O c�u que nos protege

Naquele gibi Asterix, os gauleses que det�m o segredo da po��o m�gica da for�a resistem bravamente ao dom�nio romano e n�o t�m medo de nada. Alias, de quase nada, pois uma coisa lhes mete medo: a possibilidade de o c�u lhes cair sobre a cabe�a.

Descobri porque nesta quarta-feira.

Voltando para casa, come�amos a perceber que as coisas n�o estavam muito boas para os lados do Cap�o Redondo, com a chuva torrencial que ca�a. Um tr�nsito terr�vel nos obrigou a tomar v�rios caminhos alternativos. Num determinado momento reparamos, entre uma e outra volta fren�tica do limpador de p�ra-brisas, que a rua estava cheia de galhos de �rvores e de algo marrom... Barro? Depois descobrimos: eram peda�os de telhas.

Passei sob um enorme tronco de eucalipto envergado sobre a estrada de Itapecerica, desviei de uns fios da rede el�trica, tive de voltar atr�s mais de uma vez por causa de �rvores que impediam a passagem em v�rias ruas, mas enfim  consegui chegar em casa, receoso do que ei iria encontrar.

A entrada da minha garagem estava cheia de telhas no ch�o, e obstru�da pela queda de vigas de madeira (de onde seriam??) e fios. Desci na chuva e corri para ver como estava a Tatiana e minha mente custou a decodificar a mensagem que os meus olhos mandavam: meu quintal cheio de destro�os, folhas, telhas, madeira... Tatiana ainda estava em estado de choque, e s� conseguiu me levar at� onde o estrago era mais vis�vel: sobre nossa cama uma enorme cachoeira...

No dia seguinte pudemos avaliar melhor a dimens�o do que havia acontecido. Est�vamos sem metade do telhado, e a outra metade seriamente danificada. Uma enorme e pesada viga de madeira voou at� a casa da minha tia, em frente, arrancando o reboco (ainda bem que foi s� o reboco) de toda uma parede.

Ela tamb�m estava sem garagem. L� de cima, do que at� h� pouco tempo era meu telhado, vi que na mesma situa��o estava boa parte dos meus vizinhos. Na rua, s� se via carros  e pessoas carregando telhas pra cima e pra baixo, gente narrando seu sufoco, todos ainda muito assustados... Ficamos sabendo que uma �rvore acertou 5 carros de professores do col�gio adventista, de pr�dios que foram inundados, do telhado que foi afundado, enfim, nosso bairro experimentou um pouquinho da f�ria desmesurada dos elementos e at� conseguirmos reagir a isso vai um longo tempo.

Ha duas semanas eu te escrevia aqui sobre a hist�ria de J�, que perdeu tudo e em nada ofendeu a Deus e sobre os jovens na fornalha ardente, que n�o admitiram adorar outra coisa al�m de Deus mesmo em face da morte. Eu observei que uma atitude dessas n�o nasce da noite para o dia, que isso � fruto de uma viv�ncia substanciosa com Deus e agora me via na situa��o de mostrar com quem tenho efetivamente andado esses anos. Era comigo dessa vez.

Quando pensei nisso olhei de novo para minha casa avariada e vi Sua m�o ali. Vi que entre vigas de madeira que despencaram l� do alto, entre tantos peda�os de telhas que pesam 25 kg cada, no meio daquele campo de batalha estava intacta a casinha do Bernardo, o cachorro, que tem telhas mais fracas e finas que as do telhado. Ele estava euf�rico que a chuva tinha passado, e pulava todo feliz entre os destro�os. Vi que a m�o de Deus nos poupou do pior, n�o chegamos a perder nada dentro de casa, est�vamos bem...

A gente ainda est� sem telhado e ontem voltou a chover. Amontoamos nossos m�veis do jeito que deu e sa�mos atr�s de comprar telhas, que estavam estranhamente caras e dif�ceis de achar ontem... Estamos hospedados na casa da mamma. e desde j� posso dizer que senti um pouco do que � ter sua casa acoitada pela tempestade. A Tatiana sentiu o que � n�o saber se as paredes de sua casa v�o resistir, j� que o barulho era tremendo... Bom, n�o adianta entrar em todos os detalhes do que passamos. O mais importante � pensar um pouco no que tudo isso me diz com respeito � minha outra casa, sabe?...

Entre a casa constru�da sobre a areia e a casa constru�da sobre a rocha, na par�bola de Jesus, existe uma �nica semelhan�a: sobre ambas a tempestade vem. Vai ser uma tempestade capaz de derrubar a que n�o estiver bem fundada.

Creio que momentos assim v�o colocar � prova o tipo de fundamento que estamos buscando para nossa casa espiritual. Essas coisinhas v�o exercitar nossa f� ou lev�-la embora, se estivermos cambaleantes. E dever�o acontecer com mais e mais freq��ncia, porque, como disse o ap�stolo, a Terra toda est� gemendo, como que com dores de parto. Deus est� nos protegendo agora, mas Seu objetivo maior � poder nos proteger no dia em que a tempestade de verdade chegar.

Quando ela chegar, vai revelar com quem temos andado. E n�o vai importar nada o qu�o bonita, grande e imponente seja ela, importa � qual � o seu fundamento!


Marco Aur�lio Brasil Lima
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