ERLONA'S HEART 14

Uma pequena eternidade se passou diante de Mulder antes que ele pudesse
ouvir o som distante do gerador, e as luzes do corredor se acenderem.
Debaixo dele, os tremores de Scully eram fortes contra ele, lutando contra
as restries dele e de Kyle, segurando-a na cama. Os olhos dela tinham
rolado para trs da cabea, a boca estava aberta, com uma meia azul dentro,
e os labios inchados estavam apertados perfeitamente contra os dentes dela.

O rosto dela, e a parte de cima do corpo dela, assim como a de Mulder, estavam
cobertos com uma grossa camada de sangue vermelho e brilhante. As veias do pescoo
e testa dela se salientavam contra a pele de mrmore. As maos dela estavam
fechadas, em punho, lutando, e as unhas abriam feridas contra as palmas dela.
E a garganta dela produzia um som triste, soluado, que estava torturando
Mulder. A meia foi cuspida por ela, e um ofegante  "Muuuuuuuuuul," sinalizou o 
fim abrupto de todos os movimentos do corpo dela. Nada mais de tremores. Nem
mesmo um movimento.

Com os olhos abertos, cegos, no rosto dela, ela ficou perfeitamente deitada,
queita e manca debaixo dele, como se ela nao fosse mais nada alm de uma
boneca em tamanho natural de sua parceira. S o movimento leve do trax
dela lhe dizia que ela nao tinha ido embora completamente. A mente de 
Mulder foi inundada por aflio.

A entrada de Megan e suspiro chocado  viso que ela encontrou foi
vaamente registrada pela mente entorpecida de Mulder. Ele se
ouviu dizendo "Scully?" como se meio que acreditava que ela
se sentaria, e lhe diria que ela estava bem. Porque Scully sempre
estava bem. "Dana?" ele bateu no rosto dela. "Dana! Acorde!" Mulder
nao estava sendo capaz de se controlar. "Droga, Dana! Acorda!"

Kyle pegou o punho dele. "Mulder, pare."

"V pro inferno!" Mulder empurrou Kyle com fora o suficiente para fazer
seu amigo perder o equilibrio, e cair no chao duro. Foi a expresso de
trsiteza de Kyle  que trouxe Mulder de volta. E de repente, tudo voltou
num foco claro: Scully debaixo dele, Kyle no chao, Megan de p sobre
ele, fitando para Scully, em descrena.

A mera choradeira do cachorro em algum lugar atrs da cortina,
no corredor, rompeu o silencio atordoado.

Mulder se ergueu sobre Scully, tentando corrigir os braos e pernas dela,
numa posio que ela poderia achar confortavel. Cabea e braos tremendos,
Mulder esfregou a confusao de sangue e suor que estava no pescoo e
rosto dela, precisando por um pouco de ordem na loucura que tinha
acabado de acontecer. Mas isso s fez a baguna piorar.

Ela sabia que um ataque destes estava vindo? Era por isso que ela
estava implorando em ir pra casa? O cancer finalmente estava apertando 
o cerebro dela? Mulder nao podia ver outro motivo, e ainda assim ele
achou dificil pensar na ideia de que Scully sabia que algo desta magnitude
iria acontecer, e nao o avisaria. A menos que ela estivesse dentro de
severa negao.

Megan apertou o brao dele, e Mulder viu que ela tinha trazido uma
bacia de metal, cheia com gua morna. Com o pano macio que ela colocou na
mao dele, ele comeou a lavar a baguna no rosto e pescoo dela. Kyle
tinha escapulido, e ele nem tinha notado.

"Diga a ele... que eu sinto muito" Mulder sussurrou para a mulher.
"Eu nao queria..."

"Voc precisa de ajuda?" ela era uma ancora de calma. Mulder precisava dela, 
nao para ajudar, mas para que nao se sentisse to horrivelmente s.
Havia algo terrivel em estar num quarto com Scully, e sentindo-se s.
Megan podia neutralizar este sentimento.

Juntos, eles despiram Scully, limparam seu corpo flcido, e colocaram outra
camisa de moletom, e cala jeans, que estavam na mala.

"Voc acha..." Megan nao conseguiu olhar para ele. "Que isto  temporrio...
que  apenas um ataque?"

"Eu nao..." Mulder entendeu o que ela estava perguntando.
Ela queria saber, assim como ele, se Scully finalmente se transformou numa
concha, at que o cancer pegasse sua habilidade para respirar tambm. 
Ele viu pessoas com cancer antes. Ele sabia como destruia o corpo, invadindo-o
com indiferena inexoravel. Mas para ela perder a mente assim... ser nada alm
de um recipiente vazio... ela nunca iria querer viver desta maneira.

"Ela j teve ataques como este antes?"

"Nao."

"Voc sabia... voc sabia que isso podia acontecer?"

"Nao."

Durante alguns minutos, os dois ficaram sentados, vendo Scully respirando.
Esperando.

"Mulder, voc precisa se limpar."

"Nao."

"Eu vou ficar com ela. Eu vou fazer a cama de novo..." ela tocou-o no ombro.
"Se ela acordar e te ver assim, ela vai ficar transtornada."

Mulder olhou para a camisa dele. "Nao quero deixa-la."

"Eu sei. Ela disse a mesma coisa h alguns dias, sobre voc." os
olhos de Megan se encheram de lagrimas. Ela sorriu e bateu no ombro 
dele de leve. "Ns tinhamos acabado de puxar a ultima parte da pele morta
do seu corpo... cruz credo, aquilo era nojento... Ela ficou acordada a 
noite toda, e nao comeu nada. Tive muito trabalho para conseguir que ela
sasse do seu lado para ir ao banheiro" um pequeno bufo da mulher perto dele
fez Mulder sentir alfinetadas na nuca. "Ela comeu a comida que eu trouxe
para ela, bem ao seu lado. Ela insistia em dizer que se ela sasse para
comer, esse seria o momento que voc escolheria para acordar."

"Ela tem muita pratica em ficar ao meu lado na cama."

"Eu percebi" ela fechou a mao sobre a dele, com firmeza, deixando-o usar
sua energia e fora. "V se limpar. E volte com alguma comida para ns."
Mulder viu que as lagrimas dela finalmente caram, e Megan estava lutando
para continuar sorrindo. "Vai ser uma longa noite para ns dois."

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Megan tinha dormido de pernas cruzadas, no canto da cama, os ombros estreitos
preenchendo o canto. Mulder, ao lado dela, com os joelhos contra o peito,
agradeceu sua companhia, mesmo dormindo, pois o olhar fixo e frio de Scully
o estava deixando nervoso. Era pior do que as vezes que ela olhou para ele
com raiva, pois pelo menos os olhos dela mostraram alguma vida. O olhar
estupido de agora nao mostrava nada - nem mesmo tdio. E nada doa mais do
que isso.

Um sussurro ao lado de Mulder, e ele olhou, vendo Kyle empurrando a 
cortina para o lado. Ele olhou primeiro para sua esposa, e depois para
Mulder, e ento de Mulder para Scully, imvel. "Nenhuma mudana?"

Nao havia necessidade para Mulder afirmar o que era dolorsamente 
bvio. Kyle reconheceu isso e colocou uma mao firme no ombro curvado de
Mulder.

"Talvez amanh," Mulder sussurrou.  

Nada mais foi dito, e Kyle se retirou para seu proprio quarto, 
atravs do tunel estreito (para o alivio de Mulder), sem a esposa dele.

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S que a manh trouxe, com ela, uma nova sensao de pnico.
Durante a noite, Scully nao tinha movido um musculo sequer. Era bem claro
para Mulder que o ataque tinha sido mais do que uma coisa passageira.

//Um derrame? Um aneurisma?//

A ateno mdica na ilha, sem o medico, consistia em algumas curandeiras e
enfermeiras treinadas na ilha. De jeito nenhum Mulder ia deixar qualquer
uma delas se aproximar da mulher que ele amava. E ainda assim, ele sabia
que tinha que agir. Que o tempo de Scully estava se acabando, e que logo
ele iria perde-la completamente. Para sempre.

S havia uma coisa que ele poderia fazer.

Sem pensar mais, Mulder saiu da cama, e pegou sua parceira inanimada
nos braos. Megan acordou quando ele saiu da cama, exiginfo saber o que
ele estava fazendo.

"Nao acho que voc deveria move-la, Mulder"

"Eu tenho que fazer alguma coisa!" A cabea de Scully estava deitada contra
o ombro dele. Mulder estava assustado de como ela estava leve, mesmo como
um peso morto. Quando ela sangrou horrivelmente na primeira noite deles na
ilha, ela estava bem mais pesada.

"Mulder, pare! Voc nao deveria fazer isso!" 

Mas ele comeou a correr pelos tneis. O Corao estava em algum lugar
depois do tnel principal, e que levava para a primeira cmara. Mas tinham
muitos outros tneis nos fins dos outros tneis, antes deles chegarem ao
Gaal. Na ocasiao, Mulder estava em muita dor para se preocupar com o
caminho.

"Mulder?" Kyle mostrou a cabea cheia de sono da cortina do quarto dele.
"Mulder! Pra onde voc vai?"

"O Corao..." Ele virou um canto e bateu num beco sem sada.

Ele girou, ofegante, apertando o torso flcido de Scully contra o dele. 
Mulder sabia que ele parecia um maluco para o casal que estava correndo 
atrs dele. Mas isso nao era importante. Nada no mundo importava agora,
a nao ser levar Scully para a piscina do Corao. Nada. "Por favor"
ele implorou, descaradamente. "Por favor."

"Ela no est congelada," Megan comeou.  " Mulder, pense nisto."

"E nem as minhas costas estavam tambm" ele ofegou. "Minhas costas
esto boas desde que eu entrei na piscina do Leite. Aquele ferimento
nao foi resultado do congelamento-"

"Mulder, e se voc for atingido por outro daqueles wisps-?"

"Ento eu nao vou ficar pior do que estou agora. Ajude-me."

Por um longo momento, Kyle e Megan se olharam, silenciosos, decidindo 
o que fazer. 

"Kyle" agarrando as palhas, Mulder implorou. "Voc disse antes que eu 
nao deveria ficar congelado. Que nao foi isso que aconteceu no seu sonho."

O homem diante dele abriu a boca. "Mas como voc..." ele virou para a
esposa. "Voc contou isso pra ele?"

Ela tremeu a cabea. 

"Nao importa. O que importa  que o que voc sonhou ainda nao aconteceu.
Que era isto que devia acontecer!"

Com olhos arregalados, Kyle acenou com a cabea. "Se isso for verdade, ns
vamos precisar de Chea. Ele estava no meu sonho."

"Eu vou chamar Chea e pegar as lanternas" Megan disse. "Mas, Mulder, eu
preciso que voc me prometa uma coisa."

"Qualquer coisa". quela altura, ele teria vendido a alma ao Diabo para
mergulhar Scully naquela piscina.

"Que quando a hora chegar, voc vai deixa-la ir."

//Qualquer coisa menos isso//

Kyle deve ter lido o olhar de Mulder, pois ele colocou uma mao sobre
o ombro da esposa. "Meggie, v chamar Chea."

"Ele nao est preparado" ela falou para o marido. "Ele vai quebrar."

"No se meu sonho virar realidade."

Ela correu uma mao amorosa sobre a bochecha spera dele. "Voc fez ele
acreditar em milagres" ento ela se afastou, e sem olhar para Mulder, ela
saiu em busca da ultima esperana dele.

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Depois de quase uma hora andando pelas cavernas escuras, Kyle parou o grupo
e colocou uma mo firme sobre o ombro de Mulder. "Deixe-me leva-la
um pouco."

"Nao". Mulder embalou Scully nos braos como um beb, tentanto, desesperadamente,
ignorar a maneira flacida com que o brao dela pendurava nas costas dele.
"Eu posso segurar ela."

"Mulder, voc est exausto. Seus braos esto tremendo!"

"Eu estou bem."

"Voc vai deixa-la cair!"

"Nao!" Mulder nao podia dizer o motivo, mas ele precisava leva-la.
S a idia dela deitada, indefesa, nos braos de outro homem... amigo
ou nao... era excruciante para ele.

"Ento vamos nos sentar e descansar um pouco." a voz de professor 
de Chea impediu qualquer reclamao adicional.

O grupo se conformou com o repouso, numa grande laje de granito. Mulder
deitou sua parceira com muito cuidado, colocando a cabea dela no colo 
dele. Ele pegou Megan olhando para Scully, e ento virando o rosto, como
se a viso queimasse os olhos dela. Era fcil se empatizar com a reao
de Megan. Sem a mente brilhante de Scully aparecendo nos olhos azuis e
lindos dela...

Kyle pegou a ateno de Mulder quando ele se inclinou e passou a manga
da camisa dele na bochecha de Scully. Uma picada de raiva amarrou na garganta
dele antes que Kyle pudesse explicar. "Ela estava... babando..."

Mulder fechou os olhos contra o poderoso desejo de abraar o corpo dela com
o dele. Seus braos estavam muito cansados, e seu corao, muito pesado. E eles
estavam desperdiando um tempo valioso.

"Kyle" Mulder engasgou. "Leva ela."

Ninguem disse nada, parecendo entender o que estava acontecendo. Chea tomou
a liderana de novo, levando o lampiao diante dele como uma baliza na falsa
noite fria e mida.

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O arco estava igualzinho da outra vez que eles estiveram aqui. Mas, antes,
havia um zumbido de cores e vida, mas agora - o circulo vermelho pintado,
as paredes cristalizadas, a piscina escura - tudo parecia to inanimado quanto
Scully.

Ela estava deitada nos braos de Kyle do mesmo jeito que estava nos de Mulder.
Algo dentro dele esperava que ela protestasse ao ser levada por alguem diferente.
E um pedao do corao dele chiou, e parou, quando ela nao fez isso.

No havia sinal dos wisps. Eles deviam estar vagando livremente na nvoa,
entrando em contato com lampioes e um cavalo ou dois. Mulder nao desperdiou
tempo em pegar sua parceira dos braos de Kyle, e ir diretamente para a piscina.

Ele ouviu Megan sussurrar e tentou ignorar isso, mas as palavras dela chegaram
s suas orelhas com claridade atordoante. "Isso estava em seu sonho?"
A resposta audvel neio veio.

Por um momento, Mulder segurou sua parceira bem perto dele, tentando memorizar
o angulo do nariz dela, o queixo orgulhoso, as orelhas perfeitas... os 
lbios que ele tinha ficado apaixonado em beijar...

Tinha sido apenas h um dia que ela ficou sentada, topless, montada no corpo
dele coberto por um lenol? S h algumas horas desde que ele a beijou e a 
tocou to intimamente, certo de que ele ia fazer amor, finalmente, com a mulher
que ele amava to profundamente? Se eles nao tivessem vindo para
esta ilha, ela teria tido aquele ataque horrvel? E se eles nao tivessem velejado?
E se eles tivessem ido para a DisneyWorld? Esperando na fila pelo
Passeio Selvagem do Sr. Sapo? Ou em casa?

//Casa//. Ela sabia. Ela tinha que saber. Talvez ele tambm soubesse,
se fosse um pouco mais observador. Se ele tivesse passado um pouco mais de
tempo escutando o que ela estava dizendo, ao invs de tentar se proteger...
Talvez se ele...

"Mulder?" a voz de Kyle passou pelas egorecriminaes dele,
trazendo Mulder para o presente. " agora ou nunca ".

"Deus..." ele choramingou. "O que estou fazendo?"

"Voc est tentando salvar a vida dela-"

"Ser?! Molhando ela nesta porcaria?" ele acenou com a cabea para a piscina
aos ps dele. "Eu perdi a cabea!" Kyle o encarou, confuso. "Se ela
soubesse, DEUS! Se ela soubesse que eu estava pensando em fazer isso, ela
ficaria furiosa! Ela me chamaria de maluco!" Mulder bufou, e teve que ajeitar
sua parceira em seus braos. "Nao - ela iria querer estar num hospital,
ela iria querer estar num hospital-"

"Ela queria estar aqui, Mulder. Foi por isso que ficamos, lembra? Se ela 
quisesse estar em outro lugar, ela teria ido para l."

Levou um momento para a lgica simples de Kyle penetrar em sua mente. Ela
=tinha= teimado em ficar na ilha. E se ela soubesse... talvez Scully
acreditasse mais do que mostrava; ou talvez ela acreditasse mais do que
ela queria aceitar.

"Voc est pronto?"

Juntos, ele e Kyle entraram na piscina rasa, e ento, lentamente, com 
Scully entre eles, a abaixaram no liquido lcteo. Estava frio e grosso,
e agarrando como cola. Eles deixaram ela afundar na piscina, at sobrar
apenas o rosto dela, oval.

"Tem alguma coisa errada" Mulder murmurou, nervoso.

"O que foi?"

"Nao tem bolhas. Antes, o Leite parecia quase vivo-"

"Como... como voc sabe disso?" Kyle ofegou, atordoado.

"Eu me lembro".

Chea cortou dentro.  "Como voc pode se lembrar?  Quando estvamos 
aqui, voc estava-"

"Duro como gelo, eu sei" Mulder estalou. A conversa era superfula. 
O Leite, por qualquer razo, simplesmente nao estava tendo o mesmo 
efeito em Scully como teve com ele. "Por que no est funcionando?"

Kyle engoliu. "Ela nao est congelada..."

"E nem a testa de Taam, mas o Leite curou-a tambm."

"S depois que ela imergiu o rosto dentro," Megan ofereceu. "O cncer
est na cabea dela, nao ?"

"Na passagem nasal dela. Mas se a molharmos, ela vai se afogar" Mulder
olhou para Scully, em seus olhos em branco, tentando visualizar o tumor
que crescia em algum lugar contra o cerebro dela, debaixo da pele. Deus,
ele odiava aquele cancer. Se houvesse uma maneira de rasgar isso dela...

"O que voc quer fazer ento?" o tom quieto da pergunta de Kyle fez
Mulder sentir um arrepio na espinha. O frio da piscina estava comeando
a deixar os dedos do p dele entorpecidos.

Mulder tremeu a cabea. At mesmo suspensa no liquido de milk-shake,
a respirao de Scully estava fixa. Um segundo debaixo disso e ela iria
inalar aquela meleca toda. Ser que ela iria conseguir vomitar isso
depois? Ser que seus reflexos iriam funcionar? Se ele nao a erguesse
a tempo, ser que ele poderia salvar o que restasse dela? Ele tentaria?
Claro que sim.

//Eu te amo// "Vamos mergulhar.

Na contagem de trs, Scully foi descida. Imediatamente a piscina ficou
viva, furiosa, focalizando primeiro no espao do rosto dela, e ento
toda a piscina comeou a borbulhar numa rpida fervura. E da mesma maneira
que de repente, Scully se sentou, entre os braos deles, sufocando e ofegando,
procurando ar.

"SCULLY!" Mulder chorou ao ver a primeira resposta que ela mostrou desde
o ataque. Ela foi adiante e tentou vomitar, o estomago dela tentando 
desalojar o pouco Leite que ela teve tempo de tragar.

Quando ela pareceu se estabelecer, Mulder a agarrou e a segurou com
firmeza contra ele, a abraando com toda a fora de seu amor. E a
parte maravilhosa era que ela o estava abraando de volta. A 
respirao dela estava funda, e os braos ao redor do pescoo dele
estavam fortes, a bochecha dela aconchegada contra o pescoo dele. Mas
ele tinha que ter certeza.

Com mais resoluo que Mulder pensou ter, ele a afastou dele. "Scully?"
Quando os grandes olhos azuis dela fixaram nele, nao havia duvida na
mente de Mulder: ela ia ficar bem. Mais do que bem. O sorriso no rosto dela
e nos olhos era o mais completo que ele tinha visto. E era para ele.
Ela estava sorrindo s para ele.

Quando ele a beijou ento, nao foi com paixao ou luxuria. Ele apertou a boca
com fora contra a dela, e ela apertou de volta, ambos dizendo que o perigo 
havia passado, e que juntos eles eram mais fortes. Era o tipo de beijo, e disso
Mulder tinha certeza, que s existia entre pessoas que pertenciam um ao
outro, juntos. E ninguem mais do que Mulder e Scully preenchiam esta
caracteristica.

"Mulder", ela murmurou suavemente enquanto se afastava. "O que aconteceu?"
ela piscou vrias vezes, esfregando o resduo lacteo que ainda estava em
seus olhos.

"Voc teve um ataque. Um muito forte. Eu te trouxe ao Corao para
tentar te curar."

"E parece que deu certo!" Kyle e Megan estavam ao lado deles.
Kyle tinha um sorriso incrvel engessado no rosto, e Megan chorava, lagrimas
descendo pelo rosto. "Esta coisa  melhor do que a Fonte da Juventude! 
a Fonte da Sade!"

Mulder correu uma mo no lado da face de Scully, empurrando o cabelo
molhado pra trs da orelha dela. Ele teria que leva-la para um hospital
quando chegassem em DC, claro, e ver o que o liquido fez ao cancer... para
ver se o tumor encolheu ou (por favor, Deus), foi curado. Mas, naquele
momento, nos braos dele, era fcil de se convencer que ela estava bem.
Porque ela mostrava isso. Ela estava maravilhosa.

"Mulder, onde estamos?" o rosto dela estava curioso, e confuso.

"Ns estamos... ns estamos no Corao." Mulder viu o olhar de preocupaa que
passou pelo rosto dela, quando Scully ergueu as sobrancelhas. "Voc se
lembra de ter vindo a Erlona?"

"Mas  claro" ela resmungou, dando uma olhada, mas era bvio que parecia
que ela estava vendo o local pela primeira vez. Ela nao se lembrava.

"Scully" ele pegou o queixo dela para chamar a ateno. "Ns j conversamos
que nao iamos mais fazer isso."

Medo apareceu nos olhos dela. "Fazer o que?"

"De ficar se segurando. Chega de 'Eu estou bem', quando  bvio que voc
nao est."

Ela procurou nos olhos dele, profundamente. "Voc me beijou." ela falou, 
cheirando forte. "Como voc me beijou antes" Mulder acenou com a cabea, e ficou
aliviado ao ver o sorriso timido dela, antes que ela abaixasse a cabea.
Depois que ela estava controlada, ela perguntou. "Tem mais?"

"Nao."

Para o crdito de Scully, ela tentou outro sorriso, acenando, aceitando, mas
Mulder viu a tristeza rastejar de volta no rosto dela, e isso quase quebrou
o corao dele. "Nao" ele emendou. "Ainda no."

Mas com a promessa nada sutil dele, a face dela ficou florida, e ela o
abraou com fora contra ela.

"Ento eles nao esto juntos de verdade..." Chea declarou.

Kyle encolheu os ombros.  "Nao posso entender isso, tambm" e ento ele se
virou, puxando a esposa em seus braos. "Isso" ele respirou no cabelo dela,
beijando-lhe a cabea. "Foi o que eu sonhei."

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A viagem de volta pelo corredor foi muito mais lenta do 
que antes. Scully se recusou a ser levada como uma invlida, e precisava
descansar a cada vinte minutos ou algo assim.

"Eu s estou cansada" ela explicou, fugindo da excessiva e zelosa preocupao
de Mulder. "Eu me sinto bem. Mas exausta."

Megan encontrou um local plano, perto de uma estalagtite grossa, e se sentou
com vontade. "Ento vamos descansar. No estamos com pressa mesmo." ela
parecia perfeitamente contente em passar o resto do dia nas trincheiras
escuras da caverna. "Afinal de contas, nao vamos a qualquer lugar mesmo."

Mulder podia ver a pergunta nos olhos de sua parceira, mas ela se sentou
perto de Megan, se apoiando numa pedra. Quando Mulder se sentou perto dela,
Scully se apoiou, indecisa, contra ele. Levou alguns momentos, mas ela conseguiu
relaxar contra o brao dele.  Ela tremia ligeiramente, e Mulder passou um
brao ao redor dela, a puxando mais perto.

"Bem, Chea, que tal voc falar agora como voc sabia sobre o Corao, 
em primeiro lugar?" Quando Mulder fez a pergunta, Chea se sentou mais reto,
e pigarreou.

"Um de meus alunos, Taam, na verdade, encontrou uma srie de escritas que no
comeo pensei que fossem lendas. Mas elas mostravam certas verdades que me
fizeram acreditar que podiam ter algo mais. E eu estava certo." um dos
dedos dele correu pela cicatriz amarelada que ia do joelho at o meio
da canela dele.

"Isso  incrvel" Kyle sussurrou. "Um tesouro perdido enterrado no meio da
montanha"

"Voc sabe que a populao vai subir imediatamente assim que as pessoas
comearem a usar o Corao regularmente."

"Esse era um dos medos de Vola" Chea admitiu. "Mas tenho certeza de que como
comunidade, ns podemos chegar a um tipo de acordo sobre o tamanho das familias."
ele deu um aceno confiante.

"Vola sabia sobre isso?" o crebro de Mulder comeou a zumbir. Os pedaos
estavam comeando a entrar no lugar, sem ele perceber. "Juuj sabia sobre o
Corao tambm?"

Vendo o interesse renovado de Mulder, Chea encolheu um pouco, tentando 
adivinhar onde Mulder ia com suas perguntas. "Ele sabia."

"Mas ele nao queria explorar o Corao, nao ?"

"Ele achava que se as pessoas comeassem a confiar no Leite da Terra
ao invs da ciencia, Erlona voltaria ao tempo quando as supersties 
dominavam as mentes das pessoas. Nao havia razo para isso, mas sem uma
ordem administrativa, a ilha poderia se tornar um lugar catico e medroso."

Mulder acenou com a cabea. "Mas ainda assim voc quis usar o Corao."

"As pessoas estavam morrendo!"

"S que eles nao estavam, nao ?" Kyle e Megan olharam de Chea para
Mulder, apreensivos, seguindo a conversa de perto.

"Eles estavam congelados e no mortos.  E Juuj sabia disso, nao ?"
Chea nao disse nada. "E quando as familias estavam lamentando os mortos,
estas pessoas eram pegas pelos wisps, e enterrados congelados, no ?
E Juuj sabia disso. E Vola tambm."

"Ela disse que era uma maneira da natureza lidar para manter a populao
sobre controle. Mas ela nao tinha familia!" Chea comeou a explodir.

"E nem voc" Mulder mostrou.

"Meus alunos so minha familia. E eles estavam sendo assassinados diretamente-"

"E voc nao conseguiu aguentar mais."

"Nao! Era loucura! E dr. Juuj nao escutaria de jeito nenhum!"

"Ento, voc o matou."

"O que?!" Megan gritou. "=Voc= matou o dr. Juuj?"

Chea gelou,  em pnico; a face dele estava larga com culpa e medo.  Ele
tremeu a cabea. 

Mulder continou, firme. "Chea, s pode ter sido voc-"

"Voc nao entende... eles tinham a chave do Corao nas maos, e se
recusavam a ajudar as pessoas. Eles deixaram mais de cem morrerem
este anos... e centenas durante os anos. Eu tinha que ajudar minha gente..."

"Eles?" Mulder engoliu a blis cida que estava subindo por sua garganta.
"Vola tambm?"

"Os dois... juntos... eles mantinham as pessoas ignorantes... o que eu podia
fazer? Aqui nao  os Estados Unidos, poderoso, com seus processos e proteo
legal - alguma coisa tinha que ser feita..." nao havia nada mais que Chea
pudesse fazer, e ele abaixou a cabea. Ele era muito honrado para mentir,
sabendo que tinha sido descoberto.

"Deus, eu preciso de um cigarro." Megan assobiou.

O oficial dentro de Mulder queria prender Chea e mandar o traseiro dele
pra dentro de uma cela mida e escura. Afinal de contas, ele tentou
culpar Scully... ou ser que s foi uma infeliz coincidencia? O homem
dentro de Mulder s queria fechar os olhos, e num passe de mgica, tirar
Scully e ele mesmo pra to longe da ilha quanto possvel.
Erlona estava fora da jurisdio dos EUA. Simples. Mas mesmo que
Mulder tentasse alertar as pessoas, a barreira do idioma permaneceria
impenetrvel. Um obstculo. Sem Chea para traduzir...

"Por favor entenda, no final das contas, isso vai salvar centenas de vidas."

"Voc nao espera que vamos te deixar escapar com dois assassinatos em
suas maos" Megan mordeu fora. "Como vamos saber que voc nao vai atirar
em ns, agora que decobrimos seu segredo?"

"Nao sou um assassino" Chea lamentou, com lamria confusa. "Agi assim para
salvar minha gente. Meu lar!"

"Voc matou duas pessoas ancis, desarmadas, a sangue frio!"

"Chega!" Quando Mulder gritou, Scully acordou assustada do seu leve cochilo.

"O que foi? O que est acontecendo?" ela perguntou, desorientada.

"Nada," ele disse suavemente para ela. "Eu te digo depois."
Ento ele ficou de p, ajudando sua parceira a ficar de p tambm.
"Estou levando Scully de volta, para ela dormir um pouco. J tive o
suficiente desta ela e de suas politicas nao existentes."
Ele estalou para Chea. "Nao sei que diabos o que fazer com voc, e, 
francamente, nao sei se h muito que posso fazer. Mas, se voc
chegar perto de Scully a qualquer momento, ou de Megan e Kyle-"

"Voc no vai fazer nada?" Megan exigiu.

"O que voc quer que eu faa? Prende-lo? Com que lei? Joga-lo na
priso? Que priso?"

"Ele  um assassino!"

Mulder observou o homem marcado, sentado, derrotado, contra a parede
spera, segurando a cabea entre as maos. Esta nao era a posiao de um
assassino - mas sim de um homem desesperado, lamentvel. "Ele nao  mais
um perigo."

"Como diabos voc sabe disso?"

Mulder encolheu os ombros. "Olhe pra ele." ele se virou, com Scully debaixo
do brao dele.

"Mulder," ela perguntou baixinho. "Chea matou o dr. Juuj mesmo?"

"Voc se lembra do dr. Juuj?"

"Acho que sim" eles deram mais alguns passos, e no silencio da caverna,
Mulder ouviu Kyle e Megan atrs deles. Os passos deles pareciam mais
cansados do que bravos.

Eles todos estavam precisando tirar umas frias dessas frias deles.

Fim de Erlona's Heart 14/17


