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Vamos Viver

I

Faça a ponta do lápis, vamos viver.
Chame a batalha por telefone e deixe a hora enguiçar.
Levante os lençóis da ponte, não permita o orgulho mofar.
Abra uma janela, mande o coração bater.

Encha um balão de meiguice e tente estourar.
Coroe a lucidez com diamantes de aço.
Perfume a cabeça do inimigo e dê seu melhor passo.
Guarde o amor e não deixe zarpar.

Tenha cabeça na geladeira e feche a porta.
Congele os impulsos de seu cérebro assim.
É hora de terminar o começo do fim.
E dedicar-se à vitória de sua derrota.

 

II

 

Mexa as pernas do absurdo e tempere o futuro
Com pó de casca de ganâncias infundadas.
Rasgue os pneus dessas rosas douradas.
E guie sua insensatez até o outro lado do muro.

E tire a sombra do obscuro. É hora de saber
Mais certo do que nossa senhora Morte,
Bem mais sobre nunca existir sorte,
Que ninguém pode nada contra você.

E começa a guerra que sempre existiu
Da primeira batalha que está por vir.
Mesmo que faça qualquer inimigo cair,
No espelho tem algo mais forte, você viu...

 

III

 

É contra você que você há de lutar.
Arranque a tampa da caixinha de surpresa
E enfie garfos na pele de quem gira a roleta.
Grite dentro do armário. Toda escada começa com H.

Dos buracos dos pregos na parede
E do nojo imundo do beijo amargo
E da derrota, e da inveja, e do escárnio.
E dos furos e rasgos da sua velha rede

Faça o pão para sua alma e sinta prazer.
Amole a sua língua, sua faca, como nunca.
Colha o triunfo e bagunce mais toda essa bagunça.
Faça a ponta do lápis, vamos viver.

Fábio Fernandes Dantas Filho
20 anos, cursa medicina na UFC.
Correio: [email protected]

 

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