| As coisas que perduram | |||||||||||
| Texto publicado na Revista Adventista, edi��o de mar�o de 2002. | |||||||||||
| "Aos quinze anos, tudo � infinito", dizia mestre Machado de Assis, nas Mem�rias P�stumas de Braz Cubas. Aos quinze anos achei aquilo espirituoso e escrevi no meu di�rio. Sob essa frase, grafada com minha maravilhosa caligrafia, em tinta azul, encontra-se agora uma outra frase, em vermelho: "aos dezessete, chocamo-nos com o finito". Essa � de minha autoria. � que, relendo o di�rio de dois anos atr�s, eu, agora do alto dos meus amadurecidos dezessete anos (nossa, faz quase dez anos!), comecei a pensar na minha vis�o de mundo aos quinze: eu tinha uma turma �tima. Eu cria piamente que jamais nos separar�amos, ir�amos ser padrinhos dos casamentos uns dos outros, criar�amos os filhos juntos, etc e tal. N�s nos am�vamos, troc�vamos confid�ncias, viv�amos juntos, �ramos uma fam�lia divertid�ssima e extremamente promissora. Tudo era infinito... Aos dezessete a turma estava em crise. Descobri estupefato que fulano arrastava uma asa pra sicrana, que por sua vez nutria uma certa afei��o especial por fulano 2, que por sua vez estava preferindo fazer programas com os colegas do cursinho e assim por diante. Eu tentava abra�ar o meu mundinho com todas as for�as pra ele n�o mudar de fei��o, mas n�o estava conseguindo, as coisas mudavam, o que am�vamos n�o era infinito. Choquei-me com o finito mais algumas vezes depois. Percebi que as coisas morriam ante meus olhos e n�o adiantava muito espernear contra isso. Despedi-me v�rias vezes de amigos queridos, vi muita gente ir embora e encontro por a� alguns desses, que hoje me parecem estranhos completos. Os acampamentos foram maravilhosos, mas acabaram. As viagens foram magn�ficas, mas chegaram ao fim. Os grupos de estudo eram vibrantes, mas dissolveram-se. O grau de minha decep��o com essas coisas dependia diretamente do grau de expectativa de longevidade que eu tinha de cada uma delas. Se eu apostava todas as fichas em algo, como na velha turminha dos quinze anos, quebrava a cara e isso machucava muito. � por isso que at� hoje, uma das can��es que mais me dizem algo � �As coisas que perduram�, que foi gravada pelo grupo Musicanto (salvo engano). Ela diz: "esse mundo oferece momentos de prazer em coisas passageiras, sem valor eu sei que essas coisas atraem nosso olhar fazendo com que cres�a ilus�o no cora��o... eu vou dizer-lhe ent�o: as coisas que perduram que nunca morrer�o eu guardarei no cora��o e minha esperan�a crescer� guardarei no cora��o meu Jesus, que vivo est� Ajudada pela melodia bem constru�da, essa can��o me diz que para evitar quebrar a cara tantas vezes, � muito melhor que eu coloque minhas expectativas e confian�a em algo que morreu, ressuscitou e hoje vivo est�. A� n�o h� chance de eu me decepcionar. � claro que n�o devemos descrer dos amigos, dos bons momentos, das viagens, dos contatos, das pessoas, enfim. O que estou querendo dizer � que nossas maiores expectativas devem estar ligadas �quilo que n�o vai nos decepcionar nunca, e isso vai nos dar energia para considerar as outras coisas todas com a aten��o e o entusiasmo que merecem. Existem, na verdade, dois tipos de coisas: as coisas que perduram, e as outras. As primeiras s�o raras, e n�o traem nossa confian�a nunca. Do que vamos escolher gostar mais? O que vamos escolher para colocar no trono dos nossos afetos? Gra�as a Deus, que pelo Seu Filho Jesus Cristo proveu as coisas que perduram, para que n�o tiv�ssemos que viver assim, de morte em morte, vendo as coisas se acabando � nossa frente e o nosso cora��o se cobrindo de cicatrizes cada vez mais fundas e dolorosas!! Gra�as ao nosso Deus, rocha eterna, capaz de plantar no nosso cora��o a semente da eternidade e de reg�-la com Sua chuva abundante! 14/07/2000 |
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