TITULO: ERLONA'S HEART
Autor: MD1016

Ao, aventura, MSR, Angsty M/S

Resumo: Mulder leva Scully nas frias que ela sempre sonhou.
NC-17
Categoria: Romance de M/S
Spoilers: 4 estao
Palavras chaves: Romance de M/S

Reconhecimentos e comentrios no fim


NOTA DA EDNA:  A FIC No  MINHA, E SIM DO AUTOR.
ESTOU APENAS TRADUZINDO. ALGUM ME PEDIU UMA FIC
DE CANCER, E EU ESCOLHI ESTA. ESPERO QUE GOSTEM.
para mais tradues, v em www.wfics.hpg.com.br
ednabarros@uol.com.br

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"... me leve para Avalon onde voc pode curar este
ferimento - me leve pra casa..."
 - Marion Zimmer Bradley, As Nvoas de Avalon,

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ERLONA'S HEART
(1/17)
Por MD1016


O caso estava comeando a cobrar seu preo. Vinte e oito
assassinatos num prazo de doze meses. Todas com armas
diferentes, em diferentes locais dos EUA. As vitimas
pertenciam a vrias religies e raas, e no tinham
nenhuma classe social em comum, e depois de um longo
rastro de papelada e sesses de entrevistas, no parecia
ter nada em comum, exceto por uma coisa. Todas as vitimas
estavam morrendo. E por diversas razes: cncer, sndromes
genticas, AIDS.

Scully j tinha o bastante.

Mulder a observou de p na mesa de provas que eles se apropriaram desde
que se envolveram neste caso, h um ms e meio. Os arquivos estavam
abertos diante de sua parceira, com uma luz alta dentro de um funil,
fazendo o claro ir direto sobre ela. A mo direita dela segurava
uma caneta meio mastigada contra o bloco de anotaes, pronto para
anotar qualquer coisa que aparecesse em sua mente. Mas os olhos dela
eram vtreos e distantes. Ela comeou a vagar, de novo.

Era muito. Tudo isso. Entre as autopsias e pais aflitos - para no
mencionar a falta frustrante de pistas - e a prpria batalha dela
com o tumor que crescia em sua cabea, Mulder no estava admirado que
ela estava tendo problemas. No que ela reclamasse. Oh, no.
Isso seria atpico dela. Ela no se permitiria um momento de fraqueza.

E assim ele observou-a engarrafar as prprias emoes torturadas
e se fechar de novo.

Ele tomou um gole do caf que estava em suas mos. Puxar o cargo
dele e tira-la do caso estava fora de questo. Ela nunca o perdoaria,
e ele no poderia viver com isso. Pedir para ela sair do caso, e
descansar alguns dias seria como levar um tiro antes mesmo de falar isso.
Esperar que ela achasse que o caso estava estagnado, e pedisse ela
mesma para sair do caso era como ver Perot como Presidente: isso
podia acontecer, mas no era provvel.

Ento, o que fazer?"

No canto escurecido do quarto, uma pequena televiso brilhava, silenciosa.
Mulder observou as imagens com pouco interesse. Guerra, doenas e crimes
violentos - nada de novo.

Ele voltou a ateno para sua parceira inconsciente. E trincou os
dentes. Ela tinha alguma idia de como ele estava preocupado? Claro
que no. Por que ele deveria estar preocupado quando ela estava bem?
Ela =sempre= estava bem. Mesmo quando a vida dela estava se quebrando
ao redor, a Scully-sempre-indestrutivel estava eternamente bem. Mulder
tinha vontade de bater em alguma coisa.

Droga! Por que ela tinha que ser estica? Por que ela no podia olhar
honestamente no olho dele, apenas uma vez, e dizer "Sabe de uma coisa?
No estou me sentindo bem neste momento." Ser que era to difcil para
ela se abrir com ele? Depois de tantos anos trabalhando juntos?

"Terra para Scully". Ele caiu na cadeira. A mesa estava entre eles.

Ela piscou, e olhou para baixo, para os documentos na frente dela.

"Desculpe" ela mordeu o lbio. "Eu estava s pensando."

Mulder se acomodou na cadeira, e olhou para a face cansada dela.
"Bem, eu no sei como. No tivemos nada de novo em quase doze dias, e 
fizemos todo trabalho de perna que posso pensar em ter feito. Estivemos
dentro desta cela durante 10 horas hoje, Scully. Meu crebro est frito."
Ele colocou tudo  mostra, e tudo era verdade. "Tenho que comer alguma
coisa antes que eu entre em choque." 

Scully suspirou. Certo, ele tinha colocado a isca. Agora ele tinha
que esperar ela fisgar.

"Por que voc no come alguma coisa? Eu no estou com fome." ela
correu uma mo distraidamente sobre uma das fotos mais horrveis na mesa.
"Eu vou encontrar uma cama em algum lugar e vou dormir algumas horas."

Se Mulder no a conhecesse, ele diria que ela estava tentando compensar
tudo. O velho lema de Scully era: se o trabalho de d medo, trabalhe
mais ainda.

"Uh... estou me sentindo um pouco tonto, Scully. Voc poderia me levar
de carro?" ele sabia que era uma desculpa fraca, e ela luziu a ele. Ela
estava tentando xingar de volta. /Nem vem/. "Ora.... eu vou comprar
um sorvete pra voc"

O jeito que os olhos dela se estreitaram para ele fez a presso sanguinea
de Mulder subir. Ele tinha a ateno dela, e agora, s precisava do
incentico. "Bolo de chocolate, com recheio de chocolate, com 
cobertura de chocolate, junto com sorvete de chocolate."

Ela suspirou de novo. "Odeio ver como voc me conhece to bem, 
Mulder."

"S o que eu sei  que, por alguma razo ainda no explicada, sorvete
e chocolate tem um poder incrvel sobre voc, como nenhum outro."

"Exatamente".

"Um poder que, quando usado para as foras do bem, pode ser uma
ferramenta indispensvel."

"Foras do bem?"

"Isso seria eu". Disso, ela deu uma risada curta, antes de voltar
para a agente Scully, profissional total.

"Mulder, talvez estejamos vendo tudo isso de maneira errada." ela 
juntou as fotos num nico monte. "Talvez estes casos no estejam
conectados."

"Voc est dizendo que tudo isso  uma enorme coicindencia? Que
25 crianas morreram violentamente, e que a Fundao apenas aconteceu
de fazer parte na vida delas?" ele estudou a reao dela.

"Nem todas as vitimas morreram violentamente..."

"Qualquer morte que no seja natural,  uma violenta."

Scully suspirou.  "Bem, neste caso, eu tenho que discordar, Mulder."
ela tirou uma foto de um menino num pijama verde e azul. "Peter Goldman
tinha a sndrome de Monterey.  uma doena que acaba com a coluna espinhal
comeando da base, at em cima. Esta foto foi levada depois que a doena
foi diagnosticada. Durante os prximos dois anos, ele perdeu o controle
das pernas e braos, e eventualmente teria perdido todos os outros 
movimentos. Isso inclui rosto e fala. E respirao e funes normais. 
E isso inclui-"

"Eu entendi o essencial."

"No, Mulder, o ponto  que a mente dele teria ficado intacta. 
Ele teria continuado a crescer e amadurecer mentalmente, embora ele
ficasse preso num corpo intil." ela colocou a foto na pilha, e
a guardou num envelope do arquivo. "O que quero dizer  que, at que
ele alcanasse a puberdade, o crebro dele comearia seu prprio 
processo de liquidao."

/Deus/ Mulder estremeceu e dobrou os braos, tentando ler a expressao
facial de Scully. "Ento, acho que o afogamento na piscina
seria quase prefervel."

Ela piscou.  "Qualquer coisa seria prefervel ".

E ento ela olhou fora, se ocupando de organizar os arquivos para
o prximo dia. Mas o olhar fixo e vtreo dela voltou. Era nisso que ela
estava pensando toda vez que ela vagava? Sobre uma maneira de morrer
melhor do que a outra? Ela estava projetando seus prprios medos?

"Qual foi o desejo dele?"

Ela parecia assustada pela pergunta dele.  "O que?"

"O desejo dele com a Fundao".

O arquivo fino estava misturado no meio de uns cinqenta parecidos,
mas ela sabia exatamente onde estava. "Peter fez o desejo dele
em 12 de fevereiro de 1996. Ele pediu uma viagem para a Disney." ela
deu um sorriso suave. "No dia 20 de maro, ele conseguiu o desejo dele.
Ele foi com a me, o pai, e duas irms mais velhas. Eles passaram uma
semana inteira l, com todas as despesas pagas." Scully deu outro
suspiro. "Ns temos que pegar este assassino, Mulder. A Fundao faz
um servio maravilhoso para pessoas que realmente precisam de algo
maravilhoso em suas vidas."

"Sabia..." Mulder disse, alegre, "Acho que esse seria meu desejo, tambm."

Ela fingiu ficar chocada. "O que???!!! Nenhuma fantasia pornogrfica
se tornando realidade?"

"Quem precisa de pornografia quando voc est no lugar mais feliz do
mundo?"

Ela escondeu um sorriso e pegou a pasta dela debaixo da mesa. "Isso
vem do homem que assina Celebrit Skin."

Mulder sorriu.  Ela estava brincando com ele. J faziam dias desde
quando ele conseguiu alguma replica dela. Ele apertou os dedos
atrs do pescoo, numa falsa afronta. "Voc est dizendo que no 
escolheria a Disney?!"

Passou um segundo, enquanto ela pensava na resposta,at que ela baixou
os olhos antes de selecionar um punhado de documentos, e os colocasse
na pasta. "No. Estou dizendo que voc no escolheria."

Mulder se apoiou adiante.  "Ento, o que voc escolheria?"

"Para voc?" Scully endireitou.

"No, Scully.  Para voc.  Qual seria o seu desejo?"

Ela pausou e ento se levantou da cadeira. "No importa, Mulder.
A Fundao Faa um Desejo s atende crianas que no tem uma perspectiva
de vida alm dos 18 anos." ela pegou o casaco que estava no gancho atrs
da porta, e jogou-o sobre o brao.

Mulder no conseguiu se parar. "E da? Qual seria o seu desejo?"

"Se eu fosse uma criana?" o tom de voz dela era leve e ela abaixou
o rosto enquanto estudava o piso gasto. Ela o estava evitando deliberadamente.
Scully nunca se fazia de boba. Isso deixava Mulder irritado. Ela
estava tensa de novo. Os olhos azuis estavam focalizados num ponto 
imaginrio debaixo do chao.

"No! Scully, por que voc est sendo to difcil? No estou te
fazendo uma pergunta difcil. No existe uma resposta errada."

"Voc est me perguntando qual seria o meu ultimo desejo, Mulder. 
Antes de eu morrer."

As palavras picaram como um tapa no rosto. O tapa pode no ter
sido intencional, mas doeu. Ele a observou se endireitar lentamente, 
mas no olhar para ele. Por um momento, ela ficou de p, esperando...
esperando algo mais dele. Mas nada veio. A mente de Mulder
tinha se fechado quando o corao dele parou.

Quando ele tinha se tornado um idiota? Como ele no poderia prestar
ateno sobre o que eles estavam falando? De como isso a afetaria?

Scully se virou e abriu a porta.  "Eu vou pegar o carro."

Ento ela foi embora,e Mulder ficou sentado na mesa, com a gravata
pendurada entre as pernas. /Droga/ Acabe com o dia dela, acabe com a
vida dela - aparentemente era s o que ele conseguia fazer.

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Duas semanas depois, nada tinha mudado muito, com exceo dos
crculos escuros que tinham fixado residncia debaixo dos olhos de
Scully. E o corpo da 29a vitima deitada de bruos na lama, debaixo da
arvore de seu prprio quintal.

Mulder observou sua parceira se agachando para inspecionar o corpo 
da menina de oito anos. As mos dela estavam com luvas, to plidas 
quanto a pele morta que estavam tocando.

"Mulder, voc pode mover o guarda-chuva?  Voc est fazendo sombra."

Ele voltou alguns passos, e deu o espao que ela pediu. Aparentemente, 
a criana subiu na arvore e caiu. O nico problema era que ela
estava usando os chinelos do Ursinho Puff e pijamas combinando,
que ela estava usando quando foi pra cama na noite anterior.  No
havia muita coisa na cena do crime.  Mas no havia jeito de que
algum pudesse subir na arvore usando aqueles enormes chinelos
que ela estava usando. Na chuva. Antes que o sol aparecesse. s
5h45 da manh, que foi quando o pai dela a encontrou.

A chuva cadente pontilhou o casaco de Scully num tom mais escuro de azul.

"Voc pode dizer a causa da morte?"

Suspirando, sua parceira ficou de p e se virou pra ele. Ela tirou
as luvas. "O pescoo dela estava quebrado, assim como a maioria dos
ossos da face. Mas vou fazer uma autopsia antes de fixar uma causa
primaria." ela olhou brevemente para a criana morta atrs dela antes
de continuar.  "A posio da cabea  condizente com a queda de uma
arvore alta, mas no acredito, nem por um segundo, que ela tenha
subido na arvore."

Mulder carranqueou.  "E nem eu. Os chinelos dela esto inteirinhos, 
limpos, como se -"

"Ela sofria de Sndrome de Hanrahan, Mulder.   uma doena gentica
fatal e que causa leses no crebro. Um dos sintomas so tremores 
incontrolveis e espasmos violentos dos msculos. No tem jeito dela
ter se agarrado na arvore, imagine subir."

A chuva apertou, mas ela no fez nenhuma tentativa para pisar
mais perto dele. /O guarda-chuva  dela/ Mulder se lembrou, com uma
careta. /O que  dela  meu. No  assim que funciona?
Minha busca, meu departamento, o cncer dela, a vida dela.../
 
Ela se afastou dele. As pontas do casaco dela tremularam ao vento,
que mexeu com seus cabelos. "Eu te encontro no necrotrio quando voc
terminar." ela nem mesmo se incomodou em virar a cabea.

"Terminar com o que?"

"Tanto faz." Ela parou no porto, o perfil pego pela luz,mas ela no
olhou pra ele. " aqui que voc vai embora e faz o trabalho de campo,
e me diz para avisa-lo se eu descobrir alguma coisa na autopsia."
Ela suspirou e abriu o portao alto de madeira. "Eu conheo o
procedimento, Mulder."

Ao lado dele, um dos oficiais locais ofereceu um saco plstico com
algo dentro. "Achei isto perto da cerca. Voc acha que pode ser 
importante?"

Era apenas um pedao de plstico com morangos vermelhos com folhas
verdade, mas como Mulder tinha perto de nada, ele estava pronto a pegar
qualquer coisa. "Talvez," ele resmungou e voltou a tempo de ver o porto
se fechando.

"Ei, colega" o homem ao seu lado repicou. "Acho que voc foi deixado
pra trs." Os olhos castanhos do policial eram um pouco mais joviais
do que Mulder achava necessrio.

"Ela est cansada. Tem sido um longo dia."

"Yeah," o homem voltou a olhar para o pequeno corpo que estava sendo
coberto por um plstico amarelo. "E nem chegou na hora do almoo."

Mulder encolheu os ombros e seguiu o caminho que sua parceira tinha
tomado.

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Trs dias depois, enquanto comia um sanduche de salada de ovos,
Scully ergueu a cabea e sussurrou. "Eu quero velejar".

Mulder quase perdeu isso, mas o silencio assombrado que se seguiu 
fala dela pegou sua ateno para o que ela tinha dito. Ele abaixou o
refrigerante dele e olhou para ela. 

"No oceano. S mais uma vez."

E ento ela pegou o sanduiche e deu outra mordida.

Isso foi tudo que ela diria sobre o assunto. Mulder entendeu.

Ele pegou o prprio sanduche e estudou o presunto que estava no
meio. /Velejar/

O almoo deles continuou em silncio.

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Na tarde seguinte, veio um comunicado de DC, que os dois estavam
sendo temporariamente afastados do caso. O termo que Skinner usou
foi redirecionados. Entretanto, Skinner no era um homem sutil, e
Scully no era uma idiota.

Quando ela leu o fax, seus olhos olharam acusadoramente para Mulder,
e ele lutou para no se agachar na frente dela e implorar perdo.
Mas a fala que ele esperava no veio. Nem quando eles saram da
delegacia, nem quando voltaram ao motel que tinha sido a casa deles
por dois meses e nem mesmo quando eles chegaram ao aeroporto e 
Mulder interrompeu o pedido dela para a mulher atrs do balco,
solicitando passagens para DC.

"Ela quer dizer Fort Lauderdale," Mulder tentou cobrir o choque 
de Scully com um pequeno sorriso.  Ele deslizou um carto de crdito 
pelo balco. "Duas para Fort Lauderdale ".

A mulher digitou algumas coisas e fez vrios barulhos afirmativos.

"Mulder, ns vamos para a Flrida?"

"S um desvio secundrio."

"Prontinho" a mulher deu as duas passagens, e mostrou o porto 
de embarque. "Aproveitem seu vo."

Segurando Scully pelo cotovelo, ele a apressou para o terminal 
distante. "Espero que voc tenha trago seu mai, Scully."

"Eu no trouxe" o tom seco dela mostrava sua irritao. "O que tem
na Florida?"

"Oh, voc sabe," ele a soltou quando foram na direo do detector de metais.
"Laranjas, sol, ouro dos tolos, 90% da populao acima de 65 anos"

Eles tiraram as armas deles e se identificaram. O guarda nem piscou.
Ela ergueu uma sobrancelha para o parceiro dela. "Algum arquivo X
referente a excesso de imigrantes?"

Mulder pegou o desafio dela e lhe ofereceu um sorriso genuno. 
"Confie em mim, Scully.  Voc vai adorar."

Ela pegou a arma e a identificao e as colocou no casaco. "Conte-me
por que eu vou adorar" ela exigiu.

"Ora, Scully. Todo mundo gosta de frias" 

Ela o encarou por um momento, mas no falou nada. Mulder no tinha
certeza o que significava o olhar que ela estava lhe dando, mas ele
sabia que no era de gratido. Ou alegria. Bem, talvez ele fosse receber
aquela frase, afinal de contas. "Olhe, se a qualquer ponto voc quiser
ir pra casa, ns vamos. Ok?  s voc dizer, e ento acabamos com as
frias, e voltamos direto para o poro, e o trabalho de nove as cinco."

Ele sabia que tinha vencido quando ela abaixou a cabea e suspirou.

"S me d o trabalho de nove s cinco e eu chamo isso de frias."

"No, Scully" ele abaixou o tom de voz para um tom coquete, e 
arrastou o cotovelo dela. "O que eu tenho em mente vai te surpreender."

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"Mulder, voc tem que estar brincando".

Eles estavam de p sobre uma doca de madeira, cercados pelo gargarejo
das gaivotas, o cheiro da brisa salgada, e o cu azul at onde o olho
pudesse alcanar. Scully, em seu terno bege e salto alto, segurando 
a bolsa sobre o ombro, estava de boca aberta diante da viso. At 
mesmo Mulder estava abismado. Quando a mulher no telefone disse
que 65 ps de comprimento, e 111 ps de altura, pareceu bem menor 
na mente dele.

"Mas, Mulder, voc enjoa."

/Oh, yeah./ A escuna que estava amarrada no fim do cais no era a
que Mulder tinha na mente. Ele pensou num barquinho com uma vela
branca e uma garrafa de vinho. Como o anuncio do Eddie Bauer. A coisa
que esperava por eles no fim das docas era enorme. Os mastros
gmeos sobressaam rigidamente de um deck de madeira vermelha. Cordas
pra tudo que era lado... nem mesmo a amazona nua esculpida na ponta do
barco lhe ofereceu conforto. No brao estendido dela estava uma
grossa e assustadora espada. /Oh, yeah./ Ele ia sofrer. De uma maneira
ou de outra.

"Mulder, isto  uma piada?"

Ele se virou e viu o olhar confuso na face de sua parceira. O rosto
dela estava corado do calor e do sol, e o cabelo estava um pouco
suado. 

"No  uma piada, Scully." ele olhou para o veleiro. /Bem, inferno, era
o que ela queria/. " um desejo."

Ela ofegou e olhou para o barco. E tremeu a cabea. E ento, ela olhou
de volta para ele, com lagrimas que no caram. 

/L/. Ele conhecia aquele olhar. Esse ele entendia. 

Ela abriu os lbios, e falou, num tom infinitamente baixo. "Obrigada."

Bolsas e tudo, ela se voltou para o fim do cais, e andou lentamente
para o grande barco. Mulder a observou um momento antes de segui-la,
gravando na mente o passo dela, e o cabelo balanando ao vento.
Ela estava bonita. Majestosa. Como a mulher de madeira que segurava
a espada e gritava "eu conduzo o caminho", sem nem mesmo dizer uma
palavra.

Fim da parte 1/16

     
