Nascido a
27 de novembro de 1940, no ano e dia do Dragão, em São
Francisco, Califórnia, Bruce Lee dedicou toda sua vida às artes
marciais. Foi de tudo um pouco: filósofo, mestre, lutador, ator.
Foi o arco principal de ligação entre as artes marciais,
reservadas exclusivamente para os asiáticos, e os povos do resto
do mundo. Filho de um ator da ópera chinesa, Li Hoi Chuen, que
estava numa turnê pelos Estados Unidos, e também refugiado de
Hong Kong pelo início da 2ª Guerra Mundial, com toda sua
família, quando Bruce nasceu. Nasceu com o nome de Lee Jun Fan,
mas foi apelidado por uma enfermeira de Bruce. No fim da turnê,
ele e toda a família, voltaram para Hong Kong, local onde Bruce
cresceu. Bruce era um garoto pequeno, mas muito briguento, sempre
"entrando em frias" com outros garotos e até mesmo com
gangues de Hong Kong. Aos 13 anos, iniciou seus estudos de artes
marciais de Kung Fu no estilo Ving Tsun (o nome deste estilo pode
ser escrito de várias formas, como Wing Chun, Wing Tchun e Wing
Tsun. Ving Tsun é o modo que estará escrito aqui, pois este é
o modo oficial de Hong Kong), único estilo de Kung Fu criado por
uma mulher, sob a supervisão do Mestre Yip Man, visando aliviar
a insegurança pessoal que estava presente em sua vida, entre as
brigas com gangues na cidade de Hong Kong. Aos 18 anos, foi para
os Estados Unidos para se afastar das brigas entre as gangues
chinesas e também estudar Filosofia na Universidade de Seatle -
Washington. Também passou a trabalhar como garçom num
restaurante de uma amiga da família, Ruby Chow, em Chinatown.
Passou a ser um mestre dentro do campus da faculdade, mesclando a
arte marcial à filosofia. Foi daí que surgiram seus primeiros
"alunos", que eram seus amigos. Ele não cobrava nada
de ninguém e nunca o faria para amigos. Começaram a fazer,
então, com que Bruce abrisse a sua própria academia de Kung Fu,
e daí, poderia cobrar de seus alunos para se manter. Eis que em
1963, em paralelo com a faculdade, Bruce abre o "Lee Jun Fan
Kung Fu Institute", sua própria academia, passando a dar
aulas para seus amigos neste local. Bruce vive
Transcrito do "Jornal do Brasil" - 07/06/93 Los Angeles
Bruce Lee esta de novo na moda. A recente e misteriosa morte de
seu filho, Brandon, e o lançamento de um filme biográfico de
enorme sucesso fizeram o nome do mestre das artes marciais voltar
as páginas dos jornais. A consequência e uma incrível corrida
as videolocadoras em busca dos filmes realizados por Bruce, quase
duas decadas após sua morte, em 1973, aos 32 anos. A cadeia de
videolocadoras Blockbuster, a maior do mundo, com 3200 lojas so
nos Estados Unidos, viu suas dependências subitamente invadidas
por novos fãs de Bruce. "Nao temos como dar números, mas
garanto que a procura aos filmes de Lee aumentou em proporções
surpreendentes", diz Wally Knief, porta voz da empresa.
Hussan Megara, gerente da cadeia Movies and More, calcula que o
aluguel de vídeos de Bruce triplicou nas duas ultimas semanas. O
filme sobre a vida de Bruce Lee, "Dragão,a historia de
Bruce Lee", ja rendeu 35 milhoes de dolares, um resultado
excepcional para um filme estrelado em maio,época considerada
péssima para qualquer lançamento, pois precede os filmes
milionários do verão americano. Para o papel de Bruce Lee, o
diretor Rob Cohen escalou o novato Jason Scott Lee (sem
parentescos com Bruce). Jason foi submetido a intenso treinamento
com Jerry Poteet, um ex-aluno de Bruce Lee. Depois de quase dois
meses de treino e de ter vistos todos os filmes de Bruce, o ator
se saiu supreendentemente bem. Revistas especializadas em artes
marciais, como KUNG FU MAGAZINE, elogiaram a semelhanca fisica de
Bruce e Jason, e garantiram que o mestre esta sendo representado
com fidelidade. "No começo eu estava intimidado pelo papel,
mas a pessoa que me ajudou a superar os temores foi Brandon
Lee", disse Jason ao New York times. "Ele me disse que
nao conseguiria fazer o papel se eu tratasse Bruce Lee como um
Deus. Ele me disse que seu pai era um homem temperamental,
raivoso,que se ofendia com a mediocridade e as vezes era
impiedoso." Jason, um havaiano de 26 anos, filho de um
motorista de ônibus em Honolulu, estava trabalhando como garçom
e como entregador de uma loja de flores, antes de ser chamado
para fazer o papel de Bruce Lee. "No instante em que ele
entrou no meu escritório", disse o diretor Rob Cohen,
"eu sabia que era a pessoa certa para o papel. Ele é
atlético, gracioso, mas acima de tudo é um cara misterioso -
você nunca sabe o que ele esta pensando. Bruce era assim."
O filme é baseado no livro BRUCE LEE O HOMEM QUE SOMENTE EU
CONHECI, escrito por sua viuva Linda Lee. "Algumas pessoas
são como lâmpadas de 40 watts. Outras são como o sol. Bruce
era como o sol." Mas, Bruce teve atenção especial com uma
aluna: Linda Emery. Sem muita demora, os dois passaram da amizade
para um relacionamento sério. Mas houve a intervenção da mãe
de Linda, pois na época, casais inter-raciais não eram bem
aceitos nos Estados Unidos, por gerarem filhos mestiços, e
também duvidava que Bruce pudesse dar à Linda uma vida
estável. Isso fez com que Bruce trabalhasse muito, e se dedicou
durante um grande tempo apenas às artes marciais, abrindo uma
grande rede de franquias de sua academia, para que a mãe de
Linda visse que ele seria capaz de tudo. Eis que em 17 de agosto
de 64, Bruce e Linda se casaram. Se mudaram então para Oakland,
Califórnia, onde continuou a dar aulas em outra de suas
academias de Kung Fu. Eis que então foi defrontado por um grupo
de mestres asiáticos de artes marciais, dizendo para ele que
não deveria ensinar a arte marcial aos não-chineses, ou deveria
enfrentar o melhor lutador deles. Como Bruce adorava desafios,
ele aceitou. A luta demorou três minutos e ele fez com que o
adversário, jogado no chão, dissesse "eu me rendo",
em chinês. Vendo que deveria ter vencido em segundos, e não em
minutos, passou a se dedicar muito mais a arte marcial do Kung
Fu. Comemorando o nascimento de seu filho Brandon Bruce Lee,
apenas uma semana depois, voltou para Hong Kong, pois seu pai
havia falecido. Na volta, fez uma promessa para si mesmo, de que
sua família se orgulhasse dele, passando assim a criar um estilo
de Kung Fu próprio: o Jeet Kune Do. Tendo se apresentado num
campeonato de artes marciais, fora escolhido por um grande
diretor , dizendo ser o homem certo para protagonizar o papel
principal na série de "Charlie Chan". Mas um outro
projeto fez com que este fosse adiado. "Batman", com
Adam West e Burt Ward, cancelou esta série de Charlie Chan, mas
ele não foi deixado de lado. O diretor estava com outra idéia
na mente: passar a série de rádio dos anos 30, "O Besouro
Verde", para a tela da televisão, onde fez o fantástico
papel do chofer que luta contra o crime ao lado de Besouro Verde,
Kato. A série estreou nos EUA no dia 9 de setembro de 1966 e foi
um grande estouro, principalmente pelo papel de Bruce. Ele se
esforçava para fazer com que suas cenas de luta fossem cada vez
mais reais, tirando velocidade de seus movimentos, pois ele era
muito rápido. Mas o programa não emplacou devido o grande
sucesso de "Batman". Numa desesperada tentativa de
fazer com que a série continuasse, foi feito um combate entre
Kato e Robin, tendo a luta empatada ao final, para não
entristecer os fãs de ambas as séries. Mas mesmo assim não
teve jeito e o Besouro Verde saiu do ar uma temporada após o
combate. O programa, que Bruce queria que fosse um
"trampolim" para o sucesso, o trouxe de novo ao chão.
A partir disto, Bruce teve de enfrentar novas dificuldades.
Passou então a dar aulas particulares à domicílio, para
personalidades famosas do meio artístico, como Lee Marvin, Chuck
Norris e Steve McQueen, podendo custar o treinamento com o grande
Mestre Bruce Lee até US$ 250,00 a hora. Mas seu aluno mais
querido era seu filho, Brandon, e nesse meio tempo, veio ao mundo
sua filha, Shannon Lee. A garota teve o dom de poder acalmar
Bruce. Bruce Lee era uma pessoa de carne e osso, como eu e você,
e não um super-herói como parece. Numa manhã em 1970,
levantando pesos, Bruce fraturou um importante nervo das costas,
deixando impossibilitado de treinar por seis meses, tempo esse
que ele teve para formular a parte filosófica de sua arte
marcial, o Jeet Kune Do. Médicos de todo o centro de tratamento
vieram dizendo a ele que nunca mais voltaria a treinar, mas Bruce
fez de um obstáculo um ponto de apoio, para descobrir quais eram
seus limites e medir a capacidade do corpo humano. Dava 2000
socos por dia, 1000 chutes, corria 5 Km e pedalava mais 24 Km,
para ver de que o seu corpo era capaz. Ao ficar totalmente
recuperado, começou uma exaustiva rotina diária de exercícios.
Partiu, então, para o estrelato. Não conseguindo lugar nas
telas dos EUA, Bruce e sua família foram para Hong Kong, onde
descobriu que seu sucesso em "Besouro Verde" foi
alcançado ali, sendo a série conhecida por "Programa de
Kato". Por sua fama, foi convidado a participar num projeto
de três filmes do grande diretor chinês Raymond Chow, em que o
primeiro se denominava "O Dragão Chinês" (The Big
Boss - 1971). O público chinês era muito conhecido por deturpar
o cinema, rasgar os assentos e quebrar tudo. Ao término do
filme, Bruce e Linda, que estavam um ao lado do outro, viram que
a platéia não se manifestava. Ambos pensaram: "Eles
acharam um horror!", e logo foram saindo. A platéia estava
um pouco abobalhada pelo filme, e logo em seguida começou a
aplaudir com grande entusiasmo. O filme bateu todos os récordes
de bilheteria na China. Então Bruce iniciou uma grande e
próspera carreira no cinema mundial. Seu próximo filme foi
"Fúria do Dragão" (Fist of Fury - 1971) que quebrou
os antigos récordes e o consagrou, além de artista marcial,
como artista cinematográfico. Raymond Chow não concluiu outra
proposta de acordo para mais filmes com Bruce. Bruce então
conquistara a Ásia mas agora queria conquistar o mundo. Ele
então voltou para a América, Hollywood. Mas sua fama de artista
e também artista marcial não ajudaram muito contra os
preconceitos de alguém de outra nacionalidade. Não aceitavam
que num filme americano, o herói fosse um asiático. Antes de
voltar para Hong Kong, Bruce estava entretido num projeto de uma
nova série com o diretor John Saxon, da Warner Bros. No
princípio, esta série iria se chamar "O Guerreiro",
mais tarde, tornara-se "Kung Fu", e em seu lugar
colocaram um ator americano, o qual tiveram que maquiar muito
para se parecer chinês e que não sabia nada de artes marciais,
David Carradine. Tudo isso porque disseram que Bruce era
"chinês demais" para o papel. Estando muito nervoso
com isso, Bruce afirmou que isto era "racismo
hollywoodiano", e centrou toda a sua atenção para um novo
projeto seu: "O Vôo do Dragão" (The Way of the
Dragon), em 1973, com Raymond Chow, e tendo se interessado muito
pela cinematografia durante as filmagens de "Besouro
Verde", Bruce supervisionou todos os aspectos do filme,
tendo escrito, atuado, coreografado, tocou percussão na trilha
sonora do filme e estreou como diretor de cinema. Mas uma das
melhores cenas é a do combate entre Bruce e seu ex-aluno Chuck
Norris. Nessa cena ele mostra a necessidade de se adaptar à luta
de acordo com o necessário. Ele começa perdendo, seguindo à
arte marcial rigorosamente, mas logo começa a se mexer muito, a
quicar no chão, deixando o oponente atordoado e o vence. Já ao
final das filmagens, Bruce preparava novas cenas de luta para seu
novo filme "O Jogo da Morte" (Game of Death - 1973/78),
mas em pleno início da produção, Bruce recebeu um telefonema
dos Estados Unidos, para protagonizar seu primeiro filme
americano, "Operação Dragão" (Enter the Dragon -
1973). Com esse novo projeto em mãos, ele estava preparado para
alcançar seu total sucesso, podendo ter tudo o que sempre
sonhou. Ele passava muito tempo treinando, treinando para um
combate que nunca existiria; era um treinamento de sete dias por
semana. Até que em 10 de maio de 1973, enquanto editava
"Operação Dragão", ele sofreu um desmaio no
estúdio, sendo levado às pressas para o hospital, onde não foi
detectado nada. Após uma bateria de testes, ele se recuperou,
terminou "Operação Dragão", e voltou para seu antigo
projeto "Jogo da Morte". De volta ao antigo filme,
Bruce estava trabalhando com a atriz chinesa Betty Ting Pei. Foi
um dia a casa dela para discutir algumas cenas do filme e disse
à ela estar com uma forte dor de cabeça. Ela lhe deu um
remédio e ele se deitou. Algumas horas depois, Betty entrou em
pânico por não conseguir acordá-lo e ligou para Raymond Chow.
Ele foi a sua casa e notou que Bruce estava muito pálido.
Levaram-no para o hospital, onde Raymond ligou para dar a
notícia a Linda: Bruce Lee, a lenda das artes marciais, havia
morrido. Todos foram ao chão com a notícia, espalhando-se pelo
mundo. Em seu sepultamento, foi homenageado por milhares de
pessoas, e seu corpo foi levado para Seatle, onde ele e Linda se
conheceram. Com apenas 32 anos, Bruce deixou uma esposa, dois
filhos e um legado inigualável no mundo, tanto das artes
marciais como das artes cinematográficas. Até hoje sua morte é
discutida: muitos dizem que foi algum tipo de vingança entre as
gangues de Hong Kong, ou até mesmo uma maldição dos mestres
chineses por passar as artes marciais aos não-asiáticos. Muitos
também acham que foi vingança por ter feito muito sucesso. Mas
sua morte foi comprovada por uma autópsia e resultou num edema
cerebral, um inchaço no cérebro causado por uma reação
alérgica ao remédio tomado na casa de Betty. Mesmo com a sua
morte, foi continuado e concluído 5 anos depois "Jogo da
Morte", que também não deixou de ser um grande sucesso.
Com isso, seu legado foi deixado nas telas e tornou-se uma grande
figura mundial. Também possibilitou que outros artistas
seguissem seu caminho. Entre seus sucessores, estão Jackie Chan,
Chuck Norris, Jean-Claude Van Dame e muitos outros, mas nenhum
poderia ter tanto destaque como seu filho Brandon, este que teve
uma carreira também próspera, mas em 31 de março de 1993,
durante as gravações de "O Corvo", Brandon foi morto
no set de filmagem por uma arma de festim indevidamente checada.
O filme continuou como em "Jogo da Morte", com dublês
e efeitos especiais. Novamente, rumores sobre a morte de Bruce
voltaram à discussão e novas teorias do porquê havia morrido
voltaram à tona. Mesmo assim, ainda hoje, o nome Bruce Lee é
mundialmente falado; revistas publicam artigos, vídeos são
produzidos e até homepages são montadas em sua memória.Bons
exemplos são essa page, com tudo o que existe nela, e um ótimo
filme: "Dragão: a história de Bruce Lee", estrelando
?, o mesmo de "O Livro da Selva", no papel de Bruce
Lee. Assista pois vale a pena!