ERLONA'S HEART 12

Mulder acordou confuso, no escuro. E com frio. Suas maos foram para
o rosto, e ele viu seu contorno - dificelmente. O lampio ao seu
lado, que estava perto de Kyle e Megan, estava fraco. S o bastante para
quanto todo mundo estivesse pronto para acordar. O que, pelos sons das 
respiraes que cortava o absoluto silencio, nao ia ser to logo.

A silhueta do quadril de Scully o atraiu para mais perto dela. Ela usava
a camisa de moletom que ele lhe deu mais cedo, e as pernas, dentro da
cala jeans, estavam puxadas contra o trax dela. Nao precisava ser um
genio para ver que ela estava com tanto frio quanto ele. A caverna ao
redor para gerar um frio molhado que podia penetrar as camadas de roupa.

Tremendo, ele rastejou para ela, e se enrolou ao redor dela antes de puxar
a manta sobre eles dois, tentando gerar mais calor de corpo.

As costas dele nao o estava incomodando muito, e deitar de lado se tornou
sua posio mais confortavel. Estando aconchegado a Scully... como nao seria?

Ela deu um soluo alto no sono dela, se ajeitando contra o calor do torso
de Mulder. Ele beijou a orelha dela, e ento seu pescoo, e abaixou
a propria cabea contra o brao dele, fechando os olhos, e a escutou
respirar.

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Acordar em pedra fria foi uma das experiencias mais desagradaveis que Mulder
poderia se lembrar. O ar frio, combinado com seus danos recentes e a falta de
um travesseiro debaixo de seu corpo danificado fazia ele pulsar de dor. Levou
um minuto e meio para ele se sentar, e aproximadamente dois segundos para
ele se lembrar de que sentar estava na lista de coisas que ele 'nao devia fazer'.
Ele rolou para longe de sua parceira, e conseguiu engolir a maioria de seu ganido
antes de acordar todo mundo.

Chea j estava acordado, observando Taam dormindo, com olhos paternos. Ele puxou
a manta dela para cima um pouco mais, colocando com firmeza no queixo arredondado.
Quando ele viu Mulder, acenou com a cabea, em atenao.

De quatro, Mulder passou por Kyle e Megan, que estavam abraados, e respirando
em harmonia. O frio nao parecia estar incomodando a eles. Morg estava ao lado
deles, compartilhando o calor dos corpos. O cachorro abriu um olho
cansado, e vendo que era Mulder, fechou de novo.

Assim que ele se aproximou de Chea, ele se apoiou contra a pedra desigual, e o
professor pegou um legume avermelhado e longo que estava
lambiscando, e deu para Mulder. Apoiando num quadril, Mulder conseguiu se
sustentar e pegou a comida oferecida. O estomago dele rugiu em antecipao.

"Pai" Chea sussurrou.  " uma comida bem consumida pela minha gente. Muitas
vitaminas."

Mulder cheirou o legume, tentando esconder a revulso inesperada. Cheirava como
alguma coisa entre um pepino e terra podre. Ele engoliu em seco, tentando nao 
vomitar.

"Acho que vou dispensar."

"O gosto  melhor do que o cheiro."

"Se tivesse um."

Chea sorriu e acenou para o casal dentro da pequena camara. "Mais cedo,
ele estava chorando. Lgrimas." mordendo um pedao do Pai, ele pensou
no que dizer. "Eu estou... preocupado."

"Voc acredita nos sonhos dele?"

"Sim" pigarreando, Chea pegou a tigela perto dele. "A gua do rio
est fresca; alimenta o sistema principal de gua da aldeia.
Devemos?" ele deu a tigela de gua para Mulder, agarrou uma lampio,
e ficou de p. 

Os eles ficaram nas pontas dos ps ao redor dos corpos dormentes, com Mulder
parando para erguer a manta de Scully sobre o ombro dela, e eles foram na
direo do rio. O som languido das aguas vinha pelo tunel escuro.

Assim que eles estavam distantes do acampamento, Chea perguntou,
"Voc no acredita que os sonhos de Kyle so reais?"

"Oh, no. Eu acredito muito em clarividencia. E os sonhos de 
Kyle parecem ser sinceros. Eu s queria ter mais evidencia."
o polegar de Mulder alisou a beirada da tigela. "Ele est vendo o futuro
como deve acontecer, ou como pode acontecer?   assim que os sonhos so?
Eu tenho umas cem perguntas que nao fui capaz de perguntar-"

Assim que Mulder terminou a frase, uma exploso de ar
passou por ele. Pegou por um momento o brilho amarelo das lampios
como um vapor branco, pairando ansiosamente como se nao soubesse para
qual caminho fluir antes de se atirar na direo em que ia originalmente:
para o rio.

"Voc viu isso?!?" O corao de Mulder batia forte. "Aquilo olhou para ns!"

A face de Chea estava parada, chocada, com um medo que Mulder nao tinha
visto no homem antes. "Os espritos..."

"Aquilo era um esprito?"

"MUUUULDERRRRRR!!!!!"

A lamria de Scully rasgou pelo centro dele, fazendo seu corao e mente
pularem num panico zumbido. Sem pensar um segundo, Mulder correu,
voltando para a escuridoa. Chea estava logo atrs dele.

O "esprito" que tinha vindo para eles por trs, e que foi para o rio...
tinha atravessado o acampamento? Eram esses espirito que congelavam tudo
que entravam em contato? //Scully!// Ele tinha que chegar at ela.

O grito inicial no foi seguido por outro. Nada para lhe dizer o
que estava acontecendo. Os ps dele batiam contra a terra parada, ignorando
as leves explosoes de dor a cada contato que era feito.

Quando ele entrou na cmara pequena novamente, Scully estava sentadas na manta
onde ele a tinha deixado, apertando as maos contra o peito. Kyle estava
sobre ela, tentando decidir o que fazer. Megan estava ajoelhada, nao muito
longe dele.

"Scully!" Mulder deslizou ao cho ao lado dela.  "O que foi? O que
est errado?" ele pegou as mos dele agarrando-a pelos ombros, 
a puxando para mais perto dele.

"Nada. Eu sinto muito." na luz escura, o rosto dela estava corado, em
humilhao. Ela tentou se afastar dele.

"Voc est bem?"

"Eu estou bem". ela abaixou os olhos para o colo, e tentou
esconder o rosto atrs do cabelo.

"Pesadelo?"

"Pra onde voc foi?  Eu poderia jurar que voc estava... atrs de mim..."

Um sorriso estrbico apareceu no rosto de Mulder. Ele nao conseguiu se
impedir. Sua parceira normalmente estica estava tendo um ataque de
embarao. Era adorvel. Ele tirou o cabelo dos olhos dela, para trs da orelha,
mas ela tremeu a cabea, se livrando do toque dele. "Eu tive uns dias
dificeis."

"Ns tivemos alguns anos bem dificeis" antes que ela pudesse
sair de novo, ele a abraou, e a puxou contra ele.

Ele a beijou, marcando tudo entre eles. Amor, raiva, frustrao, aceitao.
Ele deslizou a mao para trs da cabea dela, e abriu a boca largo. Ele podia
provar o calor nela, a paixao, a confiana. A convico de que no importava
o que acontecesse entre eles, eles iriam ser mais fortes juntos do que
separados. Lagrimas vieram aos olhos de Mulder, e ele a beijou para assegura-la
de que ele estava ali, cem por cento com ela. Ele a beijou para lhe dizer que
a amava. Ele a beijou porque os labios dela, mesmo secos, eram to bons
contra os dele.... quente.

Foi Scully quem se afastou primeiro, esfaldada e com um brilho
que Mulder reconheceu e amou.

Atrs dele, Taam choraminhou, lembrando de onde eles estavam.
Scully saiu dos braos dele, ficando de p, toda rigida. Mas Mulder
se orgulhou do momento de hesitao inicial dela. Ela nao queria deixa-lo,
mesmo precisando ser a mdica agora.

S ento Mulder notou Chea olhando para ele com um olhar de...desapontamento?
Como um cachorro que teve a promessa de comida, e ento, quando
chega perto o bastante para colocar a boca no deleite, encontra um brinquedo
de plastico ao invs. Dando as costas para ele, Mulder pegou a manta
e sacudiu a poeira. Aginal de contas, nao era culpa dele que Chea entendeu
tudo errado. E ele nao ia defender sua relao com Scully para ninguem -
isso nao era da conta de Chea - quando tudo que aconteceu foram tres beijos.
Trs beijos maravilhosos, promissores...

"Ei, cara," Megan subiu atrs dele e pegou a manta dobrada de suas mos.
"Voc ficou meio fora por alguns segundos." o sorriso dela deixou um
meio sorriso no rosto de Mulder. "Voc est pronto para sair daqui?
Dana diz que Taam est bem o suficiente para caminhar."

"Uh, yeah -"

"Bom. Pois eu quero dar o fora deste maldito inferno."

Do canto do olho, Mulder viu Kyle avanar lentamente para trs da esposa
dele, e respirar fundo, reunindo coragem. "Meggie..."

Quando ela se virou para ele, vendo o pesar no rosto do marido,
Megan parecia saber o que ele ia dizer. "Ah, nao." ela se opos. "Nao
me faa usar minhas botas com ponta."

"Meg, seja razovel". Ele tentou descansar as mos nos braos dela,
mas ela o empurrou para longe.

"No! Ns estamos deixando ESTA CAVERNA, ESTA ILHA, E ESTA LOUCURA!"

"O Corao, Meggie ".

"No comece com 'Meggie' comigo!" ela dobrou a manta com fria.
"Nao ligo para o que seus malditos sonhos esto dizendo! AHHH!!!
Preciso de um cigarro!" ela foi para bolsa dela, e tirou o pacote.
"E nao comece a falar sobre o que Dana precisa, tambm. Voc no sabe 
o que tem no Corao, ou no Pulmo, ou no Intestino Delgado deste buraco
do inferno esquecido por Deus. Isso nao vai mudar nada. Voc disse que
nao consegue se lembrar!"

Um estremecimento na face de Kyle cobriu um olhar genuno de angstia. 
"Meggie, por favor ".

"NO!" Foi a resposta enftica dela, e que o fez parar. Kyle alisou as maos
sobre a cabea, frustrado.

"Ns vamos entrar." o controle tranquilo de Scully fez Mulder sentir um
arrepio na espinha.

"O que?" ele perguntou em descrena.  "Scully, voc no pode estar falando
srio."

"Eu estou."

"Mas... por que? No deveriamos levar Taam para um hospital ou algo assim?
Para as queimaduras? Mesmo se for um hospital de Erlona?"

"O que voc quer dizer com isso?" a indignao de Chea parecia fora de
lugar para Mulder.

Scully encontrou o olhar fixo dele.  "Ns vamos entrar."

"Voc pode entrar se quiser" Megan falou, dando um grande trago no
cigarro dela, "Mas eu com certeza nao vou." o nvel de convicao dela
era baixo.

Movendos os ombros, Scully ergueu a bolsa dela e pegou a lampio. "Fique
 vontade". Ao lado dela, Kyle pegou a propria bolsa e a jogou sobre o
ombro.

Mulder sabia o que estava acontecendo. Nao havia jeito de Megan deixar
Kyle na caverna - imagine uma viagem para o misterioso Corao. E muito
menos Mulder ia deixar Scully. Era uma manipulao crua, mas funcionou.
Kyle, Chea, Taam foram para a abertura da pedra, com Scully na frente.
Ao  lado de Megan, Morg choramingava sua angustia  divisao aparente de seus
dois amados pais. Ela olhou para Kyle desaparecendo e para uma Megan furiosa
com olhos implorando.

Finalmente, Mulder encolheu os ombros e seguiu o grupo, sabendo que
Megan viria tambm, embora debaixo de protesto. "Pense no lado bom da coisa"
ele disse, dando um sorriso leve. "Pelo menos, se nao der em nada, isso
promete ser um show e tanto."

"Voc no acha estranho que Dana queira entrar l?"

"Nao. Ela quer entender o que est acontecendo com as pessoas desta
ilha. Parece um lugar lgico para se olhar."

"Por que?" a pergunta de Megan deixou Mulder quieto por vrios minutos
enquanto ele tentava formular uma resposta.

"Voc sabe,  estranho..." ele admitiu, "Mas ns realmente no sabemos 
nada sobre o Corao, no ? A no ser que Taam queria ir pra l para se
sacrificar-"

"O que, pelo meu livro,  uma boa razo para evitar o lugar" ela estalou, 
jogando a ponta do cigarro num grupo de pedras amontoadas.

Mulder teve que admitir que ela tinha razo. "Ainda tem os sonhos
de Kyle..."

"Yeah, e ele tem sido muito secreto sobre isso. Tudo bem - ele nao se lembra
deles claramente - quase nada - mas por que ele insistiria em ir para um lugar
se ele nao se lembra bem dele?"

"Eu no sei ".
 
"E nem eu. Mas eu sei que nao acho que  uma grande idia ir de cara para algo
que definitivamente pode ser uma rua de mao unica."

"Eu estou comeando a concordar com voc".

"Finalmente! Algum pensando com a cabea e no com o corao!"

Mulder soltou um bufo. "Normalmente Scully fica me implorando para
usar minha cabea enquanto estou tentando faze-la se abrir s possibilidades
extremas onde voc nao pode achar em ciencia e logica." Ele estava agitando os
braos, nao muito seguro do que fazer. "O que voc quis dizer sobre Kyle nao
precisar se lembrar de Dana? Ele disse algo parecido no bangalo antes
de sairmos. Algo sobre nao precisar se lembrar por que isso era to 
importante para ela."

A expresso dela era tensa quando ela olhou para ele. Megan ficou quieta.
"Voc sabe. O Cancer."

"O que tem isso?"

"Tenho certeza que ela te contou."

Mulder agarrou o brao dela, parando os dois. "O que foi? Me conta."
Scully tinha confiado nesta mulher e nao nele? Ser que ela disse para
ele que nao houveram mudanas na doena, quando na verdade o cancer tinha
progredido? Parecia impossivel pensar nisso, e ainda assim ele se forou
a saber. "Me conta!"

Parecendo culpada e preocupada, Megan olhou para o grupo, que estava
se afastando, antes dela voltar para Mulder. "No 'The Lady', ela mencionou
que a doena estava sendo dificil de ser tratada, e claro que naquele momento
eu nao sabia que era cancer. Entretanto, depois daquele sangramento horrivel,
a na manh anterio ao incidente do poste, ns nos encontramos no caf da 
manh antes dela descer para o laboratorio. Eu perguntei sobre o motivo dela
estar acordada to cedo e por que ela nao estava apenas 'desfrutando'."

Um sorriso malicioso passou pelo rosto dela. "Sugerindo que voc estava
na cama, eu pensei que..." a expresso de Mulder nao mudou e ela continuou.
"E ela disse que quando ela voltasse para DC, ela ia pedir demisso.
Que ela era uma ameaa para voce, como sua parceira. E que ajudando estas
pessoas seria seu ultimo ato como investigadora e mdica." O queixo de
Megan tremeu um pouco e ela se controlou, acenando com a cabea. " 
melhor irmos."

"Por que ela no...?"

"Nao sei. Nao sei como ela suporta isso, tambm. Ela que me fez chorar
aquela manh."

"Ela  forte. Ela pode vencer isso."

"Ela est tentando?"

"Bem... no.  inopervel, e a quimio que ela tentou a deixou.... bem, 
ela nao quer fazer isso de novo."

"No posso dizer que a culpo. Ento, por que voc acha que ela vai vencer
a doena?"

"Porque ela vai. Ela tem que vencer. Porque ela  Scully."

"Jesus, Mulder!  Voc est ouvindo o que est dizendo? Dana no  um superheri.
Ela  uma mulher, com uma doena terminal. Ela pode nao cumprir
as expectativas que voc coloca sobre ela."

"Eu *sei* disso.  Mas eu no vejo nada---"

" dificil, sabe? Ver alguem que voc ama e respeita perder quando eles
esto lutando com vontade. E eles lutam. Eles lutam como demonios,
pois  isso que esperamos. Mas como voc luta com algo dentro de voc?
Quando voc nao tem nenhum controle sobre os jogadores?"

Mulder no queria mais falar; pelo menos nao com uma conversa como essa,
que pegava dentro dele.

Megan continuou.  "Tive trs abortos antes que os mdicos descobrissem o
cncer no meu tero. Como eles nao notaram isso antes eu nem posso imaginar.
Tentei a quimioterapia e a radio. Eu sabia que Kyle queria muito ter filhos.
E como eu queria ter tambm. Eu nao era uma dessas pessoas que se importava em
trazer outra pessoa para este mundo. Eu sabia que quando encontrasse o
homem perfeito, eu seria a mae perfeita." ela encolheu os ombros.
"Mas o cancer se espalhou para os meus ovarios, e nao havia nada que eu pudesse
fazer. Eles tiveram que tirar tudo."

"Ento voc venceu o cancer."

"Nao. Eu estou viva, mas o cancer ganhou. Levou embora todas as crianas
que Kyle e eu poderiamos ter tido."

"Mas voc est viva."

"Voc est no entendendo o que quero dizer, Mulder ".

"E o que ?"

"Por que voc acha que ela me falou sobre se aposentar, e nao para voc?"

"Eu... nao sei."

"Bem, pense nisto."

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A arcada que conduzia ao Corao era mais incrvel do que a de Gaal.
Faces finamente esculpidas e figuras estavam marcadas nas quatro
colunas que apoiavam o teto baixo de granito. Os detalhes lembraram Mulder
das estatuetas chinesas de margim, do cho ao teto, num padrao sem fim, 
espiralando at o teto. Cada uma tinha sua propria expressao facial, cada 
uma tinha linhas distinguiveis.

O prprio arco lustrava, brilhante e cinzento na luz rosa
que saa da camara de dentro. Nao tinha mais do que seis ps, mas o efeito
era impressionate. A parede de pedra sobre a qual eram esculpidas ela lisa,
brilhante, refletindo o brilho imergido.

Scully resmungou um atordoado, "Eu no acredito isto."

Dentro da arcada, o jogo de luz era difundido. Vertia em cores vermelha/laranja
do por-do-sol que entrava em alguma abertura do teto, trazendo o ar da noite
mais morno, com seu gosto salgado. A brisa morna parecia um luxo.

As paredes da camara eram cobertas por um cristal vermelho palido, que
parecia crescer do teto ao chao. Estalactites enormes penduravam como
pontas de gelo, ardendo com tudo. O efeito geral 
era como se de um corao, completo, com vlvulas e veias.

Na parte de trs da camara havia uma pequena piscina borbulhante de um liquido
branco e grosso. Um vu fino de vapor pairava sobre a piscina, 
que nao parava de se agitar. Era margeada por pedras que tinham sido alisadas
e arredondadas.

Um pouco antes da piscina, contra a parede distante, 
estava um enorme circulo esculpido, e pintado de preto e vermelho, em
camadas revezadas. As figuras no circulo usavam cristais nos lugares dos
olhos, e elas estavam sentadas ou de p, congelados em suas tarefas individuais,
assistindo com olhos brilhantes o grupo entrar no local. Ao redor do circulo,
raios serpenteavam para fora, cobrindo toda a parede.

Mulder dividiu o foco dele entre o poder da beleza que os cercava e o olhar
de temor no rosto de sua parceira. Ela nao tirava os olhos dela do liquido
lcteo. "Nao... no!"

Os vapores que previamente tinham estado circulando sobre a piscina
saram de repente, mudando o curso deles para enxamear, como gaivotas
famintas, sobre o grupo.

S haviam cinco segundos para pensar antes que Mulder fosse atingido. Um segundo
para ver os vapores se jogando contra eles, um segundo para empurrar Scully
at o chao com uma fora que teria vencido um homem duas vezes o tamanho
dela, um segundo para elevar o brao dele at proteger o proprio rosto, 
e dois segundos para contemplar o horror nos olhos dela, e na boca, separada
por um grito estridentes que Mulder sabia que nunca esqueceria durante toda
sua vida. 

No sexto segundo, ele morreu.

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Ele bateu no chao forte o bastante para erguer um pouco de p. Se ele
pudesse sorrir, ele teria dado um sorriso enorme  sensaao da morte; nao era
como ele tinha pensado. Havia dor, claro, uma agonia fria que fatiava por ele,
e ento terminou antes mesmo de comear. E a dor estranha do seu corao
parando no peito - ele nao tinha esperado sentir isso. Seus olhos estavam
congelados, abertos, ento ele podia ver a nvoa que veio ir embora rapidamente.
Era como olhar por um cubo de gelo. A audio dele tambm estava ruim, amortecida
e torcida. Pessoas gritando, machos e femeas. E ento Scully, chorando sem
parar: "No, no, no,no,no,no,no..."

Ela ergueu a cabea dele do cho e a embalou no colo, alisando o cabelo
congelado da testa congelada dele.

//Ela est queimando as maos ao me tocar. Por que ela est queimando as
proprias maos? Por que eu =sei= que ela est queimando as mos?//

Mulder estava congelado, disto no havia nenhuma dvida. Ele no podia
se mexer, nao podia sentir, nao podia responder. E mesmo assim, ele =sabia=
que ela estava lamentando, e que o trax dela estava levantando com a fora
de seus soluos. Ele podia ve-la se apoiando sobre ele, lgrimas fluindo
no rosto vermelho dela.  Ele podia ouvir as outras vozes, como abelhas zunindo.
Isto era morte? Ficar num corpo inanimado, e forado a saber que nao vai 
poder responder, e observar para sempre?

Ela afundou a cabea, mas antes que Scully pudesse beija-lo nos labios,
ela foi arrancada pra cima, e pra longe dele. Ele bateu no chao de pedra.

"Dana! Voc est maluca? Olhe para suas mos!" era Megan que estava tentando
injetar alguma razo ao caos.

"Me solta!!!"

A viso do teto ficou obscurecida e fora-de-foco quando Kyle apareceu. O
rosto dele estava cheio de lgrimas, enquanto ele chegava mais perto.
"Oh, cara... Mulder.... eu nao sabia... no sonho, nao era assim que
acontecia..." ele empurrou os dedos polegar e indicador nos olhos, num
vo esforo para estancar o fluxo. As lgrimas rolaram, mesmo assim.

//Kyle. Meu amigo... e de certa maneira  engraado, mas eu nem mesmo
percebi que voc  um amigo de verdade. Kyle, cuide da Scully por mim. 
Faa com que ela volte em DC em segurana - para a familia dela. Faa
com que ela fique confortvel. Cuide dela. Ela merece o melhor. Ela merece
mais do que tudo.//

Havia outra voz masculina.  Tinha que ser Chea, Mulder pensou, mas parecia
estranhamente murmurado. Ento Kyle ficou de p, e se afastou de Mulder, e
mais uma vez ele foi deixado com a viso do teto de pedra.

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Tempo para Mulder no fazia diferena. Poderiam ter sido dias, semanas ou
minutos at que outro rosto entrasse no seu reino torcido de viso; uma
face escura e cicatrizada, com uma expresso de triste curiosidade nos
olhos apareceu. Chea se ajoelhou ao lado dele, e falou numa voz baixa  elenta:
"Me ajudem a move-lo para o Leite."

"Voc est maluco? Ele est solidamente congelado!"

"No ouse tocar nele! Deixa ele sozinho!"

"Por que o Leite? =O que = esse Leite?"

"O Leite da Terra.  Celebra os espritos dos mortos.  Me ajudem
a move-lo."

A face bonita de Scully entrou novamente em viso, contorcida por
aflio e lgrimas, e um vazio cru nos olhos azuis, que mataram Mulder
de novo. Uma pequena gota vermelha correu da narina esquerda dela, sobre
o lbio superior, mas ela nao se incomodou em esfrega-la. Ela s ficou
de p, olhando nos olhos congelados dele, at que uma das mantas foi
jogado sobre Mulder, e seu mundo ficou como uma mortalha de escurido.

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A sensao de movimento nao existia mais. Ele nao podia sentir mais
nada. E ainda assim, de alguma maneira, Mulder sabia que estava
sendo carregado. Barulhos de ps, sandlias e uma mistura de vozes
e grunhidos, apesar de ouvi-los, nao fazia mais sentido pra ele.
Ele se sentia enfraquecendo, desalojando-se do ego que tinha morrido
sem ele.

O vapor negro e o brilho suave do por do sol sumindo o encheu de calor.
O teto regratava a luz, lustrando e ardendo. E Mulder se achou chegando
mais perto. Muito mais perto. Ele estava flutuando para cima, pegando
na brisa aquecida que saa da caverna. Subindo.

E sem esforo ele olhou para baixo, para as cabeas das pessoas ali.
Scully estava dentro da gua, segurando a cabea de Mulder, enquanto
Chea e Kyle seguravam seu corpo, todos entrando na piscina, mergulhando
Mulder aos poucos na gua. Eles estavam tendo muito cuidado.

Ele podia ver a angstia no rosto de Scully enquanto o ego morto
dele era abaixado na piscina. Nao havia duvida da dor que ela sentia -
ele sentia isso tambm. A perda. A vacuidade. A necessidade opressiva de
toca-la e beija-la e a segurar nos braos. Ele queria chorar por eles,
como ela estava chorando,s para desabafar um pouco da raiva que sentia
ao ver as promessas do mundo nas pontas de seus dedos. Scully estava 
certa na noite em que Melissa morreu. Nao havia justia.

Ele podia ver no corao dela, que ela estava pensando isso de novo.

Nao muito longe dela, Megan segurava Taam com firmeza. As duas choravam
baixinho, olhando a cena, assim como Mulder, com uma mistura de horror
e esperana.

//O que eles acham que vai acontecer?// Eles nao poderiam salva-lo.
Dificilmente. Nenhuma das outras pessoas que tinham sido congeladas voltaram
 vida.

A piscina ferveu com gordas e bravas bolhas no momento em que o corpo dele
tocou a superficie. Era estranho se ver assim, morto e coberto. Mais 
surrealista do que tinha acontecido no Novo Mxico h alguns anos. Tanto tempo...

Quando as maos de Scully estavam completamente submergidas, o liquido ao
redor dos pulsos dela ficaram vivos com a fervura, e ela ficou assustada,
ganindo e caindo para trs, batendo no chao duro com as costas. Ela ergueu
as maos para ela, olhando de maneira selvagem. Ela tremia demais. "Meu Deus..."

Megan estava ao lado dela rapidamente, a ajudando a se sentar e olhar as palmas
dela. As queimaduras que estava l derreteram na frente de seus olhos, deixando
grandes camadas de escamas brancas na pele. Ento, a pele morta secou e caiu
das maos dela, deixando carne rosa e crua no lugar. Mas a pele nova era
lisa e saudvel, livre de marcas.

"Meu Pai do Cu!"

"Ela est bem?"

"Ela est melhor do que bem!"

"Rpido!" Scully voltou a vida. "Taam, coloque sua mao dentro da gua!"

A menina estava de p, dura como pedra, lagrimas no rosto confuso.
Ela olhou de Scully para o professor dela, procurando orientao.

"Ne de Huus Kilje haern gaan se!" as palavras de Chea eram entusiasmadas.
Ele sorria amplamente para sua aluna, e a persuadiu a ir para a piscina
com um aceno da cabea. Lentamente ela foi, incerta, e se ajoelhou, colocando
a mao ferida no liquido, e assim como Scully, as bolhas ferveram, e quando
ela tirou a mao, Megan tirou os curativos com cuidado, e a pele morta. 
Taam dobrou os dedos, maravilhada, e sussurrou algo.

"Ela diz que a dor foi embora" Chea traduziu para o grupo.

E ento, rompendo a viso dele do quarto, vindo de lugar nenhum,
um poderoso vento wisp pegou Mulder e o girou sem parar. O
chao e o teto se moviam rapidamente, e era impossvel para ele
se corrigir. Ele estava girando descontroladamente, sem direo
clara. E ento, de repente, ele bateu em cheio na piscina de
gua lctea, e tudo ficou quieto mais uma vez.

Fim de Erlona 12/17

