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A igreja e o estado espanhol caminhavam juntos desde o ano de 587 quando o rei visigodo Recaredo se converteu do arianismo para o cristianismo e que a religi�o passou a ser encarada como fator de unidade nacional diante das invas�es da pen�nsula ib�rica pelos mouros e os sarracenos e devido aos sentimentos dispersivos e autonomistas das regi�es como os reinos de Le�o, Arag�o, Navarra, Sevilha, Castelo, Granada e Valencia e a profus�o da popula��o judaica em todo o territ�rio espanhol, com isto se estabeleceu uma parceria entre os �rg�os eclesi�sticos e o poder temporal

Com os monarcas visig�ticos submetendo v�rios de seus c�digos legislativos � aprova��o de conc�lios como foi o caso do fuero Juzzo do s�culo X que foi aprovado pelo concilio de Toledo e em vista dos acontecimentos passou a imperar o lema um s� reino, uma s� religi�o.
Durante a idade m�dia, a inquisi��o n�o teve atua��o expressiva na Espanha em virtude de sua localiza��o peninsular e n�o sofreram de forma ingente a influencia e a penetra��o de movimento her�ticos como o dos c�taros, origin�rios da Maced�nia e partid�rios do neo-maniqueismo herdado de Manu, o dos Albigenses proveniente dos Valdenses fundado por Valdo na It�lia, e dos Fraticelli origin�rios dos frades franciscanos, e durante o ano de 1197 o rei Pedro II de Arag�o reiterou o edito que seu pai Afonso II houvera baixado contra os inimigos da igreja a quem eram declarados como os hereges e eram expulsos de suas terras, e no ano de 1198 surgiu pela primeira vez na Espanha a men��o a pena de morte pelo fogo contra os membros das seitas her�ticas, e com o correr do tempo o reino de Arag�o fronteiro com a Fran�a acabou sendo assediado por incurs�es her�ticas j� que o Languedoc estava praticamente dominado pelos Albigenses que eram grandes propagadores de uma postura de culto exclusivamente interior, sem rituais externos e com total rejei��o dos sacramentos cat�licos, e a partir de 1226 o rei de Arag�o Jaime I o Conquistador passou a se preocupar com recrudescimento das heresias e ao atender aos pedido do Cardeal franc�s Saint-Ange, ele rep�s em vigor os editos de 1197 e 1198, e no ano de 1232 o Papa Greg�rio IX queixou-se junto ao Arcebispo de Tarragona que os cl�rigos locais n�o se interessavam muito pela repress�o aos c�taros e quejandos e por este motivo em 26 de Maio de 1232 o Papa Greg�rio IX atrav�s de uma bula encarregou o Arcebispo de Tarragona para instituir alguns tribunais inquisitoriais como �rg�o eclesi�sticos de execu��o e que o mesmo funcionasse paralelamente aos tribunais ordin�rios da igreja.

E no ano de 1233 Jaime I promulgou novo edito contra os Albigense e iniciou as persegui��es contra eles, e eram realizadas pelos padres que se socorriam do auxilio de leigos, e no momento que esse edito foi confirmado pelo Papa Greg�rio IX ele colocou os frades pregadores que eram membros da ordem dos dominicanos que fora fundada por Domingos de Gusm�o que ficou encarregado das atividades inquisitorial na Espanha.

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E no ano de 1235 o dominicano Ramon de Pe�aforte a mando do Papa elaborou um regimento inquisitorial e com o correr do tempo as persegui��es contra os c�taros em Arag�o foi perdendo as for�as apesar dos esfor�os, por conta disto o Papa Greg�rio IX em 1238 alertou aos reis e os bispos o dever de perseguir os hereges de acordo com as normas estabelecidas pela santa f�, e no Viscondado de Castelbon em Arag�o foi que as atividades inquisitorial sob o comando de Guilherme de Montgrin se tornou mais severas, ao condenar mais de cinq�enta hereges e ao exumar dezoito cad�veres de albigenses para que seus ossos fossem queimados em ef�gie seguindo a antiga tradi��o inquisitiva que infligia pelas post mortem, enquanto que no resto da Espanha as atividades anti-hereticas ficaram quase que inexistentes.
E no ano de 1238 sob a supervis�o do dominicano Pedro de Leodegaria foi organizada a inquisi��o em Navarra e no reinado de Afonso X, no seu Fuero Real de 1255 e na lei das Sete Partidas de 1276 ele reproduziu muito da legisla��o estatu�da pelo Papa Greg�rio IX quando estabeleceu o objetivo da persegui��o aos heregeres que deveriam ser levados � abjura��o, que os tornava penitentes e os eximia de castigos mais severos.

E caso se recusassem a abjurar, eles se tornavam impenitentes, e eram entregues ao carrasco e sujeito aos supl�cios e � morte e seus bens eram confiscados e paralelamente �s persegui��es anti-hereticas foram gradativamente crescendo nos meios eclesi�sticos as preocupa��es relativas ao crescimento das popula��es mouras e judaicas.

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E entre os anos de 1320 e 1339 o maior expoente da inquisi��o espanhola foi o dominicano Nicolau Eymerich, o grande inquisidor de Arag�o que elaborou o manual dos inquisidores (Directorium Inquisitorum) com algumas caracter�sticas marcantes como o sigilo do processo imposto ao acusado que os autos de f� seriam cerim�nias abertas ao publico e festivas onde eram pronunciadas as senten�as contra os hereges, ap�statas, bruxos e os feiticeiros que nesses eventos abjuravam publicamente as heresias, e outros eram fustigados e torturados, e os condenados � morte eram executados na fogueira, e no s�culo XV a persegui��o aos mouros que se encontravam acuados em Granada e aos judeus chegou ao auge, com isto muitos mouros com receio de serem expulsos se converteram ao cristianismo ao aceitarem o batismo e de serem chamados de mouriscos enquanto que os judeus que aderiram a tal pratica passaram a cognominar-se de marramos. E no ano de 1478 os reis cat�licos Fernando de Arag�o e Isabel de Castela que buscavam a meta nacional que ficou conhecida como a reconquista pediram ao Papa Sisto IV o reavivamento da inquisi��o, no que foram atendidos pela bula Exigit Sincerae Devotionis Affectus com o car�ter misto e aut�nomo no qual o poder civil poderia designar os inquisitores sem pr�via anu�ncia da santa f� e os primeiros inquisitores designados pelos monarcas foram os freis dominicanos Miguel Murillo e Juam de San Martim que se estabeleceram em Sevilha onde a aglomera��o judaica era de grande monta, com isto houve um grande p�nico entre os mouriscos e os marranos que se refugiaram nos castelos dos grandes senhores feudais, e atrav�s de uma proclama��o de 2 de Janeiro de 1481 os dois inquisidores ordenaram aos grandes senhores que entregassem os perseguidos sob pena de excomunh�o, com isto as pris�es acabaram de enchendo de �rabes e de judeus batizados, o que levou com que os marrranos se insurgissem e por conta disto decidiram assassinar os inquisidores, por�m a conjura��o foi abortada em raz�o da mesma ter sido delatada aos freis inquisidores.

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Fato este que levou aos sublevados a perderem os seus bens e a suas condena��es a morte por vivicombust�o no dia 6 de Fevereiro de 1481 na primeira fogueira da moderna inquisi��o espanhola, e a partir desta data a atividade inquisitorial recrudesceu em todo o pa�s com o poder civil deixando de ser mero executor das condena��es eclesi�sticas quando passou a ser coadjuvante e co-participante dos trabalhos clericais e os juizes passaram a ser escolhidos pelo soberano entre os membros do clero secular e foi criada uma segunda inst�ncia na pr�pria Espanha com o nome de conselho da suprema e geral inquisi��o e que ficou conhecida como a suprema e refor�ou-se o aspecto pol�tico da inquisi��o na tarefa ingente de preservar a unidade do pa�s contra os setores separatistas que resistiam, e na incessante luta contra os hereges, apostatas, judeus e mouros que foram instados a se batizarem sob pena de ex�lio e de ficarem sob a jurisdi��o dos tribunais inquisitoriais como crist�os e n�o na condi��o de pag�os.

Com isto muitas cidades acostumadas aos seus privil�gios secularmente conferidos pelos soberanos atrav�s dos fueros acabaram resistindo � interven��o de estranhos em seus costumes e na autonomia local quando se revoltaram em varias regi�es como Navarra, Sevilha, Zaragoza, Granada, Toledo, Barcelona e Val�ncia onde muitos inquisidores foram assassinados em atentados, e diante desses fatos em 31 de Janeiro de 1482 o Papa Sisto IV atrav�s de uma bula protestou com veem�ncia, quando amea�ou cassar o poder designatorio dos reis e exigiu que os recursos decorrentes dos confiscos dos bens fossem encaminhados a Roma e que os nomes das testemunhas fossem comunicados aos acusados, por�m em virtude das amea�as por parte dos reis cat�licos, o Papa Sisto IV acabou recuando em vista da imensa import�ncia da Espanha para a propaga��o do cristianismo e em Outubro de 1483 os reis catolicos nomearam a mais conhecida, odiada, temida e expressiva figura que foi o dominicano Tomas Torquemada que era o prior do convento de Santa Cruz em Segovia como o inquisidor geral de Castela, Arag�o, Le�o, Catalunha e Val�ncia como o benepl�cito do sumo pontificie, que de imediato come�ou por reorganizar e reformar os tribunais do santo oficio, quando demitiu os inquisidores que tinham dado provas de parcialidade ou que pelo seus car�ter eram ineptos para as fun��es, estendeu as atribui��es do santo oficio a numerosos crimes ou delitos como heresia impl�cita e se esfor�ou de todas as maneiras para evitar os erros e os abusos cometidos pelos primeiros inquisidores, e a partir de 1484 passou a redigir o regulamento organizacional e os procedimentos da inquisi��o espanhola que foi completada por Deza em 1500 e por Cisneiro em 1516 e copilada por Alonso Manrique e consolidada no ano de 1561 por Fernando Valdez.

E no dia 31 de Mar�o de 1492 Fernando de Arag�o e Isabel de Castela assinaram um decreto no qual todos os judeus que n�o fossem batizados deveriam ser expulsos do pa�s e terem os seus bens confiscados, e nesta �poca os tribunais inquisitoriais fixos onde muitos condenados peregrinavam em cumprimento de suas penas estavam localizados nas cidades de Toledo, Sevilha, Valadolhid, Granada, Codoba, Murcia, Cuenca, S�o Thiago de Compostela, Logro�o, Zaragoza, Barcelona, santa Cruz de Tenerife, Val�ncia e Malorca.

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E nestes tribunais inquisitooriais os acusados tinham uma prepara��o terrivel pois eram convidados a confessar mediante suplicas, amea�as e demosntra�ao dos intrumentos de suplicio, que n�o podiam ostentar car�ter cruento, por este motivo o mais utilizado era o da �gua ao lado do pol� e dos cordeles, que eram cordas progressivamente apertadas em torno dos bra�os e das coxas e se confesse o condenado confessasse durante o tormento, seguia-se a condena��o e caso o acusado suportasse as dores poderia ser absolvido e comprometendo-se a n�o declarar nada a terceiros sobre os sofrimentos, e como as torturas somente podia ser infligida uma �nica vez , os inquisidores recorriam ao subterf�gio do adiamento da sess�o para prosseguimento posterior. As penas aplicadas aos hereges eram jejum obrigat�rio, peregrina��o, proibi��o de perman�ncia em determinados lugares, pratica religiosa obrigat�ria, pris�o inclusive domiciliar, utiliza��o do sambenito que era um habito em forma de saco que se enfiava pela cabe�a nas cores amarela e vermelha, fragela�ao e a morte pelo fogo.

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E os hereges reincidentes eram lan�ados diretamente ao fogo, e os que abjuravam a heresia na hora da morte eram estrangulados pelo carrasco e seus corpos jogado j� sem vida na fogueira e a maioria dos autos de f� eram realizados na Plaza Mayor de Madri.

E com decorrer do tempo foram institu�dos os crimes de juda�smo e de maometismo o que acarretou intensa persegui��o aos adeptos da reforma protestante e entre os reformistas os mais visados foram os erasmitas que eram adeptos de Erasmo de Rotterdan, os luteranos e os intimistas que renegavam qualquer tipo de culto externo, os m�sticos, os iluminados, as beatas, e entre os fatos mais relevantes temos que em 1579 em Estremadura foi encontrado m�sticos entre os jesu�tas, o caso da beata Eugenia de La Torre que foi condenada a morte na fogueira em Toledo por participa��o em orgia libidinosas, at� Ign�cio de Loyola fundador da Companhia de Jesus tamb�m esteve sob suspeita da inquisi��o que o processou e o absolveu por suspeitarem dos seus exerc�cios espirituais, Santa Tereza de �vila tamb�m foi processada e absolvida sob acusa��o de iluminismo e por volta de 1510 o monge franciscano Melchor da cidade de Oca�a que havia profetizado a convers�o total dos mouros, a queda dos tronos, a convuls�o total da cristandade e a transfeencia do papado para Jerusal�m, que ao dirigir-se a Joana de La Cruz a convidando-a a com ele gerar um filho que seria um novo messias, acabou sendo denunciado por Joana ao inquisidor geral Cisneiro, que o processou e o condenou a fogueira, e no ano de 1558 a infanta Joana inaugurou a censura, institu�da pela sans�o pragm�tica que listou diversas obras proibidas que passaram a ser proibida as suas aquisi��es por cat�licos sob pena de condena��o � morte, e uma vitima desta censura foi o Frei Luis de Leon que era professor da Universidade de Salamanca que foi acusado de assumir em aulas sua posi��o iluminista e por gesto acabou sendo preso durante o periodo de 1572 a 1576 e que ao reassumir sua c�tedra, come�ou a primeira aula dizendo " como diz�amos ontem ". E no final do s�culo XVI destacou-se a figura sinistra do Duque de Alba que em seu tribunal de sanue mandou torturar e matar muita gente com a contemplacencia das autoridades eclesiasticas da �poca que prosseguiam na luta da inquis�ao mais en�rgica contra os protestantes quando novas figuras criminosas foram criadas, como a sodomia, a bestialidade, o homossexualismo, a necrofilia e a mancebia sob a compet�ncia dos tribunais do santo oficio e quase todas passiveis de morte pelo fogo.
E no s�culo XVIII o iluminismo anticlerical que se alastrou pela Europa e acabou eclodindo na revolu��o francesa, foi severamente punido pela inquisi��o espanhola, mas devido a sua influ�ncia acabou se aliando a revolu��o industrial e com � ascens�o da burguesia e dos movimentos liberais, o prestigio e a atua��o do santo oficio cada vez mais foi considerado um anacronismo insuport�vel e injustific�vel, por�m a inquisi��o espanhola resistiu ate mesmo a invas�o de Napole�o Bonaparte que em Dezembro de 1808 o aboliu formalmente, por�m o santo oficio n�o deixou de existir na pratica e em 22 de Janeiro de 1813 as cortes de C�diz votaram a aboli��o do santo oficio, por�m quando do retorno do Rei Fernando VII ao trono da Espanha ele restabeleceu a inquisi��o em 1820.

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E atravez do decreto de Maria Cristina em 1834 o tribunal do santo oficio da inquisi��o veio a ser definitivamente eliminado da Espanha.

 

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