ERLONA'S HEART 09

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Quando Mulder a alcanou, Scully j estava dentro do laboratorio
subterraneo, mos para a frente, como se tentando se equilibrar.
Ele entendeu  o motivo: tudo ao redor estava quebrado e virado: tubos
de testes, provetas, latas de todos os tamanhos e cor. Os fumos que saam
das substancias qumicas misturadas caras e perigosas, no cho.
O fedor o fez querer vomitar.

"Dra. Sully" Chea acenou para ela entrar no quarto seguinte.

Ela pisou com cuidado sobre os escombros, e disse para Mulder, como se
fosse a coisa mais natural do mundo, "Voc est vendo aquele lquido
amarelo e brilhante?"

"O que parece um milk-shake estragado?"

"Esse mesmo. Vai comer a sua pele at o osso. No toque."

A cmara que estava conectada  ao laboratorio era menor. Tinha vrias 
macas com rodas, e Mulder achava que era usado como algum tipo de necrotrio.

Scully estava abismada. "Meu Deus... eles levaram os corpos!" seus olhos
queimavam de raiva, e ela chutou uma gaveta quebradas, que tinha alguns 
instrumentos cirurgicos. "Por que inferno algum roubaria corpos
congelados?"

"Eles no querem que voc execute uma autpsia" Chea falou, olhando para 
a baguna.

"Mas tivemos permisso dos que sobraram na familia..."

Chea abaixou a cabea. "Voc no entende. As pessoas que te deram permisso
fizeram isso por terem medo de que sero as proximas."

Isso fazia muito sentido para Mulder. "Bem, se o que dizem da nvoa  verdade,
eu diria que eles tem um timo motivo para ter medo."

"Mas eles so os desterrados, " Chea explicou.  "Quando as famlias deles
foram tocadas pelo deus, as familias acreditavam que ele os castigava
pelas injustias que eles cometeram."

Scully terminou o pensamento para ele.  "E como mais pessoas morreram, a culpa
foi para toda famlia."

"Precisamente. Os que so ligados s vtimas anteriores
foram marcados e expulsos."

Mulder esfregou a cabea; estava comeando a pulsar. "Marcados e expulsos. O
que significa isso?"

Chea olhou de Mulder para Scully, e para Mulder de novo. "Vocs no sabiam
sobre as marcas?" ele tocou a longa cicatriz do proprio rosto. "Quando injustias
so cometidas, a pessoa  marcada e ento excluda de decises da comunidade, 
reunies religiosas-"

"Mas voc..." Scully estava hesitante.  "Voc tomou conta da procura
esta manh ".
 
" possvel uma pessoa superar o passado dela. No  fcil, mas  possivel...
voc est querendo saber o que eu fiz" ele sorriu ligeiramente. "Posso ver
isso em seus olhos, dra. Scully. O que eu devo ter feito para eles me desfigurarem
assim?" ela nao respondeu, mas abaixou os olhos para a baguna aos seus ps.
"Meu pai estuprou a minha me. Foi assim que fui concebido. Quando nasci,
eu fui marcado como um desterrado, pois era filho do meu pai."

"Mas voc no fez nada - voc no pediu para nascer assim!"

"Em Erlona, todos somos responsveis pelas pessoas ao nosso redor. 
Castigos so passado para a gerao imediata da familia."

Mulder se virou para Scully.  "Os dois homens encontrados esta manh
tinham alguma cicatriz-"

"No". Chea falou por ela. "Eles estavam marcados por dentro. Cada 
injustia  considerada sem igual. No h regra fixa para castigos."
Ele viu a face de Scully escurecer consideravelmente.  "Eu sei que tudo
isso parece bem selvagem para voc, mas funciona muito bem. Crimes em
Erlona quase nunca acontecem."

Mulder ridicularizou.  "Posso imaginar o porque. Eu pensaria duas vezes
em fazer alguma coisa errada, sabendo que isso seria levado para sempre
com a minha familia."

"Mas," Scully protestou, "Isso no  justo para as pessoas inocentes que
vivem suas vidas de maneira direita, e ainda tem que pagar pelo que
outra pessoa fez."

Chea encolheu os ombros.  " um sistema imperfeito para uma sociedade 
imperfeita.  Mas conseguimos sobreviver neste mundo por mais de cinquenta
geraes. Para pessoas sem um governo para protege-las,  um feito e tanto."

"Oh, no!" Veio um grito do outro quarto, do dr. Juuj. "Tudo... tudo...
eles destruiram tudo!"

Eles o acharam ajoelhado sobre uma confuso de vidro quebrado. Scully ficou
parada enquanto o velho homem comeou a pegar os maiores pedaos. 
Ele a olhou. Houve um breve momento em que Mulder pensou que o mdico iria
chorar, mas, ao invs, ele jogou os cacos pelo quarto, e fechou os
olhos.

Scully sussurrou, "Eu vou dormir um pouco. Amanh ns vamos nos reagrupar
e ver o que pode ser salvo."

"Amanh," Juuj acenou com a cabea.

E ento Scully saiu do laboratorio, como se estivesse com o peso da ilha em
seus ombros.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

"Ei, Scully, espere!" ela parou quando Mulder a chamou, mas nao se virou.
"Dana? Voc est bem?" Ela com certeza nao parecia estar bem. 
Seu rosto estava cinza, e ela tinha o mesmo olhar abandonado que usou
naquela noite em que ficou bbada no barco. Mulder lutou contra o desejo
para no olhar para ela.

"Eu estou bem-" ela comeou, mas parou com um suspiro.  Ela olhou para
Mulderp por um momento antes de falar. "Eu estou cansada. E furiosa. E 
frustrada como o inferno." Ela comeou a andar de novo. " o que voc
queria saber?"

"Sim" No era? //Ento, o que fao agora?// Mulder olhou para Scully de
lado. O que ela queria dele? Ela nao tinha escolhido sair por uma razo.
Do que ela precisava? "Scully" ele colocou a mo no cotovelo dela,
e a puxou para ele. "Vamos at a praia."

Ela fechou os olhos, mas o deixou guia-la. "Mulder, estou muito cansada
para uma caminhada noturna."

"Ento nao vamos caminhar. Vamos sentar na areia."

"Prefiro me deitar numa cama" a imagem dela na cama do barco veio  sua
mente. Ele teve que pigarrear para poder falar. 

"Bem, ns podemos fazer isso tambm" //A menos que eu exploda primeiro//
"Mas ferida como voc est, voc acha que vai poder dormir agora 
mesmo?"

Ela considerou o ponto dele.  "No".

Eles viraram para o caminho que levava ao oceano.
A noite estava clara, mas a brisa estava mais fria e forte do que
antes. Era bom, combinado com o calor que o sol tinha deixado. Mulder
andou perto da linha da mar, mas na areia seca. Eles se sentaram
lado a lado, joelhos dobrados, inclinados para trs, sobre os cotovelos.
A noite estava perfeita.

"Eu falei com Megan e Kyle sobre ficar.  No ser um problema ".

Ela lhe deu o menor dos sorrisos e ento olhou para as ondas.
"Obrigada."

Mulder se sentou adiante e brincou com a areia ente os ps dele. "Nao tenho
certeza de estar te fazendo um favor, Scully. Voc no est parecendo 
muito bem." ele nao tinha certeza se ela iria bater nele ou nao, mas ele
poderia ver que ela estava pensando. "Seus ombros esto colados nas suas orelhas."

Ela tentou encolher os ombros. "Meu massagista est viajando."

"Venha aqui" ele agarrou o pulso dela e a arrastou para ele.

Ela ficou suspeita. "O que foi?"

"Vou te dar uma massagem nas costas"

Ela o encarou como se cabelo estivesse saindo do nariz dele. E estava?
Mulder passou os dedos sobre o proprio rosto. "Que foi?" por que
ela estava olhando assim para ele?

"O que voc acha?"

"Que eu estou com alguma coisa no rosto e voc no quer me dizer o que ."

"Nao" ela sorriu. "Antes. Quando voc puxou meu brao. O que voc estava
pensando?"

"Uh..." A questo no era no que estava pensando ele (que era
provavelmente sobre sexo, o que quer que fosse - pois era praticamente
tudo que ele pensava desde que comearam as frias) A questo era -por que
ela estava perguntando? O que ela achava que ele estava pensando? ou o mais
importante - O que ela queria que ele estivesse pensando?

Mulder ficou com a sensaa de que ele tinha cado numa situao j perdida.
No importava o que fosse dizer, ia ser a coisa errada.

Talvez ele devesse ser honesto e choca-la. Dizer que ele estava pensando 
nela nua, em lama quente at o pescoo. Bem, mesmo nao sendo de todo honesto,
ainda assim a chocaria. J que ia perder mesmo, por que no perder com um
choque, certo?

"Nao me lembro" /Covarde/ "Esqueci."

"Oh" ela se afastou dele, mas de maneira casual. "Pensei, por um minuto, que
voc estava dando em cima de mim. Parecia o segundo grau" ela parecia quase
embaraada ao dizer isso.

Outra confiso de Scully. Em menos de uma hora. Mulder nao podia deixar de
pensar no que estava acontecendo com ela. Onde estava a cortia onde ela
tampava a garrafa de suas emoes? Onde estava a sua proteo? A parede dela?
"Eu nao estava dando em cima de voc, Scully" ele prendeu o flego e mergulhou.
"Mas e se eu estivesse?"

Ela olhou para ele honestamente. "E se voc estivesse?" ela apertou os lbios,
pensando. "Se voc estivesse dando em cima de mim, Mulder, de verdade? Sem
brincadeiras?" ela olhou para a gua. "Seria estranho."

//Ai// Soco forte no ego, doze horas.

"Seria como algo que Eddie Van Blundht faria.  Tentando me pegar desprevenida."

//Ai// Soco nmero dois.

"Deus, aquilo foi muito estranho. L estava voc - ele-" ela se corrigiu,
sem perder o ritmo, "No meu sof, se apoiando para me beijar, e tudo que eu
conseguia pensar ema 'Mulder me fez ficar bbada para me levar pra cama'."
ela bufou ao falar nisso.

"Parecia que estava dando certo" //A voz dele estava to amarga assim?//

"Talvez" ela suspirou.

O corao de Mulder caiu em seu trax. Vises dele sentado numa pedra, lamentando,
flutuou diante de seus olhos. Por que ele tinha sugerido a praia, de novo?
//Nota mental: Evite praias//

"Mas era estranho. Ns tinhamos acabado de falar sobre ns... parecia barato.
Desonesto. Como se fosse uma armadilha, sabe? Namorando no escuro,
bbada, no sof..."

Mulder fechou os olhos, tentando tirar as novas imagens que ele teve dela
neste momento.

"Fazendo sexo no cho..."

//Oh, meu Deus// "No cho?"

"Um beb inesperado, com um rabo..."

Mulder fez careta. //Agora ela est sendo m comigo//

"S que no haveria nenhum beb" Quando o rosto dela se virou para ele,
realado pelo brilho azul refletido pela gua, Mulder sabia que ela sabia.
Ela sabia. "Nenhum beb" ela sabia. "Certo, Mulder?"

Ele no respondeu; no moveu um msculo. Ficou apenas sentado, 
esperando o golpe final.

"Eu esperei por voc me contar" ela abraou a parte de trs das coxas dela.
"Eu esperei que voc me contasse. Mas voc nunca disse uma palavra."

"Scully..."  

Ele abriu e fechou a boca vrias vezes antes dela perguntar, "Por que?"

O que ele poderia dizer? 'Oh, desculpe, voc est estril, Scully, mas as 
boas noticias so que eu encontrei seus vulos, e mesmo que voc no viva
o suficiente para conhece-los, voc ainda pode ter filhos?' O que ela
queria que ele dissesse? "Como voc descobriu?"

"Frohike. Mas eu preferia que voc tivesse me contado." ela puxou um fio da
bainha da saia dela. "Eu sei que voc no me v como uma me, Mulder, mas eu
quero filhos sim."

"E eu tambm" Mulder nao sabia quem estava mais surpreso com estas falas, se
ele mesmo, ou Scully. Do olhar da face dela, Mulder decidiu que era ela.
"O que? Voc no me v como um pai?"

"Nao... no, voc seria um pai excelente. Eu j te vi com crianas."

"Ento, por que o olhar de surpresa?"

"Nao sei... eu s acho que nunca esperava ouvir voc dizendo isso"
ela mordeu o lbio e olhou pra ele. "Quantos filhos?"

"Uh..."
 
Meio que um riso saiu dela, num assombro completo. "No posso acreditar
que nunca soube isso sobre voc. s vezes eu sinto como se te conhecesse
por dentro e por fora, e ento, s vezes..." ela cavou os calcanhares na areia 
branca. "Como agora, eu sinto como se nunca tivesse te conhecido."

"S o Agente Mulder, e no Fox, hein?"

"No tenho permisso para te chamar de Fox."

"Voc quer me chamar de Fox?"

" uma parte de quem voc . A parte que voc esconde de mim."

"Voc nao respondeu a minha pergunta."

"Sim. Eu queria."

Mulder a observou enquanto ela se deitava na areia e se esticava. Ela sabia
que ele estava olhando pra ela. //O que ela est pensando?//

Scully encarou o cu e suspirou. "Eu queria saber o que Eddie est fazendo 
neste momento."

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Mulder estava deitado de costas, encarando o teto de madeira do bangalo.
Faziam mais de duas horas desde que Scully tinha dormido na praia e ele a
acordou, ajudando-a a voltar para a cabana, e a deitar na cama.

Ela se enrolou, fazendo barulhos que Mulder pensou que era um pesadelo.
Grunhidos  e suspiros que gradualmente se transformaram em gemidos. Gemidos
fundos, guturais...

"...Mulder..." 

E ela continuou declarando o nome dele. Suspirando o nome dele. Implorando o
nome dele.

//Isso nao parece como algum pesadelo que eu conhea// ele pensou com um sorriso
convencido.

No comeo foi divertido saber que ela tinha fantasias sexuais sobre ele.
Seu ego inchou. E ele se sentiu bem que ele nao era a nica pessoa frustrada
nesta ilha. 

Mas quando ela comeou a fazer fricao com as coxas, a propria libido dele
acordou. 

Mulder se forou a sair da cama, com pretenso de ir ao banheiro - pela
segunda vez. Era errado, ele sabia, deitar ao lado do objeto de tantos
sonhos e fantasias, enquanto ela estava tendo um. Especialmente quando ela
era sua parceira. Isso era violar sua privacidade.

//Ela morreria se soubesse que eu descobri o segredo dela.//

Mesmo assim, ele olhou, fascinado, hipnotizado. A mao dela foi para cima 
de sua barriga, e toda umidade na garganta de Mulder secou. //Piedade//

Ela estava linda debaixo do lenol, se movendo pela cena que devia
estar passando por sua mente. Os olhos dela tremularam sobre as palpebras. E sem
perceber, Mulder tinha voltado para a cama, ao lado dela, mas sem toca-la.

Olhando para o teto, ele cruzou os braos e pernas, tentando ignorar os
sons ofegantes que vinham de sua parceira. Uma tarefa bem dificil, j que seu
corao nao estava nisso.

E por que ele nao deveria fazer isso? O que os estava impedindo?
Se ele a queria, e ela a ele, ento qual era o problema? Sim, mudaria a
parceria entre eles, mas nao havia regra dizendo que parceiros nao podiam
se relacionar; s os professores e cadetes em Quantico.

//O trabalho// O trabalho nao poderia sofrer. Mas conhecendo a atitude
profissinal de Scully, para nao mencionar o proprio impulso obsessivo que
Mulder tinha, isso parecia ser um provavel problema. Mas agentes casados com
agentes nao era uma pratica incomum. Ambos compreendiam as horas loucas e a importancia
para dedicao ao trabalho. E mesmo que casamentos entre agentes nao era
uma ocorrencia diaria, acontecia mesmo assim.

Se a parceria era forte, sobrevivia ao casamento.

//Casamento? De onde veio isso?// Ele estava falando sobre sexo, transar, no
era? Pensando se ele deveria ou nao ter uma relao sexual com sua parceira.
Sua linda, inteligente, valente e profissional parceira. Que estava
respirando um pouco mais forte do que Mulder teria gostado.

//Mas// ele discutiu com ele mesmo //se for s sexo, ento nao deveriamos
ignorar a atrao?// Nao havia nada melhor para destruir uma parceria do que
sexo casual. E a idia de perder Scully por causa de... bem, qualquer coisa,
fez ele tremer. Uma parte dele se lembrou do conselho que ele se deu no barco:
nao se arrisque. Havia muito mais a perder com ela do que com qualquer outra
mulher.  Talvez fosse mais facil sair e arrumar uma vida. Ou mais seguro.
Mesmo que nao fosse completamente satisfatoria.

E ento o outro lado dele se virou e considerou, //Bem, e se isso for mais do
que apenas sexo casual?//

E dormindo, Scully rodou para ele, e deixou sair um suspiro fundo.

Quem ele estava querendo enganar? Ele queria fazer sexo com ela. Deus, ele
queria passar as pernas lisas dela ao redor dos quadris ele, e chupa-la
to forte, e bater dentro dela at se perder l dentro. Ele queria fazer
amor com ela lentamente, e ve-la gozar inumeras vezes sobre ele, ao redor
dele. Ele queria segura-la e protege-la, e deitar em seus braos, tendo ela
acariciando seu cabelo, e beijando os olhos fechados dele enquanto ele comeava
a dormir.

//Calma, garoto// Mulder fechou a boca, apertando os dentes. //Se voc nao
tomar cuidado, Fox Mulder, voc vai acabar se apaixonando por sua parceira//
e isso seria ruim, certo? Nao era o que ele tinha decidido algumas noites antes?
Que ele tinha agradecido a Deus que nao se se apaixonou por ela?

"...Muuuulderrrr..."

A voz dela fez os cabelso da nuca dele se arrepiarem. E acordou o monstro entre
as pernas dele. //Grande//

Ela suspirou de novo, e ele ficou mais excitado. Ele olhou para baixo, e tremeu
a cabea. A vida era complicada demais para ser justa.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Mulder acordou num estalo. Scully estava em cima dele, segurando uma manta, 
parecendo cansada e aborrecida. Ela colocou a  manta sobre ele, e se virou.
"Voc ia me dizer que isso era enjo do mar, de novo?"

Ele s piscou. Levou um momento para ele ver que estava deitado na cadeira
da sacada, ao invs da cama confortavel. A manh estava fria, e isso o ajudou
a acordar mais rpido.

//Oh, yeah.// Ele se lembrou da terceira viagem para o banheiro, e depois de
ter decidido que seria melhor ele ficar na cadeira. Afinal de contas, Scully
nao estava bbada, e ela notaria que ele 'rolou' pra cima dela, enquanto
ela dormia. E j que ele s podia pensar sobre sexo, nao parecia 
provavel que estaria sonhando com qualquer outra coisa a nao ser isso.

"Pelo amor de Deus, Mulder, voc no  forado a compartilhar uma cama
comigo!" ela fechou a tampa da loo de pele e jogou o frasco na direo
da bolsa dela. "Foi voc quem nos trouxe para este hotel. Voc poderia ter
pego um quarto s para voc." Ela fumou durante alguns segundos antes
de olhar para ele. Algo novo passou pela cabea dela. "Ou talvez voc
queira que eu pegue o meu proprio quarto.  isso, Mulder?"

Ele piscou de novo. //Que diabos...// Por que ela estava gritando com ele?

Scully continuou a falar, enquanto passava a loo que tinha colocado na
mao, sobre os joelhos e canelas. "Eu acreditei em voc, Mulder" Oh, Scully, eu
estou to enjoado. "Voc estava tentando se afastar de mim. No ?"

Ele franziu a sobrancelha. //Seria uma boa hora mencionar os sons de
chupes?//

"Na cabine do piloto..." a voz dela oscilou momentaneamente enquanto ela
ficava completamente plida. "Achei que voc queria... quando ns estavamos
sentados juntos, eu pensei que, finalmente, talvez... mas voc nao queria
era ficar no mesmo quarto que eu." o lbio inferior dela ficou rigido e ela
pegou a sandalia dela de debaixo da cama. "Bem, voc nao precisa mais
se preocupar com isso." ela colocou as sandalias com facilidade.

//Acho que pode ser s eu que pensa assim, mas acho que estamos lutando.//
Mulder tremeu a de novo. //De novo nao//

"E para sua informao, Fox Mulder -"

//Yep. Nome completo. Ns estamos lutando//

Ela se sentou ereta e declarou: "Tem muito homem neste mundo que agarraria
a chance de compartilhar uma cama comigo!" e com isso, ela fez um show e saiu
pela porta.

Mulder deitou de volta na cadeira e levantou a manta por sobre a cabea.
//Bem, pelo menos terminou mais rpido, j que s um de ns estava gritando//

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

O celeiro estava vazio e aberto no fim da tarde. Parecia que a maioria
dos cavalos tinha sido levado para o pasto. Nao havia ninguem por perto, 
ento Mulder aproveitou para bisbilhotar um pouco ao redor, esperando achar
algo que os ajudaria. 

A baia onde eles encontraram Taam j estava limpa. Teria sido demais esperar
que uma cena de crime tivesse permanecido intacta aqui. Ele meio que esperava
que o celeiro todo tivesse sido queimado.

Uma camada nova de feno revestia todo o chao. Mais uma vez, Mulder observou
que, embora as pessoas de Erlona no tinham muitas coisas, eles cuidavam muito
bem das poucas que tinham.

Nada estava fora do lugar, ou parecia estranho no celeiro; mesmo a metade
da porta estava descongelada e sem tranca.

//Agora seria uma boa hora para um conveniente 'Ela sou Eu' rabiscado
em sangue.// Onde estavam as pistas do paranormal quando ele precisava delas?


Frustrado, Mulder voltou na direo da feira.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Megan sorriu para ele atravs da rua, com seus dentes perfeitos brilhando
no largo sorriso. "Cara! O que voc acha?" ela segurava um vestido de
vero branco e amarelo contra o corpo, abrindo-o com uma mao, e um cigarro
na outra. "No  a minha cara?"

" bonito" ele nao estava com vontade de fazer comprar. "Onde  a escola?
Quero falar com Chea."

Ela admirou o vestido. "Voc est certo!  lindo!" ela voltou para a
vendedora, acenando com a cabea, entusiasmada, o cabelo curto voando
em todas as direes. 

Ento, gritos foram ouvidos no mercado da aldeia, e um rebanho de pessoas
apareceu, virando a esquina. Parecia pessoas caando, s que eles j tinham
a caa deles.

Scully estava sendo empurrada com fora na frente da multido, amarrada
com cordas grossas, o rosto, as maos e os joelhos sangrando. Ela tropeou
depois de um empurrao forte, mas foi pega antes de cair no chao. Ela foi
empurrada para frente de novo.

Enraivecido, Mulder no pensou - ele reagiu. "Scully!" ele gritou
e correu para ela, totalmente focalizado na intenao de desamarra-la
e salva-la daquele bando de loucos.

Ela olhou para ele imediatamente quando ele comeou a correr.
A expresso no rosto dela estava selvagem e deplorvel. A raiva e humilhao
que ele esperava ver nao estava l, apenas medo e aflio debaixo de uma
fina camada de controle.

Quatro homens magros saram da multido e interceptaram Mulder antes que
ele tivesse chance de chegar at ela. Eles agarraram seus pulsos e os amarrou
do mesmo jeito que Scully, antes de empurra-lo para junto dela.
Ele lutou o tempo todo. A imagem de Gulliver sendo amarrado pelos Lilliputes
apareceu em sua mente quando um dos homens o chutou nas canelas, e ele caiu
no chao, conseguindo ver um rosto familiar na estrada. O homem estava com
um olhar de horror absoluto.

"Chea! Chea, nos ajude! Que diabos est acontecendo?" Era incrvel que o homem
podia ouvir alguma coisa naquela confuso, mas ele parecia ter entendia
a necessidade de Mulder por um intrprete e parou para perguntar alguma coisa
para um espectador. Mulder tentou se torcer para poder ver Scully, mas havia uma
multidao de pernas pardas e escuras ao seu redor.

//Se eles a machucarem, eu juro por Deus, vou matar cada um deles//
Ela estava sangrando de novo, e isso era tudo que ele sabia. Era o suficiente
para deixa-lo doente.

Ao lado dele, Mulder sentiu a presena de Chea, enquanto o homem se ajoelhava
para gritar em sua orelha. "Eles dizem que ela  uma assassina. Que o dr. Juuj
est morto."

Mulder ignorou os olhos do professor, tremendo a cabea. "No..."

Chea puxou um pano vermelho do bolso, e acenou com a cabea enquanto esfregava
o rosto. "Eu vou descobrir os detalhes. Vou tentar ajuda-los..."

Mulder no o deixou terminar. "Para onde eles a esto levando? Ela est sangrando!"
As notcias pareciam alarmar o homem normalmente calmo. "Ela est doente, Chea.
Ela est muito doente."

O homem parecia entender. Ele colocou uma mao sobre o ombro de Mulder,
e ento ficou de p, indo depressa para o meio da baguna. Sem aviso, 
Mulder foi forado a ficar de p, e descer a estrada tambm.

Perto do cais, Mulder pegou viso de Scully de novo. Chea tinha uma mao no
ombro dela, outro no rosto, e ele estava pedindo algo que a fazia tremer a 
cabea simplesmente. Mulder sabia de experiencia que ela estava dizendo para
o homem que 'ela estava bem'. Oh, yeah. Eu fui arrastada pela cidade por um monte
de gente maluca, coberta com o meu proprio sangue, mas eu estou bem.' s vezes,
Mulder s queria bater nela. Claro que ela bateria de volta nele, e ento ele
ficaria contundido por uma semana.

Ele foi empurrado pela multido, e acabou ao lado dela, perto de um poste grosso,
de madeira. As pessoas, com raiva, se torciam ao redor deles, criando um
frenesi de movimentos e som. Mas pelo menos ele estava perto o suficiente para
falar com ela.

"Scully, eles te machucaram---"

"No. Eu estou bem" ela olhou para os joelhos dele. A face dela estava
como pedra. "Dr. Juuj est morto."

Se ela fosse outra pessoa, Mulder tinha certeza de que ela estaria tendo um
chilique, chorando naquele momento. Mas a agente Scully podia se segurar.
Uma mulher surpreendente. 

"Eu sei" ele falou, solene.

Ela olhou de novo para as proprias maos sujas. "Tentei ressuscita-lo,
mas tenho certeza de que a faca foi direto no ventriculo esquerdo dele."
Uma criana de uns doze anos comeou a subir no poste, uma corda amarrada na
cintura. As pessoas comearam a se alegrar. Scully no percebeu. "Eu o vi morrendo,
Mulder."

Ele estremeceu  dor dela.  No havia muito que ele poderia dizer.  "Eu sinto
muito"

Quando o menino alcanou o topo, ele prendeu a corda num grande anel de 
metal e deslizou para baixo. Scully foi empurrada para cima, e ficou
bvio que ela e Mulder iam ser amarrados  corda principal que estava
presa ao topo.

Com agresso sbita, Scully saiu de seu estado ofuscado. "No! NO!
NO, MULDER!" ela procurou pela multido, continuando a gritar com toda a fora
de seus pulmoes. "Chea! Chea, diga pra eles! Mulder e eu no somos parentes!
Eles nao podem fazer isso com ele! Chea!"

Por detrs de Mulder, o homem respondeu. "Mil desculpas, dra. Scully" ele
teve que falar mais alto para ser escutado. "Eles sabem que vocs dois so um
casal" Chea voltou para o lado deles, parecendo bem aflito.

Um puxo na corda das maos dela a puxou para cima, deixando-a na ponta dos ps.
A face dela estava torcida de dor enquanto as amarras dela eram apertadas.
Ela virou para Chea, que estava com um olhar que ela muitas vezes viu em
Mulder. "Eu sinto muito. Eu tentei..."

Os pulsos de Mulder queimaram do beliscar das cordas e o ngulo em que elas
estavam foradas sobre a cabea dele. Ele mordeu um grito de dor
e acabou gemendo. De novo, Scully comeou a protestar.

"Chea, no  verdade.  Mulder e eu no somos um casal. No faa isso com
ele! Ns somos parceiros - s trabalhamos juntos. Sua lei se estende para
a familia, voc mesmo disse! Eles nao podem tocar em Mulder!"

Chea olhou para Mulder, que se sentia como um pato numa loja de carnes
chinesa. "Vocs dividem uma cama" Chea falou, tentando ser delicado. "Aqui,
isso  considerado um casamento sem matrimonio. No  discutido, mas  considerado
uma ligao entre--"

"No!" ela nao esperou ele terminar, e tremeu a cabea. "No somos amantes, Chea.
S trabalhamos juntos, s isso. No somos um casal" ela puxou contra as cordas
apertadas. Durante um segundo, ela e o homem marcado ao lado dela olharam para
Mulder, procurando uma concordancia. Uma validao do que ela estava dizendo.

Ele no podia dar isso. A tenso prendeu sua garganta. Ele sabia que ela estava tentando
salva-lo, mas a determinao no olhar dela o cortou. //Diga que ns somos pelo
menos amigos, Scully. Faa isso por mim. Voc nao tem que me amar ou dormir
comigo ou fazer qualquer das cem coisas loucas que eu tenho imaginado. Eu 
posso aceitar a amizade. Mas pelo menos a amizade, Scully//

Um minuto se passou antes do olhar dela ficar severo, e com uma voz firme ela
terminou. "Chea. Deixe Mulder ir. Ns somos apenas colegas de trabalho. Nada mais."

O corao de Mulder lascou em cem mil pedaos.

Os prximos minutos foram cegos para Mulder; tudo em cmera lenta, mas, para
Mulder, foram rpidos demais para ele reagir. Ele sabia que eles cortaram 
as cordas das maos dele pois se sentiu livre. E ele sabia que o professor
falava ao lado dele, com os aldees, num tom de lder. E ele sabia que
foi empurrado para longe do poste, alm das pequenas pessoas, indo 
para o centro do gramado.

Mas tudo que ele podia ver de fato eram os intensos olhos azuis de Scully, queimando
os dele. E as lgrimas silenciosas que desciam pelo rosto empoeirado dela.


Fim de Erlona's Heart 9/17


