Conheço
uma família, com um casal de filhos, que, em 1994, sofreu um grande abalo. Na ocasião o rapaz tinha 16 anos e a moça 15. Ela sempre foi muito
responsável; nunca havia dado qualquer dor de cabeça aos seus pais, mas ele
causou muito sofrimento. Isso aconteceu quando foi descoberto que estava usando
drogas. Por causa do vício, ninguém podia deixar dinheiro ao alcance de suas mãos.
Graças a Deus que, hoje, recuperado, ele é outra pessoa. Mas, naquela época,
eram muito diferentes um do outro, embora fossem irmãos, gerados no mesmo
ventre...
Nesse
lar, apenas dois filhos, um o oposto do outro. Percebi então a dura realidade
de quanto e difícil administrar seres humanos.
Não
tenho dúvidas de que toda e qualquer organização tem a sua “banda podre”.
Por mais simples que seja a instituição nela vemos refletida a luta do bem
contra o mal, por causa da natureza corruptível do ser humano.
É o
egoísmo, a ambição, a falta de amor e de sensibilidade. Fatores que levam um
homem a tornar-se algoz de outro.
Cristo
já alertava que até na igreja o joio e o trigo cresceriam juntos. Era impossível
eliminar o joio.
E
olha que a igreja é um lugar onde a pessoa busca desenvolver a sua fé e a sua
espiritualidade, para se tornar melhor. Mas, se até na igreja tem os
corruptos... Ora, será que num partido político pode ser diferente?
Sem hipocrisia a resposta é NÃO. Por isso não me surpreendeu a revelação de que no PT também tem corruptos.
Meu posicionamento, enquanto cidadã é: se a corrupção ocorre até no PT, o
partido de maior participação popular e mais democrático do país, eu fico
imaginando o que acontece na maioria dos partidos, criados apenas para que seus
quadros façam carreira política.
Ora,
o que me enoja é ver quem são os acusadores do PT: a “banda podre” formada
pelo que existe de pior na política brasileira. Os mesmos que ajudaram FHC a
jogar para debaixo do tapete todos os graves indícios de corrupção ocorridos
em seu governo, como a suspeitíssima venda-doação da Vale do Rio Doce, quando
o seu filho, Paulo Henrique, era apontado como a segunda pessoa de poder dentro
dessa empresa. E a compra de votos para aprovar a emenda da reeleição? E o
esquema para a venda da Telebrás? E a conta “TUCANOS”, no exterior? Afinal,
FHC fez o governo campeão de “graves indícios de corrupção”, não
apurados.
E
esse senhor, Roberto Jefferson, principal elemento da “tropa de choque” do
ex-presidente Collor, de triste memória. Certamente que não foi pelos lindos
olhos, desse ex-presidente, que ele assumiu essa tarefa.
Estou
convencida de que essa corrupção toda só veio à tona porque o esquema dessa
possível “banda podre”, que existiu ou existe no PT, não foi suficiente
para aplacar a sanha desse senhor. Pois, como militante desse partido, posso dar
o meu testemunho de que NO PT TEM TRIGO.
O
povo brasileiro precisa ficar de olhos bem abertos para não cair na teia dos
corruptos de sempre.
ESTER
NEVES – escritora
Autora dos livros Uma ex-tucano que caiu na real e Corrupção na Era FHC, entre outros.
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