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Da taça, um trago

De Bandeira herdei o "não pude"
De Mário aquela dor-felicidade
De Murilo certo misticismo
De Cabral o sertão quase rude
De Drummond a simples conclusão:
"O poeta ressentido e o mais: nuvens"

Ah, meus poetas, quantas mensagens!
Ditam tantos desses seus cantares
Que fazem de nossas esparsas vidas
simples gotas em seus imensos mares.

Que bom o poder de dar voz aos sapos
Que bom o ser sempre arlequinal
Que bom ter uma vida severina
Quando numa vivência interina
Ser gauche sendo poeta, não é mal.

Ah, quanto bebo de vocês, Poetas!
Quanto saber, quanta filosofia!
Há muitas vidas que não valem
Um só verso; uma só poesia.

Desconfio que também fiz um poema
"Eu não disse que, de novo, me enganei?"

* Poesia do livro Revivências (1997), o 3o. da autora.


Regina Souza Vieira
49 anos, Nasceu no Rio de Janeiro, cidade onde reside e da qual gosta muito. Sobre ela, afirma: "sou muito dedicada à minha profissão e me entrego, por completo, à poesia e aos textos que escrevo." É Pós-doutorada em Literatura Brasileira, professora de literatura, inglês, francês e tradutora.
Correio: [email protected]
Página: http://www2.netgate.com.br/~reginasv/

 

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