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Happy Hour
IBM Leasing. Quinta-feira. Final de expediente. Happy Hour. O que pode se esperar de uma bebedeira com o pessoal de trabalho? Gargalhadas, confusões e mancadas. Muitas mancadas. Para não passar em branco e ficar registrado para a eternidade, resolvi que esse evento merecia uma crônica. Crônica só para o pessoal da IBL. Os que lá estiveram e os que não compareceram foram lembrados.
A confusão começa na saída para o bar. Bar Democrata. Sempre aquela confusão de quem vai com quem e com qual carro. Tudo fica combinado. Mas quando vamos para os carros, muda tudo. Sempre assim. Eu, Giba, Sueli e Cris vamos no meu carro. Nos seguindo, Sheila e Patty Fu. Intrusa na cidade, Sheila não sabe o caminho. Nem eu. No caminho, Sheila não consegue ficar atrás do meu carro. Não entendo. Ela então, talvez para se proteger da chuva torrencial, fica atrás de uma kombi de entrega de leite, atrapalhando seu avistamento. Precisei parar o carro em plena Jucelino Kubtscheck e atrapalhar ainda mais o trânsito para esperá-la. Depois que elas nos acham, seguimos para o bar e novamente ficam pra trás. De novo! Giba liga para a Patty e dá as coordenadas de como chegar ao bar. Não chegam. Erraram a rua. Por que só acontece com as mulheres? Enquanto essa atrapalhada não acaba, estamos sentados à mesa tomando a primeira tulipa. Elas chegam e a Sheila diz que a culpa é minha. Minha?
Conversa fora e chope dentro. Muitos. Como é bom um delicioso chope. Sou suspeito para falar, afinal tenho fama. Melhor não dizer qual. O pessoal começa a chegar e como futuro escritor e bom observador vou anotando para escrever esta crônica. O problema é que os primeiros guardanapos escritos, estão legíveis. A partir do segundo e com várias idas e vindas do garçom, minha coordenação motora não é a mesma. A Língua Portuguesa vira Hieróglifo. Deu para tirar algumas maravilhas. Vamos lá!
Eu e o Giba começamos a olhar em nossa volta, à procura de maravilhas da natureza. Encontramos. Duas loiras sensacionais sentadas numa mesa na frente do bar. Giba quer brindar esse momento. Não dá. Meu copo já está vazio. Outra loira. Agora na mesa ao lado. Digo para o Giba que ela impõe respeito. Sueli e Cris nos observam com cara feia. Resolvem então tentar paquerar os carinhas da mesma mesa da loira. Em vão. Claro, O pessoal vai chegando aos poucos. O Milton chega e pede uma Coca-Cola com gelo e limão. Coca em uma choperia? Logo depois chega o Koga. Feliz, muito feliz. Deve ser pela viagem à paradisíaca Bahamas. Viva e Gordão também chegam e logo pedem caipirinha. O garçom traz a caipirinha antes da Coca do Milton. Só então ele descobre que a casa não tem Coca-Cola. Só Pepsi. Não entendi ainda... Coca-Cola? Papos rolando e chopes chegando. Encarregada dos frios, Sueli não consegue fazer uma boa combinação. Chapignon na porção de frios? A pátria é salva pela Christiane.
Anteriormente combinado, Giba vai "muquiando" as bolachas dentro da bolsa da Patty. Quase ponho tudo perder quando falo para o Giba esconder mais algumas com o garçom do meu lado. Que mal. O blá blá blá está animado e começam as gozações. Primeiro, Patty reclama do meu cabelo. O Koga não sabe o que é alcachofra. Alcachofra me lembra o coquetel do Novo Canto, quando estavam servindo alcachofra e o Bernard perguntou se aquilo era batata-doce. Imitações do Giba não podiam faltar. Tota, Lisiane, Milton, Perini e eu fomos as vítimas. A Cris, já prá de Bagdá e conversando com Saddam, deixa cair no seu copo uma fatia de copa. Tira a copa, coloca pimenta e come. Como ficou ardido, toma o chope. Nojento.
No meio de toda essa muvuca, começa a chover em cima da mesa. Para agitar um pouquinho mais, acho um alvo para minhas bolinhas de papel: Sheila. Com raiva ela contra-ataca. Não acerta o que queria, meu chope. Celulares tocando e conversas animadas. Idas ao banheiro das garotas. Incrível, como conseguem ficar indo ao banheiro a cada 10 minutos? Pra que? Talvez para reclamar depois com o gerente, como fez a Sueli. Disse que o bar era ótimo, maravilhoso e o banheiro uma caca. Depois de uns 15 chopes, também fui ao banheiro. Chegando lá, um cara mais bêbado do que eu estava dizendo que a caipirinha estava pronta. "Só dar uma mijadinha e pronto". Se referia ao mictório. Estava com gelo e limão para tirar o cheiro.
Duas horas de bebedeira, alguém pergunta sobre o Tuniko, Joaquim, Leandro e Tota. Giba com a gravata bem folgada, estilo bêbado, responde: " estão trocando o barril de chope ". A conta chega e Sheila saca dez reais dizendo que paga somente o que consumiu. A Cris quer levar pra casa o copo, guardanapo, sal, palitos e a pimenta. Achou que era muita coisa e acabou levando só o copo.
Todos tiram sarro do meu cheque. É do Citibaaaaannnnnk, eu disse e todos riram. Precisaria chamar o Gustavo Franco para decifrar. Afinal está desempregado. O garçom volta dizendo que todos deveriam ceder os RGs para averiguação. Com uma pequena negociata, convenço a verificar só o meu. Fiquei desconfiado. O cara parecia gay. Com a maior intimidade, disse: " obrigada Fredy ". Quis ir embora na hora.
Para terminar, pedimos a saidera e fomos pegar o carro. Cadê o carro? Mais de 10 minutos esperando o manobrista chegar com o carro. Só faltava mais essa. Chega e área. Não lembro como cheguei em casa.
SP, 15/01/99
Fredy Romano
26 anos. Solteiro, economista e vive em São Paulo.
Correio: [email protected]
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