Nascer chorando

Amanh� Tatiana e eu entramos oficialmente no oitavo m�s de gesta��o. Ela aprendeu a contar por semanas, o que seria o correto, mas depois da d�cima, n�o podendo mais usar os dedos pra fazer contas, eu desisti e voltei aos bons e velhos meses.

Nesse tempinho aprendi uma imensid�o de coisas interessant�ssimas sobre gesta��o e seus acess�rios. Algumas coisas n�o s�o muito interessantes, claro, e lembro delas sempre que vejo meu saldo no banco, mas o que li, vi e ouvi nesses sete meses de pensar o tempo todo no meu filho me deixa fascinado com o dedo divino na reprodu��o da nossa esp�cie.

No curso para gestantes que fizemos, ouvimos falar de um certo Dr. Leboyer, um obstetra franc�s que usa t�cnicas inovadoras no parto. Parece que ele estava meio desencantado com a vida ocidental e se bandeou pra �ndia, voltando de l� com mil id�ias. Ele, que escreveu o livro �Nascer sorrindo�, defende que, como a crian�a est� envolta por l�quido, que abafa o som e a mant�m no escuro durante toda a gesta��o, quentinha, aconchegada, o momento do parto � extremamente traum�tico para ela. De repente, luz, barulho, frio, tudo depois de passar por uma passagenzinha toda apertada, empurrado pelo �tero. Ele diz que esse choque afeta a pessoa deixando seq�elas irrepar�veis em sua personalidade.

Por isso ele mant�m as salas de parto na penumbra e todos s�o obrigados a falar sussurrando. A crian�a �, depois de �expulsa�, imediatamente envolta de modo a manter-lhe o calor e sua adapta��o ao meio externo � feita gradual e lentamente.

Tatiana e eu achamos aquilo moderno e inteligente. At� conversar com o nosso obstetra... Ele deu detalhes que desconhec�amos: Leboyer, m�dium esp�rita, teve sua vis�o cient�fica profundamente afetada por sua cren�a, como n�o poderia deixar de ser. Consta que um m�dico brasileiro esteve por l� na Fran�a, fez amizade com Leboyer e trouxe a t�cnica para o Brasil, a princ�pio para o Hospital Albert Einstein, aqui em S�o Paulo. Depois de alguns meses de aplica��o da t�cnica, foi convocada uma reuni�o para avaliar os resultados dela e chegou-se � conclus�o de que os beb�s que �nasciam sorrindo� tinham muito mais problemas respirat�rios que os outros, que nasciam chorando mesmo. Aquele m�dico ent�o levou sua t�cnica para outro hospital e a utiliza at� hoje, salvo ledo engano.

A explica��o do nosso m�dico, um crist�o, foi singela e precisa: n�s vemos no parto um elemento projetado, pensado pelo nosso Criador, n�o o fruto de um processo evolutivo calcado em sele��o natural e muta��o aleat�ria. Para n�s faz todo o sentido que o ato de �dar � luz� (e n�o �dar � penumbra�) seja o �pice de um processo natural perfeito, de modo que ao come�ar o processo de expuls�o do beb�, ele esteja plenamente preparado para respirar ar, ver luz, ouvir sons. N�o s� est� preparado, mas est� na hora de isso acontecer! Tentar driblar a natureza acaba tendo resultados adversos.

De modo similar acontece nossa gesta��o espiritual. Como diz o salmista, no Salmo 1, �bem aventurado o que... tem prazer na lei do Senhor... pois ser� como a �rvore plantada junto �s correntes de �guas, a qual d� o seu fruto na esta��o pr�pria.� Depois de sorver o alimento espiritual durante nossa �gesta��o�, formando um car�ter novo, obtendo novos vislumbres da pessoa de nosso Deus, renovando id�ias, sentimentos e gostos, o momento chega � e � o que o salmista chama de �esta��o pr�pria� � de passar isso tudo adiante � o que o salmista chama de �dar o seu fruto�. Esse per�odo gestacional varia em tempo de pessoa para pessoa, mas vem o momento certo em que o fruto aparece.

Triste quando algu�m luta para continuar na paz do receber apenas. Na tranq�ilidade do alimentar-se, do papar serm�es anos a fio, lutando contra a natureza que pede um minutinho de choro, de passar pela passagem apertada, de atrair responsabilidades manifestando posi��es claras, posi��es tantas vezes impopulares. Triste quando brecamos a seq��ncia de nosso crescimento, por evitar declarar em Quem cremos, por evitar assumir o papel de Seus filhos e servos. Estamos prontos para isso! O ap�stolo diria assim: �n�o � poss�vel que, sendo tempo de comer comida s�lida, eu ainda tenha de lhes dar leitinho!�

O que eu digo hoje �: n�o queira amenizar, com tuas id�ias tortas do que seria �amenizar�, as etapas pensadas por nosso Deus. Se voc� n�o viveu ainda a gesta��o espiritual, �cumpre-vos nascer de novo�, pe�a-o a Deus agora! Se voc� j� viveu, pense que cada novo vislumbre do C�u representa uma escolha que voc� tem que tomar. Ent�o tome a escolha certa.


Marco Aur�lio Brasil Lima
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