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Esse Olhar
No desfecho escuro das obrigações cotidianas
No lapso instante da beleza instantânea
No infindável instante da beleza eterna
Na imensidão da vida que segue indecifrável
"Sou outro quando sou poeta"
1. A POESIA É A PALAVRA
QUE COM O CORAÇÃO SE LAVRA
O espírito que transfigura a palavra, e transcende o Universo
Para trazer o que emana
Em forma de verso:
A existência humana!A sucessão dos momentos. A transgressão do tempo. A inevitabilidade dos fatos.
A gente nasce, inevitavelmente
O tempo passa, inevitavelmente
A gente cresce, inevitavelmente
A vida muda, inevitavelmente
O amor vem de dentro e desnuda,
inevitavelmente
E os versos : atentos, inevitavelmenteTão lindo... o fascínio desses fractais
O endosso carinho e delicado desse sentir especial
De acordar e solver palavras, e dissolver imagens
Ditou o inconsciente, que mesmo consciente, não hesitou!
Por tão tanto me prendo
Por sentir vou crescendo
Prostado, ao ser singelo, me rendoQue traiçoeiro o destino
Com desafetuoso desatino
Impôs-se impávido
Deixou-me, ao mesmo tempo
Vermelho e pálidoA fera incontida nas entranhas
Rompe as amarras duras
Se arrebata de forma estranha
Num frágil poço de ternuraEntão eu sou assim
Como o murmúrio no ouvido nu
Como o leviano olhar de quem quer mais
Como a sede de beber porções de sua existência
Como aquele que espera o Nau a derivaNa face da luz que enlaça
Esse enlace de tons
Esses tons, semi tons, semi nus
Na farta força que conduz e assombra
E a luz, e a sombra
A arte: O FotógrafoEmbebido em ternura, o sono foi ter mais tarde
E descobriu que evitar o sentir é tarefa árdua
Tão árdua que naquela noite não dormiu nunca maisUm beijo decidido
Inesperado, poluído
Com cara de São Paulo
São Paulo que acontece de novo
São Paulo, por cá tudo acontece ao mesmo tempo
As várias faces se misturam, se fogem, se procuram
Se diluem em arquiteturas e paisagens inescrupulosas
Da pompa ao pauperComo uma manhã que nasce clamando por Sol, guarda em seu seio os desígnios da Terra.
Assim orienta a sua existência sutil
Uma existência mergulhada em charme, em doce estar
Sua beleza explode em detalhes
Detalhes oscilantes entre perceptíveis e inimagináveis
Com maestria, enxerga e compõe a poesia de sua vida
A cada gesto seu : um verso
Sempre muito significativo nem sempre compreendido
Iluminada pela possibilidade de ser mãe
Confunde-se com a natureza
Que gera, que supre, que amamenta a essência mítica, íntima, misteriosa
Com seus pés acalenta a Terra,
Por passear por ela
Assim caminha, caminha... caminha junto com a tal humanidade
Humanidade envolta em fracassos e sucessos
Entre os sucessos, a existência da mulher!Linhas paralelas
Letras paraLilo
Paralelas linhas
ParaLilo elos
Belos...tão belos
que enalteçam a vida
Tão envolvida
Por estes profundos elos
Elos tão Lilos,
Como os paralelos
Que dividem a Terra
Mas não cortam o mundo
Para sempre,
Para o Lilo
em 09/03/96
Você é assim..
Feito corda de violão que se bate com mãos sem habilidade
Que se afaga pelas mão harmoniosas do poeta das notas
Feito essa arte,
Essa arte de sobreviver
Feito uma tempestade
Soprada pelo vento que invade
Feito um turbilhão
Com absurdez total
Uma violação contra o bem, contra o mal
É o estopim berando o fim
Às vezes um orgasmo pasmo
Desses bem no fim: num tô muito afim!
Uma navalha enferrujada
Que corta e dá tétano
Uma moringa da água Benta
Que limpa e que cura
Você é a tarde que tem que cair todo dia, às vezes bêbada
O amargo do fígado saturado
Adoro ter te aturado
Cálida evasão de uma fala caipira num rosto lindo
Embebida nos desajeitos intuitivos de um artista natoPara algum Thense
O fluxo da vida prossegue. O silêncio ensina ao rosto como ser belo. A lágrima inevitavelmente escapa, refrescando o rosto, que já não se eocontra tenso. O sangue corre quente pelo caminho que conhece tão bem. O tempo deixa de ser medido perante a grandeza de se sentir humano. Percebo que nosso encontro não tem lugar no limitado espaço das definições.
"Em nossas trilhas resolvemos nos encontrar em um cruzamento, para sorrirmos todos ao mesmo tempo, para olharmos todos nos mesmos olhos, e crermos certos, que fazemos ainda, parte de uma mesma estrada"
Quando fui dizer Amém, disse VEIÃO
Quando fui dizer parabéns, disse irmão
Quase disse, como a oração saltitante que são os seus olhos vivos
Quando fui dizer, não disse
Só admirei!
Só admirei pela rotina de te admirar
Quando fui dizer, não disse
Porque o dizer havia se esvaído nesses infinitos fragmentos de nossa união.
Por alguma coisa dita, mesmo sem dizer01/07/96
Nelson da Cunha Pinto Filho
27 anos, São Paulo, SP. Poesia inscrita no Projeto Nascente, da USP.
Correio: [email protected]
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