PARA RESUMO E RETRATAES, LEIA A PARTE 1

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ERLONA'S HEART PARTE 2/17

Mulder andou pelo cais um pouco ofuscado, e colocou as bolsas dele
ao lado das de Scully. Sua opinio de que o barco era grande no foi
precisa o bastante, ele decidiu. Mamute era uma palavra melhor.

A madeira do casco era avermelhada e estava dourada pelo sol da tarde.
Enquanto ele andava para o final do barco, ele notou as cordas largas e os
bales brancos que flutuavam ao redor do barco, que estava em excelente
condio. Debaixo da janela no fim do barco, ele viu a "Senhora do Lago"
pintada. Achamos o barco certo, ele pensou. E seu estomago se torceu.

S ento ele notou o cachorro latindo.

No deck, bem diante de Scully, um cachorro cor de ferrugem, enorme, 
estava abanando o rabo com muita animao, latindo respostas para 
Scully. 

"Voc  um bom cachorro, no ? Voc , no , querido?" 

E sem dar nenhum aviso, o co de caa super animado pulou sobre sua
parceira. Ela ganiu, surpresa, quando os dois caram para trs.

"Scully!" Mulder correu na hora, sabendo que ele no ia chegar a tempo
antes dela cair no cho.

O cachorro pousou forte sobre o abdmen dela, que soltou um grunhido
que deveria ter todo o ar nos pulmes dela, pois ela no fez nenhum
movimento para se sentar, ou empurrar o animal de cima dela. Eles no 
tinham cado na gua, mas chegaram perto; e enquanto ela ficava
deitada l, imvel, o cachorro lambia o rosto dela com um vigor imenso.

Mulder afastou o cachorro hiperativo. "Scully, voc est bem?"

Ela acenou com a cabea, tentando recuperar a respirao depois que perdeu
o folego to de repente.

Uma voz masculina exclamou, "Meu pai do cu! Ela est bem?"

Atrs deles, um homem grande pulou ao chao, tirando a ateno de
Mulder por um momento. No prximo momento, os pulmes de Scully responderam
e ela ofegou, engolindo ar. As mos dela apertavam os braos de Mulder,
tentando se levantar.

"Devagar, Scully. S respire um minuto" o que, na verdade, era tudo que
ela conseguia fazer.

O homem ficou atrs de Mulder, e falou, na sua voz grossa. "Eu sinto 
muito... Morg geralmente no  assim. Ela s  amigvel demais."

"Eu posso ver."

"Eu estou bem, Mulder". Soltando-se dele, Scully ficou de p. Ela escovou
a cala comprida e deu um sorriso fraco para o homem  frente deles.

"Eu sou Kyle" ele falou, oferecendo a mo larga para ela. Com um olhar
crtico, Mulder olhou para Kyle. Ele no era o que esperava. 
Quando a mulher no telefone tinha explicado que ela e o marido dela
eram os donos do barco, ele pensou num casal mais velho, com cara de
mar. Kyle... bem... ele parecia... um cara legal.

Ela aceitou o cumprimento e apresentou Mulder como se nada tivesse
acontecido. Equilibrada e profissional at o ltimo minuto, ela se
recuperou em tempo record.

/Como ela faz isso?/ ele se perguntou, maravilhado.

"E agora que voc conheceu Morg, deixe-me mostrar o barco. Megan, minha
esposa, deve estar de volta em meia hora." ele se virou para Mulder.
"Ela foi pegar o pacote que voc mandou."

Kyle parecia muito natural com Mulder, tirando a ansiedade dele. O
homem parecia capaz de combinar excitao e calma nas caractersticas
dele, e Mulder gostou disso. 

Mulder acenou com a cabea, e evitou o olhar curioso de Scully, de 
propsito. Ele queria prolongar a surpresa s mais um pouco. As coisas
no estavam indo to suaves quanto ele esperava, mas pelo menos agora
eles tinham conhecido Kyle, e isso j era alguma coisa.

"Voc vai ter que tirar seus sapatos e meias" o anfitrio falou, olhando
para os sapatos beges e no muito prticos de Scully, e que Morg estava
cheirando. "Sapatos de sola dura so ruins para o deck, e as meias
escorregam. Vocs vo precisar de tnis ou algo com solado de borracha."

/Droga. Outro furo. Mas um simples/ ele emendou. A caixa ia estar
l logo. "Ela no pode ir descala?"

"Uh..." Scully olhou para os ps de Mulder, e ento para os dela.
"Eu s tenho estes, sinto muito."

Kyle acenou com a cabea, pensando. "Por enquanto, tudo bem. Estamos
ancorados, ento deve ser seguro. Vou pegar a escada de mo para vocs."

Ele foi para o fim do barco e sumiu, deixando Mulder sozinho com
sua parceira, que o encarava. Ele sabia, sem dvida, que ela estava
exigindo uma resposta pelo que ele tinha planejado. Os olhos dela falavam
tudo. Ele se fez de bobo, e tirou os prprios sapatos, pegando um 
par de Nikes da bolsa dele.

"Ento..." Scully exalou, incapaz de esperar por ele, que agora
desfazia os cadaros. "Ns vamos passar o dia velejando?"

"Talvez".

"Mulder, isto  um jogo ou algo parecido? Por que voc no me diz o que
est acontecendo?"

Ele comeou a trabalhar no outro sapato e tentou manter o rosto neutro.
"Ns estamos de frias, Scully. Relaxe. Est tudo sob controle."

"Skinner sabe onde estamos?"

Skinner?  Ele a levou por metade do pas, at o oceano, e tudo que
ela podia pensar era sobre trabalho? Mulder franziu a sobrancelha.
Ela estava pegando os maus hbitos dele. A viagem, Mulder decidiu, ia
ser boa para ambos, contanto que ele conseguisse fazer com que ela
se esquecesse do FBI, das conspiraes, e dos perigos. Ele j estava
tentando se esquecer.

"Ele sabe que vamos ficar fora por algum tempo, se  isso que voc
quer dizer."

"E quanto  'algum tempo'?"

"Oh, voc sabe.  Mais que um momento, e menos do que sempre."

"O que voc est escondendo de mim?"

"Nada. Estou apenas guardando a surpresa at que todos os pedaos
estejam aqui."

"Voc est esperando pela esposa dele? E pelo pacote?"

"Chega de perguntas, agente Scully. Saia do interrogatrio. As
frias comearam."

Ele estremeceu ao pensamento. /Isso  bom pra mim... isso  bom pra mim...
isso  bom pra mim.../

Kyle voltou e ajustou a escada contra o casco do barco. Scully,
relutante, tirou os sapatos e subiu a bordo, pegando a mo que lhe era
oferecida. Mulder a observou olhar o barco de sua nova posio. A face
dela se iluminou. Enquanto ele passava as bolsas para Kyle, ele viu
ela passando um dedo sobre as grossas cordas que ancoravam o barco ao
cais.  Ela estava entusiasmada por estar ali, mesmo que no quisesse
admitir. Foi isso que ela pediu. No importava que no era o que ele
tinha em mente.

Mulder sentiu um calor de felicidade passar por seu corpo. Ele tinha
feito a coisa certa.

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Por dentro o barco era to impressionante quanto por fora. 
Kyle os conduziu para a escada dos fundos, levando as bolsas de Scully,
enquanto explicava, no caminho.

"Na popa do barco esto os seus quartos. Tem gavetas e um armrio
pequeno para suas coisas, naquela porta." ele disse, 
apontando para uma porta dobradia  direita. "E ali" ele apontou 
para outra porta, s que  esquerda. " o lavatrio. As instrues
de como usar o chuveiro e o banheiro esto do lado de dentro do
armrio de remdios" o homem alto grunhiu enquanto colocava a mala
sobre a cama. "Vou dar alguns minutos para vocs se situarem, 
e ento eu mostro o resto do barco pra vocs. Me encontrem no
deck quando estiverem prontos."

Mulder acenou com a cabea, e Kyle sorriu. Scully deu para os dois
homens uma careta cautelosa. Foi-se embora a excitao infantil que
a dominou no deck. Colocando as mos no bolso, Mulder se virou para
ela, assim que Kyle saiu.

"O que foi, Scully?"

Ela cruzou os braos sobre o peito enquanto se preparava para uma
confrontao que Mulder no queria. Essas frias deveriam ser uma
boa coisa, divertida, no outra coisa para ser colocada entre
eles. Ela elevou as sobrancelhas, e perguntou. "Mulder, ns vamos
para onde?"

"Ilhas Bermudas."

Os olhos dela quase saram do rosto. "Ns estamos indo para as Ilhas
Bermudas nisto! Vai levar semanas!"

"De fato, nove dias.  Ento cinco dias visitando as vrias ilhas, e
ento dez dias de volta."

O queixo de Scully quase bateu no cho.

"Era por isso que eu estava protelando, Scully. Voc nunca teria concordado
em tirar uma licena..."

"Com certeza eu no teria!"

"Kyle e Megan so marinheiros experientes.  Eles j fizeram esta
viagem antes, e me asseguraram que  incrvel."

Ela fechou os olhos. "O ponto no  este, Mulder."

"Isto  algo que quero te dar, Scully"

"Por que? Porque eu estou morrendo?" ela falou sem vacilar.

Mas Mulder vacilou. Ela estava ficando boa em falar essa frase. 

"No." Por que ela pensava que tudo que ele fazia era sobre a doena
dela? Ele tinha feito coisas boas para ela antes dela ficar doente.
No foi? A viagem no era sobre o cncer. No mesmo. "Eu... voc 
merece um pouco de felicidade, Scully."  Ou era?

Ela comeou a interrompe-lo, mas ele no deixou.

"No por causa de qualquer coisa, a no ser que voc  uma boa pessoa,
e quer dizer muito para mim, e estou cansado de te ver infeliz. Eu
s queria te dar algo que voc soubesse que  de mim para voc..."
por um momento Mulder se perdeu no que estava dizendo, quando viu o
rosto de sua parceira suavizar. "Algo melhor do que um chaveiro."

"Eu adoro aquele chaveiro, Mulder."

"Voc vai amar ainda mais esta viagem." ela estreitou os olhos
e olhou ao redor do quarto, com cautela. "Olhe, Scully. Se voc
quiser voltar para DC agora mesmo, eu vou entender. Podemos parar isso
tudo se voc quiser, a qualquer hora, e voltarmos pra casa."

"Simples assim?"

" s dizer a palavra."

Ela estreitou os olhos de novo, mas desta vez ela se focalizou em
Mulder. Ele se sentiu como uma criana que no fez o dever de casa, e
foi chamado na frente da turma. Ela suspirou, mas os ombros dela 
diziam que ela estava longe de se conformar com isso.
"Ento, o que tem na caixa?"

Oh, ela era boa. "Suas roupas.  Liguei pra sua me, e pedi pra ela
colocar roupas leves e seus tnis numa caixa."

"Voc fez o que? Quando?" cada revelao parecia pega-la de surpresa
mais do que a ltima.

"Depois que eu liguei para Megan, e fiz as reservas para a viagem.
Ontem  noite".  Chega. Mulder queria um pouco de controle de volta.
Ele apertou os lbios, e lhe deu um olhar sutil. "Eu sabia que voc
no tinha colocado um mai na mala--- voc nunca traz um quando est
trabalhando."

Scully tentou permanecer firme, olhando pelo quarto. "Ento,  aqui
que vamos ficar nas prximas duas semanas?"

"Yep". Pelo menos no havia nenhum vo de imediato para DC, pelo
menos no para eles.

Com um gemido, Scully deitou na cama, e alisou a rica textura do
acolchoado. O cabelo ruivo dela era um contraste brilhante para
os tons cinza e azul debaixo dela. O gemido dela se tornou um
ronronar gutural. "S tem uma cama, Mulder. Tem alguma outra coisa
que voc no est me contando?"

Mulder carranqueou.  Scully estava paquerando com ele! Mas esse
era o trabalho dele. Agora que ela tinha virado  o jogo, ele no sabia
o que responder. E no ajudava o fato dela ter razo: a cama dominava
o quarto. Quanto tempo ele disse que a viagem ia demorar mesmo?
E por que ela ainda o estava encarando?  Ela quis reverter os 
papis? /Por mim, tudo bem/

"Bem, Scully, acho que vou ter que confiar em voc para no tirar
vantagem de mim enquanto eu estiver dormindo."

Alguma coisa na maneira com que ela se ergueu da cama, e passou alm
dele o deixou assustado. Mas quando ela comeou a subir a escada, e olhou
para ele por cima do ombro esquerda, ele tremeu de verdade. 

Na melhor voz de contralto dela, cantando, Scully sussurrou.
"No vou prometer nada..." e ento, ela e o sorriso mau dela 
sumiram na luz do dia.

Mulder olhou para a cama, debaixo da escotilha escondida pela cortina.
Scully piscou pra ele, ou era a imaginao dele vendo coisas demais?
E j que ela no protestou, ser que isso significava que eles iam
dividir a cama?

Mulder apertou o estomago. Seria possvel enjoar enquanto o barco ainda
estava ancorado?

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De volta ao deck, Scully e o anfitrio estavam falando sobre navegao.
Ele apontou vrios instrumentos do painel de madeira, e para o leme bem
polido. Com interesse obediente, ela acenava com a cabea a cada 
explicao. Essa era a Scully que ele conhecia.

O cachorro estava sentado, obediente, aos ps deles, abanando o rabo e
arquejando, feliz.

Kyle, Mulder decidiu, era um homem razoavelmente bonito. . . alto e
musculoso. A pele marrom escura dele tinha cicatrizes leves.
O rosto dele era quadrado e bem definido, e o cabelo bem cortado, curto.
Nenhuma mulher reclamaria dele. O nariz era largo, ajustando nas caractersticas
speras do rosto.

Scully poderia at mesmo acha-lo atraente, ele pensou, distrado. Ela
tendia a gostar de homens mais velhos que ela. Entretanto, Kyle
no era to velho quanto o prprio Mulder. Ento, Kyle era bonito.
E da? /Inferno/

Perto de Kyle, Scully parecia ter doze anos de idade. Sem os sapatos,
a cabea dela batia no meio do peito dele. O terno ajudava a faze-la
menor, sussurrando contra a brisa. Ela tinha perdido muito peso desde o 
rapto, mas sempre parecia cuidar de si, ento Mulder nunca se preocupou.
S s vezes, quando ele olhava para ela de um determinado ngulo ou
luz, ela parecia terrivelmente magra. Mas s vezes era mais fcil ignorar
o bvio. E na maioria das vezes, era mais fcil evitar o assunto.

Se ele no mencionava que os ternos dela no eram mais do tamanho dela,
ento ela no pareceria fria e distante e protegeria as costas
dele. Se ele no notasse o quanto ela era pequena, ele no teria que
se sentir protetor dela.

Mas ao lado de Kyle, ela era minscula.  No havia jeito dele no notar
isso. Ela era pequena. E estava plida. E empolgante com o sorriso 
suave que ela deu quando o viu. Um sorriso s pra ele.

"A est voc" Kyle riu. "Vamos terminar nossa excurso."

Ele foi para a frente do barco. "Aqui  onde comemos e cozinhamos."
 esquerda, estava uma mesa grande, quadrada, que tinha bancos moldados
nas paredes nos trs lados. Ao longo da parede atrs dos bancos, estavam
vrios armrios e prateleiras.

 direita tinha uma pequena kitinete, completa. Do lado da pia,
tinha um balco onde estava uma unidade complicada de rdio.

"O fogo  de propano. Tem que ser aceso com os fsforos que est na 
geladeira." ele encolheu os ombros para o olhar confuso de Scully. 
"No queremos acidentes, e isso os mantm secos." ele foi para a pia
e continuou. "Toda gua do barco que vai para as pias e banheiros vm
de um tanque central de gua. Ento, nada de gua quente."

Mulder enrugou o nariz ao pensar em chuveiros frios durante as duas
prximas semanas, e a imagem de Scully, sedutora, deitada na cama =deles=,
passou por sua cabea. Pensando bem, os chuveiros frios viriam bem a
calhar.

"No precisamos nos preocupar com racionamento de gua" Kyle continuou.
"Mas precisamos conversar sempre que possvel."

"Aqui," ele se virou com um adorno, " onde mantemos a ncora do navio,
os mapas e quadros nuticos.  Mas vocs no precisam se preocupar com isso.
Meg  quem faz a maioria dos clculos."

A porta diretamente oposta s escadas abriu macia, e Kyle os
conduziu por um corredor estreito. "Esta primeira porta  o 
depsito." ele apontou para a frente. "Aqueles so os quartos, e a porta
entre elas  a sala das mquinas.  onde esto a gua, o tanque de 
gasolina e o motor."

" um barco bonito," Scully quase murmurou pra ela mesma, passando uma
mo sobre a parede bem polida, de cerejeira.

Kyle sorriu em acordo.  "The Lady   um bom barco. Ela  nosso beb."

Mulder notou que Scully virou para olhar o homem ao lado dela, mas
ele no podia ver o seu rosto. Kyle quebrou o momento com outro 
sorriso cheio de dentes.

"De qualquer maneira," ele comeou, e acenou com a cabea para o lugar de
onde eles vieram, "Est tudo pronto, ento vamos arrumar as velas depois
que o jantar for feito. O tempo deve ficar claro pelo menos durante as
duas prximas semanas, ento vamos ter lindos pr-do-sol."

"Ento, uma voz feminina gritou. "Ei, Kyle! Me ajude com isso!"

Mulder foi o primeiro a subir os degraus, e dar de cara com uma
mulher alta, esbelta, com cabelos voando ao vento, de p, com as mos
nos quadris. Ao lado dela, no chao, estava uma grande caixa, que s
poderia ser o pacote que a sra. Scully tinha enviado. Quando ela viu
Mulder aparecer, ela olhou por cima dos pequenos culos que usava,
relaxou e deu um grande sorriso. "Voc deve ser o sr. Mulder."

"S Mulder". Ele gostou dela, tambm. No era de se admirar que ela e
Kyle eram casados. Eles eram perfeitos, um para o outro. "E voc deve ser
Megan".

"A primeira e nica" ela passou a mo pelo cabelo curto e macio.

"Eu pego a caixa pra voc. Obrigado por ir busca-la." ele comeou
a descer a escada de mo, mas a mulher o parou com um tapa no tornozelo
dele.

"Sem problema. Eu te mando a caixa. Que tal?" ela j estava com a 
caixa nos braos, antes que Mulder pudesse protestar educadamente.

"Meg," Kyle sorriu, "nossos convidados chegaram ".

"Oh,  mesmo? Eu no tinha notado". O sarcasmo dela era seco, mas gentil,
e combinava com a voz de contralto dela. Ela empurrou a caixa para Mulder,
e ele cambaleou um passo para trs ao sentir o peso. Ele olhou para os
braos esbeltos de Megan, com suspeita, querendo saber onde ela escondia
os msculos.

"Tem certeza que voc s pediu roupas de vero, Mulder? Meu guarda-roupa
inteiro poderia caber nessa caixa." Megan falou.

Tentando andar com a caixa, sem derruba-la, Mulder conseguiu descer
debaixo da cabine do piloto. "Talvez ela tenha decidido vir junto"
ele grunhiu, com os dentes apertados. "Tem que ter um corpo aqui."

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O cu estava comeando a enfraquecer quando eles puxaram as amarras
e saram do cais. Megan estava no leme, guiando o barco pelas bias coloridas
que marcavam a profundidade do canal, enquanto Kyle corria de um lado
para o outro sobre o deck, puxando cordas, dando ns e 'preparando as velas'
como Scully explicou. Parecia que era muita coisa acontecendo ao mesmo
tempo, mas Mulder estava contente - provavelmente pela primeira vez em
sua vida - de ficar sentado no banco acolchoado que corria pelo lado
direito da cabine do piloto. Scully se apoiou contra a perna que ele tinha
colocado casualmente sobre o banco. As costas dela estavam muito mornas
comparadas ao vento fresco que balanavam seus cabelos. No entanto,
ela tremeu, e Mulder sentiu o frio dela.

"Voc no pediu nenhuma jaqueta?" Ela se virou pra ele, e o brilho do por-do-sol 
realou o rosto bonito dela. 

"No sei. Se no tiver, eu tenho algo na minha bolsa. Eu vou pegar pra
voc." Mulder falou, mas ela o parou.

"Deixa que eu pego" ela correu pelos degraus e voltou com a jaqueta dele,
e os cabelos dela amarrados.

"Sem sorte?"

"No me preocupei em procurar na caixa". Ela tinha enrolado as mangas
pra cima, e as mos pequenas espiavam pelos punhos de elsticos largo.
Ela se abraou. "Voc no est com frio, Mulder?"

"No mais".

Ele pensou ter visto um sorriso no rosto de Megan, mas ela voltou
a olhar para o horizonte quando ele olhou pra ela. Ela estava p atrs do
leme.

Kyle convocou, "Certo. Cabea ao vento!"

"V em frente!"

O barco balanou abruptamente quando o curso deles mudou, e Mulder tentou
se segurar. No que ele precisasse de verdade, mas as sensaes eram
novas e incomodas, mesmo para a dose dupla de Dramamine que ele tomou.
O brao de Scully foi a primeira coisa que a mo dele agarrou.

Eles ficaram vendo Kyle trabalhar e comear a iar a vela. O tecido 
grosso e enrugado pinoteou contra o vento. O mastro era muito alto. Luzes
vermelhas e amarelas brilhavam no seu topo, mais de cem ps acima deles.
Quando a vela alcanou trs quartos do caminho, Kyle comeou a soltar
outra corda.

Um poste longo, paralelo ao mastro, balanou na perpendicular, e uma
vela comeou a subir at o topo. The Lady parecia um navio pirata.

Ento, atrs deles, Megan grunhiu com o esforo de elevar algo, e
Mulder percebeu que ela tinha deixado o leme sozinho. 

"No tinha que ter algum dirigindo o barco?" Mulder apertou o brao
de sua parceira.

"No preocupe. Alm disso, no estamos nos movendo ainda."

"Com certeza parece que estamos nos movendo" por que o barco estava apontado
para a costa?

Scully observou o rosto dele. "No me diga que voc j est
passando mal. Voc tomou o Dramamine?"

"J. Eu vou ficar bem."

"Essa frase no  minha?"

Kyle convocou: "Meggie, voc arrumou tudo?"

"Tudo pronto!"

E ento, como se fosse a resposta para alguma piada intima,
eles gritaram em harmonia: "SOLTA O ESTRONDO!" 

Scully puxou o brao de Mulder. "Voc est vendo aquele poste
pesado no fundo da vela?"

Kyle tinha soltado um gancho bem na frente deles. "Yep."

"Aquilo  chamado estrondo. Voc precisa ter cuidado com aquilo.
Muito cuidado."

"Por que?"

Megan e Kyle desceram na cabina do piloto e se beijaram rapidamente.
Eles estavam se divertindo, no havia dvida sobre isso. Ento,
Megan pelo o leme, e virou uma pequena pea. Kyle desceu os
degraus e sumiu dentro do barco.

"Porque," Scully continuou e apontou para o estrondo, "est solto."
Megan virou o leme e o navio deslizou pela gua. O estrondo varreu
um caminho por todo o navio e o barco todo se ergueu, indo  frente.
Se inclinando com uma velocidade crescente. O lado em que Mulder
estava afundou, enquanto o outro se erguia. 

/Jesus Cristo!/ O barco estava virando!

Ele puxou Scully contra ele, pelos ombros dela, que riu ao assustado
ganido que ele deu. 

"Ele tem que fazer isso, Mulder. Relaxe. Ns estamos velejando!"
Ela o encarava, tentando no sorrir. Ento, ela se virou e se apoiou
contra ele, de boa vontade, usando  o joelho dele para apoiar o 
cotovelo dela. Ela estava brincando com ele de novo? Mulder
no ligava. Ela estava morna contra o peito dele, e era bom te-la
to perto. 

Scully o abraou, enfiando os braos por dentro da jaqueta dele,
se protegendo do frio.

"Voc ainda est com frio, Scully?" Mulder respirou fundo e tentou
relaxar no seu mundo inclinado.

"No mais" ela sussurrou.

Desta vez, Mulder pegou o sorriso no rosto de Megan antes dela
voltar e guia-los pela noite. 

Fim de 2/17
