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Analfabeto Político
Fugir era o único meio que Aldo encontrava, para não conversar sobre política. Quando alguém queria irritá-lo, começava o maldito assunto. Ia embora, mal-humorado, tão logo as discussões fossem iniciadas. A aversão vinha da infância, quando ouvia os mais velhos chamando os políticos de Arrogantes, Corruptos, Mentirosos.
O dia das eleições era o pior de todos. Acordava, invariavelmente, com cara de raiva, semblante que durava até a noite. Votava, todas as vezes, em branco: nunca apoiaria aqueles crápulas nojentos, não ajudaria os canalhas a dominar a sociedade. Seu maior sonho era o voto facultativo.
Raramente, Aldo lia o jornal. Informava-se, geralmente, através da televisão, que assistia quando jantava. Em certa ocasião, disse que não estava, nem um pouco, preocupado com o desemprego, então apelidaram-no de Alienaldo. Ironicamente, a indústria onde trabalhava o demitiu, meses depois, junto de outros tantos funcionários.
As coisas não eram fáceis para ele. Sempre fora tão eficiente no seu cargo, apesar de não possuir nenhum diploma. Agradecia a Deus por ser solteiro, já que seria impossível, para ele, sustentar uma família, desempregado. Conseguiu, tempos depois, algo para trabalhar: vendia cerveja, refrigerante e água, em estádios de futebol.
Foi sobrevivendo, assim, por um bom tempo. Odiava a política.
Havia, porém, um vazio, em seu coração.
Certo dia, impulsivamente, suicidou-se.
Fortaleza, 26 de agosto de 1999.
André Marques Lima
20 anos. Aluno de Computação da UNICAMP, amante da capoeira e gosta de jogar RPG.
Correio: [email protected]
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