Pratico política partidária desde
1992. Na minha visão, resultante dessa experiência, posso afirmar que “caixa
2” não é uma coisa saudável. Mas, infelizmente, muito real na política
brasileira. Pois, na atual conjuntura, é muito difícil fazer uma campanha
eleitoral, neste país, sem dinheiro do “caixa 2”.
Para
mudar o quadro dessa política muito cara, praticada no Brasil, ao longo de toda
sua história, 2 (duas) coisas são indispensáveis:
1ª)
Que se promova a educação do povo para o exercício da cidadania,
conscientizando-o da fundamental importância do VOTO CONSCIENTE, mediante a sua
participação efetiva, e da sua ORGANIZAÇÃO. Pois, num sistema político
democrático, são estes dois instrumentos, voto consciente e organização do
povo, que estabelecem a força do cidadão, tanto para a conquista de seus
direitos quando para fazê-los prevalecer.
2ª)
Uma reforma política que defina o financiamento público para as campanhas
eleitorais, uma vez que é muito óbvia a seguinte relação: FINANCIAMENTO PÚBLICO
resulta em COMPROMISSO COM O PÚBLICO, do representante eleito; já
FINANCIAMENTO PRIVADO resulta em DEFESA DO INTERESSE PRIVADO, ou alguém é tão
ingênuo de achar que, por exemplo, um banqueiro vai financiar uma campanha
eleitoral não visando nada em troca?
Portanto,
é no financiamento de uma campanha eleitoral que começa todo esse processo de
corrupção existente.
Quanto
a esse famigerado “caixa 2”, qualquer cidadão que tem olhos de ver percebe
a sua utilização nas campanhas eleitorais. É dele que sai os recursos para
financiar cestas básicas de alimentos, camisas de times de futebol, etc. Assim,
faço um alerta ao cidadão, não se deixe enganar, seja recursos provenientes
dos “mensalões”, ou doações ilegais e imorais de empresários, É O
“CAIXA 2” QUE TEM SUSTENTADO ESSA POLÍTICA, até hoje praticada no Brasil.
No dia 06.04.06, assistimos o programa eleitoral do PDT. Fizeram pesadas críticas ao governo Lula. Exaltaram o fundador desse partido, o saudoso Leonel de Moura Brizola. Considero esse político como um dos mais bem intencionados que tivemos, na recente história política do nosso país. Porém, coitado... Sempre esteve cercado de traidores e corruptos. Nem a sua própria casa ele conseguiu bem administrar... Seus próprios filhos o traíram. César Maia, Garotinho, Miro Teixeira, são alguns dos mais conhecidos traidores do Brizola.
Sejamos honesto, exigir que o
presidente Lula acabe com a corrupção no país? Ora, nem se ele fosse um
super-herói... Por mais honesto que seja um político, corrupção NÃO é
coisa que se acabe por decreto.
Mas,
é inegável o esforço do presidente Lula no sentido de fazer a sua parte, para
reduzir a corrupção existente. Basta compararmos o seu governo com o anterior
para constatarmos que já houve uma grande mudança. Por exemplo, Lula tem
deixado a Polícia Federal trabalhar livremente, tanto assim que a CPI do
“mensalão” veio à reboque do trabalho que foi e está sendo realizado pela
Polícia Federal.
Outra
evidência disso diz respeito à mudança na forma de nomeação do Procurador
Geral da República, que hoje tem maior independência, o que não acontecia no
governo FHC, quando o senhor Geraldo Brindeiro ficou conhecido como
“engavetador-de-processos”.
Para
acelerar essa mudança, queremos uma reforma política já, com financiamento público
da campanha, para que o interesse público possa prevalecer.
ESTER
NEVES – escritora
Autora dos livros Uma ex-tucano que caiu na real e Corrupção na Era FHC, entre outros.