Andando por a�
Ontem decidi andar da Paulista at� a FMU, onde estou fazendo um curso. A experi�ncia no metr� abarrotado semana passada foi traum�tica, achei que a caminhada seria saud�vel e vantajosa em termos de condicionamento f�sico... Eu n�o contava que fosse t�o boa. Comecei a andar, a noite lavada de chuva estava deliciosa e o caminho que escolhi revelou-se admiravelmente bonito.

Ambiente perfeito, comecei a orar. E orando percebi h� quanto tempo n�o fazia isso assim, delongada e sinceramente. Que coisa curiosa. Lembrei que essa magn�fica experi�ncia era mais comum quando eu era ass�duo freq�entador de �nibus; encostava a cabe�a no vidro ou no bala�stre e ia conversando com meu Deus sem compromisso e sem pressa, ouvindo Sua voz mansa e suave l� no fundo...

� curioso: eu n�o suportava mais andar de �nibus. Passei uns dois sextos da minha vida dentro de �nibus e sempre que tinha de faz�-lo agora me parecia a id�ia mais torturante do mundo. Chega disso, eu pensava, com carro eu vou aonde quiser e vou mais r�pido, ganho tempo...

Ontem pensei: ganho tempo? Mas com que o aplico? Decerto que n�o com o essencial. Orar � um exemplo. Ler � outro, a minha m�dia de livros lidos ao ano caiu drasticamente desde que decidi abandonar o magn�fico transporte coletivo de S�o Paulo...

A moral dessas minhas reflex�es todas n�o foi um retorno �s origens. N�o me venha pedindo para dar meu carro, hehehe A moral � que todo avan�o numa dire��o significa uma perda em outro. H. G. Gombrich ensinava isso no seu livro de Hist�ria da Arte. Ele diz que se o pensamento, o estilo art�stico avan�a num determinado sentido, deixa de avan�ar e outro, o que acaba sendo um retrocesso.

Acho que � por isso que o ap�stolo Paulo diz que deixando de ser menino deixou tamb�m as coisas de menino, da mesma forma que abandonaremos a imperfei��o e nosso amor limitado quando mergulhamos no amor de Cristo.

A grande sabedoria est� em preservar o essencial. Abandonar os acess�rios para crescer, mas manter a ess�ncia. Nenhum avan�o material nesta vida deve significar abrir m�o do nosso tempo com o Criador, nossos momentos de ora��o, nossa leitura da B�blia. O mesmo Paulo dizia que esquecia as coisas que ficavam para tr�s e corria para o alvo... ele esquecia tudo, menos de correr, e de correr para o alvo. � isso que importa.

Ser� que a gente n�o est� abrindo m�o das coisas mais b�sicas para a nossa vit�ria? Pensar nas coisas que o meu avan�o me faz abandonar me fez um bem danado ontem, e eu recomendo essa experi�ncia para voc� tamb�m!

01/09/2000
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