ERLONA'S HEART 3

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O barco estava balanando. Para cima, e para baixo, de um lado, para
o outro. Mulder, na cama, sentia cada onda que batia contra o barco
como se estivesse batendo nele mesmo. O maravilho jantar de galinha
que ele tinha comigo horas antes estava preso acima do trax dele.

Ele fechou os olhos e tentou ignorar como a cama e o barco pareciam
sair de debaixo dele a cada segundo e meio. Se ele pudesse se esquecer
disso, e pudesse dormir de novo, ento ele ficaria bem. Ento, seria
manh, e ele poderia ir para cima do deck de novo.

Enquanto ele estava no vento, sentindo o spray das ondas, ele foi
capaz de esquecer o movimento do barco, e at mesmo do prprio barco
em si. S a gua, o spray, e Scully apertada firmemente contra ele,
sem todo aquele balano dos infernos. L fora, ele tinha um centro
de gravidade e uma direo. Debaixo do deck, Mulder era uma caixa
no fim de um fio. E a primavera continuava lanando ele pra cima e pra
baixo, de um lado para o outro...

Quase no deu tempo de ir ao banheiro. Ele esvaziou o estomago - ento
esvaziou mais trs estmagos, s para garantir, antes de respirar. E
de repente, Scully estava atrs dele, molhando uma toalha na pia, tirando
a escova de dentes dele. Quando ele se sentiu a doena ficar mais fraca,
as mos calmantes dela estavam na nuca e pescoo dele. Ela colocou uma
toalha fria sobre a testa de Mulder.

"Melhor?"

"No. S vazio." A preocupao na pergunta dela o fez se sentir pattico.
Ele no trouxe ela de frias, para ficar cuidando dele. Ela devia
estar se divertindo. "Volte pra cama, Scully. Eu estou bem."

"Voc parece meio verde, Mulder ".

Mulder acenou com a cabea. Nada melhor do que a honestidade de sua
=parceira=. "Voc pode fazer o barco parar de balanar?"

"No-"

"Ento voc no pode me ajudar.  Volte para cama ".

Por um momento, ele podia senti-la encarando-o, sem dizer uma palavra.
E ento, ela deu um sorriso irnico, e agarrou na parte superior do
brao. "No posso acreditar que vou dizer isso, Mulder, mas volte pra
cama comigo."

"Isso, Scully. Faa isso. Chute um homem quando ele est fraco."
Era curioso que nenhum deles falou sobre a nica cama... alm desta
frase coquete de Scully. Eles foram ao banheiro, em turnos diferentes,
e ento subiram na cama e desligaram as luzes. Mulder tinha
certeza de que se ela se sentisse incomodada por dividir a cama, ela
falaria.

"Venha.  Eu lhe darei a cura para seu enjo do mar. Uma que meu pai
me deu."

Por alguma razo ele achou a situao toda estranhamente ertica.  A
idia de se deitar perto dela se tornou um desejo sexual; mas antes,
quando eles j estavam deitados lado a lado no escuro, tudo foi bem
inocente. S duas pessoas dividindo uma cama.

Mulder deixou que ela o ajudasse a ficar de p, evitando incomodar
seu estomago mais ainda. Era incrvel como a cama estava distante, considerando
que eram apenas poucos metros. Inferno, era incrvel que Scully o estava
levando de volta pra cama com ela, e tudo que ele podia pensar era
em no vomitar. Ela se deitou de lado, e bateu de leve na cama, perto
dela. "Deite-se aqui,e tente respirar pelo nariz."

"Aposto que voc diz isso para todos os caras". Era possvel estar 
fisicamente doente e excitado ao mesmo tempo?

Ele descansou a cabea no travesseiro e observou Scully enquanto ela
alisava o cabelo da testa dele, comeando a falar. "Meu pai
me explicou que a Terra  viva. No s as planetas e pessoas, mas o
prprio planeta  um organismo vivo."

"Certo. Estou familiarizado com essa ideologia". /Rpido com a
magia de cura para o enjo do mar, droga! E pra de falar com essa
voz sensual!/

"Os continentes so os rgos dela.  E os mares e oceanos so o sangue 
dela.  E as mars, o pulso da terra."

Mulder lhe deu um olhar de terror.  Flutuando num oceano de sangue
no era o visual que ele precisava naquele momento... ou, pensando
melhor, nunca. "Meu Deus, Scully, quem era o seu pai? Stephen King?"

Scully deu um suspiro aborrecido e colocou as mantas sobre os dois.
"A idia, Mulder,  que voc no  uma cortia que sobe e desce dentro
da gua. Voc est fluindo dentro dela. Voc  parte disso."
ela alisou o estomago dele para enfatizar. "Tudo que est dentro de
ns e ao nosso redor est vivo." a voz dela estava muito sensual...

Mulder sentiu a carne entre as pernas dele tremer, e ele
pulou da cama. Ento, o barco se mexeu com fora. /Inferno!/ Tudo
estava contra ele! "Eu preciso de ar!" ele pulou na escada e foi para o
deck.

"Jesus, Mulder". Scully o seguiu. "Est to ruim assim?"

Ele agarrou a parte de trs da cabine do piloto e deixou o ar frio
varrer seu rosto. /No vomite/, ele ficou cantando pra si mesmo. 
/No vomite, no fique tenso, no vomite.../

Ele foi interrompido pela voz de Scully. "Encoste pra trs, Mulder."
ela estava com um cobertor na mo, e um travesseiro no outro. Mulder
fechou os olhos. Pelo menos isso cuidado do problema de dormir.
No que ele estivesse apaixonado com a idia de dormir do lado de fora
do barco, no meio do oceano, mas era bem melhor do que ficar com a 
cabea dentro do vaso, vomitando e dando a descarga. 

Scully colocou o travesseiro atrs dele, e agora ele estava
reclinado contra a parede; e ento foi pego de surpresa quando Scully
escalou em seu colo. "S me avise antes de voc vomitar." ela puxou
o cobertor em cima deles, e se apoiou sobre o peito de Mulder. E
imediatamente, o centro de gravidade dele estava de volta.

"Voc no vai voltar pra cama?"

"Depois. Eu j te contei sobre as historias que meu pai me contava
sobre as estrelas e constelaes?"

Enquanto ela se ajeitava contra ele, o peso bem vindo trouxe uma
sensao familiar de calor. Mulder a envolveu nos braos, apertando 
bem, e a puxou um pouco mais perto. "Scully, estou com medo das 
histrias do seu pai."

Ela se mexeu contra ele, tentando encontrar uma posio confortvel para
descansar a cabea. "Estou ouvindo isso de um homem que persegue 
mutantes e serial killers..." Scully ficou como pedra nos braos
dele. E Mulder sabia o motivo. Ele tinha ficado excitado.

/Oh, droga... controle-se, homem! Controle-se!/

Ele soltou ela e resmungou, humilhado. "Uh,... eu sinto muito."

Ela no hesitou. "No precisa se desculpar, Mulder. Uma ereo 
uma reao biolgica natural para... estmulos."

Mulder fechou os olhos. /Por favor, Deus... me diga que minha parceira
e eu no estamos tendo uma conversa clinica sobre erees, enquanto ela
est se apertando em cima da minha/ "Oh, tudo bem. Agora que racionalizamos
isso, me sinto bem melhor."

Scully apertou o cobertor debaixo do queixo dela. "Que bom" foi um
sorriso que ele ouviu na voz dela? "Agora, onde eu estava? Oh, sim, as
estrelas..."

Mulder olhou para os cus.

"Jesus, Mulder," ela inspirou assombro.  "Olhe para todas essas estrelas..."

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A manh era pura nevoa. Uma neblina branca perdurava sobre eles, e ao 
redor tambm. A coberta que os cobria estava mida, e eles dois 
tambm. Ela se empurrou do trax dele, e piscou. Mulder tambm acordou.

BAQUE.  O som era idntico ao que o acordou antes. Ele olhou para
os ps dele, e viu Kyle passando pela porta. Fazia sentido que o 
anfitrio deles acordava cedo. "Vejo que vocs j esto acordados
h algum tempo." ele falou, sorrindo amplamente.


Scully gemeu suavemente enquanto se sentava, e segurava a cabea
entre as mos. Kyle olhou para o pijama mido dela. "Ou talvez no.
Voc dois no dormiram aqui em cima, no ?"

Mulder no processou o que ele disse, pois no podia tirar os olhos
de sua parceira. Ela se afastou dele, estremecendo de dor. "Scully?"

Os lbios dela tremeram.  "Remdio."

Num instante, Mulder estava descendo os degraus. Ele puxou a bolsa
dela do armrio e esvaziou tudo sobre a cama. A pequena garrafa 
marrom das plulas estava debaixo de um sapato. Ele subiu os
degraus e se ajoelhou na frente dela enquanto ela choramingava
de novo. E o nariz dela comeou a sangrar.

Ela pegou a plula grande e azul que Mulder empurrou na mo dela.
"gua".

Mulder se xingou por no ter pensado nisso, mas, felizmente, Kyle
j estava agindo, pois Megan j estava dando para ele um copo com
gua.

Engolindo a plula, Scully agradeceu as pessoas ao redor dela
com um tmido sussurro e foi para os degraus. "Devagar, Scully."
ele a ajudou descer a escada, e a deitar. Ele sabia que ela estava
com muita dor se estava aceitando qualquer tipo de ajuda. Kyle apareceu
com uma manta limpa. "Ela vai ficar bem?"

Mulder acenou com a cabea e encolheu os ombros ao mesmo tempo.
Nunca teve dor junto com o sangramento. Pelo menos, no que ele soubesse.
Mas ento, ele tambm no sabia para o que serviam as plulas. 
  
Ele no sabia o que fazer, e tentou ajudar. "Eu vou trocar a roupa
dela e deixa-la descansando um pouco mais." 

Kyle acenou com a cabea, e saiu, deixando-os sozinhos.

No chao, entre a baguna que ele fez com a bolsa dela, ele pegou
uma camisa grande e uma calcinha. "Certo, Scully, vamos l. Antes
que voc durma, vamos trocar a sua roupa." ele ajudou-a a se sentar,
e mais sangue gotejou do nariz. "Scully, voc ainda est sangrando!"
/Droga!/ Ele no sabia o que fazer.

"S me d a camisa" ela murmurou e tirou a blusa cheia de sangue.
Automaticamente Mulder se virou, dando para ela alguma privacidade.
Aparentemente, ela nem mesmo  ligou se Mulder a visse nua aquela
altura. Todos os alarmes internos dele estavam gritando.

Ele ficou trocando os ps, incapaz de jogar longe a frustrao.
Ele ainda podia ver a escova de dentes na pia do banheiro. O mesmo
banheiro que o lembrou que papel higinico poderia ser bom para
limpar o nariz dela, e estancar o fluxo. O crebro dele estava 
comeando a trabalhar de novo.

Mulder voltou com um chumao de papel ao mesmo tempo em que
ela estava subindo a calcinha por sobre os quadris, e ele ofereceu
o papel. "Scully, preciso saber  o que est acontecendo. Voc j
sentiu esta dor antes? Ns deveramos voltar e te levar pra um
hospital?"

"No". Ela pegou o papel e esfregou o rosto. "No. Eu estou bem.
s vezes eu tenho dores de cabea. A plula ajuda" ela deitou e 
colocou um brao sobre os olhos. "Quando estou com dor, minha
presso sanguinea sobe e ento, s vezes, os vasos sanguineos se
rompem, e eu sangro. Assim que a dor diminuir, eu vou ficar
melhor."

"Ns vamos voltar, Scully. Eu no sei o que estava pensando, te 
trazendo pra to longe de um hospital e---"

"Mulder, me escuta."

"Eu estou escutando!"

"Mulder! Escuta!" ela respirou fundo. "No h nada que um mdico ou
um hospital possam fazer por mim, diferente do que estou fazendo.
E eu prefiro fazer isso aqui."

"Mas Scully, eu acho---"

"Mulder, por favor.  S me deixe deitar aqui por algum tempo, e vamos
conversar sobre isso mais tarde, ok?"

/Droga!/ ele se ralhou. /Deixa ela sozinha, seu idiota! Ela precisa
descansar, e no de algum perturbando a cabea dela/ "Certo, Scully."
Ele colocou a manta sobre ela, e relutante, a deixou dormindo.

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Megan e Kyle estavam sentados  mesa, quando Mulder entrou no meio
da conversa deles.

"Que mais voc sabe?" Megan exigiu, o dedo balanando a cinza do 
cigarro.

"S isso. Ele deitando ela na cama, e uma tonelada de sangue" Kyle 
encolheu os ombros. "Eu nem mesmo me lembraria disso, exceto pelo
nariz sangrando e---" ele parou quando sentiu Mulder entrando no
quarto. O casal se separou, e a conversa morreu.

"Estou interrompendo alguma coisa?" Mulder sabia que estava, embora
a resposta deles fosse negativa. "Vocs estavam falando sobre 
Scully?"

Kyle acenou com a cabea lentamente, e colocou um pouco de caf para
Mulder. "Ela est bem?"

"Yeah". Mulder sentou-se perto de Megan, e cruzou os braos sobre
a emsa. /Oh, inferno. Quem ele estava tentando enganar?/ "No. Ela no
est bem. Mas eu no sei o que fazer."

"Qual  o problema dela?"

Quanto revelar?  Era a histria de Scully, e ela que tinha que contar,
e ela deixou bem claro que no queria que ninguem soubesse.
E ele no conhecia estes dois. Aquela frase familiar "No confie em
Ninguem", estava gritando dentro da mente dele. "Ela tem esse sangramento
de vez em quando. Mas as dores de cabea so novidades pra mim."

Megan deu uma tragada no cigarro. "Ela j foi ao mdico?"

"Yeah, o melhor.  Mas parece que ninguem oferece qualquer soluo."

Ela no desistiu. " to srio assim?" 

Mulder tragou. Ele no estava falando nada, mas Megan leu no silencio
dele e estremeceu. "Isso no  s um problema no nariz, no ?"

"Eu quero leva-la para um hospital. Ns temos que voltar." ele
falou, cortando a conversa.

Kyle arranhou o lado do pescoo. "Mas tem uma coisa. No temos certeza
de onde estamos." 

A Sirene Interna de Catstrofes de Mulder comeou a soar. "A nvoa...
bem, no h nenhuma visibilidade. E o rdio est morto---"

Megan interrompeu.  "No morto, mas no faz nada. Nem conseguimos a 
esttica fora dos canais."

"E sobre os outros equipamentos?"

Kyle encolheu os ombros.  "O sonar diz que estamos a trs ps do
fundo, o que  impossvel---"

"O Lady precisa de nove ps para flutuar."

"E a bssola diz que estamos de cara para o norte, no importa em
que direo nos a apontamos."

Se virando para o seu marido, Megan argumentou. "Devemos estar em
algum campo ou bolsa magntica ou algo assim" 

Mulder notou que a mo dela tremia ligeiramente. Um pouco de cinza
caiu sobre a mesa.

Foi neste momento que Mulder queria saber sobre barcos. Nada disso
fazia sentido pra ele. "No podemos simplesmente sair velejando?"

Megan tremeu a cabea. "No tem vento suficiente, alis, nem uma
brisa para levantar a vela."

"E sobre o motor?"

"Daria certo, se consegussemos coloca-lo para funcionar."

Estava dando tudo errado ao mesmo tempo? "O que aconteceu com o motor?"

Kyle e Megan trocaram olhares inseguros.  "Fala voc." Kyle
urgiu.

"Est congelado".

"Congelado?"

"Slido. Tem gelo e cristais por toda parte. A gasolina do tanque
est cristalizada."

Mulder tremeu a cabea.  Isso no era possvel. "Voc tem alguma
idia a que temperatura a gasolina congela?"

Megan apanhou o caf e tomou outro gole.  "Acho que a uma temperatura
mais baixa que a temperatura da gua do mar congela. Mas no sei o que
dizer. A coisa congelou."

Por um momento, Mulder olhou para os dois. Kyle, de camisa
vermelha, a caneca nas mos, rodando. Megan olhava para Mulder por
cima dos culos ovais dela, enquanto ele digeria a informao.
Nenhum deles sabia o que fazer. Eles pareciam estar to perdidos
quanto ele. E ele acreditou nos dois. No sabia o motivo, e era 
contra seu julgamento, mas Mulder no achava que eles estavam mentindo.

Megan esmagou o cigarro num enorme cinzeiro e acendeu outro. Parece
que ela estava tentando encher o cinzeiro com guimbas. "Olhe, ns
sabemos que parece loucura---"

"No." Mulder levantou uma mo para impedir a defesa dela. "Acredite
em mim. Quando eu tiro frias, no espero nada menos que algo assim."

"A Lei de Murphy te segue o tempo todo?"

"Algo assim.  Olhe, eu vou conferir Scully."

Eles acenaram com a cabea, tristes.

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Do lado de fora, nada tinha mudado. Megan estava certa: no havia nem
uma brisa leve para mandar a neblina pra longe. O ar estava pesado
e imvel. A gua balanava contra o barco,  mas era fraca. O mundo
estava dormindo ao redor deles.

Da porta do quarto, Mulder olhou para baixo, para sua parceira adormecida.
Morg arquejou, feliz, ao lado dela, oferecendo mais conforto do
que ele tinha sido capaz de dar.

Ele entrou no quarto e comeou a arrumar a baguna que tinha feito
mais cedo, mas foi incapaz de colocar as coisas dela como estavam, ento
ele s colocou as coisas junto. Ele dobrou uma camisa branca dela,
meias enroladas, e pegou uma meia fina, dobrando. Voc enrolava ou
dobrava a meia fina? Mulder no sabia. Sem pernas dentro, as meias
eram.... estranhas. Ele as colocou na bolsa.

Megan cutucou a cabea no quarto. "Ah, a est voc" ela ralhou
com Morg, num sussurro. O rabo do cachorro golpeava contra a cama.
"Morg, voc est incomodando estas pessoas?"

"Morg? Por que voc deu para ela o nome de Morg?"

Megan sorriu, e respondeu. "Morgan le Fey".

Isso fez sentido pra ele. "Camelot". /E a Senhora do Lago. Acho
que todo mundo tem um tema na vida./

"Eu sempre gostei da Lenda de Arthur. Cavaleiros e amor verdadeiro,
honra, e tudo mais.  irresistvel" ela olhou para o cachorro.
"Morg a est incomodando?"

"Parece que no."

"Ento eu vou deixa-la a. Se ela atrapalhar, mande ela embora."
Megan se virou e sumiu na nvoa.

Com um suspiro ressonante, Mulder colocou a bolsa no armrio, e voltou
para cama, para Scully. Ele no deveria te-la deixado dormir no deck com
ele. Diabos, ele no deveria te-la tirado da ter. Ela estava doente
demais para ficar longe da civilizao. Simples. Se Mulder pudesse se
chutar na cabea, ele faria isso.

Mas, ao invs, ele se deitou com ela na cama, com o cachorro entre
eles.

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Quando Scully acordou, o relgio de Mulder dizia que eram 10h23. Ento,
para ele, parecia fazer sentido quando o relgio de Megan mostrava
3h45 e o relgio da sala comum marcava 7h01. 

"O que est acontecendo aqui?" Scully bebeu o caf que foi colocado
na frente dela, mas quase no tocou na torrada e na laranjada. Mulder
tentou no pensar nisso, enquanto Kyle falava sobre a situao.

"Meg e eu j fomos ao Ninho dos Corvos, no mastro da vela,
 e acredite ou no, quanto mais alto voc estiver, pior fica 
a neblina. Nos 20 anos que tenho velejado, eu nunca vi nada assim"
ele correu um dedo sobre a sobrancelha.

" minha sorte. Encalhada no Triangulo das Bermudas, e eu nem mesmo
posso pegar um bronzeado." a piada dela foi fraca.

Mulder observou enquanto ela brincava com a colher, e no suco, ao invs
de comer e beber. "Como voc est se sentindo, Scully?"

Ela acenou com a cabea, mas no olhou pra ele. "Eu estou bem".

Claro que ela estava. Mulder no sabia por que ele se incomodava em
perguntar isso.

Megan estava na sala de mapas. Ela entrou, e falou com o grupo. "No
sei mais o que pode ser feito, no pelo menos at que o vento aumente, 
ou o motor descongele. Verificamos o barco e no encontramos nada
errado com ele. Visibilidade  zero. E o radio no funciona. Ento,
resumindo, eu acho que estamos  deriva. E temos que esperar. Ento,
por que no aproveitarmos o tempo? Est quente l fora, mesmo que
esteja um pouco mido, e temos provises para duas semanas."

Scully piscou.  "Vamos ficar vagando at a comida acabar?"

Megan encolheu os ombros. "Ns estamos aceitando sugestes."

Kyle se intrometeu. "A pergunta aqui  sobre a sade de Scully, e se
precisamos leva-la para um hospital e---"

Ela nem mesmo o deixou terminar. "No. Eu estou bem. Isto acontece
de vez em quando. Na verdade, no deve acontecer de novo to cedo,
e ainda bem que aconteceu agora."

Mulder se apoiou nela.  "Nada garante que a nevoa no vai sumir to
repente quanto veio. Podemos sair daqui hoje  noite ou amanh---"

"Mulder, olhe para mim". Ela segurou as mos na cabea dele e 
forou seu rosto a ficar polegadas do dela. "Eu s vou dizer isso
mais uma vez." os olhos dela estavam claro, e as sobrancelhas erguidas.
"Eu estou bem, Mulder. Bem. Eu sou mdica, e sei como me tratar."

"Mas -"
 
"Voc disse que eu podia cancelar as frias na hora em que eu quisesse,
e eu posso fazer isso, sem hesitar, caso necessrio."

"Sim, mas -"

"E eu espero que voc acredite que at que chegue a hora" ela 
enfatizou a ultima expresso, e um calafrio correu por Mulder.
"Eu sei o que estou fazendo. Confie em mim."

/Droga/ Outro calafrio.

"Scully". o nome dela parecia estranho na boca dele. "Voc me 
assustou como o inferno" 

Um sorriso macio deslizou nos lbios dela, desfazendo a mscara, e ela
relaxou na cadeira. Porm, o olhar dela permaneceu fixo nele.

"Obrigada por sua preocupao, Mulder, mas isso no  necessrio neste
caso."

Mulder olhou pra baixo, e acenou com a cabea. /Tudo bem./ Ele
deixaria Scully dar as ordens. Por enquanto.

"Ento... quem est disposto a jogar?"

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"Mulder, por que voce chama ela de Scully?"

Kyle estava descascando uma fruta, e lanando pedaos para Mulder,
no estilo de beisebol, que comia. Para um homem encalhado em lugar
nenhum, ele parecia estar aproveitando. Eles estavam espreguiados
na frente do barco. A nvoa ainda os cercava, e parecia estar diminuindo,
mas seu progresso era dolorosamente lento.

Mulder olhou para baixo, para a ma. "Por que esse  o nome dela."

"Se eu chamasse Meggie de Murphy, acho que ela me bateria." ele
olhou para Mulder, pensativo. "Mas esse  o nome de solteira dela.
Acho que as coisas ficariam confusas se ns dois respondssemos
quando algum chamasse Duvall."

"Ns somos parceiros. FBI. Isso vem com o territrio." Mulder comeu
a maa, e pegou o proximo pedao que Kyle jogou pra ele.

"Ento vocs trabalham juntos?" Mulder acenou com a cabea. Suco gotejou
no canto da boca. "Muito perto?"

"Muito. Scully se transformou na minha melhor amiga."

Kyle achou isso fascinante. "Mas isso no faz tudo ficar mais difcil?
Vocs levam trabalho pra casa?"

"Oh. No... Scully e eu. . . ns estamos juntos. Ns somos apenas
parceiros."

No minuto em que Kyle demorou para processar a declarao de Mulder,
as expresses faciais dele mostravam que ele estava entendendo isso
gradativamente. "Ento,  para isso que serve esta viagem. Juntos...
Entendi."

Mulder tragou.  "No. Isso era algo que Scully queria fazer. Meio que
a ltima viagem dos sonhos." A expresso bem branco de Kyle fez
Mulder continuar a explicao. "No estamos juntos como um casal. 
Somos apenas amigos. Melhores amigos."

"Voc  gay?"

"No!"

O olhar ferido de Mulder fez o homem encolher os ombros. "Ei, foi s
uma pergunta" ele cortou outro pedao da ma e jogou para Mulder.
"Ela  lsbica?"

"No. Nenhum de ns  gay, e isso no  da sua conta."

"No  mesmo." ele descascou o pedao que tinha nas mos, olhando para
Mulder, pensando. "Ela  casada?"

Mulder fechou a cara. "Ela no  casada, e antes que voc pergunte,
eu tambm no sou."

Kyle lhe jogou outro pedao, aparentemente nem a para a exploso
de Mulder. Ele se sentou contra a grade de cordas e estudou o caroo
da maa. Mulder podia ver a mente de Kyle trabalhando. Ento, sem
avisar, ele jogou o resto da maa por cima do ombro. Houve um barulho
macio quando caiu na gua. "Mulder, eu no consigo entender" ele parecia
sincero em sua confuso. "Ela  uma mulher bonita. Por acaso ela no
 o seu tipo?"

"Kyle, ela  minha *parceira*". Era bvio que a ltima frase que Mulder
falou no foi registrada por Kyle. O homem pode saber de tudo sobre um
barco, mas ele no sabia nada sobre o protocolo do Bureau. Ou sobre o
comportamento profissional de Scully. No havia jeito de Scully considerar
se envolver romanticamente com qualquer um que fosse o parceiro dela.

Outro esguicho maior veio das imediaes da parte de trs do barco.  
Seguido por outro.  Ambos seguidos por risadas femininas. Mulder ficou
de p, correndo ao longo da grade, enquanto gritava, "Scully!"

Em resposta, ele ouviu um riso que poderia ter sido dela, a no ser
que estava leve e mais borbulhante do que qualquer coisa que ele j 
ouviu antes. Na cabine do piloto, ele achou as roupas que ela estava
vestindo naquele dia. Tudo - at as roupas de baixo. "Scully?"

"Venha, Mulder. A gua est fria, mas est tranqila" ele podia v-la
sorrindo de orelha a orelha. Ela estava nadando, e se divertindo muito.
Mulder sorriu tambm. Ela estava contente, finalmente. E muito nua.
/Que maravilha de combinao/

Megan apareceu perto dela, e tirou a gua do cabelo. "O Atlntico
quase nunca est to calmo. Voc deveria vir, Mulder. Talvez nunca mais
voc tenha esta chance."

Kyle estava ao lado de Mulder.  Ele parecia mais crtico da gua que
as duas mulheres. "Meg, voc tem certeza de que isso  seguro? Esta 
a mesma gua que congelou o motor. E o oceano est muito parado."

"Ora... pare de ser um bobo.  o tempo que est estranho."

"Talvez estejamos no olho de algum tipo de ocorrncia atmosfrica."
Scully ofereceu.

Mulder estava junto com Kyle nas preocupaes. "Tubares?"

Megan deu um tapa exasperado de gua.  "No tem nem corrente aqui.
Um tubaro morreria afogado." Ento, ela se virou para Scully, dando
um tapa brincalho nela. Scully devolveu o tapa... e imediatamente
comeou uma guerra de gua. A risada delas e a gua espirrada encheu
o ar, e s ento Mulder percebeu como as coisas tinham sido quietas.
Nada de pssaros, ou civilizao.Nenhum vento. Nenhuma onda se quebrando.
S as cordas ficando tensas, e as moas rindo.

"Venha Mulder, junte-se a ns!" ela acenou para ele com um brao molhado
e nu. Ela jogou a cabea pro lado, sedutora, e ronronou. "Eu prometo
que no vou morder..."

Kyle se aproximou dele. "Tem certeza de que vocs no esto juntos?"

Mulder apertou o queixo. Ele no sabia mais o que fazer. Agora, ela
estava paquerando com ele em publico. No que Megan e Kyle fosse tanta
gente assim, mas mesmo assim... ela no estava jogando justo. Ele 
enrijeceu os ombros. Como ela esperava que ele respondesse?

Ser que ela queria que ele ficasse nu e pulasse dentro da gua, como
ela? Ele deveria fazer isso, s para choca-la. Mas, o que isso
provaria? Que ele era mais forte que ela? Que ele podia afrontar
seus desafios, e vence-la em seu prprio jogo? Ele no queria
fazer isso. Mas isso queria dizer que ele iria deixa-la ganhar?

Mulder tremeu a cabea, e desceu para o quarto deles.

O quarto deles.  A ironia o fez querer gritar.  Ele ouviu mais
gritos de risada e outro esguicho.  Do som disto, o cachorro tambm
estava brincando, com vrios latidos brincalhes, mas, sobre isso,
ele poderia ouvir a voz de Scully, preocupada. "Mulder?"

Ela apareceu toda molhada, com uma toalha enorme ao redor do corpo.
"Mulder, qual  o problema?" ela tremeu um pouco a escada. "Voc est
bem?"

"Claro". Ele estava sentado na beirada da cama, tentando no notar a
gua que pingava pelos ombros dela. /Voc estava furioso com ela/
ele tentou se lembrar. "Por que eu no estaria bem?"

"Voc est se sentindo mal de novo?" ela andou, e agora estava na frente
dele. 

"No. No desde ontem  noite." Como os dedos dos ps dela podiam ser
to pequenos?

"Se isso foi por causa daquilo... eu s estava brincando, Mulder."

/Brincando. Certo. Brincando, arreliando, paquerando, seduzindo;
chame do que quiser/ Ele queria brigar com ela por causa disso?
/Inferno, no!/ Ele no queria brigar com ela por nada. /Mude de
assunto! Volte para os papis de agentes. Ns somos bons nisso./
Esses papis estavam claramente definidos.  E no era como se
eles no tivessem um arquivo x agora mesmo. "Scully, o que voc
acha que est acontecendo aqui?"

Scully observou, assustada. Humilde, ela deu um passo para trs,
encostando-se na parede. "Eu... no sei. O que est acontecendo, Mulder?"

Ele encolheu os ombros. "No sei. A bolsa de energia eletromagntica
pode fazer sentido, mas isso no explica o motor ou o tempo estranho."

"Voc est falando sobre o que est acontecendo com o barco?"

"Yeah". Ele hesitou.  "O que voc pensou que eu queria dizer?"

"Uh..." ela se virou e pegou um grosso roupo de um dos cabides. "Todos
eles podem no ter uma conexo com os eventos."

As mos dela estavam tremendo.  "Scully, voc est bem?"

Ela foi para o banheiro. "Estou bem. Vou tomar um banho, e tirar a
gua salgada do corpo."

A porta se fechou, e ele ouviu o trinco. No era uma fechadura de verdade,
a mente de Mulder argumentou. Se algum quisesse entrar no banheiro, ou
em qualquer outro compartimento do barco, no seria difcil. Mas o som
fez um bolo crescer em sua garganta, mesmo assim.

Fim de 3/16

