Deifagia
No come�o desse s�culo, parece que a humanidade, ou pelo menos o Ocidente, estava deslumbrado com sua capacidade. Eram tantos os inventos, t�o r�pido o progresso cient�fico e tecnol�gico, que o otimismo passou a ser a ordem do dia.

Todo mundo cria que em breve o homem inauguraria uma era de felicidade e progresso pelas suas pr�prias for�as. Nessa esteira � que pipocaram movimentos art�sticos como o futurismo, o dada�smo, o cubismo, o impressionismo, e outros �ismos� quetais.

N�o estou bem lembrado quando isso aconteceu, mas creio que foi no entre-guerras, quando o homem ainda n�o tinha percebido que n�o ia a lugar nenhum, que sua ess�ncia continuava a mesma (depois da Segunda Guerra esse otimismo se inverteu todo, e a ordem do dia passou a ser o existencialismo), que Oswald de Andrade e seus amigos lan�aram um tal de Movimento Antropof�gico aqui em S�o Paulo. Eles assinaram um Manifesto Antropof�gico que proclamava coisas como "s� a antropofagia nos une, socialmente, artisticamente, economicamente"...

Pensando nisso interpretei esse movimento como um reflexo daquele otimismo todo... Como se Oswald e Cia. estivessem proclamando a sublimidade de se alimentar do homem, comer as realiza��es do homem, devorar dia ap�s dia as coisas magn�ficas que o homem faz.

Essa � a escola liter�ria do Diabo. N�o s� liter�ria, � a escola dele. Ele diz: "veja o que o homem � capaz de fazer! O homem � sublime, alimente-se das cria��es do homens, entusiasme-se com seus feitos." Quando o homem, enlevado com tanto orgulho, se afasta bastante de Deus, a� o discurso do diabo se inverte, e ele joga no rosto do homem sua mis�ria, sua pequenez, sua ignom�nia.

Goethe dizia que "somos moldados por aquilo que amamos". Se o que amamos � isso, isso nos moldar�.

Pense nisso. O que � que tem te alimentado? Com o que voc� tem gastado mais tempo? O que te d� mais prazer? Pois �, isso � o que vai te moldar. Voc� � a cara do que te alimenta.

N�s, contudo, fomos comprados para ser participantes de uma outra escola. Olha isso: "Eu sou o p�o vivo, que desceu do c�u; se algu�m comer deste p�o, viver� para sempre; e o p�o que eu darei pela vida do mundo � a minha carne. ... Porque a minha carne verdadeiramente � comida e o meu sangue verdadeiramente � bebida." (S.Joao 51 e 55).

Temos o privil�gio de nos alimentarmos de outro tipo de comida, comida que veio do c�u. Ele � p�o, e p�o � o tipo de coisa que se come todo dia, n�o � uma vez por semana!

Em um acampamento, assinei com meus amigos um "Manifesto Deif�gico". Esse nome, deif�gico, a gente inventou para designar aqueles que se alimentam de Deus, e n�o do homem.

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (verso 56). A comida permanece em n�s, fica fazendo parte do que somos, nos molda � Sua imagem.

Que tal assinar esse manifesto voc� tamb�m, e manifestar que pertence � escola dos que n�o se alimentam do que o homem faz, coisas que morrem, imperfeitas, impuras, fadadas a desaparecer e a se corromper, mas dos que se alimentam do p�o vivo que se deu para que tiv�ssemos vida, e vida eterna!

Feliz s�bado e boa refei��o, @migos!

23/07/99
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