REBELDIA
O peso dos sonhos revelados abateu-se em minha realidade
Deixando-me um travo amargo de não saber.
Ao fundo, uma pseudo embriaguez de Ravel junta-se ao gris outonal
Desse dia de verão não assumido, em um jogo monocromático com minhas dualidades.
Revelo minha liberdade de querer furtando-me o direito ao sonho.
Mas será essa liberdade a de revelar-me ou a de assumir-me sonhadora?
Será liberdade fugir das situações instituídas ou sentir-me-ei mais liberta
Assumindo meu desejo de modificá-las...mas vivê-las?
Não me satisfazem as rotinas, ...mas tampouco as inconseqüências de apenas momentos vividos
Me fazem sentir melhor.
Sim! Quero a paz dominical!
Quero as crianças reunidas para as histórias em noites de frio!
Quero o fogão de lenha e o pé gelado
Abrindo caminho sob o cobertor!
Quero a companhia muda em meus momentos de silêncio,
E o doce falar em meus ouvidos nas horas adolescentes.
Mas quero, também, não me acorrentar.
Quero o direito ao vôo e às caminhadas de minhas divagações!
Na verdade... quero demais!
E o cinza do dia volta a mandorrar sobre o calor das calçadas...
Silêncio...
É hora de não pensar!!!