1AS RAÍZES DA DESIGUALDADE E A CONTRIBUIÇÃO PARA A MISÉRIA[1]

 

 

É fácil identificarmos na sociedade atual o grande índice de desigualdade que há entre as pessoas. Milhões e milhões de famílias, crianças e adultos, países inteiros que vivem em condições de extrema miséria, mendigando por um pedaço de pão; em países pobres como os da África ou da Ásia não é difícil constatar casos até de canibalismo como alternativa para amenizar a fome e a miséria que além delas, atinge atualmente mais 200 milhões de pessoas em todo mundo.

Mais, o que poderia levar uma civilização a essa situação deprimente? É comprovado que o planeta produz alimentos o suficiente para nutrir toda a população de maneira que sobre, então, porque existe tanta miséria e tanta fome? Qual seria a fonte de tudo isso?

É em cima dessas indagações que J. J. Rousseau, filósofo iluminista do século XVIII, grande crítico da desigualdade social ocorrida em sua época, vai afirmar que o crescimento da civilização corrompe a felicidade natural do homem e a sua liberdade criando desigualdades artificiais de riqueza, poder e privilégio social. O homem em seu estado natural não precisa se preocupar com mais nada além de três coisas básicas: comida, necessária para manter seu corpo físico forte e se defender dos outros animais; repouso; e sexo, necessário para a procriação da espécie. Assim, com uma organização fisiológica perfeita, poucas necessidades pessoais, imunidade a doenças, instintos aguçados, corpo físico extremamente robusto e forte proporcionados pela seleção natural o homem não precisaria de máquinas ou armas, pois seu corpo é ela própria e ele tendo conhecimento dessa força poderia viver tranqüilo e livre dentro própria natureza sem passar ou criar mais necessidades.

O homem selvagem, privado de todas as espécies de luzes, só experimenta  as paixões desta última espécie, não ultrapassando, pois, seus desejos e suas necessidades físicas. Os únicos bens que conhece são a alimentação, uma fêmea e o repouso, os únicos males que teme são a dor e a fome (ROUSSEAU, 1973, p. 250).

 

Os primeiros progressos do homem com relação à natureza surgiram das dificuldades que ele possuía em se defender dos demais animais. Assim, se viram obrigados a inventar as primeiras armas como forma de se defender dos animais e disputar com outros homens a sua própria subsistência. Este é o primeiro passo para a multiplicação dos seres sobre a terra, o aumento populacional faz com que eles se espalhem por toda à parte do globo em busca dessa subsistência. Além disso, a necessidade de se adaptar a novos ambientes e regiões o obriga a inventar a pesca, a caça, o vestuário e o fogo. Todo esse progresso faz com que o homem comece ter certo sentimento de autoridade sobre os demais animais e, finalmente, ele percebe que o outro pensa e age como ele e que o único objetivo a ser alcançado nas ações humanas é o bem estar de todos.

Assim se iniciam os primeiros compromissos mútuos. Um sentimento menos constante que a concorrência faz o indivíduo pensar que precisa da ajuda mútua, começa a andar em pequenos grupos e vê a necessidade de inventar uma forma de comunicação diferente da dos gritos e dos gestos.

Esses primeiros progressos aceleram ainda mais rápido outros progressos, entre eles esta a habitação e conseqüentemente com ela mais três necessidades: primeiramente, começa a constituição da família, a primeira das formas de sociedade. Em segundo lugar está a criação da propriedade, segundo Rousseau, foi mais fácil para o homem criar para si uma nova choupana do que desalojar a família que ela ocupava, começa a surgir as primeiras lavouras e as primeiras técnicas primitivas de se trabalhar a terra. Em terceiro, o homem começa a desenvolver seu lado psicológico, começa a reconhecer sentimentos de amor conjugal e paternal, de ódio, ciúmes e a diferenciação econômica dos sexos.

O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditar (ROUSSEAU, 1973, p. 265).

 

Com esse salto, o homem passa agora maior parte de seu tempo procurando por comodidades ignoradas por seus antepassados, aperfeiçoando a linguagem, primeiramente entre pessoas insulares de pequenas tribos, depois continentais; por fim a criação das primeiras nações e das relações de amizade entre povos: noções de beleza, dançam e cantos, reuniões comunitárias passaram a ser uma marca característica de cada grupo ou tribo.

Essa seria adolescência do mundo, o espaço intermediário entre a adolescência primitiva e a perversão atual que conhecemos. Aqui já podemos encontrar os primeiros germes da desigualdade humana, os títulos públicos começam a taxar pessoas com menos e mais prestígios e os primeiros deveres de civilidade. Há a necessidade de imposição de moralidade, policiar os costumes e punir as imprudências dos indivíduos.

 

 

1.1   DA  PROPRIEDADE

 

 

Nesse pique, o primeiro progresso da desigualdade é a propriedade. Com ela começa a primeira divisão da sociedade, a de ricos e de pobres. O indivíduo que possui mais força física e inteligência para produzir com mais abundância toma uma propriedade maior, enquanto os menos “capacitados” ficam com menos. Dâ-se aqui o fim definitivo da igualdade, o trabalho passa a ser o juiz que vai destacar quem pode ter mais ou menos na sociedade. Passa-se a viver os papéis sociais, o homem é escravo, de agora em diante, de suas necessidades e de seus semelhantes. A riqueza promove a ambição, a concorrência, à rivalidade de interesses, a herança e a dominação universal do homem sobre a terra e os demais animais.

Mesmo assim, a força não é o suficiente para conservar o que se adquiriu, então, o rico resolve legitimar sua propriedade através de máximas e instituições além das naturais, há assim, a formação de associações e de governantes que estipularão normas e leis a não serem infringidas e que justifica a desigualdade.

 

1.2   DOS MAGISTRADOS

 

 

Passamos assim, para o segundo progresso da desigualdade: dos magistrados. Com estes surge uma segunda forma de desigualdade, a de poderosos e fracos[2].

            Como o primeiro pacto foi insuficiente para a boa sociedade, pois, não legitimava o direito de propriedade, acaba sendo necessário um segundo pacto, o qual a sociedade se dá a um Governo. Entretanto, era perigoso deixar todo esse poder nas mãos de uma só pessoa, eram necessárias pessoas que pudessem fiscalizar e acompanhar esse governo, além de levar até ele as tribulações do povo, essas pessoas eram os magistrados. Com isso, o povo se dá a um governo que ao invés de proporcionar-lhes a liberdade tenta assolá-los e torná-los escravos.

Poderíamos classificar as várias formas de governo de acordo com o seu grau de desigualdade. O lucro de somente um leva a monarquia; de alguns a aristocracia; e o de muitos à democracia. As formas de se chegar à magistratura varia da idade, riqueza ou talento que o cidadão possua e que lhe ajude na eleição, porém, os abusos nessas competições suscitam de certa forma a poderes hereditários onde reis se tornam deuses e os súditos escravos dando passagem ao terceiro estágio de desigualdade: o despotismo.

 

 

1.3   DO DESPOTISMO

 

 

O despotismo acontece quando o poder passa de legítimo a arbitrário sem o povo ter o direito de se manifestar além de ser tratado como escravo pelo senhor. Aqui o déspota compartilha o poder com seus comparsas como forma de compensação e para fazer com que seus súditos se esqueçam da escravidão os coloca em guerras de dominação sobre outros povos.

Há assim, quatro tipo de desigualdade: a das qualidades naturais, única natural e que todos possuímos; a do poderio ou da propriedade; da nobreza e de classes ou dos magistrados e por fim a da riqueza. Estas constituem o “progresso” humano, tanto no bom quanto no mal sentido, mas cabe observar, segundo Rousseau, que existe mais pontos negativos que positivos nesse progresso. Vivendo nesse ultimo estágio, ele testemunha a opressão, impostos, guerras, duelos, frivolidade de costumes, luxo e o estetismo do Antigo Regime.

O despotismo fechou o círculo da evolução humana e tudo o que acontece com a humanidade depois disso é conseqüência dele. Os homens voltam a ser iguais ao que eram no estado de natureza, pois não valem nada: o direito do mais forte vence; a moralidade reduz-se a uma obediência cega; não existe mais virtude de costumes, nem noção do bem. O Estado legitima todas as revoluções e todas as desigualdades.

 

 

 

1.4  CONCLUSÕES

 

 

Rousseau escreve o Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens no ano de 1753; Thomas Malthus afirma em 1798 em sua obra Ensaio sobre o Princípio da população que a produção de alimentos no mundo crescia em progressão aritmética enquanto a população crescia em progressão geométrica. Que a conseqüência disso seria a pobreza crescente e fome permanente.

Será que Rousseau já não tinha deduzido isso a cinqüenta anos antes de Malthus? Será que Malthus não se baseou em sua teoria da Origem da desigualdade para produzir sua tese? Isso não nos importa no momento, o que nos importa é que existem hoje no mundo quase um bilhão de pessoas que vivem em estado de profunda miséria, mais de vinte milhões de crianças que morrem de fome todos os anos.

            Sabemos que no estado natural o homem apesar das dificuldades possuía o necessário para sobreviver, que ainda hoje, o mundo produz quantidades de alimento suficientes para garantir a toda a população uma vida digna e tranqüila, sem fome e sem miséria. Mas a grande ganância do homem social impede que isso aconteça, maior parte dos alimentos existente no mundo está nas mãos da minoria, ou seja, de quem possui dinheiro para comprá-lo. Enquanto maior parte da população, pobre e sem dinheiro, vive das migalhas seja de quem tem mais condições, como no caso da divisão de classes na sociedade, em casos menores; ou seja em casos mais extremos como no caso de países de desenvolvidos ou subdesenvolvidos.

               Rousseau propõe no Contrato Social um governo do povo e em função do povo, que obedeça e busque somente a vontade geral e que não seja concupiscível, talvez seja essa a teoria de nosso governo, ou pelo menos a proposta que nos foi apresentada ao aceitarmos viver em sociedade, no entanto, na prática nota-se o contrário, governos corruptos que expõem o povo à miséria e a fome para engordar sua conta bancária; latifundiários que não aceitam a reforma agrária porque não querem abandonar seu império em função do pobre que não tem nada; países ricos que não ajudam países pobres porque não querem que este se fortaleça e lhes apresente ameaça ou concorrência.

            Talvez como o autor cita na segunda parte da Origem da Desigualdad:

 

quantos crimes, misérias, guerras, assassínios e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancado às estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: defendei-vos de ouvir esse impostor, estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém! (ROUSSEAU, 1973, p. 265).

 

Se tivéssemos continuado em nosso estado natural, sem nos preocupar em nos unir a outros como nós, poderíamos até não ser tão populosos no mundo, poderíamos não usar roupas, ou eu, poderia não estar aqui escrevendo esse texto nesse momento, ou pior, poderia até nem existir o computador ou o homem poderia ser ainda um troglodita, mas de uma coisa podemos ter certeza, a natureza ainda estaria encarregada de saciar nossas necessidades básicas, existiria comida para todo ser que nela habita, mulheres e homens para perpetuar a espécie, menos miséria, menos poluição, menos tragédias; o homem teria mais liberdade e com certeza dormiria mais feliz por estar com sua barriga cheia.

 

 

1.5 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

ROUSSEAU, J. J. Do contrato Social e Origem sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens. Trad. de Lourdes S. Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1973 (Os pensadores).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 FOME E MISÉRIA - QUE FENÔMENO É ESSE?[3]

 

A própria humanidade é culpada. Em sua existência o homem sempre provocou grandes catástrofes, tais como: a guerra, a peste e outras. A catástrofe provocada pelo ser humano nos dias atuais é a fome e a miséria. Como justificar isso, visto que somos seres racionais e os únicos dentre todos os demais animais que tem inteligência? Nos fundamentos do conhecimento de David Hume podemos perceber que conhecemos muito pouco de nos mesmo, ou seja, “tudo o que conhecemos é nossa profunda ignorância” (Hume, 1999, p. 84).

Para os empiristas todo o nosso conhecimento se origina da experiência. E como dizia KANT, no inicio da introdução da sua obra Critica da Razão Pura.   

Não resta dúvida de que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, por­que, com efeito, como haveria de exercitar-se a fa­culdade de se conhecer, se não fosse pelos objetos que, excitando os nossos sentidos, de uma parte, produzem por si mesmas representações, e de ou­tra parte, impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, a reuni-los ou separá-los, e deste modo à elaboração da matéria informe das impressões sensíveis para esse conhecimento das coisas que se denomina experiência?(KANT, 1989, p. 36).

 

Segundo Hume  o nosso conhecimento tem origem nas idéias e estas  derivam de impressões externas ou internas correspondentes, ou seja, todos os nossos pensamentos derivam das sensações. “As im­pressões ou sensações originais das quais as idéias são cópias”. (1999, p. 75). Hume demonstra que existem idéias que são abstratas por não possuírem suas respectivas impressões. Tais idéias são as de poder, força, energia ou conexão necessária entre dois eventos sucessivos. Segundo o nosso autor é impossível pensar em alguma coisa  antes de ter sentido. É pelos nossos sentidos externos quer pelos internos, que buscamos mais clareza nas nossas idéias. As idéias complexas são entendidas por definição, composta por idéias simples.  As impressões são todas idéias fortes e sensíveis, portanto não admitem ambigüidade e ainda pode iluminar suas idéias correspondentes que estão na obscuridade. “Para atingir um conhecimento total da idéia de poder ou de conexão necessária, devemos examinar sua impressão e, a fim de desvendar a impressão com maior segurança, busquemo-la em todas  as fontes das quais ela possivelmente deve derivar”. (Idem)

Não há idéias mais obscuras e incertas em metafísica do que as de poder, força, energia ou conexão necessária, às quais necessitamos reportar-nos constantemente em todas as nossas inquirições.Tentare­mos, portanto, nesta seção, estabelecer e, por este meio, remover parte da obscuridade tão lamentada neste gênero de filosofia. (HUME, 1999, p. 75).

 

Hume afirma não haver conhecimento quando não há uma impressão correspondente a uma idéia. Torna-se  impossível descobrir a conexão necessária existente entre uma relação de causa e efeito através da razão. Segundo o filosofo as idéias de metafísica são as mais  obscuras e incertas. As  de poder, força, energia ou conexão necessária, precisamos  reportar-nos a elas  constantemente em todas as nossas ações. Pode-se, portanto, afirmar com toda a segurança que todas    as nossas idéias são cópias. 

Hume divide as nossas idéias em duas categorias, ou seja, simples e complexas. As idéias complexas são compostas de idéias simples. Para iluminar as idéias e fazê-las existir, é preciso produzir impressões ou sensações de onde deriva as idéias originais. “É preciso produzir as impressões  ou sensações originais das quais as idéias são cópias”. (ibidem, p. 76). As  idéias estão necessariamente unidas às impressões. Hume nos diz que são cópias ou imagens das impressões:

Parece que esta proposição não admitirá muita controvérsia: todas as nossas idéias são cópias de impressões ou, em outras palavras, é-nos impossível pensar em algo que antes não tivéramos sentido, quer pelos nossos sentidos externos quer pelos internos. (Ibidem, p. 75).

 

Hume divide as nossas idéias em duas categorias, ou seja, simples e complexas. As idéias complexas são compostas de idéias simples. Para iluminar as idéias e fazê-las existir, é preciso produzir impressões ou sensações de onde deriva as idéias originais. “É preciso produzir as im­pressões ou sensações originais das quais as idéias são cópias” (Ibidem, p. 76).

Os mesmos termos, as mesmas idéias.  “Um óvulo nunca se confunde com um círculo, nem uma hipérbole com uma elipse. Os triângulos isósceles e escaleno diferenciam-se por limites mais exatos que o vício e a virtude, o bem e o mal” (Ibidem,p. 74). Para Hume, a natureza antepõe uma barreira a todas as nossas investigações o que nos leva a reconhecer a nossa ignorância.  

O filósofo demonstra que de um único evento jamais poderemos descobrir o poder ou a conexão necessária que ligue a causa ao efeito, pois a partir da experiência sabemos que um objeto acompanha o outro em sucessão ininterrupta, porém não podemos conhecer a conexão responsável por este evento.

O impulso de uma bola de bilhar é acompanhado pelo movimento de segunda. Eis tudo que se manifesta aos sentidos ex­ternos. O espírito não sente nenhuma sensação ou impressão interna em virtude desta sucessão de objetos; por conseguinte, não há, num só caso isolado e particular de causa e efeito, nada que possa sugerir a idéia de poder ou de conexão necessária. (Ibidem, p. 76).

 

Para o autor podemos obter um novo microscópio ou sistema óptico para ampliar as ciências morais, ou seja, com este sistema podemos ampliar as idéias menores. E dessa forma podemos conhecê-las melhor tal como conhecemos outras idéias maiores. Os objetos não fornecem nenhuma idéia de poder ou conexão necessária. Sempre temos consciência do nosso poder interno, “pela mera ordem de nossa vontade, podemos mover os órgãos de nosso corpo ou governar nossas faculdades espirituais”    (Ibidem, p. 77).

hUME exemplifica este fato dizendo que o calor é um acompanhante constante do fogo e que podemos perceber esta conjunção entre eles, mas jamais poderemos imaginar a conexão entre tal evento. ”Adquirimos assim a idéia de poder ou de energia e certificamo-nos que tanto nós como todos os outros seres inteligentes são dotados deste poder” (1999 p. 77). Ele  admite a ignorância humana em relação à conexão entre sucessivos objetos ou eventos mas, segundo ele, os homens não encontram obstáculos para explicar tal conexão, afirmando perceber com exatidão a força da causa que a põe em conexão com o seu efeito.

As cenas do universo variam continuamente; e um objeto acompanha outro em sucessão ininterrupta; porém, o poder ou a força que move toda a máquina está completamente oculto de nós e nunca se revela em nenhuma das qualidades sensíveis dos corpos. Sabemos que, de fato, o calor é um acompanhante constante de chama, mas não temos ensejo para conjeturar ou imaginar qual é a sua conexão. (HUME, 1999, p. 77).

 

Portanto somos todos dotados de idéias de poder. Idéias reflexivas, ou seja, surgem a partir de uma reflexão das operações espirituais partindo de nossas vontades.  “A vontade exerce tanto sobre os órgãos do corpo como sobre as faculdades da alma” (Idem). A influência da vontade sobre os órgãos do corpo deve ser observada como qual outro evento  natural e conhecida para experiência e nunca pelo poder. Se por um desejo tivéssemos o poder de mover montanhas e controlar planetas, não seria nada de extraordinário e não ultrapassaria a nossa compreensão. Mas devemos compreender a conexão de poder dado para consciência que é uma energia na vontade. Devemos então conhecer a conexão e o efeito, a união do corpo e da alma, da consciência e da natureza.     

Para Hume, temos procurado em vão uma idéia de poder ou de conexão necessária em todas as fontes de onde pudesse originar. Em toda a natureza não aparece um único exemplo de conexão passível de nossa concepção. Todos os eventos parecem inteiramente soltos e separados. Um evento segue o outro, porém jamais podemos observar um laço entre eles. Parecem estar em conjunção, mas jamais em conexão.

Esta influência, deve observar, é um fato que, como todos os outros eventos naturais, uni­camente pode ser conhecida pela experiência e jamais pode ser prevista a partir da aparente energia ou poder situado na causa, unindo-a ao efeito e fazendo de um a conseqüência infalível da outra. O movimento de nosso corpo obedece à ordem da vontade. Disto tem sempre consciência. Mas o modo pelo qual isto se realiza, a energia conferida à vontade no desempenho deste processo tão extraordinário, distan­ciam-se de nossa consciência imediata e devem excluir-se para sempre de nossa mais diligente investigação (ibidem, p. 77 - 78).

 

Segundo David Hume a indução por repetição não tem nenhum fundamento racional, uma vez que a conexão entre os sucessivos eventos nos é desconhecida. Mas, de onde surge a idéia de conexão necessária que permite inferir indutivamente? Hume responde que após a repetição de casos semelhantes, o espírito é impelido pelo hábito ou costume a aguardar um evento quando surge o outro, sendo que esta transição costumeira de um objeto ao outro é a impressão que origina a idéia de conexão necessária e que permite uma inferência  indutiva. “Se tivéssemos o poder, por um desejo secreto, de mover montanhas ou controlar os planetas em sua órbita, esta ampla autoridade não seria mais extraordinária e não ultrapassaria demais nossa compreensão”  (HUME, 1999, p. 78).

Para Hume se não conhecemos o efeito, não conhecemos e nem sentimos o poder:

Como, em verdade, poderíamos ser conscientes de um poder de mover nossos membros quando não temos um tal poder; mas apenas aquele de mover certos espíritos animais que, embora produzam em definitivo o movimento de nossos membros, agem de uma maneira que ultrapassa totalmente nossa compreensão? (ibidem,  p. 79).

 

As nossas idéias podem ser copias, mais a idéia de poder não é copiada dos nossos sentimentos ou consciência. Não somos capazes de mover todos os órgãos de nosso corpo, afirma Hume. Movemos a língua, as mãos, os dedos do pé, etc, mas não conseguimos mover órgãos como o coração, fígado, estomago, etc. Somente a consciência por meio da experiência ensina as ações da nossa vontade. Não são os membros propriamente ditos que se movem, são apenas certos músculos e nervos. O movimento é objeto da volição. Atribuímos o poder a um grande número de objetos.

Resumindo, todas as nossas idéias são copias de uma impressão ou sensação. Se não podemos localizá-la, podemos assegurar que não há idéia:

Em todos os casos isolados da atividade dos corpos ou espíritos, não há nada que produza uma impressão, nem, por conseguinte, que possa sugerir uma idéia de poder ou de conexão necessária. Mas quando aparecem vários casos uniformes, e o mesmo objeto é sempre seguido pelo mesmo evento, então começamos a admitir a noção de causa e de conexão. (ibidem, p. 88).

Sentindo um novo sentimento ou uma nova impressão, uma conexão costumeira no nosso pensamento. Este sentimento é a origem da idéia que procuramos. Como esta idéia nasce de vários casos semelhantes, por isso é necessário que seja individual.

Ora, esta conexão ou transição costumeira da imaginação é a única circunstância que os faz diferir. Em todos os outros aspectos eles são semelhantes. O primeiro caso que vimos do movimento comunicado pelo choque de duas bolas de bilhar – para retomar este exemplo evidente – é exata­mente semelhante a não importa que caso que pode, no presente, se apresentar a nós; excetuando apenas que, a princípio, não podíamos inferir um evento do outro, o que somos capazes de fazer agora, depois de tão extensa série de experiências uniformes. Não sei se o leitor apreenderá facilmente este raciocínio. Temeria tomá-lo mais obscuro e complicado se multiplicasse as palavras e o considerasse sob vários aspectos. Em todos os raciocínios abstratos há um ponto de vista que, se afortunada­mente o alcançamos, nos ilustra mais acerca do assunto que mediante toda a eloqüência do mundo. Devemos aspirar a este ponto de vista e reservar os floreios da retórica para oportunidade mais adequada.  (idem).

 

“Tudo o que conhecemos é a nossa profunda ignorância e nada mais”, afirma Hume (1999, p. 84) em sua obra Investigação acerca do entendimento humano. Talvez não entendemos bem as nossas próprias atividades. Porém sabemos que a nossa ignorância é insuficiente para negar a  existência de um criador, ou seja de um ser supremo.   Para o filósofo ainda não é possível formular a idéia de uma causa que não se revelou aos nossos sentidos internos ou externos. Por isso não temos uma idéia de conexão ou poder. Somente a experiência nos ensina a ação de nossas vontades.  

Como se vê, mesmo com todo o nosso conhecimento, e mesmo sendo seres inteligentes, somos indiscutivelmente os responsáveis pelas  catástrofes mundiais. Guerras, pestes, e atualmente fome e miséria. Mesmo com os grandes teóricos que trabalharam a questão do conhecimento, inclusive na idade moderna, em que os empiristas diziam que todo o nosso conhecimento parte da experiência. Dentre eles pode citar David Hume, no qual deixa claro que ainda não conseguimos solucionar problemas básicos da humanidade. Tais como: alimentação, moradia, saúde e educação. Nesse sentido para Hume, “todas as nossas idéias são cópias de impressões” (HUME, 1999, p. 75). 

 

2.1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

KANT, I. Crítica da razão pura. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.

HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano: Ensaios morais, políticos e literários. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 FOME E MISÉRIA: UM PROBLEMA SOCIALMENTE ÉTICO[4]

 

            A fome é uma vergonha para toda a humanidade, uma desgraça, uma calamidade pública que violenta, mutila e aniquila milhões de homens, mulheres e crianças em todo o mundo, principalmente nos países subdesenvolvidos como é o caso do Brasil.

            Em todo o mundo, milhões de pessoas vão dormir todas as noites, sem terem consumido os alimentos de que necessitam para manter a saúde de seu organismo. Milhões de crianças morrem anualmente de fome ou de doenças que dela decorrem. Muitas delas poderiam ser salvas se tivessem a alimentação adequada e suficiente.

            Apesar do extraordinário avanço científico e tecnológico, a civilização não superou o drama da fome. Milhões de seres humanos vivem em estado de pobreza absoluta, pois suas rendas são tão baixas que ficam impedidos de ter uma alimentação mínima diária satisfatória, condenados, portanto, à uma crônica subnutrição.

            A expectativa de vida em muitos países do Terceiro Mundo é bastante baixa, cerca de 43 anos de idade, constituindo uma séria violação do direito que todo ser humano tem de viver o maior tempo de vida. Para se ter uma idéia, no Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional, porém a expectativa de vida é de 69 anos de idade num país pobre e miserável na visão mundial.

 

3.1  MAS AFINAL, O QUE É A FOME?

 

A fome é a escassez de alimentos que, em geral, afeta uma ampla extensão de um território e um grave número de pessoas. No mundo a situação é gravíssima: Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto; 1 bilhão de analfabetos; 1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta anual bem menor que 275 dólares; 1,5 bilhão de pessoas sem água potável; 1 bilhão de pessoas passando fome; 150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo);  12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida. Isto tudo  por causa da má distribuição de renda e ganância estampada no rosto das pessoas que desrespeita eticamente o outro no seu conceito de humano.

Com a falta de alimentos nutritivos e necessários à vida e a saúde do ser humano que sempre carece de calorias, a fome se alastra assustadoramente no Brasil e no mundo.

Os efeitos mais comuns da fome são a desnutrição calórico-protéica, como também doenças decorrentes pela falta de nutrientes no corpo: a anemia e o raquitismo causados pela falta de vitamina A e D. Infinitas são as doenças causadas pela fome em números vergonhosos.

Há aqueles que dizem ser a fome conseqüência do crescimento populacional ou ainda de que a terra não produz alimentos suficientes; mas isso é uma quimera. A fome e a miséria são criações humanas que provocam situações desumanas e constrangedoras, causadas principalmente pela má distribuição de renda na qual as maiorias das pessoas possuem poucas terras e a minoria possui muitas terras.

A fome é a expressão biológica de uma doença social, política, econômica e cultural. As organizações e estruturas econômicas, políticas e sociais dos países do Terceiro Mundo e a ordem econômica mundial não têm demonstrado competências em alterar o sombrio quadro da fome no mundo.

A fome está em todos os cantos e é um problema que o homem foi o principal responsável pela criação e até agora ainda não conseguiu exterminá-la. É claro que existem causas naturais para o aparecimento da fome como o clima, a seca, as inundações, terremotos, as pragas de insetos e as enfermidades das plantas. Mas isso são causas fáceis de serem superadas, sabendo-se que a espécie humana é sedentária e de fácil assimilação.

O grande culpado desta desgraça toda está nas ações humanas do cotidiano: a instabilidade política, a ineficácia e a má administração dos recursos naturais, as guerras, os conflitos civis, o difícil acesso aos meios de produção pelos trabalhadores rurais, pelos sem-terras ou pela população em geral, as invasões, a deficiente planificação agrícola, a injusta e a antidemocrática estrutura fundiária, marcada pela concentração da propriedade das terras nas mãos de poucos, o contraste na concentração da renda e da terra num mundo subdesenvolvido, a destruição deliberada das colheitas,  influência das transnacionais de alimentos na produção agrícola e nos hábitos alimentares das populações de Terceiro Mundo, a utilização da "diplomacia dos alimentos" como arma nas relações entre os países, entre muitos outros.

Desta forma vemos que a fome e a miséria se enquadram num problema que dizem respeito à uma realidade humana construída historicamente, ou seja, a fome é um problema que caminha intrinsecamente com toda a história da humanidade e depara-se com “uma esfinge” moral e ética na convivência humana.

 

3.2 A ÉTICA E A FOME

 

            A realidade mundial e brasileira nos coloca diante de problemas éticos bastante sérios, como este da fome e da miséria. Contudo já estamos por demais acostumados com nossas misérias de toda a ordem. Parece que a fome é tão comum que nem nos questionamos mais eticamente.

            Percebemos aos poucos  que o homem está deixando de ser ético, pois não enxerga mais o seu semelhante. Onde há vida humana em jogo, impõe-se necessariamente um problema ético. O apelo que o outro me lança é de ser tratado como gente e não como uma coisa ou um bicho. O ser humano concreto em sua miséria está sendo desrespeitado na sua condição humana.

            Portanto podemos considerar que o Brasil e o mundo têm recursos e tecnologias para vencer a fome e a miséria. O que está nos faltando é o espírito solidário e evangélico para renunciar a privilégios e libertar-nos do vírus do egoísmo. Falta-nos, ainda, decisão política.

No caso do Brasil, podemos nos ufanar de alta capacidade de produção alimentícia o bastante, para o consumo interno e para a exportação. A combinação das redes públicas e particulares de armazéns é capaz de atingir toda a população, em qualquer parte do Brasil.

Apesar disso, existe gente passando fome porque a renda familiar não permite comprar a comida que o mercado oferece. As raízes da fome estão, especialmente (como já dissemos) na distribuição iníqua da renda e das riquezas, que se concentram nas mãos de poucos, deixando, na pobreza, enormes contingentes populacionais nas periferias urbanas e nas áreas rurais. Se ficarmos só olhando nada irá acontecer; é preciso o reconhecimento de outrem e agir de forma coerente.

A dignidade do ser humano decorre no princípio ético da solidariedade. Princípio esse que não pode ser confundido com certas práticas de assistência que humilham quem recebe. É preciso aprender a lição de ética que dá o povo da rua quando reparte o pouco que tem, para que todos sobrevivam. Essa ética particular, com mais razão, interpela a sociedade a repartir a abundância para que todos vivam humanamente, hoje e no futuro. Da afirmação da dignidade humana decorre também a exigência da simplicidade. Precisamos abdicar do sonho consumista, ilusoriamente inculcado pela propaganda e implementar uma globalização solidária, a partir de um estilo de vida inspirado nas práticas do bem.

 

3.3 ARISTÓTELES[5] E A FELICIDADE COMO SUMO BEM

3.3.1 Fome e Miséria não Trazem Felicidade ao Homem

 

            Poderíamos pensar que para Aristóteles o “passar fome” pudesse ser algo da natureza humana; mas ao contrário disso, Aristóteles questiona-se de como poderemos atingir a felicidade e a realização do nosso destino? Qual o supremo bem da vida? O que é a virtude?

            Poderíamos dizer que a fome e a miséria estão desvinculadas do parâmetro virtuoso de Aristóteles. Ninguém gosta de passar fome, de ser miserável. Todos nós vemos a fome e a miséria como sendo um mal para a sociedade. Se a fome passasse a não existir, talvez poderia haver a felicidade humana, o sumo bem, como uma perfeição moral, apesar de que o homem “nunca está feliz”.

            A pessoa que passa fome é infeliz, não tem o que gostaria de ter: o prazer, o conforto de alimentar-se bem. A felicidade do ser humano está em sua finalidade. Somente quando gozamos de boa saúde estaremos bem; a fome é um mal que engole aos poucos a sociedade. A tendência do ser humano é a realização do telos, o fim último, o objetivo, o desejo de não passar fome.

            Comer é um bem e nós temos por fim realizar este bem. Sem a comida, as proteínas, as calorias necessárias a nossa vida, não realizamos um bem ao nosso corpo. E não realizando esse bem estaremos excluindo um bem maior que é a nossa própria vida, pois comemos com vistas em assegurar a vida que é um bem superior. Nos alimentado bem teremos sentimentos de bem-estar, de satisfação de viver bem. Afinal, quem não quer viver bem?

            O bem supremo e a felicidade não são alcançados porque deixamos de ser justos e amigos uns para com os outros. Muitas são as formas de injustiças que nos afetam levando à fome e a miséria: a má distribuição de rendas, a ganância, o desrespeito ético para com o outro. Tudo isso nos leva a pensar que há uma emergência a ser atendida: não podemos esperar de “braços cruzados” que alguém faça alguma coisa; somos nós os construtores das gerações vindouras! É preciso reconhecer o apelo ético do outro em sua infinitude, já.

            Somente no acolhimento ético do outro seremos verdadeiros amigos e justos perante uma sociedade que clama por justiça, com cada indivíduo colocando-se no seu lugar, dentro da polis, sem procurar aniquilar o próximo. Um verdadeiro homem político é aquele que busca compreender que a vida humana é convivência. É justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético, exercendo suas virtudes.

            Aristóteles reconhece, em princípio, que o objetivo da vida não é o bem por si mesmo e, sim, a felicidade. É preciso um conhecimento mais claro da natureza da felicidade e do meio de alcançá-la. Por ser o homem dotado de razão, deve-se supor que o desenvolvimento dessa qualidade lhe proporcionará a realização do seu destino para o alcance da felicidade. A condição primordial da felicidade é a vida da razão – glória particular do homem e seu poder.

       As qualidades de caráter podem ser dispostas em tríades, em cada uma das quais a primeira e a última qualidade serão extremos e vícios, e a  do meio uma virtude ou excelência. A excelência é uma arte adquirida com o exercício e o hábito; nós não procedemos retamente por termos virtudes ou excelência, e sim temos virtude ou excelência por procedermos retamente; “estas virtudes formam-se no homem com a prática dos seus atos” (ética); somos aquilo que fazemos repetidas vezes. A excelência não é, então, um ato e sim um hábito; “o bem do homem consiste em fazer a alma esforçar-se no caminho da excelência toda a vida; pois como uma andorinha ou um belo dia não faz a primavera, também não é um dia ou um curto lapso de tempo que faz a felicidade” (ética).

Portanto, para sermos felizes devemos ter também em boa proporção, bens mundanos; a pobreza torna o homem avarento, ao passo que a riqueza, libertando-o de toda a cobiça e de toda a necessidade, concede-lhe facilmente o meio de exercer a virtude. O mais nobre dos auxiliares externos da felicidade é a amizade. Ela é me verdade mais necessária aos felizes do que aos infelizes, pois a felicidade se multiplica sendo compartilhada por outros. É de maior monta que a justiça, pois quando os homens são amigos, torna-se desnecessária a justiça; mas, se são justos, a amizade é ainda uma bênção; um consolo que fará do mundo menos miserável e menos faminto.

 

3.4 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

ADAS, M. A fome: crise ou escândalo?18. ed. São Paulo: Moderna, 1993.

 

BENARDE, M. A, et al. Corrida contra a fome. São Paulo: Atlas, 1971.

 

Internet: http://www.msantunes.com.br/juizo/misriae.htm

 

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret. 2002.

 

NOGUEIRA, J. C. A ética, a felicidade e o dever. REFLEXAO. Campinas n. 55/56, p. 29-47, (jan./ago. 1993) 

 

CAMELLO, M. A felicidade como bem supremo: santo tomas le Aristóteles. VERITAS. Porto Alegre v. 40, n. 159, p. 509-516, (set. 1995).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 MISÉRIA E FOME: ANALOGIA COM A ÉTICA E A POLÍTICA DE ARISTÓTELES[6]

 

Em primeiro lugar, para discorrer sobre a relação imanente entre cultura mediatizadas, formas globalizadas de produção, circulação e consumo de mercadorias, simbólicas, num contexto de inserção de novas tecnologias de comunicação, torna-se fundamental abordar as condições históricas do aparecimento da cultura de massa, tendo como referência seu papel estratégico na sociedade industrial.

O autor  esclarece como é que as culturas de massa aparecem no percurso da história, suas metas e influencias na sociedade. Sabemos que para falar de miséria e fome, é importante ter em mente a origem do fato. Mas para ir as origens é preciso entender como, o porque, e onde começou a se expandir tal situação. Desde os tempos mais antigos, o povo considerado massa popular, diferente da mídia que manda e desmanda no país, às vezes de com grade progresso, mas geralmente quando se trata de questões de ordem política, econômica e social, nem sempre tem correspondido com os anseios do povo. 

No Brasil, por exemplo, é importante que façamos uma análise muito cuidadosa sobre a situação do nosso povo que vive em condições de miséria e fome. Nos tempos coloniais, ou melhor, nos anos de 1500, o Brasil estava sendo “descoberto” pelos portugueses. Vejamos como é que surge o problema da miséria, Precisavam de pessoas para abrir matas e explorar os minerais; e isto realmente aconteceu. Esta foi a primeira forma de incentivo a miséria, porque com o tempo grandes números de pessoas estariam sendo escravizados.

Após esta temporada, a qual não vamos entrar em detalhe, surge o sistema colonial,  com os feudos, outra forma de exclusão social, porque grandes números de pessoas deveriam estar dispostos a trabalhar para os “barões” de café, isto é, os fazendeiros ficando completamente isentos da educação escolar. É claro que o país precisaria crescer economicamente e socialmente, porém, poderia ter sido de outro forma e não por meio de exploração.

Prosseguindo com esta análise, não podemos deixar de falar de salários para esta população que quase sempre não sabia o que significava uma recompensa, estudo nem pensar, era preciso produzir porque o país precisava avançar. Surgem as pequenas industrias e com isto uma nova perspectiva de vida, dá início ao  comércio nacional, pois antes era apenas exploração.

Nosso país é rico, é tão rico que mudou de nome várias vezes conforme acontecia a exploração e a descoberta de novos minerais e a beleza que havia, como por exemplo, as florestas, os índios, animais das mais belas espécies e a grande quantidade expansão de terras.

Em primeiro lugar chamou-a de Ilha de Vera Cruz, em segunda deram o nome de Terra de Santa Cruz, e finalmente Brasil. O que isto tem a ver com o tema?

A principal relação está no fato de que quanto mais fantástico é o lugar onde está sendo explorada a tendência é impressionar as pessoas que não conhecem com nomes mais belos; para que mais pessoas possam se interessar pela a ajuda na mão exploração. E com certeza aconteceu que muitas frotas  vieram de vários países alguns de passagens para outros lugares e acabaram dando de cara com o uma terra desconhecida. É claro que estes também não deixaram de tirar vosso lucro.

E em nosso contexto de hoje, como vemos esta situação de miséria e fome, e como podemos resolver? O país é rico em produção, é considerado um dos países  que mais exporta grãos do mundo. É rico não somente em produtos alimentícios, mas também, em madeiras e minérios. É um pai culturalmente muito rico devido as diferentes formas de comunicação, por intermédio de um único idioma. O que realmente precisa, é uma justa distribuição de rendas, e com certeza para que isto aconteça, é necessário um justo regime político.  E como deve ser a política e a ética do nosso país para que realmente possa amenizar o problema da miséria e da fome?

Em primeiro lugar, investindo na educação, um ensino escolar mais rígido e com qualidade, tendo uma educação escolar bem fundamentada e com uma especialização técnica em alguma área, e com capacidade crítica para questionar o que esta errado, e ajudar a melhor e avançar onde está bem, é um primeiro passo para se conseguir um pais mais justo no que se refere a alimentação, moradia, saúde, e assim por diante.

Um grande filósofo da Grécia Antiga dizia: “o homem feliz vive bem e age bem; pois definimos praticamente a felicidade como uma espécie de boa ação” (ARISTÓTELES, 1973, p. 257). Mas para que o ser humano possa viver feliz, é necessário ter no mínimo o necessário para sobreviver como por exemplo: moradia, as três alimentações  básica,  água tratada, luz, roupa calçado etc. Sem esta condição, como e possível viver feliz? A felicidade não se encontra nos bens materiais, no entanto, necessitamos deles para sobreviver. Outro problema sério é, como viver bem e agir bem se estão passando fome? Se um pai de família percebe que seu filho está morrendo por não ter um pedaço de pão para se alimentar, o que pode passar na cabeça deste pai, que com certeza passará por irresponsável e tudo mais. Não dá para imaginar como é difícil, somente quem padece poderá explicar esta situação. Para melhor enfatizar esta questão da fome e miséria, é importante levar em conta o papel da justiça, mas o que é justiça ?

 

 

A justiça é uma espécie de meio termo, porém não no mesmo sentido que as outras virtudes, e sim porque se relaciona com uma quantia ou qualidade intermediária, enquanto a injustiça se relaciona com os extremos. E justiça é aquilo em virtude do qual se diz que o homem justo pratica, por escolha própria, o que é justo, e que distribui, seja entre si mesmo e um outro, seja entre dois outros, não de maneira a dar mais do que convém a si mesmo e menos ao seu próximo (e inversamente no relativo ao que não convém), mas de maneira a dar o que é igual de acordo com a proporção; e da mesma forma quando se tratar de distribuir entre duas outras pessoas. ( ARISTÓTELES, 1973, p. 329)

 

 

Dessa forma, se a justiça é uma espécie de justo meio, no que se refere à distribuição de bens, é extremamente difícil entender porque tanta gente vive em condições miseráveis, e passando fome todos os dias. Principalmente pelo fato de que os grandes empresários deixam os produtos perderem primeiro, mas não distribui para os necessitados. Tenho certeza de que, se as mercadorias que estragam nos depósitos por vencimentos ou pela falta de uma boa política de distribuição, se estes alimentos fossem enviados para as entidades carentes antes da data de vencimento, com certeza não haveria tanta miséria no país.

O filósofo, entende por justiça a disposição em praticar e escolher o que é justo, no entanto, para praticar justiça é necessário que haja justiça. E justiça aqui, se refere a justa distribuição de bens em parcelas iguais entre duas pessoas, de modo que um não tenha mais que o outro. Por este motivo é que precisamos nos preocupar com a fome e a miséria, porque a questão é simples, basta que todos aqueles que tem sobrando em seu armário, ou em sua mesa, possa partilhar um pouco com o que não tem nada ou que tem muito pouco a ponto de não suprir as necessidades mais básicas.

Cabe a justiça federal cuidar destas questões com mais cautela, e cabe também à sociedade de modo geral se conscientizar de que isto não somente papel do governo ou da prefeitura, e sim de todos nós comprometidos com o bem comum.

Se conseguirmos eliminar a miséria e a fome, por mais que haja pobreza, e sempre existirá, mas teremos um mundo mais humano e feliz, porque com fome é impossível ser realmente feliz. Uma das grandes causadoras da miséria é a fome porque não tendo o que comer, o homem busca uma saída, e de um jeito ou de outro ele acaba encontrando, por bem ou muitas vezes por mau, dependendo da condição que esteja seu estado psicológico. É claro que a violência maior se origina com a repressão daqueles que tem maior poder econômico.  

“A sabedoria política e a pratica são a mesma disposição mental, mas sua essência não é a mesma” (ARISTÓTELES, 1973, p. 347) ou seja, que a sabedoria prática que desempenha um papel controlador é a sabedoria legislativa e que tem por função administrar os bens da cidade, bem como o ato de deliberar verbas e cuidar da segurança da cidade, no entanto, no que refere a miséria, sabemos que não basta ser político ou ser filósofo, é necessário fazer alguma coisa peara o bem do povo e principalmente aqueles que ficaram esquecidos por muitos anos. Hoje em dia é muito comum assistirmos programas em épocas de políticas e ouvir discursos de grande promessa e no entanto, pouca prática. Não podemos permitir     que isto continue, se quisermos um país mais justo e mais solidário.

Temos um grande compromisso com as questões de ordem éticas e  morais para tentar mudar o rumo do nosso país que está em crise. Crise econômica, social e política. Como já foi mencionado no início deste trabalho, é necessário começar pela base, e a base é justamente a educação. Existe um grande número de pessoas que vivem em péssimas condições de vida social e política. Um grande número de senhoras mães de família que se submete a um dia ensolarado puxando um carrinho de papel para sustentar seus filhos. Além do grande número de pessoas desempregadas e sem nenhuma condição de vida, onde estamos nesta altura do campeonato. Para onde se dirige nossa política? Será que a crise econômica está tão difícil, ou tem alguma coisa errada com a política nacional? Onde está o compromisso ético para com a sociedade?

Outra condição que as pessoas enfrentam com relação a fome e a miséria, é baixa renda em tempo muito longo de trabalho. Muitas vezes sai de madrugada para trabalhar e chega depois das oito da noite, e por fim quando finda o mês, vem a preocupação. Deve muito, porque foi obrigado a comprar fiado, é dia de prestar conta de água, luz, o sustento da casa e graças quando tudo corre sem nenhum problema de saúde na família.

Por fim, afirma o filósofo, “para todas as coisas que fazemos existe um bem que desejamos e tudo mais é desejado no interesse desse fim” (ARISTÓTELES, 1973, p. 15) existe um bem para a planta, um bem para os animais, e um bem para o ser humano. O bem que o homem almeja é o bem  supremo, ou seja, a felicidade, a eudaimonia, este bem somente poderá ser alcançado por intermédio do hábito da  prática das virtudes morais. estas virtudes morais somente aqueles que reconhece em si mesmo o sentido de uma boa ação é que poderá alcançar.  Não podemos considerar que uma pessoa seja imoral pelo fato de ela ter errado uma vez por alguma situação difícil, por outro lado, não devemos jamais apoiar a injustiça, seja ela qual for.

Muitas pessoas são condenadas por injustiça, porque não tem a capacidade intelectual para sede fender perante a justiça, e este fato é também delicado e está ligada a questão que estamos tratando desde o início deste trabalho. Pois falamos sobre fome e miséria, mas isto não só pode restringir apenas à alimentação e moradia. Fome e miséria são questões muito amplas, em que as pessoas de modo geral, têm mais fome e sede de justiça, do que por um prato de comida apenas. Elas querem se desabafar, partilhar suas dores, angústias e alegrias, e quando percebe que não tem ninguém para partilhar, então caem em completa depressão e é aí que a vida ganha um significado muitas vezes pior que os animais. Muitas pessoas hoje em dia vivem em condições miseráveis que não sabe se realmente faz parte de uma sociedade, ou se é apenas mais um animal jogado no mundo sem ninguém para contá-lo.

Portanto, o mundo está carente de justiça e paz, de partilha, de um pouco mais de solidariedade, de justiça. Precisamos prender a cuidar não só de nós, do nosso próprio mundo, mas sairmos para as periferias que o lugar onde mais necessita, e fazer alguma coisa que contribua para uma vida melhor e mais solidária. É certo que muitas pessoas já fazem este tipo de trabalho, no entanto, este é o compromisso de todos nós, e não basta apenas nos comovermos com a situação, é preciso realmente ir até o sofredor, ouvir eu lamento de dor, seu apelo por justiça, se conseguirmos transmitir uma palavra de conforto, conscientizá-lo para os perigos do dia-dia, e tararmos uma pessoa da miséria; já é uma grande contribuição.

4.1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Editora abril cultural, 1973.

CASTRO, J. Geografia da fome: A fome no Brasil. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1946.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 FOME E MISÉRIA[7]

 

Ao fazermos uma análise da obra de Aristóteles Política, vê-se que a injustiça social assola o mundo quando o enfoque é Fome e Miséria. A Organização Mundial de Saúde estiam que há cerca de 100 milhões de crianças passando fome no mundo, sendo que 10% delas morrem por ano, lentamente por inanição; 95% dessas mortes se localizam no Terceiro Mundo. Sabe-se que o genocídio de 6 milhões de judeus promovidos por Hitler abalou a consciência moral do mundo, que pensar desse genocídio previsível e calculado pelos organismos da ONU,  ano por ano no mundo, com perspectivas atuais de deterioração!

A FOME é um fenômeno histórico que povos e nações conseguiram erradicar e que outros povos e nações vêem-na aprofundar-se como um mal que se alastra e assola a sua gente, torna-a frágil e dependente. Se ela é um problema milenar não se quer considerá-la ao mesmo tempo do ponto de vista fatalista, insolúvel e eterno. Pelo contrário, o exemplo dos países socialistas está aí para mostrar a fome como um fantasma superado. Embora neles não haja opulência, com uma renda duas vezes mais elevada que a dos países do Terceiro Mundo, conseguiram assegurar uma distribuição de renda mais igualitária e voltar sus estratégias de desenvolvimento para as necessidades básicas da população, tendo liquidado por baixo o fenômeno da subalimentação. No entanto, enquanto problema secular, a fome tem dizimado a humanidade e sua perenização na história faz que para muitos homens, mulheres e crianças, a situação nada tenha de transitório, é uma condição de vida com que se defrontam. É uma gritante realidade que apela para a ação imediata dos que podem de alguma forma aliviar-lhes o sofrimento e para uma revisão séria das estruturas de distribuição, de acesso à terra e de acesso ao produto nos países que padecem desse mal, e uma revisão mais séria ainda dos mecanismos e relações de poder que geram e perpetuam a situação. Não faltam alimentos no mundo. Os Organismos da ONU que trabalham sobre o tema afirmam que a produção mundial de alimentos está acima das necessidades atuais da humanidade em 10% e que as mortes por  subalimentação poderiam ser eliminadas com a realocação de 2% da produção mundial de cereais. Portanto, a fome é um fenômeno que apela para mudanças políticas, uma vez que ela é previsível e evitável.

Para Aristóteles, o Estado deve zelar pelo ideal de uma vida humana perfeita, e a política deve dar as diretrizes para a execução desse ideal. Por isso, examina os diversos tipos de governo e conclui que o valor de um regime político não está ligado ao modo de distribuição do poder, pois são igualmente bons os governos de um só (monarquia), de um pequeno grupo (aristocracia) ou do povo (democracia moderada ou república), desde que tenham por objetivo o interesse comum. Se isso não ocorrer, essas mesmas formas se tornarão desviadas, corrompidas, perversas: tirania, oligarquia e demagogia. Segundo Aristóteles a finalidade e o objetivo da cidade é a vida boa, e tais instituições (regime) propiciam esse fim. A cidade é constituída pela comunidade de famílias de aldeias, numa existência perfeita e auto-suficiente; e esta é, em nosso juízo, a vida feliz e boa.

Portanto, se o Estado é que deve zelar pelo ideal humano, o que está fazendo os governantes dos países em dificuldade financeira e países em que a economia prevalece, para Aristóteles seria virtuoso se os governantes desses países dessem a mão e se unissem contra a fome e a miséria. Mas o que parece é que há falta de interesses políticos.

Mais do que uma cidade justa, Aristóteles quer uma cidade feliz. Mas para que isso aconteça é necessário conhecer como é formado a pólis e seus objetivos, uma vez que as relações entre os homens e a vida social destes está centralizada na ágora, espaço onde são discutidos os problemas de interesse comum.

A formação da pólis que se considera historicamente os atenienses o primeiro povo a elaborar o ideal democrático, dando ao cidadão a capacidade de decidir os destinos da pólis. Povo habituado ao discurso encontra na ágora o espaço social para o debate e exercício da persuasão. Observa-se que toda a cidade é uma certa forma de comunidade e que toda a comunidade é constituída em vista de algum bem. O bem do indivíduo e o bem da pólis têm a mesma natureza, já que ambos consistem na virtude, e o desenvolvimento natural do homem culmina na associação política.

Situemos a questão da fome no Brasil, triste exemplo dentro do Terceiro Mundo, onde as contradições do sistema capitalista atingem proporções dramáticas. Se neste país o fenômeno pode-se considerar concomitante à sua própria história (Brasil Colônia, Império e República) tomaremos apenas o momento histórico atual, quando o modelo de desenvolvimento adotado veio agravar a calamidade secular. No começo da década de 80, através de uma política agrícola voltada para o exterior, o país se alçava à posição de 4º exportador mundial de alimentos e por outro era denunciado com dados da FAO, (Food and Agriculture Organization), como o 6º lugar em subnutrição, apenas perdendo para a Índia, Bangladesh, Paquistão, Filipinas e Indonésia. Enquanto é considera hoje a 8º maior economia do mundo capitalista, os dados do IPEA de 1984 revelam 86 milhões de subnutridos, ou seja, 64% da população. De acordo com a UNICEF, no país, meio milhão de crianças morrem de fome por ano. Segundo informação apresentada por um Coronel da 10ª Região Militar, 48% dos rapazes alistados em 1984 para o serviço militar foram desqualificados por baixa estatura, peso abaixo da média e arcada dentária irregular. Essa cifra confirmada em termos nacionais em torno de 47% mostra que a questão da FOME em nosso país é não somente uma doença física e social, mas é um grave problema de soberania e de segurança nacional.

O estudo atual, realizado em cinco áreas do Grande Rio tenta captar, através de entrevistas abertas, as condições de vida dessas populações, ouvindo o que 74 famílias têm a dizer, como sentem, como vivem, como expressam e como interpretam sua situação de pobreza. É um confronto com parcela significativa de pessoas que narram as suas luta diária papa sobreviver. Em termos de alimentação, a pesquisa detecta a dificuldade das famílias para conseguir o “arroz com feijão”, alimentos básicos 100% presentes em todas as mesas e cujo preço tem subido mais do que a inflação e do que o custo de vida. A carne, sempre mencionada nos relatos, passa a ser idealizada, irreal no prato cotidiano. O estudo nas cinco áreas revela que uma média de 72% do orçamento são gastos na alimentação, e que, em termos globais, 70% da alimentação dessas famílias se resumem em arroz, feijão, café pão e angu. Os 30% restantes dos componentes alimentares constam de 46 alimentos citados com freqüência mínima num recordatório de 24 horas. Mais alarmante ainda, em 10 das 74 famílias o orçamento fica abaixo dos gastos com alimentação e em duas o orçamento é igual às despesas alimentares. A pesquisa descobre também estratégias para manter-se vivo, como a recorrência à solidariedade da vizinha também pobre, às instituições de caridade, à cata do lixo, às “xepas” das feiras, dos armazéns, dos  supermercados e dos restaurantes. Em várias famílias a refeição, o “arroz com feijão”, passaram a ser consumida apenas uma vez por dia. A água com açúcar ou o café ralo e bem adoçado completam com o dormir cedo e o acordar tarde a forma de enfrentar o dia-a-dia e não morrer de fome. Tal situação atinge particularmente famílias onde os responsáveis estão desempregados ou aquelas sustentadas por mulheres impedidas de trabalhar fora para cuidarem de seus filhos. Encontrou-se uma casa onde a mãe e os onze filhos há três dias passavam a água com açúcar. Numa das áreas, um dos moradores não-pertencente ao núcleo entrevistado, ao ver o grupo da pesquisa, gritava desesperado: “Nosso problema é emprego e salário. Dêem-nos emprego e salário e os restos saberemos resolver com nossas famílias!” Neste particular é importante registrar que não se detectou na pesquisa nenhum “chefe-de-família” que se poderia classificar de “preguiçoso ou indolente”. Pelo contrário, observou-se uma preocupação insana de resolver os problemas de sobrevivência, problemas revelados com certa “vergonha” como se fossem uma mancha na dignidade das famílias. Nas expressões dos entrevistados pode-se perceber também o respeito aos valores de propriedade e de moral veiculados pela sociedade ao lado de um espírito de luta e de dignidade que bem ratificaria a epígrafe “nem só de pão vive o homem”. No entanto, alguns mais jovens levantaram questionamentos sobre os mencionados valores dominantes, através da aprovação dos saques e invasões de supermercados e dos roubos de alimentos que estavam ocorrendo na mesma ocasião da pesquisa em vários Estados do país. Viam tais acontecimentos como as formas possíveis de enfrentar a situação desesperante. Por outro lado, tanto por parte dos mais idosos como dos jovens notou-se uma profunda descrença em relação aos poderes públicos e a quaisquer organizações externas, para solucionar sua situação. A crítica contundente ao governo e aos políticos vem acompanhada de uma sensação de impotência frente à deterioração da sua qualidade de vida. É que as famílias percebem dentro de suas próprias casas a deprimência, resultado da fome. Os filhos mais velhos comentam, apesar da perenidade de sua situação de pobreza, eram “mais fortes, mais altos, mais corados”. Os menores são “fraquinhos”, alguns nunca puseram um pedaço de carne na boca e por isso a “estranham”; outros nunca provaram leite apesar de seus quatro, cinco anos; outros ainda, com seus quatro anos sugam o peito famélico de suas mães, uma forma de enganar a fome. Por todo lado, nas áreas pesquisadas está o espetáculo triste de crianças com dentes apodrecidos, pálidos, barrigudinhos, com peso e altura muito abaixo dos considerados padrões médios.

Que representatividade teria esses dados, poder-se-ia perguntar, na medida em que se trabalha com um grupo de apenas 74 famílias e limitado ao Grande Rio. Certamente não se pretendeu estabelecer generalizações a partir do referido estudo, a não ser na medida em que podem ser pensadas “tipologias” ou “configurações” de situações semelhantes para outros grupos de populações pobres. Isso seria corroborado pelas afirmações dos cientistas sociais e da área médica e nutricional a respeito da expansão da fome por todo o mapa do Brasil, e de modo especial pelas áreas metropolitanas.

Por fim, a pesquisa desmente o mito da ignorância popular sobre a alimentação. Perguntados sobre os alimentos melhores para a saúde, os entrevistados sem exceção citam os que dentro de nossa tradição alimentar possuem vitaminas, proteínas e sais minerais. Distinguem, porém, os que “mais sustentam”, isto é, aqueles que “enchem a barriga” referidos a suas possibilidades imediatas: “o arroz, o feijão, a farinha, o macarrão, o angu”, e sempre em primeiro lugar o “arroz com feijão”. Em outras palavras, na pesquisa fica comprovado que essas famílias comem mal ou de forma insuficiente, não porque ignorem, mas porque não tem dinheiro para adquirirem a suficiente e eficiente ração alimentar. Neste sentido, a fome no Brasil, como nos países do Terceiro Mundo não é apenas uma subalimentação de elementos protéicos, mas é uma fome de quantidade – falta comida bastante para fornecer calorias necessárias aos indivíduos. Como afirmam especialistas no assunto, no Brasil não existem os que sabem e os que não sabem comer e sim os que podem e os não podem comprar os alimentos necessários.

            Para Aristóteles o cidadão político deve agir de forma íntegra e justa, para poder participar ativamente na cidade. A vida política é a realização das possibilidades do homem, porque o homem participa da administração e faz parte integrante da sociedade.

            Assim sendo, Aristóteles quer uma cidade justa onde todos possam sentir bem e feliz, gozando do que é melhor para o indivíduo, que haja uma distribuição igual a todos e que não passem privações, pois como se viu nos dados acima há uma desigualdade alarmante, uns poucos têm muito e muitos têm pouco ou quase nada, vivendo na miséria. Se os homens tivessem uma consciência de que ao morrerem nada levarão junto à urna, talvez mudassem a forma de pensar e poderia talvez haver uma distribuição de renda melhor.

 

5.1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ARISTÓTELES. Política.  Trad. de Antonio Campelo Amaral; Carlos Gomes. São Paulo: Vega , 1998.

MINAYO, M. C. S. de. Raízes da Fome. Petrópolis: Vozes, 1987.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6 A FOME, MISÉRIA E AS APROXIMAÇÕES COM O PENSAMENTO FILOSÓFICO DE ERIC WEIL[8]

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Durante o percurso da história vê-se vários personagens despertarem, uns com mais destaques e outros de forma mais tímida. Mas existe uma figura que insiste (infelizmente) de permanecer que é a fome e a miséria mundial que será o tema vigente neste trabalho. Nesse sentido, vê-se constantemente  cenas de mães e filhos esquálidos, envoltos em trapos e rodeados de moscas que já se tornaram comuns e não chocam mais os sentimentos dos receptores. Às vezes, um ou outro artista lança uma campanha para conseguir ajuda e assim poder amenizar o sofrimento, mas logo depois é esquecido (as campanhas muitas vezes funcionam como efeito anestésico, pois passam em curto tempo). Após alguns meses repetem-se as mesmas cenas de calamidades humanas em alguma outra parte do mundo, em que as pessoas fazem os mesmos comentários de desaprovação para esquecerem tudo novamente poucos dias depois.

Diante do meio acadêmico e no social prático constata-se inúmeros filósofos, sociólogos, antropólogos e economistas debruçados sobre a questão da existência humana em várias perspectivas, porém sem estabelecerem um consenso sobre as causas dos males da humanidade, sobretudo, sobre a fome e miséria (uma das grandes vergonhas da humanidade), menos ainda, como é notório, em relação às providências para sua erradicação.

Estudiosos chegaram a algumas conclusões que podem ser classificadas como diagnósticos parciais do problema. Nesse sentido, os trabalhos até agora desenvolvidos têm de fato uma importância bastante grande, já que nos permitem visualizar com maior clareza os efeitos terrenos do atuar errado do ser humano. Contudo, também eles não apontam as causas reais da fome e da miséria no mundo.

Nesse sentido, o presente trabalho toma como princípio de análise em relação ao tema proposto a teoria malthusiana, a história dos povos e seus regimes socialista e capitalista. Ademais, será analisado alguns dados sobre o tema a nível mundial, seguindo por fim para a proposta da filosofia política de Eric Weil, cujo tema que será apresentado se refere a formação do Estado Mundial, dado em sua obra Filosofia Política, a partir da qual pode-se realizar algumas reflexões em relação ao tema em questão.

 

 

 

6.1 A FOME E A MISÉRIA PERANTE OS NÚMEROS

 

 

No ano de 1798, o economista inglês Thomas Malthus publicou uma obra intitulado Ensaio Sobre o Princípio da População. Nesse trabalho, Malthus afirmava que a produção de alimentos no mundo crescia em progressão aritmética, enquanto que a população crescia em progressão geométrica. A conseqüência inevitável dessa desproporção seria pobreza crescente e fome permanente. Quando essa situação chega a extremos, a própria natureza interviria, por meio de pestes, epidemias e guerras, restabelecendo o equilíbrio. Essa é a razão, segundo os adeptos do malthusianismo, de a fome e a miséria ainda não terem atingido integralmente todos os povos da Terra.

No que essa teoria está certa, e no que ela está errada? Quando Malthus lançou o seu ensaio, havia cerca de um bilhão de pessoas vivendo na Terra. Passados 150 anos, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, o mundo havia ganhado outro bilhão de habitantes. No início de 1992 a população mundial já atingia 5,5 bilhões de pessoas, num ritmo de crescimento de um bilhão de pessoas (quase uma China) por década.

Malthus, portanto, estava certo sobre a velocidade do crescimento da população mundial. Seu erro, porém, foi considerar essa taxa de crescimento como um parâmetro normal da natureza, isto é, apenas constatar, considerando como natural, a velocidade do crescimento populacional. Nunca esteve previsto, de maneira alguma, que a Terra tivesse de abrigar uma tal quantidade de criaturas humanas, muito menos ainda que o ritmo de crescimento populacional fosse o que atualmente se verifica.

Nas últimas décadas a busca de lucro a qualquer preço e a acentuada concentração de renda constatada em todo o mundo não são elas somente as causas reais da fome e da miséria no mundo, mas são também por causa dos efeitos retroativos da má vontade humana. Se a concentração de renda em nível mundial, que cresce continuamente, faz crescer a fome e perpetua a miséria, então isso significa que ela é um dos mecanismos terrenamente com efeitos coletivos. Os outros mecanismos são as guerras entre Estados e os regimes políticos desumanos.

Os povos que tiveram de experimentar o comunismo nesse nosso século, por exemplo, não foram acaso vítimas inocentes das circunstâncias. Em outras vidas aquelas pessoas apoiaram concepções e ideologias erradas sobre uma pretensa igualdade social e fomentaram o inconformismo em relação a isso. Agora, receberam os frutos de suas ações de outrora. Através da vivência amarga dentro de um regime político insano e tirânico, muitos puderam reconhecer o quanto de doentio existe na tentativa de forçar uma igualdade impossível entre os seres humanos, tão diferentes entre si em seus desenvolvimentos terrenais, anímicos e espirituais.

No regime capitalista não é diferente. Tudo hoje está torcido. A produção e comercialização de alimentos visam, única e exclusivamente o lucro. Seja na definição da área plantada e do tipo de cultura desenvolvida (segundo perspectivas de "preço de mercado") ou através de práticas empresariais repulsivas, como fazer galinhas ingerirem produtos químicos para tornar os ovos mais amarelos ou passar frutas através de raios X, para que as sementes morram e a concorrência não possa utilizá-las.

As tentativas de se entender e resolver os graves problemas humanos apenas com o intelecto, sem procurar conhecer suas causas mais profundas, redunda infalivelmente em fracasso e confusão. Uma amostra disso foi a chamada "Revolução Verde", que granjeou para o seu idealizador, um agrônomo americano, o Prêmio Nobel da Paz de 1970.

A idéia dessa “revolução” era de que não há melhor remédio para a fome e a miséria do que o progresso. De acordo com esse conceito, fome e miséria seriam erradicadas dos países pobres desde que se adotassem técnicas de produção adequadas. Com base de tudo eram sementes selecionadas, produzidas em laboratório, também chamadas de "variedades de alto rendimento". Sob o ponto de vista da produção, o resultado da utilização dessas sementes foram espetaculares.

Mesmo assim  a Miséria e a fome continuam assolando o planeta, em vários graus, aumentam em toda a Terra, pois essas técnicas foram concentradas nos paises desenvolvidos. Além disso, a fome e a miséria pode ser evidenciada na luta entre os Estados que causou duas grandes guerras que marcaram a história contemporânea, do interesses econômicos que visa um mercado mundial de separação entre ricos e miseráveis causando a desumanidade, da subnutrição crônica à morte por inanição, da queda do padrão de vida à falta de moradia e vestuário, tudo fruto da atuação humana de forma egoísta. Por isso, a cura dessas mazelas só virá quando o ser humano reaprender a viver de maneira certa. Numa rápida amostragem, verifica-se que já produziram a fome e a miséria no mundo durante os séculos e se fundamentou mais ainda nos séculos XIX e XX.

Assim a partir dos dados pode-se evidenciar que a fome e a miséria não têm pausa, pois ela segue matando de maneira endêmica em muitas regiões do globo. De acordo com dados da ONU, 20 milhões de crianças morrem de fome anualmente em todo o mundo; cerca de 37 mil crianças com menos de 5 anos morrem de fome diariamente.

Durante a Conferência Mundial de Alimentação realizada em Roma, em novembro de 1996, o órgão da ONU para agricultura e alimentação (FAO) divulgou um relatório sobre o número estimado de famintos no mundo: 800 milhões de pessoas apenas nos países em desenvolvimento — 215 milhões só na África subsaariana, correspondendo a 43% da população daquela região — e mais 200 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrendo deficiências agudas por falta de proteínas e calorias.

Números espantosos, que, no entanto, são considerados incorretos pelo professor Peter Suedberg, da Universidade de Estocolmo, convencido de que na realidade eles são muitos maiores. E o espanto fica ainda maior se juntarmos a isso uma estatística da OIT, informando que no início da década de 90 havia, apenas nas grandes cidades, cerca de 400 milhões de pessoas vivendo na pobreza, correspondendo a um terço da população urbana mundial. Segundo o Órgão, mantida a mesma tendência de crescimento da pobreza, esse número se elevaria a um bilhão até o final do século.  

Por fim, o retrato do “rosto” de uma das grandes vergonhas da humanidade que é a fome e a miséria no mundo em nossa época insiste em permanecer na história. Um sofrimento horrível, que atinge diariamente milhões e milhões de pessoas e que, no entanto, foi acarretado por elas mesmas. Esses acontecimentos terríveis, assim como tantos outros, deveriam ser encarados pela parte da humanidade ainda não atingida por eles como avisos e alertas gravíssimos, para que volte, ainda em tempo, a viver de acordo em um Estado que vise a moral, a ética a fim de cumprir uma política universal e racional na paz dos grupos sociais. Nesse sentido, pode-se retratar sobre a filosofia weiliana na especificidade  da constituição do Estado Mundial que tem como missão social homogeneizar os níveis de vida dos povos.

 

6.2 O ESTADO MUNDIAL NA FILOSOFIA POLÍTICA WEILIANA

 

 

Eric Weil nasceu no dia oito de junho em Parchim, atual República Democrática da Alemanha, no ano de 1904. Estudou medicina e filosofia nas universidades de Hamburgo e Berlim. Suas obras mais significativas são: Lógica da Filosofia, 1950 (2º edição revisada 1967); Hegel e a Ética, 1950 (5º edição 1980); Filosofia Política, 1956 (4º edição1984); Filosofia Moral, 1961 (3º edição 1981); Problemas Kantianos,1963 (2º edição aumentada 1971, 1982).

O percurso que Weil encadeia na sua obra Filosofia Política pode ser reunido em planos de análises separados. Ele parte caracterizando a Moral, seguindo para a Sociedade, Estado. Portanto segundo Weil, no que se refere ao Estado Mundial, por estar no final do percurso de sua obra, é a categoria mais correta para ser concretizada nos Estados atuais. Mas para chegar a esse termo faz-se necessário apresentar o seu contexto histórico e as categorias weilianas que são necessários para conduzir as reflexões, cujo fim é alcançar tais compreensões acerca do Estado Mundial.

Para chegar ao Estado Mundial, Weil abordará as questões acerca das relações internacionais e as violências que percorre toda a sua reflexão filosófica. Pode-se destacar a guerra entre os Estados, sobretudo, as violências do século XX, que conheceu duas guerras mundiais superando os demais conflitos anteriores. Weil ainda nos fala dessa violência natural que ameaça a raça humana em todos os momentos de sua história. Essa ameaça é a luta constante do homem que infelizmente se deixou levar pelos interesses econômicos que visa um mercado mundial separatista e desumano, desencadeando “um mercado mundial que visa dia-a-dia à separação dos continentes e a destruição da maior parte da humanidade” (SOARES, 1998, p. 62).

Faz-se, necessário buscar nas reflexões filosóficas de Eric Weil o sentido da razão e da universalidade em relação ao Estado, com o objetivo compreender a formação do Estado Mundial weiliano, tendo como plano de fundo, a união dos Estados e excluindo a competição entre os Estados, isto é, manter a justiça social homogeneizando os níveis de vida dos povos para perpetuar assim a paz entre os Estados.

 

 

6.2.1       A Universalidade e o Estado Mundial

 

 

Pode-se iniciar a reflexão com a constatação de uma determinada anarquia imposta a todos, em que não existe comunidade internacional organizada, pois são pequenas sociedades particulares divididas em grupos e não são totalmente racionais, por conseguinte é forte o sentimento de injustiça social formada pela miséria e pela fome. Mas é pelo direito que os homens se organizam em comunidades, isto é, pelas regras que se impõe para determinar uma certa ordem. Decerto é por intermédio do Estado que mantêm uma certa ordem por meio de uma arbitragem que toma decisões.

Na primeira parte da obra Filosofia Política trata-se acerca do universalismo moral, em que o homem moral é aquele que busca a satisfação e a dignidade de uma vida individual consciente. Essa vida individual consciente é a vida em que todo homem é chamado como indivíduo à razão, ou seja, “o indivíduo moral busca o acordo razoável consigo mesmo. Ele age sobre si mesmo para que nele coincidam a razão e a vontade empírica” (WEIL, 1990, p. 33). Assim, o homem perante a moral elabora a primeira universalidade, fazendo a história da humanidade ganhar sentido. Essa universalização “é no indivíduo que a razão deve prevalecer sobre a paixão que o universal deve dominar e informar o particular: é a sua própria satisfação que deve ser universalizada” (WEIL, 1990, p. 34). Com isso, a universalidade da razão moral passa a ser tentativa de uma moral concreta, e assim essa universalidade pode constituir uma reivindicação positiva, isto é, de igualdade relacionada ao direito histórico.

Nessa universalização a moral será de autocompreensão: “se a moral se autocompreende como teoria da ação não só moralmente irrepreensível, mas positivamente válida ao mundo, o homem moral agirá doravante sobre si mesmo, a fim de agir bem no mundo” (WEIL, 1990, p. 40). Desse agir no mundo de forma universal, ou seja, igualdade nas ações diante da lei, poderá, então, conceber a partir da moral, do direito universal, de um direito natural[9]. Nesse sentido, retorna-se ao cristianismo medieval que também acrescentou ao universalismo a idéia de humanidade única, demonstrando que todos os homens são concidadãos em um único cosmo, isto é, em um único rebanho regido na regra de uma lei comum.

Na sociedade moderna vai-se encontrar autônoma, o que difere do medieval e se define no Estado, pois passa ser particularizada, privada. Essa sociedade que se chama moderna tem suas próprias leis que regem e são as leis do mercado, da economia, do lucro, isto é, de uma sociedade pautada na violência. Indubitavelmente essa sociedade existe como lei tendencial da história econômica, ou seja, dos interesses econômicos, cujas autarquias, a luta do indivíduo contra o indivíduo tornou obstáculos no desenvolvimento geral dos Estados.

Devido a isso, Weil vai tratar sobre a racionalização da sociedade, em que o  trabalho se destaca do caráter não do indivíduo humano, pois tem menos chances de sobreviver, mas se define sob condições naturalmente universalizados o que difere dos demais animais. Nesse direito moderno cada homem é tido como ser livre e racional na totalidade das ações, ou seja, constitui uma moderna comunidade que é a sociedade mundial que caminha para uma comunidade humana globalmente organizada, porém nada o livrará da violência natural por ter o consumo humano fora da totalidade, ou seja, sem conhecer os seus limites.

Ao se tratar de universalização, o grande otimismo é a paz, isto é, de uma sociedade pacífica, cuja guerra é considerada como negativo, sobretudo, nos Estados. Aqui se pode referir a contribuição kantiana, pois na sua filosofia política traz a idéia de uma história Universal, do Imperativo Categórico (aja de tal forma que a sua ação se torne uma máxima universal), e projeta a “Paz Perpétua”. Com isso, torna-se possível pensar a história como realização do direito internacional que é a universalização concreta.

Nesse sentido, faz-se necessário a reflexão weiliana entre o pacifismo da sociedade e o belicismo do Estado. Para Weil o homem é aquele que busca o conforto, prosperidade, em que percebe a guerra como ato negativo, um problema para a ação e não para debates morais. Então, o autor afirma que

 

o homem de Estado razoável só admite a guerra por ser o único meio de defender uma forma de vida, e, portanto, a dirige em vista da paz: isto é certo e só foi contestado (mas de modo algum tornado duvidoso) pelos que, por princípio, optam pela violência (WEIL, 1990. p. 309).

 

Portanto, esses homens que querem conforto valorizam sua comunidade e somente quando está ameaçada sua independência, eles são capazes de arriscar a vida.

Assim, a dualidade entre pequenos Estados e grandes Estados, isto é, pequenas potências e grandes potências, concebem às grandes potências o poder de chegar a uma hegemonia mundial. Em contrapartida, a derrota dos pequenos Estados pode ser um fracasso para os grandes Estados, pois carecerá de reestruturá-los. Em relação a isso, Weil afirma que “a guerra, portanto, não é nunca impossível, mas é sempre menos provável” (WEIL, 1990, p. 307).

 

 

 

6.2.2       As Características do Estado Mundial

 

 

Parte-se do conceito weiliano que o Estado é uma organização racional da comunidade, isto é, o Estado moderno é essa organização consciente de uma comunidade racional e age racionalmente. Pode-se considerar essa organização da universalidade política uma organização econômica que é a organização mundial, no qual o objetivo é a satisfação dos indivíduos razoáveis no interior dos Estados particulares livres. Com o advento do Estado Mundial, sabe-se que é ele que vai ter o papel de assegurar a coordenação econômica das sociedades particulares. Ele pode ocultar as irracionalidades econômicas que são resultados das competições entre as sociedades. O autor afirma que “uma igualização dos níveis de vida das diferentes sociedades é requerida para que tal Estado mundial possa subsistir” (WEIL, 1990, p. 321).

A característica primordial desse Estado Mundial é o seu dever de assumir um papel econômico de suma importância que é a missão social de homogeneizar os níveis de vida dos povos, a fim de manter a justiça social, que é nada mais do que a igualdade mundial dos níveis de vida. Sem essa ocorrência, os países pobres continuarão à mercê por ser alvo dos países ricos, produzindo assim um “câncer” de violência que na atualidade exprimiria na luta ideológica, do terrorismo internacional. Ademais, acarretando o aumento da fome e da miséria.

Nos Estados particulares, Weil recorda os direitos do homem e do cidadão que são a liberdade individual, a igualdade civil e a de oportunidades, sendo que também está ligada à estrutura da sociedade moderna. Portanto, é o Estado Mundial que tem a tarefa de organizar o trabalho mundial a partir da moral e do direito.

Uma outra característica do Estado Mundial é de ser formatado em uma comunidade formal e liberal, em que a liberalismo vai depender da racionalidade. Com isso, o tipo de vida é de estar fundada no trabalho e na igualdade de um direito universal.

Weil ainda conceitua o Estado Mundial como Estado verdadeiro, porque ele não é organizado para competição com os outros Estados. Weil compara esses Estados futuros à constituição de um tipo de pólis, pois a antiga pólis mantinha uma coesão social que poderia ser chamado de Estado.

Em suma, o Estado Mundial permite a libertação do indivíduo que realiza o “fim da história” que é o fim da política exterior, ou seja, é o cumprimento da ação política universal na paz dos grupos sociais. Portanto, os indivíduos e os grupos não se traem em comunidade, porque se encontram no desenvolvimento da excelência humana racional, mas que pode retornar a seu estado de recusa que é a categoria de violência, pois para Weil o homem é por natureza violência e somente por livre opção torna-se razão.

 

 

 

6.3       CONCLUSÃO

 

 

Portanto, perante o tema  dado ao presente trabalho como sendo A fome, miséria e as aproximações com o pensamento filosófico de Eric Weil, pode-se constatar de primeira instância um percurso histórico, político e filosófico acerca do tema em que se encadeou na busca de uma “paz perpétua” e o fim dessa herança vergonhosa da humanidade que é a fome e a miséria, onde toda a onda de violência entre Estados, de luta constante do homem que se levou pelo interesse econômico e egoísta, ideal de separação entre continentes entre ricos e pobres devem ser sanados  pela união dos Estados para manter a justiça social, satisfeita para todos e assim homogeneizando os níveis de vida dos povos garantidos pelo Estado Mundial.

Além disso, percebe-se que na política na atualidade ocupa o centro da civilização que avança, ainda de forma tímida, para além das particularidades em direção efetiva da universalização e da razão. Essa universalização requer um esforço de todos os homens para que todos possam a cada dia ter mais responsabilidade e conhecimento, ou seja, torna-se mais consciente no meio político e social em que vive, pois ele pode sucumbir no cotidiano da vida e esquecer ou ignorar a política e o meio social em sua perspectiva concreta, podendo causar assim um grande prejuízo para si e para a vida de uma nação. Assim, falar da formação de um Estado Mundial racional e universalizado weiliano faz sentido quando o homem olhando para a sua história percebe-se como edificador dela e se vê não fazendo ciência política que está no campo das utopias, mas sim filosofia política, cujo desafio filosófico foi lançado por Weil que é a construção do Estado Mundial para satisfazer a todos no plano social e econômica, mantendo assim o direito de sobrevivência.

 

 

6.4       REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

 

ADAS, M. A fome: crise ou escândalo? 18. ed. São Paulo: Moderna, 1993.

BOURDIEU, P. A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes, 1997.

MALTHUS, T. R. Princípios de economia política e considerações sobre sua aplicação prática ; Ensaio sobre a população. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

MANSUR, G. A fome do mundo. São Paulo: Melhoramentos, 1986.

SOARES, M.C. O Filósofo e o Político segundo Eric Weil. São Paulo: Loyola, 1998.

WEIL, E. Filosofia Política. Trad. Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1990.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 FOME E MISÉRIA[10]

 

Diante do trabalho proposto em relação à fome e a miséria observa-se que este tema vem propor também uma reflexão ética. Saciar a fome tem sido um objetivo que levou o homem a grandes empreendimentos desde os tempos mais antigos, onde o homem, para caçar a sua alimentação diária, foi descobrindo, inventando e aperfeiçoando a sua maneira de conseguir a satisfação para a sua necessidade biológica.

            Mas enquanto o homem viveu numa simbiose com a natureza, passar fome e miséria era apenas uma condição relativa que implicaria o domínio da mesma natureza para saciar a fome. No entanto, como o homem que passa fome e miséria na sociedade Moderna é o homem que têm impossibilidade de comer porque vive numa sociedade de injustiça e que, apesar disso, fica calado ou contenta-se em explorar os monturos de lixo.

            Nesta mesma visão, a fome e a miséria são causadas como fruto da exploração demográfica nos países pobres e, no entanto, pode-se facilmente observar que a fome e a miséria são um produto da política econômica que continua a favorecer os mais ricos, e na verdade, a fome é que gera a explosão demográfica.

            Essa política que está conduzindo a fome a um ponto de torna-la uma arma de dominação graças á dependência a qual os países de terceiro mundo vão encontrar culturas diferentes, como os costumes de camponês da América Central ou a pobreza religiosa do hindu, países onde a fome e a miséria se tornaram uma rotina a ponto de o sujeito ambientar-se ou acostumar-se a viver com a necessidade, vida que não se prolongará por muito tempo pela completa falta de defesas de seu organismo.

            E assim, enquanto esta população carente vai aos poucos morrendo, na longa agonia da miséria e da fome, os países desenvolvidos alimentam ricamente seus animais para obter carnes e produtos animais da melhor qualidade, e criando fantasias no modelo alimentar para que este seja adotado pelos países dependentes, com uma única e maldita finalidade: o lucro.

            E no decorrer desta abordagem do trabalho proposto pelo professor Haroldo observa-se que a solução que vai se delineando explicitamente não é a do economista inglês Malthus que pregava o controle demográfico como solução da fome e da miséria, mas ao contrário, uma distribuição justa de toda a riqueza alimentar que o planeta possui, porque deste modo, o controle demográfico virá por acréscimo quando a necessidade básica dos indivíduos estiver satisfeita.

            A solução que é preconizada, de fato, se mostra muito distante do alcance das possibilidades, porque dificilmente encontraríamos quem quisesse dividir seu pão com aquele que quer dividir sua fome, para torna-la menor e ser mais facilmente satisfeita. 

            Mas a solução não é combater a fome e a miséria sozinho, mas sim unir as forças para atingir o mesmo objetivo; é solidarizar-se.

            O filósofo Enrique Dussel diz que "combater a fome e a miséria é estar a favor do oprimido" e estar a favor do oprimido é uma luta pela justiça tão mal encarada pelos poderosos, e conseqüentemente, quem quer saciar a fome do oprimido declara-se a favor da justiça, e esta justiça deverá custar muito caro; um preço que os corajosos, não os covardes poderosos, deverão pagar, mas com toda certeza um preço que devera acabar de vez com o preço tão alto que estão pagando, pela injustiça, os povos da fome e da miséria.

Desse modo, quero  me direcionar meu pensamento a uma  reflexão e uma análise mais detalhada do ponto de vista ético. Pretendo apontar alguns aspectos do filósofo Maquiavel ao qual me dedicarei o trabalho final na conclusão do curso.   

             Para se compreender melhor o motivo que levou Maquiavel a desenvolver seus escritos sobre a política é necessário uma rápida viagem á sua época para analisar as estruturas do seu período.

            No Ocidente, nos séculos XV e XVI, um complexo de circunstâncias de variados caracteres provocaram profundas e decisivas transformações que alterariam a fisionomia da vida e da cultura européia: a Idade Moderna. No entanto, não devemos considerar uma ruptura entre estes dois períodos (Idade Média - Idade Moderna), é mais adequado considerar uma continuidade, pois houve lentas e gradativas variações do pensamento político.

            Não se pode negar que houve enfraquecimento dos poderes locais e do poder “supranacional” da igreja num processo de centralização e consolidação das monarquias nacionais.

            Na Idade Média encontram-se tendências á superação das relações feudais. Havia uma íntima relação entre as monarquias feudais e a igreja, onde esta atribuía aquela um poder regular de origem divina.

            Mesmo na nova época, o mundo e a sociedade ainda obedecem a forças supra-sensíveis, a idéias de uma ordenação teológica. Apesar desta visão ainda não ter sido superado pelo humanismo e pela reforma, o homem ainda não havia despertado de todo. A linguagem política dos primeiros séculos modernos é marcada pela permanência. O pensamento dominante ainda tem a fé como registro primário, norteador, biológico e as leis naturais como o que diz respeito á ordem política e social.

            A teologia política do absolutismo no direito divino foi produto tanto de um processo de transformações econômicas, como de tentações políticas e sociais num quadro complicado, onde se deu a centralização e consolidação dos estados modernos a nível político.

            O absolutismo monárquico, legitimado pela teoria do direito divino, tornou-se, na teoria e na pratica, a resposta mais contundente para o problema da segurança e da ordem. O direito divino assegurava que o poder vem direto de Deus para os soberanos, sem qualquer possibilidade de intervenção do povo e que, por ser de origem divina, é hereditário e irrevogável.

            O direito divino encontrou força na reforma porque proporcionava um maior espaço de atuação para os soberanos ao opor-se ao comando da igreja. A reforma veio atender aos anseios nacionalistas, pois alem de proclamar a autonomia das igrejas nacionais, aceitava por aderência a dependência do Estado.

            Segundo R. Mousnier, todo mundo queria ver no rei a imagem de Deus. O Rei deve ser um herói, amante de gloria, a antiga, trotetor das letras, como Augusto; protetor da igreja, como Constantino e legislador como Justiniano, mas com uma predileção pelas armas, pois a qualidade de conquistador é considerada a mais nobre e mais elevada dos títulos por todos os contemporâneos.

Na Itália renascentista reinava grande confusão, a tirania imperava em principados governados despoticamente por casos sem tradição dinástica ou de direitos contestáveis. A ilegitimidade do poder gerava situações de crise e instabilidade permanente, onde somente o cálculo político, a astúcia e a ação rápida e fulminante contra adversários eram capazes de manter o príncipe. Como o poder era conseguido exclusivamente pela força era possível e natural que também pela força fosse deslocado deste para aquele senhor, em que nem a religião, nem a tradição, nem a vontade popular legitimavam o soberano, e este tinha de contar exclusivamente com sua força criadora. É neste panorama de crise econômica e política que Nicolau Maquiavel, vem à luz em Florença e como salientamos desde a antiguidade até os dias de hoje vivemos em  conflito de poderes econômico, político e religioso.

Em suma, deseja-se um  mundo sem fome sem miséria; pode-se dizer que isto não seria uma coisa de sonhadores, de quem está completamente alheio á realidade que não vê que isto é impossível onde a ética pode e deve prevalecer.

Certamente a fome e a miséria nunca, em toda a história humana, castigaram tantos como está atualmente castigando, porque também nunca como hoje, tantas forças poderosas e interesseiras tiveram a idéia de explorar esse rico e rendoso comércio da miséria.

Mas desde que o oprimido passa a ter na sua visão que as coisas são desta maneira, não por serem naturais ou por intervenção divina, mas por causa da exploração dos poderosos, ele também passa a entender que as coisas poderiam ser de outra maneira.

E o primeiro passo para alcançar uma libertação  é ter consciência de estar sendo dominado, e assim, proceder de maneira que todas as forças que estão sendo oprimidas, comprimidas, se unam e explodem arrasando as forças que as comprimem, não para torna-se um novo opressor, mas para conquistar, assim, os direitos de todo ser humano.

            Não se pode simplesmente esperar que algum milagre aconteça, pois num mundo de desigualdade o que importa é eliminar o que está incomodando, através de modelos alimentares, de modos de produção, promovendo com isso, uma miséria cada vez mais intensa e arrasadora.

            Em que condição estará este mundo no ano 2008 diante de toda a problemática da fome e da miséria comentada? Que herança deixará esta humanidade para seus filhos, que provavelmente dentro de alguns anos poderão estar repetindo e continuando os mesmos erros deste fracassado século XX? O século que fabricou tantas desgraças em pouco tempo graças ao espírito ganancioso dos poderosos, insaciável de poder.

            De fato o que se está plantando hoje dará seus frutos amanhã, e é muito cômodo esperar que as gerações futuras mudem um mundo que lhe foi entregue imprestável, pois, se continuar do jeito que esta, talvez nem as gerações futuras chegarão existir.

            O importante é plantar e lutar hoje, com o suor do rosto e a dor de infrutíferos combates, na conscientização de massas que estão simplesmente satisfeitas com a situação, na frugalidade de campanhas interesseiras que oferecem soluções vis, muitos estarão padecendo miseravelmente de fome. E apesar de que no meio de tantos  que morrem de fome nestes últimos tempos poderiam estar pessoas que saberiam resolver tantos problemas da humanidade, e que agora não resolverão mais nada, como numa espécie de vingança, simplesmente por não termos nos preocupado e partindo para a ação muito tempo antes. É justo que isto pareça um sonho, mas todo sonho só se realiza a partir da ação concreta, e neste caso é preciso agir antes que seja tarde demais para a humanidade. Sendo  assim, quando não mais existir em nos o egoísmo estamos livres para entender o mundo e a nos mesmos. Acredito que isto é ser ético, mas precisamos nos preocupar mais com os nossos semelhantes pois quando e fazer nossa parte conscientizando as pessoas a fazer uma reflexão ética diante do mundo.

 

7.1 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

ABRAMOVAY, R. O que é fome? São Paulo: Brasiliense, 1984.

CASTRO, J. Geopolítica da fome.  7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1965.

LARIVAILLE, P. A Itália no tempo de Maquiavel: Florença e Roma. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

 

             

 

 

 

 

 



[1] Tema desenvolvido pelo aluno Adriano dos Santos Cabral.

[2] Fortes e fracos em sentido de poder político, não em relação à força física, pois está, segundo Rousseau, no estado natural é quase que imperceptível levando em consideração que um indivíduo mais fraco pode tomar-se de uma pedra ou pau e se igualar a seu superior.

[3] Tema desenvolvido pelo aluno Benedito Maurílio Fagundes.

[4] Tema desenvolvido por Emerson Goulart.

[5] Tema da Monografia: A justiça e a amizade em Aristóteles como virtudes políticas.

[6] Tema desenvolvido por Gerson  Francisco de Souza.

[7] Tema elaborado por Jaime Pavanelli.

[8] Tema desenvolvido por José Luiz Sauer Teixeira.

[9] A idéia de “direito natural” tem como fundamento o princípio da igualdade, seja a igualdade dos seus seres razoáveis, seja a igualdade diante da lei. Pode ser visto com maiores detalhes na obra: WEIL, E. Filosofia Política, 1990, p. 43-52.

[10] Tema elaborado por Valdeci Aparecido Gaias.

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