Passos - VII

Fragmentos

De passagem pelo xerox, Luiza, x�cara de ch� na m�o, p�ra para perguntar se suas encaderna��es estavam prontas. Michele entra e come�a a contar-lhe toda animada os detalhes do casamento j� pr�ximo e Luiza envolve-se naquele turbilh�o de emo��es que esquece totalmente das encaderna��es e a x�cara de ch� sobre o balc�o. L� pelas tantas, Michele comenta, maravilhada:

- Nossa! Imagina s�, eu aqui contando esse monte de bobagens para voc�!
- Por qu�? Surpreende-se Luiza.
- Bom, voc� � a diretora... Gozado, n�? H� um tempo eu n�o seria capaz de te contar nem que estava noiva!
- Quer dizer que voc� mudou...

- N�o, Luiza! Voc�, voc�!

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- Jonas � Armando com seu jeit�o direto e reto, sem rodeios � a id�ia � a seguinte: pra MLH o projeto custa R$ 26.000,00; pra n�s aqui, custa R$ 18.000,00. A diferen�a sai pra eles como honor�rios de consultoria... �, consultoria, mas quem d� a consultoria somos n�s, entende? Vai tr�s paus pro Dorival, que � quem bate o martelo l� dentro. A gente racha os cinco restantes e...

- T� fora.

- Hein? T� entendendo... tr�s pra voc�, ent�o, eu fico com dois [palavr�es]...
- T� fora, Armando, t� fora!
[palavr�es e palavr�es]

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- Luiza � Bete no telefone � o sr. Geraldo est� marcando uma reuni�o para amanh� �s...
- Nem pensar, Bete!
- Hein?
- Amanh� estou indispon�vel!
- Luiza! O homem vai querer discutir o budget do semestre e a tua id�ia dos vendedores pr�prios...
- Bete � rindo - ele j� est� sabendo que eu tenho coisa muito, muito melhor pra fazer. Amanh� � s�bado e eu n�o troco minha igreja por nada.
- Mas...

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Todo mundo em torno da mesa de reuni�es, reuni�o terminada, e o Armando conta um dos seus causos. No meio saem v�rios dos costumeiros [palavr�es e palavr�es], mas ele se interrompe, vira para Jonas e pede desculpas. Jonas agradece a lembran�a.

C�lio, que recolhia suas coisas atr�s do grupinho, ouve tudo e sorri.

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H�lio, desconsolado, pede desculpas a Luiza.

- Voc� sabe o quanto eu sou exigente com prazos, H�lio � ele assente com a cabe�a. Luiza o fita por alguns instantes, co�ando a cabe�a, pensando na hist�ria que ele tinha contado, namoro terminado na v�spera, etc.
- Ok, vamos fazer o seguinte: � p�scoa! A gente comemora o gesto com o qual Jesus deu pra todo mundo outra chance, certo? Ent�o vou te dar outra chance. Segunda-feira.
Ele sorri respirando aliviado. Antes de fechar a porta atr�s de si, vira-se e diz:

- Alguma coisa me diz que, vindo de voc�, n�o � s� porque � p�scoa...
E ela arregala os olhos.

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Jonas acomoda-se nos bancos da igreja, olhando ao redor, procurando por C�lio. L� na frente v� uma mesa com p�es � moda do Oriente, um grande jarro de vidro com suco de uva e uns ramos de trigo compondo a decora��o. Atr�s, a grande cruz pintada no painel, palco preparado para a comemora��o da p�scoa. 

Ele v� uma mo�a sentada sozinha, chorando mudamente. Aquilo o incomoda. Tem �mpetos de ir at� ela, mas por j� t�-la visto durante a semana, sabe que � casada e pensa que pode pegar mal. Por que ser� que ela chora, meu Deus?
De repente ao lado da mo�a senta-se outra e come�am a conversar. A outra abra�a a que chorava, e dali a pouco elas oram juntas.

Aquela cena, naquela sexta-feira, � um grande b�lsamo caindo lento no cora��o cheio de turbul�ncia de Jonas. Ele sorri e agradece a Deus em pensamento.

A mo�a que consolava a que chorava atrai seu olhar algumas vezes ainda, antes do in�cio do culto. O cabelo liso e bem cortado n�o chega aos ombros.

Veste um tr�s-quartos bonito, cinza, e tem uns olhos verdes que...
A programa��o come�a. Hora de cantar um pouco, o b�lsamo � completo, completo.

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Luiza desliga o telefone com impaci�ncia, pega a bolsa e sai em disparada, pedindo para Selma desligar seu micro. No corredor se despede de todos com um �muito boa p�scoa!� coletivo, efusivamente respondido, e enfia-se no elevador, que providencialmente abrira a porta.

Olha no espelho do elevador e pensa:
- N�o d� tempo de passar em casa. � melhor ir direto pra igreja, assim posso sentar um pouco l�, orar, pensar na vida � e sorri uma alegria genu�na, a que come�ava a acostumar-se, a que principiava por n�o saber como viveria sem. Depois completa:

- Esse tr�s-quartos cinza n�o � de todo mau, nem preciso mesmo me trocar � e seus olhos verdes brilharam pela expectativa das coisas que viriam.

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Ellen G. White � Caminho a Cristo, cap�tulo A obedi�ncia � um privil�gio, p. 57:

�Se o cora��o foi renovado pelo Esp�rito de Deus, a vida dar� testemunho desse fato. Se bem que nada possamos fazer para mudar o cora��o ou p�r-nos em harmonia com Deus; se bem que n�o devamos absolutamente confiar em n�s mesmos ou em nossas boas obras, nossa vida revelar� se a gra�a de Deus est� habitando em n�s.�


Marco Aur�lio Brasil Lima
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