| Despedidas | ||||||||
| Estou numa fase de muitas despedidas. S�bado passado foi meu farewell do Brisa. O grupo foi cantar numa igreja em Itapecerica da Serra e me pediram pra falar alguma coisa antes da �ltima m�sica. Antes que eu come�asse a falar, por�m, o Leandro atropelou pra dizer que o grupo se sentia muito grato por tudo que eu tinha feito; a gente havia acabado de cantar uma linda mensagem baseada em Romanos 8: 35-39, e ele terminou sua pequena interven��o dizendo que "nada vai nos separar". Foi duro eu conseguir comecar a falar, a voz n�o queria sair. Foram cinco anos. Cinco anos vendo as mesmas caras sonadas praticamente todo domingo �s 8 da matina. Com eles eu vivi coisas fant�sticas, experi�ncias marcantes. Com eles partilhei da sensa��o �nica de se sentir usado por Deus, n�o h� nada melhor que isso. Cinco anos ouvindo e fazendo as mesmas piadinhas, que nunca perderam a gra�a. Eles cantaram no meu casamento, eu acompanhei o desenvolvimento de cada um, alguns mais de perto, outros mais de longe... Foi com eles que cantei coisas lindas, mensagens que fazem parte da minha hist�ria pessoal, constru� com eles e atrav�s da "m�ozinha" insuper�vel de nosso Deus algumas coisas que me enchem dum santo orgulho. Por essas e muitas outras coisas � que a hora de despedir � extremamente dura. A gente mora perto, eu vou continuar ajudando o grupo nos bastidores, talvez at� cante numa ou outra apresenta��o, mas fica na boca um gosto amargo de finitude indesejada. N�o � apenas um fim de ciclo, � muito mais, � t�rmino de algo que l� no fundo voc� queria fosse eterna. Fico aqui no meu canto pensando em qu�o maior n�o � a an�loga dor de meu Deus, que � eterno, que tem a eternidade em Si, que criou as coisas para serem eternas mas que as viu tomando decis�es que representavam o seu fim. Sempre me emociono ao ler o "tenho desejado ardentemente comer essa p�scoa convosco", que Cristo disse naquela quinta-feira, antes de ser crucificado. Ele sentia esse amargo sinal do fim, da separa��o. A dor no cora��o de nosso Deus � t�o, mas t�o maior, que Ele n�o hesita em tomar as provid�ncias para remediar a situa��o, indo at� as medidas mais extremas, como dar Sua pr�pria vida em prol do reencontro. A dor � indescrit�vel, e Ele faz o que � preciso para reativar no cora��o de Suas criaturas a semente de eternidade que l� plantou no comecinho. � por isso que quando Ele diz que desejou muito aqueles �ltimos momentos de intimidade e tranq�ilidade com Seus amigos queridos, antes que viesse a tempestade, Ele logo mostra pra onde Sua aten��o est� voltada, dizendo "porque lhes digo que n�o tornaremos a comer essa p�scoa, sen�o quando ela se cumprir no reino de Deus". Quer dizer: tem a separa��o. Mas tem o reencontro. E � essa separa��o dolorosa que garante o reencontro, ent�o ela � necess�ria. As coisas terminam porque o homem escolheu a morte. E o Pai da Vida pede que repensemos nossas escolhas, e tornemos a optar pela eternidade. Enquanto ela n�o se aperfei�oa, enquanto ela ainda est� na promessa certa, vamos trope�ando na finitude de nossas coisas queridas. No meu caso, a separa��o - o trope��o - me fez olhar pra cima e lembrar daquela p�scoa no reino de Deus. O gosto amargo ainda est� aqui na boca, mas essa boca sorri. Fico imaginando as can��es que n�o cantaremos por l�. � hora, ent�o, de colocar toda essa carga positiva que o Brisa me trouxe no cora��o, bem � m�o, pra servir de lanterna na continuidade da caminhada, torcendo e orando a Deus para que ela n�o seja tao longa. 24/07/02 |
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