MARIPOSA
Trago comigo todas as incompreenções.
Trago terras devastadas,
Trago árvores abatidas
E sons inescutádos
De inexistentes sinfonias.
Penso em mim todos os desgostos
De desencontros de terras e mares alienígenas.
Sinto todas as mágoas e todas as dores.
Vivo todas as sensações incompreendidas.
Abafo todos os gritos não dados
De vontades irreveladas.
Trago em mim todas as angústias
De momentos não vividos.
Procuro em mim todos os atalhos
As razões e os motivos,
E encontro todos os reflexos de todas as dúvidas.
E, como mariposa, esgotada no vôo pela luz da vida,
Queimo-me no irresistível fogo
Da eterna busca...
Eterna busca de buscar o ignorado!