EROLONA'S HEART 05

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A manh chegou rpido demais. A luz do sol apareceu no horizonte, direto nos
olhos de Mulder. No importava pra que lado ele virasse a cabea, a luz o 
atingia. Ele pegou a jaqueta das pernas e colocou sobre o rosto, resmungando uma
maldio contra o dia.

E ento ele sentiu uma ponta nos ombros, trazendo uma dor incrivelmente afiada
quando ele tentasse se mexer. O primeiro choque o atingiu forte, e ele clamou.

"Mulder?" a voz embriagada de Scully passou pela porta, fraca. 
"Mulder, onde voc est?"

Ele poderia ouvi-la tropeando sobre a cama, e indo para o banheiro. 
"Estou aqui, Scully."

Ela subiu os degraus lentamente.  "Mulder?"

Havia algo sobre a maneira que ela caiu na frente dele, com as mos apertando
a cabea, que o lembrou da manh de antes. Isso o apavorou, e ele se
esqueceu da propria dor para focalizar na dela. Ela precisava de remdio?
O nariz ia sangrar de novo? "Scully, voc est doente?"

Ela acenou com a cabea. "Ressaca". 

Mulder relaxou, e a dor voltou, desta vez subindo pelo pescoo. "Tome uma
aspirina, e durma mais um pouco, Scully. Est muito cedo para voltar 
consciencia."

"Mulder, voc dormiu aqui fora?" ela perguntou baixinho, com uma expresso
confusa no rosto."

"No... s algumas horas."

"Por que?"

Ele sabia que ela no queria saber a resposta para esta pergunta.
"Eu vomitei." Uma meia verdade, afinal de contas.

"Ah... o Dramamine no est funcionando, no ?"

"No se preocupe com isso, Scully". /Por favor, Scully, volte pra cama.
Por favor me deixe sozinho, e deixe-me encher a cabea com imagens 
erticas. Por favor, toque em meu quadril e me pea para ficar quietinho
e faa amor comigo at explodirmos./

Ela ficou de p, e se apoiou nele, os olhos curiosos. O corao de Mulder
correu - ela podia ver o que ele estava pensando? Ele fechou os olhos. 
/Ser que este era outro sonho?/

"Isto  s enjo, no  Mulder? Voc no est ficando doente com algo mais
grave, no ?" 

/No, no era um sonho. Scully s estava agindo como uma mdica./

"No estou doente."

Ela o estudou, e Mulder teve que se virar. Ele fingiu cansao e finalmente
ela cedeu. "Certo, Mulder". Ento ele ouviu os passos dela, descendo a escada.

Ela voltou menos que um minuto depois com uma manta. Mulder sabia o
que ela tinha em mente antes dela cutucar as pernas dele, e sentar no meio
delas. Os dois tinham j uma posio confortvel para eles se sentarem juntos
e dormirem no banco acolchoado, com uma pratica aceita. E por alguma razo,
na mente dela parecia ser a coisa certa a ser feita mais uma vez.

Ela nem tinha se ajeitado no colo dele antes que a criatura entre as pernas
de Mulder despertasse com um puxo. No haveria fim para a humilhao?

"Jesus, Mulder". Ela arrulhou enquanto apoiava a cabea contra o estmago dele.
"Agora no. Estou com dor de cabea." ela procurou e puxou os braos dele
ao redor dos ombros dela, colocando a cabea do lado de dentro do cotovelo
dele. Ento, ela suspirou contente, e fechou os olhos.

Ele fechou os olhos tambm, e a segurou com fora. Ele no ia ter chance
de abraa-la assim quando eles voltassem para DC, certo? Ele deveria
aproveitar enquanto durasse. E enquanto ela continuava dormindo em seus
braos, Mulder estava grato por ela permanecer desavisada de como ele
estava se sentindo.

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Mulder olhou do livro do Rei Arthur que ele pegou emprestado de Meg.
Yep. Ela tinha dormido de novo. Scully estava deitada numa toalha de praia,
perto do mastro traseiro, desfrutando o sol que estava  sua frente. Quando ela
saiu da cabine, Mulder no conseguiu deixar de sufocar com o almoo: ele nunca
imaginou Scully como uma mulher que usava biqinis azul-beb. Todas as duas
peas bem pequenas - no que ele estava reclamando. Especialmente no depois do
olhar 'faa-isso-e-morre' que ela tinha dado pra ele.

Sendo o covarde que era, Mulder focalizou depressa na comida e tentou
ignorar as curvas de seu corpo, que tinham sido acentuadas pelo brilho do
dia. E mesmo estando to magra, tudo em Scully era liso e curvilneo.

"Ela cochilou de novo?" Megan jogou o livro e lpis perto do cachorro, que
estava cochilando tambm. "Voc quer que eu a acorde de novo?"

"Deixa comigo." Mulder podia ver a mancha vermelha na barriga e nos braos
de Scully. "Ela vai parecer uma lagosta se continuar assando daquela maneira."

Megan jogou uma pequena garrafa de loo para ele. " s FPS 8, mas  melhor do
que nada, com a pele dela." Megan no era to escura quanto as mulheres negras que
ele tinha conhecido, mas ele suspeitava que ela no se preocupava muito com o sol.
Por outro lado, Scully estava to branquinha quanto antes. Mulder tremeu
a garrafa enquanto ficava de p.

Ento, Kyle apareceu. Suas mos estavam cheias de graxa, e seu rosto, cheio
de suor. "Voc no vai acreditar nisso." 

Megan deixou o caf na mesa, e mexeu com o cachorro a seus ps.
"O motor ainda est um bloco de gelo?"

"No. Na verdade, o motor parece bom como novo. Nenhum sinal de
dano da expanso da gua, ou eroso" ele puxou uma toalha e esfregou a
sobrancelha e os olhos. "No. Agora o que est fora  o sistema eltrico."

Mulder espiou da cabine. "O que voc quer dizer com isso?"

Ele encolheu os ombros em desgosto.  "Luzes, rdio, geladeira... tudo parado.
Conferi os fusveis, mas tudo parece perfeito."

"E o equipamento de navegao?"

"Isso tambm. Acho que deveramos parar o barco no porto mais prximo,
e dar uma geral na Lady."

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Eles desceram todas as velas, menos a principal, preparando-se para sair
da rota. Megan revisou os procedimentos para ancorar com Mulder, que com o 
canto do olho observou Scully fazer o longo caminho para o ninho do corvo. 
Kyle estava subindo atrs dela.

De repente a mulher mais alta deixou de falar e ficou de p, olhando pra
ele com as mos nos quadris. "Desculpe", ele resmungou. "Eu acho que me
distra um pouco."

Um sorriso acompanhou a resposta cheia de ironia de Meg. "Ooookay - com
certeza."

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Quando a ilha apareceu, os quatro tripulantes foram para a cabine do piloto,
onde Megan pegou seus culos para ler, num livro bem fino, sobre a ilha.

"Erlona  a menor ilha, e a nica depentendete, no mundo inteiro.
Total de habitantes, 950. Basicamente uma comunidade pesqueira, e a maioria
das casas no tem energia eltrica. Mas nos ltimos anos foi instalada gua
corrente para todos os habitantes."

"Parece ser este o lugar!" Kyle se sentou, e colocou o tornozelo sobre o
joelho. Sua esposa o olhou, com ateno, mas ele fingiu no notar. 
"Por que no paramos l antes?"

Megan encolheu os ombros.  " longe um dia e meio para o prximo porto.
E no parece que Erlona tem muito para oferecer."

Scully, vestida com uma camisa branca e um short azul, olhou para a ilha
usando o binculos. "Sabemos alguma coisa sobre os habitantes?  um territrio
americano? No estamos navegando em mares cubanos, no ?"

"Uh," Meg esquadrinhou a pgina.  "No. Erlona est sob a proteo das Ilhas
Bermudas, mas ningum reivindicou-a. Eles praticam uma relio chamada 
Dion-ru.   politesta. E seu idioma  Erlcan, qualquer que seja isso. Mas aqui 
diz que quinze por cento da populao falam ingls ou francs."

"Pelo menos temos o ingls" Mulder falou, seco. Ele se sentia intil no estado
atual dele. Seu instinto dizia para investigar o que aconteceu com o barco,
como um arquivo X. Mas estas frias eram tanto dele quanto de Scully, e pela primeira
vez em sua vida, ele estava disposto a deixar o mistrio de lado, e deixar ele
ser resolvido por lgica convencional.

Ele se sentou e ficou quieto. Definitivamente ele estava ficando velho.

"Espero que no precisamos sobreviver com o francs de Meg" Kyle caoou.
Ela bateu no joelho dele. A brincadeira deles fez Scully sorrir. Ela parecia gostar
de ver o casal interagindo. O que parecia dar certo, Mulder pensou, j que o casal
parecia gostar da audincia.

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A ilha era sem par. Da costa, voc podia ver quase tudo; da montanha quebrada
no centro, como se algum tivesse pego uma enorme concha diretamente do seu
meio, para a selva abundante que a cercava, para o branco brilhante das
prais, e a cidade cheia de cabanas simples e coloridas. Era um paraso tropical
que de alguma maneira tinha parado no tempo.

Mulder quis saber quais seriam suas chances de encontrar um rdio que passasse
o jogo dos Knicks.

Antes que o barco fosse amarrado, trs homens do porto saram para cumprimenta-los,
e ambos eram um pouco mais baixos que Mulder e Kyle. Suas peles eram escuras
e curadas pelo sol. O homem da esquerda usava cala de um vermelho desbotado que
penduravam em seus quadris, e terminava abaixo dos joelhos. Ele pisou adiante
e bateu no prprio ombro dele duas vezes.

"Ingls?" ele enunciou com um sotaque que Mulder nunca ouviu antes.

Kyle cumprimentou calorosamente e imitou o gesto no prprio ombro.  
"Ingls, por favor! Assim que eles apertaram as mos, ele explicou alguns
problemas sobre o barco, e perguntou quanto custava alugar um lugar para
o barco por uma noite ou duas. O homem mais velho ficou contente em ajudar.
   
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O restaurante era quase elegante em sua simplicidade.  Era ao ar livre, o cho 
ladrilhado por vrios metros alm do telhado. Tochas enormes clareavam o 
permetro. E junto com as velas de cada mesa, a atmosfora toda
mantinha um calor dourado. Mulder se sentou perto de Kyle, tentando desfrutar o 
vinho doce e agradvel que o garom lhes apresentou.

Atrs deles, perto da cozinha, uma msica,  um solitrio clarinete, comeou
a tocar. Mulder conferiu seu relgio /Onde inferno estava Scully?/

As duas mulheres tinham ficado pra trs, nos bangals gmeos (Muito para
o alvio de Mulder - terra seca!) dizendo algo sobre coisas de mulher e que
precisavam se parontar, e tinham mandado ele e Kyle pra fora.

Mulder no gostou de ter sido mandado embora to facilmente. Era algo
que Scully nunca fez com ele antes. Mais uma vez ele se sentiu um peixe
fora d'gua, sem saber como discutir. Ele no tinha controle sobre ele mesmo
ou sobre o meio ambiente em que estava, e isso o estava deixando louco.
E o que o aborrecia mais era que parecia que ele estava sozinho nisso.

"Ento..." Kyle tomou um gole do vinho, e comeou a conversar. "H quanto
tempo voc conhece Scully?"

"Uns cinco anos, por a."

"Acho que deve ser fascinante trabalhar para o FBI" ele disse, sorrindo.
"Mostrar seu distintivo. Ver o olhar de terror nos rostos das pessoas."
Mulder encolheu os ombros e olhou para uma onda quebrando na costa.
"Eu sei disso. O pai de Meggie era um policial em Detroit. Um capito, na
verdade. Ele me assustou  bela, algumas vezes" ele riu ligeiramente.

Mulder olhou para o relgio de novo. 8:44 da noite. Ele olhou para os bangalos,
e como se por magia, ela apareceu em seu campo de viso, num vestido branco
e longo, que ele nunca viu antes. O cabelo estava preso sobre a cabea, e descia
ao redor de seu rosto, e a nica jia que ela usava era o crucifixo de ouro
no pescoo fino.

Ela parecia uma pintura. To adorvel quanto o ambiente ao redor.

Mulder ficou de p quando elas se aproximara, num gesto forma que Kyle 
imitou. Megan, Mulder notou, tambm estava bem vestida, e recebendo mais do que
pouca ateno de seu marido. Mas os olhos de Mulder s olhavam para
Scully.

Quando ela se sentou, ele pegou uma rpida viso da parte de trs do 
vestido, que eram apenas correias finas entrelaadas por pequenos aros
que estavam amarrados perto de sua cintura. /Deus todo poderoso/

Ele se sentou perto dela, e casualmente colocou um guardanapo no colo.

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O jantar de carnes irreconhecveis, e frutas, foi seguido por um passeio ao
longo da praia, a pedido de Megan. Ela e Scully tiraram suas sandalias finas,
e andaram na frente dos homens, rindo e jogando olhares para eles, de vez
em quando. Scully tinha bebido quase quatro taas de vinho no jantar, e Mulder
podia ver que ela estava zumbindo. Ele quis poder fazer o mesmo.

Depois de uns vinte minutos, Kyle chamou sua esposa. "Meggie, venha. Vamos voltar."

Ela parou e disse algo baixinho para Scully, antes de voltar. Scully no 
a seguiu.

"O que houve? Voc est bem, Scully?" Mulder se aproximou enquanto ela observava
Megan pegar o brao de seu marido, e voltarem pelo caminho. 

"Eu estou bem. S no estou pronta para voltar ainda."

No, claro que no.  Mulder no tinha bastante areia em seus sapatos.

Quando seus anfitrioes se afastaram o suficiente, Mulder olhou para o mar
e declarou. "O jantar foi interessante. No sabia o que estava comendo, mas espero
que no volte para me morder."

"Foi bom" ela resmungou, distrada. Ela ainda estava fitando para onde 
Megan e Kyle foram.

"Ei, Scully". Ela estava fazendo isto de novo. A distrao dela comeou no ltimo
caso deles. Na ocasio, Mulder pensou que era um mecanismo de defesa 
relacionado  tenso, mas talvez fosse mais. Um sintoma?

Ela virou para o oceano, e respirou fundo. Seus olhos estavam largos e 
midos. "Eles formam um grande casal, no ?"

Mulder no podia parar de pensar que esta era uma das vezes em que Scully
estava dizendo uma coisa, mas que significava outra coisa completamente
diferente. Ele ficava irritado quando ela fazia isso, pois ele nunca
poderia entender o que estava na cabea dela. E o que ela queria que ele
respondesse.

"Claro". Vamos l, Scully, me d algo mais para continuar...

Mas ela no deu. S suspirou e cruzou os braos, deixando a brisa brincar
com seu cabelo. Estava escuro na praia, mas a lua estava alta no cu,
e seu brilho realou a face de Scully como se fosse um sol que brilhava
s para eles. Ela olhou para baixo, olhando o  prprio vestido, e
ento suspirou de novo. "Voc no est se divertindo." ela olhou para
ele. "No ?"

Ele podia dizer que sim, que estava se divertindo  bea, especialmente
quando ela o encarava assim. Mas ele no estava se divertindo, tambm.
Mas haviam coisas piores no mundo do que sair velejando e terminar numa
ilha tropical junto com Scully. Ele testemunhou muitas dessas ocasies, de
primeira mo.

Ela acenou com a cabea antes que ele pudesse responder. "Voc disse que tudo
que eu tinha que fazer era dizer a palavra, e ns iriamos pra casa, certo?"

"Uh, sim... certo."

"Ento estou falando a palavra agora."

Espere. Sobre o que eles estavam falando? Mulder tremeu a cabea, confuso.
"Mas eu pensei... voc no disse que estava se divertindo? Voc no est?"

"Mulder, como eu posso me divertir quando voc est miservel?"

"Eu no estou miservel, Scully."

Ela rolou os olhos, exasperada. "Por favor, Mulder. Voc ficou doente todas
as noites."

"Eu no fiquei doente esta noite" ele disse, esperanoso.

"Yeah, e olha onde estamos" ela correu a mo pelo rosto e deu um pequeno sorriso.
"Aprecio o que voc tentou fazer. Srio. Estou tocada por voc ter ido to
distante para fazer algo assim pra mim - para no mencionar o custo. Mas j
chega, Mulder. Vamos nos dar uma folga."

Ele estava mudo, pois no tinha uma pista do que dizer e no piorar a situao.
O martrio dela o estava irritando muito. Era ele que deveria estar 
martirizado, droga! Com um pequeno encolher de ombros, ela se voltou para 
o caminho, erguendo um pouco o vestido para que pudesse andar pela areia.
Ela estava se afastando dele.

"Vou dormir, Mulder. Estou cansada."

Cansada? / Conversa fiada!/ Ela estava se afastanto dele igual  noite em
que ela se embebedou. Se eles estivessem presos juntos, numa cela, sem
lcool, ela provavelmente bateria a cabea contra uma parede at desmaiar,
s assim ela no teria que lidar com ele. No era Mulder que estava miservel.
Era ela. E ele no ia deixar ela culpa-lo.

O sangue dele ferveu.  "Sinto muito por voc pensar assim" ele s disse
isso. Ela era mais fcil de repreender quando no estava olhando para ele.
E Mulder falou para as costas dela. "Porque voc est errada. Eu no sou
miservel. Mas eu acho que devemos parar com estas frias, se, depois de tanto
tempo juntos, depois de tudo que passamos, voce no pode ver o que eu estou
sentindo de verdade" Mulder no sabia o que isso significava, a no ser que ele
no estava se sentindo miservel. E ela deveria saber.

A raiva borbulhou dentro dele, e ele apertou os punhos para segurar isso.
"E at este ponto, Scully, toda esta coisa tem sido uma mentira."

Mulder tropeou.  Ele no sabia o que estava dizendo, mas tinha que dizer.
"A parceria... a amizade. A coisa da confiana."

Ela deu outro suspiro. "Mulder, por favor, no faa isso. Voc sabe que eu
confio em voc-"

Ele no podia parar. Pelo menos ela no estava se afastando. "O suficiente para
me falar sobre seus medos? Para me dizer como voc realmente se sentia todas
estas vezes que voc estava bem? Voc realmente confia em mim, Scully? Ou voc
finge?"

Ele sabia que isso foi um golpe baixo, mas ela afrontou o desafio admiravelmente.
"Eu confio em voc, Mulder."

"O suficiente?"

Ele contou o nmero de respiraes que ela deu at responder. Mas quando
ela fez, Scully no cedeu diante de seu olhar frio. "Suficiente pra quem?
Pra voc? O quanto  suficiente pra voc?"

/Okay. Hora de uma ttica diferente/ O problema era que ele no tinha certeza do
que estava tentando faer. Ele ergueu os braos para os lados. 

"Jesus, Scully! Eu sinto como se estivesse te perdendo! Desde que voc ficou doente, 
 como se voc estivesse se afastando de mim, e tem esta necessidade de se proteger
de mim. No sou seu inimigo, Scully."

Ela ficou quieta depois da exploso dele. "Eu sei disso."

"Ento eu no entendo.  Por que voc est fazendo isto? Se afastando de mim?
Colocando esta distncia entre ns?   Voc no sente isto, tambm? Ser que voc
se importa?"

"Claro que sim, Mulder ".  

"Isso me assusta muito, Scully. Te assusta tambm?"

Ela cruzou os braos sobre o trax. "O que me assusta?"

"Me perder te assusta?" ele exigiu com a garganta apertada.

O rosto dela era sem expresso. "No."

E foi ento que a terra caiu de debaixo de Mulder.

"Mulder," ela suspirou e olhou fora.  "Eu nunca tive voc para o perder."

Ele tremeu a cabea - no podia acreditar no que estava ouvindo. Era
inconcebbel. Ela realmente o conhecia to pouco? Como ela no podia saber
a devoo que ele tinha por ela? Esta era realmente Scully?

"Seu corao e sua alma esto comprometidas com sua causa, Mulder.
Completamente."

"Eu sempre estive l para voc -"  

"No, Mulder.  Eu sinto muito mas voc no esteve. Eu estava sempre em
segundo lugar."

"Nunca!"

Ela pulou na discusso. "Sempre! Quando meu pai morreu, voc sabia que eu estava
no hospital, preenchendo formulrios, e cuidando da minha me a noite toda.
Skinner te chamou antes da meia noite. Mas s no outro dia, no trabalho, foi que
voc disse alguma coisa."

"O que?!?" ela no podia estar falando srio. O que ela esperou dele?

"E antes de Missy morrer, voc colocou aquela maldita fita em primeiro lugar.
Antes dela, e antes de mim. Eu tive que te implorar para voc desistir da fita,
Mulder, s assim eu poderia v-la. E at l, era tarde demais."

"Voc me culpa pela morte de Melissa?"

"No. Eu no te culpo por nada, Mulder."

"Mas no  o que parece."

"Isso para no falar das vezes em que voc me deixou pra trs e saiu sozinho
em busca de---"

Ah, no!  Ela no ia usar isso de novo contra ele. "Isso foi por voc! Pra
te manter segura!"

" mesmo? Voc tem certeza que no foi porque voc teria outro corpo
perto do seu para impedir seus movimentos? Ou porque j que eu era a sua 
parceira, a minha presena te foraria a pensar a colocar minha vida antes da
sua busca?"

Mulder tremeu a cabea violentamente.  "Voc no sabe do que est falando."

"Eu sei sim. Quando voc me abandonou para saltar naquele barco com o Jeremiah 
Smith, voc me deixou pra trs com aquele caador de aliengenas. E quando voc
voou para Deus sabe onde no caso do Schnauzer e me deixou investigar a construo
local SEM REFOROS-"

"Voc est me culpando!"

"No! No, eu no te culpo Mulder. Por nada disso. S estou te tentando mostrar
que eu confio em voc at onde voc confia em mim. At onde  conveniente."

"Eu confio em voc com a minha vida!"

"Sim, sua vida  fcil, no ? Mas voc nunca pensaria em confiar a mim sua
busca. Com seus segredos. Por que deveria ser diferente comigo?"

"Scully... eu..." ele ficou de p, tentando dizer que ela estava errada, mas
tendo dificuldades em achar uma falha no raciocnio dela.

"Mulder, no diga nada. Eu entendo. Voc diz que te assusta pensar que
voc est me perdendo, mas o que voc realmente quer dizer  que ningum mais
vai discutir suas teorias e vai junto com voc, no importa onde poderia conduzir,
at que voc decide as coisas sozinho."

"No, voc est torcendo as coisas."

"Estou mesmo?" o olhar do rosto de Scully mostrava que ela no achava isso. "Te
perder no me assusta, Mulder. Mas isso no significa que eu no vou sentir a
perda. O que me mata todos os dias  que voc no  meu."

"Eu olho para Kyle e Meg e sei que poderamos ter o mesmo - ou pelo menos
algo semelhante. Ns deveramos ter. E desde o comeo, bem no comeo, eu fiquei
me falando, "'Bem, talvez ele v agir no prximo ano, ou o ano depois disso."

"E de repente estou planejando o fim de semana da minha vida, e sinto que estou
dando um enorme passo, mas no mostro isso. Tento fingir que no est acontecendo,
e eu continuo trabalhando e fico me dizendo "Bem, talvez na proxima semana,
ou na semana depois disso, ou o dia depois dessa semana."

Ela piscou contra as lgrimas. "Eu j tive o suficiente. Mas no pense
por um minuto que eu no sei o que voc est sentindo, Fox Mulder. Sei
que voc est atrado por mim. Sei que voc sente um tipo de amor por
mim. Um afeto. E voc se sente dedicado a mim porque, embora eu no te
culpe por nada, voc sempre vai se culpar. Eu vejo isto o tempo todo!
Vejo sua frustrao e olhares preocupados. Melhor do que voc, eu acho."

"Mas no importa mais. No faz mais diferena. Eu s quero que voc pare.
Te amo por tentar me dar algo assim, e eu nao quero que voc se sinta
culpado por isso, Mulder... mas eu quero ir pra casa."

Arquejando e exausta, Scully ficou de p diante dele, os sapatos numa mo.
Quando ele no disse nada, ela se virou e andou de volta pelo caminho,
impedindo-o de fazer qualquer coisa. Quando ela finalmente sumiu pela folhagem,
Mulder ficou sozinho na praia, e deixou as lgrimas carem, at no poder ver
mais nada  sua frente.

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Fim da parte 5/17
