Goethianas
Estava folheando a parte de esportes do meu jornal, lendo as not�cias dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg e em meio aos confetes lan�ados sobre os medalhistas, uma pequena nota me chamou a aten��o: falava de uma ginasta, da equipe de gin�stica ol�mpica brasileira que n�o ganhou medalha nenhuma. O jornalista conta que ao terminar sua apresenta��o nos exerc�cios de solo, ela chorava convulsivamente, porque absolutamente n�o se conformava com os v�rios erros que havia cometido. Disse que n�o pode ser condescendente com tantos erros bobos quando estava lutando para trazer medalhas para o Brasil.

Admirei o esp�rito patri�tico daquela menina, seu desejo de, mais que tudo, enrolar-se na bandeira brasileira, estufar o peito com o reconhecimento da excel�ncia, trazer gl�rias para seu pa�s...

Por alguma raz�o dif�cil de explicar, isso me levou a pensar em um livrinho chamado �Sacrif�cio�, que li certa vez. Ele conta a hist�ria de um campon�s israelita, que percebeu que estivera pecando ao odiar e prejudicar um vizinho de propriedade. Perceber que pecara era uma coisa s�ria para os israelitas e o resultado disso era irrecorr�vel: pelo seu pr�prio erro um animal inocente deveria morrer. Ele n�o tinha muitas posses, apenas um �nico carneirinho sem manchas, o principal objeto das afei��es de seu filho de 8 anos.

Seu filho e ele levaram o carneirinho at� o templo e ali ele foi sacrificado. Qual o sentimento que deveria haver no cora��o daquela crian�a e daquele pai, enquanto faziam o longo e silencioso caminho de volta para casa, agora com as m�os abanando, sem o balido pl�cido do seu animalzinho? Deixa eu responder: AVERS�O AO PECADO, nojo pelo erro, �dio � desobedi�ncia da lei de Deus, porque esse erro tem conseq��ncias tr�gicas! Aqueles camponeses poderiam at� n�o compreender que o cordeiro simbolizava o filho de Deus que haveria de vir sem manchas, morrer pelos erros e pecados dos homens, mas eles compreendiam bem algumas coisas: o pecado gera morte, e morte de um inocente. A mesma sensa��o deve ter assaltado Ad�o e Eva quando viram o primeiro animal ser morto pelo erro deles, e aquela li��o deveria ser repetida de tempos em tempos. Com ela, Deus demonstrava que o erro tem um pre�o, mas demonstrava tamb�m que o erro tem sa�da!

A morte do inocente substitui a minha pr�pria morte, porque ap�s o sacrif�cio eu des�o para minha casa justificado!

Devemos reconhecer que somos, na maior parte das vezes, condescendentes com nossos erros. A ginasta desesperou-se porque os seus erros privaram sua p�tria de uma gl�ria fugaz, mas os nossos erros nos privam de gl�rias eternas e perenes, afundam um pouco mais os pregos nas m�os e p�s do Cordeiro. Mesmo assim n�o ligamos para o erro, n�o o odiamos, n�o temos asco dele.

Goethe tem dois pensamentos paralelos que eu gosto muito de repetir. Um diz: �somos moldados por aquilo que amamos� e outro diz: �nada revela mais sobre o car�ter de algu�m do que aquilo que ele odeia�.

Quando n�s minimizamos nossos pecados, os pecados dos outros aumentam, nossa justi�a pr�pria d� a impress�o de que resolve o problema a contento, alcan�a a salva��o. Isso � um problema de car�ter, como bem observou Goethe, n�o concorda?

As coisas que n�s odiamos revela melhor do que qualquer outra coisa o car�ter que temos, e car�ter � a �nica exig�ncia para a eternidade. N�o se requer de n�s novos sacrif�cios, o sacrif�cio perfeito j� foi feito, por Deus. O que se requer � que O amemos, e amemos o que Ele ama, e odiemos o que Ele odeia, para que sejamos moldados pelas coisas que Ele ama, para que passemos a apresentar a esse mundo ca�do um car�ter cada vez mais parecido com o dEle, para que odiemos o pecado tanto quanto Ele o odeia. Mais do que nunca, Deus espera um povo que odeie com todas as for�as a desobedi�ncia!

Vou me candidatar. Que tal vir tamb�m?

30/07/99
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