| As pombas suicidas | ||||||||
| Sabe, a Tatiana � uma engajada militante da prote��o aos animais. Quer v�-la de mau humor um dia inteiro? Mostre um cachorro atropelado, ou cheio de feridas... Acho engra�ados os sobressaltos que ela tem quando estamos andando de carro e um cachorro aparece num raio de dois quil�metros... Ela d� um grito ou um profundo suspiro de medo (preciso falar que ningu�m grita ou suspira t�o bonito como ela) e chega a se levantar um pouco no banco, s� sossegando de novo um bom tempo depois de termos passado do bichinho e ele permanecer na sua rota que n�o era e nunca foi de colis�o... Um dia em que eu estava um pouco mais espirituoso, ao passarmos por umas pombas que estavam ao lado do carro e ap�s ela sobressaltar-se como sempre, lhe disse que ela poderia ficar tranq�ila, porque os animais n�o costumam suicidar-se. E de fato � assim, pela minha longa observa��o do mundo animal, conclu� que em sua grande maioria (com a honrosa exce��o, talvez, daqueles mosquitinhos kamikases que protestam contra o avan�o tecnol�gico e a globaliza��o se suicidando em nossos p�ra-brisas) os bichos costumam sair da frente da gente quando nos aproximamos. A Tatiana, entretanto, nunca confiou muito nisso e um dia desses ela teve sua vingan�a. Eu estava cruzando o Vale do Anhangaba� por cima (trabalhava em um pr�dio ali). Vi uma por��o de pombas reunidas no meio do caminho mas n�o liguei, como sempre toquei o carro em frente, crente que elas voariam quando eu estivesse bem pr�ximo. Foi horrorizado que vi no retrovisor umas tr�s delas estiradas no ch�o. Bom, a mensagem hoje n�o � bem sobre sentimento de culpa, dor na consci�ncia, fantasmas pombais que aparecem de noite nem nada disso, portanto vou passar direto a uma conclus�o interessante que fiz sobre o maravilhoso mundo animal e que me ajudou a entender a raz�o de ser da igreja: sozinha, dificilmente a pomba n�o percebe um carro se aproximando, e sai da frente. No meio da coletividade, entretanto, ela relaxa a aten��o, entende provavelmente (vou dar uma de psic�logo de pombos) que se todo mundo esta ali numa boa � porque o lugar � seguro, e quando o carro aparece ela � pega de surpresa. O livro de Atos diz que era nas igrejas que os novos crist�os eram exortados e confirmados. Os disc�pulos e ap�stolos pareciam estar constantemente se animando e lembrando uns aos outros que Jesus estava prestes a voltar para cumprir o que prometera, para leva-los para o lar eterno, e � por isso que eles viviam em estado de constante vigil�ncia. Esse estado que Jesus n�o cansou de avisar: seria vital para quem vivesse no tempo exato em que vivemos, quando Ele est� de fato �s portas. � por isso que a igreja � t�o necess�ria hoje! Em Sua sabedoria, Deus entende que precisamos relacionar-nos para crescermos. Precisamos da experi�ncia do semelhante para evoluirmos e avan�armos nesse caminho estreito e espinhento. Quanta gente n�o deixa de lado esse rem�dio divino para a letargia, afastando-se da congrega��o, buscando sua experi�ncia pr�pria, que no mais das vezes redunda em rebaixamento da norma, frouxid�o no crescimento "na gra�a e no conhecimento de Cristo Jesus"! Contudo, bem pode ser que a igreja acabe desempenhando um papel oposto ao que deveria desempenhar. Quando as pessoas tiram os olhos do que realmente interessa, ou seja, do breve retorno de Jesus, quando passam a cuidar mais de teologia, de sociabilidade, de m�sica, de caridade ou de qualquer outra coisa como um fim em si mesma, a igreja deixa de fomentar o esp�rito de vigil�ncia necess�rio. O resultando � nefasto: voc� se sente seguro por estar naquela coletividade, acha que se alguma coisa estiver errada todo mundo, ou ao menos algu�m � sua roda, vai perceber, e que quando algu�m se mexer ser� tempo para se mexer tamb�m... Voc� pensa que se um movimento de reforma e reavivamento tomar conta de sua igreja voc� vai ser atingido tamb�m, ent�o fica esperando isso acontecer, botando indiretamente a culpa em Deus, que n�o faz logo de uma vez esse milagre... O rem�dio para esse estado de coisas parece ser o retorno �s origens. Quando um cuida de lembrar ao outro o tempo em que vivemos, o momento solene em que nos encontramos, e cuida de lembrar ao outro que estamos destinados � eternidade e � Nova Jerusal�m com Cristo. Porque existe uma profecia que diz: "ent�o aqueles que temiam ao Senhor falaram uns aos outros; e o Senhor atentou e ouviu, e um memorial foi escrito diante dele, para os que temiam ao Senhor, e para os que se lembravam do seu nome. E eles ser�o meus, diz o Senhor dos ex�rcitos, minha possess�o particular naquele dia que prepararei; poup�-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Ent�o vereis outra vez a diferen�a entre o justo e o �mpio; entre o que serve a Deus, e o que o n�o serve." (Malaquias 3: 16 a 18). Neste s�bado vou orar pelo cumprimento dessas palavras, e espero que seja um dia de repouso e reencontro, com Cristo e com os nossos vizinhos de eternidade, para todos voc�s, com os olhos fitos no que realmente interessa. Bom descanso, @migos! 29/09/00 |
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