ERLONA'S HEART 07

Uma mo varrendo seu ombro o acordou de um sonho estranho. 
Mulder abriu os olhos e viu o rosto iluminado de sua parceira, 
sorrindo para ele. Ela ainda parecia um pouco plida, mas 
tinha um brilho nos olhos que Mulder no via h muito tempo. 
Isso aliviou sua mente e seu corao na mesma hora.

"Olha s quem est se sentindo bem..."

"E faminta..." ela puxou o brao dele. "Vamos, Mulder. Megan 
disse que eles pegaram comida para ns. Dormimos muito, e 
perdemos o caf da manh." ela olhou para o vestido manchado 
que ainda usava. "E eu quero trocar de roupa. Ela arrumou 
roupas para mim." O vestido estava arruinado, algumas partes 
duras por causa do sangue seco.

Ele correu uma mo pelo brao dela. "Scully, sente-se um 
minuto" ele pegou-a pelo cotovelo e a puxou para o lado 
dele. "Quero falar uma coisa com voc."

"Isso no parece bom" imediatamente suas paredes subiram. 
Mulder podia senti-la se distanciando, embora o quadril 
dela estivesse apertado contra a perna dele.

Mulder levou um minuto para apreciar a viso diante de si: 
fora e fragilidade. "Scully, preciso que voc seja honesta 
comigo" ela olhou as mos juntas e o estudou. "O sangramento 
no nariz - eu sei que voc diz que eles no podem ser levado 
como referncia-"

"E eles no so referncia, Mulder."

"Tudo bem, mas..." como fazia perguntas difceis sem demolir? 
Ele queria rastejar para dentro dos braos dela, e deix-la 
acariciar seu cabelo. Quando ela o segurava, ele acreditava 
em toda slaba das palavras que ela dizia. "Mas eu preciso 
saber. O cncer..." ela desviou o olhar quando Mulder tentou 
fixar seu olhar nela. "Est avanando?" Ser que ele queria 
mesmo saber? Era muito mais fcil deix-la proteg-lo.

A face dela perdeu seu desafio e ela tremeu a cabea duas 
vezes. "Meu ltimo check-up no mostrou nenhum crescimento 
no tumor" ela olhou para o outro lado do quarto e arregalou 
os olhos. Mulder escutou o barulho de um beb amamentando. 
Ento ela piscou, e estudou os prprios ps. "Preciso achar 
algum sapato, tambm. O cho de pedra est frio."

"Mudar o assunto no vai ajudar-"

"Ajudar o que?" ela levantou a voz, num grito defensivo. 
"A mim? Nada vai me ajudar, Mulder, exceto um milagre."

Cristo! Ela nunca deixaria de atingi-lo com isso? "No. 
Estou falando sobre ns." ele no queria dizer isso, mas 
precisava. Ele estavam to perto de um desastre que ele 
estava disposto a dizer qualquer coisa. Depois de sobreviverem 
a tantas coisas, ele no podia perd-la por causa de uma 
viagem de barco idiota. Ou porque ele era um idiota e no 
sabia como manter a boca fechada. Ou porque ele era orgulhoso 
demais para implorar...

Um suspiro pequeno escapou dos lbios dela antes dela olhar 
para a mulher no outro lado do quarto. "No existe ns, 
Mulder" a barriga dela fez um barulho, e ela passou a mo 
por cima, distrada. "Olhe, o que eu disse na outra noite, 
no era pra voc. Eu estava furiosa, cansada, e confusa."

Ela olhou para ele, para ver se ele estava entendendo o 
que ela dizia. Ele no estava. Ela lutou para continuar. 
"Quando estou longe do trabalho, eu sou uma pessoa diferente. 
No sou a agente especial Scully... sou s eu. Acho que 
por isso  que no passamos muito tempo juntos nos nossos 
horrios de folga. Voc s conhece uma parte de mim. E eu 
s conheo uma parte sua. Quando estvamos no barco, ns 
ramos... diferentes."

"Diferente de que maneira?"
 
"Mulder", a voz dela era baixa e advertindo. "No acho que 
voc queria insistir nisso. Por que voc no pode aceitar 
as minhas desculpas?"

"Voc est se desculpando?" /Como eu no percebi?/

"Sim, Mulder. Preste ateno..." ela ficou de p e se virou. 
"Bem, eu no quero mais lutar com voc nesta viagem. Cada 
vez que lutamos eu sinto como se perdesse algo importante..." 
ela parou de falar.

" por isso que voc quer ir pra casa?"

"No parece que vamos a lugar nenhum at a nvoa ir embora, 
e parece que ningum sabe quando isso vai acontecer" ela 
estava deliberadamente evitando a pergunta dele.

Mulder no ia desistir. Ele tinha que saber o que estava 
indo dentro dela. "Voc acha que no somos bons juntos 
quando estamos fora do ambiente de trabalho?"

O estmago dela rugiu de novo, e ela colocou a mo sobre 
ele, tentando aquietar os protestos de fome. "Eu acho... 
que quando estou com voc... e no estamos trabalhando, 
eu no sei quem eu sou pra voc... o que eu deveria fazer."

Ele inclinou a cabea. /Ela no est falando srio, no ? 
Como ela no pode saber?/ "Voc  minha melhor amiga, Scully."

"No. No trabalho, eu sou sua melhor aliada."

"Voc  os dois." Ento um pensamento golpeou Mulder. Ele 
mastigou o interior da bochecha e perguntou, "Voc est 
dizendo que quer que sejamos os agentes especiais Mulder 
e Scully at mesmo quando no estamos no trabalho?"

A sobrancelha dela enrugou em confuso. "Passou longe." ele 
podia ver que ela estava tentando falar de outro ngulo. 
"A briga que tivemos ontem  noite, Mulder. Foi sobre o que?"

Por que ela estava expondo isso de novo? A ltima coisa 
que ele queria fazer agora era abrir esta ferida. "Confiana" 
ele disse, num tom escuro. "Ou a falta dela."

Ela fechou os olhos e Mulder teve a sensao de que no era 
esta a resposta que ela queria. Ela tremeu a cabea e 
suspirou. "Vamos. Kyle prometeu que nos contaria tudo 
que descobriu enquanto tomamos o caf da manh."

"O que voc acha que foi a briga. Qual o motivo?"

Ela foi pra porta. "Estou com fome, Mulder. No podemos 
encerrar esta conversa? No estamos indo a lugar nenhum."

Ela estava quase passando pela arcada quando ele a chamou. 
"Scully, no se afaste, por favor. Vamos falar sobre isso" 
ela parou mas no se virou pra ele. "Por favor. Eu pensei 
que ia te perder ontem  noite. Quando voc desmaiou... 
Deus, Scully..."

"Ns j passamos por isso antes, Mulder."

"Scully..." ele no sabia mais o que dizer. S o nome dela. 
E ela tinha parado de escutar. Durante um minuto eles ficaram 
se olhando, e ela foi embora.

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Enquanto Mulder seguia Scully e Kyle pelo corredor de pedra, 
ele olhou para os vrios nichos pequenos; alguns tinham 
cortinas no lugar das portas, e bloqueavam sua viso, mas 
a maioria no tinha. As pessoas estavam sentadas e deitadas 
no cho. Poucas tinham camas e mantas.

Em cada um tinha um nome escrito, do lado de fora de cada 
nicho: Huostel, Nemenes, Jalico, Ammona, Midial... no 
terminava.

Numa diviso de trs caminhos, Kyle virou  direita e 
explicou, "Porque ns estvamos no hotel principal, e 
pagamos por bangals separados, eles nos deram quartos 
separados. No  muita coisa, mas  melhor do que achar um 
canto no quarto principal e chamar isso de casa." ele deu 
um olhar para Mulder, miservel. "Mas tem pouca diferena."

O quarto que Kyle os levou era do tamanho do sof de Mulder. 
De alguma maneira duas camas tinham sido colocadas ali, mas 
no havia espao para ficar de p entre eles. O quarto tinha 
uma cortina na entrada. Combinava com o de Megan e Kyle, do 
outro lado do corredor, e Morg espiava sobre ela. 

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Assim que Scully trocou de roupa, agora usando uma blusa de 
linho preto e uma saia preta e azul, os quatro subiram sobre 
as camas de madeira e dividiram o caf da manh que tinha 
sido dado para a maioria da populao: po, mas vermelhas 
e gua. Scully agiu como se no tivesse comido h dias.

"Esta ma est incrvel!" ela falou entre as mordidas. 
Quando parecia que ela ia comer o caroo, Mulder ofereceu 
a dele. Ela recusou, educada. "No posso comer a sua comida, 
Mulder." a maneira com que ela disse isso mostrava que ela 
ainda estava ruminando sobre a conversa deles, mas no estava 
com raiva.

"No, Scully" ele mentiu. "No estou com muita fome esta 
manh" ele podia ver o dilema na cabea dela, e ele tinha 
certeza que se ela no estivesse to faminta quanto estava, 
ela teria recusado. Mas o estmago dela rugiu de novo, e 
ela engoliu o orgulho, pegando a fruta oferecida.

"Obrigada, Mulder." Por um momento, ela parecia envergonhada 
por mostrar a fome dela, mas isso passou, e ela comeou a 
comer com vontade de novo.

Quando ele observou, Megan estava olhando pra ele com um 
sorriso bobo no rosto, e ela encolheu os ombros quando ele 
perguntou, fazendo mmica, na defensiva, um 'o que?'

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Assim que terminou de comer, Kyle se encostou na parede e 
explicou o que tinha descoberto. "Do que consegui saber, 
a nvoa aparece regularmente, tendo feito isso vinte vezes 
h cinqenta anos. Mas nos ltimos 18 meses, ela apareceu 
mais de 30 vezes. E foi ento que os cadveres congelados 
comearam a aparecer. Ningum pode predizer quando a nvoa 
vai acontecer, nem quanto tempo fica. Mas todo mundo morre 
de medo dela." Ele tomou um gole de gua, e Megan continuou 
por ele.

"O mdico, o Dr. Juuj, parece pensar que o medo deles  
justificado. Eles encontraram os corpos das pessoas que se 
recusaram a entrar nos tneis - ou simplesmente no chegaram 
a tempo aqui embaixo - corpos slidos e congelados."

Kyle a cortou. "E parece que leva uma semana para descongelar. 
E eles tm certos rituais estranhos, para enterro, que envolvem 
cortar o cadver logo antes deles enterrarem."

Mulder se maravilhou de como seus anfitries estavam tranqilos. 
Eles falavam sobre a situao como se estivessem contando um 
filme que viram na noite anterior. Do seu lado, sua parceira 
tinha virado a investigadora. Ele podia ver que ela estava 
interessada. Ele no podia dizer o motivo, mas ele no estava 
nem um pouco interessado nisso tudo.

Morg pediu por ateno, e Kyle bateu na cama ao lado dele, 
dando permisso para ela subir. O cachorro rastejou e balanou 
o rabo, feliz com o carinho.


Scully levantou os joelhos e descansou os cotovelos nele. "O 
que eles acham que causa isso? A nvoa e o que congelamento?"

"Lembra que eu estava lendo naquele livro?" Megan perguntou. 
"Estas pessoas so politestas."

Scully tremeu a cabea, rejeitando a explicao. "Ento, isso 
 um tipo de vingana de alguma deusa? Ela manda a nvoa para 
congelar os aldees?"

"No exatamente", Kyle disse. "Ela ** a nvoa. Isso explica 
por que eles sempre descem aqui - mesmo antes das geadas 
comearem. E no podemos arrumar um nome pra Ela tambm; 
s de falar nisso em voz alta j significa morte certa.

"Mas Ela  uma deusa bem especial. Eles tiveram mais de 
100 mortos no ltimo ano e meio, mas todas estas pessoas 
vieram de seis famlias. Elas esto quase desaparecidas."

"Isso  bem insignificante para uma deidade."

Scully chupou no caroo de ma, uma viso que deixou 
Mulder incrivelmente quente. "Ento, se estas pessoas 
tm vrios deuses, qual  o tipo de deus que Ela ?"

Kyle e Megan trocaram olhares cautelosos, e ento Megan 
falou. "Morte e Vingana."

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Scully estava correndo pelos tneis como um coelho, escolhendo 
este ou aquele por instinto, o que faltava em Mulder. Ele 
tinha certeza de que no estava a mais de quatro passos 
atrs dela, mas se sentia perdido. Inferno! Ele sabia que 
se tivessem dado um mapa pra ele, ainda assim ele no saberia 
para onde ir. Ela continuou andando, escolhendo o caminho 
a esmo, sem nenhuma razo plausvel para Mulder.

"Scully, voc quer me explicar por que estamos correndo?"

"Est na hora do almoo" aparentemente esta era todo motivo 
que ela precisava.

Eles ficaram procurando algum para explicar sobre a nvoa, 
e quando eles podiam sair. Dr. Juuj deixou bem claro que 
eles no podia nem sequer ir perto da sada, at que o 
alarme soasse. E haviam vrios homens na sada, para 
lembr-los, caso eles 'esquecessem.'

Era difcil achar algum no comando, j que a ilha no 
tinha um governo organizado, ou lideres de comunidade - 
no parecia ter algum no comando. Cada pessoa ajudava 
seu vizinho ali embaixo, mas ningum sabia responder as 
perguntas para as quais Scully queria resposta. Cada 
pessoa s sabia um pedao, e a barreira do idioma no 
ajudava.

"Eu posso cheirar!" ela borbulhou e virou para ficar de 
frente pra ele, sem perder o passo. "Parece pizza! Voc 
no consegue cheirar?  divino!" Ela voltou a andar, 
aumentando o passo para uma corrida. "Deus, eu estou 
morrendo de fome!"

Mulder no podia cheirar nada mais do que o ar mido, mas 
ele correu junto com ela.

Quando Scully parou no meio do tnel, e abriu uma cortina, 
levou um minuto para Mulder perceber que eles tinham voltado. 
Imediatamente, o rosto de Scully ficou decepcionado. "Onde 
est a pizza?"

Um riso veio de dentro do quarto.

Megan e Kyle estavam sentados na cama, as duas tigelas de 
arroz e feijo na frente deles. Haviam vrias tigelas 
menores, com colheres de madeira, que Kyle estava comeando 
a encher.

Megan pegou o almoo dela e sorriu maliciosa para Scully. 
"Pizza Hut no entrega to longe."

"Mas... eu cheirei pizza. Eu sei que cheirei" ela ficou 
de p, com os ombros curvados. "Estou com tanta fome..."

Atrs dela, Mulder colocou uma mo nas costas dela e a 
conduziu pelo quarto. "Arroz e feijo. Esse almoo tambm 
 bom."

Scully no amuou ou se queixou do almoo, e ela no fez mais 
nenhuma referncia ao apetite voraz que tinha. Seria atpico 
dela. Mas quando o almoo acabou, e as tigelas estavam do 
lado de fora no corredor, para serem pegas, Mulder podia 
ver que ela ainda estava com fome.

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Mulder estava sentado sobre um engradado, contra uma parede 
disforme, num quarto com mais 17 pessoas - todas mulheres. 
Ele recebeu a explicao de que toda pessoa s tinha que 
fazer sua parte para ajudar na comunidade, e desde que eles 
no encontraram nenhuma habilidade ou servio que ele pudesse 
dar, ele foi mandando para o quarto da cozinha. E para piorar, 
ele no tinha uma pista do que eram metade dos legumes que 
estavam nas cestas na outra parede; e deram uma faca afiada 
pra ele, e cerca de oitenta libras de batata para descascar. 
/Com as mulheres/

No que Mulder no gostasse de trabalhar com elas. Inferno, 
ele trabalhou com Scully durante anos. Ela era a melhor 
coisa que tinha acontecido a ele. Entretanto, ela no estava 
sentada num quarto, cheio de outras mulheres, fofocando num 
idioma estranho, que parecia mais uma melodia do que fala. 
E ela no o encarava sem piscar a toda hora. Era como se 
elas nunca tivessem visto um cara branco e alto descascando 
batatas antes.

Mulder nunca se sentiu to macho em toda sua vida.

O que ser que Kyle estava fazendo? E como ele tinha tido 
tanta sorte?

Scully, claro, estava na enfermaria. Ela estava mais do que 
ansiosa para ajudar o Dr. Juuj e deixar Mulder com uma dzia 
de babs. Ele s queria que ela tivesse sido uma delas. Ento, 
ele poderia manter um olho nela tambm.

Como ele no podia se preocupar? A viso terrvel dela sendo 
levada inconsciente, pra longe dele, estaria com ele pelo 
resto de sua vida.

Ele jogou a batata descascada sobre uma pilha, e pegou a 
prxima. Estava decidido! Assim que nvoa sumisse, ele ia 
pedir um helicptero, e todos iam sair daquela ilha. 
Qualquer coisa para levar Scully pra casa, em segurana, 
o mais cedo possvel.

Uma dor afiada passou por sua mo esquerda, e ele olhou, 
vendo o prprio sangue pingando de um corte fundo em seu 
polegar.

/Bem, oh-oh/ Ele pensou com um sorri. /Hora de fazer uma 
pequena viagem para a enfermaria./

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Scully no ficou surpresa. Ela passou um pedao de gaze ao 
redor do polegar dele, e prendeu com esparadrapo. "Sabe, 
Mulder, voc no pode se mutilar cada vez que quiser me 
checar."

"Algum disse alguma coisa sobre te checar? Eu estava 
desfrutando a companhia das senhoras" /Por favor, Scully, 
no me mande de volta pra l. Deixe-me ficar aqui com voc/ 
O pedido silencioso parecia ter sido visto por ela, que 
escolheu ignor-lo.

"Dr. Juuj disse que a mulher que te trouxe aqui estava com 
medo de que voc tivesse se cortado muito. Ela disse que 
voc estava descascando as batatas como se quisesse que 
elas sofressem" ela ergueu a sobrancelha. "Espero que a 
batata no estivesse me representando." ela se virou para
arrumar o material mdico no armrio de madeira.

A maneira com que os cabelos ruivos e macios dela rodaram 
quando ela girou fez a boca dele secar. Ento, ela se virou 
de novo, e os cabelos danaram ao redor do pescoo dela. 
O pescoo perfeito e liso dela.

"Mulder?"

Ele foi pego fitando? /Acalme-se/ "No era voc."

"O que no era eu?"

"A batata."

Ela escondeu o pequeno sorriso que ameaou cruzar seus 
lbios. "Mulder..." a cama se mexeu quando ela se sentou 
ao lado dele, descansando a mo sobre a coxa de Mulder. 
"Eu estou bem. Voc sabe disso, no sabe? Eu estou bem. 
O que aconteceu ontem  noite, aconteceu porque eu estava 
com medo. Eu corri quando deveria ficar sentada e esperar 
o sangramento passar. J passamos por isso antes" ela 
suspirou. "Eu prometo que no vou mais fazer isso. Isso 
te faz sentir melhor?" 

"No." Como ele podia mentir pra ela? A nica coisa que 
o faria se sentir melhor seria ter ela dm DC, no sof dele... 
nua. Ele saltou de debaixo da mo dela. Era muito difcil 
manter os pensamentos em ordem quando ela o tocava. Mulder 
estava preocupado com ela, e no queria ficar excitado. 
No, ele sempre quis estar excitado. Mas primeiro certas 
coisas primeiro." O movimento sbito dele fez ela carranquear. 
"Quero te levar para um hospital e verdade - um em DC."

Ela suspirou e tremeu a cabea. "Voc no ouviu uma palavra 
do que eu disse."

"S porque no estou concordando com voc, isso no quer 
dizer que no estou escutando."

O cansao atrs dos olhos dela lhe dizia que esse era o 
verdadeiro significado do motivo dele no deix-la sozinha. 
Ela deixou bem claro que de que no queria falar mais sobre 
isso. "Voc no quer isso resolvido?"

A voz dela era baixa, e ela no olhou pra ele. "No. No 
se a resoluo ... permanente."

Um jovem pai trouxe seu filho, uma criana chorando, para 
dentro do quarto. Scully se tornou a mdica que era num 
piscar de olhos, antes mesmo que Mulder percebesse que o 
menino estava segurando um brao visivelmente quebrado. 
Ela foi incrvel. Em um segundo, todos os pensamentos e 
energia dela foram focalizados para ajudar o pequeno 
paciente. Para aliviar sua dor. 

Ela abraou a criana e falou ternamente, explicando o que 
ia fazer, embora ele no pudesse entender uma palavra do 
que ela dizia. E funcionou. Dentro de minutos, ele tinha 
parado de chorar e estava estudando a maneira como os 
lbios dela se moveram com os olhos castanhos escuros 
lindos dele. Ela ajustou o osso e embrulhou o brao dele 
numa tala de metal, e gaze. Diante dos olhos de Mulder, a 
fratura tinha sido consertada.

Se ele pudesse fazer isso pra ela.

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O quarto espasmdico estava frio e vazio, mesmo com Megan 
e Kyle na outra cama. O guisado de carne de boi estava 
dividido em quatro tigelas de cermica, esfriando entre 
eles. Depois de meia hora, era bvio que Scully no estava 
simplesmente atrasada. Ela no viria mais.

Ele tinha ferrado tudo. Mulder sabia disso antes mesmo de 
ter sado da enfermaria naquela tarde. Ele se sentou na 
cama, vendo o trabalho dela por mais de vinte minutos, e 
nem uma vez ela olhou para ele. Para Scully, era como se 
ele nem estivesse ali. Para ele, era como estar morto.

Megan correu uma mo sobre o cabelo escuro dela, tentando 
em vo arrum-lo. "Deve ter acontecido uma emergncia. 
Dana estava faminta no almoo. No posso imaginar ela 
perdendo o jantar."

"Talvez eles deram o jantar dela na enfermaria, se ela 
tivesse que ficar para uma emergncia..." Kyle estava 
tentando ser til, mas Mulder no estava comprando esta 
idia.

"Ela est me evitando. Ela quer ficar algum tempo sozinha."

O silncio desajeitado que seguiu era curto, e misericordioso 
enquanto durou. "Outra briga? Vocs dois so incrveis" o 
desgosto de Kyle era fcil de ler. Ele relaxou contra a 
parede. "Engulo o que eu disse. Vocs no podem estar 
envolvidos ou seno vocs dariam um jeito de fazer as pazes 
na cama. Raiva  um desperdcio de tenso muito boa, posso 
dizer."

Mulder fingiu no ouvir isso. A ltima coisa que ele precisava 
era de imagens de uma Scully apaixonada, se movimentando 
selvagem sobre ele. Ele fechou os olhos. /Obrigado, Kyle/

"Tudo bem" Megan falou, baixinho. "Acho que vou l fora e 
fumar um cigarro. E talvez checar Dana."

"Por favor." Mulder no olhou para ela, e rodou os pedaos 
de batata pelo guisado grosso. "Por favor, no ajude. Eu 
ferrei tudo desta vez, e sou eu quem precisa encontrar uma 
maneira de ajeitar as coisas." /Se eu pudesse/ "E se as 
coisas continuarem como esto, podemos pelo menos trabalhar 
juntos. Estou com medo de que at mesmo isso possa estar... 
perdido..."

Megan cruzou os braos. "Parece que vou ter que pegar minhas 
botas de ponta."

"Botas de Ponta?"

"Para chutar na sua cabea, perdedor." Normalmente, Mulder 
ficaria ofendido, mas o tom brincalho com que ela disse 
isso o deixou com uma sensao de afeto. /Onde eu achei 
estas pessoas?/

"Voc no est sendo dramtico demais, Mulder?" o homem  
sua frente parecia incomodado com as pernas dobradas sobre 
a cama. Kyle se mexeu, tentando se acomodar. "Vocs dois 
so to perfeitos juntos.  claro que tem muita coisa entre 
vocs, casal ou no. Mas com certeza mais do que simplesmente 
coisa de trabalho."

"Era isso que eu pensava, tambm" Mulder colocou a tigela 
perto dele, na cama, e fechou os olhos. "Droga! Isso tudo 
 culpa minha!"

A voz de Megan flutuou pelo silncio. "Voc a ama."

"Se fosse to fcil assim" ele apertou as mos nos olhos. 
"Tem tantas coisas que vocs no sabem sobre ns. Nosso 
trabalho. Coisas que complicam as nossas vidas-"

"Como as pessoas que tentam nos matar" o som liso de Scully 
deslizou atrs de Mulder para dentro do pequeno quarto. "E 
as pessoas que tentam parar nosso trabalho. E nos fazer ir 
brigar um contra o outro. E nos controlar." ela estava de 
p na entrada, apoiada num ombro, os braos cruzados. A face 
estava tensa e cansada ao mesmo tempo. O brilho que estava 
mais cedo em seus olhos tinham ido embora. "Nada para ns  
simples" ela falou para Mulder, mas olhava para a parede a
trs dele.

Mulder ofereceu uma tigela a ela e um convite para se sentar 
ao seu lado. Ela fez isso, e mexeu o contedo da tigela, 
mas no ergueu a colher. Ao invs, ela perguntou. "Mulder, 
por que voc acha que o que est acontecendo entre ns  
sua culpa?" ela continuava fitando a comida. 

"E no ?" ele ainda estava intensamente atento de que eles 
no estavam sozinhos no quarto. Mas finalmente Scully parecia 
querer falar, e ele no ia perder a oportunidade em troca 
de um pouco de privacidade.

"Por que voc acha que eu me desculpei?"

"Uh... eu no tenho certeza ainda."

Ela acenou com a cabea, lhe dizendo que entendia. E ele 
tinha uma sensao de que ela entendia mesmo.

"A nvoa est indo embora. O Dr. Juuj disse que deve estar 
tudo limpo ao amanhecer." Scully olhou para Megan e Kyle. 
"Conferimos o rdio, e h trs pessoas desaparecidas. Duas 
so de uma famlia que est aqui, e a outra  uma menina de 
14 anos. Ela no faz parte das famlias originais, mas ela 
est relacionada a duas delas atravs do casamento." ento 
ela se virou para Mulder. "Me recuso a acreditar que este 
 um fenmeno natural. Coincidncias como esta no acontecem 
simplesmente."

"Eu concordo." 

"E quanto a teoria de um deus vingativo, tenho minhas dvidas 
sobre isso tambm."

Mulder podia ver, pela maneira que a testa dela estava 
franzida, que ela tinha algumas idias dela mesma. "Ento, 
o que a cincia pode nos dizer, Dra. Scully?"

Ela deu um sorriso mnimo, o que deixou Mulder subjugado por 
um momento, e realizado. Ele tinha feito ela sorrir.

"Bem, no muito sem autpsias. Vou com a equipe de salvamento 
para ver se posso achar alguma coisa til. Esperamos 
encontr-los com vida, mas do que o mdico me disse, no 
vou me prender a isso" ela olhou para o guisado, e mordeu.

Ento ela colocou a tigela de lado, e falou com Mulder. 
"No estou te evitando."

Quanto tempo ela escutou na porta?

"Mas eu vou voltar para a enfermaria. Eles precisam de ajuda 
para organizar as equipes de salvamento, e sobre como preparar 
os corpos" o que Mulder traduziu como: 'eu vou dormir l hoje 
 noite. No espere por mim.'

"Voc vai fazer as autopsias? Aqui em abaixo? Eles devem ter 
um hospital bem equipado!"

"Sim, mas o Dr. Juuj trouxe o laboratrio para c h um ano. 
E teremos menos resistncia dos moradores se estivemos longe 
da vista. A religio deles  bem clara quanto a perturbar os 
corpos de mortos fora do ritual, e at mesmo mais pois eles 
acreditam que estas pessoas so mortas diretamente por Deus."

"Scully. Eu sei que no  isso que voc quer ouvir, mas no 
trabalhamos aqui. Estamos de frias."

Ela considerou o que ele disse sem se ofender. Mulder ficou 
aliviado. "Mas... Mulder, voc no quer saber o que est 
acontecendo?"

Ele apertou os lbios. Ela sempre sabia fazer as perguntas 
corretas. "Yeah." Ele ficou quase surpreso ao ver que queria 
saber tambm. "Eu quero."

Ela passou a mo pelo joelho dele, at o meio da coxa. 
"Ento eu te vejo pela manh" ela saiu no corredor, e o 
deixou sozinho com Kyle e Megan. Eles no tinham vergonha 
de fit-lo abertamente, e comearam a falar.

"Bem", Megan comeu uma colherada do guisado. "No foi to 
ruim assim."

Mulder acenou com a cabea. Ele tinha perdido o apetite. 
"Yeah. Agora ns voltamos aos nossos papis de agentes 
especiais de novo."

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A noite no subterrneo era absoluta; nenhuma estrela, nenhuma 
lua, nenhuma luz. E tambm no teria som se no fosse pelos 
gemidos e respiraes ofegantes e da cama rangendo em algum 
lugar pelo corredor.

Eles estavam a menos de 10 ps, e com uma cortina o escondendo, 
e ainda assim eles estavam agindo como um par de cachorros, 
Mulder pensou. Sua teoria anterior de que eles gostavam de 
uma audincia estava conclusivamente provada. Que pena que 
Scully no estava deitada na cama ao seu lado para poder 
desfrutar isso, j que ela parecia gostar de ver os dois 
interagindo, de repente ela ficaria excitada ao ouvi-los 
transando.

Deus sabia que ele j estava. Mas a coisa mais estranha era 
que, embora ele tivesse vdeos e revistas, Mulder no gostava 
de presenciar momentos ntimos como estes. Ele se sentia 
fora de lugar. E eles o faziam lembrar do que ele no tinha.

Engraado. Mulder nunca pensou que sua parceira e ele mesmo 
como um vouyer. Claro que isso no era justo com ela. Ela 
no ouviu os sons quentes e frenticos de carne esfregando 
contra carne, enquanto Kyle falava um fundo, "Meeeeeggie..." 
No, ela apenas viu a brincadeira entre eles, os olhares 
fixos e as caricias amorosas. Scully tinha razo: eles 
formavam um casal e tanto.

E por um momento, enquanto Mulder alisava a palma esquerda 
sobre sua estimulao crescente, a imagem de sua parceira 
linda de p, naquele vestido branco e pequeno, apareceu 
diante dele. A brisa do mar levantava os cachos de seus 
cabelos. Ela estava brilhando - um contraste e tanto em 
comparao  caverna onde ele estava deitado. A face 
eternamente triste dela se virou para ele, e ela falou, 
sem voz.

*Ns poderamos ter aquilo... ou pelo menos algo parecido...*

Ento ela sumiu no escuro, enquanto o casal do corredor gozava 
junto.

Fim de 7/17



