ERLONA'S HEART 10

"Mulder! Mulder! Voc est bem?" Megan se ajoelhou ao lado dele, que 
estava meio apoiado, meio sentado contra uma barraca que tinha sido 
destruida. O sol batia forte contra ele, o fazendo queimar.

"Scully..."

Ela estava com os pulsos amarrados na corda do poste. As pontas da sandalia
dela arrastavam no chao sujo e vermelho enquanto ela tentava achar uma
maneira para se apoiar. A camiseta branca estava manchada de vermelho,
e suja de terra, e deixava a barriga branca  mostra, e o short azul nao
cobria o suficiente as pernas, para protege-la do clarao do sol. Ela ia
queimar.

Ele se forou a ficar de p, e empurrou Megan para fora do caminho.
Ele podia ouvi-la o chamando, mas as palavras nao entraram em sua cabea.
Sua mente se fechou ao redor de dois pensamentos enquanto ele corria
para Scully. Ele tinha que ajuda-la. Ele tinha que liberta-la.

Dois dos aldees, armados com pedaos de tbuas, entraram na frentede
Mulder e bloquearam seu caminho. "Nao" gritou um  esquerda de Mulder, e ele
apontou para a cerca. Mulder o empurrou pro lado.

GOLPE!

A sensao de dor no foi registrada at depois de Mulder ouvir o som da tbua
contra as costas baixas dele. O choque o mandou pro chao, os braos tentando se
apoiar. gua picou nos olhos dele. De novo, ele ouviu Megan gritando. Na sua
frente, Scully se torcia como uma camisa num varal de roupas.

Com uma fora sada do fundo de sua mente, Mulder conseguiu rastejar de
quatro, dando um passo para sua parceira. Ele foi atingido com fora de novo,
e caiu pela segunda vez. Ele podia ouvir os gritos de Scully em sua mente
girando.

Ela implorou, "Por favor, no o machuque" e gritou para Kyle ajuda-lo.
O som da voz dela o incitou. Ele tinha que ajuda-la... ele tinha que
liberta-la...

Segundos depois, enquanto Mulder tentava se forar pra frente, duas maos
grossas apertaram seus braos e arrastou-o. Ele podia ver sua parceira
se torcendo nas cordas, tentando se voltar e ver o que estava acontecendo.
O esforo dela s a fez perder a pequena base que ela tinha, e ela 
se desequilibrou, batendo a cabea contra o poste. Ela choramingou em
dor.

Mulder tentou localiza-la de novo. "Scully!"

Mas as maos nao cederam. "Mulder..." a voz de Kyle entrou no meio das outras
vozes que nadavam ao redor dele - Megan, os guardas, Scully...
Scully!

"Mulder, me escute. Voc tem que parar com isso."

"Scully!"

"Mulder, eles vo machuca-la se voc nao parar. Pare agora! Mulder, olha pra
l!" Kyle agarrou o rosto de Mulder e o forou a focalizar no homem de p
atrs de Scully. Um homem que vigiava Mulder, pronto para bater com a tbua
em Scully caso Mulder tentasse ir pra ela. A inteno dele era bem clara.

Lentamente, passo a passo, Kyle conduziu Mulder de volta, para fora
do tablado. Os guardas relaxaram as tbuas um pouco, e Scully descansou
a testa pesadamente contra o poste de madeira. Ela estava suando muito
e arquejando.

"Ela nao pode ficar l" Mulder estava implorando para Kyle, sem tirar os olhos
dela. "Eu tenho que ajuda-la."

Megan parou na frente dele. "Chea foi tentar achar ajuda. Ele disse que algum
chamado Vola convenceria eles a deixarem ir. Ele prometeu que iria rpido-"

No havia tempo para diplomacia. "ELA EST AMARRADA NUMA P0**A DE POSTE!
ELA EST SANGRANDO!" o pnico de Mulder estava subindo de novo. "VOCS NO CONSEGUEM
ENXERGAR!?!? ELA EST DOENTE!!"

"Mulder, nao acho que aquele seja o sangue dela" Megan olhou para Scully.
"O problema todo  esse. Acho que o sangue  de Juuj."

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Chea apareceu, correndo, com uma mulher atrs dele, velha, enrugada, cabelos
brancos. A bengala que ela usava batia no chao a cada passo que davam.

"Bastolon!" Chea gritou e os homens que vigiavam Scully pularam numa posio
defensiva. "Bastolon! Cazimaan'dir se meen Vola!  Bastolon!"

Assim que a mulher pequena alcanasse a cerca, ela elevou a bengala e 
gritou, "Bastolon!" Um vento balanou o roupao dela, mas nem mesmo aquela
brisa tocou a pele encharcada de Mulder.

Mas a palavra dela teve mais efeito do que as que todos gritaram at ali.
Os guardas derrubaram suas tbuas e comearam a voltar lentamente, se
curvando em reverencia. Ou medo. Mulder nao podia saber. E ele nao ligou pra
isso. Tudo que importava era que o caminho para Scully estava aberto. Ele
foi para ela, pretendendo correr, heroico, mas terminou de novo no chao,
com a boca cheia de terra. As costas dele nao suportaram a dor. Nao que isso
o pararia. Ele ficou de cotovelos, e tentou se arrastar pra ela.
"ScullY!"

Megan pisou na frente dele e tentou ajuda-lo a ficar de p. "Mulder!
Pelo amor de Deus! Pra de bancar o heri! Kyle j est ajudando ela! Agora
me ajuda aqui para que eu nao tenha que te arrastar para o barco."

Tirando um punhal das dobras do roupao, a mulher o ergueu cerimoniosamente
sobre a cabea, dando um beijo antes de dar para Chea. Ele pegou o punhal como
se estivesse vivo, e virou a lmina. O metal que brilhava era quase azul de to
preto, e cortou as cordas que prendiam Scully num nico golpe.

Ela teria cado no chao se Kyle nao estivesse l. Mulder ficou aliviado ao
ver os olhos dela se abrindo, e os lbios dizendo alguma coisa, mas ele
estava longe demais para ouvir. Com um brao ao redor da cintura dela, e
outro por baixo dos joelhos, Kyle a ergueu do cho, indo para os bangalos.

"O barco!" Megan gritou antes dela colocar Mulder de p. "Kyle, vamos dar
o fora deste inferno!"

"Boa idia." ele se virou para o cais.

"Bastolon!" a mulher estranha guinchou num tom trs oitavas abaixo.
Ela ergueu a bengala e apontou para os barcos, cantando.

"Eu sinto muito" Chea falou, com tremor na voz. "Mas acho que vocs nao
vo poder ir embora."

"Pro diabo que no podemos." Megan ergueu Mulder sem pena, forando-o a ficar
de p. A maior parte do peso dele estava sobre o ombro dela. "Chea, ns agradecemos
a sua ajuda pra tirar Dana do poste, mas eu estou doente desta ilha esquisita.
Vocs podem ficar com sua nvoa, seus deuses, e sua anarquia. Ns vamos dar
o fora daqui!"

"Nao" ele olhou nervoso para a mulher perto dele. O cantar dela
tinha parado, e ela estava de p, em silencio, vendo todos com seus olhos
negros. " Vola que nao quer que vocs vo embora."

" mesmo?" Mulder falou, irnico. "Mas que gentil da parte dela. E ns acabamos
de nos encontrar."

"Acho que ela colocou um feitio no barco de vocs. Vocs nao podem partir."

Ao lado dele, Mulder sentiu Megan ficar tensa. "O barco" ela ofegou, de repente.
"O que voc quer dizer? O que ela fez com o barco?"

Quase culpado, Chea abaixou os olhos. "Simplesmente fez. Como antes. Sua 
chegada aqui nao foi acidente. Vola sabia que vocs precisavam estar aqui."

Megan olhou para Kyle e antes que Mulder pudesse se agarrar nela, ela encolheu
os ombros, tirando ele de cima dela, e fugiu para o cais. Mulder foi direto
pro chao. Felizmente o ombro dele amorteceu a queda. Ele uivou quando dor quente
correu por todo seu brao, e ele trincou os dentes //Eu vou mata-la por isso
se eu viver//

Kyle estava agitado, pulando de um p para o outro. Parecia que ele
nao sabia o que fazer: seguir Megan ou levar Scully para o bangal, e
do sol. Se fosse possvel, ele teria se dividido em ambas as direes.

"Kyle" Mulder advertiu, com medo de que Scully perderia e seria deixada
na sujeira, assim como ele foi.

Depressa ele se virou, rumo ao bangal, e xingando. "Merda! Meggie! Sempre
escapando, entrando em problemas..."

Mulder perdeu a visao quando Chea se ajoelhou ao seu lado. "Sinto muito
sobre tudo isso que aconteceu."

"Yeah," Mulder fechou os olhos e tentou pensar de maneira fria. O sol estava
batendo diretamente nele, comendo tudo, somendo dor em cima de dor. "Eu
tambm."

"Posso ajuda-lo?" ele perguntou, cauteloso com a resposta de Mulder.

Mas ele nao estava em posio de  recusar ajuda.

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Quando Chea finalmente entrou com Mulder no bangalo, Scully estava deitada
na cama, segurando um copo vazio contra o rosto corado dela. Seus olhos
estavam fechados. Ela estava completamente suada, e cheia de sangue seco.

//No  o sangue dela.//

Kyle saiu do banheiro, com vrias toalhas molhadas, antes mesmo que
Mulder chegasse ao outro lado da cama. Ele apertou uma toalha contra a testa
dela, e pegou o copo de sua mo. "Mais gua?" ele nao esperou uma resposta.

Quando Mulder se preparou para deitar na cama, com a ajuda de Chea, um novo mundo de dores
ricocheteou por ele. Suas costas nao doiam- na verdade, ele nao podia senti-las.
Mas ele podia sentir o pulso queimando. Suas pernas, braos e pescoo pareciam
que iam se desprender do corpo. "AHHH!" a dor passou por ele, "DEVAGAR!" ele
implorou, entredentes. 

"Mulder?" a voz de Scully veio at ele. A voz parecia cansada, e seca, como
se ela estivesse gritando.

Mulder mentiu com os dentes apertados. "Eu estou bem, Scully" ele nao queria
que ela se preocupasse; afinal de contas, ela nao estava bem. Bem, isso e
o fato de que ele estava com vergonha de nao ter conseguido fazer nada por
ela.  E ele estava mortificado por ele ter sido o motivo dela quase apanhar.
Se Kyle nao o tivesse parado...

O homem em questo voltou com um copo de gua, e Mulder podia ouvir
sua parceira bebendo tudo. At a plvis dele tocar na cama, ele gritava como
um gato escaldado.

"Mulder!" a voz dela estava amortecida pela dor intensa. O mundo ficou escuro
por um segundo, e Mulder pensou que fosse desmaiar. Ele nao teve essa
sorte. Ele sentiu a camisa dele sendo erguida por trs, e ouviu os suspiros
ao redor.

Kyle resmungou um "Meu Pai do Cu..."

"Chea". a voz de Scully era afiada, mesmo seca. "Ajude-o a se deitar direito.
De bruos. Kyle, as pilulas esto na minha bolsa, l."

A cama entrou em viso, com uma Scully rosa se ajoelhando sobre a cama.
"Voc est horrvel, Scully."

"Voc no viu as suas costas ainda" ela declarou, seca. "Amanh, voc vai 
pensar que eu sou a Rainha da Beleza."

Chea teve o cuidado de baixa-lo lentamente no colchao, e Scully aproveitou
a oportunidade para abrir o cinto de Mulder, e desabotoar o short dele.
"Scully, eu s tenho uma dor de cabea-"

"Cala a boca" ela estalou. "Voc se machucou muito, Mulder."

Ele nao quis fazer piada. Quando ele bateu o rosto na cama, o short
dele foi descido at os tornozelos. E para sua humilhao, a cueca seguiu
depois. "Uh, Scully-"

"Oh, Mulder..." ele podia ouvir o choro na voz dela. "Kyle, d duas pilulas
pra ele."

Um barulho de plstico. "S tem duas."

Sua parceira suspirou, e ento. "D pra ele."

"No, Scully. No vou tomar suas duas ultimas pilulas-"

"Essa deciso  minha, Mulder."

"O diabo que ."

"Como sua mdica, Mulder, estou te ordenando..." a voz dela sumiu
quando ele se torceu para ve-la. Ela estava se apoiando nos braos, a
cabea pendurada, a face se torcendo em dor.

"Kyle," Mulder insistiu, "D as plulas pra ela!"

"No" nao havia quase nenhuma fora na voz dela. "Elas so de Mulder.."

"Vocs dois realmente se merecem!" o estouro de exasperao de Kyle os
assustou, e ele bateu o copo  no criado mudo. "Vocs podem negar e mentir
pra si mesmos tudo que quiserem, insistirem que so apenas amigos at ficarem
azuis, e ver como vocs so teimosos! Mas eu fico maluco ao ver duas 
pessoas to obviamente apaixonadas uma pela outra  preferirem discutir do
que admitir a verdade. Eu no estou nem a pra quem vai tomar as pilulas.
Estou por aqui com vocs. Vou achar minha esposa, e vocs dois podem
ficar a e sofrer." ele saiu, batendo a porta atrs dele.

Mulder sentiu a dor em todo corpo, enquanto Scully rasteja para seu
lado, devagar, abaixando a cabea, mas ele ficou de olhos fechados. 

"Quando voc acordar, voc vai se arrepender por nao ter tomado as
pilulas" ela sussurrou. "Voc vai estar duro e dolorido durante semanas."

A porta foi aberta, e se fechou, e parte da mente de Mulder registrou que
devia ser Chea saindo do quarto discretamente. "Por que voce no toma elas,
Scully? Elas foram receitadas pra voce."

"Porque eu estou enjoada, e zonza pelo calor. Elas vo me fazer sentir
pior."

Mulder sabia que ela estava mentido; ele podia sentir o calor irradiando
dela, e o cheiro do suor que estava secando em seu rosto. Ele podia sentir
o colchao se mexendo enquanto ela respirava. Ela estava to perto...
ele abriu os olhos um pouco, e viu os olhos dela molhados, o estudando 
criticamente.

"Mulder..." nao havia nenhuma voz no sussurro dela, mas mesmo assim,
oscilou. "Hoje... hoje eu..." ela piscou devagar, e uma lgrima correu
pelo nariz dela, indo ficar no outro olho.

Ela tentou toca-lo, e apertou sua mo. "Scully" ele falou, tentando acalma-la,
mas o nome saiu como um choramingar. Ele queria dizer outra coisas, mas
as palavras fugiram, e ele achou melhor assim, pois nao tinha foras nem
pra chorar, e ele tinha certeza que iria, caso tentasse explicar o quanto
ela significava para ele.

Scully observou Mulder abrir e fechar a boca por um momento. Ela mesma abriu
e fechou a dela vrias vezes, com a respirao quente e mida. Uma mancha
marrom riscava seu queixo, e o rosto dela estava manchado e sujo. Mas
quando ela fechou os olhos e se apoiou nele, esfregando os lbios contra
os dele, tudo que Mulder podia pensar era em como ela estava linda.

Ela no fechou a boca sobre a dele para marcar o beijo, nem fez presso para
ele fazer isso tambm. S encostou os lbios, respirando, sem pressa. Nao era 
um beijo, Mulder percebeu de repente. Mas o suficiente para acalmar e para
confortar.

Os lbios dela estavam secos e rachados, e criaram frico contra os dele, no
mesmo estado. A sensao era dificilmente ertica, e mesmo assim, o corpo
de Mulder respondeu, apesar dos machucados. O fluxo de sangue que foi
para a virilha dele trouxe uma estranha palpitao que ferveu sobre seu
estmago, e ento ao redor do quadril, pouco antes do traseiro nu dele.

//Oh, boy//

Ele queria tanto beija-la de verdade, rodar ela pra debaixo dele e se afundar
dentro dela. Ele queria pedir para ela tirar a cala dele, mas ela nao estavam em
condies nem de se sentar, imagine fazer fora fsica. Mais do que tudo, ele
queria deslizar a lingua na boca de Scully. Nao havia nada que pudesse para-los,
e ele esperou...

E ento a ponta da lingua dela encontrou a dele quase timidamente, e ele sentiu
o corpo dela perto dele. Esta nova conexo no era mais urgente que os lbios
tinham sido. Mas o gosto dela, a sensao de prova-la, fez sua mente correr.
Se ele pudesse movimentar os braos ao redor dele, e tocar o rosto dela, o
corpo...

Como ele poderia sentir desejo to sereno e radical, e tanta dor?

//Amor...// ele ouviu a palavra como se tivesse sido dita em voz alta.
//Eu a amo//

E naquele momento, Scully afastou o suficiente para descansar a cabea
no travesseiro ao lado dele, no abrindo os olhos nenhuma vez para 
ver a resposta. A face dela estava tranquila. Ela suspirou de novo e
dormiu.

//Eu o amo... ele me ama.... eu o amo...//

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"Eu no posso ver, Scully. Est muito ruim?" ele ainda estava na mesma posio
de antes. E com Scully sobre ele, Mulder se sentia muito tmido - o short dele ainda
estava nos tornozelos.

"Contuso muito ruim" o tom seco dela dizia que aquela era uma idia bem vaga
sobre o que havia ali. "Vou ter que te tocar e ver se tem alguma coisa ruim dentro."

"Coisa ruim? Como assim?"

"Hemorragia interna, ossos quebrados... como  a dor?" a separao
clinica dela o aborreceu. Eles tinham se beijado mais cedo, ou aquilo
foi s um sonho?

"Como se algum me bateu nas costas com uma tbua." ele nao estava
no humor para dar uma de paciente obediente para a dra. Scully. "Me avise
antes que voc - AHHHHHHHHHHHHH!" os dedos dela pareciam espigas quentes.
Ele gritou e tentou rolar, se afastar, como reflexo, mas ela ficou com
ele, aplicando uma presso impiedosa na regiao lombar dele. 

"Mulder, aguente" ela estalou. "Voc vai dificultar as coisas."

"Voc est me... matando!" ele ofegou e tentou respirar atravs da dor.
No adiantou.

"Voc parece bem." ela resmungou, distraida. No segundo em que as maos 
dela foram erguidas, a ausencia delas fez a dor diminuir incrivelmente.
"Eu quero saber se tiver sinal de sangue na sua urina, Mulder" ele a ouviu
inalar pesado, e entao se passou uns minutos, sem ninguem dizer nada.
A consciencia de Mulder apareceu, e ele percebeu que ela ainda estava atrs
dele. Ela estava tirando uma casquinha e olhando tudo?

Mulder virou a cabea o suficiente para pegar uma vista rapida dela.
Scully estava sentada sobre as batatas das pernas, cabea abaixada e olhos
fechado. Os cabelos estavam molhados, e ela usava um pijama solto. Azul.
Azul demais contra o vermelho azulado, carne crua que cercava os pulsos
dela. A pele delicada estava rasgada em todos os lugares. Mas ele ignorou
tudo isso quando ela colocou a mo na testa e suspirou.

"Ei, Scully. Voc ainda est passando mal?" mais cedo, quando ela foi
tomar uma ducha, ela admitiu, embora relutante, que mesmo se sentindo melhor,
ela ainda estava um pouco tonta. Ela tinha assegurado Mulder de que era
apenas um efeito colateral do calor, e nada mais. Podia ser algo mais?

"No". Scully ergueu a cabea, lhe dando um sorriso fraco. "S um pouco
cansada. Est tarde." 

Mulder aceitou as palavras dela. Ele entendeu a fadiga dela. "Muito tarde?
Eu queria tomar um banho, tambm" A sujeira e o suor da provao da tarde
estava comeando a coar, pra nao dizer feder.

"Tem certeza que aguenta? Voc acha que consegue ficar de p?"

A idia de mexer com as costas no era das mais apraziveis, mas Mulder
fechou os olhos e tentou se suportar contra a dor. Lentamente, mas muito
lentamente, ele deslizou as mos debaixo do corpo e se empurrou pra
cima, ficando de quatro. A roupa foi tirada dos tornozelos dele por sua
parceira muito atenciosa //Muito atenciosa. Ela vai ver tudo agora.//
Ele conseguiu deslizar uma perna para o lado da cama. Ele fez uma careta
e mordeu a bochecha contra a dor.

Respirando fundo, ele tentou ficar de p. Mais ou menos. Ele
podia sentir as costas queimando, com musculos que antes simplesmente no
estavam l. Sim, ele podia chegar ao banheiro, mas nao tinha certeza se iria
durar muito tempo de p.

Sua parceira tinha ficado de costas para lhe dar uma certa privacidade.
Mulder no ficou to aliviado quanto esperava ficar.

"Scully, talvez fosse melhor voc colocar uma cadeira no chuveiro pra
mim." a cadeira que estava contra a parede nao sofreria muito na gua,
ele achou. //Ou talvez voc possa vir me ajudar...//

Scully balanou a cabea, ainda de costas. "Nao quero voc se sentando.
Pelo menos no durante alguns dias."

Ele ficou sem jeito por ela estar de costas. Parecia que ela estava colocando 
distancia entre eles, declarando, com a linguagem do corpo, que ela nao
sentia que tinha o direito de ficar de frente pra ele em seu estado atual de
nudez. Ou no quisesse. Ou no pudesse aguentar. Claro que ele nao queria que
ela fitasse---aquilo, pois seria embaraoso. Mas ela nao queria que ela evitasse
o olhar tambm. //Estou muito cansado pra isso//

"Serei breve" ele foi para o banheiro. Nada de lavar cabelo, fazer a barba ou
escover     " Eu farei isto rpido ". Ele foi ao banheiro.  Nenhum cabelo lavando,
raspando, ou dentes que escovam e ele poderia poder entrar e fora em
debaixo de um minuto.  Outro minucioso aliviar a bexiga dele, e ele poderia ser
atrs na cama novamente, e para o prximo par de dias esperou ele.  Mulder
foi escoado.
       
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Quando saiu do banheiro, usando no short e camiseta limpos, ele descobriu que 
Scully tinha tirado o lenol sujo e fedorente da cama, e estava colocando um
acolchoado branco sobre o colcho. "Achei isso no guarda-roupa" ela falou
quando se virou pra olhar pra ele. Ela estudou a maneira como Mulder estava
andando. "Como esto as costas agora?"

"A gua quente ajudou. Est melhor, acredite ou no."

"Hm". Ela grunhiu criticamente.  "Pronto para tomar as plulas?"

"Nope" Mulder rastejou sobre a cama, e descansou a cabea no travesseiro de
penas. Ela deu um suspiro frustrado e rastejou na cama ao lado dele.
A velocidade das batidas do corao de Mulder dobrou. Outro beijo?

Ela ficou deitada de lado, de frente pra ele, estudando o rosto dele. Era
bvio que ela estava cansada tambm. Ela contemplou, piscando mais do que o
habitual, os olhos de Mulder, que engoliu. //Eu a amo//.

Ela parecia a parceira que lutava ao seu lado, e ainda havia algo mais.
Algo nos olhos, a maneira como ela movia a boca nas beiradas, curvadas pra cima
em alivio quando ela suspirou. "Voc entende agora, no ?"

Scully estava olhando diretamente pra ele, alm da fachada convencida e
inteligente. Ela o estava vendo como ele era, no como o que Mulder 
tentava ser para as outras pessoas. Era Fox quem ela estava... vendo...
vigiando... e isso o fez tremer. Ele sabia que ela sabia. //Eu a amo.//

Ela colocou a mo esquerda sobre o rosto dele, alisando a barba por fazer.
Havia algo sendo construido nos olhos dela. Os dentes morderam o lbio inferior.
Ela soltou o rosto dele, e deitou de costas, olhos abertos, encarando o teto.
Ento ela rolou para o outro lado, para o criado mudo, e desligou o abajur.
O quarto ficou mais escuro que do lado de fora.

"Mulder?" ela perguntou, quase timidamente. Isso queria dizer que ela
nao estava  vontade. Ser que eles no podiam voltar  camaradagem de antes?

"Hm?"

"A outra noite na praia-"

"Qual?"

"A primeira noite"

"Ok"

"Eu disse algumas coisas que nao queria dizer."

"Sobre a coisa de confiana?" ele perguntou, esperanoso.

"No. Aquilo eu queria dizer mesmo."

"Ah."

"No. Estou falando sobre a parte de seu ser uma aliada, e no uma amiga."

"Ah... essa parte.

"Eu estava com raiva."

"Yeah, eu tambm."

"E ento hoje, quando eu pensei... eu pensei que eles iam me matar, Mulder.
Ou pelo menos me cicatrizar. Fundo. Tive vises minhas com apenas metade
do rosto."

"Mhm," ele grunhiu severamente.

"No pude deixa-los fazer isso com voc. No se eu pudesse para-los. Foi por
isso que te neguei. Neguei tudo que voc significa pra mim." ela se virou
pra ele, o rosto aflito. "E ento, depois que eles te arrastaram embora,
eu estava com tanto que ia morrer antes de ter chance de dizer a verdade...
que voc iria me ver sendo executada e que voc pensaria que eu achava que
voc era pra mim menos do que um amigo." Ela olhou pro teto, olhos midos.
"Nos ltimos anos, alm da minha familia, voc se tornou o meu melhor amigo.
Meu nico amigo, Mulder. Preciso que voc saiba disso."

"Eu sei disso, e posso admitir, quando te ouvi dizer.... eu nao acreditei.
Uma parte minha acreditou, mas ouvir voc falando isso... eu sei que eu j
sabia."

"Nunca se esquea disso."

"Eu no vou."

"Mulder, preciso que voc se lembre."

"Scul--" ele nao conseguiu terminar o nome dela. De repente, a boca dela
estava cobrindo a dele, esmagando o rosto dele com a fora do beijo. Os lbios
dela estavam abertos, e se fecharam na hora, chupando os dele, exigindo que
ele a beijasse de volta. S levou alguns segundos para ele responder. Scully
agarrou-o pelos cabelos, forando a cabea dele para mais perto.

As costas dele chiaram, mas nao tanto quanto sua virilha. Ele mergulhou na
boca de Scully, e as incriveis sensaoes da noite anterior voltaram. Ela estava
puxando seu rosto enquanto se deitava na cama, sabendo que o resto do corpo iria
segui-lo.

Vagamente ele registrou a sensao de seda das pernas dela contra as dele, os lbios
macios, a mandibula... //Acar// a pele dela estava doce em sua boca. Mulder
no conseguia ter o bastante. Ele foi do queixo para o pescoo dela, beliscando
e chupando. Ele ficou encorajado com a respirao dificil de Scully; pelos dedos
agarrando os cabelos dele. Mas de repente ela puxou a cabea dele com fora.

"Scully," ele respirou e quebrou o beijo.  "Scully, espere". Ele se afastou
um pouco, e suas costas doeram, num espasmo. "Agh!" as orelhas comearam
a tocar em dor.

Mas ela nao o soltou, s o deixou se afastar dela poucas polegadas.
Ele podia ouvir ela tentando respirar. "Mulder" ela susssurrou. "Suas costas
esto doendo?" a desesperada energia dela virou para preocupao.

"Uh, yeah".

Ento ela o deixou ir, e ele se mexeu de bruos, perto dela. No segundo em
que conseguiu relaxar os musculos das costas, a dor voltou para um nivel tolervel.
Ele gemeu. "Eu ficando velho pra isso."

Mas ficar de bruos nao estava sendo confortavel, tambm. A semi-ereo
dele estava ameaando se transformar em bolas azuis, e nao havia jeito
dele ir para o banheiro to cedo.

"Voc tem certeza de que so apenas suas costas?"

Mulder riu, sarcstico. "Isso no  suficiente?"

"Esta dor nas costas...  igual o enjo do mar?"

Ele nao escondeu a agitao. A acusao dela o deixou perturbado.
"Voc acha que estou fingindo a dor?"

"Nao" mas houve um momento de silencio. "Nao quero que voc saia da
cama no meio da noite. De novo. Eu vou dormir no chaise-"

Mulder fechou os olhos. "Pare" se movendo to devagar quanto ela, Mulder
chegou em Scully que nem foi capaz de se sentar ainda.

"Est tudo bem. Eu entendo."

"Ser que entende? Scully, eu sei que voc acha que eu estou
evitando-"

"Mulder, por favor. Minha cabea est zonza. Nao posso brigar com voc
agora."

"Ento deite-se e v dormir."

Ela se sentou. "Para que eu possa acordar e te encontrar l fora, dormindo
longe de mim? De jeito nenhum eu vou te deixar apoiar nessas suas costas.
Voc vai mancar durante semanas s com estes ferimentos."

Mulder estava muito cansado e ferido para continuar escondendo a verdade
dela. Ele precisava saber que ela ia ser protegida antes de poder dormir,
e ele precisava dormir. "Scully, fique." ele respirou. "A verdade  que...
eu nao conseguia dormir mesmo... mas s por que te escutar respirando...
s isso era o suficiente para me fazer pensar s em voc."

"Em mim?" ela parecia assustada, mas a escuridao escondia qualquer expressao
que ela poderia ter usado.

"Bem, voc e eu.  E ento s voc. E ento voc coberta em manteiga."
ele esperou um suspiro ou tapa ou riso ou qualquer resposta que dissesse o
que ele tinha que fazer ou dizer. Mas ele nao sabia o que ia na cabea
dela.

"S parecia uma boa idia nao tentar o destino" ele concluiu. Ela nao poderia
discutir isso.

"Ento, voc acha que  destino e que algo vai acontecer-"

"Aconteceu" ele corrigiu depressa.

"Mas foi interrompido" ela emendou. "Isso quer dizer que voc nao
quer isso, Mulder? No quer tentar o destino?  por isso que voc ficou
assim to..."

"Eu fiquei como?"

"Denso".

"Denso?!"

" por isso, Mulder? Eu sei que  dificil de saber o que o outro pensa, e ns
temos estado juntos como parceiros por muito tempo."

"E amigos."

"Sempre" ela respirou. "Mas eu quero que fique bem claro isso: voc
est querendo lutar contra esta... atrao?  importante que voc seja honesto
comigo, Mulder. Sou uma garota crescida. Posso aguentar tudo. Contanto que seja
verdade."

Mulder pensou no que tinha dito. A escuridao facilitou a pergunta. " s isso,
Scully? Uma atrao fsica?" Ele precisava saber o que ela queria dizer, antes
dele mesmo contar. Ela tinha visto isso, ele tinha certeza, mas ele nao podia
se expressar. "Se  s isso... no importa o quanto seja poderoso...  mais
conveniente nao lutarmos para tentarmos manter nossa amizade e parceria-"

Ela no esperou por ele parar.  "E se for mais do que isso?"

"Mais?" a garganta dele contraiu. "Quanto mais?"

Ela ainda estava muito perto dele. "Eu... eu nao..." a voz dela
falhou, e Mulder se xingou por fora-la. "Eu sei que voce sente isso,
Mulder. No negue." Ela lanou os lenois de lado, ficando de costas
pra ele. "Eu no nego." a voz dela ficou mais dura. " isso que voc quer
dizer em no tentar o destino? Voc vai querer negar?"

"Eu... nao sei... se posso fazer isso agora, Scully. Mas... agora que te
beijei..." ela nao se moveu, e assim, apesar da hesitao, Mulder se aproximou
dela, beijando-a na base do pescoo. Ele ganhou um suspiro de prazer dela.
//Sua amiga... sua parceira... e mais...//

"Scully, ns estamos cansados. Por favor, vamos dormir. Vamos acordar
tarde, e comer um lento caf da manh, e conversaremos mais um pouco"
parecia razoavel at mesmo para sua cabea pulsando. "E depois, vamos pegar
Chea e resolver esta confuso, e ento vamos pra casa e tirar duas semanas de
frias destas frias."

Ela riu pra ele, e isso fez toda diferena no mundo para ele. Mulder
deslizou um brao frouxo ao redor da cintura dele. Scully apertou o brao
dele com firmeza. Ela deu um bocejo. "Parece uma boa idia."


Fim de Erlona 10/17

