Coerentes um dia
Voc� um dia percebe que nem todos os s�bios conselhos de seus pais s�o seguidos por eles mesmos. Voc� v� que os seus professores n�o exemplificam muito bem na pr�tica tudo o que dizem, e ao seu redor todo mundo desliza de quando em vez. Voc� descobre o grande cinismo
ditando as linhas da Hist�ria.

N�o admira que voc� n�o se incomode com a incoer�ncia, com o relativismo das atitudes dos homens. O mundo � assim, e n�s somos formados pelo mesmo barro que o mundo. Estaria tudo ok se as coisas n�o precisassem fatalmente ser assim. N�o no que tange � vida que Deus planejou para n�s.

Sabe, j� ouvi `n' vezes a hist�ria de que Gandhi teria dito que seria um crist�o n�o fosse pelos crist�os. Todo mundo abana a cabe�a com indigna��o, como quem diz: "ah, esses crist�os!" A� tocamos nossa vida do mesmo jeito, afinal, as coisas s�o desse jeito, n�o �? N�o, n�o �.

O Padre Antonio Vieira estava inconformado com a falta de frutos de sua prega��o sobre seus ouvintes, especialmente em compara��o com os abundantes frutos da prega��o dos disc�pulos e ap�stolos l� em Atos. Vejam o que ele escreve:

"Antigamente convertia-se o mundo, hoje por que se n�o converte ningu�m? Porque hoje pregam-se com palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras, s�o tiros sem bala; atroam, mas n�o ferem. ... As vozes da harpa de Davi lan�avam fora os Dem�nios do corpo de Saul, mas n�o eram vozes pronunciadas com a boca, eram formadas com a m�o. ... Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao cora��o, s�o necess�rias obras. Diz o Evangelho, que a palavra de Deus frutificou cento por um. Que
quer isto dizer? Quer dizer, que de uma palavra nasceram cem palavras? N�o. Quer dizer, que de poucas palavras nasceram muitas obras.  ... Vissem os ouvintes em n�s o que nos ouvem a n�s, e o abalo e os efeitos do Serm�o seriam muito outros." (in Serm�es, editora Hedra, Tomo 1, p. 36/37).

A fonte de toda incoer�ncia entre a professa f� crist� e seu agir est� em que a prega��o que temos nos l�bios come�ou por n�o nos converter a n�s mesmos. Como esperamos que outros sejam convertidos? Como esperamos que haja algum efeito na nossa prega��o se n�o
acreditamos que quando o Evangelho diz "pois aquele que est� em Cristo nova criatura �" n�o est� querendo dizer exatamente isso, quer dizer "nova criatura ser� um dia, quem sabe?" ou outra coisa qualquer?! Que tipo de nova criatura somos? Crist�os que n�o ouvem o que Cristo diz. Escutamos mas n�o ouvimos, ouvimos mas n�o entendemos, entendemos mas fingimos que n�o.

Quando Cristo disse aos disc�pulos "entrem no barco e vamos para o lado de l� do lago" Ele estava dizendo que era pra eles entrarem porque chegariam do outro lado. N�o estava dizendo que morreriam numa tempestade no meio do caminho. Mas eles n�o confiaram na palavra do
Mestre. Quando Deus disse a Josu� que entrasse e expulsasse os povos de Cana� Ele estava querendo dizer que era para ele entrar e expuls�-los, logo, providenciaria para que isso tivesse sucesso. Josu� creu e fez.

Quando Cristo nos chama a levar o Seu jugo, e diz que ele � suave, est� dizendo que vai faz�-lo suave para n�s, a ponto de o podermos suportar!

Aquilo que Deus promete, Ele � plenamente capaz de o fazer! Abra�o sabia muito bem disso e n�o � toa foi o que foi. N�s n�o o sabemos, e n�o � toa somos o que somos. Sabe, Deus n�o age em quem n�o est� olhando para Ele.

Que Deus tenha piedade de n�s, e continue insistindo e apelando, talvez em singelas e falhas prega��es como esta.

Feliz s�bado, @migos!

Marco Aur�lio Brasil
16/05/03
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