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Mídia

Mídia. "Veículo ou meio de divulgação da ação publicitária... seção ou departamento que faz as recomendações, estudos em jornais, revistas, rádio, televisão etc.". Esse é o significado para a palavra mídia no dicionário Michaelis. Nesses tempos de fácil acesso a informação, deparamos com absurdos. Vários deles. Fiz uma coletânea.

Há uns meses atrás, participei de uma seleção em uma grande empresa do ramo da moda. Havia na dinâmica de grupo 16 pessoas. Doze homens. Todos os outros estavam usando terno azul marinho, sapatos pretos, paletó abotoado e gravata escura. Se estivessem usando a cor preta e óculos escuros, iria imaginar que eu estava chegando para um show dos Irmãos Cara de Pau. Nada contra a elegância dos candidatos, mas isso só aconteceu porque todos leram artigos de consultores de Recursos Humanos dizendo que a vestimenta ideal para aquele tipo de evento era aquela. Mídia.

Imagino o que não seria da carreira da sei lá o que Carla Perez se não fosse a mídia. Em artigo publicado no Estado de São Paulo, o colunista Ricardo Alexandre foi muito feliz descrevendo: "... Carla Perez se beneficiou da condescendência histórica da mídia... ganhou notoriedade em um conjunto musical, embora não tocasse, não cantasse e não compusesse nada". A mídia a fez tornar-se uma apresentadora de televisão. Lástima.

Marketing Político. O mestre deste mais recente segmento é Duda Mendonça. O Marketing Político existe para tentar colocar na sua cabeça por meio de jingles, vinhetas e sorrisos pela tv o que os mesmos candidatos não conseguem quando exercem o cargo público. Mendonça consegue, e muito bem. Ou então, quando lança no mercado político alguém sem nenhuma experiência política e abocanha quase 6 milhões de votos. Oscar Shimidt, exímio jogador de basquete, veio contrabalançar o desastre das administrações malufistas. Quase conseguiu. É a mídia.

Itamar Franco. A recente demonstração de falta de sensibilidade e caráter que vimos semanas atrás, quando da decretação da moratória mineira por seu governante, é motivo claro de marketing pessoal. Itamar se diz magoado com FHC. Ninguém entende porque. O que se sabe é que o ego de Franco é ficar nas primeiras páginas dos jornais. Pobre bolsas de valores. Pobre Brasil. Rico topete.

O governo FHC demonstrou também falta de responsabilidade quando na época da privatização das teles, pagou uma quantia razoável para programas populares e seus apresentadores pronunciarem propaganda em favor da privatização. Carlos Massa - Ratinho, Gilberto Barros - Leão Livre e Ana Maria Braga foram os principais. Nada contra as privatizações. Em muitos casos sou a favor. Mas a maneira como o governo trabalha a privatização não é a mais correta. Ao invés de divulgar e pagar por essas notícias, o governo poderia investir na educação e fazer que a população tenha sua opinião. De maneira clara e objetiva. Na visão do governo não vale a pena. Prefere investir na mídia.

Eu também poderia investir na mídia. Auto promoção. Posso ir para a Av. Paulista correr peladão de um lado para o outro gritando que o aliens estão chegando, que quero mais emprego e dinheiro, pra votarem em mim nas próximas eleições, que o trânsito não anda, que a programação da tv está ruim, que o calor está cada vez maior, que os nossos governantes são corruptos e não há transparência etc.

Assim, depois dessa eficiente mídia, a empresa de moda iria me contratar, Carla Perez sairia do ar, Oscar só jogaria basquete, Itamar fecharia a boca e o governo FHC iria divulgar seus resultados no final do mandato elegendo seu sucessor.

SP, 20/01/99

Fredy Romano
26 anos. Solteiro, economista e vive em São Paulo.
Correio: [email protected]

 

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