SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................... 1
2. CAPITULO I:............................................................................. 3
2.1. Teorias filosóficas
sobre o conhecimento.......... 3
2.2. O ADVENTO DA MODERNIDADE........................................ 5
2.3. David Hume.......................................................................... 6
2.4. O método de Hume............................................................... 7
2.5. Empirismo – Questão Religiosa............................................. 8
2.6. O Desenvolvimento do Empirismo......................................... 9
2.7. Criticas de pensadores contemporâneos à filosofia de Bacon.. 9
3. CAPITULO II............................................................................. 9
3.1. PARTINDO DE ALGUMAS NOCÕES DE LOCK SOBRE AS IDEIAS.
ALGUMA COISA DO PEMNSAMENTO DE HUME...................................................... 9
3.2. As Idéias.............................................................................. 9
3.3. Empirismo e Ceticismo........................................................ 13
3.4. Hume e a Indução................................................................ 14
4. CAPITULO III ......................................................................... 14
4.1. ALGUMAS
SOLUCOES APRESENTADAS AO PROBLEMA DE DAVID HUME 14
4.2. Bertrand Russel........................................................................................ 14
4.3. Karl
Popper............................................................................................... 14
4.3. Emanuel
Kant............................................................................................. 14
5. Conclusão:................................................................................ 15
5.1. Anexos:.............................................................................. 15
6. Referências Bibliográficas........................................................ 15
Para Karl Popper, a tarefa da filosofia é resolver problemas. Segundo o autor na sua obra, o Realismo e o Objetivo da Ciência, na p. 42 ele diz que só há um caminho para a ciência, ou para a filosofia que é encontrar um problema, ver a sua beleza e apaixonar-mos por ele : casarmos com ele, ate que a morte nos separe, a não ser que encontremos outro problema mais fascinante, ou a não que obtenhamos uma solução. Mais ainda que encontremos uma solução, poderemos descobrir, para nossa satisfação, a existência de toda uma família de encantadores, se bem que talvez difíceis, problemas-filho, para cujo bem-estar poderemos trabalhar, com uma finalidade em vista, ate o fim de nossos dias.
A medida em que vamos resolvendo velhos problemas novos problemas vão surgindo. STEGMULLER, Wolfang na sua obra A filosofia Contemporânea, P. nos diz o seguinte: “Via de regra, os problemas filosóficos são considerados constantes.”
Através de suas correntes a mais
representativas, a filosofia moderna, tomou para si um destes problemas,
ou seja, o problema do conhecimento. Mas este não é próprio da modernidade. Os
gregos e medievais também já haviam pensado sobre a idéia do conhecimento. Mais
então onde está a diferença entre eles? A diferença entre o homem medieval e o
homem moderno em relação ao problema do conhecimento, está
na mudança de método. Aqui podemos ressaltar o método cartesiano. Porem, tudo
culminará na revolução copernicana de Emmanuel Kant.
Na verdade o subjetivismo moderno tenta resolver velhas questões
epistemológicas legadas pelos antigos. Com isso surge o racionalismo, com a
expectativa de dar solução ao problema do conhecimento. A partir das idéia inatas, a razão por si só poderia revelar a
verdade. Contudo este método tem se mostrado incapaz de reconhecer na
experiência uma outra fonte de conhecimento. E quem assumirá este papel será o
empirismo inglês.
Os limites do empirismo são
expostos na sua própria experiência. A David Hume
coube perceber estes limites. O
racionalismo se
estendeu ao dogmatismo, bem como, a conseqüência lógica do empirismo foi o
ceticismo. Hume nasceu em 1771, na cidade de
Edimburgo, na Escócia. Com menos de 30 anos já tinha publicado seu tratado da natureza humana. Porém esta
obra passou despercebida por um longo tempo. De alguns recortes feito nesta
obra escreve investigações sobre o
entendimento humano. Mais tarde e no decorrer de toda a sua vida, escreveu
também sobre a moral, religião, economia e política.
Como um dos
mais célebres filósofos da Época Moderna, Hume não
pregou o ateísmo. No prefacio dos diálogos sobre a religião natural, Michael Erigley coloca na pagina X: Conta-se que estando ele uma
vez presente a um jantar em paris (...), Hume fez a
observação de que nunca, em sua vida, havia encontrado um genuíno ateísta.
Porem ele coloca a religião como coisa fantasiosa. Não afirmou que era imoral,
apenas disse que a moral era infundada racionalmente, que verdadeiramente era
baseada no sentimento e no interesse. Uma coisa é certa, Hume
já mais negou o conhecimento. Ele newtoniano convicto. Em nas palavras de
Gerard Lebrum, acreditava na existência de leis na
natureza, assim também como Kant acreditou. Mas na imossibilidade
de fundamentar estas leis, erigiu uma filosofia cética.
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&ie=UTF-8&oe=UTF-8&q=O+conhecimento+em+david+Hume&btnG=Pesquisa+Google&meta=
Obs: O conhecimento em david Hume
1.As teorias filosóficas do
conhecimento, apesar da sua enorme diversidade, polarizam-se em grandes
problemas: Qual a natureza do conhecimento ? Qual o seu valor ou possibilidade?
Qual a sua origem?
2.Natureza do conhecimento. O que é que conhecemos? Os próprios objectos, ou as representações, em nós, dos mesmos?
Algumas respostas filosoficas:
- Realismo: Conhecer é apreender a realidade
existente na experiência interna (actos da
consciência) ou na experiência externa (objectos do
mundo sensível).Os objectos existem independentemente
dos sujeitos.
- Idealismo:
Nega a existência do real. A
realidade é reduzida a ideias: o mundo sensível é um
mero produto do pensamento. Os objectos só existem
enquanto representações, não têm uma existência independente.
3. Possibilidade do conhecimento. Pode o sujeito
apreender o objecto? Atingir a verdade, a essência
das coisas, ou está condenado às suas múltiplas aparências?
Algumas respostas filosóficas :
- O dogmatismo (dogmatikós, em grego significa que se funda em príncípios ou é relativo a uma doutrina) defende
a apreensão absoluta da realidade pelo sujeito.Esta
posição assenta numa total confiança na razão humana.
- O cepticismo
(skeptikós, em grego signifca
"que observa", que considera") defende
a impossibilidade do sujeito apreender a realidade.Esta
posição desconfia na razão humana. O cepticismo na sua foram mais radical, foi
defendido pela primeira vez por Pirrón (c.270 a.C). Este filósofo afirmava que de nada podemos afirmar ser
verdadeiro ou falso, belo ou feio, bom ou mau.Apenas
nos resta suspender todos os juízos. Na Idade Moderna Montaigne e Hume manifestaram igualmente posições cépticas.
- O criticismo defende a possibilidade de se aceder à
verdade, mas não aceita sem crítica as afirmações da razão.
- O pragmatismo ao
subordinar o conhecimento a uma finalidade prática, afirma que a verdade é tudo
aquilo que é útil e eficaz para a vida humana. Desta forma aproxima-se do
cepticismo, na medida que relativiza o conhecimento.
O pragmatismo surgiu nos EUA com Willian James Charles Pierce e John
Dewey.
4. Origem do Conhecimento. Qual a origem do
conhecimento: a razão ou a experiência?
Algumas respostas filosóficas:
- Racionalismo:
a razão é a fonte principal do conhecimento.O conhecimento
sensível é considerado enganador. Por isso, as representações da razão são as
mais certas, e as únicas que podem conduzir ao conhecimento logicamente
necessário e universalmente válido.
Os
racionalistas partem do princípio que o sujeito cognoscente
é activo e, ao criar uma representação de qualquer objecto real, está a submete-lo
às suas estruturas ideias.
Entre os filosófos que assumiram uma perspectiva racionalista do
conhecimento, destacam-se Platão, René Descartes (1596-1650) e
Leibniz. Todos eles partem do princípio que temos que são ideias
inatas e que é a nossa razão que constrói a realidade tal como a percepcionamos.
Descartes
é considerado o fundador do racionalismo moderno. Após ter suspendido
a validade de todos o conhecimentos, porque
susceptíveis de serem postos em causa, descobre que a única coisa que resiste à
própria duvida é a razão. Esta seria a primeira verdade absoluta da filosofia.
Descobre ainda que possuímos ideias que se impõem à
razão como verdadeiras mas que não derivam da
experiência (as ideias inatas). Só com base nestas ideias claras e distintas, segundo Descartes, se poderia
construir por dedução um conhecimento universal e necessário.
- Empirismo: a
experiência é a fonte de todo o conhecimento.Os
empiristas negam a existência de ideias inatas, como
defendiam Platão e Descartes. A mente está vazia antes de receber qualquer tipo
de informação proveniente dos sentidos. Todo o conhecimento sobre as coisas,
mesmo aquele em que se elabora leis universais,
provém da experiência, por isso mesmo, só é válido dentro dos limites do
observável.
Os empiristas
reservam para a razão a função de uma mera organização de dados da experiência
sensível, sendo as ideias ou conceitos da razão
simples cópias ou combinações de dados provenientes desta
experiência.
Entre os filosófos que assumiram
uma perspectiva empirista destacam-se John Locke (1632 -1704) e David. Hume (1711-1776).
Locke afirma que o
conhecimento começa do particular para o geral, da impressões
sensoriais para a razão.O espírito humano é uma
espécie de "tábua rasa" , onde se irão
gravar as impressões provenientes do mundo exterior. Não há ideias
nem princípios inatos. Nenhum ser humano por mais genial que seja é capaz de de construir ou inventar ideias, e nem sequer é capaz de destruir as que existem. As
ideias, quer sejam
provenientes das sensações, quer provenham da reflexão, têm sempre na
experiência a sua origem. As ideias complexas não são
mais do que combinações realizadas pelo entendimento de ideias
simples formadas a partir da recepção dos dados empíricos. A experiência é
não apenas a origem de todas as ideias, mas também o
seu limite.
Hume, rejeita, como Locke o inatismo carteseano, mas introduz um dado novo nas teses empiristas
quando afirma que a identidade entre a ordem das coisas e a ordem das ideias resulta de hábitos mentais ou na crença que existe
uma ligação necessária entre os fenómenos. Esta
critica ao conceito da causalidade irá ter profundas repercussões em filósofos
posteriores, como I.Kant (1724-1804).
O debate
histórico entre racionalistas e empiristas, em final do século XVIII,
conduziu ao criticismo que procura superar as limitações
de ambas as correntes filosóficas.
- Criticismo:
Todo o conhecimento inicia-se com a experiência, mas este é organizado pelas
estruturas a priori do sujeito. Segundo Kant (1724-, o criador do criticimo, o conhecimento é a síntese do dado na nossa
sensibilidade (fenómeno) e daquilo que o nosso
entendimento produz por si (conceitos). O conhecimento nunca é pois, o conhecimento das coisas "em si", mas das
coisas "em nós".
Alguns filósofos
contemporâneos defendem que o conhecimento resulta de uma interacção
entre o sujeito e a experiência. Entre eles, destaca-se Jean Piaget.
Piaget, como
vimos, desenvolveu uma concepção construtivista do conhecimento. O
conhecimento é indissociável da acção do sujeito. Não
é pois uma simples registo
feito pelo sujeito dos dados do mundo exterior. O sujeito apreende e interpreta
o mundo através das suas estruturas cognitivas. Estas estruturas não são todavia inatas, mas são formadas pelo sujeito na sua acção. O conhecimento é assim um processo de construção de
estruturas que permitem ao sujeito apreender e interpretar a realidade
(ASPECTOS QUE FUNDAMENTA A
VISAO EMPIRICA DO MUNDO – O EMPIRISMO DE HUME)
Neste capítulo apresentaremos uma visão genérica
sobre um período da história. Chamamos de modernidade o conjunto de transformações
que se inicia a partir do século XV e que estende até o século XVIII,
envolvendo aspectos culturais (o Renascimento), políticos (o surgimento dos
Estados Nacionais Absolutistas) e econômicos (o Capitalismo Comercial.). http://www.libertaria.pro.br/brasil/capitulo01_index.htm
http://www.unicamp.br/~hans/mh/contexto.html
David Hume nasceu na Escócia, em Edimburgo em 1711. Hume pertencia a uma família abastada. Fez bons estudos no
colégio de Edimburgo - um dos melhores da Escócia, em seguida transformado em
universidade, cujo professor de "filosofia", isto é, de física e
ciências naturais, Stewart, era um cientista
discípulo de Newton. O jovem Hume, que sonha
tornar-se homem de letras e filósofo célebre, rapidamente renuncia aos estudos
jurídicos e comerciais, passa alguns anos na França, notadamente em La Flèche, onde compõe, aos vinte
e três anos, seu Tratado da Natureza Humana, editado em Londres, em
1739. A obra, diz-nos o autor, "já nasceu morta para a imprensa".
Esse fracasso deu a Hume a idéia de escrever livros
curtos, brilhantes, acessíveis ao público mundano. Seus Ensaios Morais e
Políticos (1742) conhecem vivo sucesso. Hume se
esforça por simplificar e vulgarizar a filosofia de seu tratado e publica então
os Ensaios Filosóficos sobre o Entendimento Humano (1748), cujo título
definitivo surgirá em edição seguinte (1758): Investigação (Inquiry) sobre o Entendimento Humano. A obra obtém
sucesso, mas não deixa de inquietar os cristãos, e Hume
vê lhe recusarem uma cadeira de filosofia na Universidade de Glasgow. Ele acabará por fazer uma bela carreira na
diplomacia. De 1763 a 1765 ele é secretário da Embaixada em Paris e festejado
no mundo dos filósofos. Em 1766 ele hospeda Rosseau
na Inglaterra, indispondo-se com ele em seguida. Em 1768, ele é Secretário de
Estado em Londres. Nesse meio tempo, publicou uma Investigação sobre os
Princípios Morais (1751), uma volumosa História da Inglaterra
(1754-1759) e uma História Natural da Religião (1757). Somente após sua
morte (1776) é que foram publicados, em 1779, seus Diálogos sobre a Religião
Natural.
Com Locke criou o empirismo moderno, e como tal defendia que todo o conhecimento provém da experiência. Nasceu em Edimburgo.Filho de uma grande proprietário escocês. Dedicou-se de inicio ao comércio, mas não tardou a abandonar esta actividade familiar para se dedicar às letras e à filosofia. Foi durante uma das suas estadias em França que escreveu o seu célebre Tratado sobre a Natureza Humana. Devido à acusação de ateismo, foi impedido de ensinar na Universidade de Edimburgo.Entre 1746 e 1748 foi enviado para missões diplomáticas. Enquanto esteve na Embaixada da Grã-Bretanha em Paris (1763-1765), tornou-se amigo de Jean Jacques Rousseau.
O seu principal objectivo filosófico era introduzir o método experimental nas ciências do homem.
Baseando-se em pressupostos empiristas negou o conhecimento de relações causais entre os fenómenos. Estas não passavam de simples associações provocadas pelo hábito. A influência de Hume foi enorme na filosofia de Kant, despertando-o, como este afirma, do seu "sono dogmático".
Desenvolveu uma teoria moral sem recurso à religião. Combateu a ideia de fundar a religião na necessidade do Universo ter um criador.
As
suas ideias políticas influenciaram profundamente a
Constituição dos EUA.
Hume quis ser o Newton da psicologia. O subtítulo de seu Tratado da
Natureza Humana é, nesse sentido, bastante esclarecedor: "Uma
tentativa de introdução do método de raciocínio experimental nas ciências
morais. A análise psicológica do entendimento operada por Hume
parece, à primeira vista, muito próxima da de Locke. Ele parte do princípio de que todas as nossas
"idéias" são ópias das nossas
"impressões", isto é, dos dados empíricos: impressões de sensação,
mas, também, impressões de reflexão (emoções e paixões). Não é este o ponto de
vista tradicional do empirismo que vê na experiência a fonte de todo saber?
Na realidade, o método de Hume pode ser apresentado de maneira mais moderna. Sua
filosofia coloca, sob o nome de "impressões", aquilo que Bergson mais tarde denominará os dados imediatos da
consciência e que os fenomenologistas denominarão a
intuição originária ou o vivido. Ao falar de fenomenologia contemporânea, Gaton Berger escrevia: "É preciso ir dos conceitos
vazios, pelos quais uma idéia é apenas visada, à intuição direta e concreta da
idéia, exatamente como Hume nos ensina a retornar das
idéias para as impressões". Para Hume, ir da
idéia à impressão consiste em apenas perguntar qual é o conteúdo da
consciência que se oculta sob as palavras. Fala-se de substância, de
princípios, de causas e efeitos etc. Que existe verdadeiramente no pensamento
quando se discorre sobre isso? As quais impressões vividas correspondem todas
essas palavras? Aquilo que Hume chama de impressão e
que ele caracteriza pelos termos "vividness",
"liveliness" é o
pensamento atual, vivo, que se precisa redescobrir sob as palavras (no
empirismo de Hume, diz Laporte,
há que ver "antes o ódio ao verbalismo do que o preconceito do
sensualismo").
Essa complexidade
da filosofia de Hume torna mais difícil a elucidação
de sua filosofia religiosa. Em compensação, a crença popular nos milagres -
perfeitamente explicável pelas leis que governam a imaginação crédula dos
homens - é muito natural!
"A
velhacaria e a idiotice humanas são fenômenos tão correntes, que eu antes
acreditaria que os acontecimentos mais extraordinários nascem do seu concurso,
ao invés de admitir uma inverossímil violação das leis da natureza". Em
suma, Hume se apóia no determinismo físico para
rejeitar a realidade do milagre e no determinismo psicológico para explicar sua
ilusão tenaz. Mas como Hume
pode apoiar-se no determinismo, uma vez que sua crítica da causalidade fez
desse próprio determinismo uma ilusão psicológica? Pascal,
fundamentava-se precisamente numa crítica análoga à de Hume
para afirmar a possibilidade do milagre. Ressuscitar, dizia, não é mais
misterioso do que nascer. "O costume torna um fácil, sua falta torna o
outro impossível: popular maneira de julgar" Quando Hume
rejeita o milagre, não estará pensando ao nível da imaginação e do costume, não
estará julgando "popularmente"? Seu combate pelas luzes situar-se-ia
então no plano da reflexão filosófica que justamente anula o prestígio do
costume e do bom-senso indutivo.
Os Diálogos sobre a Religião Natural são
difíceis de interpretar porque se trata de verdadeiros diálogos, em que cada
personagem sustenta seu ponto de vista com argumentos sérios; o próprio Hume afirma ter "querido evitar esse erro vulgar que
consiste em só colocar absurdos na boca dos adversários". Os três
personagens são: um deísta racionalista, Cleanto, que demonstra a existência de Deus partindo das
maravilhas do universo; Demea, místico
anti-racionalista, e o cético Filon. Ao fim da obra, Hume afirma que está mais próximo de Cleanto.
Mas, numa carta de 1751 a Gilbert Elliot of Minto,
ele declara que, no momento da redação de seus Diálogos, o papel de Filon e Demea estão sempre de
acordo quando se trata de demolir o racionalismo, o antropomorfismo e o
otimismo de Cleanto. Enquanto muitos filósofos do
século das luzes reservam sua ironia crítica para a religião revelada e
encontram na ordem do mundo, na finalidade, argumentos para a religião natural,
tem-se a impressão de que Hume multiplica suas
críticas "céticas" à religião natural. Em ambos os casos, ele
substitui a pesquisa de um fundamento lógico - que se apresenta impossível -
pela pesquisa de origem psicológica da crença. O ceticismo de Hume é um psicologismo.
Idéias Metafísicas
Estamos, porém, ainda fechados no mundo subjetivo, fenomênico; de fato, tratou-se, até agora, de relações positivas ou negativas, concordes ou desacordes com as idéias. Podemos nós sair desse mundo subjetivo e atingir o mundo objetivo, isto é, podemos conhecê-lo imediatamente ou mediatamente na sua existência e na sua natureza? Locke afirma-o, sem mostrar, entretanto, como este conhecimento do mundo externo possa concordar com a sua geral (fenomenista) concepção e definição do conhecimento. É a sólita posição de um fenomenismo ainda não plenamente consciente de si mesmo. Corta as relações com o ser e vai para o fenomenismo absoluto, mas tem ainda saudade desse ser do qual se isolou.
Em todo caso, Locke acredita poder atingir, antes de tudo, o nosso ser, depois o de Deus, e, finalmente, o das coisas. O nosso ser seria intuitivamente percebido através da reflexão. A existência de Deus seria racionalmente demonstrada mediante o princípio de causa, partindo do conhecimento imediato de uma outra existência (a nossa). A existência das coisas, alfim, seria sentida invencivelmente, porque nos sentimos passivos em nossas sensações, que deveriam ser causadas por seres externos a nós.
Entretanto, pelo que diz respeito ao nosso ser, é mister ter presente que nós não conhecemos intuitivamente a substância da alma, e sim as suas atividades. Pelo que diz respeito a Deus, a prova da sua existência vale, se vale absolutamente o princípio de causa - o que Locke não demonstrou. Enfim, pelo que diz respeito às coisas externas, mesmo admitida a prova aduzida por Locke - segundo a confissão do próprio filósofo - tal prova vale apenas pelo que concerne à existência das coisas, e não pelo que concerne à natureza delas. De fato, segundo a filosofia de Locke, não sabemos se as idéias da natureza das coisas correspondem à realidade das coisas.
Idéias Pedagógicas
Com respeito à religião, Locke toma uma atitude racionalista moderada. Admite
uma religião natural, exigível também politicamente,
porquanto fundamentada na razão. E professa a tolerância a respeito das
religiões particulares, históricas, positivas.
Locke interessou-se especialmente pelos problemas
pedagógicos, escrevendo os Pensamentos
sobre a Educação. Aí afirma a nossa passividade, pois nascemos todos
ignorantes e recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a nossa
parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência, elaborando as idéias
simples.
Afirma-se que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas, ao mesmo
tempo, todos temos temperamentos diferentes, que devem ser desenvolvidos de
conformidade com o temperamento de cada um. Esta educação individual não
exclui, mas implica a educação, a formação social, para ampliar, enriquecer a
própria personalidade. Tem muita importância a obra do
educador, mas é fundamental a colaboração do discípulo, pois trata-se da
formação do intelecto, da razão, que é, necessariamente, autônoma. A formação
educacional consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do
intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de formar
seres conscientes, livres, senhores de si mesmos. Por conseguinte, a educação
deve ser formativa, desenvolvendo o intelecto, e não informativa, erudita,
mnemônica. Igualmente Locke é fautor de educação
física, mas como o meio para o domínio de si mesmo.
A Análise da Idéia de
Causa (Hume)
Aos olhos de Hume,
a noção de causalidade é muito enigmática porque, em nome desse princípio de
causalidade, a todo momento afirmamos mais do que
vemos, não cessamos de ultrapassar a experiência imediata. Por exemplo, em nome
do princípio de causalidade (as mesmas causas produzem os mesmos efeitos ou o
aquecimento da água é causa da ebulição), afirmo que a água que acabo de pôr no
fogo vai ferver; prevejo a ebulição dessa água, portanto, tiro "de um
objeto uma conclusão que o ultrapassa". Todo raciocínio experimental, pelo
qual do presente se conclui o futuro (a água vai ferver, a barra de metal vai
se dilatar, amanhã fará dia etc.), repousa nesse princípio de causalidade.
De onde me vem esse princípio? A
qual impressão corresponde essa idéia? A "investigação" filosófica
vai se apresentar aqui como uma pesquisa em todas as direções:
"Nós devemos proceder como
essas pessoas que, ao procurarem um objeto que lhes está oculto e quando não o
encontram no lugar que esperavam, vasculham todos os lugares vizinhos sem visão
nem propósitos determinados, na esperança de que sua boa sorte irá orientá-las
no sentido do objeto de suas buscas". Vejamos para onde nos conduzirá essa
busca filosófica.
Hume não encontrará, em nenhum setor da experiência, uma impressão concreta de
causalidade que torne legítima essa idéia de causa que pretendemos ter:
a) Consideremos, de início, a experiência externa: vejo que o movimento de
uma bola de bilhar é seguido do movimento de outra bola com que a primeira se
chocou, assim como vejo que o aquecimento é seguido da ebulição: vejo, então,
que o fenômeno A é seguido do fenômeno B. Mas o que não vejo é o
porquê dessa sucessão. É certo que posso repetir a experiência e que, cada vez
em que a repito, o fenômeno B se segue ao fenômeno A. Mas isto
não esclarece nada. A repetição constante de um enigma não é o mesmo que sua
solução. Vejo bem que, entre os fenômenos A e B, há uma conjunção
constante, mas não vejo conexão necessária. Constato que A se
mostra e que, depois, B aparece. Mas não constato que B aparece
porque A se mostra. A experiência externa apenas me fornece o e
depois, não me dá a origem do porquê.
b) Examinemos agora essa experiência, simultaneamente interna e externa, que
faço a todo momento em que sinto o poder da minha
consciência sobre meu corpo. Não terei aqui a chave do princípio de
causalidade. Se quero levantar o braço, levanto-o. Não
é evidente que minha vontade é a causa do movimento de meu corpo? Mas, se
refletirmos bem, essa experiência não é menos clara do que a precedente.
Constato duas coisas: inicialmente, que quero levantar o braço, em seguida, que
ele se levanta. Não sei absolutamente por meio de que engrenagem neuromuscular complexa se opera o movimento de meu braço.
Um paralítico, como eu, quer levantar o braço e, para surpresa sua, constata
que nenhum movimento se segue ao seu desejo.
E eu, cuja língua ou cujos dedos
se movem segundo minha vontade, não tenho o menor poder sobre meu coração ou
sobre meu fígado. Lembramo-nos como a sucessão de meu querer e de meus
movimentos espantava Malebranche a tal
ponto que ele via em minha vontade apenas uma ocasião a partir da qual Deus
produzia o movimento de meu corpo. Aos olhos de Hume,
filósofo do século XVIII, essa hipótese é extravagante, mas ele retém a análise
psicológica do grande filósofo francês. Ainda aqui, constato com surpresa que
quero efetuar certos movimentos e depois que esses movimentos se realizam.
Mas não constato o porquê, não tenho experiência de uma conexão necessária.
Permanece enigmática a ação da alma sobre o corpo: "Se tivéssemos o
poder de afastar as montanhas ou controlar os planetas, esse poder não seria
mais extraordinário".
c) Quer dizer enfim da esperiência puramente
interior da sucessão de minhas próprias idéias? Deve admitir que minha reflexão
atenta é causa das idéias que me ocorrem? Mas, de saída, segundo os casos ou os
momentos, as idéias ocorrem ou não. Pela manhã, elas ocorrem melhor do que à
tarde (em alguns) e melhor antes da refeição do que após. Ainda aqui constato a
existência de uma sucessão entre meu esforço de atenção e minhas idéias, mas
não vejo conexão necessária entre os dois fatos.
Por conseguinte, a conclusão se impõe. Não existe
nenhuma impressão autêntica da causalidade. O que acontece é que eu acredito na
causalidade e Hume explica essa crença,
partindo do hábito e da associação das idéias. Por que será que espero ver a
água ferver quando a aqueço? É porque, responde Hume,
aquecimento e ebulição sempre estiveram associados em minha experiência e essa
associação determinou um hábito em mim. Coloco a água no fogo e afirmo, em
virtude de poderoso hábito: vai ferver. Se estabeleço
"uma conclusão que projeta no futuro os casos passados de que tive
experiência", é porque a imaginação, irresistivelmente arrastada pelo peso
do costume, resvala de um evento dado àquele que comumente o acompanha.
Aparento antecipar a experiência quando, na verdade, cedo a uma tendência
criada pelo hábito. Por conseguinte, a necessidade causal não existe realmente
nas coisas. "A necessidade é algo que existe no espírito, não nos
objetos."
Locke, Berkeley e Hume contestam o racionalismo inatista
e defendem o carácter a posteriori
de todo o conhecimento, mostrando deste modo como as nossas ideias
se podem relacionar com as coisas, mas acabam por negar a
universalidade e a necessidade de todo o conhecimento. Em David Hume, a conseqüência desta posição foi um declarado
cepticismo.
O Ceticismo de Hume: O empirismo de Hume surge então
como um ceticismo; explicar psicologicamente a crença no princípio de
causalidade é recusar todo valor a esse princípio. De fato, não existe, na
idéia de causalidade, senão o peso do meu hábito e da minha expectativa.
Espero invencivelmente a ebulição da água que
coloquei no fogo. Mas essa expectativa não tem fundamento racional. Em suma,
poderia ocorrer - sem contradição - que essa água aquecida se transformasse em
gelo! "Qualquer coisa, diz Hume, pode
produzir qualquer coisa."
No domínio das proposições lógicas, A não pode ser não-A.
Mas nas "matters of fact",
tudo pode acontecer. Aquele rei de Sião, que
condenara à morte o embaixador norueguês em sua corte (porque este último
zombara dele ao afirmar que em seu país, no inverno, os rios se tornavam tão
duros que se podia fazer deslizar trenós sobre os mesmos!!),
errara muito ao negar um fato contrário à sua experiência. O princípio de
causalidade, inteiramente explicado por uma ilusão psicológica, não tem o menor
valor de verdade. Pascal, que já esboçara essa análise psicológica da indução,
dizia em fórmula surpreendente: "Quem reduz o costume a seu princípio,
anula-o".
O ceticismo de Hume, portanto, surge-nos, dirá Hegel mais tarde, como um ceticismo absoluto. Para
Hegel, ao ceticismo antigo, que duvida sobretudo dos
sentidos para preparar a conversão do espírito ao mundo das verdades eternas,
opõe-se um ceticismo moderno - de que Hume seria o corifeu - que nega apenas as afirmações da metafísica e
fundamenta, solidamente, as verdades da ciência experimental. Na realidade, o
ceticismo de Hume, ao abolir o princípio de
causalidade, lança a suspeita em toda ciência experimental. Em todos os
princípios do conhecimento ele descobre as ilusões da imaginação e do hábito.
Até a unidade do eu - que se nos apresenta ingenuamente como uma evidência - é
ilusória para ele. Segundo Hume, é
também a imaginação que identifica o eu com o que ele possui ou, como dizemos,
o ser e o ter. Em última instância, eu tenho reputação e mesmo lembranças,
idéias e sonhos do mesmo modo que tenho esta roupa ou esta casa. É simplesmente
a imaginação, hábil em mascarar a descontinuidade de todas as coisas, que
facilmente desliza de um estado psíquico a outro e constrói o mito da
personalidade, coleção de haveres heteróclitos que é dado como um ser. Pois, ou
eu sou meus "estados" e minhas "qualidades" e não sou eu
mesmo, ou então sou eu mesmo e nada mais.
Só que Hume
é o primeiro a reconhecer que seu ceticismo, por mais absoluto que seja, é
artificial. Hume, como todo mundo, quando coloca a
água no fogo, está persuadido de que ela vai ferver. Quando reflete como
filósofo, em seu gabinete, ele é cético. Quando mergulha na vida corrente, suas
"conclusões filosóficas parecem desvanecer-se como os fantasmas da noite
ao nascer do dia". Se, diz ele curiosamente, "após três ou quatro
horas de diversão, eu quisesse retornar às minhas especulações, estas me pareceriam tão frias, tão forçadas e ridículas que
não poderia encontrar coragem e retomá-las por pouco que fosse". A crença
no princípio de causalidade, absurda no plano da reflexão, é natural,
instintiva. A teoria de Hume, por conseguinte, é
simultaneamente um dogmatismo instintivo e um ceticismo reflexivo. Ceticismo e
dogmatismo não se apresentam nele segundo os domínios do saber, mas segundo os
níveis do pensamento. Ninguém mais do que ele separou filosofia e vida. Ele
filosofa ceticamente segundo uma reflexão rigorosa e
dissolvente. Podemos então qualificar, de certo modo, como
"humorístico" o ceticismo desse filósofo inglês que, por outro lado,
ousou dizer que convinha a um cavalheiro pensar como os whigs...
e votar como os tories.
“Ora, é fácil demonstrar que no conhecimento humano existem realmente juízos de um valor necessário, e na mais rigorosa significação universal; por conseguinte, juízos puros, “a priori”. Se se quer um exemplo da própria ciência, basta reparar em todas as proposições da Matemática. Se se quer outro tomado do bom senso, pode bastar a proposição de que cada mudança tem uma causa.” ( KANT, CRP online)
“Mas se amplio meu conhecimento e
observo a experiência que me proporcionou o conceito de corpo, encontro enlaçada
constantemente com todas as anteriores propriedades
e de gravidade (o peso), que adito sinteticamente, como predicado,
àquele conceito”. ( KANT, CRP online.
Pg. 8)
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