ERLONA'S HEART 08

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O ar j estava mais quente quando Mulder saiu pela porta da
frente da prefeitura, mas uma brisa leve passava ao redor
dele, esfriando o ar. O sol estava muito brilhante. Ele olhou ao
redor, e seguiu pela rua.

Scully tinha sido bem gentil naquela manh - ela parecia estar
verdadeiramente contente em ve-lo, depois dos sombrios acontecimentos.
Um noite separado dele mudou seu comportamento para com ele.
Mulder no tinha certeza sobre o que pensar sobre isso. Ele quase no
dormiu; o quarto estava duas vezes mais frio sem ela.

Um homem magro, de 1,70m de altura comandava um grupo  frente. O nome
dele era Chea, que traduzido significava 'muitas cicatrizes.' No estava
lcaro se isso era apenas um apelido por causa da cicatriz enorme que
cobria sua bochecha esquerda, ou se a me dele tinha previsto que seu 
filho teria aquela cicatriz, e muitas outras nos braos e pernas, e
o chamou assim. Mulder tinha conhecido o homem h apenas alguns minutos
antes que os guardas tivessem dado sinal verde, e permitiu que as
portas fossem abertas.

Chea era inteligente, completamente bilnge at onde Mulder pudesse 
ver, e o nico professor da ilha. A autoridade dele o fazia um lder natural.

Ele disse em ingls e Erloniano para as seis pessoas que o cercavam.
"Vocs sabem quem estamos procurando. Os deuses podem devolve-los rapidamente
para ns" ele conferiu o relgio de couro que usava. "Voltaremos aqui 
em quatro horas. As pessoas esto ansiosas para voltarem para suas casas, e
este  todo tempo que nos deram. Todo mundo est com sua lata?" todos eles
levantaram uma pequena lata de ar comprimido. "Ento est na hora de comearmos."

Mulder e Scully foram na direo que indicava o mapa, com uma manta de l e duas
traves de madeira; uma maca improvisada, ela tinha resmungado. No s eles
deveriam encontrar os corpos, mas eles tinham que traze-los tambm.

Mulder decidiu que ele nunca mais ia tirar uma frias de novo. Dava muito
trabalho.

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A estrada em que eles andaram se estreitou entre as cabanas. Mulder puxou
do bolso a foto das trs supostas vitimas. Dois homens com mais ou menos vinte
anos, primos com sobrenome Dwiir, e uma pequena menina sorridente que parecia
ter menos de quatorze anos. Fortan, Hanta e Taam. Nenhum deles parecia ter
preocupao com a vida.

Scully comparou a rua com o mapa em sua mo. "A casa de Taam deve ser a ltima
 direita. Foi onde os pais dela disseram que a viram pela ltima vez."

"Eles a deixaram?"

Ela encolheu os ombros.

A cabana de cana era menor do que outras que eles tinham passado. Tinham uma
larga varanda de madeira, com algumas cadeiras viradas, e uma parede com um forno
de pedra, e uma mesa gasta pelo uso, e vrias mobilias e brinquedos feitos
de madeira bem esculpida.

A porta dos fundos conduzia para um quarto menor, com uma cama, uma cmoda e 
um tronco. Os erlonianos no pareciam ter montes de dinheiro, mas suas humildes
casas eram bem providas. O cho estava varrido e as roupas de cama estavam limpas
e branas. Mulder no sabia como eles faziam isso, pois nao tinham eletricidade
ou gua corrente em casa, mas as panelas e tigelas eram bonitas e polidas,
e os pequenos lampioes de querosene estavam... congelados.

"Scully, d uma olhada nisto". Cristais de gelo cobriam o vidro esculpida e a base
de metal estava bem fria, e queimou os dedos de Mulder quando ele tentou pegar o
objeto. Ele ganiu ao mesmo tempo em que Scully veio do quarto.

"Est mais frio do que apenas congelado" ele ofegou, e com cuidado tocou a madeira
da mesa. Nada. "S o lampio... a mesa..." ele sentiu a parede atrs dos objetos
e o chao. "Est tudo normal."

Ela olhou, confusa, e encarou os fumos que saam do objeto congelado, devido ao
calor do quarto. "Sua mo est legal?" ela perguntou,tocando a mesa.

"Uh, yeah.  Eu acho que sim. Este  o unico lampio que foi afetado?"

Scully olhou ao redor. "O nico que eu posso ver. Talvez seja a querosene.
Da mesma maneira que o motor tinha diesel dentro do motor do barco."

"Talvez". Ele olhou para fora da cabana, pela janela. "Vamos ver se todas
as casas foram afetadas."

"Mulder, isso  invaso de domicilio."

"No  invaso se pegarmos esta casa como exemplo. E alm disso, no sabemos
que tipo de lei tem aqui. Se estas pessoas no tem governo---"

" uma invaso, Mulder ".

" uma investigao. Pensei que voc quisesse saber o que est acontecendo."
isso pegou a ateno dela.

Scully mordeu a bochecha. "Ok. Mas vamos olhar primeiro pelas janelas e ver se
conseguirmos notar algo do lado de fora. Eu no quero invadir as vidas destas
pessoas."

"Certo."

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Naquela rua, nenhuma outra casa tinha lampioes congelados, ou qualquer outra coisa.
E nenhum corpo foi encontrado.

"Deve ser bem escuro aqui  noite" Scully pensou em voz alta. "Sem postes, nem luz,
ou qualquer outra coisa. S lampioes nas janelas."

"E a lua.  A noite estava bem clara antes da nvoa vir. Se lembra quando estvamos
na praia?"

Ela concordou. "Mesmo assim, para uma criana encontrar o caminho para Omani-"

"Para onde?"

"Omani.  este o nome da aldeia subterrnea. Tem algo a ver com uma lenda.
Um lugar subterraneo onde o valente e o verdadeiro recuperam suas foras -
Eles acham que nada pode ferir quem est em Omani." ela coou o quadril.
"Foi isso que o dr. Juuj explicou. Ele tem me ajudado muito contando sobre
a cultura daqui. Acho que ele tem medo. Ele precisa da nossa ajuda, Mulder."

Ele reconheceu o tom na voz dela, e falou o que ele pensava que ela queria.
"Ainda bem que vamos ajudar, no ?"

Eles andaram lentamente pela estrada de terra para o proximo posto de fiscalizao
no mapa. "Mulder, eu sei que voc est pensando em sairmos desta ilha assim que
pudermos, e dada a sua averso a velejar, voc deve estar pensando em algum tipo
de viagem alternativa, tambm."

Mulder estremeceu. /Acho que minhas intenes sobre isso no eram to discretas
quanto pensei/ ele gemeu. /Mas ela tinha que ir to direto ao alvo?/

"Mas eu no quero ir". Ela continuou num tom lento e deliberado. "Eu gosto do
dr. Juuj. Ele  um bom homem. Eu gosto destas pessoas, e desta ilha. Tem alguma
coisa errada acontecendo com eles, Mulder. E eles nao podem resolver isso."

"E voc quer ajudar ".
 
"Eu quero que ns ajudemos ".  

Um som ecoou pelas ruas /Foi encontrado um corpo/ No era necessrio dizer isso em
voz alta.

"Bem," ele disse, olhando para onde o som tinha vindo, e sorriu para sua parceira.
"Ainda bem que estamos ajudando, hein?"

O sorriso que ela devolveu valeu o abandono das idias que ele tinha de salva-la
dela mesma.

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Eles chegaram no celeiro onde Taam tinha trabalhado depois da escola.
"O pai dela disse que ela poderia ter vindo aqui para tentar ajudar a cuidar
das guas. Tem trs prestes a dar  luz."

/Jesus. Todo mundo est tendo bebs aqui!/ "Tem que ser alguma coisa na gua."

O trinco na metade da porta estava congelado e fechado, junto com o lampiao de
querosene que estava pendurado ao lado. Alguma coisa dentro de Mulder disse
que eles iam encontrar alguma coisa dentro.

Ele ajudou sua parceira a entrar, com relutancia, antes dele subir pela
porta.  O ar estava quieto, mesmo com o bufo ocasional dos cavalos nas baias.

"Mulder...!'" Scully estava olhando por cima de uma das baias quando ela
o chamou um sussurro alto.

Ela estava encarando uma menina magra, Taam, se a foto fosse fiel de verdade.
Ela estava dormindo, de lado, num canto, uma lgrima visvel na face parda dela.
Ela segurava um potro morto em seus braos. Os dedos agarravam a pele preta
como se o contato fosse devolver  vida o recm-nascido. Ao lado deles, estava
a mo, os olhos e orelhas rolados para trs, numa congelao perfeita.

Scully se ajoelhou devagar ao lado da menina, e tocou seu ombro. "Taam?"
a criana acordou com um grito. Ela parecia que ia lutar quando Scully tirou
o mapa e a 'garrafa' de som para ela ver. "Fomos enviados para te procurar"
Scully sussurrou ternamente. "Nao vamos te machucar."

Os olhos largos de Taam estava escuros com medo. "Chompeen san soo loso?"

Scully olhou para Mulder, procurando ajuda. "Ei" ele encolheu os ombros. 
"Voc sabe mais sobre o idioma deles do que eu."

"Eu te falei sobre Omani, mas no sei---"

"Omani?!" a voz de Taam subiu. "Chompeen san yuuk Omani?"

"Uh...claro" Scully acenou com a cabea, e ento apontou atrs dela.
"Mulder." ela teve o cuidado de pronunciar cada slaba lentamente.
E ento ela colocou a mo contra o peito. "Scully."

A menina acenou com a cabea e repetiu no idioma dela.

"Yeah, quase isso. Vamos voltar." a gua congelada estava fazendo Mulder
ficar arrepiado. As narinas dela estavam largas, como se ela estivesse tentando
espantar o atacante dela.

"Me ajude com o potro, Mulder" Scully espalhou a manta sobre o feno, colocando
os dois troncos em paralelo.

"Voc vai levar o potro?"

Ela dobrou os lados da manta sobre os apoios de madeira trs vezes.
"Espero que voc nao esteja sugerindo que levemos a gua de volta."

"Por que o beb?  No est congelado".

"No, mas neste momento ns estamos recolhendo as pistas, e talvez eu 
possa achar algo no exame ps-mortem." Ela tentou ergueu o potro sozinha.
Taam no parou Scully, mas no parecia querer ajudar, tambm. Mulder ento
foi ajudar Scully, pegando a anca do animal. Ento Scully deixou um alarme
sair da lata, num som estridente.

O eco ficou zumbindo nas orelhas de Mulder por uma boa parte do dia.

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Era timo estar de volta ao bangal, onde ele podia sentir a brisa fresca
se movimentando pelo quarto quente, e ver o por-do-sol e as nuvens, e desfrutar
os confortos da vida no pseudo-hotel. /gua corrente/

O quarto grande era quadrado, e branco, e decorado com mobila de madeira
bem polida. O lugar era bem mais agradvel do que o apartamento dele em DC.

Nas janelas, ao invs de vidro, havia uma simples camada de gaze pregada na madeira.
As cortinas eram rolos de cana, como folhas de bambu. Primitivo.  A mobilia de vime
l fora nao parecia to confortavel quanto o colchao de penas que ele estava deitado.
Comparado ao sof de couro dele, Mulder estava convencido de que a cama rechonchuda
era o lugar mais confortvel do mundo.

Ele se esticou, preguioso. Seus ombros estavam doendo depois de passar a maior
parte do dia numa cadeira dura, de madeira, cotovelos nas coxas, tentando
entrevistar a adolescente que eles encontraram no celeiro. Desde que Taam 
parecia ser a nica testemunha sobrevivente  nvoa congelante, qualquer coisa
que ela tenha visto poderia ser bem valioso para eles.

Chea agiu como intrprete para a menina, quando o ingls dela no deu certo -
mas s quando ela pediu ajuda. Aparentemente, Cheia via a entrevista como uma
experiencia educacional que nao podia ser desperdiada. Foi um interrogatrio
bem lento.

Mulder revisou o que tinha aprendido de Taam, esfregando a barriga faminta.

Taam, ao que parecia, tinha uma memria incrvel. Ela descreveu tudo que tinha visto
e ouvido nos mnimos detalhes. Desde ouvir a gua relinchando, apavorada, e para
o mstico e repugnante nascimento do potro.

Ento, Taam se lembrou, entre lgrimas que a gua tentou ficar de p enquanto 
pde, e com medo de que sua me pisotearia no filho, ela puxou o cavalo num
canto. E ento, a gua congelou num meio bufo - o gelo se formando sobre a pele
preta e lisa diante dela, numa questo de segundos.

Taam, que reviveu toda a histria, estava exausta. Quando ela terminou, dizendo
que no conseguia fazer o potro comer ou beber, e que ele morreu em seus braos,
ela correu para seu professor, procurando conforto e proteo. Chea parou o
interrogatorio com um simples olhar.

Do centro da cama, ele virou a cabea e olhou para a janela, vendo o 
por-do-sol laranha. Ele podia cheirar o oceano pela brisa que estava no ar.
Era incrvel como a vida continuava mesmo em face da morte: a gua, os dois 
jovens homens, que seriam enterrados junto dos cem membros das familias deles - 
assim que seus corpos descongelassem para uma autpsia, e um ritual de enterro.

Cem pessoas de novecentas. Um dcimo da populao da ilha. Scully foi muito
suave quando disse que os erlonianos precisavam de ajuda. Seria preciso
uma evacuao.

Ele rolou de lado. /Oh, Scully, o que eu vou fazer com voc? Voc me deixa
louco. E eu estou vendo que gosto cada vez mais disso./

Isso no dizia muito sobre seu estado de mente.

No que ele gostasse das brigas e das distancias que se seguiam. 
Ou os segredos que ela esconida, e que ele parecia ter que decifrar sem
usar um maldito anel decodificador. Mas a maneira como ela tinha se aconchegado
a ele no barco, o sorriso lindo que lhe dizia que tudo estava perdoado, a risada
dela, em raras ocasies - tudo isso fazia a cabea dele girar como uma volta nas
Xcaras de Ch da DisneyWorld.

/Por que eu nao levei ela para a Disney?/

No esquecendo da excitao que era encontrar as novas facetas
de sua  enigmtica parceira, mesmo depois de quatro anos trabalhando ao lado
dela. Ela dava mais trabalho do que uma Caixa de Quebra-Cabeas Chinesa.
E dez vezes mais bonita. 

Mulder sabia que era ela que estava subindo os degraus da frente do
bangal antes mesmo dele ve-la pela janela estreita ao lado da porta.
Ele conheceria os passos cansados dela em qualquer lugar.

"Oi," ele disse quando ela passou pela porta. "Tive a chance de falar com
a menina - Scully, voc est bem?"

Os olhos dela estavam escuros e pesados, se destacando no rosto ainda palido
dela.

"Foi um longo dia." ela foi para a cama sem erguer de fato os ps do cho, e 
ento ela caiu pesadamente sobre o colchao. Ela suspirou profundamente.
"Voc disse que falou com Taam? O que ela disse?"

De bruos, com um brao pendurado ao lado da cama, Scully parecia algum 
que estava numa ressaca danada. Ou um horrvel dor de cabea.

/Por favor, no uma dor de cabea/ Estava ficando cada vez mais dificil ignorar
o cncer. "No muito" ele se forou contra o desejo de cobri-la com o proprio
corpo dele e protege-la do mundo externo. "Podemos falar sobre isso amanh."

"No," ela murmurou e esfregou o pescoo.  "Tenho que estar no laboratrio
quando o sol nascer. Os resultados dos testes que eu fiz no potro devem estar
prontos at l. Bem, alguns s vo ficar prontos em alguns dias, mas a maioria
deve estar pronta enquanto isso" ela estava com os olhos fechados.

O desejo para toca-la o atingiu. A mo, o brao, a bochecha plida do rosto.
Macia. Ela nao tinha comido durante o dia? Ele no gostava quando ela parecia que
ia desmaiar a qualquer momento. Scully precisava cuidar melhor de si. Ou ele
ia ter que fazer isso por ela. Ela odiaria isso.

Mulder saiu da cama, ficou de p, e 0tirou as sandlias que ela estava usando, 
ento colocou o acolchoado sobre ela, apertando debaixo do queixo.
 A respirao dela j estava profunda.

"Doces sonhos, Dana" ele sussurrou.  "Ou Agente Scully.  Ou quem quer que voc
queira ser para mim. Doces sonhos."

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At Mulder chegar no restaurante para jantar, a aldeia estava trabalhando
em capacidade total. As ruas estava cheias ao final do dia, as pessoas sorriam
e acenavam de bom grado, em particular duas mulheres que Mulder reconheceu da
cozinha da caverna em que estiveram. Elas levavam nas maos uma galinha recm-degolada.

/Este lugar se recupera quase to depressa quanto Scully/ mas ele
se lembrou de que sua parceira estava dormindo no bangal deles.
Certo, ela trabalhou todo o dia, recusando-se a parar at terminar tudo.
Mas, pelo relogio dele, eram pouco mais das sete - bem longe do horario
para a fora dela estar to pouca. Ela dormiu na noite anterior ou este era
um dos outros sintomas que ele sabia que deveria negligenciar e continuar
fingindo que ela estava bem?

Mulder carranqueou.  Ela estava terrivelmente plida.

/Ela no estavam nem mesmo plida/ ele se corrigiu. /Cinza/ Afinal de contas,
s um dia havia se passado desde aquele terrvel sangramento de nariz. E Mulder
no estava completamente convencido de que o Dr. Juuj tinha agido no melhor
interesse de Scully, negando uma transfuso para ela. Ela havia perdido tanto
sangue...

Mulder pegou um movimento no canto de olho, e viu Kyle acenando de uma mesa.
Ele e Megan j estava comendo, num mesa cheia de aperitivos exticos. Mulder
estava impressionado com o rtulo no vinho branco que Kyle estava
vertendo. "Qual  o motivo da comemorao?"

Erguendo a cabea, Megan perguntou, com cuidado. "Onde est Dana?"

Ele acenou com a cabea para o bangal. "Ela no vem."

Kyle luziu para ele, frustrado. "De novo no." ele murmurou e esqueceu do
copo, derramando vinho quando transbordou.

"No," Mulder murmurou.  "No foi isso. Ela est dormindo. Tanta agitao
a cansou." ele viu o guardanapo grosso de pano escurecer enquanto absorvia
o vinho perdido; o pano ficou quase da cor de sangue. "Eu estava esperando que ela
pudesse relaxar nestas frias. Nenhum de ns tem o hbito de tirar frias.
E ultimamente..." Mulder parou. Ambos os ouvintes estava o olhando com anteo.
O estomago dele se apertou, e ele escondeu qualquer coisa que ia falar.
"Ela est dormindo." ele tomou um gole. "Ela precisa dormir." ele suspirou.
"Acho que ela ainda nao se recuperou da outra noite."

Kyle brincou com a fruta no prato dele. "Vocs esto querendo ir embora o
mais rpido possvel, no ? J chequei o barco, tudo parece legal. Exceto o
equipamento eltrico. Nao sei o que est causando isso, e o cara das docas
diz que ele nao vai poder olhar at amanh de tarde."

Ele queria ir embora? Com certeza! "Uh... Scully mostrou interesse na ilha. Eu 
sei que eu paguei por uma viagem pela Ilhas Bermudas, mas se custar mais
ficar aqui, eu pago por isso." ele nao estava muito feliz com a idia, mas
o que ele queria nao importava. No agora.

"O dinheiro no  o problema" Megan parecia ofendida e preocupada ao mesmo
tempo. "Estamos pensando na sade de Dana. Ns no sabamos que ela estava
doente."

"Eu sei.  Eu sinto muito.  Ela se protege muito das pessoas... e normalmente, 
no  importante -"

"Como no pode ser importante?" Megan se sentou, e fixou Mulder com os 
olhos escuros dela. " a vida dela!"

"Eu sei" Mulder estremeceu. "Eu nao sei... ns no conversamos sobre isso.
Exceto quando estavamos brigando."

Kyle, sentado na frente de Mulder, tranquilo, perguntou. " cncer, no 
?" A esposa dele ergueu a cabea, de repente, com um olhar de horror
miservel.

"Cncer?" ela balbuciou.

/Ento, o par perfeito no fala sobre tudo tambm/ Mulder nao sabia porque
isso o fez se sentir melhor.

Ele estudou o vinho dele por um momento. Bom vinho; seco e liso. Eles o
encaravam de novo. "Ela quer ficar, e isto deveria ser..."

/Desejo de morte-/

"As frias dos sonhos dela. Ento, eu vou deixa-la fazer o que ela quiser.
No sei se  a escolha certa ou no - definitivamente nao  minha primeira
escolha - mas eu acredito em Scully. Tenho que acreditar que ela no vai
se desgastar muito."

"Vocs dois so completamente malucos" Megan comeu o arroz dela, sem vontade.
"Este lugar tem morte por todo lado, e voc no quer ir embora para-"

"No tenho certeza se vocs dois precisam ficar" ele declarou, com cuidado.
"Se vocs quiserem ir, eu vou entender perfeitamente." ele colocou o
copo na mesa, enquanto o casal trocava um olhar ansioso.

Kyle pigarreou. "Ns estvamos falando sobre ir embora, achando que
Dana poderia querer ficar" ele olhou de novo sua esposa e olhou para o prato.
"Ela est to... ligada  idia de ajudar as pessoas daqui..."

Ao lado dele, Megan riu.

Kyle ficou com uma expresso culpada. "Tudo bem!" ele de repente estourou,
luzindo para Megan. "eu sabia que ela iria querer ficar, pois eu a vi numa
caverna. Pronto! Voc est satisfeita agora?" ele pegou um pedao de carne
e o engoliu inteiro.

Megan acenou com a cabea.

"Como assim voc a viu numa caverna? Onde? Quando?" 

Kyle olhou para Mulder como se tivesse esquecido que ele estava ali.
"Oh" ele engoliu. "Desculpe. Eu a vi num sonho. Numa caverna com esttuas
enormes, como colunas, e um rio."

Mulder piscou.

Esfregando a boca, Kyle continuou.  "Eu tenho estes sonhos -"

"Sonhos profticos -" Megan ajudou.

"- s vezes, e quando eu tive este aqui ontem  noite, eu tinha certeza de que
ela ia querer ficar aqui. Pelo menos at ela ver esta caverna."

Mulder piscou de novo. Ento, ele mordeu o lado de dentro da bochecha.
"Seus sonhos se tornam realidade?"

"Nem todos" Kyle encolheu os ombros e dividiu o pao que pegou na cesta,
e colocou-o no seu prato. "E eu nem sempre me lembro dos sonhos, tambm.
Eles so como sonhos, mesmo. S que acontecem."

Mulder se sentou adiante, sentindo a adrenalina comeando a fluir em
suas veias. "Voc v o futuro?"

Kyle acenou com a cabea. "Foi assim que Meggie e eu nos encontramos. Ela era
uma aluna da Universidade de Los Angeles, e eu estava tendo sonhos estranhos
sobre ela, h meses, sem nunca ter colocado os olhos sobre ela. Mas os sonhos
eram muito vvidos."

Megan sorriu  histria familiar.  "E um dia, eu no aguentei mais, e fui para
o campus - eu morava em San Francisco na poca - e foi como se eu tivesse
ido para l umas cem vezes. Todos os prdios eram como eu os tinha visto, e l
estava ela..." ele se virou para sua mulher, e a beijou de leve no rosto. "...no
gramado principal, com um megafone apertado contra o rosto, gritando "Rick Ditario
 um imbecil!" com toda a fora dela."

Megan pegou o copo de vinho e rodou o liquido, com um sorriso.
"E eu nao me arrependo. Ele tinha me trocado aquela manh pela minha
colega de quarto, que usava sutis tamanho 46."

"Foi nesse momento que eu disse a mim mesmo - eu a amo" Kyle e Megan se
olharam afetuosamente. "Eu a amo. Eu a amo. Eu a amo." eles se beijaram.

Mulder rodou os olhos, bem enjoado. "Ento, voc sonhou sobre Scully estar numa
caverna, que voc acha que  nesta ilha, e que vocs falavam sobre ir embora."
ele esperou at os dois terminarem as juras de amor, e comearam a comer.
"Achoe que  uma boa idia vocs partirem. A nvoa se limitou a seis familias,
mas nao podemos dizer at quando isso vai durar."

"Ns nao vamos embora" Megan falou, firme. "No sem vocs dois."

"Outro sonho?"

"Aquela no  Dana?" Kyle interrompeu, e apontou para a rua. Chea voava pela
rua, seus ps quase no batendo no cho, enquanto ele corria, e Scully estava
a apenas alguns passos atrs dele.

/Mas que inferno...?/ Mulder se levantou e comeou a correr atrs deles.
S quando ele saiu na rua foi que ele percebeu que eles estavam indo para 
Omani.

Fim de Erlona 8/17
