Geremias 12:4 - "Por causa da maldade dos homens, foram arrasados os animais e as criaturas voadoras."
Genésio e o Rei
Genésio gosta muito de pescaria, mas neste domingo ele
foi a várzea com seu amigo Tonico. Coitado do Genésio, voltou
com um galo que ganhou na aposta, pois o perdedor disse não ter dinheiro
e que o galo valia mais por ser o Rei do Terreiro. Enfim era um galo "Rei".
Coitado do Genésio; e coitado do "Rei" também, pois
estava sendo transportado numa ridícula gaiola, vejam só, estava
pasmado e atento a todos os movimentos externos de seu confinamento, era só
o que faltava, sorte que as galinhas não viram.
Enfim chega o "Rei" que é transportado para uma área,
estava confinado em um quintal de 20 m², e pensava ao som dos gritos
estridentes da mulher do Genésio.
Seria uma galinha choca gigante? E eu que acostumado a ciscar o chão
para achar minhocas, e me deliciava, agora estou aqui nessa casca grossa de
cimento frio, mas eles me pagam, voltarei amanhã mesmo para meu terreiro.
Estufou o peito, ia dar o grito de Tarzan, mas esvaziou em seguida pensando
- deixa pra lá, de noite eu me vingo.
E a noite não demorou a chegar. Todos dormiam. Só o "Rei"
ruminava vingança. Mas quem disse que Genésio dormiria?
Assim que Genésio dormiu, o "Rei" começou a cacarejar,
embaixo da janela do Genésio e pensava; eles também não
dormem. Nem poleiro me providenciaram, ah! Isso não! De repente.
- O que é isso Genésio, tem ladrão, acorda!
- Não Anunciata, é o gato, dorme que eu vou lá.
Que encrenca o Genésio arrumou, e lá vai ele ver o galo: Ai!
O que caiu na minha cabeça?
Imaginem. O "Rei"estava empoleirado no corrimão que dá
para a varanda de cima. Limpando a cabeça, Genésio pensa, bem
ele se ajeitou, mas quem disse que Genésio dormiria?
Três horas, em plena madrugada fria, o "Rei" estufa o peito
e solta aquele sonoro cocoricó.
Agora foi pra valer, pensa ele. Eu avisei.
Genésio pula na cama e junto vai sua mulher que aos gritos quer mata-lo.
O canto do Rei ecoa pelo bairro, as luzes se ascendem, pobre do Genésio.
As janelas se abrem e ele ouve os piores palavrões, mas ele tranqüiliza
a mulher e voltam a dormir.
Mas, depois de 15 minutos, o "Rei" estufa o peito e com toda a vontade
solta o estridente cocoricó.
Novamente o refrão, coitado do Genésio. A mulher do Genésio,
aos berros, pede para ele sumir com o galo. Genésio tranqüiliza
a mulher e dorme, mas depois de 15 minutos, novamente o cocoricó. Genésio
não sabe que galo canta três vezes e desesperado ouvindo o tal
refrão, resolve dormir perto do galo para esgana-lo. Mas enquanto o
galo dorme tranqüilamente, Genésio planeja leva-lo de volta. Não
era isso que ele queria?
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Crianças Errantes
Pobres crianças de risos incertos.
Não temem a vida, não temem a morte.
Pobres crianças, flores errantes,
Tristes murchando, sem nada enfeitar.
Não aprende bondade
Só aprende maldade, herança dos pais.
Pobres crianças,
Almejam um dia o amor alcançar.
Pobres crianças, rasgadas e sujas
Em trapos correndo, pedindo,
Assaltando, roubando, implorando
por dinheiro, para o pai, ir levar.
E o dia passando, a noite chegando.
Pobrezinhos errantes da rua já vem
Em bandos qual pombos arrulham,
Adentram favelas, num grito de paz,
Essa paz tão distante que também é errante.
Abrindo a porta, pra cozinha ele vai,
Lá mal chegando, vê pratos vazios,
O nó na garganta, no ápice da fome.
Devolve o prato que o engano pegou.
E na porta entreaberta, um vulto deponta,
E um grito insano de pai beberrão:
- Menino insolente, me dá o dinheiro
se não te arrebento, e vá já dormir.
E o pobre menino chorando baixinho
Em baixo de trapos se esconde do frio,
Se esconde da fome, e da vida também.
Até que outro dia, ele vai logo cedo,
Agredir a cidade, afim de uns vinténs,
Procuram vingar-se da vida e dos pais.
Pobres crianças, são poucas iguais.
E na corrida do tempo, na escola da vida.
Quem sabe um dia ensina seus pais.
E na escola da vida aprendam a paz
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O Pardal Serelepe
Apareceu
há dias no meu quintal um intrépido e sagaz pardalzinho, não
sei se por defeito de fabricação, andava rasteiro por entre
as plantas com seu tufo no cocuruto craniano, que lhe confiria uma graciosa
figura.
Nas suas pequeninas coxas, haviam penas espalmadas que o tornava mais airoso,
pois lhe davam o toque estético de uma minuscula avestruz. Estavaeu
encantada com esse bichinho que em meio as plantas, mais parecia um serelepe
matreiro a procura de pequenos insetos, aqueles bichinhos inconvenientes que
desnutriam minhas plantas.
Eu gostava de jogar migalinhas de pão e ver os pulinhos graciosos para
alcança-las.
Dava seus pequenos voos até o telhado, voltando logo em seguida, não
conseguindo ir além disso.
O nosso gracioso personagem teve seus dias abreviados por um perversi e cruel
gato preto que, acostumado a esgueirar-se pelos telhados protegidos pelas
cumieiras, ficava a espreita para dar o bote nos pequenos seres, que na inofensiva
empreitada, caía nas garras do velhaco gato.
Hoje foi meu gracioso serelepe que se foi e deixou meu quintal muito triste
e eu chorei, não mais veria o meu raioso e intrépido bichinho.
A minha raiva é que esse velhaco bichano, na sua caça aos passaros,
deixa para trás os nocivos ratos, prolíferando a bessa em suas
tocas. Em transportadoras, sucatas, esgotos, etc, etc, já se ve até
na luz do dia. Os gatos hodiernos, tambem se delinqüem.
Só sei que não verei mais aquela figurinha linda, o meu serelepe
no seu jardim, alardeiam os insetos, labutam e destróem disseminado
a praga.
Estou notando que o meu serelepe é imprescíndivel. Era um pequeno
tenue ser, foi um passageiro, penas que foi tão breve sua presença,
foi só otempo de nota-lo e ama-lo, foi como uma figura na areia da
praia, levada pelo mar.
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Seja humano não maltrate os "animais"
Disse Salomão quando inspirado por Deus "O justo importa-se com
a alma do seu animal domestico, mas até as misericórdias dos
iníquos são cruéis" Prov. 12:10.
Os animais hoje, sofrem a impiedosa insensibilidade do homem. Existe um contra-senso
entre o tratamento que se consede aos animais, podemos ver que são
atos divergentes vão do exagero ao descaso, por ex:
Ao dar carinho exagerado aos seus bichinhos submetem-nos a uma limitação
de seus atos, por isso são infelizes, pois o animal feliz é
aquele que tem a liberdade que a natureza lhes oferece, plena e satisfatória.
São aqui arroladas as discrepâncias no tratamento animal; exemplo.
1º Enquanto uns vestem roupas milionárias, outros não tem
onde dormir.
2º Enquanto uns comem filés, outros tem que rasgar sacos de lixo
para matar sua fome.
3º Enquanto uns vão para o pet-shop para se embelezar, outros
vão para a carrocinha para morrer.
4º Enquanto uns correm brincando, outros correm fugindo de insanos cruéis.
5º Enquanto uns nadam em piscinas, outros matam sede com água
suja da sarjeta.
6º Enquanto uns são acariciados, outros são espancados.
7º Enquanto uns são tosados para embelezar, outros são
tostados com água fervente.
8º Enquanto uns se afundam em almofadas, outros se espatifam no asfalto
atropelado.
9º Enquanto uns recebem elogios, outros recebem gritos de expulsão.
10º Enquanto uns dão gritos de alegria, outros dão gritos
de dor.
Como podemos ver, são exemplos de exageros de alguns à fatalidade
de outros.
Mas não são todos iguais? Com os mesmos sentimentos? Com os
mesmos direitos concedidos pelos humanos racionais?
Em Jeremias cap. 12 vers. 4 diz "... Por causa da maldade dos homens
foram arrasados os animais".
E como foram arrasados! Alguns homens hoje exalam terror.
Portanto todos os animais devem ser tratados com razoabilidade e respeito,
o que for satisfatório para o animal. E para o homem receberá
as bênçãos de Deus porque, "por meio do animal, Deus
aprova o homem".
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A Prisão Do Inocente
Por que pássaro tem asas
Se não é para voar?
Pobre pássaro em prisão,
Vê sua espécie no ar,
E ele somente lamentar
Isso é o que seu canto é
Ele canta para não chorar
O canto de um inocente
Que não tem contas a pagar.
O que fiz eu de mal pensa ele,
Para estar neste lugar?
Quero sentir a natureza
E lá me alimentar
Ó triste lamento.
Por isso eu canto, canto,
Para a tristeza espantar,
Por que eu não posso,
Voar, voar, voar.
Aqui termina nosso passeio. Espero que tenham gostado. Até a próxima!