Segundo
a mitologia grega, Aracne era uma jovem tecel� que vivia na L�dia,
em uma regi�o da �sia Menor chamada Me�nia. Seu trabalho era
t�o perfeito que, em todas as cidades da L�dia, Aracne ganhou fama
de ser a melhor na arte de fiar e tecer a l�.
Eram
os deuses, com sua generosidade, que concediam �s criaturas seus talentos
e habilidades, mas os mortais, com sua capacidade natural de esquecer
as coisas, �s vezes cometiam a tolice de gabar-se de seus pr�prios
feitos. Assim aconteceu a Aracne, que deixou-se dominar pela vaidade
e passou a vangloriar-se de sua habilidade como tecel�. At� que um
dia algu�m veio lembr�-la de que ela era disc�pula de Atena. Atena
(Minerva, na mitologia romana) era filha de Zeus, e al�m de ser a
deusa da Sabedoria ,era a deusa que presidia as artes e os trabalhos
manuais -- a tecelagem inclusive. Aracne ficou extremamente ofendida
e, querendo provar sua independ�ncia e auto-sufici�ncia, caiu na fraqueza
de afirmar que podia competir com Atena e seria capaz de derrot�-la
na arte da tecelagem.
Atena
disfar�a-se e vai procurar Aracne
Ao
saber da presun��o de Aracne, Atenas foi procur�-la disfar�ada
como uma anci� e pediu-lhe que a escutasse, devido � experi�ncia
de sua idade avan�ada: "Busque entre os mortais toda fama que
desejar, mas reconhe�a a posi��o da deusa". Por�m, a famosa Aracne
n�o percebeu que se tratava de Atena e, al�m de zombar da anci�, reafirmou
seu desafio: "Por que motivo sua deusa est� evitando competir
comigo?"
Atenas
revela-se
Ao
ouvir isto, Atenas apareceu em sua forma verdadeira, e todos se puseram
a reverenci�-la, exceto Aracne, que permaneceu impass�vel, pois o
senso de poder que sua habilidade lhe dava tornava-a ousada em excesso.
A
competi��o
Atenas
desafiou Aracne a provar que seria capaz de venc�-la e as duas deram
in�cio � competi��o. Sentaram-se e come�aram a tecer, cada qual procurando
produzir a obra vencedora.
O
que Atena teceu:
Atena
retratou a cidade de Atenas e os deuses em seus tronos, e entre os
deuses a oliveira que ela havia criado durante uma disputa com Posseidon
e gra�as � qual foi proclamada a protetora da cidade. Retratou tamb�m
Nik�, o s�mbolo da Vit�ria e nos quatro cantos da tela, desenhou quatro
cenas mostrando o que havia acontecido a alguns mortais que desafiaram
os deuses e em que eles acabaram sendo transformados.
Coroando
o trabalho, Atena teceu uma grinalda de folhas de oliveira, que �
at� hoje um s�mbolo de paz.
O
que Aracne teceu:
Aracne,
a perfeita tecel�, achou de retratar o maior de todos os deuses --Zeus
-- por ocasi�o de suas conquistas amorosas. E ent�o foi tecendo
diversas cenas em que ele aparece disfar�ado ou toma a forma de um
animal: Zeus, sob a forma de touro, arrebatando Europa; sob a forma
de �guia, abordando Ast�ria; sob a forma de cisne, conquistando Leda;
sob a forma de s�tiro, fazendo amor com Ant�ope; Zeus fazendo-se passar
por Anfitr�on para seduzir Alcmene, m�e de Heracl�s (H�rcules); Zeus,
o pastor que fez amor com Mnemosine, mulher-tit�; e, ainda, Zeus conquistando
Egina, Dem�ter e Danae, disfar�ado, respectivamente, de chama, serpente
e chuva de ouro. No af� de "tricotear" sua espantosa obra,
Aracne incluiu ainda os amores de Posseidon, Apolo, Dion�sio e Cronos.
E
ao redor de todas as cenas, teceu uma graciosa moldura de hera e flores
entrela�adas.
Desfecho
da est�ria
T�o perfeita
foi a obra de Aracne que Atena n�o conseguiu encontrar nela a m�nima
falha. Irritada, Atena rasgou a tecelagem em peda�os e golpeou Aracne
na cabe�a. Aracne ficou muito triste e, em seu desespero, terminou
tentando se enforcar. Atena, ao saber o que sua c�lera havia provocado,
compadeceu-se de Aracne e transformou a corda que ela usara para enforcar-se
em uma teia. Em seguida, derramou sobre Aracne fluidos retirados das
ervas da deusa Hecate e transformou-a em uma aranha. Dessa forma,
Aracne foi salva da morte e, embora condenada a ficar dependurada
em sua teia, a beleza de sua arte n�o ficaria perdida para sempre
neste mundo.