charlie, que estava abismado ao ver a quantidade
de mostrurios de flores, lembranas, convites, cardpio,
buf,  e at uma organizadora que estava l para auxiliar sua me e sua irm
nestas coisas.

Haviam se passado quase vinte e quatro horas desde
o dia anterior, quando Mulder pediu a mo de Dana em casamento,
e as duas estavam a pleno vapor. Era um vai-e-vem de amostras,
idias, conversas e ch que ele mesmo ficou tonto. Rindo,
ele saiu para a varanda, e ficou respirando o ar puro.

Enquanto pensava que suas frias estavam comeando, e que
poderia estar no pas para o casamento de Dana, ele viu
um txi se aproximando. Era Mulder. Charlie no saiu
do lugar, mas no podia deixar de sorrir ao ver o futuro
cunhado subindo as escadas. Do pouco que conhecia e ouviu
falar sobre este agente, ele no ficou desapontado. 

Alm disso, o cara era simptico. E parecia fazer Dana
feliz, e ama-la. Era s isso que importava.

"Ei, Charlie, como voc est?" Mulder estendeu a mo, 
procurando ganhar um pouco mais da amizade do cunhado.

"Eu estou bem - meio tonto com tanta conversa sobre
o casamento, mas vivo. E se eu fosse voc, dava meia
volta, e s voltava no dia do casrio!" ele riu,
e Mulder no entendeu.

"Como assim?"

"Mulder, voc no vai acreditar o trabalho que d
fazer um casamento! Tem coisas que eu nunca ouvi
falar antes - voc j ouviu falar de tule? Ou sobre
as tradies no casamento - at aprendi que a noiva
tem que usar uma coisa nova, uma velha e uma emprestada.
Mas que bobagem..."

Mulder riu tambm. "Charlie, se a sua irm est feliz
com isso, no  bobagem. Alm disso, estou ansioso para
tirar a liga da perna dela e...." Mulder parou de repente,
sentindo uma enorme vontade de comer a prpria gravata. 
Vendo o olhar sem vergonha de Charlie, ele relaxou.

"Vejo que voc  dos meus. Mas, por favor, nada de 
detalhes, ok? Afinal de contas, ela  minha irmzinha."

"Mas voc no  mais novo..."

"Ei, ela  minha irmzinha..." Charlie falou, cortando o
assunto. "E vai ser sempre assim."

"Tudo bem, tudo bem. Voc poderia me dizer onde elas
esto? Passei aqui s para falar com Dana, e se por acaso 
tiver um jantar na mesa, eu posso comer tambm."

Charlie riu de novo. "Bem, ento acho melhor voc
passar na cozinha primeiro, pois eu no vi sinal de comida
desde que elas se embrenharam nos mistrios do casamento."
ele tremeu a cabea. "Papai nem quis ficar na sala. Ele foi
para a biblioteca, depois de passar uma hora com as mulheres,
mas saiu, dizendo que 'lavagem cerebral' no era algo que
ele queria fazer agora. Mame nao entendeu, mas Dana sim,
e ela o olhou de cara feia." ele sorriu de novo. Isso
estava ficando muito divertido.

Mulder entrou pela sala, e quase foi engolfado com tudo
que estava l. Havia uma enorme diferena da noite anterior
para esta. Dana, ao v-lo, largou o mostrurio que estava
em suas mos, e saiu correndo para ele. Mulder a abraou,
firme, e deu-lhe um beijo casto no rosto. Ainda abraado
a ela, ele se virou para as duas senhoras, e deu-lhes boa noite.

"Boa noite, Mulder." Margaret falou. "Ns s estamos tendo algumas
idias sobre o casamento."

"Mas vocs no acham que  cedo demais?" ele perguntou, olhando
para Dana.

"Claro que no. O jantar vai ser mais simples, mas o casamento 
tem muitos detalhes. E tudo precisa estar perfeito." ao ver
o olhar espantado do noivo, ela ficou preocupada. "Voc
acha isso demais?" a incerteza na voz fez Mulder pensar
rapidamente.

"O que voc acha?" 

"Eu estou adorando!" ela sorriu de novo, e todos na sala
sorriram tambm.

"Ento, por mim, no tem nada demais." ele lhe deu outro
beijo no rosto. "Eu vou falar com seu pai bem rpido, e
ento ns vamos 'conversar um pouco', tudo bem?" 

"Hmmm, hmmm..." ela falou, j distrada com os preparativos.
Mulder tremeu a cabea, e foi na direo da biblioteca.

Abrindo a porta, ele viu Skinner sentado  escrivaninha,
lendo o jornal. O ambiente aqui estava bem mais tranquilo
que l fora, e Mulder se aproximou, depois de fechar a porta.

"Boa noite, diretor" ele estendeu a mao, e recebeu o cumprimento
de volta.

"Pensei ter dito para voce me chamar de Walter." 

" costume... Walter." o diretor acenou com a cabea, e convidou-o
a sentar na frente da mesa. "Alguma novidade sobre aquele 
assunto?" depois de dar os dados para Skinner, Mulder teve que concentrar 
em sua prxima misso, mesmo desejando estar metido at a cabea para prender
o fugitivo.

"Ainda no. A segurana de Dana est ativa, a busca do 
fugitivo tambm, e agora s temos que manter os olhos abertos."

Mulder suspirou, no gostando do fato de que ele iria trabalhar
num momento como este. "A espera  uma das piores partes
do nosso trabalho."

Skinner concordou, e mudou de assunto. 
"Vejo que voc j passou pela exploso de acontecimentos l
fora." a voz estava cheia de humor. "No me leve a mal. Fazia
tempo que eu no via nem Dana nem Margaret to animadas. Vai valer
cada centavo que vamos gastar."

Mulder se ajeitou na cadeira. Ele estava meio sem jeito de falar
o que queria. " por isso que estou aqui. Quero oferecer 
algum apoio financeiro para o casamento."

"Mulder, voc sabe alguma coisa sobre casamentos?" Skinner
olhou para ele, falando como se estivesse debochando do 
agente.

"No. Confesso que no sei de nada em relao a isso."

"Posso te garantir que eu j aprendi a minha parte de casamentos
para uma vida." ele ofereceu um charuto para Mulder, que recusou.
"E te garanto outra coisa - a melhor coisa que o noivo tem que
fazer  ficar l, no altar, esperando a noiva chegar. Deixe tudo
com as mulheres,  um conselho de amigo." ele riu.

"Mas, em relao s despesas..."

"Eu tambm queria falar com voc sobre isso. Como manda a tradio,
o pai da noiva paga o casamento e a festa. O noivo paga as alianas,
e deve ter condies de cuidar da noiva depois do casamento. 
Principalmente na parte financeira. Bem, por voc estar aqui,
oferecendo isso, suponho que voc nao tenha problemas deste tipo."

"No senhor."

"E ns tambm no. O que te peo  que, caso tenha alguma dificuldade,
por favor no hesite em falar comigo. Nao quero que Dana tenha
nenhum problema depois do casamento. Eu a amo demais para ve-la
sofrer mais do que j sofreu." Skinner parou de falar, bem
emocionado. Ele se levantou, e foi para a janela, ver o gramado, seu
lugar favorito dentro da casa. "Como esto as suas posses, agente
Mulder?"

Mulder j esperava este tipo de pergunta. E agradeceu aos
cus de que tinha uma resposta decente. "Tenho mais do que 
posso gastar. Meus avs me deixaram uma herana de familia,
e ganho bem no meu trabalho - voc deve ter uma idia
dos nossos salrios. Posso lhe garantir que Dana no vai passar
nenhuma dificuldade em relao a isso." ele pausou. "Eu tenho
um apartamento em Washington, e uma casa em Virginia, que est em
timo estado. Vou verificar algumas coisas, e levar Dana l para
conhecer, e ver se ela gosta. Se ela no gostar, ns vamos procurar
outra coisa."

"E quanto ao seu trabalho?" ao silencio do agente, Skinner continuou.
"Vejo que voc ainda nao pensou sobre isso e-" ele foi cortado
por Mulder.

"No  nada disso. Eu mesmo j pensei em pedir uma transferencia para
outro tipo de funo, ou mesmo me aposentar e-" agora foi a vez de
Skinner interrompe-lo.

"Aposentar? Como assim? Voc ainda  muito jovem..." 

"Mas o meu trabalho  muito perigoso. Eu nao me importava em fazer
o que fao hoje, mas agora, com Dana, no quero me arriscar. J estava
pensando em fazer isso antes de conhece-la, e agora, estou firme neste
proposito. Nao vou me aposentar para ficar  toa. Posso muito bem fazer
outras coisas, coisas que sempre quis, mas agora, eu tenho outras
prioridades. E a sua filha est no topo da lista."

A resposta pareceu agradar a Skinner, que acenou com a cabea. 
" bom ouvir isso de voc, Mulder. Fico muito contente com isso." ele
se moveu, apagando o charuto. 
"Bem, vamos jantar?" ele perguntou de repente, indo para a porta.

Mulder o alertou. "Charlie me avisou de que era melhor no
passar pela sala, e irmos direto para a cozinha." 

"E eu concordo com ele. Eu nunca poderia imaginar..." ele
saiu resmungando, com Mulder atrs, rindo. Esta noite estava
muito divertida.

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"Seus pais viro para o jantar?" Dana perguntou. Ela
conhecia a histria de Mulder, e sabia que seus pais
estavam separados. 

"Bem, eu vou fazer a minha parte, e convida-los. Agora,
se eles viro ou no...  com eles." o tom triste
na voz comoveu Dana. Mulder sorriu, ainda triste. "H muito
tempo que eu nao sei o que  uma familia, Dana. E fico
maravilhado quando vejo vocs juntos. Eu sempre quis--"
ele foi impedido de falar quando ela o beijou nos labios
de novo.  Olhando pra ela, confuso, ele esperou por ela
falar. 

"Ns somos sua famlia agora, Mulder. E ns estamos
comeando uma. Acredite nisso." Ela ficou um pouco corada,
e ele sorriu.

"Falando nisso, ns nunca conversamos sobre onde vamos
morar. Seu pai me perguntou hoje sobre isso."

"Perguntou? Bem, eu nem pensei nisso - h tanta coisa
para ver e... pensando bem, onde vamos morar mesmo?" ela
brincou, e ele sorriu, j ficando com um humor bem melhor.

"Eu tenho uma casa em Virginia, e ela  bem grande.
Achei que poderiamos morar l. Faz parte da herana
que os meus avs me deixaram. Voc quer ir l amanh
de manh?"

"E o seu caso?" ela passou os dedos no cabelo dele, sentindo
sua maciez.

"Eu j sei tudo que preciso saber. Tenho memria fotogrfica.
Eu s pedi uns dias a mais para meu chefe, s para poder
ficar com voc mais um pouco, dando a desculpa de que precisava
de mais tempo para estudar a missao" ele a pegou pela cintura,
e sentou-a em seu colo. Ela riu e o abraou no pescoo.

"Ento, estamos combinados." Dana lhe deu um beijo apaixonado,
e logo o noivado comeou a esquentar. Quando se separaram, 
ambos estavam ofegantes. "Oh, meu Deus..." ela respirou,
e Mulder sorriu.

"Mal posso esperar pela nossa lua de mel" ele disse e sentiu
quando ela ficou tensa. "O que foi, Dana?"

Ela no respondeu, colocando o rosto contra o pescoo
dele. "Dana?" ele insistiu, e tentou afasta-la de si
para olhar em seu rosto. "O que foi?"

O clima romntico mudou completamente. Agora havia uma
tenso que tomou conta dos dois. "Eu nao quero falar
sobre isso" a voz baixa dela nao fez Mulder desistir.

"Mas voc vai falar. Mais cedo ou mais tarde voc
vai ter que falar comigo." ele parou, e jogou sua
cartada. "Eu ouvi voc falando com sua me no quarto.
Que idia  essa de que eu no vou querer nada com
voc, depois de saber o que aquele desgraado te obrigou
a fazer?" a raiva era evidente no tom de voz dele.

Dana sabia que ele nao estava com raiva dela, mas sim
do homem que a forou a fazer esse tipo de coisa.
Mesmo assim, ela ainda ficou quieta.

"O que ele fez, Dana?"

"Meu pai no te contou?" ela perguntou, ainda hesitante.

"Seu pai me contou o que ele presumiu ao te ver junto com
o Scott. Mas eu sei que voc nunca disse nada para ele."

"Mulder, eu no..."

"Shhh..." ele fez ela ficar mais calma. "No vou te forar
a falar alguma coisa que no quer. S quero te falar que
nada do que tenha acontecido vai mudar o fato de que eu
te amo, princesa." ele brincou com o cabelo dela, 
vendo as lgrimas nos olhos azuis brilhando. "E ns vamos
passar por isso. Juntos."

Eles ficaram em silencio por algum tempo. Finalmente, Mulder
respirou. "E quer saber do que mais? Esquea tudo isso.
No se preocupe em me contar nada. S pense em ns, e no
nosso futuro, e nos cinco filhos que vamos ter e-" ele
parou ao ver o olhar de espanto no rosto dela. "O que?"

Ela sorriu, maravilhada. "C-cinco?" 

Ele acenou com a cabea.

"O que voc pensa que eu sou? Uma gata pra ter tantos
filhotes?"

Ele cheirou o pescoo dela. "Eu sei que voc  uma
gata, mas quanto a ter tantos filhotes de uma vez...
bem, vamos ter um de cada vez. S isso."

"S isso?" ela perguntou, incrdula. "Mulder, voc
sabe o que acontece com uma mulher quando ela
engravida?" 

Essa pergunta o pegou de surpresa. "Ela tem um beb?"
ele tentou, nao muito certo da resposta que deveria dizer.

Ela tremeu a cabea. "No. Do que eu sei, e j vi de algumas
amigas minhas -" ela colocou a mo pra cima e comeou a contar
nos dedos "-a mulher engorda, enjoa, fica com os ps inchados, 
tem desejos esquisitos, nunca fica satisfeita com as proprias
roupas, o marido no tem mais interesse por ela e ela sofre no
parto, e depois tem que cuidar do beb." ela parou, olhando
pra ele muito sria.

Mulder franziu a testa, meio incerto do que dizer. "Bem... 
eu no quero que voc fique enjoada, e se voc engordar, pode
deixar que meu interesse por voc no vai mudar. Se seus pezinhos
ficarem inchados, eu fao massagem e se voc tiver vontade de comer
sorvete do Himalaia, eu mesmo vou l pegar" ele tentou brincar,
e ela sorriu. 

Eu estou brincando!  claro
que quero ter filhos! Mas nao cinco!  muita coisa, Mulder!"

Ele a abraou, e no desistiu. "Lembre-se: a melhor parte vai
ser tentar fazer os bebs." e riu quando ela ficou corada.
"Oh, Dana, ns vamos nos divertir  bea." e beijou-a de novo.
Dana tinha um gosto todo dela, e ele estava faminto por isso.
Ele teria desejos tambm, e que s ela poderia satisfazer...
Mulder levou a mo mais uma vez para debaixo do vestido
dela, subindo pela coxa macia, e ela soltou um gemido de protesto,
at mesmo mexendo a perna para tirar a mao dele, mas ele foi
insistente, e logo ela estava toda languida, permitindo que ele
fizesse o que queria. 

Mulder estava quase onde queria, quando...

"A-ham!" 

Ele tirou a mo como se estivesse queimando, parecendo surpreso,
sem saber como ela foi parar debaixo do vestido de Dana. Quanto
 sua noiva, estava ainda no mundo dos sonhos, olhos fechados,
respirando rpido. Uma bela viso.

"A-haaaam!!!" 

Mulder olhou na direo do som irritante, e vendo seu cunhado igualmente
irritante, teve vontade de esgana-lo. Mas parou quando Dana voltou
ao mundo dos vivos. "Mulder? O que..."

"Bem, irmzinha, eu vim te buscar. Mamae est te chamando l
dentro. Enquanto isso, pode deixar que eu fao sala para
o Mulder aqui na varanda." o sorriso sarcstico do cunhado no
enganou Mulder nem um pouco. Antes de sair do colo de Mulder,
Dana o beijou, e foi correndo para dentro, prometendo nao demorar.

O silencio entre os homens era to grosso que poderia ser cortado
por uma faca. Charlie falou primeiro. "Adianta pedir pra voc
ir mais devagar?"

"H?" Mulder fez que nao entendeu a pergunta.

"Vocs vo se casar logo, Mulder. Nao estrague tudo colocando a mao
dentro do..." Charlie parou de falar, ao notar a escolha errada
de palavras. "Bem, no v longe demais. Seno voc vai se arrepender."

Mulder olhou para o cunhado, avaliando o quanto ele poderia ser 
perigoso. E percebeu que Charlie nao era algum que voc poderia
desconsiderar.

"Tudo bem, Charlie. Mas  que..." ele tentou falar alguma coisa
que nao ofendesse seu cunhado. "Mas  que ela  to bonita, e
eu tenho medo de perde-la  a qualquer momento e nao poder mostrar
a ela..."

"Pode parar por a! Se voc quer mostrar qualquer coisa, vai mostrar
depois do casamento!" 

Mulder suspirou. "Nao  nada disso, Charlie. Eu s quero mostrar a ela
o quanto eu a amo. E que ela  muito importante pra mim."

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No dia seguinte, Mulder deixou recado no trabalho dizendo
que estaria fechando tudo para o caso, e levou Dana
para conhecer a casa na Virginia. A casa era como um sobrado,
com pintura clara, e amplas janelas, principalmente no andar de
cima. O interior estava mobiliado, com lenois cobrindo tudo,
protegendo do p. 

Dana nao cabia em si de contentamento. Ela tirou o leno
de alguns moveis, e Mulder s interferiu quando ela 
queria abrir uma porta ou pegar algo que nao conseguia
pegar sozinha. Durante toda a visita, ele imaginou-se ali,
com ela, acordando, almoando, conversando em frente 
lareira - bem, conversando e fazendo outras coisas...

"Mulder?" ele ouviu no andar de cima, e correu para l.

"O que foi, Dana?" ele perguntou uma vez, querendo saber
onde ela estava.

"Aqui, na sute." era o quarto de seus avs, e quando
ele entrou l, viu que ela segurava uma moldura. " voc?"

Ele olhou para a foto, e se viu, criana, no papel preto
e branco. "Onde estava?" ele pergunta, emocionado.

"Aqui, em cima da cmoda". ela sorriu. "Voc sempre foi
bonito... eu gostaria que..."

Ele abraou-a, beijando-a sobre a cabea. "O que voc
gostaria?"

"De que nossos filhos fossem to lindos como voc."

"E eles sero, Dana. Eles sero." ele pegou a moldura
das maos dela, e beijou-a com paixo.

Quando se afastaram, ficaram quietos por um momento,
apreciando este momento a ss. "O que voc acha?"

"Hmmm?" ela ainda estava com os olhos fechados, 
com o rosto encostado no peito forte.

"De morarmos aqui?"

"Humm-hmmm" ela concordou, e ele riu, deliciado
com Dana e sua forma de agir.

"Dana?" 

"Hmmm...?"

Ele esperou at ela abrir os olhos. "Voc quer
redecorar a casa?"

"Por que?" ela olhou ao redor, gostando muito 
de tudo. "Est tudo muito bonito aqui."

"Nao sei..." ele estava meio indeciso. 

" o que voc quer? Uma casa nova para ns?"

"Eu sempre quis um novo comeo. Eu gosto desta
casa, mas a decorao -- sempre achei meio forte
demais. Mas eu gosto das janelas." eles foram
at a sacada, olhando o vasto jardim. 

"Ento deixa comigo, Mulder. Mas como eu vou
contratar as pessoas e pagar..."

"Dana, ns vamos nos casar. O que  meu, vai ser
seu. Ento, nao vejo porque nao arrumarmos tudo
j. Vamos para o banco, conversar com o gerente, 
e voc vai ter carta branca para fazer o que quiser."
ele tinha confiana de que poderia colocar tudo nas
maos dela.

"Mas Mulder..." ela sorriu, e brincou com a gola da camisa
dele. "Voc nao tem medo de que eu gaste tudo que 
voc tem?" 

"Bem... se voc gastar, ento vamos passar fome juntos!"
o argumento dele fez ela rir mais ainda.

"Ento nao se preocupe com isso. Ns sempre poderemos
comer na casa da mame." 

Mulder olhou pra ela, e riu tambm.

Vida era boa.

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Naquele mesmo dia, Mulder foi trabalhar  tarde, depois
de ir no banco com Dana. Ele precisava pegar os ultimos
detalhes da viagem, e dos acontecimentos mais recentes
no local.

Dana ficou em casa, fazendo milhares de planos para
o que estava para acontecer em sua vida. Ela
iria se casar com um homem maravilhoso, que confiou
a ela sua conta bancria, lhe deu um anel maravilhoso,
uma casa pronta, e todo seu amor.

O que uma garota poderia pedir mais?

Agora, ela iria fazer uma surpresa pra ele.
Pegando o telefone que ele lhe deu hoje mesmo,
na casa, ela ligou para o trabalho dele, e informaram
que ele j havia ido embora. Como estava no fim
do expediente, ela julgou que ele poderia
estar no apartamento, que ele iria vender depois
do casamento. Mulder tambm lhe informou onde
ficava. Ele argumentou que nao era justo que ele
soubesse tudo sobre ela, e ela nada sobre ele.

"Mulder, voc est me dando carta branca pra tudo!
E sua conta bancria! Todo o seu dinheiro, e sua
herana!" ela estava abismada com a facilidade com que
Mulder estava mostrando tudo pra ela.

"Nao quero segredos entre ns. E o dinheiro nao  mais
meu -  seu. J que voc no tem renda propria, pois
apesar de ter estudado, nao conseguiu um cargo-"

"Pois  a que voc se engana." o tom de voz de Dana
fez ele olhar pra ela, surpreso.

"Como assim?"

"Eu trabalhei para o Governo fazendo aquele pequeno
trabalho na Alemanha, s para coletar informaes, e no
seria nada demais, nem perigoso, mas infelizmente, deu
no que deu..."

"Nao precisa se lembrar disso, princesa." ele pegou
a mao dela, e beijou-a no rosto.

"No, tudo bem - essa historia tem um final feliz -
eu te conheci" o sorriso dela era melhor do que
mil palavras de felicidade. 

"Ainda bem. Mas o que voc quer dizer com emprego?"

"Meu pai est providenciando uma posio administrativa
para eu trabalhar, em pesquisa, pois foi para isso que
estudei. Mas terei que fazer os exames e testes exigidos
para poder exercer a funo."

"E voc vai aceitar? Logo agora? Ns vamos nos casar,
Dana!" ele reclamou, e ela discutiu.

"Mas, Mulder - eu ainda nao acabei. Eu comecei a estudar
s por muita fora de vontade, e devido ao que aconteceu
comigo antes - e consegui meu intento. Mas agora, eu
preciso repensar minhas prioridades, e uma delas, neste
momento,  voc." ela sorriu ao ver o suspiro de alivio
dele. "Mas depois vamos conversar sobre isso."

"Claro, claro" ele nao estava muito disposto a isso,
mas iria conceder o que ela queria, por enquanto. "Bem, 
Dana, eu preciso ir ao escritorio, para fechar tudo
para a viagem.  noite eu venho aqui para jantar. Ah, isso
me lembra uma coisa - voc cozinha?" esta era uma pergunta
que ele tinha medo de fazer, depois que viu a casa do
diretor Skinner, e tantos empregados. Ele nao poderia
manter o padro de vida dela. Poderia chegar perto,
mas nao igualar.

Ela sorriu. "Nao se preocupe, Mulder. Mame teve
a certeza de criar uma moa capaz de nao matar seu
marido de fome. E de limpar a casa. Mas nao pense que
voc nao vai me arrumar uma ajudante, uma cozinheira,
e um faz-tudo." ela brincou com o cacho do cabelo dele,
que sempre caa na testa. Fazia ele parecer um
garotinho.

"Bem, a cozinheira e ajudante ns temos- ei!" ele
reclamou do tapa que levou no ombro. " serio! Eu
tenho duas pessoas que trabalhavam com minha
me, e que acho que esto sem fazer nada. Vou verificar
isso depois. E quanto ao faz-tudo..."

"O que tem o faz-tudo?"

"No sei se gosto dessa idia de faz-tudo... principalmente
comigo trabalhando fora, e voc sozinha dentro de casa..."
ele resmungou. "Alm disso, que tipo de coisa esse
faz-tudo faz?"

Ela teve que rir do cime dele sobre um homem que nem
mesmo eles contrataram! "Ele cuida do jardim, faz compras, 
conserta coisas, esse tipo de coisa. E s."

"Espero que sim mesmo. Por que se eu pegar um olhar torto
do cara na sua direo - Voc  minha, e de mais ninguem."

"E voc  meu. Pode deixar que eu s vou ter 
olhos pra voc" ela se derreteu, e ele aproveitou a iniciativa.

"Eu sou seu?" ela acenou com a cabea, e ele se sentiu
o mais sortudo dos homens. 

"Voc  todo meu, Mulder, e sou como voce - se eu 
ver uma mulher te olhando - como voc disse? ah, 'torto',
voc vai se ver comigo" ela brincou. 

"Hmmm... voc vai brigar comigo? Na cama?
Que tal comear agora?" ele comeou a passar
as maos sobre as costas dela, comeando a aperta-la. Ela
era muito macia... mas Dana se contorcia em seu abrao.

"Mulder... voc entorta tudo mesmo. Mas isso, s
depois do casamento. Voc tem que ir trabalhar, e
eu tenho que ir pra casa. Nos vemos hoje  noite."
ela lhe deu um ultimo beijo antes de sair do carro.

Dana sorriu, lembrando da despedida, e ento discou
o numero do apartamento dele.

Foi atendido no terceiro toque.

"Alo?" 

Dana franziu a testa. Uma mulher? No apartamento
de Mulder?

"Al?" a mulher perguntou de novo.

Saindo do estado de surpresa, Dana respondeu.
"Por favor,  do apartamento de Fox Mulder?"

"Sim, ." a voz era rouca, at mesmo sedutora.

"Eu poderia falar com ele?"

"Ele est ocupado no momento, meu bem. Quem 
deseja falar?"

"Quem est falando?" ela estava perdendo a paciencia
com esta mulher, s de ouvir sua voz. Como ela
se atrevia...

"Aqui  a namorada dele." a voz respondeu, de um
jeito muito convencido.

Dana no aguentou, e respondeu da mesma maneira.
Depois de passar uma manh maravilhosa com SEU NOIVO,
que tinha lhe dado carta branca sobre tudo que era
dele, quem era esta mulher, e o que ela pretendia?

"Interessante. Aqui quem est falando  a NOIVA
dele." -Agora eu quero ver voce responder essa -
ela pensou.

Mas a outra mulher nao perdeu a batida. "Voc
pode ser a NOIVA, mas est a, enquanto eu,
querida, estou aqui, com ele. Um beijo pra 
voc."

A mulher desligou, e Dana ficou vermelha de raiva.
Ah, mas isso nao ia ficar assim. Ela discou o numero de
novo, mas ninguem atendeu. O que estava acontecendo?

Bufando, ela pegou a bolsa que tinha deixado
na entrada, seu casaco, e quando colocou a mao na
maaneta da porta, outra mao se colocou sobre a dela.

"Onde voc pensa que vai, assim, sozinha?"

Charlie.

"Oh, Charlie, por favor, eu preciso sair." ela
estava ansiosa, nervosa, pulando... Dana estava
sentindo um mundo de sensaes, mas a principal delas
era raiva - ela queria encontrar essa mulher!

"O que foi, Dana? O que aconteceu?"

Ela conseguiu abrir a porta. "Vamos para o seu
carro, que eu te digo no caminho."

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Mulder estava cansado, mas animado. Mais uma vez,
sua noite nao vai ser totalmente solitaria. Mais 
uma vez, ele estar com Dana, beijando-a, conversando
com ela, fazendo carinhos... hmmm... ele sonhava
de olhos abertos com a lua de mel... se os namoros
fossem qualquer indicao, ele nao se arrependeria 
em esperar.

Alem disso, a antecipao s aumentava a excitao.

E se isso continuasse assim, Mulder iria explodir
antes do casamento.

Respirando fundo, ele abre a porta do apartamento,
enquanto se lembrava do dia que passou com Dana.
Depois do que ele fez com ela hoje, colocando tudo
dele em suas maos, era bom ela ter certeza do lugar
dela em seu corao, e de que ele estava sendo srio
com esta inteno de casar com ela. 

Ao pensar na tristeza das palavras dela naquele
quarto, com a mae, depois que ela pensou que ele
nao queria casar-se com ela, ele fechou os olhos,
e respirou fundo mais uma vez.

S para sentir um cheiro familiar. Um que nao sentia
h muito tempo.

Mas nao era possvel...

"Ol, Fox..."

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Fim da parte 4E


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TITULO: FREIBURG
PARTE 4F
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Mulder ficou um momento sem saber o que fazer, ou
dizer, mas se recuperou logo. 

"O que voc est fazendo aqui? E como entrou?" ele
passou por ela sem olhar. Agia como se ela nao estivesse
ali.

A mulher nao se preocupou com isso. Confiava em suas proprias
habilidades para convencer Mulder a fazer o que ela queria.
Por que ela o deixou ir embora, ela ainda nao sabia, mas
estava disposta a recupera-lo, e sabia direitinho como
fazer isso.

"Bem, a Europa nao est to divertida quanto antes da guerra,
e eu fiquei com saudades suas." Ao ver o riso de descaso dele,
ela ergueu uma sobrancelha. " verdade, Fox. Voc  muito
especial, nao sabia disso?" ela se aproximou, e colocou uma
mao sem vergonha sobre o peito dele. Mulder se afastou.

"Voc ainda nao respondeu como entrou aqui"

"Ora, eu usei meus poderes de persuaso" ela parou quando
ele riu sarcasticamente mais uma vez. "Com o seu sindico.
E ele me deixou entrar - eu disse que ia te fazer uma
surpresa!"

"Pode acreditar que foi uma surpresa e tanto." ele precisava
manda-la embora. Mulder sempre foi um homem muito bem
educado, mas depois de passar o inferno com esta mulher, ele
nao teria escrupulos em enxota-la para fora de seu apartamento.
"Saia daqui agora."

"Ora, Fox... eu sei que voc est com saudades de mim"
ela o agarrou pelas calas. Ela era muito direta. Mas Mulder
nao estava lhe respondendo como antes. "Ora, ora... ser
que vamos precisar de um pouco de persuaso aqui?" ela
lambeu os lbios, mas Mulder estava alm de seu feitio.

Ele se afastou dela, e chegou perto da porta. "Surpresa?
Ou desapontada por nao conseguir brincar comigo como fazia
antes?"

"Hmmm..." a mulher se aproximou dele como uma cobra. "Ser que
isso tem alguma coisa a ver com o fato de voc estar noivo?"

Ele olhou pra ela, surpreso. "Mas como..." ele parou, e tremeu
a cabea. "Nao importa. Eu quero que voc saia daqui, agora mesmo"

"Fox querido..." ela falou, toda venenosa. Ela nao ia perder
esta parada. "O que quer que sua noiva possa te dar, eu posso
te dar o dobro. Voc sabe disso." ela tentou abraa-lo pelo
pescoo, e Mulder tentava ir em direo a porta, para
jogar esta mulher pra fora. 

"Me solte..." ele grunhiu, e continuou, "E no se engane. Nada
que voc possa fazer vai chegar aos ps do que Dana faz comigo,
ou do que sinto por ela."

"Ah, o nome dela  Dana? Combina com a voz dela..." ela falou,
mais uma vez usando veneno para pegar Mulder em sua armadilha.

Isso deu certo. Mulder gelou. "Do que  que voc est falando?"

"Eu falei com ela pelo telefone e-"

"Voc o qu?!?!?! Quando,? Como? Onde-" Mulder estava
desesperado. Ele voltou para o telefone, com a inteno
de ligar para Dana. "O que voc fez, sua---"

"A-a-a-a, Fox, calma, calma. Eu s falei que era sua
namorada, s isso-"

"S isso? Sua---" ele bateu o telefone. Ele precisava
ir falar com Dana! Oh, meu Deus, isso nao podia estar
acontecendo!O que ela poderia estar pensando dele?

Ele pegou a mulher pelo brao, e saiu marchando para a porta,
e a mulher comeou a tentar abraa-lo, e beija-lo no rosto,
tentando convence-lo de que ela ainda era o melhor para ele.
Mas Mulder nao parou. Assim que chegou na porta, ele abriu,
e deu de cara com Charlie  e Dana.

Oh. Meu. Deus.

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"O que voc est fazendo aqui?" ele perguntou
para Dana, enquanto tentava, ao mesmo tempo, se livrar
do grude que estava pendurado em seu pescoo. Mulder
estava apavorado do que ela poderia pensar sobre o que
estava vendo.

"Parece que cheguei em boa hora" Dana falou, e Mulder
notou que nunca ouviu a voz dela to fria. E rezou
para nunca mais ouvi-la falar dessa maneira com ele.

"Como assim? Isso nao  nada do que voc est
pensando, Dana. Eu posso explicar tudo--"

"Ora, Fox, nao seja tolo. Pare de tentar esconder o
obvio." a mulher se vira para Dana. "Voc deve ser a noivinha
que ligou h pouco tempo. Prazer, meu nome  Phoebe
Green" Ela nao estende a mo, talvez por saber que
Dana no vai devolver o gesto.

Dana no estava preocupada que Mulder a estava
traindo. Era bvio, pela cena diante dela, que
a mulher estava tentando agarra-lo de volta, e
ela nao seria filha de seu pai se deixasse isso
acontecer. O treinamento pessoal que a Inteligencia
lhe ensinou para ela trabalhar na Alemanha viria
bem a calhar agora.

Sem perder a pose, ela fala, calma. "Quer largar o
meu noivo, por favor?"

Phoebe riu, achando graa da jovem baixinha que
a desafiava. "Seno, voc vai fazer o que?"

Mulder tentou impedir que algo de ruim acontecesse
com Dana, pois ele conheceu Phoebe no tempo em que
ela fazia certos servios para o governo britnico.
Mesmo sendo mulher, ela possua um certo treinamento
para os servios que teria que fazer. Ele conseguiu 
desvencilhar-se dela. "Phoebe, v embora."

"Isso, Phoebe, v embora" Dana repetiu, sem nunca
olhar para Mulder.

Charlie olhava tudo, divertido. Dava para notar
que a mulher era uma antiga amante de Mulder, 
que tentava, a todo custo, se livrar dela
neste momento, temendo a reaa de Dana. Mas
ele tinha certeza de que seu cunhado no arriscaria
seu casamento com uma mulher fcil como aquela.

Ele esperou para ver o que ia acontecer. Conhecendo
Dana como conhecia, ela no levava desaforo pra
casa. Dana sempre foi criada como uma princesa, mas 
sabia se defender como uma criana de rua.
O caso de Scott Rhys foi uma exceo que eles no
gostavam de se lembrar.

Dana cruzou os braos, e pediu mais uma vez,
"Quer soltar o meu noivo, por favor?"

"Vem tentar tirar ele de mim, garot-"

Nem Mulder nem Charlie puderam ver o que
aconteceu. Dana passou como um vento sobre 
eles, indo para o pescoo da mulher, puxando
o cabelo curto e empurrando-a com fora.
Phoebe caiu no chao, e Dana chutou-a nas costelas.

"Sugiro que voc saia daqui antes que eu--"

Foi a vez de Phoebe puxar Dana pra baixo, pela
saia, e as duas se atracaram no chao.

Mulder e Charlie estavam pasmos com a cena. No
era todo dia que se via duas 'damas' brigando
dessa maneira. Eles se olharam, e Mulder foi
direto para Dana, pegando-a pela
cintura, e Charlie pegou Phoebe, carregando-a
pra porta.

"Calma, Dana, calma - ohpf!" Mulder estava
tendo dificuldades em segurar sua pequena 
dinamite. Ela estava querendo ir para
cima da outra mulher, que fazia o mesmo. Charlie
estava tendo dificuldade em segura-la tambm.
Mas, eles eram homens, e no deixariam que mulheres
os vencessem em fora fsica.

E foi por isso que elas ganharam em esperteza.
Dana pisou no p de Mulder com o salto, e quando
sentiu a dor, Mulder soltou Dana, que correu para
Phoebe.

Com Charlie, Phoebe agarrou-o pelo saco, j
conhecedora dessa ttica na Europa, onde ela
estava acostumada a lidar com homens abusados
o tempo todo.

Enquanto Mulder e Charlie gemiam, elas se atracaram mais
uma vez, e ento, os homens, com seus egos machucados,
decidiram colocar fim nisso.

Cada um agarrou uma mulher, de novo, s que desta
vez, eles se preveniram - Charlie agarrou
as mos de Phoebe, abraou-a com fora, e virou-a contra
a parede. 

Mulder foi mais delicado, mas nao menos decidido.
Ele se aproximou de Dana por trs, e segurou-lhe as maos
contra o peito dela, e passou um
brao sobre os joelhos dela, sentando no sof,
prendendo-a em seu colo. Ela lutou, mas
ele nao soltou-a. 

Alguns minutos se passaram antes que as duas se
acalmassem. A supresa de Mulder, e at a de Charlie,
eram enormes, principalmente pela atitude
das duas mulheres ao mesmo tempo. Charlie at
brincou.

"Meu Deus, Mulder... o que  que voc tem
de to especial assim?"

Mulder grunhiu. "O que quer que seja,  da sua
irm - Dana, fique quieta agora!" ele quase gritou,
e isso fez o truque.

Ela parou, olhos arregalados, e s entao pareceu
perceber o que estava acontecendo. "Mas, o que---"
e ento, sentindo que havia ido longe demais,
ela olhou para Mulder, "Mulder, o que eu fiz?"

Ele tremeu a cabea. "No sei, Dana, mas ainda
bem que voc no estava com raiva de mim." 
ele tentou sorrir, para acalma-la, e suspirou.
Soltando as maos dela, e abraando-a com
fora, ele falou. "Mas eu adorei ver que
voc tem cimes de mim." ele falou, baixo,
e Dana o abraou pelo pescoo.

"Voc  meu, lembra?" ela falou numa voz pequena.

Ele se lembrou da conversa que tiveram antes, 
e sorriu. "E voc  minha."

Eles se olharam mais uma vez, e aproximaram os
rostos, se beijando num beijo lento e profundo.

"Aha-m!" 

Eles pararam de repente, e s ento
olharam para Charlie, que segurava Phoebe.
"O que eu fao com ela?"

Charlie no precisava se preocupar com isso.
A mulher nao mais brigava. Ela olhava para os
dois, parecendo, pela primeira vez, ver que
Mulder realmente nao estava mais interessado nela.
Sua inteno era vir aqui, e tentar conquista-lo
de vez. Apesar de te-lo despachado em Londres,
ela gostou muito dele, e pensou em at se
casar com ele. Mas agora, ela viu que poderia
ter chegado tarde demais.

O ambiente se aquietou um pouco. Phoebe
perdeu sua pose. Ela se aproximou dos
dois, tendo Charlie atrs dela, e Mulder
com Dana em seu colo. 

"No se aproxime, Phoebe, ou no respondo
por mim" Mulder ameaou, abraando Dana, como
se quisesse protege-la.

E Phoebe notou que era isso mesmo que ele
fazia. Protegia sua noiva. Dela. Do
perigo que ela representava. Ela sabia
que havia perdido. No adiantava falar
com ele agora, quando Mulder s tinha olhos
para sua noiva.

Ela podia ser baixa demais, branca demais,
ruiva demais, mas do olhar que Mulder
dava pra ela, a maneira como ele
a abraava, ela era tudo pra ele.

E ela, agora, era nada.

"Adeus, Fox."

Ela saiu, deixando os trs surpresos com
aquela atitude.

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Dana olhou a mulher ir embora, e notou
que se fosse ela, na mesma situao, no
saberia se reagiria dessa maneira. A idia
de perder Mulder era muito perturbadora,
e ela o abraou, s para certificar-se de
que ele era realmente dela.

"Ei, ei... calma... eu estou aqui..."
ele tentou acalma-la. Ela olhou pra ele.

"Quem era ela, Mulder?" ela queria
saber, pois notou que a mulher poderia
ter sido amante de seu noivo.

"Eu a conheci na Inglaterra. E ela e eu...
ns..." ele viu Dana acenando, e continuou,
"Bem, ela e eu nos divertimos, mas ela achou
diverso, mais tarde, com outro homem. E
eu voltei pra c. Fim da histria. O que
importa, Dana,  que ela no  importante pra
mim, nunca foi. =Voc=  quem eu quero, e
s isso que importa." ele beijou a boca
de Dana mais uma vez, e ela se acalmou.

Passado um segundo de silencio, Charlie
comeou a rir.

Os dois olharam para ele, que
explicou. "Nossa, aquela briga
foi demais! Mana, no sabia que
voc brigava to bem!"

Ela sorriu, e Mulder tambm. "Estou
orgulhoso, Dana. Mas nunca mais faa
isso"

Ela olhou pra ele. "Por que no?"

"Por que nao quero que voc se machuque,
e por que nao vai acontecer de novo.
Eu prometo. Se alguem aqui tem que bancar
o ciumento, esse alguem vai ser eu."
ele passou um dedo sobre um arranhao que
estava no rosto de Dana, que s agora
notou que estava picando.

"Bem... espero que isso nunca
mais acontea mesmo. Porque, da proxima
vez, eu nem mesmo vou brigar. Eu vou 
te matar."

Mulder engoliu em seco. "Pode deixar, princesa.
Eu vou me comportar"

Charlie riu. "Cunhado, tome cuidado.
Seno voc vai ficar na coleira antes mesmo
do casamento - ei!"

Dana jogou uma revista sobre Charlie. "Cala
a boca, Charlie. E, Mulder..." ela ronronou,
olhando pra ele. Mulder era todo ouvidos -
e boca.

"Sim?"

"Quero um beijo, agora."

Ele riu, surpreso, mas no demorou em atender
seu pedido.

Charlie rodou os olhos, e saiu do apartamento,
resmungando. "Estou esperando la embaixo."

Ele esperou por algum tempo.

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Dana suspirava, na cama, segurando a foto de
Mulder nas mos. Faziam duas semanas que ele
estava viajando, sem dar noticias, e ela estava
muito preocupada, ansiosa, e nem mesmo os preparativos
do jantar, e do casamento, puderam desviar a ateno
dela.

Nesta foto, ele estava todo de preto, sorrindo.
Ela pegou esta foto dentro do apartamento dele,
depois daquele 'encontro' com a ex-namorada dele.
Ela franziu a testa, se lembrando da mulher.
Mas logo parou de pensar nela. Ela nao era
digna de seus pensamentos.

Dana pensou no que conversou com Mulder, depois
que Charlie saiu.

"Ser que ela vai desistir to fcil?" ela perguntou,
preocupada. "Pois eu no desistiria".

Mulder olhou pra ela, maravilhado. O que ele fez
para conseguir tamanha lealdade e amor?

"Nao se preocupe com ela, Dana. Phoebe sabe quando
perdeu o jogo."

E agora, ela esperava por ele. Tudo estava
engatilhado. Era s ele voltar, e elas podiam
preparar o jantar num piscar de olhos, assim como
a cerimonia e a festa de casamento. O dinheiro facilitaria
tudo, fazendo com que tudo fosse feito de maneira rpida
e eficiente. 

A nica coisa que a animava era a casa. Ela contratou uma
equipe de reformas, e com a ajuda de Charlie, a casa foi
limpa, consertada e checada do teto  base. Estava tudo
pronto para ela e Mulder irem morar ali.

O telefone tocou, e Dana escutou alguem atender. Algum tempo
depois, sua me apareceu na porta de seu quarto.
"Oi, me. O que foi?"

"Dana, telefone pra voc" sua me falou com um sorriso.
Dana entendeu rapidamente de quem se tratava. Ela
correu to rpido que Margaret teve que se encostar
na porta para no ser atropelada pela filha.

Mas Skinner no teve tanta sorte. Ele estava saindo
do quarto quando foi atingido por Dana. Ainda bem
que ela era peso leve!

"Mas que pressa  essa?" ele brincou, vendo a filha
toda corada de excitao.

" Mulder! Ele est no telefone! Eu preciso..."

Skinner soltou Dana, empurrando-a na direo
da escada. "Nem precisa continuar. V logo atender
o seu noivo." ele sorriu enquanto via a filha descer
as escadas correndo. 

Margaret se aproximou de Walter. "Oh, meu Deus... esses
dois se amam mesmo, no ?"

Skinner abraou sua esposa, "Sim, e eu espero que
eles encontrem a felicidade que Dana merece."

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"Al? Al?" Dana atendeu o telefone, preocupada.
Ser que  a linha caiu at ela chegar at aqui?

"Oi? Princesa?" a voz insegura do outro estava
meio confusa, mas sem dvida nenhuma era a voz
de Mulder.

"Mulder! Oh, meu querido, que saudades..." ela
quase chorou, "Onde voc est?"

"Estou no aerporto internacional da Frana. J
terminei o meu servio, e estou pronto para
voltar. Devo chegar amanh  noite." Pausa. Esttica.
"...com saudades de mim?"

"Muito, muito, muito!" Dana repetiu. "Venha pra
c!!! Voc pode dormir aqui?"

"...mir a? Espero que...na sua cama..." a ligao
estava pssima, mas Dana podia entender a brincadeira
e o carinho nas palavras dele.

"Pode apostar nisso, campeo." ela brincou.

"Campeo??? Gostei do apelido." esttica. "...desligar.
Meu vo.... vai sair.... te amo..." esttica

"Tambm te amo!!!!" ela ria e chorava ao mesmo tempo.
Ela se lembrou de algo. "Me liga quando voc chegar
no aeroporto pra eu te buscar!" ela tentou falar
antes dele desligar. 

"No precisa... eu me viro..." esttica. "Beijo..."

"Beijo..." ela falou, mesmo ouvindo o tom de discar.
=Ai,ai...=

"Como estamos apaixonados, no ?" a me dela
brincou, vendo Dana com uma expresso muito contente
no rosto. 

"Oh, me... ele chega amanh! Mulder chega amanh!"
Dana beijou o rosto de Margaret, que sorriu. "Ainda
bem que j preparamos tudo. Podemos marcar a data e
mandar entregar os convites do casamento, e o jantar,
j que ser para os mais ntimos, ns e os pais de
Mulder, e eles j esto de sobreaviso, j pode ser
marcado tamnbm, e o cardpio j est pronto no
est? Me, fala alguma coisa!" ela respirou, e
olhou pra sua me.

"Ser que devo?" ela brincou, achando graa na afobao
da filha. Mas ela merecia - afinal de contas, s se
casa uma vez, bem, pelo menos na maioria das vezes.

"Venha, querida, vamos beber um pouco de gua, e 
conversarmos um pouco. E acalme-se: amanh ele
vai estar aqui."

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 Fim da parte 4F


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TITULO: FREIBURG
PARTE 4G
 
AUTORA: EDNA BARROS
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Mulder estava passando pelo porto da casa de Dana,
e ficou aliviado ao v-la na varanda. Durante toda
sua maldita viagem - ele nunca mais iria fazer este
tipo de trabalho novamente - ele ficou pensando
em como Dana ficaria sem ele por perto. Ele estava
muito preocupado com Scott Rhys, e sobre o que ele
poderia fazer. Mas pouco antes de viajar, Mulder
conversou com Skinner, que garantiu que Dana no ficaria
desprotegida em momento nenhum.

E agora, duas semanas depois, o trabalho dele, apesar
de necessrio, no era to urgente assim como foi
provado. Existiam grupos de milcia, ex-soldados, mas
eram to poucos, e to sem recursos, que no final
eram apenas um risco para si mesmos. O pas no precisaria
se preocupar com eles. No por enquanto. 

Todo o cansao que sentia, toda preocupao e qualquer
outro sentimento negativo foi desconsiderado  viso
de seu anjo particular. O branco lhe caa muito bem,
e o porte de dama que ela possua naturalmente tornavam
sua noiva a mulher mais especial do mundo pra ele.

Ele sorriu ao ver a ansiedade dela. Ele tambm estava
ansioso para encontra-la. S por muita fora de vontade
ele passou no apartamento para trocar de roupa, e avisa-la
de que estava a caminho. Ela no merecia ser abraada
e nem beijada por um cara sujo, suado e com barba, arriscando
suja-la e arranha-la dessa maneira.

"Mulder!" ela gritou, descendo as escadas, ao mesmo tempo
em que ele parava o carro na entrada. Assim que ele
colocou um p no cho, um pequeno furaco ruivo se jogou
em seus braos, e ele quase foi jogado pra dentro do 
carro novamente. Rindo muito, ele s pde abraa-la,
enquanto Dana descontava todo este tempo em que no 
se beijaram.

"Ei, calma!" ele riu. "Eu tambm estou muito contente
por estar de volta!"

"Ento por que voc no est me beijando?" a pergunta
insolente, feita com malicia, pegou Mulder de surpresa.
Mas ele se recomps rapidamente e decidiu surpreende-la
tambm.

Pegando o rosto dela entre as mos, ele olhou fixamente
nos olhos azuis, e beijou-a profundamente, at o ponto
em que ela se derreteu em seus braos.

Quando ele terminou o beijo, Dana parecia ter desmaiado.
Ele riu da expresso dela, e quando ele sacudiu ela
de leve, Mulder viu que ela estava realmente inconsciente!
Nossa, nem ele sabia que seus beijos eram to poderosos!

Sorrindo como um idiota, ele pegou ela nos braos, e 
subiu as escadas. Quando chegou perto da porta, ele
viu seu cunhado saindo, e explicou o que aconteceu ao
ver a preocupao no rosto dele.

"No se preocupe. Ela desmaiou de emoo" 

Quando Charlie viu o sorriso de felicidade no rosto
de Mulder, ele ficou mais calmo, mas ainda assim
guiou o cunhado para o sof, e foi pegar gua, 
enquanto Mulder deitava Dana com cuidado sobre
as almofadas. 

"Dana?" ele bateu de leve na mo dela, bebendo de
cada polegada que via, as sobrancelhas perfeitas, a
boca tentadora e a pele macia. "Dana, querida, acorde..."

Charlie chegou com a gua, e Mulder molhou os dedos,
e depois passou-os pelos olhos dela, que tremeram um
pouco, mas ento se abriram. No comeo o olhar de Dana
era confuso, mas ento, ao v-lo to de perto, ela
sorriu, e voltou a abraa-lo.

Ao ver que sua irm estava bem, Charlie decidiu deixa-los
um pouco a ss.

"Oh, Mulder, eu estava com tantas saudades suas" ela
sussurrou, e sentiu Mulder abraa-la com mais fora.

Ele sentou no sof, e puxou-a sobre o colo. "Eu tambm,
Dana. Eu tambm. Estava louco para chegar aqui."

Eles ficaram namorando durante alguns minutos, sendo
interrompidos por Margaret, que estava entrando em casa.
Ao v-la, Mulder tirou Dana do colo, e levantou, indo
at ela, pegando as duas mos da futura sogra, e beijando-a
no rosto.

"Oi, Maggie.  um prazer rev-la." 

Margaret sorriu ao cumprimento. Que rapaz galante! "O prazer
 todo meu, meu filho. Vejo que voc e Dana j esto
colocando tudo em dia" ela brincou, e Dana corou um pouco.

Skinner entrou logo depois, e estendeu a mo quando viu
Mulder. "Oi, Mulder. Fico contente ao v-lo inteiro" ele
brincou. "No agentava mais o choro nesta casa" ele
brincou, e Dana corou mais ainda.

Sorrindo, Mulder cumprimentou o diretor, e piscou para
Dana. "Pode deixar que ela no vai chorar mais. S se for
de alegria."

Enquanto todos se cumprimentavam, Margaret foi conferir
o jantar, e no demorou muito para que a mesa estivesse
posta, e todos estivessem comendo.

Durante o jantar, Margaret e Dana deixaram Mulder a par
sobre o que fizeram durante sua ausncia. O jantar estava
pronto, bastava apenas a data, e o casamento tambm. Isso
deixou Mulder muito feliz, e para no agirem de maneira
anti-social, o jantar de noivado ficou programado para
a prxima semana. Como haveriam apenas os familiares, 
no seria necessrio grande esquema.

Aps o jantar, eles foram para a sala, onde tomaram
caf, conversando pequenos detalhes, e falando sobre
o casamento, que ficaria para um ms depois, devido aos
proclamas. E foi nesta hora que Mulder ficou um pouco
desconcertado.

"Eu vou marcar uma hora com o padre. Mulder, qual 
o seu horrio disponvel?"

Mulder no entendeu a pergunta. "Disponvel pra que,
Maggie?"

"Ora, querido, para o aconselhamento pr-nupcial."
a resposta dela era desinteressada, mas Mulder viu
que Dana estava sem jeito.

Mulder, que nunca foi a uma igreja, e muito menos
conversou com um padre, ficou um pouco nervoso.
"Como assim? Que tipo de aconselhamento?"

"Ora, coisas sobre deveres do marido e da esposa,
como fazer de tudo para terem um bom casamento,
esses tipo de coisa."

Mulder sorriu, tentando faze-la esquecer esta 
idia. "Ora, isso no ser necessrio."

Margaret pareceu ficar chocada, e ele percebeu
que Dana ficou triste. Charlie e Skinner ficaram
quietos. Homens no gostavam de coisas deste
tipo, mas as mulheres sim, e de maneira nenhuma
eles iriam contra os desejos das mulheres da
famlia. Se Mulder resistisse demais, eles falariam
com ele em particular. Mas os dois sabiam que
Mulder adorava Dana, e faria de tudo por ela - mesmo
se isso significasse se submeter a este tipo de 
'conversa'.

"Mas, Mulder, voc no pode fazer isso com
Dana!  muito importante para a noiva conversar
com o seu futuro marido e o padre antes do
casamento - ela precisa saber de algumas coisas
que s o padre pode dizer."

Mulder ia replicar novamente, mas decidiu
perguntar a Dana. "O que voc acha, Dana?"

Era bem bvio o que ela achava. Mulder j
estava preparado para a resposta, e que no teria
como escapar desta. "Bem, Mulder... eu gostaria
de falar com o padre sim, mas se voc no quiser,
no precisamos ir."

A atitude dela o agradou e logo ele no se sentiu
mais pressionado a fazer algo que no queria. Ele
faria apenas porque =ela= queria!

Pegando a mo de sua noiva, ele sorriu para Maggie.
"Pode marcar a hora para o prximo sbado, se
for possvel." ele olhou para Dana, que acenou
com a cabea. " tarde."

Sorrindo, ele abaixou a cabea, e deu um beijo
casto em Dana.

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O jantar foi sem surpresas. Os pais de Mulder compareceram,
mas no foram muito sociveis. Apenas cumprindo um 
protocolo, eles apareceram na hora certa, responderam
com curtas palavras as perguntas feitas por Dana e
Maggie, e no se comoveram quando viram seu filho fazer
o pedido formal. 

Mulder parecia indiferente a eles. Ele fez a sua
parte, falando com eles, mas mesmo para um espectador
distrado, era notrio a distncia entre eles.

Apesar do jantar ter sido perfeito, Dana estava
triste por causa dos pais de Mulder. Ela e sua
sogra no teriam um lao de amizade - se dependesse
dessa noite.

Quando tudo terminou, e os pais de Mulder foram embora,
ele e Dana ficaram juntos na varanda, onde durante
muito tempo Dana ficou olhando para o anel de 
noivado, que brilhava na luz da lua. 

O silncio durou muitos minutos, at que ele
falou. "No fique assim, anjo. Meus pais nunca
se deram bem um com o outro, e menos ainda comigo."

Ela estava sentada no colo dele, sua mais nova posio
favorita. Apoiando a cabea no ombro dele, ela 
sussurrou. "Eu fico triste por voc."

"Pois no fique. Eu estou muito feliz pois encontrei
voc, e tenho certeza de que seremos muito felizes."
ele beijou a ponta do nariz dela, e fechou os
olhos, apreciando este momento tranqilo.

Ela tremeu um pouco, e ele abraou-a com mais
fora. "Com frio?"

"Hmm, hmm" ela murmurou, se aconchegando mais
no colo dele.

"Mulder?"

"Hmm?"

"Voc tem certeza de que ir falar com o padre amanh?"

"Claro. Quero ver o que o padre vai dizer que eu 
j no saiba."

Ela olhou pra ele. "Como assim?"

"Ora, Dana, vamos l - o que um padre pode
dizer sobre um casamento? Ele nem  casado!" ele
brincou, mas viu que a brincadeira no foi bem
recebida. "O que foi?"

"Voc est brincando com o assunto, mas isso 
muito importante pra mim."

"Ei, tudo bem. Desculpe, desculpe" ele beijou
o rosto dela. "Desculpe, princesa. Tudo bem, eu
vou admitir: estou nervoso para falar com ele."

"Pois no fique. O padre McCue me conhece desde
criana, e s quer meu bem. Ele vai ser bonzinho,
voc vai ver."

"Espero que sim." ele sussurrou, voltando a beija-la.
"Eu  espero que sim."

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"Bem, senhor Mulder, finalmente tenho o prazer
de conhece-lo." O padre McCue era alto, e tinha um
firme aperto de mo. 

Mulder entrou um pouco nervoso, junto com Dana, que
parecia infinitamente mais tranquila. Ele foi para
a Igreja, junto com Maggie e Dana, e eles deixaram a me
de Scully na igreja para irem  sala do Padre, para
conversarem. Durante todo o tempo Mulder agiu naturalmente
com o padre, e com as mulheres, mas assim que o Padre
o viu, ele notou certas coisas no jovem, imediatamente,
assim como fazia com cada casal que vinha para o 
aconselhamento.

Ele notou o porte confiante, mas ainda assim hesitante,
perfeitamente compreensvel, pois a maioria dos homens,
principalmente os jovens, passavam longe das igrejas e
missas, somente acompanhando as mes, irms, namoradas, 
noivas ou esposas. Homens dificilmente iam  Igreja
sozinhos, por vontade prpria. No era 'condizente' com
atitudes varonis.

O padre tambm notou o carinho com que ele tratava Dana,
e o respeito, tambm. Os pequenos gestos, como deixa-la
entrar primeiro, abrindo a porta para ela, ou arrumando
sua cadeira para ela sentar, ou mesmo ajudando-a a tirar
o casaco disseram muitas coisas para o padre. E como no
perceber quando Dana pegou na mo dele, e fitou-o nos olhos,
como se no houvesse mais ningum ali, e recebendo a mesma
resposta do noivo?

O padre conhecia Dana desde pequena. E s queria ve-la
feliz, principalmente de algo que aconteceu h algum tempo,
e que deveria te-la deixado marcada pelo resto da vida.
Apesar de no saber dos detalhes, ele sempre rezava por
seus paroquianos, e havia uma pequena agenda - sua memria
no era to boa quanto antes - com os nomes daqueles que
precisavam de mais alguma 'interveno' divina em suas vidas.

"O prazer  todo meu, padre McCue. Mas tenho que ser sincero,
no estou muito  vontade aqui" ele sorriu meio sem jeito,
sem ter a inteno de ser rude.

E no foi. O padre agradeceu a sinceridade, preferindo isto
ao fingimento e dissimulao de certos homens.

"Dana, voc est muito bem, minha filha." ele sorriu quando
Dana agradeceu. "Mas Maggie j me falou sobre o que vocs
pretendem, e quando. Por mim, no h problemas, a data j
estava reservada h muito tempo. Mas eu gostaria de falar
algumas coisas para a futura familia."

Dana e Mulder se ajeitaram em seus assentos, e o padre sorriu.
"No fiquem nervosos, meus filhos. No  nada demais. Se
vocs se amam, e se esta for uma unio abenoada por Deus,
como eu acho que o , este  apenas mais um passo para
sua felicidade" a inteno do padre foi alcanada - o
casal relaxou, e Mulder ergueu a mo de Dana para os 
lbios, beijando-a.

O padre seguiu falando sobre o que eles deveriam fazer para
terem uma familia feliz e temente a Deus, e Dana concordava
com tudo. Mulder no viu novidades, j que em seu corao
ele trataria Dana como ela merecia, seno mais. Ela era sua
vida agora, e ele tinha que viver bem, certo? Ento, Dana
seria muito bem tratada.

No final do encontro, eles encontraram Maggie na porta,
conversando com uma paroquiana. Quando ela os viu, ela
se despediu, e foi ao encontro deles.

"Ento, como foi?" ela perguntou para Dana, mas olhava
para Mulder, e ficou satisfeita ao ver o aceno de Mulder.

"Tudo maravilhoso, me. A data est acertada, e o padre nos
deu timos conselhos. E agora, temos muito o que fazer!"
Dana sorriu, olhando pra Mulder, e recebeu um beijo.
Juntos eles saram para conclurem os preparativos.

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"E a? Quando vai ser a sua festa de solteiro?" Frohike 
perguntou, chegando perto da mesa de Mulder, que estava
guardando suas coisas. Ele iria tirar um ms de frias,
aproveitando este tempo para viajarem para a lua de mel,
e passarem um tempo na casa. Mas a viagem ainda no
estava decidida. 

Dana j havia arrumado tudo. Mulder ficou surpreso ao
ver a casa decorada, e tudo com muito bom gosto. Ela no
gastou demais, e foi apenas por acaso que ele viu seu saldo,
que chegava na sua casa mensalmente, junto com relatrios 
financeiros que seu contador lhe enviava, falando sobre impostos
e essas coisas chatas que ele detestava.

Ele precisava de um padrinho, e j havia feito sua escolha.
Seu padrinho era um amigo de longa data, que trabalhava
junto com ele, e que lhe ajudou vrias vezes. E agora
este mesmo padrinho estava no seu p para fazerem uma 
despedida de solteiro.

"Ah, Frohike, deixa isso pra l. Eu no entendo vocs...
no estou interessado numa noite de bebedeiras, e pra
que? Pra ter uma ressaca no outro dia?"

"Mas Mulder... a festa no  pra voc -  para os seus
amigos comerem e beberem de graa, e ver muita mulher
bonita!" Frohike no entendia seu amigo - ele mesmo j
estava ansioso para fazer esta festa uma das mais
inesqueciveis de toda sua vida - e na vida de Mulder
tambm.

"Eu posso pagar comida e bebida pra vocs, seus mortos
de fome, mas eu j tenho a minha mulher - no preciso
de mais nenhuma".

Frohike treme  a cabea, incrdulo. "Quem te viu e quem
te v, Mulder. Nunca pensei que veria o dia em que uma
mulher te prenderia na coleira." ele riu da propria piada.

"No ria, Frohike. Um dia voc tambm vai achar sua
cara metade, e ento vai entender do que estou
falando." Ele riu ao ver o sinal da cruz que 
Frohike mostrou pra ele. "E com licena, amigo, mas
tenho que ir embora. J arrumei tudo, e te vejo no
dia do casamento." ele abraou seu amigo,
e foi na direo da sada.

"Pra onde voc vai agora?"

Ele virou e sorriu, satisfeito. "Vou me encontrar
com Dana. Ela saiu com Charlie, parece que foram a um
jogo ou algo assim. As frias de Charlie esto terminando,
e ele disse que queria rever alguns amigos. Ele at me 
chamou pra jogar, se eu quisesse." Ele acenou e foi
embora, deixando um Frohike cheio de inveja.

Indo direto para a antiga Universidade de Charlie, 
Mulder entrou com o carro, e procurou a quadra correta.
Haviam muitas pessoas ali, numa sexta  tarde, 
antecipando o fim de semana. 

Ele parou numa das quadras, assistindo um dos jogos
de basquete, que estava realmente muito interessante, 
quando dois homens ao lado dele comearam a falar.
"Voc viu aquela garota?" a voz maliciosa no escapou
dos ouvidos atentos de Mulder. Ele mesmo j agiu dessa
maneira antes, vendo as garotas usando os shorts-bermudas,
segurando gua para os namorados.

Preferindo no dar bola para os comentrios, ele continuou
vendo o jogo, mas no dava para no ouvir a conversa.

"Se vi? Voc teria que ser cego para no ver aquela deusa
perto da quadra. E as amigas dela tambm no so de se jogar
fora."

"Mas eu prefiro ela. Cara, voc tinha que ver na hora em
que ela sorriu para um dos jogadores -  cara de sorte!"

"Mas se eu te conheo bem, no era no sorriso que voc
estava de olho."

"Claro que no! Olha s, olha ela l de novo!!!" O cara
apontou para frente. "Ai, meu Deus - tem gente que tem toda a sorte
do mundo."

Mulder riu, e por curiosidade, olhou na mesma direo,
e seu riso morreu no mesmo instante - eles estavam falando
de Dana!!! Mas ele no ficou surpreso - a bermuda dela estava
 meia coxa, e a blusa era fina, quase transparente.

Onde Dana estava com  a cabea quando colocou aquela roupa?

Fumando de raiva, Mulder deu a volta na quadra, parando atrs
dela. Charlie o viu primeiro, e sorriu, mas ficou mortalmente
srio ao ver a expresso no rosto do cunhado.

Sem entender a mudana de atitude de Charlie, Dana se virou
para ver o que tinha chamado a ateno de seu irmo, quando
notou Mulder.

"Oi, querido! Que bom que voc..."

"Dana, que tipo de roupa  essa?"

Ela parou de falar no momento em que viu o rosto de seu noivo,
e ouviu a pergunta feita num tom de voz muito nervoso e cheio
de raiva. Sem entender o motivo de tal atitude, ela perguntou,
inocente.

"Mulder, o que est acontecendo com..."

"Aqui, coloque isso" ele tirou a jaqueta, e colocou sobre 
os ombros dela. "E vamos embora, agora." ele empurrou
ela pra frente, sem nem mesmo cumprimentar Charlie.

"Mas o que significa isso? Eu no vou a lugar nenhum
enquanto voc no explicar essa sua atitude estranha!"
o rosto de Dana estava corado, e eles j comeavam a chamar
a ateno.

Mulder puxou o brao de Dana, que puxou de volta. Charlie
tentou intervir, mas Mulder o impediu. "No se meta nisso,
Charlie." Ele puxou o brao de Dana de novo, e novamente
ela no foi com ele.

"Mulder, pare j com isso e vamos conversar civilizadamente."
Ela no estava entendendo a atitude dele ainda. No percebia
que ele agia somente por cimes. Refletindo a raiva que Mulder
sentia, mas no por ela, e sim por aquele bando de tarados,
ela tentou se soltar, mas ele no deixou. 

Se abaixando um pouco, Mulder jogou ela por cima do ombro,
indo direto na direo do carro. Charlie tentou reclamar,
mas um olhar na direo de Mulder fez ele dar um passo pra
trs.

Ningum fez nada para intervir. Era aparente para todo
mundo que esta era uma briga de namorados, e ningum era
maluco de entrar no caminho de um homem alto e raivoso.

Carregando Dana para a calada, Mulder localizou seu carro,
com ela reclamando o tempo todo. 

"Mulder, me solta agora!" ela bateu os punhos contra as costas
dele.

"S quando chegarmos ao carro." a voz dele era concisa, no 
admitindo o contrrio.

"Mulder, eu ordeno que voc me solte! No sou um saco
de farinha pra voc me tratar assim!" ela ainda estava meio de cabea
pra baixo, pois Mulder andava bem rpido. Ele queria tira-la
de vista de todos. "Quem voc pensa que  pra fazer isso
comigo?"

"Engraado. Pensei que fosse seu noivo."

Ela abriu a boca para responder, mas ficou quieta.

Alguns homens que ele encontrou no caminho mostravam um
sorriso e o polegar pra cima, aprovando o gesto. Dana
ficou ainda mais indignada.

"Voc est agindo de maneira insensata, Mulder. Pare j
com isso!" 

"Chegamos." ele falou, se abaixando, e colocando ela no
chao. Abrindo a porta, ele fez ela entrar.

Dana desistiu de conversar com ele. Mulder no estava
disposto a escutar nada, a no ser leva-la embora.
Mas eles iam conversar quando chegassem na casa dela -
ah, se iam!

Durante toda a viagem, eles no se falaram. A
a atitude dos dois foi idntica -
mas por motivos diferentes. Ambos estavam furiosos, mas
ela com ele, e ele com os outros. Esta seria a primeira
briga real entre eles.

Mas Mulder foi se acalmando, gradativamente, por ela estar
longe daqueles olhos gulosos. Dando uma olhada de lado, 
ele viu que ela estava olhando para fora da janela, de braos
cruzado, as pernas  mostra. Ela estava linda, toda corada
do sol, e de jeito nenhum ele iria compartilhar ela com outros
homens!

Se ele conseguisse faze-la entender...

Foi por isso que Maggie estranhou quando abriu a porta,
depois de ouvir o som do carro, e viu quando Dana bateu
a porta do carro, e Mulder vindo logo atrs. Quando ela
ia abrir a boca para perguntar qual era o problema, Dana
passou por ela como um furaco, subindo as escadas.

Mulder passou logo depois. "O que aconteceu, Mulder?"

Ele parou, passou a mo no rosto, e olhou para a escada,
agora vazia.

" que..." ele parou quando ouvi uma porta ser batida
no andar de cima. "Eu preciso falar com Dana, Maggie.
Daqui a pouco eu falo com voc" ele no esperou
a sogra falar nada. Subindo as escadas, ele chegou ao
quarto de Dana, que estava com a porta aberta.

Ela estava dentro do armrio, jogando as roupas pra
fora, sobre a cama e no cho. Ele podia contar que ela
estava furiosa.

Mulder percebeu que havia ido longe demais. Ele precisava
consertar esta besteira, antes que isso ficasse pior.
Chegando perto, ele ouviu os murmrios dela.

"Voc quer escolher a minha roupa? Ser que eu devo me
vestir como uma freira? Ah, no - voc no iria gostar -
minhas mos iriam aparecer!" ela quase gritou, jogando
mais roupas na cara dele.

"Dana..."

"Ah, aqui..." ela apareceu com um vestido muito curto.
Ele engoliu em seco quando ela tirou a blusa, ficando apenas
de suti, e colocou o vestido sobre a cabea. Depois, com
o vestido na cintura, ela abriu e puxou a bermuda pra baixo,
e Mulder ainda conseguiu ver a calcinha dela antes que Dana
puxasse o vestido para baixo. A bainha era muito curta, e dava
pra ver mais ainda das pernas dela, mais do que se ela
estivesse de bermuda.

"Eu iria usar este vestido na nossa lua-de-mel, mas parece
que voc no gosta que eu use roupas curtas. Bem, Mulder,
eu comprei este vestido pra usar pra voc, mas talvez eu
mude de idia e saia agora mesmo sozinha, usando s
isso!" ela foi para a porta, mas ele a parou antes que Dana
pudesse abri-la.

"Dana, por favor..." ele enfiou o rosto no cabelo dela, 
sentindo ela tremer de nervoso. Ele tambm estava muito
sensvel com tudo isso, pois nunca antes uma mulher fez
ele se sentir to possessivo. Desde j ele percebeu que
teria que se controlar, e muito, para no ficar doente
com tal sentimento. "Me desculpe... mas  que eu no 
aguentei ver aqueles homens falando sobre voc como se
voc fosse uma... uma..."

Respirando fundo, Dana entendeu o motivo. Ela mesmo
sentiu-se muito possessiva quando viu Phoebe no
apartamento dele. Mas ela descontou na mulher, e
no fez como Mulder, que descontou sua raiva nela -
sua futura noiva!! Como ele...

Controle-se, Dana. Controle-se. Fique contente por
ter um homem como Mulder to ciumento assim. Isso queria
dizer que ele gostava muito de voc, a ponto de no deixar
outros te olharem. Eles teriam que trabalhar isso, mas
no seria este acontecimento que arruinaria a vida deles.

Virando pra ele, ela olhou nos olhos amados, e viu medo,
ansiedade e um pedido de desculpas. Compreendendo, e amando
ainda mais este homem, ela ficou na ponta dos ps, e o beijou.
"Mulder, voc no pode agir desta maneira cada vez que eu 
sair com algum. Eu estava com meu irmo, e aqueles eram
os nossos amigos! Alguns eu conheo desde a infncia!"

Ele tentou argumentar. "Mas Dana... eu escutei aqueles
dois falando algumas coisas, e eu no gostei, e quase
bati neles, mas preferi tirar voc de l para nao chamar a
ateno demais e..."

Ela riu, e ele ficou surpreso. "Que foi?"

"S voc mesmo poderia achar que me tirar de l da maneira
que me tirou iria chamar menos ateno do que brigar
com dois abusados. Brigas so prerrogativas dos homens, 
Mulder. Sempre tem alguma discusso no fim do jogo."
Ela abraou-o na cintura. "E no  que eu tenha gostado
do show de cimes, mas voc precisa se controlar, meu bem.
Seno, como vou poder trabalhar?"

"H" Trabalhar? Como o assunto mudou to depressa?

"Sim, trabalhar. Eu ia conversar com voc sobre isso, mas
s mais tarde. Meu pai est vendo um trabalho pra
mim no FBI, e eu..."

"No quero voc l, Dana". Ele se afastou, dando as costas
pra ela. 

Franzindo as sobrancelhas,  "Como assim? Mulder, eu quero..."

"No me entenda mal, Dana, eu gosto da idia de voc trabalhar,
mas pense bem - quando voc ficar grvida, voc vai ter que
ficar de repouso, e trabalhar no FBI  perigoso demais."

Ela bufou. "S voc mesmo..."

Ele ficou confuso. "S eu mesmo o que?"

"Mulder, eu no estou grvida, e se ficar, isso no quer
dizer que eu vou ficar dentro de casa, na cama."

'Veremos'. Ele pensou, mas teve a sabedoria de nao falar
em voz alta.

"E sobre o FBI - eu no vou trabalhar como agente - isso ainda
no  permitido para as mulheres, mas um dia, voc vai ver,
ns tambm vamos poder fazer o trabalho to bem quanto um homem."

Ele riu. Ele no duvidava que ela fosse capaz disso. Mas
nem em sonho ele permitiria que ela se arriscasse dessa maneira.

"E por ltimo - o trabalho  administrativo. Meu pai pensa
como voc - que somos todas delicadas, e que no podemos fazer
mais nada a no ser trabalho administrativo."

Mulder suspirou de alivio, por dentro. E agradeceu a seu sogro
por evitar que ele discutisse sobre isso com Dana.

"Tudo bem, Dana. A gente pode conversar isso quando estivermos
morando juntos, mas eu digo agora mesmo: eu tenho recursos para
nos sustentar - voc no vai precisar trabalhar. S cuidar de mim,
seu maridinho, e dos nossos cinco filhos."

Era impossvel ficar brigada com ele, principalmente com ele
atrs dela, todo quente, com um cheiro maravilhoso, abraando ela
pela cintura. O vestido subiu um pouco, e ele parecia hipnotizado pela
bainha, principalmente nas pernas que ela revelava!

Dana no notou, e tentou se virar. Ao fazer isso, as mos dele
prenderam no vestido, que subiu mais alguns centimetros. Mulder
olhou para o espelho atrs dela, e quase enlouqueceu.

Quando ela se virou pra ele, Mulder murmurou, a voz seca.
"Dana?"

Ela olhou pra ele, surpresa. "O que foi?"

"Guarde este vestido para a lua de mel" ele sorriu,
malicioso, e ela sorriu tambm.

As coisas prometiam...

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"Mame? O que voc quer falar comigo?" a tarde estava
maravilhosa, e o casamento seria amanh. Tudo estava
pronto nos jardins da casa, e o tempo parecia que iria
firmar. Dana no poderia ter pedido nada to perfeito assim.

Sua me pediu para conversar com ela num canto retirado do
jardim, junto com uma das ultimas mesas. A recepo 
seria grande, devido  posio de Skinner no governo, sem
contar o orgulho dele em casar Dana, e mesmo com
Dana no querendo tanta coisa, ela fazia isso por sua
me e seu pai. Eles mereciam. 

E por Mulder tambm. Ele parecia no stimo cu com esta
histria de casamento. Dizia que ficaria orgulhoso
s em exibir sua futura noiva para todos os homens da
festa.

"Eles vo ficar ciumentos" ele comentou na hora, e
ela sorriu. Ele no tinha jeito mesmo.

"Venha c, Dana." Maggie bateu com a mo numa cadeira
branca ao seu lado. "Sente-se aqui, filha". Dana
fez como foi pedido, e aguardou, ansiosa. Apoiando
os cotovelos na mesa, ela esperou sua me comear
a conversa.

"Dana, voc vai se casar amanh, e eu gostaria de
falar algumas coisas para voc." o tom srio da
me deu a dica do que iriam conversar.

" sobre a noite de npcias, no ?"

Maggie olhou pra filha, um pouco surpresa ao
ver a calma dela, e sorriu. "Eu no estava to
calma no dia do meu casamento com seu pai."

"Mas como assim? Voc j era viva quando se
casou com ele."

"Estou falando a respeito do primeiro casamento,
Dana." ela falou meio sem jeito.

Dana abriu a boca, mas decidiu no falar nada.

"Eu s gostaria de lhe falar algumas coisas,
s para voc no ser pega de surpresa na noite
de npcias."

"Como assim?" ela franziu a testa, no entendendo
onde sua me queria chegar.

Maggie pegou as mos da filha. "Querida, a primeira
vez pode ser muito dolorosa para a mulher."

"A primeira vez?" ela estava muito confusa.

Sua me suspirou. Ia ser mais difcil do que
ela pensava.

"Dana, eu sei que voc j viu mais do que
deveria sobre o corpo de um homem. E como
esposa, catlica, voc deve se sujeitar ao
marido e ao que ele exigir de voc na cama."

"Mas o que voc..."

"Dana, quando eu me casei pela primeira vez,
minha me s me falou duas coisas a 
respeito da noite de npcias - isso por que
ela estava um pouco preocupada. Muitas moas
nem escutam falar nada sobre a primeira
noite, e quando descobrem, do pior jeito possvel,
ficam infelizes pelo resto da vida."

"Como assim, infelizes? No era para ser o momento
mais especial de uma moa?"

"Era pra ser, Dana, mas como eu j te disse,
a mulher sente uma dor quando tem o primeiro
relacionamento com seu marido, ou com qualquer
outro homem." Maggie estava ficando cada vez mais
sem jeito de falar isso, mas ela precisava avisar
sua filha.

"Mame... assim a senhora est me assustando..."
Dana estava com receio de ouvir o resto da histria.
Ela j estava imaginando que sua lua de mel no seria
tanto de mel assim. Mas com Mulder to carinhoso...
como ele poderia machuca-la? "O que vov falou
com a senhora?"

"Minha me me contou que o papel... errr....
de uma esposa, fora de cuidar da casa e do 
marido, era o de deitar na cama, e deixar o marido fazer
o que quiser fazer, e pronto. Se tudo desse
certo, voc ficaria grvida no comeo do
casamento, e no precisaria ficar tendo 'relaes'
com ele. E que o objetivo do...oh, meu Deus...
sexo.... no casamento... era para se ter bebs
na famlia, e garantir sua descendncia."
A fala toda saiu num nico suspiro, com a me
de Dana completamente ruborizada. Os olhos
de Dana estavam arregalados.

"Mame... o casamento com papai, o seu segundo
casamento... foi assim tambm?"

Silencio. 

"Mame?"

Maggie suspirou. Isso no era algo que ela
queria falar com a filha. "Dana, meu bem. Voc
s precisa entender que os homens podem ser
diferentes, mas que, na cama, todos so iguais.
Todos querem apenas uma coisa." Percebendo
que estava sendo geral demais, ela continuou.
"Walter  maravilhoso, no me entenda mal,
e posso dizer que minha 'experincia'
anterior nos ajudou, e muito, no nosso
relacionamento, mas..."

"Voc no.... gosta de ir pra cama com ele?"
a pergunta inocente, mas direta, fez Maggie
exclamar.

"Dana!!!! Como voc pode fazer uma pergunta
como essa? Eu amo Walter, e sou muito feliz
com ele."

Mas no tanto quanto gostaria, pelo menos
no neste sentido  - Dana pensou, e suspirou. 
"Tudo bem, mame. Eu entendi o seu
recado. E agradeo. Mas eu tenho certeza de
que Mulder vai cuidar direitinho de mim. Eu
estou to apaixonada por ele... nada vai 
dar errado!"

"Deus te oua, Dana. Deus te oua."

Dana se levantou pra sair, mas sua me
pegou a mao dela. "S mais uma coisa,
querida."

"O que foi, mame?"

"Eu vejo que Mulder te adora, e sei 
que ele vai fazer de tudo para no
te decepcionar, mas..."

"Mas..."

"No espere muito da primeira vez, sim?
Depois fica mais fcil."

Dana sorriu. Ela no estava preocupada com
Mulder. Com a dor... talvez, mas no com
Mulder. "Pode deixar, mame. E obrigada."

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Fim de Freiburg 4G



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TITULO: FREIBURG
PARTE 4I
 
AUTORA: EDNA BARROS
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PARTE 4I

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FREIBURG 4I

"Enfim, ss!"  Ahhhh... como ele queria dizer esta frase.
Depois do tumulto que foi o casamento - Mulder chamou
poucos amigos, Dana idem, mas parecia que seus pais,
tanto dele como os dela, completaram a lacuna. Mulder
nunca viu tanta gente num espao to grande, e tanta
gente poderosa.

Mas agora, ele estava aqui, na casa deles, em
Virginia, com sua esposa novinha em folha em
seus braos, num mar de cetim.

O vestido de Dana foi feito sob medida, e tinha um
decote que fez os olhos dele grudarem ali durante
toda a festa. Ele e os outros homens tambm - tanto
casados quanto solteiros. Se olhares pudessem matar,
Mulder teriam fulminado mais da metade dos homens
naquela festa.

O vestido, ao mesmo tempo que escondida, 
revelava o corpo pequeno, mas cremoso e curvilneo,
e Mulder, apesar de no gostar dos olhares, estava muito
orgulhoso, pois sabia que estava sendo invejado por todos eles!

Fechando a porta com o p, e balanando Dana nos
braos, fazendo ela rir, ele trancou a porta.

"Voc vai me deixar cair, Mulder!" ela riu,
esticando a ponta de um p delicado, num sapato
branco. 

"Nunca". Ele a jogou um pouco pra cima, se equilibrando,
e comeou a subir a escada, indo para a sute.

"Hmmm... Mulder, voc  to forte..." 

"Voc ainda no viu nada, princesa." ele cheirou
o pescoo dela, aproveitando para plantar um beijo
molhado ali mesmo. Ele sorriu quando sentiu os arrepios
da pele dela contra seus lbios.

Chegando ao quarto, ele a colocou de p, com todo carinho,
e pela primeira vez, depois da festa, parou para v-la.

Ela era um sonho em branco. O ruivo do cabelo contrastava
lindamente com o azul dos olhos, o branco do vestido
e a pele. A seu pedido, ela usava pouca maquiagem,
e o batom dava a impresso de que os lbios dela era
um morango maduro pronto para ser colhido. As lindas
sardas completavam a perfeio do quadro vivo  sua
frente.

Mas ao passar os dedos nos braos desnudos, Mulder sentiu
que ela estava tremendo.

"O que foi, Dana?"

Ela demorou um pouco pra responder, e quando o fez,
fez numa voz muito pequena. "Estou nervosa."

"Ohhh... pois no fique. Confie em mim."

E o corao de Mulder quase estourou pra fora 
do peito quando ela sussurrou "Sempre."

Engolindo o bolo na garganta, ele continuou a caricia,
apreciando a sensao dos dedos sobre a pele to macia
quanto o cetim do vestido.

"Voc  perfeita, Dana.  tudo que eu sonhei, e muito mais."

Ele se abaixou, e deu-lhe um beijo. Dana abraou Mulder
pelo pescoo, que passou os braos ao redor dela, quase tocando
as prprias mos na frente do corpo dela, enquanto a erguia
do cho. 

'Ela  to pequena... mas to maravilhosa...'

Eles pararam o beijo, ofegando, e Mulder cheirou o
cabelo dela de novo.

"Oh, Dana, eu quero..."

"O que, Mulder?"

"Eu quero te ver... desde o momento que te vi
naquele quarto, na Alemanha, eu tenho  sonhado
com voc assim, toda pra mim... eu posso..."

Ela sorriu, vendo a ansiedade do marido. Marido. Hmm...
que palavra doce em sua boca.

"Pode, Mulder."

Ele soltou-a de seu abrao, e virou-a de costas pra
ele. 

Oh, meu Deus... Mulder pensou.

"Quantos botes tem aqui, Dana?"

Ela riu do tom desesperado. "Trinta e cinco, mas 
voc no precisa abrir todos..."

"Graas a Deus..." com dedos trmulos de ansiedade, 
Mulder respirou fundo e comeou sua aprazvel tarefa.

Um por um, os botes foram abertos, revelando uma pele
perfeita. Aps abrir os primeiros, ele passou os dedos
sobre a pele lisa. 

Ela tremeu, e Mulder parou. "Ainda nervosa?"

Dana olhou por cima do ombro, tmida.

Mulder sussurrou em seu ouvido, fazendo ela tremer,
no de medo. "No fique... eu te garanto que voc vai
gostar..."  a ansiedade de Mulder era mostrada em
cada nota de seu tom de voz, fazendo Dana ficar ainda
mais nervosa. Ele tirou o vestido, deixando-o cair
ao redor da cintura dela, e espalhou as mos pelas
costas lisas e perfeitas. Ao sentir e notar a pele arrepiada,
ele sorriu, mais feliz do que nunca por ter algo to
precioso e nico como esta esposa especial.

Querendo ve-la por inteiro, ele a virou, e notou o olhar
nervoso dela. Decidindo acalma-la com algo familiar a ela,
Mulder abaixou a cabea, comeando um beijo terno, mas
que se transformou em algo mais profundo. Logo as mos
dela estava no cabelo dele, espalhando, enquanto ele
a abraava mais intensamente, beijando-a, e conseguindo
relaxa-la. 

Ao se separarem, a viso de Dana, para ele, era a coisa
mais linda do mundo - a pele clara estava rosada, de paixo
e excitao, e os seios, sem suti, estavam empinados e 
eretos. Colocando as mos sobre eles, Mulder viu suas
mos grandes envolverem completamente os montes gmeos, 
e apertou com gosto. 

Dana fechou os olhos, sentindo a maravilhosa sensao de
ser tocada, e nem por um momento se lembrou da pssima 
recordao a respeito de Scott Rhys. Tudo ali era feito
com amor e carinho, e no por raiva ou doena. Tudo que ela
sentia era paixo, desejo e... algo mido entre as pernas.

As mos de Mulder eram to gostosas contra sua pele
aquecida, que ela sentia uma chapa quente quando a gua
batia sobre ela - quase dava para ouvir um 'ssssshhhhhh'...

Mulder observava, cada vez mais maravilhado, como sua
esposa respondia a seu toque. Ele estava tentando 
no se envolver demais, sentindo seu membro rgido querer
arrebentar as proprias calas, mas ele precisava se controlar,
caso quisesse que isso fosse maravilhoso para Dana. Ele no
podia assusta-la, e nem terminar isso antes de comear. 

Beijando a ponta do nariz dela, fazendo-a abrir os
olhos, surpresa, ele fixou o olhar penetrante nela,
enquanto tirava o resto do vestido. Ao ver o que estava
por baixo, ele ofegou, e quase ajoelhou de tanta gratido -
sua esposa era perfeita - no que ele no soubesse, ou
tivesse sentido antes - as mos 'espertas' dele conheciam
as pernas dela mais do que seu irmo Charles poderia impedir
ou vigiar - mas ve-la assim, quase nua, s de roupa ntima, 
sua frente, estava quase lhe dando um ataque cardaco.

"Mulder? Por que voc est me olhando assim?"

H? Por alguns momentos, ele estava em transe, e nem notou
que tinha fixado o olhar por tempo demais. "Como?" ele perguntou,
perdendo a compostura por um momento. 

"Voc estava me olhando de um jeito esquisito - no gostou?"
a pergunta era para ser feita como uma piada, mas Mulder
notou o tom preocupado da voz dela. Tentando reparar o erro,
ele abraou-a, sentindo a carne quente e macia dela envolvida
em seus braos. Oh, meu Deus, ela tinha um cheiro to bom...

"Nem tenho palavras para descrever o quanto voc  perfeita,
Dana. Nunca duvide disso." ele ficou contente ao senti-la relaxar,
e olhando por cima do ombro dela, ele viu as ndegas redondas 
bem perto de suas mos, e percebeu que tinha todo o direito
de toca-la onde bem que quisesse. Descendo as mos pelas
costas macias, ele agarrou cada uma, sobre a calcinha de seda,
apertando e puxando, como se estivesse fazendo uma massagem.

"Ohh.... Mulder...." ela quase derreteu, e ele precisou 
segura-la com mais fora ali mesmo, no ficando decepcionado
com isso. Beijando-lhe o ombro , ele continuou a carcia, sentindo-a
relaxar cada vez mais. 

Ousando um pouco, ele enfiou a mo, por trs, no meio das
pernas dela, sentindo o fundo da calcinha completamente molhado.
Foi a vez dele gemer. 'Oh, Deus, isso vai ser bom demais...'

Querendo ve-la por completo, ele afastou-se, a contragosto,
e pediu, "Feche os olhos". Dana s receou por um momento,
mas confiou nele, que guiou-a para o espelho de corpo inteiro perto da 
parede, ficando atrs dela.

Colocando as mos na cintura fina, ele notou cada detalhe
do corpo amado, e comentou, em voz alta, o que tinha
pensando h alguns momentos atrs.

"Voc  to pequena..." Olhando para o espelho, 
ele viu sua imagem atrs dela, o queixo apoiado sobre o
cabelo ruivo, vendo a diferena enorme entre suas alturas
e outras partes tambm, como as mos e ps. "Tenho que
te confessar que estou com medo de te machucar." a voz
suave era apenas um sussurro, como se ele no pretendesse
dize-las em voz alta. 

Dana abriu os olhos, vendo a imagem tambm. Reparou na mo larga
que estava sobre sua barriga, o contraste entre
a mo morena e a pele branca dela. Ele alargou
os dedos, e isso fez com que o abdmen dela ficasse
quase coberto pela palma grande. Ele comeou
a acaricia-la, e beijar-lhe o pescoo, e Dana sentiu
algo duro logo acima das ndegas. Muito duro.

A imagem era excitante ao extremo, e ertica, se ela
conhecesse esta palavra. A viso de seu marido, completamente
vestido em seu fraque, e dela, apenas usando calcinha, meia
cala alta nas coxas e sapatos, era ao mesmo tempo apavorante e excitante
ao mesmo tempo. Ela sentiu uma umidade cada vez mais familiar
entre as pernas.

"Eu tambm tenho medo" ela falou, fazendo Mulder
parar por um momento. Ele olhou pra ela no espelho
de novo, vendo o rosto de sua esposa corado, os olhos
muito azuis, brilhando, e a boca aberta. Deus, ele 
estava louco por ela...

"Eu vou fazer de tudo para no te machucar" ele
sussurrou, e abraou-a com mais fora. "Confie em
mim."

Dana resolveu falar do que estava com medo. "Mas
no  disso que estou com medo." Vamos l, Dana, 
voc consegue falar isso. Voc consegue.

"Ento, o que foi? Qual o problema?" ele perguntou,
todo carinhoso, e fez ela ganhar confiana.

"Estou com medo de no te fazer feliz na... na....
cama. Com certeza voc teve outras mulheres, e elas...
elas..." Ela gaguejou e parou quando viu a mo dele descendo
entre as pernas dela, quase tampando a calcinha, e agarra-la
em cheio. Ele comeou a massagear aquele local, e Dana sentiu
a dureza atrs dela ficar ainda maior.

"Shhhh...." ele acalmou-a. "No pense nisso. Pra mim,
s existe uma mulher: voc. E acredite em mim, Dana,
voc j superou qualquer uma s em estar de p, assim
comigo. Nunca fiquei to excitado, to louco para fazer
amor com algum. Eu te amo..." ele virou ela em seus
braos, colocando as mos sobre a calcinha de seda,
apertando de leve a carne macia. Sentindo ela ficar
um pouco tensa, ele apertou mais um pouco, puxando-a
pra cima, fazendo Dana ficar na ponta dos ps.

"Ohhhh...." ela gemeu dentro da boca de Mulder, que
aprofundou o beijo. Para se apoiar, Dana abraou-o
na nuca. Ela sentiu o membro dele apertar contra sua
barriga. "Oh, Mulder..." ela chegou perto de desfalecer
de tanta paixo. Mulder colocou um brao atrs
dos joelhos dela, e outro nas costas, erguendo-a
do cho.

"Vamos pra cama, princesa. Deixe-me am-la."

Deitando-a com cuidado, como se ela fosse quebrar,
Mulder ficou de p, olhando para a beleza de sua
esposa, disposta diante dele com o olhar mais inocente
e ansioso que ele nunca viu antes em ningum.

Com muito cuidado, ele se colocou sobre ela, tendo
o cuidado de nao forar o peso de seu corpo sobre
o dela, e sentiu-se quente, doido para tirar o terno,
a camisa e a cala, e entrar em contato com aquela pele
que parecia seda.

Dana, por sua vez, no sentiu frio em nenhum momento,
e agora estava sentindo era calor, pois o corpo de
seu marido, completamente vestido, sobre ela, a aquecia
de forma que ela nunca imaginou. Passando as mos sobre o
peito forte, ela lambeu os lbios, e esfregou as pernas,
s para ter as mos pegas por Mulder, que acabou
separando as pernas dela com as dele.

Ela estava presa.

Sentindo uma ansiedade fora do comum, e excitada ao
extremo, Dana sentiu a rigidez do membro de Mulder,
e logo liberou mais umidade entre as pernas. 

Ao sentir algo molhado na cala, Mulder olhou
ligeiramente pra baixo, imaginando que era ele
que no estava se controlando, mas percebeu que
era tudo por causa de sua esposa. Olhando pra ela,
ele sorriu, e abaixou-se sobre ela, cobrindo-a
completamente, beijando-lhe o pescoo, subindo
pelo rosto, e descendo mais uma vez, at que estava
no nvel dos seios cheios e brancos.

Sem perder tempo, ele abriu a boca e quase comeu
um deles, e ao fazer isso, precisou segurar Dana com
um pouco de fora, pois ela pulou quando ele executou
o ato. Forando as pernas dela a se abrirem mais, Mulder
comeou a se esfregar nela, que comeou a gemer cada vez
mais alto.

Excitado, Mulder foi para o outro seio, e soltou
uma mo de Dana para poder agarrar o outro. Dana
aproveitou a semi-liberdade e acariciou toda parte
dele que conseguiu alcanar: o cabelo, a camisa (que
perdeu alguns botes quando ela a puxou) e descendo pela
cala. 

Quando ela alcanou o membro dele, Mulder assobiou,
soltando-lhe o peito, s para pegar na mao dela de novo.
"No faa isso, Dana, ou vamos terminar cedo demais."

"Mas... oh.... Mulder...ohhh" ele voltou a acaricia-la
nos seios, "eu quero... voce.... sem roupa...tambm..."

Mulder tentou, mas ele j estava mais do que
pronto para poder fazer amor com sua mulher.
Ajudando-a, para que pudesse ser feito mais
rapidamente, ele tirou o terno, a cala, sapatos
e meias, e quando ia tirar o short de baixo,
ele fez um suspense.

Dana esperou, e quando ele tirou a ultima pea,
ela arregalou os olhos, pensando em como aquilo
iria entrar nela. Parecia grande demais, e longo
demais, e como ela no tinha experincia nisso,
ela no pde se impedir em pensar sobre a mesma
parte da anatomia em Scott Rhys. Mas este
pensamento foi logo colocado de lado quando
Mulder puxou a mo dela, suavemente, no querendo
assusta-la. 

Apoiando-a para trs, ele deitou Dana na cama,
e se posicionou entre as pernas dela. Levando
a mo para baixo, ele sentiu que ela estava
mais do que pronta para poderem ter uma relao.
Mas ele precisava fazer algo antes, pelo menos
para poder relaxa-la ainda mais. Ela ainda estava
tensa.

Beijando-lhe os ombros, seios, barriga e descendo
cada vez mais, ele foi parado por ela, que colocou
as mos nos cabelos castanhos, impedindo seu progresso.

"Mulder, o que voc vai--"  

Ele voltou pra cima, e beijando-a mais uma vez, 
pediu para ela confiar nele.

Segurando as mos dela, mas dando-lhe a chance
dela se soltar, Mulder desceu mais uma vez, 
e colocou a boca no sexo mido e quente dela. 
Dana quase pulou da cama ao sentir a sensao
esquisita da lngua contra um local to 
escondido e sensvel, mas quando Mulder comeou
a lambe-la e chupa-la, ela fechou os olhos, sentindo
algo esquisito, mas muito bom.

Sentindo que sua esposa estava gostando, Mulder
intensificou os toques, e quando Dana comeou a
gemer em voz alta, as pernas ficando cada vez mais
tensas ao redor de sua cabea, ele levou a mo,
e junto com a lingua, aumentou os movimentos, e logo
Dana estava gozando.

Esta viso ficaria gravada na mente dele: ela
toda rosada, respirao dificil, olhos fechados,
e quando ele subiu para beija-la, os olhos azuis
e o sorriso satisfeito completaram o quadro.

Aproveitando este momento, ele se posicionou definitivamente
entre as pernas dela, forando um pouco a entrada.
Ela ficou um pouco tensa, mas Mulder segurou-a um pouco,
e se forou ainda mais. Dana fechou os olhos, gemendo,
com um pouco de dor, e Mulder enfiou o rosto contra
o pescoo dela, mordendo um pouco com fora.

A distrao da dor no pescoo foi o suficiente para
que ela se esquecesse um pouco da presso entre suas
pernas. Mulder aproveitou isso e deslizou para dentro,
completamente, sentindo a barreira natural dela
sendo rompida.

Ao senti-la gritar de dor, ele ficou sussurrando
carinhos, parando de se mover, at que a respirao
dela ficou um pouco mais devagar, mas muito mais rpida
do que o normal. Devagar, ele comeou a se mover, e
logo a umidade facilitou os movimentos, aumentando o 
prazer deles.

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Ela estava no cu! Depois da dor inicial,
ela sentiu algo estranho dentro do corpo,
no sabendo definir onde, mas que cresceu 
medida em que Mulder se movia sobre ela. 
Logo a sensao ficou mais forte, e Dana no
tinha mais controle sobre ela. Sentindo como
se uma onda quente tomasse conta de seu corpo,
ela explodiu, e literalmente viu estrelas, 
no percebendo que Mulder havia parado para
v-la em xtase.

Depois de voltar  terra, ela olhou pra ele,
que estava sorrindo. Colocando a mo sobre
o rosto dele, ela falou, sonhadora e cansada -
muito cansada.

"Oh, meu Deus... isso foi maravilhoso...e...
ohhh...." ela gemeu quando ele se moveu de novo
dentro dela. A sensao de algo enorme entre
suas pernas, e dentro dela, era incrvel,
e ela queria sentir isso pelo resto de sua vida.

"E vai ficar ainda mais, Dana..." Mulder 
segurou-a pela cintura, e comeou a se mover,
buscando o prprio xtase. Depois de fazer
com que sua esposa apreciasse o ato em si, 
era sua vez de aproveitar a relao.

Depois de alguns minutos, e com movimentos
cada vez mais frenticos, ele comeou
a sentir seu gozo crescer, mas tambm sentiu
outra coisa. Dana estava lutando mais uma vez.

"Dana, o que foi?" ele perguntou, mas no parou
de se mover. 

"Oh, Mulder... est vindo de novo... eu no 
sei... como parar... eu no posso..." 

"No pare, princesa... deixa vir... no 
prenda nada..." ele gemia, e ela gritou
mais uma vez, apertando, involuntariamente, o
pnis dele. Esse movimento fez com que Mulder
gritasse, surpreso, de puro prazer. Isso era
algo que nunca tinha acontecido antes com ele.

E ele tambm estava no cu.

No era diferente para o homem. 

No era diferente para a mulher.

Era especial para os dois.


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Mulder acordou com uma sensao que nunca sentiu antes.
Uma sensao de felicidade completa, de satisfao, e sentia
uma imensa vontade de sair pulando, correndo, gritando para
todo mundo que ele tinha uma esposa, e que ela era maravilhosa!

Virando na cama, ele olhou para ela, que ainda dormia. Bem, no
importava que ainda eram quatro horas da manh. Ele nunca dormiu
muito mesmo. Mas desta vez, ele acordou satisfeito, descansado,
muito relaxado. 

Ele deitou de lado, de frente pra Dana, e tirou uma mecha
do rosto dela. Ela era seu anjo. Olhando para o rosto amado,
ele notou a boca entreaberta, percebendo que sua esposa
respirava pela boca, e no pelo nariz enquanto dormia. 
Seria uma delcia descobrir cada detalhe dela a partir
de agora.

O lenol havia descido um pouco, e os seios poderiam ser quase
vistos. A pele clara era uma tentao, parecendo sorvete  contra
a luz natural que vinha pela janela, cuja cortina estava entreaberta.
Mulder passou um dedo pelo brao dela, pescoo, rosto, orelha e
desceu, indo para os seios, onde colocou a mo, acariciando. Ele
j estava sentindo-se excitado. 

Sua excitao aumentou quando ela se mexeu, e o lenol desceu um
pouco, e ela ergueu um dos joelhos pra cima, descobrindo uma coxa
macia. Mulder olhou para o banquete  sua frente, e no perdeu tempo.

Ele, como marido, poderia toma-la a hora que quisesse, mas isso no
seria direito para com Dana. Mas a tentao era grande demais.
Alm disso, como ele iria saber se ela gostava de acordar fazendo sexo?
Ele no iria saber se no tentasse. Bem, pensando melhor, ele poderia
perguntar depois, mas assim seria mais divertido!

Empurrando ela pelo ombro, ele fez Dana deitar de costas, e
deitou-se sobre ela, apoiando o peso nos cotovelos. Sua esposa
no acordou. Do que ele conhecia dela, Mulder podia apostar
que, se ele fosse bem cuidadoso, ela nem acordaria. Dana tinha
o sono muito pesado! Ela gostava muito de dormir.

Descendo a mo entre as pernas dela, Mulder verificou 'as guas'.
Ao sentir a pouca umidade, ele no ficou surpreso: ela no tinha
sido excitada por ele - mas ele iria remediar isso. Afinal de contas,
ele era grande - ela mesmo disse isso - e seria mais fcil pra
Dana se ela estivesse estimulada.

Descendo pelo corpo dela, ele abriu as pernas dela, usando as
mos, e cheirou fundo. Ahhhhh.... este era o cheiro de sua esposa.
Maravilhoso. Cheirando mais uma vez, ele comeou a 'trabalhar'.

Ao colocar a lingua, como se estivesse lambendo sorvete,
Mulder escutou um gemido dela, e parou. Olhando pra
cima, ele notou que Dana estava com a cabea de lado,
a testa um pouco franzida, a boca mais aberta, mas ainda
dormindo. 

Bem, se ela acordar, no vai ter problema. Vai ser melhor ainda -
ela vai poder reciprocar - ele pensou, contente.

Voltando ao seu 'trabalho', Mulder lambeu, chupou e mordeu de
leve, at que sentiu uma descida de umidade vinda do sexo dela.
Dana gemeu de novo, abrindo mais as pernas, erguendo um joelho, 
e Mulder sorriu, agradado por isso. Mais acesso!
Enfiando um dedo, bem devagar, ele sentiu que ela estava
mais preparada agora, e ento ele voltou  sua posio inicial.

Olhando para o rosto de Dana, ele viu que ela estava corada,
mas ainda dormia. Sendo muito cuidadoso, ele se posicionou, e
fez um movimento adiante. A cabea de seu membro entrou, e
Mulder sentiu a deliciosa sensao de estar apertado entre
o sexo de sua mulher. Respirando fundo, ele entrou,
centmetro por centmetro, indo para frente e para trs,
at que estava completamente dentro. 

Olhando para o rosto de Dana, ele viu que ela no tinha
acordado ainda, apesar de gemer baixinho a cada movimento
que ele fazia. Mulder adorava esses barulhinhos que ela
fazia enquanto dormia. Este seria
um de seus 'passatempos' preferidos: fazer amor com ela
enquanto ela estivesse dormindo. Assim ele poderia
olhar pra ela, bem devagar. Quando os dois estavam acordados, 
seus movimentos era frenticos, seus rostos mostrando a tenso
e excitao, e apesar dela estar muito bonita nesta hora, agora
era melhor porque dava para perceber cada nuance da expresso
dela, e ele poderia prolongar isso o tempo que quisesse.

Era gostoso demais estar dentro dela - sentir o aperto de
seu sexo ao redor de seu membro, a sensao morna de
estar entre as coxas macias, a maciez da pele...

Mulder aumentou os movimentos, e Dana gemeu mais alto,
e abriu os olhos, mas s um pouco. Ele parou, e beijou-a
nos lbios.

"Bom dia, dorminhoca..." ele brincou, rezando para que ela
no ficasse com raiva dele por fazer isso sem acorda-la.

"Hmmm...oh, Mulder...." ela no abriu os olhos
de todo, mas o abraou, preguiosa, pelo pescoo.
"Por que... voc... parou..." a voz dela tambm era
preguiosa, e Mulder riu, comeando a se movimentar
de novo, devagar.

Dana continuou gemendo, fechando os olhos, e se
no fosse os movimentos lnguidos das coxas dela,
Mulder podia apostar que ela estava dormindo de novo.

Ele passou um brao por baixo do joelho dela, pra 
mante-lo pra cima, abrindo Dana mais um pouco.
Ela gemeu em aprovao, e Mulder sorriu, abaixando
para beija-la no pescoo. Logo ela estava chegando ao
clmax, de maneira bem menos intensa do que nas 
vezes em que ele fez amor com ela na noite anterior,
mas no menos satisfatria. Pelo menos no pra ele.

Mulder chegou ao clmax logo depois, e esperou
alguns minutos para poder se recompor. Dana
respirava um pouco rpido, mas, fora isso, ela
parecia estar dormindo ainda. 

Soltando a perna de sua esposa, ele arrumou Dana na
cama, cobriu ela com a coberta, e saiu da cama, pronto
para terminar os preparativos para a partida deles para a lua de 
mel. A famlia de Dana estaria l para se despedir, mesmo
porque eles iriam passar na casa dos pais de Dana antes.

E finalmente eles iriam para a to sonhada lua de mel.

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Nota da Autora - Edna - : 
Galera, eu tinha que liberar esta parte antes de 
escrever a lua de mel. De repente, nem vai ter lua de
mel, mas, depende da inspirao. Espero que vcs tenham
gostado muito desta parte aqui. Eu adorei - ehehehehe

Rio de Janeiro, 01 de outubro de 2003
