O que você quer saber sobre TRANSGÊNICOS? |
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Riscos
e inconvenientes comumente associados aos transgênicos
Por que existe, então, tanta oposição ao uso dos transgênicos?
Talvez tudo tenha começado com uma trágica ocorrência em 1989, nos EUA, quando 37 pessoas morreram e cerca de 1500 ficaram inválidas. Na década de 1980, o aminoácido L-triptófano, bastante utilizado em suplementos dietéticos, era produzido através de um processo de fermentação utilizando bactérias. Em 1988, uma empresa japonesa produtora do aminoácido passou a utilizar bactérias geneticamente modificadas, para tornar o processo de produção mais eficiente. O produto, de alguma forma, tornou-se tóxico e foi lançado no mercado antes que se constatassem os efeitos adversos. Nunca se esclareceu se a toxicidade foi conseqüência da manipulação genética ou de alguma falha introduzida em outras etapas do processamento, porém os casos de doença, morte e invalidez observados foram associados à ingestão do suplemento alimentar contendo o triptófano derivado das bactérias geneticamente alteradas. A engenharia genética se baseia no pressuposto de que, ao transferir um gene responsável por uma determinada característica, essa característica vai se manifestar da mesma forma no organismo modificado. Porém, alguns cientistas alertam que pode haver uma manifestação de resultados diferentes dos esperados, através das interações complexas dos transgenes com as células, substâncias e processos no novo organismo, ou com o ambiente externo. Por exemplo, uma proteína produzida pelo transgene, ou algum produto derivado de sua manifestação, poderiam ser nocivos para seres humanos e animais. A introdução de genes resistentes a antibióticos (como o gene resistente à canamicina, de que já falamos) é um dos pontos indesejados na produção de transgênicos. Embora alguns pesquisadores afirmem que não existe risco para a saúde dos consumidores, outros receiam que o gene da resistência se transfira para bactérias patogênicas aos seres humanos. Existiria, também, a possibilidade de um transgene passar da planta transgênica para outras plantas sexualmente compatíveis, nas proximidades do local do plantio. Existe uma polêmica sobre o milho e o algodão transgênicos plantados nos EUA, na Argentina e na China. Para tornar o milho resistente à broca do milho européia e para tornar o algodão resistente ao bicudo, algumas empresas de biotecnologia introduziram nessas plantas o gene produtor de toxinas proveniente de diferentes linhagens da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), comumente encontrada no solo. Autoridades mundiais em agroecologia afirmam que os insetos que se alimentam dessas plantas irão desenvolver resistência à toxina, mantendo-a em seu corpo e tornando-se letais aos seus predadores. Com isso, as pragas se tornariam muito mais perigosas. A toxina, uma vez absorvida no solo, acaba matando os microorganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica. Além do mais, foi observado que o pólen dessas plantas alteradas é capaz de matar outros insetos além daqueles que são alvo do combate. É o caso das lagartas da espécie Danaus plexippus, a borboleta-monarca, espécie que pode ter sua extinção acelerada. No caso da soja transgênica, assim como do milho e do algodão, modificados geneticamente para tornarem-se resistentes ao herbicida Roundup, que tem como princípio ativo o glifosato, o argumento a seu favor é que os custos de produção são reduzidos. A soja transgênica é comercializada na Argentina, nos EUA e no Canadá, e tenta-se introduzi-la oficialmente no Brasil, de forma permanente. Porém, tem sido afirmado que, além de ter menor produtividade que a soja tradicional, o uso de herbicidas na soja transgênica é maior do que na soja tradicional. Existe algo, ainda, que assusta os ambientalistas: a possibilidade de polinização cruzada, em que o pólen da planta transgênica fecundaria outras plantas aparentadas, nas redondezas das áreas plantadas, e o gene da resistência ao herbicida poderia até vir a se incorporar à própria praga, criando "superervas daninhas". Os ambientalistas clamam, portanto, e certamente com razão, que os transgênicos devem ser cuidadosamente investigados antes de serem liberados para comercialização, seja sob a forma de sementes, ou de produtos industrializados. Ao se manipular organismos vivos, deve-se ter em conta que existe uma reação da natureza. Todos os seres estão em evolução, em modificação constante e recíproca no ambiente em que vivem. É de se supor que as leis da genética e da seleção natural operem sempre, de modo que os possíveis benefícios da manipulação genética, em muitos casos, não são duradouros. Além disso, a ciência hoje não domina senão uma pequena parte do conhecimento sobre os seres vivos, seus processos vitais e as interações evolutivas entre eles e o ambiente que os cerca. A experiência tem mostrado que a natureza reage para se proteger, às vezes de forma inesperada, quando o homem, exagerando no desejo de poder ou lucro, ou na ilusão de que pode dominar a própria natureza, tenta violentar seus princípios.
A praga do milho que surgiu em 1970 no sul
dos EUA atacava os híbridos que tinham como genitor a linha de
machos estéreis citoplasmáticos, mas não causavam
dano algum aos outros. Como a maior parte do milho cultivado nos EUA era
proveniente daquele genitor, as perdas foram enormes. Esse é um
exemplo do perigo de cultivar-se uma determinada variedade em grande escala.
A diversidade é desejável, pois é improvável
que todas as variedades mostrem-se igualmente suscetíveis a determinada
doença. Perguntas que muitos se fazem: por que as empresas não desenvolvem plantas úteis resistentes à seca, por exemplo? Por que não desenvolvem plantas resistentes a ervas daninhas? Em vez disso, as empresas desenvolvem plantas tolerantes a herbicidas, fabricados e vendidos pelas próprias empresas... A introdução no mercado de cada novo organismo geneticamente modificado, deve, sem dúvida, ser precedida de uma observação intensa, ampla, cuidadosa de seu comportamento, para verificar se podem causar dano, seja à saude humana ou animal, seja ao meio ambiente, especialmente no que diz respeito à preservação de espécies "puras", à preservação da biodiversidades. E deve ser analisado com profundidade seu impacto nas condições sócio-econômicas do país. Sem isso, não há segurança ou ética em seu uso. Já faz tempo que grandes cientistas de nosso país vêm alertando: não deveríamos introduzir modificações sérias no meio ambiente sem conhecimento e tecnologia suficientes para prever, prevenir ou, em último caso, consertar os estragos que estas modificações possam provocar. A citação de riscos e inconvenientes dos organismos geneticamente modificados não quer dizer que se defenda simplesmente o afastamento de uma tecnologia que pode ser extremamente útil, se usada com discernimento e responsabilidade. Biotecnologia foi um dos temas sobre os quais muito se refletiu na transição do século 20 para o século 21. O assunto mereceu uma reportagem especial do Time Magazine, que apontou uma possível revolução biotecnológica, como um dos grandes avanços do novo século, assim como a tecnologia da informação o foi para o século 20. Mas a própria revista não se escusou de questionar o aspecto ético da questão e foi buscar os mais elevados conceitos no grande filósofo alemão, Immanuel Kant, assim traduzindo seu famoso imperativo categórico: Para saber mais sobre os riscos de transgênicos ou sobre os mitos a seu respeito, conheça a opinião de cientistas especializados.
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