AO CANTO DA SALA
De novo a angústia toma conta de meu corpo, Nesta cadeira ao canto da sala... Angústia dos momentos vividos, Dos que vivo e dos que ainda vou viver. Tudo é anormalmente igual...todos os dias. |
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Porque a angústia dos desejos Se a vida que vivo É somente um reflexo de meu corpo E uma sensação de eu mesma em mim, E, sei-o, o mundo não mudará por isso? |
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Na cozinha, o bater das panelas Tem o mesmo som de ontem E conterá a mesma comida Que alimentará meu fantasma, Sentado na cadeira ao canto da sala, Todos os dias. |
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Angústia de viver não vivendo Momentos sempre iguais, esperando sentir. No quarto alguém tosse, Numa imitação de vida, pensando existir, Todos os dias, como em um seriado na TV. |
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E como em um seriado, Continuo sentada, Escrevendo coisas já sabidas, Na cadeira ao canto da sala!... |
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