Inimigo
do peito
Medidas
de proteção contra uma doença que no ano passado matou
dezenove mulheres por dia
De
cada dez mulheres norte-americanas ou européias, uma
provavelmente desenvolverá o câncer de mama, em geral, após os
35 anos. No Brasil, tal como acontece em outras partes do mundo,
esse é o tipo de câncer mais diagnosticado entre o segmento
feminino. De acordo com as estatísticas do Instituto Nacional do
Câncer, Inca, o perigo ronda uma em cada oito mulheres.
Anualmente surgem 34 mil novos casos e são verificados oito mil
mortes; ou seja, um novo caso a cada 15 minutos e 19 mortes por
dia.
O sinal mais comum do câncer de mama é o aparecimento de um
nódulo ou caroço, que pode ser identificado através de um
auto-exame. Entretanto, nem todo nódulo significa existência de
câncer, pois em cerca de 80% dos casos eles são benignos.
Mulheres jovens freqüentemente apresentam vários nódulos em
uma das mamas, que se tornam mais palpáveis de acordo com o
ciclo menstrual. A avaliação do nódulo deve ser feita por um
médico, uma semana depois da menstruação.
Um nódulo pode ou não apresentar irritação local e dor. A
idéia de que câncer de mama não dói deve ser encarada com
cuidado, pois uma percentagem expressiva de mulheres relata a
existência de dor localizada na região onde ele foi descoberto.
Dor localizada, sem alteração de intensidade em um peito, deve
ser cuidadosamente investigada.
Alteração no formato das mamas, presença de caroços nas
axilas, novas reentrâncias e saliências, feridas ou secreção
nos mamilos indicam perigo.
FATORES DE RISCO
De
acordo com o Dr. George Wilbanks, prsidente da Sociedade
Americana de Ginecologia e Obstetrícia, "não se sabe ao
certo o que causa o câncer de mama". Há, porém, fatores
de risco que devem ser lavados em conta, como o histórico
familiar, por exemplo. Especialmente quando o parentesco é de
primeiro grau (mãe ou irmã) e o câncer surgiu antes da
menopausa, atingindo as duas mamas.
"As mulheres freqüentemente subestimam o risco de
desenvolvimento do câncer de mama, porém, todas deveriam se
considerar em risco, principalmente porque 80% das pacientes com
a moléstia não apresentaram histórico familiar da
doença", alerta o especialista.
Entrar na menopausa depois dos 50 anos (menopausa tardia), ter
menstruado pela primeira vez antes dos 12 anos (menstruação
precoce) e engravidar depois dos 30 anos (gravidez tardia) são
fatores também relacionados à maior incidência da doença.
Também existem evidências do efeito carciogênico das
radiações ionizantes (raio X) sobre as mamas. Quanto maior a
dose de radiação, e quanto menor a idade da pessoa que a
recebe, maior o risco de desenvolver o câncer de mama.
Há também o caso dos genes defeituosos, responsáveis pela
divisão celular. Chamados oncogenes, eles representam uma chance
real de se adquirir câncer. Na mama, o risco aumenta em 25%.
Estudos recentes indicam que uma dieta rica em gorduras, pobre em
fibras e em vitaminas também pode ser considerada um fator de
risco do câncer de mama, assimcomo a ingestão, ainda que
moderada de álcool.
Por outro lado, Wilbanks declara que "nenhuma pesquisa
respalda o mito de que amamentarausar a moléstia e a maioria dos
estudos não mostra ligação entre contraceptivos e tumores no
seio. Uma pesquisa recente detectou um aumento modesto no risco
de desenvolver a doença em mulheres com menos de 35 anos que
usaram pírulas anticoncepcionais, mas são necessários mais
estudos para confirmar a relação.
EXAMES
A
detecção e o tratamento precoce aumentam em 90% as chances de
sobrevivência, garantem os especialistas. Por essa razão, a
mulher não deve descuidar-se de exames periódicos. O auto-exame
é uma forma muito eficaz de perceber a doença, porque ninguém
melhor do que a própria mulher pode notar a presença de
irregularidade em suas mamas. A freqüencia do exame clínico,
feito por um ginecologista ou uma enfermeira especializada, e a
realização periódica da mamografia também fazem parte da
estratégia de descoberta e prevenção.
O auto-exame e o exame clínico permitem descobrir a doença
ainda em seu estágio inicial. A tendência do câncer de mama é
diddeminar-se através dos gânglios das axilas para os outros
órgãos do corpo.
As mulheres que fazem o auto-exame levam uma significativa
vantagem, em relação às que não o realizam. As estatísticas
rvelam que, nos primeiros cinco anos, as que se auto-examinam
têm 75% de chances de sobreviver. Entre as demais, as
possibilidades são de 50%. O auto-exame deve ser feito uma vez
por mês, uma semana após a menstruação.
A mamografia é o exame radiológico das mamas. É capaz de
localizar cânceres com menos de cinco centímetros de diâmetro,
o que facilita as cirurgias e reduz os traumas. A precisão da
mamografia é consideravelmente maior do que a do exame físico.
Enquanto o primeiro exame é capaz de detectar cerca de 90% a 95%
dos cânceres, apenas 50% a 60% são palpáveis a esse último.
Mas a precisão relativa de cada caso depende de alguns fatores
como, por exemplo, a densidade mamária. A eficácia do exame
aumenta em mulheres com mais de 40 anos, justamente por isso. Nas
mulheres mais jovens, as microcalcificações que caracterizam o
estágio impalpável dos futuros nódulos podem não ser notadas.
A mamografia pode detectar 95% a 100% dos cânceres em mamas de
densidade glandular intermediária e 80% naquelas extremamente
glandulares.
Outro fator a ser considerado é a profundidade da lesão. Quanto
mais superficial, mais facilmente detectável. O tamanho da mama
também é importante. Quanto maior, mais difícil de localizar a
lesão.

CIRURGIA
A
notícia de ser portadora de um câncer abala a estrutura
emocional de qualquer pessoa. Para a mulher, o terror ganha
maiores dimensôes quando é confrontada com a opção da
mastectomia, cirurgia destinada a retirar parte ou toda a mama.
Apesar disso, os especialistas garantem que quando ela se torna
inevitável, não se deve perder tempo. O maior risco do câncer
são as metástases, isto é, novos focos que se espalham,
através da corrente sanguínea, para outras partes do corpo.
Entretanto, a mastectomia é ultilizada apenas em casos
avançados. Na maioria das vezes, a opção escolhida é a
retirada do caroço e um trecho do tecido que o envolve. Em
geral, alguns gânglios linfáticos são retirados para análise
posterior. E a partir do seu grau de comprometimento, são
receitados medicamentos quimioterápicos. Esses remédios,
aliados à radiação e hormonoterapia, têm aumentado as taxas
de sucesso nos tratamentos.
Ultimamente, porém, foram feitos grandes progressos na cirurgia
de reconstrução da mama; e novos medicamentos, como o
Herceptin, estão mudando o horizonte do combate ao câncer,
prolongando o tempo de vida com menos efeitos colaterais. Mas o
diagnóstico precoce ainda é a forma de tratamento mais
indicada.
PREVINA-SE
Encontrar medidas de proteção contra o câncer de mama certamente não é tarefa impossível. Além da atenção aos exames sugeridos, trilhar o caminho inverso dos fatores de risco representa uma considerável ajuda.
* Evite fatores de risco externo, como alimentação gordurosa, obesidade, ingestão de alimentos com conservantes químicos (enlatados e industrializados).
* Inclua na sua dieta frutas, vegetais, cereais, integrais e legumes.
* Lembre-se de que a soja contém fitoestrogênios, substâncias anticancerígenas que explicam a menor incidência de câncer de mama na Àsia e no Japão, em relação ao resto do mundo.
* Não tome bebida alcoólica; não fume.
* Adote um estilo de vida saudável, com exercício físico e atividade ao ar livre.
* Mantenha o estresse sob controle.
* Mantenha uma atitude positiva e confiante; tome medidas contra a depressão e a ansiedade.
Fontes:
Inca - Ministério da Saúde
Instituto da Mama do Rio Grande do Sul
Medicina na Internet (Jorge Magalhães)
"Tire essa mágoa do peito"
Muitas
doenças podem ser evitadas com atitudes positivas em relação
à vida. Alimentar pensamentos e atitudes pessimista pode causar
desequilíbrio físico e psicológico. Esse é o alerta da
jornalista Fernanda Santos em seu livro Tire
Essa Mágoa do Peito, Editora Gente, com
depoimentos de mulheres que, em sua maioria, acumularam mágoas
durante toda a vida e terminaram desenvolvendo câncer de mama.
Confira algumas das conclusões da autora:

Zinaldo A. Santos