ERLONA'S HEART 11

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Mulder acordou com uma batida leve no ombro. A luz branca e brilhante
da manh, e uma brisa salgada passavam pelos bambus. Mas ele estava
quente, aconchegado na cama. A bochecha dele, ele percebeu lentamente,
estava apertada contra o estomago reto de Scully. A camisa dela tinha
subido pra cima, durante seu sono. A cabea de Mulder subia e descia
suavemente enquanto ela respirava.

Ele serpentou o brao direito por cima da coxa dela, at atrs, e 
a segurou como uma criana segura seu ursinho. Deus, ele adorava quando as
mulheres usavam short na cama. Tudo bem, combinava com a blusa, ento 
tecnicamente era pijama. Mas Mulder comeou a viajar numa imagem
maravilhosa de Scully na roupa ntima dele. O short dele, e nada mais.
//Oh, yeah...//

O joelho esquerdo dela estava curvado, ajustado no aperto debaixo do brao dele.
Ambos os braos dela estavam curvados sobre a cabea dela, e os cabelos
ruivos se espalhavam pelo travesseiro como raios de sol. Ela ainda estava
rosa da provao do dia anterior, mas nem de perto podia ser considerado
uma queimadura. Felizmente.

Outra batida no ombro, e Mulder saltou, assustado pela forma escura
sobre ele. Mesmo depois de reconhecer Chea, ele precisou respirar mais
algumas vezes para o susto passar. Debaixo dele, Scully no se moveu.

O professor olhou para ele e sua parceira dormente com suspeita.

"Posso te ajudar em alguma coisa, Chea?" As costas de Mulder doeram quando
ele tentou erguer a cabea.

Dando um passo para trs, o homem normalmente tranquilo trincou os dentes
e xingou num tom baixo, de poucos amigos. "Vola est morta" Havia uma dor
selvagem dentro dos olhos pretos dele que fizeram os sentidos de Mulder sarem
da neblina do sono. Ele sentiu o estomago apertar. 

"Ns temos que falar." Chea apontou para o outro quarto, o que Kyle e 
Megan estavam usando. "Voc pode andar?"

//Boa pergunta// Com cuidado, Mulder se desenroscou de sua parceira.
A dor estava l, com certeza, mas nem um pouco igual  da noite anterior.
E ele achou que ficar de p no era uma provao impossvel. Ele iria ficar
na vertical se no precisasse andar rpido.

No outro quarto, Megan estava sentada na cama, caf da manh diante dela, 
e ela comia as delicias culinarias que a ilha tinha a oferecer, fumando um
cigarro. Perto dela estava um enorme pano, que Kyle estava enchendo com roupas e
outras coisas.

"O que est acontecendo?" Mulder estava lerdo e embriagado, e muito cansado
para lidar com tudo o que seus amigos estavam pensando neste momento.

Entre lentas e controladas tragadas, Megan informou, "Estamos dando o 
fora deste inferno."

Mulder mancou para a comida e olhou pra ela. //Eu comi alguma coisa ontem?//
"Como est o barco?"

"Bom" Kyle respondeu. "No sei o que aquela bruxa velha deveria ter feito,
mas estou comeando a suspeitar de que no era nada. No nada errado com o barco
com exceo de algo que parece sangue cobrindo toda a cabine do piloto."

Mulder estremeceu, se lembrando.  " de Scully. Ela estava no 'The Lady' 
quando o nariz dela comeou a sangrar na outra noite. 

Megan parecia genuinamente perturbado pelo que Mulder disse, e olhou
para seu marido.

"Foi isso que pensei" ele disse, e continuou a embalar as coisas. Casualmente,
como se eles estivessem discutindo o tempo em Cleveland, Kyle mencionou,
"Tive um sonho ontem  noite."

Mulder o estudou atentamente.  "Um sonho?" ser que  assim que se v algo
no futuro ou passado? Era um conceito que fascinava e deixava Mulder apreensivo
ao mesmo tempo. "Me conta."

"Empacotar as roupas. Vamos precisar de roupas mornas. E um pouco de comida."
Ele parou por um momento para medir o peso da trouxa. "E Dana vai precisar
dos remdios dela."

"Voc viu Dana doente?" Megan interveio. "Voc no mencionou isso antes."

Ele encolheu os ombros.  "Acabei de me lembrar" ele parou e se virou para
Mulder. "Nao tenho certeza, mas acho que temos que entrar nas cavernas."

"Que cavernas?"

Desta vez, foi Chea que falou. "Existem cavernas antigas em Omani, que
levam para o corao do Vulco. Elas so assombradas."

"Algo me diz que tem uma histria por trs disso" Mulder gemeu. As possibilidades
de voltar para aquela cama confortvel com Scully estavam escapulindo cada vez
mais pra longe.

"Isso mesmo, Kyle disse, com autoridade. "Ento, Chea vai nos mostrar o
caminho at o barco."

"The Lady?"

"Vocs tem roupas mais quentes l, certo? E comida. E o remdio de Scully."

Mulder ficou assustado com as informaoes, quase tanto ouvir isso vindo de 
Kyle. "Ela deixou o remdio no barco?"

Kyle acenou com a cabea.  "Nas gavetas da cama ".

Impressionado, Mulder no pde suprimir um pequeno sorriso de surpresa. 
"Isso  realmente incrvel. Voc pode ver tudo ou s *sabe* que est l?
Algumas vezes eu sei de coisas que sonhei, sem ter de fato sonhado isso."

"Ela me contou ontem." Kyle respondeu.

"Ela te contou?"

"Eu perguntei". Ele arremessou as correias das trouxas sobre um ombro,
e beijou a cabea de sua esposa. "Eu vou trazer um presente pra voc."
ele falou na orelha dela, de maneira brincalhona.

"Me fale novamente por que nao podemos simplesmente fazer as malas e ir
pra casa" ela exigiu. "Podemos navegar sem equipamento eletrico se for
preciso. Eu sei que sou capaz de nos levar de volta para a costa da Flrida."

"Porque," ele disse no cabelo dela, "Chea..."

Mulder olhou ao homem pequeno, sentado to tranquilo e afastado, e pela 
primeira vez Mulder notou um curativo no antebrao esquerdo dele. Nao
estava l. E as faixas cruas ao redor de seus pulsos. Ser que eles o amarraram,
assim como fizeram com Scully?

"Por causa de Taam.  E Dana". Megan mordeu os lbios para o marido.
"Voc sabe por que ela precisa fazer isso. Como no podemos ajuda-la?"

Com um sinal derrotado, ela grunhiu, "Eu sei" e mordeu um pedao de fruta.
"Eu sei."

"Bem, ento um de vocs poderia me explicar, porque estou meio perdido
aqui" a inteno de Mulder era fazer a declarao ser leve, mas as pessoas
dentro do quarto levaram de maneira sria.

"Vamos andando" Kyle deu um claro para Mulder enquanto saa pela porta.
E Mulder no podia parar de pensar que isso no era um bom sinal.

//O que eu fiz agora?//

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

A viagem at as docas foi infinitamente mais longo com as costas e pernas
de Mulder doendo. E a carranca que Cheia teimava em mandar na direo dele
a cada dois passos estava ajudando a aumentar a dor ainda mais.
Finalmente o homem escuro murmurou o que estava dentro de sua cabea.

"Ela disse que vocs eram apenas colegas de trabalho, e nada mais" ele
deslizou as maos pela cala jeans que usava.

"E...?" Ele tinha conversado com Kyle? Por que diabos todo mundo estava
interessado em sua relaao com Scully?

"Foi por isso que voc foi solto. Menti para minha gente."

"E isso  de alguma maneira minha culpa, e voc est bravo comigo?"
Um ponto para lgica, um ponto para cultura. //Por que diabos ns
paramos nesta ilha?//

"Eu acreditei nela. Mas ela mentiu. Vocs dois mentiram" uma mao deslizou
para  o curativo em seu antebrao. Estava claro que a ferida o machucava.
"E vocs me usaram do mesmo jeito que eles disseram que vocs iriam fazer."

"Quem disse...? Olha, Chea". Uma furia profunda aqueceu o peito de Mulder.
Como alguem poderia ousar criticar Scully depois de tudo que ela tinha
passado, mesmo sendo um dos que Mulder considerava ser o mocinho. Sua indignao
vociferou. "Se voc est se referindo ao que Scully disse enquanto estava
sendo AMARRADA A UM POSTE depois de ter sido ARRASTADA pela cidade por uma
multido de pessoas gritando com ela num idioma QUE ELA NAO ENTENDE, ento
voc est errado." Ele manteve o olhar distante, ignorando os olhares nervosos
de Kyle, pedindo para ele parar. "Ela disse que no eramos um casal - que nao
somos amantes..." Mulder teve que engolir, sua garganta seca de repente.
"Ela nao mentiu."

O passo largo de Chea, e o tom de voz mostrava sua irritao. "Eu vi
vocs na cama esta manh-"

"O que?!" Kyle estava ao lado dele na hora. "Isso  maravilhoso!"

"No  verdade" Mulder quis saber se o jubilo de Kyle nao era devido a uma
v tentativa de diminuir a tenso. "O que voc ACHA que viu" ele latiu
para Chea, "Nao  o que realmente aconteceu, nao que eu te deva QUALQUER 
explicao."

"Voc a segurava como um amante-"

"No como um amante!" a exploso de Mulder fez Chea lhe dar um olhar
acusador, e ele respirou fundo, e continuou. "Pelo menos, ainda nao."

Kyle no se arriscou a dar  outra palavra no assunto.

Eles foram na direo do caminho, com arvores conduzindo o caminho,
a vegetaao rasteira, at o cais. Mulder notou olhares fixos com
medo e com dio das poucas pessoas que eles passaram. Ninguem os cumprimentou,
s abrindo mais espao para eles passarem. Nao que Mulder esperava outra
coisa depois do dia anterior.  

Quebrando a tenso, Mulder perguntou: "Voc disse que Vola estava morta.  
O que aconteceu?"

Chea correu uma mo sobre o rosto. "Apunhalada. Como dr. Juuj. No
corao." ele parecia relutante em revelar mais alguma coisa, e Mulder achou
que tinha algo a ver com o novo desafio para Chea.

Kyle tentou ajudar.  "Achamos que deve ter sido  a mesma pessoa que matou 
Juuj. E estamos assumindo que todo mundo aqui vai chegar  mesma conclusao."

"Mas eles pensam que Scully matou - " Mulder gelou nos rastos dele.  "Se eles
suspeitarem de Scully, ela est em perigo!"

Ele estava pronto para comear a correr, nem mesmo tendo certeza de que seu
corpo iria aguentar a tensao fisica, quando Kyle o pegou pelo brao.
"Mulder, nao  hora de bancar o heroi."

Chea apoiou Kyle.  "Especialmente agora.  Aes apressadas poderiam ser
mal interpretadas..."

"Do que voc est falando? No vou estourar. Quero ter certeza de que nada
vai acontecer... alguem est, de proposito, tentando incriminar Scully." a
idia estourou na cabea dele e Mulder lutou com a noo disso. "Kyle, me
diga que estou louco ao pensar que alguem est querendo culpar Scully."

Kyle murmurou, encolhendo os ombros. "Parece que sim"

Mulder continuou com seu trem de pensamentos. "O que quer dizer que
eles teria que saber que ela seria a primeira pessoa a achar o mdico, e
tentar ressuscita-lo, j que - do que eu pude entender - o nico argumento
deles era de que eles a estavam acusando de estar de p, sobre ele,
coberta de sangue, com a faca na mao. Parece incriminador, no ?"

"Meg est levando Scully at Omani enquanto pegamos as coisas que vamos
precisar no barco."

"Sim" Chea acenou com a cabea. "Elas devem estar seguras l embaixo. Omani 
um porto."

Mulder pulou na garganta dele. "Que diabos voc est falando?
Juuj foi ASSASSINADO l embaixo!"

Com um pouco menos de confiana, Chea respondeu. "Talvez nao. Dra. Scully
sugeriu que ele tinha puxado pra l depois do ataque. Algo a ver com 
falta de sangue-"

A imagem de alguem sem rosto arrastando o corpo daquele velho homem pela pedra
lisa, pelas camaras e corredores, at o laboratorio, deixou Mulder com um
tremor no rosto, de puro desgosto.

"E," Chea somou, "Se o atacante dele nao quisesse dar o golpe fatal, ele
poderia ter levado o dr. Juuj at Omani, para os espiritos curaram ele."

"Curarem como?"

Chea encolheu os ombros. "Espiritos podem curar. Se eles quiserem."

Mulder apertou a mao contra a testa. H quanto tempo ele nao comia?
Ele tinha certeza de que tivesse agora mesmo um BigMac - ou dois - ele se
sentiria cem vezes melhor, e poderia pensar claramente de novo.

"Certo. Me explique por que estamos entrando nas cavernas se nao
tem nada de errado no barco. Ns nao podemos simplesmente dar o fora daqui?
Nao me diga que  por causa dos sonhos de Kyle-"

"Nao, embora Kyle descrevesse o Gaal em perfeitos detalhes. No. Ns
estamos entrando no Corao de Omani por causa de Taam."

//Gaal? Quem diabos  Gaal?//

Kyle parou logo antes os trs deles virarem para as docas. "Mulder"
ele olhou de lado para os claroes que vinham das poucas pessoas que
olhavam pra eles, e ento seus olhos hesitaram por um momento na carranca
tensa de Chea, antes de olhar para o barco, quieto no fim do cais,
esperando por seus donos. "Mulder... os pais de Taam, esta manh...
cortaram a testa dela... e a expulsaram da familia."

"O mundo todo ficou maluco?!?!"

"Eles esto tentando proteger seus outros filhos. Eles acreditam que
expulsando Taam da familia deles, eles salvariam a vida das outras quatro
crianas."

"Voc tem que estar brincando!"

"Nao.  tudo muito srio."

"Isso  loucura! Estas pessoas abusam de sua propria filha fisicamente, 
e ento a deserdam? Onde ela est agora?"

"Omani. Ela fugiu." Chea se mexeu, sem jeito. "Mas eu sei para onde ela
foi."

"Onde?"

"Taam vai para o Corao para pedir perdo ".

"Mas por que?"

"Pelo Corao ter levado a gua. O animal foi o primeiro a ser congelado.
Taam acha, assim como seus pais, e sua comunidade, de que era ela que devia
ser levada."

"Isso  absurdo! Ento, o que ela...?" Mulder estava comeando a entender.
"Ela est se oferecendo como sacrificio?"

" disso que temos medo" Kyle falou, solene.

"E ela vai para o Corao de Omani, e vai fazer o que?"

"O que tememos" ele repetiu.

"Ento, por que nao estamos correndo atrs dela?"

Chea os guiou para o barco. "As cavernas so perigosas. Por isso que as
pessoas so proibidas de entrarem l."

"Pensei que elas nao entrassem por causa dos fantasmas." Mulder
murmurou, secamente.

Com um meio sorriso, Kyle zombou. "De onde voc acha que os fantamas
apareceram?"

"Na verdade, o Corao era usado como catacumbas para enterros, mas as
pessoas ficavam caindo nos desfiladeiros l dentro, e sendo levados pelos
rios subterraneos, e  por isso que estamos pegando cordas, lanternas, e
mais mais lindos dispositivos do sculo 20 para nos ajudar."

Do canto do olho, Mulder viu o sorriso entusiasmado de Kyle.
O homem estava muito animado para comear a aventura //Ele  maluco.
Todos esto loucos. Inferno, at eu tambm//.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Quando eles saram para Omani, e Kyle e Chea estavam cheios de sacos e bolsas,
Mulder viu o curativo no antebrao do homem marcado. "O que aconteceu?"

"Um castigo por envolver Vola. Pedir para ela ajudar Dana nao era uma coisa
considerada correta para ser feita."

"Como assim?"

"Seria como pedir para Dalai Lama vir pessoalmente livrar um prisioneiro
americano da pena de morte."

Mulder sentiu frio nas veias. "Eles iam mata-la?"

"O nico castigo para morte  morte".

"Mas ela era inocente!"

"E foi por isso que implorei para Vola interceder por Dana. Mesmo sendo
improprio, eu sabia que daria certo. E fora o fato de ver uma mulher inocente
morrer, eu sabia que a execuo da dra. Scully teria tremendas consequencias
para Erlona e minha gente. Eu fui educado na Universidade de Columbia. Tenho
um doutorado em Ciencia Politica. E sei muito bem como seu governo age sempre
que seus cidados so mortos por maos estrangeiras. Sem um governo aqui,
isso significaria colonizao certa, ou pelo menos anexao. Salve o mundo
para a democracia com tirania.  assim que os EUA sempre trabalhou."

"Aparentemente ningum mais v isso." Kyle falou.

"Eles raramente percebem. Muitos poucos Erlonianos saram da ilha. E quem
saiu, no voltou."

"Mas voc sim." Mulder mostrou.

"Mas  claro. Esta  minha casa."

Casa.  Ele disse a palavra com tal reverncia que Mulder se esqueceu
por um momento da vida primitiva que Chea vivia. O homem amava sua casa.
Mesmo com todas as falhas, ele defendia isso. Mesmo com a gente dele
tendo marcado seu rosto para toda vida, pessoas que ele deveria odiar
e menosprezar, ele protegia Erlona. Ele os protegia. A nica razo
que Chea teve ao procurar Mulder era de que as coisas na ilha tinham
ficado descontroladas, e que nao havia mais ninguem para ajudar a 
colocar tudo no lugar certo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx     

Na escurido da caverna, mais fundo nas tores e ns de Omani, e que
Mulder nunca esteve antes, Scully se sentou numa pedra, um brao ao redor
do estomago. Ela abaixou a cabea.

"Scully?"

Ela olhou. "Oi" ela tinha colocado o cabelo num rabo de cavalo malfeito
e usava cala jeans, com camisa de manga longa, enroladas, que Mulder nunca
tinha visto antes. Ele achou que era de Megan.

"Scully? Voc est bem?"

"Sim, estou." ela sorriu pra ele. "Comi muito no caf da manh."
Ao lado dela, Megan riu, silenciosamente, sua opiniao clara ao quanto 
Scully tinha comida, ento se levantou para dar um beijo em seu marido.

"Ela saiu?" Chea perguntou esperanosamente.

"No vejo nada."

Mulder estava dolorosamente atento de que sua parceira nao tinha tirado os olhos
dele. "Que foi?" ele perguntou baixinho, enquanto o resto do grupo organizava
quem ia levar o que.

"Fiquei preocupada quando nao te vi na cama de manh." a preocupao pesava
na sobrancelha dela. "Posso ver que suas costas ainda doem."

"Na verdade, est melhor. Est dura e dolorida, mas tenho certeza
de que vou viver." a piada dele bateu no chao de pedra frio, como uma
tonelada de tijolos. "Ei, Scully. Sou eu! Eu sempre sobrevivo a estas
coisas. Voc sabe disso."

Ela deu um aceno, e se levantou com sua enorme carga, enquanto o 
grupo comeava a seguir Chea pela entrada de vinte ps de altura. Kyle
parou por um momento, s fitando as colunas esculpidas que adornavam
a entrada. A pintura pode ter estado ali, mas devido ao tempo, e a umidade
da caverna, tinha sumido.

"Meggie". Ele sorriu. "Nao te disse que era bonita?"

Chea se virou pra eles, a face distante e quase assombrada. "Isto  Gaal.
 a entrada para o Corao de Omani." ento ele parou no limiar. "Nao posso
explicar para vocs o que nossa intruso significa, exceto que eu posso
dizer que este cho  mais sagrado que o Vaticano. Mais santo que
Jerusalm. Por favor" ele sussurrou, mas Mulder poderia ouvir a palavra dele
como se ele tivesse falado diretamente em sua orelha. "Por minha alma,
andem suavemente."

Scully olhou cautelosa para seu parceiro, e seguiu o homem marcado
pela entrada. Kyle e Megan seguiram com Morg amarrada no cinto de
Kyle. Eles pareciam turistas numa viagem que terminou mal. Cada um nao 
queria ir adiante, mas se foravam a fazer isso.

O estmago de Mulder estrondeou, e ele tremeu a cabea. //Com certeza
isso nao estaria no itinerario da DisneyWorlf.//

No momento em que eles passaram por Gaal, um vento maravilhoso
veio pelo tunel negro, levantando sujeira do chao da caverna, fazendo
todas as maos protegerem seus respectivos olhos delicados.

"Que diabos foi isso?" Megan esfregou o rosto com a manga da camisa.

"Pelo menos sabemos que esta caverna no  um beco sem sada."
Scully falou, esperanosa.

"Os espritos sabem que estamos aqui" a voz de Chea ficou nivelada. Ele olhou para
sua tripulao fiel, e mais uma vez Mulder notou que a calma e inteligencia de
Chea o faziam um lider natural.

Scully pegou a lanterna que tinha cado da mo dela. Mulder agarrou a bolsa
que estava ao lado dela, mas ela o parou antes que ele tivesse chance
de coloca-la no ombro. "Eu levo."

"Scully, voc est cansada."

"E voc tambm. E nao tente me dizer que voc no est. No sou cega, Mulder,
e voc sabe disso."

"Scully, deixe-me levar a bolsa."

"Deixe de ser macho, Mulder. Sou perfeitamente capaz de levar minha
parte. Enquanto voc, por outro lado, est ferido" ela arrancou as alas
do ombro dele, e se afastou. Ele no podia deixar de notar a pele crua e
as contuses que marcavam os pulsos pequenos e delicados.

"Eu posso, pelo menos, levar a lanterna?"

Ela lhe deu um olhar de frustrao, cansada, e entregou a lanterna.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

J faziam duas horas que eles estavam andando pelas cavernas, escuridao
completa ao redor, indo muito devagar. O caminho que eles tomaram tinha
pedras soltas e desiguais, e rampas suaves, mas em alguns lugares,
os declives eram acentuados, e cheios de dentes. O teto era imprevisivel,
ora largo, ora cheio de estalactites.  E para Mulder, parecia que a cada
dez minutos ou algo assim, a temperatura caa ainda mais.

Eles chegaram na margem rochosa de outro rio subterraneo - ou talvez 
fosse o que eles tinham conseguido atravessar mais cedo - e Chea pediu
um tempo de cinco minutos enquanto ele decidia a maneira mais segura de
atravessa-lo. As correntezas faziam um barulho imenso dentro da caverna
silenciosa, correndo para um buraco na parede de pedra.

Mulder tirou proveito do repouso para puxar uma camisa de moletom da bolsa
grande que Scully deixou cair aos ps dela, e ento tirou outro para ela,
achando que, se ele estava com frio, ela devia estar congelando. Scully estava
sempre com frio. Inexplicavelmente.

"Aqui" ele deu a camisa cinza de moletom pra ela, e ela pegou, mas no vestiu.
Ao invs, ela colocou a camisa no cho, e sentou de pernas cruzadas sobre ela.
Foi nesse ponto que Mulder notou que ela estava arquejando um pouco. "Da
prxima vez que eu te levar pra velejar, juro que vamos ficar em pequenos lagos
e  lagoas."

"Tudo bem" ela sorriu. "No temos um bom registro com barcos, no ?"

"Ei, isso nao foi culpa minha" ele defendeu-se, sabendo exatamente ao
desastre ao qual ela estava se referindo. "Foi Old Blue que bateu e afundou
o barco."

"Mulder, Old Azul no existia. E alm disso, acho que era *eu* quem estava
pilotando o barco quando batemos naquela pedra." ela suspirou ao se
lembrar disso, uma memria triste do olhar dela, mas ele nao podia entender
o que a fazia sentir desse jeito sobre o caso. Mas ela estava. Mas ele nao.
Porque durante algumas horas eles ficaram presos ali, sozinhos, e ele a teve
pra ele. No fisicamente, claro; ela ficou sentada, usando o salva-vidas to
longe quanto possvel dele. Mas naquela noite ele nao a dividiu com ninguem.
Nem com aquele cachorro estupido que j tinha sido comido aquela altura.
Nem mesmo o caso. E eles conversaram naquela noite. Falando de verdade.
O suficiente para deixar Mulder um pouco incomodado, na verdade. Foi maravilhoso.
Por que eles nunca mais conversaram, desde ento?

"Acho que podemos cruzar o rio sem problema, se formos com cuidado, e devagar.
No  fundo. Mas precisamos ter cuidado com a corrente." Chea, como sempre,
tinha tudo sob controle. Puxando uma corda do saco dele, ele amarrou uma ponta
em si mesmo, e posicionou todo mundo em fila: primeiro ele,  ento Scully,
Megan, Mulder, e Kyle, com Morg.

A corda foi guardada do outro lado do rio, e eles comearam a descer, bem
inclinados, e chegando l, descobriram um caminho que levava pra cima de 
novo. As pernas de Mulder estavam comeando a incomoda-lo. Ele estava andando
num angulo desajeitado por causa da dor nas costas, e os musculos de suas coxas
estavam comeando a protestar. Ficava ainda mais dificil quando eles paravam por
um minuto ou dois, pois ele nao podia se sentar. As contusoes pareciam ter
montado acampamento no topo de sua pelvis, e qualquer presso pesada explodia em
fragmentos de dor. Ento, sentar, nem pensar.

At Morg, que estava animada ao entrar na caverna, e teimava em cheirar
tudo que pudesse colocar seu focinho molhado, estava cansada e inclinando
o rabo pra baixo. Ela ia atrs de Kyle, fiel, mas nao se aborrecia em
investigar qualquer outra coisa ao longo do caminho.

Num ato de desespero, Mulder chamou o homem na frente do grupo. "Chea! Quanto
falta pra chegar l?" ele simplesmente nao podia mais andar sem cair. Sua
mente estava disposta,  mas nao seu corpo.

No declive ngreme, Chea virou, dando para Mulder uma chance para se suportar
nas coxas e descansar a dor nas costas. "Nunca vim aqui antes."

"Ento como voc sabe que estamos indo no caminho certo?" Scully
estava cansada tambm. Sua voz tinha um tom que Mulder reconheceu como
fadiga.

"O caminho  bem fcil. Mas ninguem esteve aqui embaixo, pelo menos que eu saiba,
ento  dificil dizer quanto tempo vai demorar para chegar  cmara principal." 
ele ajeitou a lanterna na mao, para poder emitir um facho de luz maior.

Kyle coou a nuca. " uma cmara grande com uma piscina branca, e com um 
crculo vermelho e preto na parede?"

O professor parecia ter visto um fantasma. "Voc sonhou com isso tambm?"

Kyle olhou de Chea para Scully, e os alarmes internos de Mulder comearam a
soar de novo. "Parece que vocs precisam descansar." ele disse,
diplomtico.

Chea protestou.  "Temos que alcanar Taam o mais cedo possvel. A ida
ao barco de vocs nos fez perder tempo precioso."

Morg deu dois latidos entusiasmados.

"Nao vamos acha-la na camara principal." Kyle falou com uma certeza que fez
Mulder sentir frio nos ossos. Os sonhos do homem estavam comeando a 
fascinar Mulder num nivel completamente novo. Ele ia ter que sentar com
Kyle e descobrir exatamente sobre como a habilidade especial dele funcionava.

Mas no nas cavernas.  No com Scully ao alcance da voz, para rodar os
olhos e zombar. Ou talvez pudesse ser com Scully, sim. Talvez, se ela ouvisse
sobre as habilidades paranormais de algum, ela estaria aceitando mais as
coisas.

"Kyle," Mulder exigiu, sabendo que ele sabia. "Onde ela est?"

Com um sorriso pequeno, Kyle elevou o brao esquerdo e apontou para uma pedra 
a aproximadamente uns vinte ps sobre as cabeas dele.

De p, l em cima, no brilho da lanterna, estava a adolescente no vestido 
de vero fino dela, tremendo. Os olhos dela estavam brancos em contraste
com o rosto apavorado, e ela parecia pronta para pular ao primeiro sinal de
problemas.

"Taam!" a voz de Chea estava transbordando com alvio.  Ele falou com ela
em sua lingua nativa, acalmando e mimando sua aluna. Ela tremeu a cabea,
negativamente, algumas vezes, mas nao fugiu.

"Ela no foi mais longe do que isto" ele falou numa voz baixa. "E ela nao 
desceu aqui. Temo que se eu subir, ela s vai entrar mais fundo na montanha."

"No," Mulder discutiu. "Ela nao quer ir alm.  por isso que ela est
aqui. Pergunte a ela se aconteceu alguma coisa para faze-la ficar com
medo."

Com submisso, Chea voltou-se para Taam, e ela acenou com a cabea, devagar.
Ento, sem aviso, ela jogou uma coisa para o grupo. Ou do lado do grupo. Quebrou
quando caiu.

"Meu Deus," Scully respirou enquanto examinava os restos quebrados com a lanterna.
"Est congelado!" ela olhou para a menina, preocupada. "Ela deve estar machucada,
Chea. A mao dela deve ter queimado quando tocou o metal congelado."

Levou alguns minutos para Chea tirar a menina de l. Quando ele voltou com
ela, nao precisava ser mdico para ver o quanto ela estava machucada. 
A palma da mao dela estava escura e descascando em grandes
pedaos, e o pulso e brao estavam marcados com bolhas e pele morta.

Os impulsos mdicos de Scully saltaram  vida quando ela fez Taam se sentar
numa pedra rande, enquanto ela procurava algo na bolsa, frenetica.
"Nao temos curativos nem nada aqui?"

Mulder deu alguns passos pra trs, se recusando a olhar, mesmo quando
Scully exigiu mais luz e ento uma manta. Ela tinha tudo sob controle,
e Kyle e Chea pareciam estar ansiosos a ajudar no que podiam.

"Voc est bem?" Megan foi para o lado dele. "Do jeito que voc est andando,
eu diria que suas costas estao doendo mais ainda."

"As costas esto a mesma coisa" Mulder lhe deu um sorriso seco. "Minhas
pernas  que esto me matando" o som da voz dele reclamando sobre suas dores
fisicas pareciam fracas para suas orelhas quando ele pensou em Taa. "Ela est
aguentando muito bem tudo isso" Mulder acenou com a cabea para a adolescente
perto dele. "Acho que eu estaria gritando com toda fora."

"Ela est em choque". Megan olhou por cima do ombro para o progresso que
Scully estava fazendo. "Parece que vamos ter que ficar aqui durante algum tempo.
Pelo menos at que Taam pudesse recuperar-se o suficiente para caminhar
pra fora daqui. Vocs deveriam comer alguma coisa."

"Estou com fome." Mulder concedeu.

Megan o ajudou a colocar uma manta no chao, e pegou um pedao de po
e frutas na bolsa de comida. "Melhor comer uma fruta antes que ela estrague."
Mulder nao ia reclamar. A laranja estava com um cheiro delicioso, mesmo ainda
dentro da casca.

Logo, Kyle e Scully foram para l, para comer a pouca comida.
Chea optou por ficar com sua aluna enquanto ela cochilava na cama
improvisada que eles tinham feito para ela.

"Ela vai ficar mais ou menos bem, eu acho" Scully pegou um grande
pedao de po e comeu. "Vai ficar cicatrizado, claro, mas nao acho que
ela vai perder os dedos." Ela deitou de bruo, na mesma posio que Mulder
estava se deitando, e mordeu de novo, uma grande mordida. "Eu fechei o
corte na testa dela. Nao estava to ruim quanto eu imaginava... falando
nisso, como est seu polegar, Mulder?"

"Est bom, obrigado" Era embarooso que ela se lembrar da ferida que ele
tinha tido quando descascou aquelas batatas, em comparao ao ferimento
que Taam tinha tido.

"Que bom" ela estendeu a mao e apertou a batata da perna dele. "E como estao
suas costas?" Ela colocou a cabea no outro brao dela e fechou os olhos.

"Como voc predisse."

"Hmpf".  

quele ponto Kyle e Megan abriram a manta, levando os restos
de comida com eles. Eles ficaram numa rea plana entre Chea e Taam, e
Mulder e Scully, e abriram sua manta.

"Vocs.. vocs vo dormir *aqui*?" O olhar de genuna descrena
que Chea lhes deu preocupou Mulder. Ele nao tinha certeza que poderia
andar mais adiante sem descansar um pouco.

"Scully j est dormindo" Megan falou. "Ns podemos descansar tambm."

Chea segurou a boca dele fechada e no protestou enquanto Kyle apagava a
lanterna. Ao invs, ele ofereceu uma orao simples, e ento apoiou
as costas numa pedra perto de Taam, tentando achar uma posio confortvel.

Mulder fechou os olhos e dormiu.


Fim da parte 11/17


