ERLONA'S HEART 06

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Mulder no sabia que horas eram. Mas algum tempo demais 
que Scully foi embora, ele andou pela praia umas cem 
jardas ou algo assim, at um monte de pedras amontoadas. 
Lentamente, ele passou por ela, e cortou a cala jeans 
preta numa das pontas das pedras. A dor na perna foi bem 
vinda...

/Casa/ Ela queria ir pra casa. Ele queria ficar to longe 
de casa quanto as estrelas o levaria. Pois a verdade era 
que Scully era grande parte do que ele achava ser uma casa, 
s para descobrir que ela no confiava nele. Os anos que 
ele acreditou que tinha sua confiana - a nica que ele 
considerava sagrada - eram tudo desperdcio de tempo. E 
de vida. E de sua prpria confiana nela.

Nunca acredite numa mulher, no  o que dizem? Voc nunca 
sabe o que elas esto pensando debaixo daqueles lbios 
perfeitos e dos olhos cativantes. Mulder sempre achava 
que sabia o que Scully pensava quando podia olhar em seus 
olhos; ou pelo menos ele achava que sabia. Ele acreditava 
nisso.

Mas, Scully era uma mulher - algo que ele passou a maior 
parte da parceria deles tentando esquecer. E ele no podia 
saber o que ela estava pensando e sentindo, pois durante 
todo este tempo ela no confiou nele. No de verdade. Ela 
admitiu isso.

Ela disse que confiava at onde era conveniente, e foi 
ali que ela desenhou a linha. E durante todos esses anos, 
Mulder olhava para ela e nunca soube disso. Ele no podia 
acreditar que ela estava do lado deles, mas ela no estava 
do lado dele tambm, e isso era tudo que importava.

Era uma boa coisa que ele no se permitiu apaixonar por 
ela. Isso sim teria sido um desastre. Parceiros dividiam 
o tempo durante o trabalho... mas se ele deixasse ela 
entrar no corao dele...

E ento a imagem da pequena rea dela no escritrio 
espasmdico dele sem as coisas dela o deixou com uma dor 
to grande no peito que ele de fato ficou um pouco tonto. 
Mulder se abraou, e se dobrou para aliviar a dor. Ele 
esperava que Scully estivesse sofrendo a metade do que 
ele estava. Claro que ela no choraria. Scully no chorava.

Ele podia contar numa mo o nmero de vezes que ele viu 
lgrimas rolando pelo rosto dela. Mas ela disse que sentiria 
a perda - ah, se isso fosse verdade! Ele queria que ela 
sofresse. Mulder queria que ela se torcesse naquele momento, 
com a agonia que o atormentava; ficasse doente e queimasse 
por dentro, na alma. Morresse de dor.

/No./

/Morrer no/

/Deus, por favor. Nunca isso/

/Mas talvez ela pudesse chorar um pouco/

Um baixo ganido assustou Mulder e o tirou de seu inferno 
pessoal. O barulho depressa se tornou um guincho ficando 
mais alto em freqncia, como um alarme de desastre. Na 
noite quieta da ilha, ecoava como um mau pressentimento.

Mulder pulou e comeou a correr pela areia to rpido 
quanto conseguia. Pelo caminho de volta, indo para a 
pequena cabana que servia como vigia da praia, ele quase 
foi atropelado por uma mulher frentica, que estava 
puxando trs crianas em reboque. E ela no estava sozinha.

Mais pessoas do que Mulder achava que pudesse morar na 
ilha comearam a sair das vrias cabanas e prdios, 
correndo pela estradinha de terra; todos rumo a um prdio 
principal de tijolos, que parecia ser a prefeitura. O 
terror frentico nos rostos das pessoas que estavam 
correndo por ele empurraram Mulder numa corrida frentica 
para o bangal.

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Megan estava discutindo com um pequeno homem de Erlonian 
quando Mulder estourou pela porta.

"Voc est dizendo que 'Ela' est vindo? Quem  'Ela'?"

O homem balbuciou algo depressa num dialeto francs enquanto 
Kyle virava sua esposa frustrada para ele: "Ele no vai nos 
dar uma resposta direta. Ele s fica dizendo que temos que 
ir para o buraco, onde quer que ele seja." Ele olhou para 
Mulder. "Onde est Dana?"

Morg latiu, excitado, para algo fora da janela.

Mulder piscou. "Pensei que ela tinha voltado pra c!" O 
estmago dele virou. "Ela no est aqui?"

Kyle rodou os olhos dele. "No me diga que vocs dois 
brigaram de novo e- EI! Para onde voc vai?"

"Achar Scully!" Mulder j estava fora da porta.

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Do lado de fora, a massa de pessoas entrando para dentro 
do prdio central estava diminuindo, e a lamria da sirene 
ainda estava tocando. O ar estava grosso e mido, e cheirava 
meio... salgado, talvez? Algo estava acontecendo, com 
certeza. Quem era 'Ela'?, o que o homem falou? 'Ela' podia 
afetar mais do que os medos dos nativos. Seria uma tempestade 
tropical?

Mulder voltou para o cais, e correu to rpido quanto pde. 
Se Scully no estava com ele, e ela no estava no bangal, 
o nico lugar onde ela iria seria o barco - a coisa mais 
familiar a ela. Ele sabia de experincia prpria que ela 
sempre parecia agarrar a coisa mais familiar para ela 
quando estava chateada. O que explicava seu desejo de 
voltar para casa.

/Droga, Scully/

At Mulder chegar na longa extenso de madeira das docas, 
no havia viva alma por perto. At mesmo os barcos amarrados 
pareciam abandonados, e com medo - todos estavam quietos. 
A gua estava parada e o luar, preto como morte.

Rastejar para dentro do barco no foi tarefa fcil sem a 
escada de mo, mas no foi impossvel - mesmo para algum 
baixinha como Scully. Levou um minuto para ele se puxar 
pra cima, e passar por cima da grade.

A primeira coisa que Mulder viu na cabine do piloto foi 
o sangue. Espirrando como pintura sobre o banco, e 
derramando sobre o cho. Uma impresso vermelha de uma 
pequena mo cobria a parede perto da entrada dos quartos 
da popa.

Nenhuma das fechaduras das portas tinha sido tocada, e 
no havia sinal da presena de Scully. S pistas de que 
ela esteve ali durante algum ponto. E sangrando, Mulder 
somou severamente. Ento, ele tentou pensar sem ficar 
nervoso.

/No tire concluses precipitadas. O sangue pode no ser 
dela./ Mas aquele pensamento no o ajudou a se sentir melhor.

/Droga. Onde inferno ela iria?/ Mulder tentou pensar de 
novo. Os nicos lugares que eles conheciam eram o bangal, 
o restaurante e um minuto na entrada da ilha para se 
registrar, a verso da alfndega que a ilha tinha.

Ele levou um momento para respirar. E s ento ele viu. 
Distante, alm do barco. A nvoa. Grossa e escura, vindo 
sobre o oceano dormente, como uma manta deslizante, at 
sufocar o mar.

Ento, era isso que 'Ela' era: a nvoa.

E 'Ela' estava vindo rapidamente. E Scully tinha sumido.

"Vamos l, Scully. Onde est voc?"

Ele pulou do barco, e correu, na mesma hora em que a nvoa 
o atingiu. Num momento, ele estava olhando para o pequeno 
sinal que dizia 'bem-vindo' em vrios idiomas, e no prximo 
minuto, tudo estava escuro. O ar mido o sufocou.  
 
Era a mesma nvoa que eles tinham encontrado no barco? 
Isso no parecia ser nada mais do que uma amolao. Mas, 
Mulder se lembrou do motor. E do sistema eltrico. 
Obviamente o pessoal de Erlona tinha visto 'Ela' antes. 
E eles a temiam. Talvez ele tivesse razo para temer tambm.

"Scully!"

Procur-la visualmente no era mais uma opo vivel. No 
dava para ver mais nada alm da escurido.

"Scully!" ele gritou. "Scully! Voc pode me ouvir?" As 
luzes no atravessavam a nvoa. Ou a ilha apagou tudo, ou 
elas foram cortadas, ou a nvoa era to densa que engolia 
a luz. "Scully!"

No havia som, exceto a respirao ofegante dele. Nem 
mesmo os pssaros, e nem as rvores se mexiam.

Onde ela estava?

/Pare e reflita/ Ele se treinou. Ela voltou para o barco, 
e ento saiu. Presumivelmente, ela teve outro sangramento 
no nariz... Mulder rezou para que fosse s isso. A quantidade 
de sangue que ele viu era dez vezes mais do que qualquer 
sangramento que ela teve antes, mas se fosse isso mesmo... 
e no uma ferida mortal de um assalto... Sim, ele estava 
chateado, e queria que ela sofresse; mas em face  
possibilidade de uma real ameaa para vida dela, Mulder 
empurrou a raiva e dor de lado e se retratou. Depois que 
ele a encontrasse, e soubesse que ela estava bem, ento 
ele poderia ficar com raiva dela de novo. Por enquanto, 
ele no queria mais nada alm de segur-la.

"Scuuuuuully!"

"Mulder?" a voz dela era distante e cansada, e veio do seu 
lado esquerdo.

Ele esticou as mos para frente, e chamou o nome dela como 
se fosse um elo de ligao. As juntas dele bateram contra 
uma rvore, com fora. "Droga!"

"Mulder!" a voz dela mostrou preocupao.

"Scully, eu estou aqui!" Ele tentou esticar a mo para ela 
de novo, caminhando cegamente, procurando no escuro por ela. 
"Scully, voc est ferida?"

Uma mo apareceu de parte nenhuma, e agarrou seu pulso, que 
deslizou para a palma dele e apertou. Estava pegajoso.

"Mulder?"

"Sou eu, Scully."

"Mulder, o que est acontecendo?"

Esta parecia ser a pergunta da moda. "No sei. Todo mundo 
correu para um abrigo no prdio vermelho. Talvez a nvoa 
seja algum tipo de gs txico."

"No  igual  nvoa que nos pegou ontem?"

"No fao idia. Mas vamos brincar de seguir o mestre e ir 
junto com os nativos. Eles sabiam para que servia a sirene." 
ele puxou a mo dela, e a puxou contra ele. "Por aqui, eu 
acho" O brao dela estava to pegajoso quanto sua mo. 
"Scully, o que  isto?" ele tocou a viscosidade no pulso 
dela.

"Uh..." ele quase podia ouvir o rosto dela se torcer enquanto 
ela tentava evitar a pergunta. "Eu- no  nada. Onde  o 
prdio?"

"Scully, est em voc toda!" ele colocou a mo nas costas 
dela, para ajud-la a andar um pouco mais rpido, e ele 
sentiu a pele fresca dela debaixo das alas cruzadas.

Ela balanou um pouco, ficando fora de equilbrio. "Eu 
estou bem, Mulder."

Ento, era aqui que eles estavam. Distncia e mentiras 
vazias.

Ela tropeou.  

"Scully. Voc no est bem." Ela tentou arrancar o brao 
do aperto dele, mas Mulder apertou mais forte. "Scully, 
pra com isso!" ele tinha que achar uma maneira de faz-la 
parar de lutar. Tudo nele dizia que ela estava longe de 
estar bem. A viscosidade estava subindo pelo brao dela. 

"Scully, isso  sangue?"

Ela suspirou e tropeou sobre um meio-fio de cimento. 
Mulder a firmou. "Eu s - tive outro sangramento no nariz."

"Voc est tremendo."

"Perdi mais sangue do que o habitual. Eu estava correndo."

"Droga, Scully. Por que voc tenta me dizer que est bem, 
quando  bvio que voc no est?"

"Por favor, no podemos discutir sobre isso mais tarde... 
Mulder... eu preciso me sentar..." a voz dela oscilou um 
segundo antes que o peso dela derrubasse completamente 
nos braos dele.

"Scully!"

A cabea dela balanou contra o peito dele, e os braos 
de Scully ficaram moles. Ela estava toda lnguida.

Uma pressa sbita de adrenalina subiu pelas veias de Mulder, 
e ele pegou sua parceira nos braos, vagando to rpido 
quanto podia pelo ar grosso, at a prefeitura. Ou pelo 
menos onde ele achava que era. O tempo todo ele cantava: 
"Acorde Scully... acorde Scully..."

Um flash de frio ardente rasgou pelo corpo de Mulder, 
queimando seus ossos; e ento, sumiu assim que ele deu 
o prximo passo. Mas ele ficou com formigamento e 
alfinetadas dolorosas. /Que inferno foi isso?/ Seus 
joelhos ameaaram falsear por um segundo, mas Mulder 
se corrigiu e comeou de novo; desesperado em ir para o 
prdio antes que ele colidisse com aquilo de novo... o 
que quer que tenha sido.

"Acorde Scully..."

Quando ele alcanou os degraus da prefeitura, Mulder 
sentiu uma umidade saturando sua camisa branca. Ela 
ainda estava sangrando? Ser que ela estava sangrando 
todo aquele tempo?

Mulder lutou contra a porta, Scully imvel em seus braos. 
O ar mido estava prejudicando sua respirao. Quando a 
porta se abriu, ele estava arquejando,  beira de hiperventilar.

Por dentro, haviam candeeiros revestindo as paredes do 
enorme corredor. Haviam muitas portas bonitas, mas nenhuma 
lhe dava uma pista para onde ir. O prdio estava to vazio 
quanto as ruas, mas pelo menos ele podia enxergar. Ele 
fechou a porta com o quadril e olhou para a mulher 
inconsciente em seus braos.

/Sangue/ Sangue em todos os lugares: nos braos, no trax, 
no pescoo e no queixo. At mesmo o rosto plido dela estava 
coberto de sangue, nas tentativas incontveis de tentar 
esfregar o sangue pra fora do rosto. O vestido outrora 
branco estava vermelho, enquanto a barriga dela subia e 
descia com as respiraes rasas que ela dava. Mechas do 
cabelo estavam colados com sangue no pescoo. Um brilho 
de suor estava se formando em sua testa.

Ela estava entrando em choque.  

Mulder ficou louco. Nem mesmo vtimas de tiro sangravam 
tanto quanto o sangue que a cobria. Ele no sabia o que 
fazer. Ento, ele se apavorou. "SOCORRO! ME AJUDEM!!!" Os 
ps dela estavam espirrados com sangue tambm. "POR FAVOR! 
ME AJUDEM!!!" ele gritou alto o bastante para a voz dele 
ecoar pelo ambiente vazio. "SOCOOOOOOORRRROOOOOO!"

Uma porta pequena, sem marca, no canto da sala, se abriu, 
e uma face familiar apareceu. "Kyle, ele est aqui!" 
Megan abriu a porta e correu para o lado de Mulder. "Meu 
Pai do cu! O que aconteceu?"

Mulder tremeu a cabea, e o resto do corpo seguiu o tremor. 
"Ela disse que foi o nariz de novo. Jesus. Ela vai cair."

Os braos magros mas musculosos de Megan desceram por baixo 
de Scully. "Pode soltar, Mulder. Eu a peguei." Mas ele no 
conseguia relaxar os braos para se soltar dela. "Mulder, 
precisamos lev-la escada abaixo. Eles tem ajuda mdica l. 
Pode soltar."

Kyle estava ao seu lado antes que ele percebesse. "Mulder, 
ns a pegamos. Tudo vai ficar bem." 

Demorou um pouco para o casal tirar Scully de Mulder, mas 
quando eles fizeram isso, era como se tivessem tirado as 
cordas que o seguravam. Seus joelhos falsearam e ele caiu 
pra frente. E teria batido no cho se Megan no o pegasse 
ao redor do peito, e o ajudasse a ficar de joelhos.

Arquejando e tremendo, Mulder observou Kyle levar Scully 
pela porta pequena.

"Ei, camarada." Mulder virou a cabea e focalizou os olhos 
em Megan. Ele nunca respondeu a 'camarada' antes.

"Eu estou bem" ele olhou para a porta. "Voc disse que eles 
tm atendimento mdico l dentro. Eles tm sangue? Ela pode 
precisar de transfuso."

Ela acenou com a cabea. " incrvel. Eles tm uma aldeia 
inteira debaixo deste prdio, tudo cavado na rocha."

Mulder se apoiou, e colocou a mo sobre o peito encharcado. 
"Ela precisa de sangue."

"Se ela precisar de sangue, ela vai ter. Kyle est com ela-"

"Eu deveria estar com ela... eu perdi o controle no ?" ele 
conseguiu dar um sorriso de humilhao. "No sei por que. 
J vi coisas piores. Eu mesmo j passei por coisa pior."

Enquanto ela colocava o brao dele sobre os ombros dela, 
ela respondeu. "Porque  ela."

E isso resumiu quase tudo. Num minuto ele estava pedindo 
para ela sofrer, e no outro ele estava rezando pela 
segurana dela - porque era Scully, e no mundo todo, s 
havia uma dela.

"Yeah", ele resmungou.

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As escadarias que conduziam at a redonda e enorme cmara 
eram iguais  prpria cmara: esculpida de maneira irregular, 
direto na pedra calcria, que era a fundao da ilha. O ar 
ainda estava mido na caverna, mas estava frio pela terra 
que a cercava. Um grande gerador, na base da escada, fornecia 
a energia para manter os abajures industriais escassos 
acessos para manter o quarto iluminado.

E era um grande quarto. 

Devia ter umas 60 ou mais famlias sentadas em mantas e 
tapetes. A maioria dos adultos segurava crianas pequenas 
e estava tentando faz-las dormir. Devia ser uma hora da 
manh, Mulder adivinhou. Em vrios pontos ao longo das 
paredes, pequenos nichos se abriam para tneis estreitos.

Meg conduziu Mulder por um deles. "Quando eles nos arrastaram 
aqui embaixo, eles no sabiam o que fazer conosco. Fomos 
levados para a enfermaria por algum tempo. Foi para l que 
Kyle a levou, tenho certeza. .... por aqui."

Eles viraram num canto, e de repente o tnel terminou num 
grande quarto. Camas e mesas estavam em filas perfeitas, 
ao longo das cinco paredes. S algumas camas estavam 
ocupadas, para surpresa de Mulder. Depois do estouro que 
ele tinha testemunhado, das pessoas entrando aqui, ele 
esperava que o quarto estivesse transbordando de vtimas. 
Mas, de forma interessante, a maior parte da ateno estava 
centralizada ao redor de uma mulher, numa das ltimas 
camas, que estava na fase final de um parto.

Scully estava deitada quieta na terceira cama ao lado 
direito de Mulder. Kyle estava perto, enquanto uma 
enfermeira redonda limpava o rosto de Scully, e o pescoo. 
Seus olhos azuis estavam abertos, muito pouco, o seguindo 
enquanto ele entrava no quarto.

Ela no protestou enquanto o trapo molhado foi esfregado 
sobre ela, e isso preocupou Mulder. Se ela estivesse bem, 
ela estaria se limpando. Ela esticou uma mo para ele.

"Mull'r..." a voz dela estava fraca.

"Eu estou aqui mesmo, Scully." Ele segurou a mo dela entre 
as dele, e se aproximou. Ele queria que ela sentisse sua 
presena.

"Eu estou com frio."

O quarto estava frio, mesmo para Mulder, que estava 
completamente vestido. Tudo que Scully estava usando era 
o vestido fino. Ele empurrou a enfermeira pro lado, com 
um pequeno cutuco, e ela sumiu para o outro lado do quarto. 
Mulder colocou os ps de Scully debaixo da manta grossa de 
l que estava no fim da cama, e puxou a manta sobre o corpo 
cheio de sangue. Ele a cobriu at o pescoo, antes de olhar 
para Kyle.

"O mdico j a examinou?"

Kyle correu uma mo sobre a nuca. "Hum, yeah. Ele disse 
que no achava que ela perdeu tanto sangue quanto achamos. 
Que parecia pior do que era-"

"Mas o que  isso?!? Ela desmaiou!!! Ela precisa de uma 
transfuso!!! Olha como ela est plida - ela est em 
choque!" Mulder se virou para o homem de jaleco branco, 
pronto para lhe dizer umas verdades. E da que ele estava 
fazendo um parto? Mulheres tinham bebs o tempo todo. 
Scully precisava mais dele.

Kyle o pegou pelo brao. "Calma, Mulder. No seria bom 
pra ningum se voc provocar uma briga com o-"

"Mas eu no vou provocar uma briga. S vou convenc-lo 
de que ele est errado. Saia do meu caminho."

Uma mo agarrou a calas jeans de Mulder no joelho, e ele 
olhou para baixo, vendo Scully puxando sua perna. "Muller", 
ela resmungou. "Eu vou ficar bem. Ele me deu uma -jeo de 
vitam- e eu bebi um pouco de suco. Eu s preciso de um 
pouco de tempo..." a determinao dela era evidente em 
seus olhos, mesmo com a pronncia fraca. "Por favor. Senta 
aqui comigo."

Como ele poderia recusar? Ele puxou a cama perto dela e 
se empoleirou na beirada. "Voc tem certeza, Scully?"

"Sim" ela franziu a sobrancelha. "Mulller.... onde voc 
-tava? Eu voltei para te achar- e ento..."

"Eu pensei que voc tinha ido para o bangal. Esse foi o 
primeiro lugar que eu olhei."

Ela sorriu. "Voc -tava me procurando e eu -tava procurando 
voc..." ela fechou os olhos. "Como sempre..." a mo dela 
o achou de novo. "Preciso colocar uma coleira em voc..." 
o rosto dela relaxou, e ela comeou a dormir.

Mulder se sentou e observou-a dormindo por mais de uma hora, 
antes que o beb atrs dele nascesse, e o quarto finalmente 
ficou quieto. Ento, uma mo ossuda, quase preta, apertou o 
ombro dele, e chamou sua ateno. Era o mdico, oferecendo 
um sorriso branco e largo.

"Ela precisa descansar" o sotaque dele era grosso e um 
pouco francs. "Ela vai estar melhor de manh. Por favor, 
durma agora."

Megan estava de p atrs dele. "Vamos, Mulder. Vou te levar 
para os quartos que eles arrumaram para ns."

Mas Mulder tremeu a cabea. Ele no ia deixar Scully sozinha. 
Ele puxou a cama mais perto ainda, e ficou perto dela. O 
homem velho e a mulher preocupada atrs dele compreenderam 
o que ele no disse, e eles acenaram com a cabea e o deixaram 
sozinho.

As luzes se apagaram, e Mulder observou Scully, enquanto em 
algum lugar do quarto o recm nascido era amamentado avidamente.

/Que lugar para nascer/

   
Fim de 6/17
     


