DESESPERANÇA NORDESTINA
Meu adormecido gigante, em esplendido leito deitado...
de tuas morenas fertéis terras, onde se plantando tudo dá,
quando se colherão as revoltas de teus filhos sufocados?
Quando os gemidos dos zumbi-meninos, falecidos de fome, te acordará de teu sono?
Das entranhas de teu ventre explodem em força selvas e manaciais
que não chegam a tuas crias,
que clamam nas noites envelhecidas por incompreenção e surdez.
Em escaldantes areias e rochas palmeiam suas inexistências em suor.
Trilhando os caminhos, com esmeraldas aos olhos,
seguem ao magnético Sul, como fantasmas revividos.
Em fantasmagóricas procissões erguem, um após outro, os palácios de concreto
Que não os abrigará.
De suas nodosas mãos cristalizam-se sonhos de imperios falidos
a alimentar o monstro voraz.
E, em suas mentes, cercadas por muralhas e pedras
de não cultura e não saber, já não penetra a ígnea centelha
da libertadora alquimia.
Forjam em dor e sangue suas sobrevivências,
enquanto vertes o rico leite de teu seio, mãe gentil,
Em estrangeiros ventres saturados!
E com nossas lágrimas, estéreis, embalamos teu secular sono,
emudecidos,
Aguardando teu despertar!
